Aro sentiu como se um pequeno raio de luz tivesse surgindo entre as pesadas nuvens que circundavam o seu céu quando soube que o rei estava em estado pior do que imaginara estar. Não era como se ele fosse se tornar o próximo a ocupar o cargo máximo de Belgonia, mas significava que sua futura nora estaria mais próximo de onde ele queria que ela estivesse.

Bastara apenas três dias no país para se interar de tudo que estava acontecendo e poder traçar os seus planos para um futuro que agora ganhava cada vez mais chance de se tornar promissor. Se esgueirou aqui e ali para saber o que vinha se passando nos bastidores. Descobriu que Carlisle tinha um sério problema no coração. Há anos sofria com a doença herdada de seu pai, e que vinha diminuindo seus trabalhos e aparições públicas gradativamente ao longo do tempo, mas que só agora o problema viera a ganhar proporções mais preocupantes. Aro não duvidava que o episódio do tiro tenha vindo a contribuir para isso. Mas apesar de o que tinha ou não agravado a situação, o certo era que o rei agora vinha tomando medicamentos para tentar aliviar o coração para que não tivesse que ter às pressas uma cirurgia. Pelo que ele sabia de experiências anteriores dentro da família, cirurgias no coração eram maus presságios para monarcas belgãos e péssimo para a imagem que eles tentavam passar de estabilidade em tempos tão difíceis.

Por outro lado, o próximo a herdar a coroa, o príncipe Edward, ainda tentava se curar do luto ocasionado pela morte da esposa. Pelas poucas vezes que se encontrara com ele, achara que Edward não estava muito são. Ainda não cumpria seus compromissos como deveria e estava envolvido demais em algo que ele não conseguira descobrir. Mas se caso Carlisle fizesse o favor de ir embora mais cedo do que todos esperavam, isso tornaria Renesme quase como a regente do país. Estando ela casada com Alec seria como se o próprio Aro tivesse no poder e assim ele esperava.

Ele acabara de se encontrar com um dos seguranças do palácio que, por um valor nada barato, concordara em vigiar Renesme e seu amante em potencial, Tom Frost. Desde que flagrara a princesa aos beijos com seu segurança sentira que havia uma grande ameaça aos planos dele. É claro que ela, como todas as mulheres, tinha tendência a romantismos. A ideia de se apaixonar por aquele que a protegia, que poderia satisfazer todos os seus desejos não era longe do impossível.

Aro sabia que o público podiam comprar esse romance e apoiar um provável casamento caso a princesa fosse louca o suficiente para tentar fazer com que seu segurança fosse aceito como seu noivo. Quem não gostaria nada disso eram os políticos em geral e toda a cúpula conservadora que circundava a família real. Aro também tinha esperanças que esta também não visse com bons olhos essa união, mas sabia que não podia descartar a ideia do contrário, já que o rei e seu filho se casaram com plebeias que não tinham nada a oferecer de bom. Por isso, tinha que apresentar todos os motivos satisfatórios para que Esme e Edward aprovassem o mais rápido possível a união entre Renesme e Alec. Principalmente de uma forma que não pudessem voltar na decisão.

Depois que tinha conseguido com o segurança mercenário todas as provas sórdidas do romance oculto da princesa, não perdeu tempo e foi conversar com a rainha a respeito. Mostrou as fotos em frente a ela e observou atentamente cada reação dela.

— Não acho adequado uma princesa tão nobre se envolver com o seu segurança. Não falo pelas origens dele, mas como as pessoas podem falar negativamente a respeito.

Esme tentara não demonstrar reações tão negativas diante de Aro. Estava surpresa, é claro! Jamais pôde imaginar que sua neta estava apaixonada pelo segurança. Pelas fotos via a maneira em que eles se olhavam, como Renesme tocava o braço de Tom, como se beijavam, mostrava claramente que o namoro não era tão recente.

— Eu mesmo os vi aos beijos no jardim outro dia. Imagina se a nossa querida Renesme resolve se casar com esse rapaz? Será que ele ou todos vocês vão ser capazes de contornar as crises e os comentários a respeito? Se me permite dizer, essa família não precisa de mais polêmicas.

Não precisava mesmo, pensou Esme. Sinceramente, não tinha nada contra Tom. Se ela entrasse na onda de Aro e o difamasse por suas origens plebeias, e provavelmente humilde, estaria desprezando a si mesma. Não se importava com questões ligadas a raça, cultura, condições econômicas, mas tinha que concordar com o príncipe regente em alguns pontos. Renesme era no momento uma das poucas cartas que haviam sobrando para conseguir um acordo aceitável com alguém de importância e tentar aplacar a crise no país. Por mais que não quisesse e se odiasse por pensar assim, Esme tinha que admitir que agora o amor não devia ser o fator mais importante no casamento.

Além do que, estaria Tom preparado para entrar nesse mundo louco e complexo da realeza? Ela sabia bem o peso disso. A primeira coisa que a chamaram foi de mercenária quando começou a namorar Carlisle e a família dele foi a primeira a levantar o dedo contra ela. Foi necessário muito sangue frio ao longo dos anos. A chateação de Bella antes de morrer e bem antes disso também mostrava bem que os contos de fadas podiam ter o seu lado podre. Melhor seria que Renesme pudesse não viver com a mesma culpa que Edward tinha agora por ter arrastado seu grande amor para uma realidade que não era a dela e que lhe tirou o melhor dos seus dias.

— Tem razão Aro. Não acho conveniente esse relacionamento. Mas não quero e não posso julgá-los. Quero que as coisas terminem entre eles ao seu tempo. Uma hora eles vão se dar conta da besteira que estão fazendo.

— Estarei indo embora agora, deixe que eu leve a princesa comigo. Aposto que uns três dias ao lado de Alec e sem distrações irá fazer com que ela reflita.

— Acho uma boa ideia! Quero que eles dois se conheçam e vejam por eles mesmos se é uma boa ideia uma união entre os dois.

— Claro! – Aro falou com um entusiasmo forçado. Para ele nada importava a afeição ou a falta dela num relacionamento de conveniência. Odiava o fato de as mulheres colocarem os sentimentos sempre à frente de tudo.

— Vou resolver o problema do segurança temporariamente. Vamos ver como os dois se comportam afastados um do outro.

— E a milhas de distância.

— Certamente.

Esme levantou o dedo como se pedisse alguns minutos para Aro e pegou o telefone. Discou alguns números e esperou alguns minutos para voltar a falar.

— Me diga Alfred como andam os preparativos para a viagem de Pietro para a China?

Aro viu a velha rainha consorte escutar e se mover com muita elegância. Era claro que a plebeia de lugar nenhum conseguira se transformar em um cisne ao longo do tempo.

— Ótimo Alfred! Obrigada pelo seu trabalho duro. Mas se me permite fazer uma troca... Prefiro que James viaje com a minha outra neta, a princesa Renesme. Coloque Tom Frost no lugar dele sim. – Esme falou com doçura na voz. – Ah maravilha! Então resolvido! Peça a James para se preparar por que ele viajará em algumas horas com a Princesa e com o príncipe regente para Volterra.

Esme sorriu e esperou que dessa forma Aro pudesse ser acalentado por enquanto. Por mais que quisesse não podia descartar a proposta dele e principalmente as boas relações entre Belgonia e Volterra ainda mais agora em tempos tão difíceis. Tinha que ganhar tempo até tentar ver como as coisas ficariam daqui para frente.

Renesme só foi informada de sua viagem para o pequeno principado italiano apenas uma hora antes de embarcar no jatinho que trouxera Aro Volturi para Belgonia. Ficara confusa ao ver que todos os seus compromissos tinham sido divididos num rodízio entre outros membros da família real e ainda mais quando sua avó praticamente a implorou que fosse para Volterra para “acertar questões de negócios que seriam muito promissoras”. Renesme sabia que ela não era a pessoa mais adequada para isso, mas não pôde recusar.

Durante a viagem de aproximadamente duas horas entre os dois países, Aro tentou ser o mais gentil possível com ela. Porém, a princesa estava ansiosa demais para dar atenção a isso. Estava preocupada com Tom. Alguma coisa devia ter acontecido para que ele não tivesse ali com ela. A princesa tentou ligar para ele diversas vezes e não obteve resposta. Mandou algumas mensagens e esperou que Tom a respondesse em breve. Tamborilou o dedo no estofado da poltrona e ficou mais nervosa.

Sentiu o estômago afundar ao perceber que estava pousando. Olhou pela janela e viu a bela paisagem que tinha Volterra. Tudo parecia tão laranja, talvez fosse pelos diversos prédios antigos que haviam pelo pequeno principado. Lembrava-se de algumas vezes que estivera com os pais pelo país em turnê. Achava tudo tão adequado para um cenário de contos de fadas! Cheio de Castelos, casas altas e ruas de pedras. Agora não parecia mais tão interessante.

— Benvenuta a Volterra, figlia mia. – Aro a desejou boas – vindas em italiano com um sorriso maior do que ela já tinha visto antes.

— Grazie! – respondeu ela no mesmo idioma.

Renesme notou a surpresa no rosto do príncipe regente. O que ele pensava? Que ela era tão ignorante a ponto de não saber outras línguas? Ela sabia um pouco de italiano desde o momento que passou um ano morando em Roma. Bons Tempos! Pensou ela com um sorriso. Ela sempre achara o idioma um charme e útil para se infiltrar no país sem chamar tanta atenção. Corou como um pimentão ao lembrar que tinha tido um pequeno romance com o seu professor de dança moderna que acabou também lhe ensinando um pouco da língua. Balançou a cabeça para tentar afastar esse pensamento. Águas passadas!

Aro a conduziu pelo enorme castelo pensando que o fato de Renesme saber italiano era um bom presságio. Não podia haver noiva melhor para Alec. Já contava os dias para vê-la casada com o seu filho e darem uma boa rasteira em Antonius.

— Oh vejam, meus filhos, quem eu tive o prazer de ter a companhia durante a viagem de volta pra cá!

A princesa viu Alec dirigir a sua atenção para ela, mas nada surpreso com a sua aparição ali. Estava carrancudo e algo a dizia que sua presença ali não era tão bem- vinda assim para ele.

— Olá princesa! Vejo que veio pagar a visita que lhe fiz ano passado.

— Sim, Alec. Você me fez tão bons comentários sobre Volterra que não resisti.

— Adorável ela, não é filho?

— Com toda certeza.

Um alto rapaz loiro, que Renesme não se lembrava com tanta clareza, limpou a garganta de modo bem audível e acabou chamando a atenção do tão cheio de expectativas, Aro Volturi. Ao lado dele estava uma jovem, tão baixa quanto Renesme, sentada com uma cara indiferente.

— Desculpe pela falta de modos, querida. Deixe me apresentá-la os meus outros filhos. Aquele é o meu primogênito, Caius, e aquela moça bonita é minha caçula, Jane.

— É um prazer!

Renesme acenou com a cabeça para ambos, mais Caius, como o irmão fizera antes na visita que fizera no ano anterior, pegou a mão da princesa e a beijou. Ela pôde sentir um ar bem mais sedutor e natural do que Alec.

— Devo lhe dizer que os belgãos tem muita sorte de ter uma futura rainha tão bela.

— Obrigada! – Renesme agradeceu envergonhada.

— Não lembra de mim, não é? Não a culpo por que se eu tivesse visto você antes eu não me responsabilizaria pelos meus atos.

“Que cafona e sem graça!”, Renesme pensou.

— Desculpe-me por isso. Mas com certeza com os seus galanteios, eu jamais esqueceria se não tivesse vindo aqui pela última vez quando era ainda tão jovem.

Aro deu uma risada estridente que ecoou por todo o salão como um grande eco. Parecendo desconfortável, apesar da gargalhada.

— Meu filho adora fazer piadas, querida.

— É princesa... Bem – vinda a família! – Jane falou pela primeira vez com um tom de ironia.

Renesme apenas sorriu apertando os lábios. Era a oportunidade que esperava para se afastar e tentar descobrir o que acontecera com Tom.

— Se não se importam, vou me retirar um pouco para descansar da viagem.

— Claro querida! Vou pedir que lhe mostrem o quarto onde irá ficar.

— Muito obrigada.

Então, ela seguiu acompanhada do mordomo pelos frios corredores do castelo. Por onde olhava via pedras e mais pedras com janelas compostas de vitrais medievais que não pareciam trazer conforto o suficiente. Combinava bem com o estado de espírito dela. Sentia um arrepio toda vez que a friagem escapava do lado de fora e entrava em contato com a pele dela. Sentia-se enclausurada principalmente pelo fato de começar a perceber que talvez a sua vinda para Volterra não era a negócios.

Quando entrou no quarto, esperou ficar sozinha para trancar a grossa porta de madeira e pegou o celular. Entristeceu ao ver que não havia nenhuma chamada de Tom. Onde ele poderia estar? Apertou no número dele e esperou que ele atendesse e nada. Caia na caixa postal toda vez que tentava uma ligação.

Frustrada, ela se jogou na cama e pôs a cabeça entre os travesseiros. Era até irônico pensar que havia uma época que viajava sozinha sem se importar com muita coisa. Agora estava tão dependente de Tom que estar sem ele e ainda tão longe chegava a doer. Sentia que ao longo desse quase um ano que estavam namorando sentia que cada vez mais ele estava incrustado nela. Estava em seus pensamentos, no cheiro da pele, nos movimento de seus braços e pernas. Nunca tinha se sentido assim antes, tão interligada a alguém assim.

Foi inevitável não lembrar-se de seus olhos sempre tão incógnitos, que sempre a impeliam a tentar descobrir sempre o que ele escondia. Era o seu mistério preferido como também a sua aventura maravilhosa. Sentia-se livre ao lado dele, talvez pelo fato de que Tom não pertencia ao mundo dela. Não tinha sangue real ou não era da aristocracia e nem um burguês em ascensão louco para tirar o melhor proveito do relacionamento deles, como Colin fizera antes com ela. Quando estavam ambos sozinhos, se escondendo em Clarence ou em Northfolk, aos beijos ou grudados na cama, ela se sentia plena e verdadeira. E quando lembrava das tentativas que se amontoavam nos bastidores para separarem ela dele a revoltava e acendia uma fúria tão grande dentro dela que nem mesmo sabia que tinha dentro de si.

O celular começou a tocar ao lado dela e sem pensar atendeu logo. Para o seu alívio, foi à voz de Tom que saiu do outro lado da linha. Ela quase sentiu os olhos marejarem diante do som gostoso da fala dele. Tentou capturar o que ouvia com o máximo de atenção. Como se a voz dele entrasse em seus poros e a aliviasse. Como se ele fosse a sua tábua de salvação em meio a uma grande maré perigosa.

— Tom, onde você está?

— Estou numa conexão que vai levar a gente para a China.

— Como assim? Você e quem?

— Eu e toda a equipe que está levando o seu primo para perto dos chineses.

Renesme se sentou na cama e pôs a mão livre na testa. Sentia-se ferver por dentro. Estava óbvio que estavam tentando afastá-la de Tom para que Alec tivesse alguma chance. “Impossível!”, ela pensou já com vontade de gritar.

— Eu soube que você está em Volterra. Escuta, Ness – Tom agora falava mais baixo. – Acho que descobriram sobre a gente e estão tentando nos separar.

— Estou sacando isso. Não sei como descobriram, mas Tom, não vão conseguir, entendeu?

— Ness, vamos discutir sobre isso depois. Temos que sermos mais cautelosos. Vou ter que pegar outro avião agora, mas olha, não comenta sobre isso com ninguém, ok? Aja naturalmente e trate o Alec como um príncipe que ele é. Não dá bandeira!

“Uma ova!”, agora a raiva tinha atingido o seu ápice. Quando Tom desligou, ela se jogou na cama pensando em vários insultos. Lembrou-se de sua mãe quando ela dizia que o palácio controlava a vida de todos na família real. Ela não ia deixar que isso acontecesse. Pelo menos esse direito de controlar os seus próprios sentimentos ela tinha que ter! Seja como fosse, estava disposta a não colaborar com o plano inútil de uni-la a Alec. Tudo que ela pudesse fazer para que tudo desse errado, ela faria e ponto.

Alec também não estava tão satisfeito com a presença de Renesme ali. O que só comprovava o fato de que tudo que Aro queria ele certamente iria conseguir. Não tinha absolutamente nada contra a princesa. Até a achava muito bonita e simpática, porém o seu alto valor no mercado do matrimônio o deixava desanimado. Nada seria natural entre eles. Ainda mais com a pressão que Aro estava colocando em seus ombros.

— Conquiste ela!

Como se isso fosse à coisa mais fácil do mundo! O príncipe sabia que a situação de sua família não estava nada bem. Não se admiraria se o conselho real aprovasse Antonius como o herdeiro direto ao trono de Volterra. Aro ficaria perdido e assim como Caius, que morreria de frustração, ou como ele mesmo diria: “seria como terminar o sexo de bolas roxas.”. Para Alec nada disso importaria. Era satisfeito com a sua situação, mas se por acaso ficasse ao relento no panteão real nada importaria. Ele sempre estivera bem na sombra, não era poder que o mantinha vivo. Também tinha absoluta certeza que Jane encontraria o cara mais rico que encontrasse e se casaria com ele. Até soube que andava flertando com Antonius pelas costas de Aro. Não duvidaria se ela conseguisse tê-lo. Ninguém resistia a Jane!

— Aproveite essa oportunidade. – falou Aro ao filho. – Ela está de namorico com o segurança dela e isso é impedimento péssimo para nós. Porém, se você jogar os seus galanteios pra ela tenho certeza que o talzinho vai para as cucuias!

— Seria ótimo que você não ficasse interferindo. É ruim o suficiente agir com alguém gritando em seu ouvido.

— Deixe de bobagem! Se fosse Caius já tinha a levado para a cama!

Alec odiava ter de ser comparado ao seu irmão mais velho a cada instante que fosse. Sempre era algo como: “Caius é o mais bonito, mais esperto, mas simpático...” nunca havia um meio termo, sempre era o extremo. Não queria ser melhor do que Caius, só queria ser deixado em paz com a sua personalidade “inferior”. O fato de agora ser o plano b de seu pai o deixava ainda mais irritado.

— Eu tenho que interferir se realmente quisermos que esse casamento saia. Vou colocar uns paparazzis na cola de vocês. Faça-me o favor de beijá-la, pegue na mão dela e faça todas as baboseiras românticas possíveis, ok?

Alec nada disse. Odiava quando o pai usava sempre a primeira pessoa do plural para se referir ao plano maluco de casamento por conveniência. O príncipe estava perfeitamente ciente que não chegara a concordar com nada disso. Mas como contradizer Aro Volturi?

Bem que tentou não passar o seu mau humor para a princesa. Ela não tinha culpa de nada e assim como ele também era vítima de um esquema de interesse. Em outras circunstâncias até que poderia tentar alguma coisa. Renesme era bonita, inteligente e parecia não gostar de badalações, isso era um bom começo. Porém, estava muito óbvio que os dois não gostavam da mesma coisa.

Alec tentou agradá-la levando a museus e exposições de artes pela cidade. Ela pareceu estar feliz, mas logo ficou emburrada por razões muito bobas, como o fato de ter que andar demais. “Por que as ruas de Volterra são tão estreitas a ponto de não poder passar carros?”. Ele tentou não levar o seu nacionalismo a cima desse comentário e deixou passar. Mesmo diante do fato de que ele próprio amava caminhar. Sempre acho isso um ótimo exercício para a mente e para o corpo. Ele podia passar horas andando sem rumo só para entrar no seu mundo interior.

Quando Renesme não estava calada demais, o que era terrível para um Alec que pouco sabia puxar conversa, ela discordava de tudo que ele parecia apreciar. Não concordavam em nada e quando menos esperavam se envolviam em uma discussão cultural a respeito das linhas, das cores, ou da maneira que os artistas pintavam em seus quadros. No final do dia, ambos estavam exaustos demais para ficarem perto um do outro. O príncipe sabia que estavam sendo seguidos por fotógrafos afoitos por um momento quente, mas ele nem se esforçou para dar o que eles queriam.

Quando pensou que tinha sido o suficiente por um dia, Aro tinha tido a brilhante ideia de todos marcarem presença na apresentação de ópera. Em dias normais ele teria achado ótimo! Amava ópera e todos os tipos de músicas clássicas e pelo visto era mais uma coisa que Renesme divergia dele. A princesa teve a coragem de dormir alguns minutos depois que os cantores começaram a se apresentar. Enquanto Alec pensava se ela fazia tudo isso de propósito, sentiu a cabeça dela cair em seus ombros. A vontade que ele tinha era se mexer e acordá-la abruptamente. Mas não o fez. Aguardou o fim do espetáculo e a acordou delicadamente antes que ligassem as luzes.

— Não foi um espetáculo lindo? – Aro perguntou depois que todos chegaram ao castelo.

— Teria sido se caso a princesa não tivesse dormido quase toda a apresentação! – Alec afirmou categoricamente.

Renesme olhou para ele sem parecer muito envergonhada e respondeu:

— Me desculpem a todos. Acho que foi o Jet lag! Mas quero deixar claro que aprecio todos os tipos de artes.

— Não se desculpe, querida! – Aro logo interveio. – Eu é que fui apressado. É claro que essa viagem e essa grande mudança de horários deixou você muito cansada.

Jane olhou para o pai e depois para Renesme e deu uma gargalhada.

— Nunca vi você tão doce antes!

— Bobagens, querida! Bobagens!

Alec olhou para a princesa e percebeu o tédio dela. Era óbvio que ela não estava tão à vontade em estar ali tanto quanto ele por ter que representar um papel que não queria. Mas se era para deixar tudo difícil, então ele também colaboraria com o plano. Foi até o piano e logo propôs a Renesme um dueto. Talvez, mesmo que no fundo, conseguisse mostrar ao pai que ela não era a garota certa.

— Não quer tocar um dueto comigo princesa?

Renesme olhou para Alec e corou. Pela primeira vez ele a viu verdadeiramente envergonhada.

— Desculpe-me vou ter que recusar...

— Por quê? Pensei que seu pai fosse um músico fantástico! – Aro a perguntou.

— Ele é e meu irmão também, na verdade. Mas acho que não herdei esse ramo musical.

— Está sendo modesta! Venha tocar um pouco comigo.

— Nos dê esse prazer, princesa. – insistiu Aro.

— Eu realmente não sei tocar muito bem. Papai me deu umas lições quando eu era mais jovem, mas...

— Vá logo Renesme! – interrompeu Jane com cara de tédio. – Se não for eles vão continuar insistindo!

A princesa apenas balançou a cabeça e foi até o piano. Alec propositalmente escolheu uma das canções mais difíceis de Chopin. Renesme olhou para ele inconformada. Qual a parte que ela não tocava bem que ele não entendeu? Ela não conseguia entender se ele estava gozando com a cara dela ou realmente gostava dessa música em particular. Pela expressão dele, decidiu pela segunda opção.

Quando ambos começaram a tocar as notas da música, Alec se deliciava com o fato de a princesa se atrapalhar a cada nota. Ele tocava mais rápido para poder desafiá-la mais, porém tinha que saudar o esforço que ela fazia, mesmo que fosse em vão. Jane, que estava encostada ao piano, apenas se divertia com tudo que via. Sabia que os planos do pai era uma loucura, mas mesmo sendo indiferente, queria ver até onde isso iria dar. Aro, por sua vez, tentava disfarçar a sua cara de despontamento e vergonha. Como uma princesa com uma família tão musical não poderia ter esse dote?

Depois de um tempo e de muita sofrência por parte da princesa em tentar acompanhar o ritmo de Alec, este foi chegando aos acordes finais da canção. Olhou para Renesme e tocou a mão dela para chamar a sua atenção.

— Tem que treinar mais princesa!

Renesme nada disse e levantou-se.

— Desculpe-me a todos. Acho que o espetáculo que fizemos agora não foi agradável o suficiente. Estou cansada e vou me retirar agora.

— Pensei que já tinha dormindo o suficiente. – afirmou Alec

Aro olhou para ele com uma cara feia e voltou-se para Renesme:

— Vá, querida. Descanse!

A princesa deixou o salão e Alec deu um sorriso triunfante.

— Essa foi mal, irmãozinho. – Caius falou pela primeira vez. – Não é assim que se conquista uma mulher.

— Não é assim mesmo, seu idiota! – Aro falou com raiva. – Se fosse Caius já teria a levado para a cama.

— Quem disse que eu quero levá-la para a cama?

— Você vai fazer muito mais que isso. Vai se casar com ela, fazer um filho nela e tudo mais que deve ser feito e ponto!

Aro saiu do salão ainda mais irritado e Caius o acompanhou dando ombros, no fundo agradecido por não ser o alvo da vez. Jane inclinou-se para perto do irmão gêmeo, e disse:

— É irmão, você está numa corda bamba. É melhor não discutir com o papai. Você sabe que vai perder a partida.

Alec bufou e a deixou parada ainda encostada ao piano.

Enquanto isso no palácio, Esme foi ao encontro do filho do meio para ter uma conversa séria com ele sobre Renesme. Tentava em sua mente formar as palavras necessárias para a abordagem desse assunto delicado. Sabia que Edward tinha voltado para casa mais animado dessa vez. Algo lhe dizia que as investigações da morte de Bella estavam avançando e então resolveu agir. Entrou na sala de estar do apartamento dele e caminhou até ele devagar. Edward estava de costas para a porta e servia-se de uma dose de Whisky. Esme achava que ele andava bebendo demais nesses últimos tempos, mas não se importou com nada disso no momento, apenas sentou-se em uma das poltronas. Ele virou-se e não se assustou ao ver que não estava sozinho.

— Mãe, que bom que está aqui. Por que Renesme foi para Volterra? Ao que me lembro não tínhamos nenhuma turnê marcada.

— Ela não foi em compromisso oficial e sim como uma convidada de Aro.

— E por que ele faria isso?

— Querido, tenho que te falar algo que ele veio me propor, mas não sei como...

Edward olhou estranho para a mãe e tentou decifrá-la.

— Talvez pelo começo, não é? – falou com um sorriso no rosto.

Esme respirou fundo e tentou contar tudo que Aro tinha proposto com mais calma possível, deixando tudo muito explicado. Ia mudando o tom e as palavras a cada expressão que o filho dava. No final, não se surpreendeu ao ver a raiva em seu rosto. Edward se levantou irritado e puxou os cabelos, como sempre fazia quando estava nervoso.

— Isso é um absurdo! O que Renesme acha disso?

— Ela não acha nada por que ainda não conversamos com ela.

— Não conversaram com ela? O que vocês acham que a minha filha é? Uma marionete?

— Edward entenda...

— Não tem nada para entender! Aro só está querendo se aproveitar de nós usando as nossas fraquezas.

— Eu sei disso, mas são essas fraquezas, essas rachaduras que parecem pequenas no muro da monarquia que vai acabar nos derrubando. Edward, Bono Donalson só tem crescido nas pesquisas. Imagina o que acontecerá em seguida?

— Eu não quero saber! Acha justo tirarmos um futuro de glória da minha filha por puro egoísmo?

— Eu também me sinto horrível por isso. Mas convenhamos Renesme não tem feito muitas escolhas em relação ao seu casamento ultimamente. Precisamos de um herdeiro enquanto é possível, Edward.

— Mas não dessa forma! Eu jamais aceitaria algo assim!

— Ela anda se envolvendo com o segurança dela, sabia disso?

Edward virou-se surpreso para mãe e lembrou-se de algumas coisas importantes. “Eu soube de uma fonte confiável, pai.”, fora isso que ela afirmara quando lhe disse a respeito das ameaças que Bella sofria. Seria Tom a tal fonte dessa afirmação importante? Como ele podia saber disso tão bem? “Nada me tira da cabeça, alteza, que tinha alguém dentro do palácio colhendo o que podia sobre a sua esposa.”. Isso que Joel tinha lhe dito essa noite ao lhe repassar as informações sobre o andamento das investigações. Que ligações Tom poderia ter com o caso? Ou estaria apenas tendo pensamentos precipitados? Talvez! Balançou a cabeça e tentou não pensar nisso.

— Se for isso, nada podemos fazer. Eu mesmo me casei com uma plebeia, não foi? Você hoje é uma rainha consorte por quê?

— Você quer mesmo que Ness sofra o que você sofreu se não der certo com Tom? Pode acontecer, não é?

O príncipe agora ficou sem argumentos. Sentou-se ao lado da mãe e passou a mão pela cabeça. Claro que podia acontecer. Bella era ótima esposa e também poderia ter sido uma excelente rainha. Mas infelizmente aquele mundo não fora feito para ela. Bella estava anos luz a frente de todos os costumes, leis e quaisquer protocolos da realeza. Ele se sentia horrível por tê-la feito passar por isso. Ela podia estar feliz e viva hoje se não fosse pelo egoísmo dele, não podia?

— Não podemos prever o futuro, mãe.

— Não podemos. Mas temos uma crise eminente no momento e não precisa ser um vidente para adivinhar o que vai acontecer, não é? Por isso, mesmo sendo horrível, acho que não podemos descartar a proposta de Aro agora.

Edward permaneceu calado. Duas batidas aceleradas na porta o salvou de ter que dar uma resposta ou prometer alguma coisa a mãe no momento.

— Entre. – Edward pediu.

Um dos empregados entrou com uma cara aflita e disparou:

— Alteza, Majestade, o rei acaba de passar mal.

— Como assim, John? Explique melhor! – pediu Edward.

— Ele sentiu algumas palpitações no coração e depois desmaiou. Chamamos a ambulância...

Não foi preciso dizer mais nada, Edward e Esme saíram em disparada do apartamento, ambos temendo pelo pior.

COMENTEM POR FAVOR! Quero saber o que vocês estão achando!

Notas finais
Comentários sempre são bem - vindos!