Fevereiro de 2045

Esme sentia a cabeça pesar enquanto preparava os remédios de seu marido. Era início da tarde e Carlisle gostava de descansar após o almoço. Hábito que a rainha considerava prudente em continuar mesmo diante das agitações que percorriam o país no momento. Carlisle fora rei, e um dos mais respeitáveis, por 45 anos, e agora tinha o direito a um descanso. Pegou os comprimidos e levou até a cama.

— Não sei o que eu faria sem você, minha Essie.

Esme sorriu e beijou levemente os lábios de Carlisle. Ele pegou os comprimidos e levou um a boca. Enquanto o sentia descer pela garganta pensava em sua condição. Nascera príncipe e herdara a coroa tão sonhada por muitos. Por anos esteve na posição mais elevada do país e aqui estava ele, velho e com um coração condenado. Nenhum homem era infalível e poderoso o suficiente para escapar do destino da natureza.

— Você é que me fez ainda mais especial, meu deu amor, filhos, netos lindos e me fez realizar o sonho que muitas mulheres têm, ser uma rainha.

— Eu não teria conseguido sem você.

— Claro que teria. Não se subestime, Carl.

Ele deu um sorriso cansado e se ajeitou entre os travesseiros. O tempo tinha passado para ambos, mas quando olhava para ela ainda se lembrava vividamente daquela mulher linda de cabelos cacheados que esbarrara nele naquela discoteca nos anos 70, há tantos anos atrás. Sempre falaram que ele fora o rei mais preparado para o cargo, o mais corajoso para fazer as mudanças necessárias para salvar a monarquia belgã, mas tudo que fizera veio por incentivo de Esme. Ela era a verdadeira rainha. A que abriu os olhos dele, o aconselhou e o apoiou durante todos esses anos. Ninguém poderia subestimar o poder que ela tinha.

— Está tão pensativo. – ela falou. – Espero que não seja preocupações inúteis que cercam essa sua cabecinha.

— Eu estava pensando aqui... Quando formos coroados salvamos um reinado falido que meu pai vinha sustentando há anos. Eu o critiquei tanto na época. Cobrei mudanças e ações, mas olha só pra mim agora. Tanta coisa ruim acontecendo e eu deitado nessa cama.

É claro que mesmo com todos os esforços, Esme não poderia deixar que o marido se preocupasse menos com a grande crise que só viera a piorar a situação no país. Agora a inflação atingira níveis elevadíssimos e com poucas possibilidades de emprego, a população estava agora à amargura. Ontem, no dia em que Carlisle completara 89 anos, houve uma paralisação geral em vários setores da economia em protesto e como forma de alerta para chamar a atenção do parlamento.

— Não pense nisso, querido. Seu coração precisa desse descanso. Além disso, tem pessoas que foram eleitas para resolver esses problemas. Renesme, tadinha, está lá com eles novamente discutindo as leis cobradas pelos revolucionários. Ela ainda tem esperança em fazer com que aqueles bastardos do partido conservador possam aprovar pelo menos algumas das leis exigidas pelos revoltosos. Como se ela fosse conseguir... Donalson vem declarando uma verdadeira guerra contra nós ultimamente e o partido deve segui-lo.

— Admiro a coragem dela. Precisamos muito disso nesse momento. Ela deve tentar. É melhor do que não fazer nada.

— Não entenda como se você tivesse matando trabalho, querido. Deixemos os jovens fazerem a sua parte também. Fiquemos com a parte do aconselhamento. Experiência temos muita para isso.

Carlisle sorriu e pegou a mão da esposa. Queria poder levantar-se e ir até aquela sala e apoiar a neta, mas já sentia o seu corpo pesar na cama. Efeitos do maldito remédio receitado para fazer o seu velho coração durar mais algum tempo sem precisar de cirurgias urgentes.

— O que mais me admira é o fato de Donalson jogar todo esse povo contra nós sendo que o partido conservador não move uma palha para melhorar as coisas.

— Mudanças devem ser feitas e urgentes. – Carlisle falou em meio a um bocejo grande. – Bella veio nos mostrar que lições devem ser aprendidas.

— Não é como se ela tivesse morrido, não é? A vejo tão viva como há meses atrás. Edward, ao menos saiu daquele quarto. Já estava preocupada com ele. Tinha medo dele ter que passar por toda aquela depressão horrível de novo. Mais essa investigação está deixando ele motivado e já uma grande coisa.

— É eu acho ótimo eles reabrirem as investigações.

— Não acho que vão encontrar grandes coisas... O serviço secreto não encontrou nada, não é? O que um simples policial vai achar?

— Deixe o tentar, Essie. Se eu estivesse no caso dele também não desistiria. Você é meu primeiro e meu último amor... Meu tudo, assim como Bella era a dele.

Esme ia responder a declaração, mas Carlisle já tinha caído do no sono. A rainha então levantou-se e tentou sair sem fazer barulho. Tinha que receber Aro Volturi numa visita quase inesperada. Ele prometera vir para o aniversário do rei, mas uma forte tempestade o fizera adiar a viagem para o dia seguinte. Mandara uma mensagem muito solene e falsamente delicada explicando sua ausência num dia tão importante. Esme até agradeceu o tempo por não ter trazido o príncipe regente de Volterra. Não teria como recebê-lo em meio ao terror dos protestos que ocorrera no dia anterior.

Sentou-se na grande cadeira no escritório de Carlisle e aguardou. A chegada de Aro estava marcada para a qualquer instante. Ela sabia bem quais eram os reais motivos da visita do herdeiro postiço do alto trono do principado italiano, acertar o casamento de Renesme com Alec. Assunto que ambos já tinham conversado por cima antes, mas agora parecia que ia ser pra valer.

Ela mesma fizera questão de recebê-lo e não pôr Edward nesse assunto por enquanto. Acreditava sim que no momento iria ser maravilhoso para todos que essa união ocorresse. Em todos os casos sempre apoiaria o casamento por amor. Ela mesma fora muito afortunada e muito feliz por ter encontrado seu grande amor em Carlisle, mas se tinha aprendido alguma coisa durante todos esses anos como rainha, era que a política nem sempre combinava com o sentimento romântico. O momento exigia medidas extremas.

Aro pensava o mesmo. Talvez com mais radicalismo do que a rainha que o aguardava. Enquanto observava as ruas de Belgravia, quando estava a caminho do palácio, ficou pensando em todos os problemas que Donalson vinha fazendo para a monarquia belgã podia ser prejudicial também para os seus planos.

Embora a grande crise em Belgonia se mostrasse mais perigosa para o fim da realeza em geral, as coisas em casa, mesmo menos complicadas, ainda tiravam o seu sono. O seu sobrinho, Antonius, resolvera de vez enfrentá-lo de frente e reivindicou seu direito a sucessão ao trono de Volterra. Aro tinha certeza que isso em nada daria. Afinal de contas, quem iria por fé num bastardo? Ninguém no conselho iria querer cogitar a ideia de um forasteiro, que até ontem nem existia aos olhos de ninguém. Mas para sua surpresa Antonius ganhara a primeira audiência.

O então príncipe regente enfurecido colocou as “barbas de molho”. É claro que não desistiria nunca de por seu filho mais velho no trono de Volterra. Afinal de contas, por direito era o seu lugar. Ele viera de uma linhagem completamente nobre e com o sangue real puro, vindo de gerações. Mas também não seria ingênuo de não garantir o plano B. Tinha que acertar o casamento de Alec com a princesa Renesme urgentemente. Quem sabe se não seria através do seu filho que ele conseguira resolver esse problema público da monarquia com Bono Donalson? Um paralamentarzinho desse não poderia medir forças com uma instituição tão antiga e sagrada. Carlisle era que era frouxo demais para não colocá-lo em seu lugar.

O carro parou em frente ao palácio e Aro esperou que abrissem a porta para que ele descesse. Parou em frente à fachada do prédio antigo e o admirou como se estivesse entrando em sua nova casa. Respirou fundo e seguiu em frente. O mordomo o conduziu até o escritório onde a rainha o aguardava.

— É um prazer em recebê-lo Aro. Há quanto tempo não nos víamos?

— Para o meu desprazer, um longo tempo.

Aro beijou a mão de Esme e ela não se surpreendera com os modos cavalheirescos dele. Já os conhecia de longa data. Em sua opinião, ele se esforçava demais para passar uma imagem de gentleman sem ter um mínimo de vocação para isso. O príncipe regente de Volterra era uma pedra de gelo por dentro e com uma carcaça de um bonito pavão por fora. Ela apenas lhe retribuiu com um sorriso. Tinha aprendido há anos que jamais poderia ser completamente real com as pessoas em sua volta. Deveria sempre dançar conforme a música.

— Lamentei muito ter perdido o aniversário de Carlisle. Deve ter sido uma festa linda!

— Nós também lamentamos por não termos a sua presença. Mas esse ano não fizemos muitas comemorações. Ficamos apenas com a missa e um almoço comemorativo. Carlisle anda um pouco doente e ainda estamos quase em luto pelo falecimento da minha nora... Preferimos algo mais simples nesse ano.

— Eu posso imaginar. Carlisle e eu somos amigos de longos anos e eu sempre admirei a humildade dele, mesmo tendo tudo ao seu redor. Espero que a enfermidade dele não seja nada grave.

— Não... Tenho certeza que iremos superar tudo isso.

— Sim, certamente. Soube que ele levou um tiro no ano passado. Fiquei chocado!

— Um grande infortúnio! As coisas andaram acima do limite no protesto que houve no último National Day. Um garoto com graves problemas mentais acabou se envolvendo demais e atirou no meu marido.

— Ele tem problemas mentais? Não sabia?

— Ele foi diagnosticado com transtornos psicológicos. Não poderia ser uma pessoa normal, não é? Atirar num rei!

— Certamente. Mas o que mais me preocupa e me surpreende também é o fato de esses movimentos revolucionários acontecerem justamente em datas tão importantes para o país e principalmente para a família real...

— Um desrespeito total! Mais isso não parte da população em geral. É só Bono Donalson atiçando as coisas. Ele se aproveita da crise econômica que estamos vivendo para ganhar o cargo de primeiro ministro. Não vai conseguir!

— Eu não teria tanta certeza, majestade. Veja o nosso caso em Volterra. Um bastardo chegou para nós alegando que era filho do meu irmão adoentado e o que acabou sendo verdade. Nunca duvidamos disso, mas ele agora quer medir forças conosco, que tomar o trono para si. Veja que ambicioso! Achamos que ele não teria vez, mas ele já ganhou a primeira batalha.

— É mesmo?

— Oh sim. Por isso que lhe digo, não podemos prever nada. Não há certeza absoluta nessa vida. Principalmente quando há um povo de sangue revolto passando fome, não é mesmo?

Esme deu um sorriso amarelo e serviu-se com uma xícara de chá. Não podia discordar do homem em sua frente. A maré estava alta e tudo poderia acontecer caso a crise não fosse controlada e Bono Donalson ganhasse as eleições. O que a irritava profundamente era o fato de não poder agir mais profundamente. Dependia da falta de vontade e de preparo do primeiro ministro para aplacar os problemas econômicos e do bom senso das pessoas na hora da eleição.

— Por isso Esme acredito que devemos unir forças.

— E como seria isso?

— Veja quantas vantagens seria a união dos nossos países através do casamento de meu filho, Alec, com a sua neta, a princesa Renesme. Eu faria questão de investir na economia belgã e ser o aliado de vocês contra esse tal Donalson. Você sabe bem, somos amigos há anos, Volterra é um país pequeno, mas é um paraíso fiscal. Não faltaram meios de reconstruirmos juntos a nossa Belgonia.

— E o que ganha com isso?

— Eu não sou um homem ambicioso... Quero apenas garantir a linhagem de minha família.

Esme olhou Aro de cima a baixo e lá estava ele com aquele sorriso cínico. Tinha vindo para Belgonia com todas as cartas na manga e com os melhores argumentos. Sabia que eles estavam em desvantagem e não seria um luxo declinar uma proposta dessas. Também tinha total ciência que Aro queria mesmo era se infiltrar na família para angariar mais poder para si.

— Vamos lá Esme! Tudo que as pessoas precisam agora é de um lindo casamento real para animar as coisas e para fazê-los esquecer os problemas. Alec e Renesme são jovens encantadores com certeza vão dar muito certo juntos.

— Eu acho uma ideia louvável, mas tenho que conversar com o meu filho primeiro...

— Claro que sim e tenho certeza que vão chegar a um consenso sensato. Tenho muita fé em você, majestade. Você é como eu. Só queremos o melhor para todos, não é? Sei que esses anos, você foi o diferencial de tudo. Não é o que dizem, por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher.

— Eu nunca ambicionei tomar o posto do meu marido.

— Não claro que não. Mas tenho certeza que você foi de grande ajuda nas decisões de Carlisle.

Esme queria que a bajulação acabasse e principalmente mandá-lo a merda junto com essas propostas imorais. Mas não podia agir com precipitação. Analisaria bem toda a situação antes de dar o sim definitivo. É claro que concordava com o fato de que um casamento agora iria fazer mais bem do que mal. Renesme já estava passando da hora de se casar e queria que o casamento dela fosse bem sucedido. Ao pensar nisso sentia-se na Idade Média. Onde se negociava-se alianças no dedo como uma troca de roupa. Não queria que isso tivesse que acontecer logo com a sua neta. Mas na hora do risco, infelizmente, era tudo ou nada.

— Eu gostaria que refletisse com carinho a minha proposta. Estarei na cidade por alguns dias a negócio...

— Prometo que vou conversar com o meu filho e com Renesme, é claro. Por favor, nos dê o prazer de sua presença aqui no palácio.

— Eu já tinha reservado um quarto no palace, mas com esse convite, acho que não poderei recusar.

— Mandarei que o acomodem. Tenho certeza que Carlisle vai adorar revê-lo.

— Eu também.

A rainha conduziu o príncipe herdeiro de Volterra com alívio por a conversa ter chegado ao fim. O observou subir as escadas pomposamente como se fosse o próprio rei e bufou. Sua mente estava confusa. Tinha certeza que a temporada dele em Belgonia não seria apenas para propor a união dos dois países por casamento, mas também assegurar que haveria terreno fértil para os seus investimentos. Ela sabia que as coisas só tinham a piorar daqui para frente e o círculo estava se fechando. Não haveria tempo para encontrar um partido melhor do que Alec com tanto a oferecer. Sacrifícios deveriam ser feitos por bem ou por mal.

Enquanto isso, a princesa caminhava sorrateiramente pelos corredores que levavam aos jardins do palácio. Olhava para os lados em busca de saber se não estava sendo seguida. Odiava ter que morar num local tão vigiado. Uma verdadeira gaiola de ouro. Seguiu em frente e tirou os sapatos para não fazer tanto barulho ao caminhar. Depois de uma longa reunião esperava realmente que Tom tivesse recebido o seu recado.

Andou um pouco e respirou aliviada ao vê-lo de costas na parte escura do jardim. Seguiu mais rápido e reprimiu o desejo de correr até ele e o abraçar com força. Não podia agir impulsivamente. Alguém poderia estar observando.

— Que bom que recebeu o meu recado. – Renesme falou em voz baixa enquanto se aproximava de seu segurança.

— Claro. Fiquei com medo de ter acontecido algo e vim direto para cá.

— Não aconteceu nada. Só precisava te ver. Não sabe quanto é terrível ficar horas ouvindo políticos e vendo que eles fazem pouco caso do que você fala.

— Sabe que estamos nos arriscando, não é? Aqui no palácio não é um bom lugar para encontros.

— Eu sei. Não seja chato!

Tom pegou a mão dela e a colocou em seu peito de um modo que ninguém pudesse ver. Renesme podia sentir o peito dele subir e descer e os leves batimentos do coração dele. Isso a acalmou de um jeito imensurável. Queria poder abraçá-lo e beijá-lo. Era nesses dias que lamentava por não ter uma vida normal.

— Como foi à reunião?

— Péssima! As coisas estão ficando difíceis, Tom. Cada dia que passa é uma bola de neve que vai crescendo. Temo o dia em que ficaremos tão presos que não conseguiremos mais sair. O pior é ter que convencer esses caras a fazer o trabalho deles, sabe? Isso me irrita horrores!

— É terrível como a gente se engana com as coisas, não é?

— O que quer dizer?

Tom sorriu e olhou para o lado sabendo que tinha pensado alto. Corria esses riscos de vez em quando. Sabia que quanto mais íntimo ficava da princesa, mas impossível ficava de se controlar perto dela. Seus muros iam caindo pouco a pouco e realmente não sabia o que faria quando não sobrasse mais pedra sobre pedra para cobri-lo. O que ela pensaria do verdadeiro Tom Frost?

— Falo da política. A gente vota nessas pessoas pensando que elas são boas e ai...

— São só pessoas. O maior erro é acreditar que existem heróis. No final somos todos humanos.

— Mesmo com uma coroa em cima da cabeça.

— Mesmo assim.

Renesme o olhava agora com aquele olhar penetrante que só ela sabia demonstrar. Sentiu que ela tremia, mesmo com o casaco. Era uma noite fria, mesmo já estando no fim do inverno. Ele pegou a mão dela e a conduziu para o banco próximo a eles. Sentou-se e a abraçou. Ela continuava olhando para ele como se estivesse diante da sua joia mais preciosa.

— Estou tão cansada, sabe? Eu não quero ter que me encontrar com você assim como uma fugitiva. Não estamos fazendo nada de errado.

— Você sabe que é necessário. O que diria se descobrissem que a princesa está tendo um caso com o segurança dela?

— Eu não me importo com isso.

Tom franziu a testa e a olhou surpreso. Era a última coisa que esperava ouvir dela. Renesme sempre fora a pessoa que seguia todas as regras e não as quebrava. As coisas realmente estavam fugindo do controle.

— Teria mesmo coragem de contar para a sua família sobre nós? Eu pensei que...

— Que era uma aventura boba. Que eu estava apenas com você por causa de todas as coisas boas que fizemos juntos, mas sem nenhum compromisso.

Tom não respondeu, ainda estava surpreso. Na verdade, Renesme também ficaria se a ouvisse falar dessa forma há um ano atrás. Mas se uma coisa a morte de sua mãe a havia ensinado era se arriscar e ela sentia que estava pronta. Tinha certeza que gostava o bastante de Tom para ir além dos limites por ele.

Não lembrava de ter essa coragem com nenhum de seus namorados anteriores, talvez apenas por Colin e nem assim. Havia sempre aquela velha desconfiança que poderia estar agindo errado, se arriscando e se precipitando muito. Mas agora ela não se importava mais com isso. Tom era quem ela queria e tinha se mostrado leal o suficiente para que ela acreditasse que ele era o escolhido.

Ainda se lembrava bem de como ele fora o seu suporte, a sua força durante os meses de luto após o falecimento de Bella. Nos primeiros dias, ela mal tinha vontade de sair da cama. Nada fazia mais sentido para ela, mas ele mostrou que ela podia sim seguir em frente. Estava sempre ao lado dela, se arriscando, ao passar horas a mais do que o esperado para um segurança dentro do quarto com ela. Alimentando-a, dando banho, limpando as suas lágrimas frequentes e sempre a consolando aos seus pés. Ninguém jamais se importou com ela assim antes. Ela sabia que era genuíno.

— Eu te amo!

Tom mais uma vez sentiu uma pontada no peito ao ouvir isso. Era a primeira vez que ela falava as três palavras mais importantes do mundo para um homem apaixonado e ele se sentiu horrível. Também a amava, para o seu pior castigo, tinha também desenvolvido sentimentos reais pela mulher proibida e sabia que tinha que conviver com isso pela sua vida inteira.

— Não precisa você me responder...

— Não é isso. Eu também gosto muito de você. Deus sabe disso! Mas eu não quero que você arrisque por mim.

— Por que você não... – Então Renesme lembrou-se de uma vez seu pai falar que tinha sido egoísta com sua mãe ao colocá-la nessa loucura de vida e entendeu que talvez tivesse fazendo o mesmo com Tom. – Eu sei... É um preço alto a se pagar.

— Especialmente pra você. Ness, você tem que entender que vivemos mundos muito diferentes. Jamais iam aceitar eu me casar com você. Logo mais um segurança sem eira nem beira.

— Por isso não. Meu avô e o meu pai casaram com pessoas de classes inferiores e foram felizes.

— É diferente.

— Por que sou mulher?

— Você já parou para pensar qual a principal função do marido de uma rainha? No mínimo vão querer que você se case com um príncipe ou alguém da aristocracia para que os filhos de vocês nasçam com linhagem...

— Que ridículo! – Renesme falou um pouco mais alto do que queria. – Nada disso que você está falando tem sentindo. Se for assim todos estamos impuros por causa de minha mãe, minha avó, meu tio Jasper...

— Você sabe que é assim que as coisas funcionam... – Tom viu a expressão irritada de Renesme e se arrependeu por ser tão duro quando ela era tão amorosa com ele. – Não pense que eu estou rejeitando você. Deus sabe o quanto eu queria que tudo fosse diferente. Que fossemos duas pessoas comuns que se encontraram num pub em Clarence e que pudéssemos ficar juntos e mandar todos a merda.

Renesme agora sorriu e encostou a testa na de Tom. Também desejava o mesmo todos os dias.

— Você sabe por que a sua alteza sereníssima está aqui? No mínimo para acertar o seu casamento com príncipe Alec.

— Alec parece ser uma boa pessoa, mas não combinamos um com o outro. Nunca vai rolar e a minha família jamais faria a barbaridade de acertar nada sem me consultar.

— Ok, se é assim... Meu bem, queria tanto ser homem que você merece. Estar na posição de dizer para você agora que banco tudo isso com você, mas não posso... Um dia você vai me odiar e estará ao lado de uma pessoa que você realmente vai entregar o seu coração sem reservas. Eu quero que você seja feliz!

— Agora você é que está dizendo bobagens. Eu jamais vou te odiar!

Tom assentiu e Renesme impulsivamente o beijou. No calor do romance nem ele e nem ela perceberam que estavam sendo observados por Aro na entrada do jardim.

Comentem por favor!

Notas finais
Não me deixem na mão por favor! Expresse sua opinião nos comentários.