Tudo era pior do que William imaginara. O círculo dentro do palácio era fechado e extramente claustrofóbico. Não culpava Renesme por sentir-se apreensiva e nem Bella por ter entrado num colápso. Porém, as engrenagens funcionavam bem e mantinham a velha maquina real funcionando a todo vapor.

Era como uma grande colméia. Todos trabalhavam juntos em pro de algo. Havia o círculo maior, onde centrava-se os principais áreas de funcionamento da instituição, tais como, advogados, contadores, secretrários, relações públicas e todos eles muito protetores com relação ao rei. Edward é quase intocável! Sobrevive apenas o seu ecossistema. Isso era algo que William detestava! Como alguém que tinha um funcionário para fazer tudo que ele precisava podia entender o que acontecia no mundo real?

Dentro dos escritórios maiores haviam os menores interligados a estes. Na época em que Carlisle era rei e que haviam mais membros de sua família em serviço a realeza. Haviam vários escritórios divididos em pequenos clãs, como William pôde entender. Existiam os “Clarence”, com Emmett e sua família, os “Norfolk”, com a princesa Alice, Jasper e Pietro, os “Denali” com Carmem, a irmã do rei, e os “Richomnd”, onde estavam Bella e todo o resto. Inclusive, a mesma equipe agora trabalhava para Renesme.

Já fazia uma semana que o jornalista agora trabalhava para a princesa. Diariamente, ele se fazia presente ao palácio e observava tudo ao redor. Fez questão de ler o código de leis real, um livro antigo, de quase 200 anos que até poderia ser considerado ultrapassado, mas que era seguido à risca. Não dava muitos pitacos, o momento era de descobrir o ambiente. Este era formado pela sua secretária, Emily, a mesma da duquesa. Uma mulher jovem, bonita, e muito dedicada ao trabalho e as regras da instituição. Sim, por que todas as decisões tomadas por qualquer membro da família real deveria estar de acordo com os princípios e leis que regiam a realeza belgã. Ou seja, se Bella estava destoando dentre os padrões, alguém de dentro iria ter todo o direito de repreendê-la, pois, mesmo duquesa, ela era uma espécie de funcionária “mor” da monarquia e tinha que seguir as regras como todos. Mas até que ponto isso poderia ter alguma influência em sua morte? William coçou o queixo e anotou a pergunta em seu caderno.

Além de Emily, havia Piril, a relação pública, uma jovem ruiva também muito complementada em seu trabalho, tinha Rosevelt, o advogado, o único homem da equipe com excessão do segurança, James, e também o único que não havia sido escolhido por Bella. Pelo que o jornalista havia descoberto, a duquesa havia criado um mini-escritório para si, três anos antes de sua morte. Isso por que Edward e ela vinham se distanciando em seus projetos. Enquanto o antigo príncipe ocupava cada vez mais as funções do pai, Bella ia para caminhos menos tradicionais e próprios, por isso, necessitava de uma equipe para si. O advogado veio de brinde. Ele prestava serviço à realeza por anos e havia sido realocado para os “Richmonds” dez anos antes da morte de Bella.

Era de se imaginar que ele estava ali há muito tempo. Rosevelt era o esteriótipo do partido conservador. Um velho gordo, com rugas, e estritamente tradicional. Porém, de toda a equipe, ele não estava tão presente assim na rotina de Renesme como os outros. Era de se imaginar que ele só estaria ali quando necessário. Mas teria sido assim na época da duquesa? Principalmente quando o nome dela virou notícia aos quatro ventos e risco de ameaça por Bono Donnalson? William anotou o nome dele.

O dia a dia era bastante simples. Renesme tinha um zilhão de compromissos diários, todos eles organizados, anotados e informados por Emily. Os compromissos internos eram os que mais agradavam a princesa. William a achava muito organizada e uma trabalhadora dedicada. Ela podia resolver problemas burocráticos e participar de decisões que envolviam leis e temas bastante cascudos sem muitos problemas. Ele incotáveis vezes perdera o foco a observá-la fazendo o seu trabalho. Passava horas em seu notebook lendo leis, pesquisando todos os tipos de assunto até ter uma noção de como resolvê-los. A melhor parte era quando ela levantava a cabeça, olhava para ele e pedia a sua opinião. Assim, ele tinha a oportunidade de colocar a sua cadeira junto a dela e passar horas tendo debates com ela. William não parava de se encantar com a sua nova patroa. Ela entendia muito para uma mulher de não tanta idade.

O seu problema estava nos eventos externos. Compromissos oficiais pareciam um grande lamúrio para a princesa. Ela levava horas para se preparar psicologicamente e tentar seguir todos os protocolos lembrados por Emily e agir da maneira mais correta que conseguia. William entendeu que Renesme tinha um grande senso de responsabilidade e se combrava ao extremo. Estar fora do palácio era ter que se provar como princesa. Coisa que ela achava que não conseguiria. Então, era nesse momento que ele agia. Segurava na mão dela e tentava acalmá-la.

— Esqueça essas baboseiras. Não tem que se provar para ninguém. As pessoas vão gostar de você da maneira em que você é.

— Será?

— Tenho certeza.

E assim ela seguia o seu dia. Esse era um dos poucos momentos em que ele interferia. Mas sabia que teria que fazer mais isso. Renesme estava com o seu psicológico quebrado e ele sentia-se no dever de consertá-lo para que ela fosse feliz. Isso era o que ele mais desejava.

— Bem que o Joel me falou que quando você está escrevendo é capaz de esquecer-se do mundo.

William sentiu a mão leve de Renesme em seu ombro e sorriu. Vê-la assim tão a vontade com ele a ponto de fazer carinhos como aquele lhe enchia de felicidade. Isso era um sinal mais do que bom de confiança que ele estava conquistando.

— Estou convivendo demais com Joel para o meu próprio bem. Ele já está sabendo tudo sobre mim.

— Não me diga que está escrevendo mais uma matéria incrível?

— Então significa que você gostou?

Renesme puxou a cadeira e sentou-se ao lado dele, ao mesmo tempo que colocava o tablet aberto com a matéria feita por ele em sua frente.

— Ficou fantástica. Isso irá extremecer o parlamento com certeza.

— Essa é a intenção. Precisamos forçar Bóris a abrir uma CPI. Há casos óbvios demais que condenariam Bono Donnalson.

— O que me pergunta por que isso ainda não aconteceu.

— Pelo simples fato de que em casos de corrupção ou pior, de assassinatos, muita gente por lá cai também.

— Aro sabe bem disso, não é? Por isso não mexeu nenhum pauzinho para me ajudar. Ele quer me prender nessa promessa mais ao mesmo tempo que estaria pondo também em risco os seus principais financiadores do complexo turístico de New Visby.

— Basicamente isso. Estamos num circulo vicioso, Renesme. Onde quem tem mais poder ganha. Aro poderia tentar safar alguns de seus colegas parlamentares de um grande bafafá, mas seria um feito grande demais. Tem muita gente podre lá dentro. Porém, a impresa tem esse poder de revelar algumas verdades necessárias e isso é o nosso dever. Tudo depende de como a usamos e como jogamos a verdade para as pessoas.

— Foi uma tática inteligente essa sua matéria. Quem quiser comparar com as suas antigas nem pensarão que foi a mesma pessoa que escreveu.

— Ninguém precisa saber disso. No momento, eu sou o seu conselheiro e nada mais. E o melhor de tudo é que a repercursão que essa matéria irá ter, se já não está tendo, não tem nada a ver com Aro.

Renesme sorriu e bateu de olho para William.

— Era dessa forma que você ajudava a mamãe?

— Não. Na verdade, sua mãe e eu só tivemos um encontro apenas. Eu apenas prometi a ela que me uniria à causa. Sua mãe era uma mulher inteligente, ela sabia usar as coisas a favor dela. Eu sabia que a impresa a massacraria e desconfio até que o palácio influenciou a isso. Ela tinha que ter um escudo.

— Acredita então que alguém do setor de imprensa teria coragem de incitar matérias contra ela?

— Não necessáriamente. Qualquer pessoa pode fazer isso. É como eu lhe disse. A impresa é feita de verdades e tudo depende de quem consegue melhor ter o poder sobre elas.

Renesme abaixou a cabeça e desemparaçou o cabelo tristemente. William sabia esse ainda era um assunto complicado para ela.

— Sua mãe desconfiava em todos os funcionários em sua volta e foi isso que ela me deixou entender.

— E o que você pensa a respeito disso? O que observou durante a semana?

— Era sobre isso que tenho escrito aqui. Não posso dizer com certeza que alguém tenha ajudado a formentar matérias contra a sua mãe ou fazer algo pior, porém, em anos na minha profissão, sei que um boato, mesmo anonimamente pode gerar um grande burburinho. Alguém pode ter soltado algum comentário para a imprensa como uma forma de puni-la. Mas não podemos provar agora.

— É difícil acreditar que alguém aqui poderia fazer mal a ela.

— Eu sei. Alguns funcionários me chamaram bastante atenção por sua intensa lealdade às regras e tradições da monarquia. Às vezes com uma proteção a vocês de maneira até exarcebada. Isso pode levar a algum lugar, porém duvido que a extremos. Quem matou a sua mãe foi alguém muito mais interessado em eliminá-la do que puni-la por desobedecer os padrões reais.

— É frustrante, sabe? Decepcionante também. Eu vivi a minha vida inteira ao redor disso aqui. Sabe quando você está sonhando e de repente acorda? É isso? É como se tudo fosse uma grande mentira. Sinto que nada vale muito mais a pena. Mamãe se foi brutalmente há um ano e nada sabemos a respeito.

— Nada ainda está inteiramente acabado, Renesme. Vamos descobrir a verdade.

— Eu espero que sim. É a única coisa que me mantém firme.

— Derrotar Donnalson vai ser um passo grande, você verá.

Renesme assentiu e respirou longamente como se estivesse ansiosa para que tudo terminasse logo ou para terminar algo que estava incomodando. William a compreendia tanto! Era tão incrível isso!

— Tenho uma missão para nós dois.

— É mesmo?

— Sim. Como sabe... Nessa terça vai completar um ano. Algumas pessoas querem fazer algumas homenagens. Me proporam um documentário com alguns depoimentos meus e de Tony, mas eu...

— Não está pronta pra isso.

— Exato. Ainda é muito recente, sabe? Eu não gosto de câmeras. Nem ela gostava. Acho que não seria bom. Mas me proporam um livro. Não qualquer livro. Um com mais fotografias do que textos e com algumas memórias.

— Seria incrível!

— Eles querem publicar no dia do aniversário dela, 13 de setembro. Eu prometi ajudar. Vovô também. Vamos selecionar algumas fotos e escrever algumas memórias. Basicamente isso. Mamãe provavelmente não autorizaria uma biografia dela, mas penso que com o dinheiro das vendas poderiamos financiar os projetos do “Youngs Together” que estou fundando.

— Isso me parece uma excelente ideia. Eu lembro que vocês duas tiraram fotos juntas para uma revista.

— Sim. Foi à última foto que fizemos... Foi à maneira que ela encontrou para financiar os projetos que ela tinha com a Multicores. O pessoal aqui não queria que ela seguisse com isso. Mas ela queria do mesmo jeito.

— Quem não queria? Seu pai ou o rei?

— Acho que Tony Eden. Deve colocar o nome dele ai no seu caderninho. Ele era secretário do vovô e agora é o de papai. Ele manda em muitas coisas por aqui. Fiscaliza todos os outros.

— E seu pai não dizia nada?

— O que há para dizer? Apenas obedecemos às regras. Mamãe odiava essa pacividade.

William anotou o nome em seu caderno e lembrou-se que esse nome não era desconhecido a ele. O conhecia, claro! Ele estava na mesma sala quando assinou o seu contrato de serviço. Nunca esqueceria a cara de desprezo que ele fazia ao olhá-lo. William teve vontade de rir.

— Quero que vá comigo para Seraf. Vovô está lá e assim juntos podemos refazer algumas memórias dos últimos dias de mamãe.

— Vai ser uma excelente ideia. Mas por favor, avise a Emily de seu programa. Tenho medo que ela mande me matar caso saia sem cumprir a agenda que ela preparou pra você.

Renesme sorriu e William devolveu o mesmo sorriso. Deus sabia o quanto ele amava vê-la sorrindo!

—Ela sabe. Nada passa despercebido por aqui.

— Estou sabendo...

— Vamos!

Eram dias difíceis para a princesa. Quando lembrava desses mesmos dias no ano passado lhe dava uma agonia intensa. Era uma sucessão de dores horripilantes e de pensar que as principais pessoas que estiveram com ela boa parte dos seus dias estavam agora mortas era ainda pior. Não gostava de tocar na ferida, mas a perspectiva de que tudo estava a caminho de se resolver a deixava energizada. Queria poder respirar de volta. Ter na mente apenas os momentos em que sorria ao lado de sua mãe. Quando Tom ainda parecia o príncipe encantado. Queria sua felicidade de volta mesmo que por alguns segundos. Respirou fundo e seguiu até a garagem. Iria dirigir. Isso a fazia bem. Será que era isso que sua mãe buscava? Algo que a fizesse sentir longe dessa prisão que era o palácio? Agora a princesa a compreendia.

Logo que viu o Porsche preto conversível já se imaginou dirigindo nele e não exitou em pegar a chave dele e pular no banco do motorista. William apenas sorria ao ver a espotaneadade dela. Renesme também poderia ter seus momentos infantis.

— Mamãe amava dirigir. Acho que ela poderia fazer isso por horas. Penso que naquele dia ela procurava um pouco de paz e dirigir para o sítio do padrinho Jacob poderia proporcionar isso.

— Tenho certeza disso. Ela não fazia muito isso, não é?

— Não. Ela tinha uma agenda muito cheia. É recomendado para a nossa segurança que usemos aqueles carros ali. – Renesme apontou para os carros alinhados do outro lado da grande garagem. – São oficiais e protegidos contra bala. Sempre são dirigidos por motoristas do palácio.

— Entendo. Mas esse aqui não foi dirigido muito por ela. O modelo é antigo e está muito conservado.

— Ah não. Esse aqui era para ocasiões especiais. Na verdade foi um presente de meu pai no primeiro ano de casados deles. Eu tinha acabado de nascer. Papai era alucinado pela segurança dela. Se ele tivesse comprado talvez fosse uma daquelas Land Rovers toda protegida, mas minha mãe disse não. Ela escolheria ou nada feito e ele quase infartou quando viu esse conversível. Mamãe sabia como se divertir.

— E seu pai não interviu para que o carro de sua mãe passasse pela revisão. O que aconteceu depois desses primeiros anos de casados?

— Não o culpe. Papai não deixou de se preocupar com ela. O negócio é que naquela época estava sendo duro. Ele estava assumindo quase todos os compromissos do vovô. Revisões são algo programado, papai deve ter imaginado que o carro dela estava incluso na lista.

— Então ele não sabia que o carro não havia passado pela revisão?

— Não. Nenhum de nós sabíamos a não ser depois do acidente. Ele ficou bem pior ao saber disso. Quer saber? Acho que foi um erro terrível, mas não acho que foi proposital. Mamãe dirigia muito raramente. Quando não estava em compromissos, ela saia com papai ou comigo. Nunca sozinha. Aquele dia foi uma excessão.

William balançou a cabeça e entrou no carro ainda desconfiado. Ele tinha uma leve desconfiança que alguém no palácio não gostava muito da duquesa e queria o mal dela sim, não a ponto de matá-la, mas de dá-la um beliscão indireto. Talvez alguém houvesse se vendido a Bono Donalson, não podia duvidar da possibilidade. Mas era certo que o airbag havia sido danificado ainda na garagem.

— Alguém sabia que mamãe estava disposta a dirigir naquele dia ou que tinha planos para isso. Eu sei que está lembrando do airbag. Tom pode ter sido responsável por vazar essa informação para alguém. Nessa época ele não precisava mais de mim para ter todas as informações que ele precisava.

— Acredita que ele pode ter contatado alguém de fora do “Águias” talvez? A perícia averigou que o sensor de airbag havia sido rompido alguns dias antes do acidente. Não daria tempo de ter sido no mesmo dia.

— Ele não disse nada a respeito, não é? Tudo pode ser, mas que saber? Estou seguindo a sua intuição nisso. Alguém aqui dentro que fez isso. Tom estava bem disposto a revelar tudo. Se foi ele teria contado essa parte. Ele falou apenas sobre o caso de Elton e sobre sua espionagem por aqui.

— O que sabemos é que houve duas vezes que o carro foi mexido. A primeira aqui e depois lá no sítio do seu padrinho. Se foram as mesmas pessoas não sabemos.

— Vamos logo sair dessa garagem. Já estou vendo Aro vindo aqui para nos verificar.

William sorriu e colocou o cinto.

— Mande ele a merda.

Renesme gargalhou dando partida no carro e saindo da garagem.

— Eu faço isso muitas vezes, infelizmente não em voz alta ainda.

Mas devia”, William disse em seu pensamento. Não queria entrar no assunto Volturi. Não queria saber nada sobre eles. Nem Renesme prolongou o assunto. Ela se concentrou bem no transito a sua frente. Pensando que sua mãe tinha feito esse mesmo percurso. Queria tanto entrar na mente dela naquele dia. Queria tanto saber tudo que aconteceu.

— Mamãe amava fazer coisas normais. Ele entrou para a realeza, mas nada do luxo, do poder, da visibilidade que a realeza lhe deu entrou nela. Ela gostava de ser “old fashion”.

— Eu percebi isso no minuto que eu a vi. Eu destava todos os “royals”. Eu cresci vendo toda aquela pompa, aquela mentirada toda e me sentia horrível por fazer parte daquilo. Eu só fui à festa da primavera naquele dia por que perdi uma aposta que fiz com Henry. Mas tenho certeza que ela teria dado um jeito de me chamar.

— Foi o dia em que nos conhecemos. – Renesme olhou para ele rapidamente e William foi incapaz de ver o que significava aquela expressão. – Desculpe –me por aquele chilique. Espero que a má impressão tenha chegado ao fim.

William pegou a isca e não perdeu a oportunidade de acariciar a mão dela na marcha. Renesme sentiu todos os seus pêlos se arrepiarem. Como a conversa havia chegado nesse tom?

— Minha má impressão de você nunca existiu.

Renesme corou e abaixou a cabeça levemente, como ela sempre fazia quando estava envergonhada.

— Uma minhas memórias favoritas dela era quando ela pegava esse carro e levava Tony e eu para dar um passeio. – a princesa falou mudando de assunto. – Ela chamava a gente e dizia: “hoje vamos nos divertir de verdade.” e ligava o som do carro no último volume e cantávamos a música em voz alta. Os cabelos ao vento e depois muitos sanduíches no MacDonnalds ou um dia no parque. Nós nunca podiamos fazer isso, mas ela fazia questão. Nos dizia para pegarmos os melhores disfarces e seguiamos na brincadeira.

— Ela foi uma boa mãe.

— A melhor! Ela seria capaz fazer qualquer coisa por mim e por Tony.

— Acredito.

Ele não tinha feito o mesmo por Katlyn? Faria de novo por ela. Entendia bem como era ter um filho sob perigo. Não sabia bem se Bella tinha passado pela mesma situação. Se os “Águias” chegaram a ameaçar a sua filha por que não fariam o mesmo com Renesme e Anthony para acuar Bella? O fato de ela continuar lutando pelos seus ideais mesmo sob ameaças era muito corajoso e ele a admirava demais por isso.

William tentava anotar todas as informações em seu caderno e tentava organizar todos os fatos que pareceiam um grande emaranhado complicado. Renesme de vez em quando olhava para ele e admirava a grande concentração dele. Era muito meticuloso com tudo que ouvia e anotava tudo. O que mais a admirava era a grande atenção e esforço que ele dava para o caso. Quando anotava alguma coisa ela o observava franzir a testa, fazia pequenos gestos com o lápis e olhava para a paisagem como se estivesse recriando os fatos em sua mente.

— Quando se interessou em ser jornalista? – Renesme perguntou e William olhou para ela como se estivesse sido puxado de um sonho.

— Bom... Se eu dissesse pra você que sempre gostei de escrever seria uma grande mentira. Mas sempre me interessei em boas histórias. Jornalistas estão constantemente em busca delas.

— Parece um ramo interessante. Admiro que consiga por tudo no papel. Acredito que seja parecido como desenhar.

— Talvez seja. Ao contrário de você, eu sou um péssimo desenhista.

— Tudo é uma questão de dom. Todos temos os nossos.

— Com certeza! E você? Seguiria na carreira artística se não tivesse que ser rainha um dia?

Renesme olhou para fundo longíquou da estrada e lembrou-se da conversa que teve com Alec. Ele a dissera que nunca parara para pensar no que ele teria feito da vida caso não tivesse a sina da realeza. Pra falar a verdade, nem ela tinha. A monarquia excluia qualquer pensamento além de tudo que era proposto pela instituição. Sua vida era isso e nada mais.

— Não sei bem... O desenho e a dança são mais como um fio de escape. Eu nunca tive a oportunidade de fazer planos b ou c para a minha vida. Sou muita coisa e ao mesmo tempo não sou nada.

— Mas tá bom de ser. Renesme, você pode ser tudo que quer. Isso pode parecer muito clichê, mas é verdade. Você parece ter muito medo de se permitir ser e fazer o que gosta. Isso não é bom nem pra você e nem para o seu povo que vai ter que ser governado pela rainha que será um dia.

— É. Talvez.

Ela deu a seta e entrou na estrada de terra que dava acesso ao sítio de Jacob. Já podia sentir o cheiro de terra fresca e o soar dos sinos das vaca tocarem. Ela se permitiu aspirar tudo que aquela terra podia oferecer e agradeceu essa distração para não poder continuar o assunto com William. Destestava esse looping eterno em que vivia em sua História e ainda mais o fato de que o homem em seu lado já pareceia conhecê-la tão bem. Era frustante!

A princesa começou a desacelerar e estacionou no exato lugar que sua mãe estacionou no último dia de sua vida.

— Foi aqui que tudo começou. – comentou.

— Sim, uma grande sucessão de fatores que derão muito certo para os assasinos dela. Cortar os freios daqui seria quase imperceptível para aqueles que estavam trabalhando de lá do sítio.

— Foram espertos! Minha teoria é que eles forçaram Tom a contar a eles o que ela andava fazendo. Então a seguiram do palácio até aqui e esperaram a hora certa.

— Basicamente isso. Alguém avisou de dentro. Tom ou qualquer outra pessoa.

— Foi Tom.

Renesme seguiu andando pelo chão de areia até a cancela da entrada do sítio. William observava ela andar em sua frente com muita confiança.

— Fala com muita certeza.

— No dia em que ela morreu, havia um compromisso pela manhã e eu era para estar com ela e não Antony.

— Aquele com Sean Rernard.

— Sim, porém, eu acordei muito tarde naquela manhã. A partir daí aconteceu uma série de coisas fora do padrão. Eu nunca perco nenhum evento oficial. Nunca! Além disso, eu acordei me sentindo estranha. Era como se eu tivesse como uma grande ressaca. Mas eu tenho certeza que não bebi para chegar aquele ponto.

— Acha que foi dopada?

— Na época, eu achava que não. Tanto que nunca cheguei a comentar com ninguém isso antes. Mas na noite anterior, eu me encontrei com Tom e lembro de ficarmos conversando e tomar uma tarça ou duas de vinho apenas. Hoje acho que tinha algo mais naquela bebida que ele me ofereceu. Agora me pergunto que motivos ele teria para me dopar?

— É estranho mesmo. Será que ele sabia de alguma coisa e queria protegê-la? E Sean Renard? Que relação ele poderia querer ter com a sua mãe para além daquele encontro? Eu sempre achei que Bella havia combinado algo com ele como fez comigo. Mas agora as peças batem.

— Nessie! – Jacob gritou da porta com o mesmo sorriso acolhedor de sempre.

— Padrinho!

Renesme não pôde deixar de sentir feliz por estar ali. Seu padrinho Jacob tinha esse poder, de fazer todos se sentirem bem e esquecerem os seus problemas. Sua áurea descomprometida e alegre modificava o humor de qualquer pessoa. Ela apressou o passo e quase correu para abraçá-lo. Era tão bom como voltar para casa.

— Olá minha pequena princesa.

— É impressionante que mesmo o tempo passando, essa frase ainda serve. Minha altura permanece praticamente a mesma.

Jacob balançou os cabelos dela como fazia quando ela era bem pequena e Renesme sorriu como uma menina.

— Altura não é documento, não é isso que dizem?

— Acho que sim. E ai? Como vão todos?

— Vamos todos bem. Seu avô está ansioso para vê-la e Whisper também.

— Oh meu querido Whisper! Tenho o negligenciado tanto! Tenho que dar ao menos um beijo nele.

— Ele vai amar! Então, quem temos o prazer da visita também?

— Sou William Lamb. – O jornalista se apresentou estendendo a mão para Jacob apertar. – É um prazer em conhecê-lo.

— O prazer é meu. Estou lembrando agora. Você não trabalhou na TV, não foi?

— Sim. Há um tempo apresentei um programa jornalistico na TVI.

Renesme olhou impressionada para William. Não lembrava de vê-lo na TV. Devia ter sido no tempo em que estivera fora do país.

— Sinto o cheiro do café de Sue e já sinto o meu estômago roncar. Vamos William você precisa experimentar o tempero dela. Prometo que irá se apaixonar!

O jarnalista sorriu e acompanhou a princesa para dentro da casa. Ele observava uma Renesme completamente diferente. Uma que ele não conhecia no palácio. Ela praticamente corria pelos cômodos da casa de uma forma que parecia dançar. Uma criança grande.

— Vovô! – Renesme disse alegria ao ver o velho homem sentado na poltrona na sala de estar. – Como está o senhor? Tem pescado muito?

— Acho que os meus braços não aguentam mais aquela vara de pescar. Sinto umas dores horríveis nas articulações.

— É mesmo? Não será bom marcarmos um médico?

— É o que eu digo pra ele sempre. – Sue disse se aproximando dos dois na sala. – Mas ele é teimoso como uma mula.

— Não vai mais dizer nada. Segunda irá ver um médico e um fisioterapeuta. Não podemos viver sem suas pescas, vovô.

— O que posso dizer diante disso?

Renesme abraçou o vô com tanta força e mais do que fizera em toda a sua vida. Naquele dia, mas do que os outros, ela se deu conta de sua solidão. As pessoas que ela mais amava ou haviam falecido ou se afastado dela. Era uma horrível sensação. Charlie era uma das poucas pessoas que restara. Queria estar com ele. Conversar, cuidar dele e aproveitar os anos que ele ainda tinha.

— Trouxe umas fotos antigas. Decidi sobre aquela história do livro. Acho que será muito bom as pessoas conhecerem a verdadeira Isabella Swan.

Charlie deu sorriso. Renesme havia dito Isabella Swan e não a tinha se referido pelo seu nome de casamento e nem pelo seu título real. Ele gostou disso secretamente. Em suas conversas com Antony soube que Renesme havia discutido com o pai e que ambos os filhos estavam insatisfeitos com ele. Desde sempre nunca gostara muito da ideia de Bella se unir a Edward e a realeza e agora tinha total certeza que tinha sido um erro total.

— Antony me falou sobre isso e ele também parece feliz com a ideia.

— Tem falado com Antony?

— Sim. Você não?

— Não. Ele não atende mais as minhas as minhas ligações.

— Não se importe com isso. Antony é um menino rebelde. A raiva dele vai passar.

— Espero que sim. Não fiz nada contra ele.

Jacob percebendo o desconforto eminente. Toca o ombro de William e tenta mudar de assunto.

— Veja Charlie temos uma celebridade em nossa casa.

Charlie se estica e vê William pela primeira vez no recinto. Renesme viu os olhos do velho avô brilhar. Parecia que o jornalista era mais benquisto em sua família do que ela poderia imaginar.

— William Lamb! Oh nossa! Sou um grande fã seu. Eu assistia você na TV e lia tudo que você escrevia. Minha Bella também. Ela sempre comentava comigo sobre você. Irá ajudar Ness com o livro?

— É uma honra ouvir isso, senhor. Bom, não necessariamente. Eu trabalho agora para a sua neta. Sou seu conselheiro. Mas será um prazer em ajudá-la no livro.

— Agora Nessie está perto de uma pessoa que presta.

Renesme olhou agradecida e quase se engasgou com o comentário sincero de Charlie. Ele podia ser bem duro quando queria.

— Então, que tal começarmos a ver as fotos? William, você pode anotar algumas memórias que vamos tendo?

— Claro.

Assim havia passado quase toda à tarde. Para William parecia como estar dentro de um vídeo documental sobre a História da pessoa que admirara sob o olhar das pessoas mais próximas a ela. Para Renesme era doloroso. Não podia deixar de ser, mas era necessário passar por aquele ritual. O luto era uma coisa estranha. Não havia como sair dele sem dor. Era um processo que tinha que ser passado como estar num pesadelo ruim até acordar e ver que não era real.

— Ninguém podia imaginar que ela partiria daquela forma. – Jacob comentou e William gostou do comentário. Assim poderia chegar nos últimos intantes de Bella de forma mais precisa.

— Como ela estava naquele dia quando chegou aqui? – ele perguntou.

— Ela estava chateada. – Charlie afirmou com certeza. – Ela não estava muito bem há dias e eu só a dizia: “lague essa porcaria que te deixa infeliz, minha filha. Não precisa deles para fazer as coisas boas que vem fazendo.”. Ela apenas me olhava com um sorriso triste. Bella amava aquele homem mais do que a vida dela e ele não pôde nem ao menos protegê-la.

Renesme abaixou a cabeça e William quis tocá-la. Sabia que estava sendo um exércicio doloroso demais. Mas ela nada dizia, no fundo concordava com o avô.

— Ela falou alguma coisa diferente?

— Não. – Jacob respondeu. – Estava quieta. Eu perguntei várias vezes para ela o que estava acontecendo e ela disse que estava apenas cansada. Estava pensando em passar uns dias nos Estados Unidos com Rénee, mas sabia que não seria possível.

— Por que não.

— Muito por causa da nossa agenda, William. Não podemos largar os nossos compromissos assim. E também ela estava bem empenhada em seguir com os trabalhos na Multicores.

— Eu lembro dela dizer que tinha se encontrado com Sean Renard. – interrompeu Charlie. – Eu fiquei um pouco surpreso com isso. Bella não costumava muito ser política.

— E ela estava sendo?

— Não sei bem os planos dela. Bella estava diferente. Ela disse que ele tinha algo para lhe contar e que tinha se encontrado com ele. Acho que isso influenciou no encontro deles naquele dia em que ela morreu. Alguma coisa que ele disse a fez pensar.

— Porém, não era algo que ela queria que todos soubessem. – Jacob complementou o comentário de Charlie e William escreveu o nome de Sean em seu caderno.

— O que mais ela disse? Parecia desconfiada de alguma coisa?

— Não, na verdade. Ela parecia tranquila como nunca estivera em muito tempo. Nós sentamos aqui e ela falou sobre muitas coisas que fizemos no nosso passado. Nós rimos, tomamos um café. Ela parecia relaxada. O comentário sobre Sean foi algo ocasional quando chegou na parte sobre as eleições. Tudo que ela menos queria era que Bono Donnalson ganhasse. – Jacob explicou.

— E para isso estava disposta a apoiar indiretamente Sean? – William achava isso um bom motivo para que Donnalson quisesse eliminá-la de vez.

— Não sei se teria tanta coragem.

— A última coisa que me lembro dela dizer para mim e nunca me esquecerei disso. – disse Charlie. – Ela já estava de saída e olhou pra mim e disse: “pai cuide dos meus filhos” e foi embora. Parecia que ela sabia.

O silêncio pairou por alguns instantes. Charlie tinha lágrimas olhos e Renesme também mal podia se conter. Sua mãe tinha um sexto sentido muito apurado. Ela podia sentir que as coisas estavam para acontecer muito antes. Ela estava tranquila por que de alguma forma sua vida estava destinada a ser um sacríficio por algo maior. Uma mártir.

— Ela deixou algo aqui que eu queria lhe dar, querida.

Charlie levantou-se e foi até o quarto. Renesme aproveitou para abaixar a cabeça e soltar algumas lágrimas. Não queria que Charlie visse e ficasse ainda pior. William chegou a acariciar a mão dela discretamente até o velho homem chegar e entregar a princesa um caderno bem conhecido por ela. Era o velho diário de Bella que era quase inseparável a ela. Lembrava de vê-la comprando. Fazia tempo em que ela não escrevia, mas havia voltado a fazer isso por que era bom para se distrair.

— Não tive coragem de abrir. Mas quero que fique com ele.

— Obrigada vô.

Renesme pegou o diário como se fosse um amuleto. O que terá Bella escrito nele? Se ela estava com ele no dia de sua morte, teria ela dado alguma pista de quem a matou? Seria como tê-la de novo ao lado dela. Mas antes que pudesse abrir, o celular de William tocou e chamou a atenção de todos.

— Joel?

A princesa olhou atentamente para ele e teve seu olhar reribuido.

— Deus isso é bom! Claro! Já estarei ai.

O jornalista olhou para Renesme e depois para todos na sala.

— Um dos membros do “Águias” resolveu falar. Ele contou como orquestraram o acidente de Bella. COMENTEM POR FAVOR!