Antony se ajeitava desconfortável na pequena poltrona do avião. Desde que recebera a ligação urgente de seu pai avisando que seu avô tinha passado mal, ele não pensara duas vezes, pegou a mochila, colocou algumas roupas dentro, pegou o celular e comprou pela internet a primeira passagem de avião para Belgonia que encontrou. Olhou para o relógio e viu que eram quase seis da manhã. Seus olhos queimavam, seu corpo parecia cansado, mas ele não conseguira dormir nem um segundo. Estava agitado e sentia que não podia perder nada.

Sua mente trabalhava sem parar e vinham muitas reflexões que ele jamais parara para ter. Uma palavra vinha a todo instante e parecia essencial para o momento: vida. Chegava até ser engraçado estar parado pensando nisso. Ele nunca foi de ficar em devaneios, sempre fora impulsivo, agia antes de pensar. Sempre sentiu que a vida era simplesmente aproveitar tudo que pudesse conhecer e sentir de mais prazer. Seja experimentar uma boa comida, exótica ou não, sair por ai com amigos e tomar uns drinques, ou pegar umas ondas agitadas no mar. Nunca pensou na vida como linha tênue, onde um dia ela iria se extinguir. Pensar era coisa de Renesme e não dele. Talvez esse seu modo de vida tenha saído de sua criação. Ele era o caçula em todos os sentidos. Todos sempre estiveram ali para cuidar dele e não se lembrava de ter que parar para cuidar de alguém. Sua irmã era que seria a rainha, todas as responsabilidades seriam dela, e ele nunca deixaria de ser apenas um príncipe para todo o sempre. Então, por que se preocupar alguma coisa?

Os jovens nunca pensam que o amanhã pode ser tão finito quanto o hoje.”

Antony sorriu de leve. Seu avô Carlisle sempre dizia isso. Nunca parara para analisar sobre essa frase, mas agora sentia que ele poderia estar, de repente, falando para ele. Era incrível como Carlisle sempre sabia o que dizer. Falava pouco em seu dia a dia, mas quando abria a boca com certeza sairia dela algo realmente importante.

Uma pontada de dor o dilacerou. A realidade sempre doía e o seu cérebro sabia bem como lembrá-lo dos desprazeres que ele queria esquecer. Pensou que agora o avô dele podia estar perdendo o seu fio vital naquele hospital. Como se cada minuto fosse muito. Mas uma vez a vida voltava à questão.

Chegava até ser irônico pensar que tantas vidas dependiam de seu avô e ele por tantos anos vivera exclusivamente para elas. Será que depois que o coração dele parasse de bater, todas essas pessoas que estavam interligadas a ele iriam parar também? Claro que não! Ninguém é insubstituível! Seria seu pai o próximo fio condutor. Então, será que valera a pena todo o sacrifício? Todo o tempo que ele se dedicou e se preocupou para no final ele virar mais um nome nas páginas amareladas do livro de História? Uma memória que irá se perdendo ao longo do tempo?

Quantos minutos preciosos de vida sua mãe perdera em nome dos outros? Ele sempre pensara isso. Nunca chegaram a dizê-la o quão importante ela era. Muitos até a olhavam torto, mas nunca a viu desistir. E o que aconteceu no final? Antony estremeceu novamente. Não gostava nem de se lembrar.

Depois que Bella morreu, ele vinha tentando se afastar de tudo que trouxesse a lembrança dela. Não que ele quisesse esquecê-la, mas a falta dela doía muito. Pensar que nunca mais a teria ali perto dele, sempre tão paciente com a suas bobagens, durona quando devia, leoa nos momentos certos, sábia em muitos... Pensar nela era como cutucar uma ferida aberta e ele só queria jogar a dor para longe.

Sentia raiva, essa era a verdade. Ninguém soube dar o valor que sua mãe merecia. Tinham arrastado a vida dela para um círculo vicioso e sem escapatória. Exploraram todos os limites dela, quase a enlouqueceram para nada. Não falava apenas de sua família, mas de todos que julgavam adorá-la. Lembrava do rosto de cada um no velório dela. Tantos funcionários com aquela hipocrisia absurda. Quantas vezes não haviam falado mal dela pelas costas? E todas aquelas pessoas chorando no dia do enterro? Elas nem ao menos a conheciam! Quantos realmente deram o verdadeiro valor a ela?

Sua mão se fechou em punho e ele tentou não voltar a essas lembranças. Queria estar bem para o seu avô. Sentiu o seu estômago se remexer enquanto o avião pousava no aeroporto de Belgonia. Respirou fundo algumas vezes e aguardou o pouso. Esperou que todos saíssem para pegar a sua mochila e seguir pra fora do aeroporto. Não se preocupou em colocar os óculos escuros e nem o boné. Sabia que enquanto andava, as pessoas o olhavam e tiravam fotos. Tinha certeza que estaria amanhã em todos os tabloides: “príncipe chega a Belgonia todo maltrapilho em voo comercial.”, foda-se! Era mesmo uma vida de merda!

Seguiu tentando não ter pensamentos negativos quando entrou no taxi e se direcionou para o hospital. Tudo que ele menos queria é ter que chegar com uma cara emburrada num momento que Carlisle mais precisava de apoio. Não queria que a vida dele fosse desperdiçada com sentimentos ruins como acontecera nos últimos dias de Bella.

Quando chegou ao hospital, logo na entrada, viu a sua avó rezando baixinho, sentada numa cadeira afastada. Ele se aproximou devagar e tocou de leve o ombro dela. Esme se assustou, mas ao ver que era o seu neto mais novo, o abraçou fortemente. Antony se comoveu com aquilo, a abraçou apertado também, deixando escapar algumas lágrimas. Há um tempo, ele vinha tentando não chorar, mas agora parecia inevitável.

— Querido, você deve estar tão cansado! Eu disse ao seu pai que era cedo demais para ele ligar pra você.

— Nada disso vó! O vovô é mais importante aqui. Como ele está?

Esme abaixou a cabeça e pôs a mão na testa. Sem lágrimas. Eles não eram permitidos agirem como seres humanos, mesmo em horas difíceis. Mas Antony sabia que ela estava destroçada.

— Desse vez foi sério. Não vai ter jeito, vão ter que operá-lo. E eu disse tanto para o Carl se cuidar, ir ao médico, e ele foi?

— O vovô se preocupa com tudo mundo menos com ele mesmo. Não foi sempre assim?

— Foi, não é? A coroa é mais pesada do que o próprio corpo.

E valeu a pena?”, Antony pensou novamente.

— Temos que pensar positivo, vó. Enquanto há vida há esperança.

— Claro que sim!

Edward se aproximou em passos lentos em direção aos dois. Antony virou-se para olhar para o pai. Era a primeira vez que o via desde que deixara Belgonia após a morte de Bella. Ele parecia ter envelhecido cem anos. Sentiu indiferença em relação a isso. Tinha lá suas mágoas dele. Esme levantou-se e foi até o filho, como se esperasse por notícias ruins.

— Ele está bem agora, mãe. – Edward declarou. – Antony, você veio.

O príncipe revirou os olhos diante daquela fala. Claro que ele viria. Não era ele que abandonava as pessoas que ele mais amava.

— Não poderia deixar de vir.

— Edward, o que o médico disse?

— Vão ter que operá-lo com urgência, mas agora ele está medicado e pode se recuperar em casa até poder passar pela cirurgia.

— Então, vamos levá-lo para casa! O vovô não pode ficar nesse mar de negatividade. – Antony declarou com veemência.

— É o que ele mais quer. – declarou Edward. – Pude pegá-lo acordado agora e ele me pediu isso.

— Ele não pediu para me ver?

Edward sorriu docemente e tocou os cabelos da mãe com carinho. Entendia o pensamento de Esme. Os dois nunca se desgrudaram desde o minuto que se conheceram e ela não entendia como ele não a queria próximo no momento tão importante.

— Ele me disse que não queria que você o visse como um velho moribundo.

Esme sorriu de leve, se sentindo um pouco mais tranquila e se permitindo sorrir pela primeira vez depois de tantos momentos ruins.

— Oh Carl! Ele ainda quer que eu o imagine como aquele belo rapaz loiro e alto que eu vi naquela discoteca há anos atrás.

— Sempre queremos passar a melhor imagem, mamãe.

— Vamos levá-lo para casa! – Antony insistiu. – Vamos realizar o desejo do vovô. Temos que dedicar esse dia a ele. Fazer esses minutos preciosos de sua vida mais felizes. Dar a ele a valorização que ele sempre mereceu.

Esme tocou o ombro do neto e sorriu ainda mais.

— Você tem sempre as melhores ideias, querido!

Do outro lado, nos jardins do castelo dos Volturi, estava Renesme com pensamentos semelhantes ao de seu irmão. Ela lembrava da conversa que teve rapidamente com Tom pelo telefone e imaginava nos novos horizontes que se abriam diante dela. Durante toda a sua vida teve sempre o pensamento fixo no seu futuro como rainha. Tudo que fazia era para tentar alcançar com sucesso esse futuro assim tão certo, mas ao mesmo tempo tão distante e incerto. Tinha se deixado dominar tanto por isso que esquecera do básico em sua vida. O que poderia deixá-la feliz? O que a satisfazia como ser humano? Nada disso nunca importou de verdade. Eram distrações que ás vezes ela se permitia. O dever sempre viera em primeiro lugar.

Nunca tinha se dado conta de verdade o quanto a sua vida era solitária. Era como os muros de pedras desse castelo, frios e escuros. Tom lhe deu uma nova perspectiva. Não sabia bem se era um desejo natural que vinha prevalecendo em seu interior nessa fase de sua vida ou Tom tinha alguma coisa que fizera acender a chama apagada de seus desejos mais profundos. Independente do que era, ela agora estava mais motivada. Parecia que via tudo com muita clareza agora. Quantas vezes a fizeram dizer sim e calar apenas por que afirmavam que era certo? Que era o importante a ser feito? Bella tinha razão em muitas coisas e dentre elas o fato de que às vezes é necessário lutar pelo que acredita e procurar a felicidade.

Sentia-se como uma rebelde. Até riu com esse pensamento. Nunca discordara de nada. Mas estava disposta a lutar por Tom. Não era justo afastá-lo dela e impedirem que eles fossem felizes em troca de nada. Ela já tinha perdido muito na vida e não estava disposta a perdê-lo também.

Continuou andando pela trilha e seguiu vendo as flores até avistar Alec não muito longe. Estava ele sentado, cortando alguns ramos com bastante concentração. O perfeccionismo expresso em suas feições a fez pensar em si mesma mais uma vez. Quanto o poder e ambição tinha subjugado essa família? Aro a enojava e ela se revoltava ainda mais por ele arrastar tantas pessoas para a mesma jogatina da escalada do sucesso. Será que Alex tinha os mesmos planos do pai? Ela acreditava que não e tudo isso a fez pensar que não queria colaborar com esse jogo, nem queria se transformar num deles.

A princesa resolveu se aproximar ainda mais de Alec para observá-lo melhor. Mesmo ele sendo bastante excêntrico em seus atos, ela ainda podia ver algumas coisas de si mesma nele. Isso despertava sua solidariedade. O príncipe ao vê-la chegar, levantou a cabeça de leve, mas não se desligou totalmente de seu trabalho com as plantas.

— É mesmo muito talentoso! As rosas estão lindas!

— Obrigado. – Alec agradeceu sem olhar para ela.

Renesme continuou sentada no banquinho próximo a ele apenas o observando. Via as suas mãos cortarem os ramos com tanta destreza quanto um médico numa cirurgia. Um pequeno vinco apareceu na testa dele e a sua língua saia um pouco da boca enquanto se concentrava. Parecia uma tarefa tão primordial para ele que chegava a ser incrível. Nunca tinha conhecido alguém que se interessasse tanto por botânica quanto ele. Uma tarefa um tanto solitária. Não julgava, ela também preferia as suas telas ao clamor do público. Isso a fez pensar o que tinha motivado ele a se dedicar as plantas dessa forma.

— Me desculpa, Alec.... Lamento por atrapalhar a sua vida. – falou com sinceridade.

Alec parou um pouco o que estava fazendo, mas não olhou para ela.

— Não concordo como as coisas estão acontecendo entre nós dois. Te acho um bom rapaz. Em outras circunstancias até poderia ser sua amiga de verdade.

Renesme observou ele colocar as suas ferramentas no chão e esboçar um pequeno sorriso, que ela não tinha visto antes com tanta frequência. Talvez tenha percebido que ela não queria apenas chamar a atenção dele. Estava falando com coração.

— Eu também lamento! Mas coisas são como são, não é? Que escolha temos?

— Eu estava pensando justamente nisso. Eu quero ter escolhas.

— E acha que vão lhe dar o direito de tê-las?

— Não sei... Mas não seria justo me negarem isso.

— Você nasceu uma princesa. Não tem direito a isso.

— É assim que você pensa? Aceita tudo por que acha que é assim que tem que ser? E se tivesse outra perspectiva que você talvez não esteja vendo?

Alec dessa vez olhou para ela e estudou as suas expressões. A princesa realmente estava falando sério. Sorriu mais uma vez. Aro tinha grandes chances de perder a partida dessa vez, e isso o deixou mais animado. Nunca tinha visto a princesa com ares rebeldes antes. Sempre pensou que ela apenas era um ser subjacente e sujeito as fazer o que lhe era destinado. Ele tirou as luvas e se sentou ao lado dela no banco.

— Não sei como você foi criada, mas por aqui, eu nunca vi ninguém se quer desafiar a vontade de papai. Sempre quem está no poder acaba sendo o mais forte, não é verdade?

— Acho que realmente depende das nossas origens e das nossas convicções. O vovô tinha um pai assim como o seu. Mas ele foi rebelde o suficiente para dar um não para ele e conquistar tudo que tem hoje. Quando eu lembro disso e vejo o quão feliz ele foi ao lado da vovó, da maneira como ele conquistou o respeito das pessoas sem ser a base da força, me faz querer fazer o mesmo.

— Foi um ato realmente corajoso! Mas não sei se funcionaria por aqui... Papai é assim por que é fruto da educação que lhe deram e isso vem acontecendo por gerações. Dizer um não é o mesmo que tentar derrubar esse castelo com um estilingue.

— E nunca pensou como a sua vida poderia ser diferente?

Alec parou um pouco para pensar. Na verdade, ele nunca traçara planos para a sua vida. Sabia que em algum momento o seu pai iria decidir alguma coisa por ele, e como príncipe de seu país, teria que cumprir. Quando se imaginava livre do seu título, de suas obrigações, de seu pai, se via viajando por diversos lugares com a sua moto. Podia ser fazendo pesquisas sobre plantas ou conhecendo espécies exóticas que poderia aprender a cultivar. Talvez ele tivesse nas geleiras do Alasca longe de tudo e de todos, apenas tentando entender o habitat local, ou tentando salvar o planeta. Não sabia bem o que queria realmente e nem sabia o que faria se tivesse escolha.

— Na verdade, nunca parei para pensar sobre isso. E você já?

— Estou pensando cada vez mais nisso agora. Mas acho que somos um pouco parecidos... Eu também nunca tinha pensado muito na minha vida sem estar interligada a imagem da princesa.

— Eu sei bem como é.

— É engraçado por que meus pais, especialmente minha mãe, sempre fez questão que vivêssemos, meu irmão e eu, como pessoas comuns. Mas por outro lado, toda minha educação foi voltada para o meu futuro como rainha. É um pouco confuso estar entre os dois mundos.

— Mas uma hora vai ter que escolher.

— Eu queria mais era achar um meio termo.

— Não existe um meio termo.

Renesme respirou fundo e não respondeu ao comentário. Não tinha o que dizer quanto a isso. Realmente não existia um meio termo. Uma hora a vida da realeza iria se sobressair. Tinha visto isso acontecer de perto em sua família. A única realmente certa era que tinha nascido com um emprego vitalício, sem direito a demissão, e com a missão de sempre procurar fazer o que fosse melhor para o bem da firma. Sacrifícios faziam parte do processo.

— Tenho certa inveja de você. Eu não teria essa coragem... – afirmou Alec.

A princesa balançou a cabeça com um sorriso. Ela teria? Não sabia ao certo, mas conhecia seus limites. Em sua mente imaginava planos que poderiam muito bem dar certo se ela desse o primeiro passo. Estava motivada a tentar. Tinha que fazer alguma coisa, antes que fizessem ela fazer algo que não queria e ser condenada a infelicidade.

— Talvez eu goste da ideia de estar finalmente me recusando a fazer o que todos estão fazendo por que estão sendo atraídos por uma outra força, governados por uma só lei...

—“Se em trevas deitará minha alma, à luz ascenderá em fulgor. Pois as estrelas tanto amei que a noite enfrento sem temor.” – Alec citou a frase de algum livro ou pensador que ela não conhecia. Talvez ele soubesse sobre Tom e tivesse se referindo exatamente a ele, mas de qualquer forma, a frase cabia como uma luva.

— Acho que é isso mesmo.

Alec a surpreendeu ao estender a mão e acariciar o seu rosto bem próximo da sua orelha direita. Ela apenas olhava para ele sem sentir nada. Odiava fazer comparações, mas chegava até a ser irônico. Tom não precisava se esforçar muito para fazê-la se ascender. Até lembrou-se de seu último encontro com William, que ela teve tanto contato quanto com Alec, e só em ele estar perto fazia o seu coração dar pulos.

Por um lado, queria se apaixonar por Alec e não ter que fazer grandes revoluções. Odiava conflitos! Porém, essa falta de resposta de seu corpo só vinha provar o óbvio. Eles não estavam destinados a seguirem juntos.

— Alteza! Alteza!

Ouviram gritar. Ambos se viraram para ver quem era. Renesme logo viu que era James, o ex – segurança de sua mãe que agora a acompanhava durante a viagem a Volterra. Ele parecia nervoso, estava suando, e Renesme logo sentiu o seu corpo esfriar. Pensou logo em Carlisle. Respirou fundo e rezou para que o pior não tivesse acontecido.

— James, o que houve?

O segurança parou e procurou se recompor. Cada gesto dele fazia a princesa começar a cada vez mais temer sobre o que iria ouvir.

— Acabei de receber uma ligação de Belgonia. Tentaram ligar para você várias vezes e sem sucesso...

— Me diga logo, por favor, o que aconteceu?

— Sua majestade passou mal ontem a noite e está no hospital.

Renesme sentiu como um soco atingir o seu estômago. A dor foi tão forte que grunhiu. Isso não podia estar acontecendo! Não podia perdê-lo também. Quis levantar e obrigar James a deixar a sua compostura e contar direitinho a ela o que estava acontecendo. Não podia ficar parada. Mas Alec segurou a sua mão, a fazendo olhar para ele. Em seus olhos ela viu ternura. Ele estava tentando apoia-la, de certa forma, e isso a surpreendeu.

— James, como ele está?

— Até onde sei, a sua majestade agora está bem, a medida do possível. Mas vai precisar passar por uma cirurgia no coração muito em breve.

— Por favor, compre as nossas passagens no primeiro voo que tiver para Belgonia. Quero partir imediatamente!

— Não. – Alec falou.

— Não? – Renesme perguntou abismada. Quem ele era para se meter em assuntos familiares e ainda mais em horas tão complicadas como aquela?

Alec cruzou os seus dedos com os dela e a olhou novamente com ternura. Renesme ficou confusa. Como aquele príncipe tão sem expressão, dependente e aparentemente indiferente podia agora estar sendo doce? Sentiu seu sangue começar a ferver de nervosismo.

— Você vai no nosso jatinho e pronto.

— Obrigada Alec realmente... Mas..

— Não vai recusar numa hora dessas, não é? Já está decidido. Nós vamos juntos no jatinho para Belgonia. Se quiser ainda posso conseguir um avião ainda maior.

Que papo era aquele de “vamos juntos no jatinho”, de “avião maior”? Ele queria ir junto com ela para Belgonia? O que ele estava querendo em troca disso? Pensou em recusar novamente. Não queria ter que depender dos Volturi para nada. Do jeito que ele falava até poderia entender que ele queria se exibir com os seus aviões, o que para ela não fazia nenhuma diferença. Mas nada disse. Seu avô era prioridade e se fosse para chegar mais rápido até ele, teria que aceitar qualquer coisa.

— Ok, Alec, muito obrigada!

— Por favor James, se não se incomoda, entre em contato com um cara chamado Lucas. Ele é meu secretário e deve arranjar tudo para nós o mais rápido possível.

— Sim, senhor. Com licença!

Renesme observou James se distanciar e a informação sobre o estado de saúde Carlisle começou a adentrar de vez em seu cérebro. A ficha estava caindo. Sabia que ele estava doente. Tinha problemas no coração e não eram nada simples. Ele mesmo já tinha conversado sobre isso com ela, que pensava em abdicar em nome de Edward para dar a ele uma chance e poder descansar. Na hora tentou não levar aquelas palavras tanto a sério. O destino iria tratar de dar a ele bons anos pela frente, mas estava enganada afinal. Ele estava partindo como sua mãe... Sentiu o seu peito doer. Não queria ter que perder mais uma pessoa que tanto amava. Colocou as duas mãos no rosto antes que começasse a chorar.

— Eu entendo o que está sentindo e quero que saiba, que independente do que está acontecendo entre a gente, eu quero te apoiar.

Renesme olhou para ele pela primeira vez com complacência e se deixou ser abraçada por ele.

No avião de volta para casa, ela sentia a ansiedade subir. Sua cabeça doía e sua mente não parava de lembrá-la de seu avô. Suas mãos esfriaram, seus pés tremiam e queria gritar. Em seu desespero, ela só conseguia pensar no pior. Que chegaria e não encontraria vivo e ela não teria a chance de se despedir, como não pudera com Bella. Suas lágrimas ameaçavam a jorrar a cada instante, mas Alec conseguira distraí-la com suas histórias amenas. Não pareceriam tão interessantes antes, mas agora, escutar qualquer coisa que não vinculasse a sua dor de perda poderia ser algo agradável. Ela estava grata a ele no final das contas.

Alec tinha um misto de opiniões dentro dele mesmo. Há uns dias atrás, ele preservava aquela raiva que tinha por ela ser o epicentro de seus tormentos, das cobranças de seu pai. Só o nome dela já lhe causava irritação. Mas nessa manhã, ele se permitiu uma pausa. Tinha que admitir que a princesa, assim como ele, era apenas vítima das circunstâncias e dos interesses alheios. Admirava a disposição dela por tentar sair da teia, apesar de saber que não conseguiria. Não existia essa liberdade para eles. Ambos já nasceram marcados pela sina monárquica. Tinha inveja ao menos dessa coragem e queria saber até onde ela iria. Não a impediria.

Agora, após a trágica notícia da doença de Carlisle, ele acabou se vendo um pouco mais nela. Entendia a sua dor. Foi a mesma que ele sentiu quando sua mãe foi diagnosticada com câncer de mama. Foram meses de sofrimento prolongado. Foi duro vê-la definhando dia a dia e quando ela se foi, ele ficou com a sensação que não tinha passado tempo suficiente com ela. Não queria que Renesme sentisse o mesmo.

Quando chegaram ao palácio, sentiu o abraçou carinhoso da princesa e ficou satisfeito por estar fazendo algo de bom que não fosse motivado por segundas intenções de ninguém.

— Obrigada, mais uma vez.

— Por nada.

Ela sorriu e saiu pelo palácio. Queria encontrar o avô e poder vê-lo de perto, só assim poderia materializar em sua mente que ele ainda estava ali. Deixou as suas coisas no quarto e saiu perguntando para um funcionário ou outro onde ele estava. Não se surpreendeu quando soube que Carlisle estava na biblioteca. Tinha usado sua rebeldia nata para sair um pouco da cama e estar diante dos seus livros adorados. A princesa se aproximou devagar e tentou se aproximar dele sem o assustá-lo. Mas ele, como sempre, sabia que ela estava se aproximando.

— É você, Ness, querida?

— Oi vô. Soube que você fez uma verdadeira revolução francesa para poder estar aqui.

Renesme sentou-se ao lado dele na poltrona e ele lhe deu o seu velho sorriso bonito que só podia ver nele.

— Não podiam negar um desejo de um velho moribundo.

— Não diga isso, vô. Vamos vencer essa batalha também.

Carlisle apenas assentiu e olhou para as enormes estantes de livros em sua volta.

— Falei com Tony antes de vir pra cá e ele me falou que está planejando uma reuniãozinha familiar.

— Ele chegou me dizendo que ficaram me devendo um aniversário de verdade e esta noite era hora de comemorar a vida. Achei uma ideia excelente! Logo nesse momento em que me sinto tão carente dela.

— Amei a ideia também! Você merece essa celebração de sua vida e não quero que coloque caramiolas nessa sua cabecinha. Não é nenhuma despedida, ein?

— Você veio com aquele rapaz dos Volturi? – Perguntou Carlisle mudando de assunto. – Me parece um bom garoto. Gosta dele?

Renesme olhou para ele com ar de interrogação, mas sem tirar o sorriso no rosto. É claro que ele a vira chegar com Alec pela janela. Seu avô sempre sabia de tudo, era quase como uma figura onisciente. Era incrível que mesmo doente cabia nele à preocupação com o futuro dela. Era triste que fosse algo relacionado a um casamento arranjado por interesse.

— Ele parece ser uma boa pessoa.

— Hum... – Carlisle falou coçando o queixo. – Eu conheci a sua avó da maneira mais inesperada possível, numa discoteca recém-inaugurada e bem próximo ao bar. Ela vinha do banheiro e se esbarrou em mim. Meu pai estava arranjando o meu casamento com uma bonita princesa de Mônaco e eu vivi muito feliz com uma jovem plebeia por mais de 50 anos.

Carlisle bateu na mão de Renesme e ela o olhou com curiosidade. Desconfiava que a conversa dele devia ser sobre Tom. Não se surpreenderia se ele também soubesse sobre o seu romance com o seu segurança. Estava começando a achar que não era mais segredo para ninguém. A grande surpresa era ele estar usando o seu testemunho para apoiá-la em sua decisão de lutar por Tom.

— E o que fez pensar que poderia desafiar o seu pai em nome da vovó?

— O meu sentimento é claro!

— E não ficou com medo de represálias? De sofrer consequências grandes demais?

— Vale tudo em nome do amor, querida. E depois, eu nunca deixei que fizessem de mim uma grande marionete. Nem nunca acreditei em causas impossíveis.

— Admiro a sua coragem, vovô. – Renesme sorriu ao lembrar a conversa que teve com Alec mais cedo.

— Eu acho que cada um tem o direito e o dever de procurar a verdade onde quer que ela esteja. Quero partir sabendo que você e todos que amo estarão felizes.

Agora ela tinha certeza que Carlsile sabia de tudo. Esme também devia saber e não concordava com seu relacionamento com Tom e por isso o afastara dela. Pelo jeito que ela a procurara, ansiosa para que ela fosse para Volterra com Aro, era por que apoiava a ideia dele desse casamento irracional. Só queria saber o porquê disso.

— Eu só queria me casar por amor. – falou Renesme agora sabendo que poderia falar sem rodeios. — É tão errado pensar isso?

— Não é errado. Perdoe aqueles que pensam o contrário. Ás vezes o amor que sentimos por uma pessoa nos faz ultrapassar limites que não devem ser ultrapassados.

— O senhor sabe sobre Tom?

Carlisle olhou para ela seriamente, mas depois deu um meio sorriso.

— Eu não sabia, mas desconfiava. Ouvi a sua avó se preocupar alto.

— E o que acha a respeito?

— Eu não sou ninguém para achar nada. Você sabe que pra mim pouco importa o fato dele ser um rapaz simples, humilde, seu segurança, isso não quer dizer nada. Absolutamente nada! Porém, eu entendo a preocupação de sua avó.

— O que ela pensa, vô?

— Ela se preocupa com você, meu bem, assim como eu. Essie acha que a grande desigualdade social que existe entre vocês dois pode ser um grande abismo. Pode aparentar que não, mas sua avó sofreu muito no nosso meio.

— Você concorda com ela?

— Pode ser um desafio sim, querida. Precisa saber se esse rapaz está mesmo disposto a largar tudo por você e o principal, se você está disposta a enfrentar tudo por ele.

— E acha que vale a pena?

— Para mim valeu muito. Um pouco de rebeldia na situação certa sempre vale a pena. Mas antes disso deve ouvir o seu coração. Escute-o e veja o que ele diz para você, hum? Converse francamente com ele.

— Eu o amo, vô.

Carlisle olhou bem nos olhos dele e viu a verdade dela. Tinha vivido muito anos. Conhecera tantas pessoas e ter de lidar com tantas personalidades diferentes o fez um bom leitor. Reconheceu o sentimento verdadeiro de sua neta. Mas alguma coisa em sua fala a denunciava. Podia ela sentir algo bastante forte, mas não tinha tanta certeza se no final bancaria todos os desafios necessários. Era algo perigoso essa dúvida. Por experiência própria sabia que apenas uma paixão não seria o suficiente para enfrentar as feras. Bateu em seu ombro e beijou a testa dela. Desejou que ela tivesse muita sabedoria em sua vida para trilhar pelos melhores caminhos.

Amava todos os seus netos, mas tinha um sentimento especial por Renesme. Não sabia se era pelo fato dela ter de carregar um dia o mesmo fardo que ele, mas tinha a ânsia de protegê-la. Sabia que ela tinha um poder de conquistar as pessoas e isso seria importante como uma líder. Tinha um bom coração e isso era muito, só não sabia se ela teria tanta força para levar os seus ideais para longe com tanta conjectura. Ninguém melhor que ele sabia que teve que sair da sua zona de conforto para conseguir mudar as coisas que eram necessárias.

— Pra tudo na vida, meu bem, é preciso muita sabedoria. Você pode ler todos esses livros da biblioteca, mas se não saber lidar com aqueles que estão lá fora nada irá adiantar. Lembre-se! Aja com calma e destreza. Escute mais do que fale, mas na hora que puder lute pelo que você acredita.

— Está me dizendo que devo lutar por Tom?

— Quero que saiba que estou com você pelo que der e vier. Você tem o meu apoio total, mas desde que tome as decisões corretas e não se deixe enganar pelas aparências. Reflita bem antes de qualquer coisa, meu bem. Se velho avô só quer o seu bem.

— Eu sei. Obrigada vô. Eu te amo!

Carlisle apoiou-se na poltrona e fez um grande esforço para se levantar. Todos os anos de sua vida agora lhe pesavam. Renesme o ajudou e o levou até a porta devagar. Mas antes de abri-la, Carlisle virou-se para ela e olhou em seus olhos novamente.

— Meus carcereiros estão a minha espera... Mas não posso deixar de lhe dizer uma coisa. Não tenha pressa de avançar as fases da vida só por que acha que tem que superá-las. A pressa nos cega. No momento certo, você vai saber quando for e por quem deve lutar. Eu soube no momento que pus os olhos em sua avó.

Renesme apenas assentiu, agradecendo no pensamento por ter tido tempo para ouvir as grandes sabedorias vindas de seu velho avô. Abriu a porta e lá estavam os seus cuidadores o esperando.

— Pronto! Estou aqui! Me levem para a minha cela.

A princesa balançou a cabeça com um sorriso enquanto via Carlisle ser conduzido em sua cadeira de rodas para o seu quarto.

Mais tarde, todos se reuniram no velho salão de música, que antes tantas vezes tinha sido o principal abrigo de Edward em seus anos de juventude. Desde o início da noite Antony se esforçara ao máximo para tornar aquele dia especial para o seu avô e estava bastante satisfeito por vê-lo sempre com um sorriso no rosto. Tinha conseguido reunir quase todos os membros da família, os três filhos, a nora, o genro e os cinco netos. Só lamentava por Pietro ter ficado preso no Japão, com a presença dele tudo teria ficado completo. Ele sabia bem que uma das coisas que Carlisle mais prezava era a união familiar.

Alec observava Antony, Renesme e Henry arrastarem uma mesa com um enorme bolo de dois andares, recheado de muitas velas. Os três assim como todos pareciam muito animados, gritavam vivas e assobiavam. Ele que sentira-se meio deslocado desde a sua chegada no palácio, mas agora podia sentir o imenso acolhimento vindo dos Cullen. Tinha inveja da alegria deles, da tamanha união que eles pareciam ter e principalmente do cuidado e amor que eles transferiam uns aos outros.

Durante todo o dia, ele esteve dividido entre os vários lugares do palácio. Tentava entender tudo que Renesme lhe falara com tanto fervor antes da viagem. Quase não acreditava que pudesse haver mesmo tanta harmonia em uma família onde havia tanta hierarquia e poder envolvido. Para quem crescera num lar que cada um sabia bem o seu lugar, ver todos se esforçando ao máximo para fazer uma grande festa para o pai, o avô, o rei, o chefe da família era inacreditável. Teve certeza não só que Carlisle era alguém querido não só pelos seus familiares, mas pelos funcionários que trabalhavam no palácio, quanto que a princesa não tinha culpa por ser tão sonhadora e romântica.

Quando presenciava os Cullens cantarem os parabéns para Carlisle e toda a energia positiva que emanava deles, até se sentiu como parte do grupo também.

— Eu agradeço de verdade todo esse carinho vindo de vocês, meus queridos. Só espero que comemorar o aniversário duas vezes não dê azar. – Carlisle falou sorrindo.

— Não diga isso, pai! Você vai enterrar todos nós. – afirmou Emmett.

— Que o meu coração possa lhe escutar e atendei-o!

— Ele há de fazer isso, pai. – disse Alice enquanto abraçava Carlisle.

— Quero deixar claro uma coisa, isso aqui não é uma comemoração de aniversário atrasada. Estamos apenas retribuindo tudo de bom que o senhor, vô, nos deu todo esse tempo e valorizando a sua vida que é muito importante para nós.

— Belas palavras Tony! – Elogiou Esme ao lado do marido. – Agora Carl é hora de apagar as velas.

— Vocês não esperam que eu apague todas essas velas com um fôlego só, não é? Eu não sou assim tão otimista. – sorriu. – Quero a ajuda do meu time de netos.

Renesme, Henry, Antony, Marlowe e Melany circundaram o avô e assopraram junto com ele as várias velas que estavam no grande bolo.

— Pra quem vai o primeiro pedaço, vô? – Perguntou Melany o entregando a espátula para cortar o bolo.

Carlisle olhou para todos ao seu redor e parou os seus olhos em Esme. Via ao seu lado a mulher que convivera esses anos todos ao lado dele e sentiu o mesmo sentimento de amor que sentira no minuto que a conhecera. Seu coração se aquecera e não deixou de dar um sorriso a ela.

— O primeiro pedaço vai para a pessoa pra que eu devo tudo de bom que já fiz em minha vida, pra quem eu devo o que eu sou, que me deu minhas grandes alegrias e para quem me deu a chance de se tornar o homem mais completo de todos. Você, minha querida, Essie.

— Papai, sempre tão cavalheiro! Devia ensinar isso a essa legião de jovens. – comentou Alice.

— O que eu aprendi ao lado de Esme e o que ela me fez sentir não se aprende e nem se encontra em nenhuma cartilha.

Emmett assobiou em resposta e Carlisle cortou o primeiro pedaço de bolo, dando a Esme com um breve beijo em seus lábios.

— Nunca esqueça que você é o amor de minha vida.

— Idem, meu bem.

— Agora é hora da música! – gritou Edward se dirigindo ao piano. – Me acompanha no violão, Antony?

— Só se tia Alice nos acompanhar no vacal.

— Então aceito! O que seria uma reunião familiar dos Cullen sem música, não é?

Antony e Alice se juntaram a Edward próximo ao piano e se posicionaram. Não precisavam pensar muito para decidir qual seria a música que iam tocar e cantar. Edward e Antony iniciaram os primeiros acordes enquanto Alice começava a cantar as primeiras estrofes da canção “Biggest love” de composição belgã que era a preferida de Carlisle. Ele para não deixar as lágrimas escaparem, pegou a mão de Esme e começaram a dançar aos olhos de todos. Mas somente quando a música começou a dar sinais de que iria chegar ao fim, Alice parou de cantar.

— Se arriscaria pai em cantar o final comigo?

— Só por que é você, minha bonequinha, que me pede.

Ela sorriu e lhe acolheu ao seu lado acompanhando-o nas estrofes finais. A princesa como todos na sala sentiram a mesma sensação. Que à medida que a música começava a terminar e a voz de Carlisle começava a falhar, que aquela noite seria a derradeira. As lágrimas começaram a sair dos olhos de Alice e ela não resistiu em abraçar o seu pai quando ambos terminaram de cantar.

— Te amo pai! Obrigada por ser tão maravilhoso!

— Eu também te amo, minha flor.

Antony sentia mais uma vez a tristeza lhe abater, mas não queria sentir-se assim. Seu avô ainda estava ali e poderia ficar por outras noites mais. Permaneceu tentando manter a esperança e lembrou-se de tudo que vinha pensando durante a viagem. Ali naquele momento, enquanto ouvia as velhas histórias de família soube que o que mais valia a pena na vida era a união dos laços do sangue. Isso lhe fez sorrir de novo e se orgulhou de ser parte do Cullen. Sentia que apesar de tudo todos os caminhos levavam ao mesmo palácio, aos braços daquelas mesmas pessoas e isso jamais iria mudar. Carlisle e Esme tinham feito isso possível e o que o deixaria eternamente grato.

Já sabem, né? Não me deixem sem comentários.

Notas finais
Comentem! Comentem muito!