Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
25 Capítulo 25
Joel tentava controlar a ansiedade enquanto dirigia para a oficina do seu amigo. Ao mesmo tempo que tentava desviar a atenção dos seus colegas do distrito para o fato dele ainda estar trabalhando no caso da duquesa de Richimond. No minuto que pisara no trabalho recebera uma ligação de Louis dizendo que tinha terminado com o carro. Joel não contara ao mecânico a quem pertenceu aquela joia de veículo para não levantar suspeitas, assim como tentara conter-se diante de todos no trabalho que, enfim, poderia ter encontrado uma pista firme para o caso que poderia mudar tudo.
Manter o caso Isabella em segredo era de máxima importância, apesar de ser muito difícil. O policial temia que alguém no distrito tivesse uma ligação com a SS e pudesse fornecer informações importantes. Cada vez que analisava os arquivos da investigação se convencia que o “descaso” do Serviço Secreto devia-se ao fato deles responderem ordens expressas de alguém com muito poder e que não queria ser responsabilizado pelas mortes de Elton e Isabella. Corrupção dentro da polícia não era nenhuma novidade, independente do setor. Se ele tivesse certo em suas suposições, sabia que muito dinheiro tinha sido investido para que eles silenciassem. Mas quem era esse provedor cheio da grana? Eis a questão!
Estacionou o carro numa vaga pouco a vista e apressou-se para entrar na oficina, ao mesmo tempo que se esforçava para não ser visto entrando ali com a farda da polícia. Você está paranoico demais, pensou, a mesmo tempo que percebia que se associava a Isabella, de certa forma, achava que agora a entendia um pouco. Todo cuidado era pouco com tantas pessoas perigosas de calibre alto envolvidas.
— Oh Joel!
— Hey Louis! Como foi com o carro?
— Cara, eu sinto até pena de ver essa belezinha de milhões de dólares toda acabada desse jeito. Só por curiosidade, a quem pertenceu esse carro?
— É só parte de um dos casos que eu ando investigando.
— Pode ter certeza que essa pessoa só pode ter feito algo muito feio para merecer essa morte.
— Por que diz isso?
— O carro foi mexido, cara. Ele sofreu muitos danos no acidente, mas algumas coisas só um mecânico poderia garantir que foram feitas antes que tudo acontecessem.
— Era exatamente isso que eu queria que descobrisse. Preciso de provas firmes que indiquem que o acidente foi provocado por alterações no carro.
— Sim, e posso constatar isso. Veja.
Louis levou Joel até o carro de Bella que estava ainda suspenso a uma certa altura para ser examinado de baixo. O policial mal pode se conter diante dos fatos novos que poderia o caso ganhar. Mas ao ficar diante do veículo parcialmente destruído da duquesa, foi como se transportar novamente para aquele trágico dia de sua morte. Sentiu um frio na espinha só em lembrar. Pegou a câmera e a preparou para tirar todas as fotos necessárias.
— A primeira coisa que eu averiguei foi o sistema de freios, como tinha me pedido. E você tinha razão. Eles foram mesmo alterados.
Loius conduziu Joel para a parte de baixo do carro suspenso e pegou nas peças do carro de uma maneira que o policial pudesse ver com clareza o dano.
— Está vendo isso aqui? É picaretagem pura! Alguém mexeu nisso aqui para fazer com que o pedal não funcionasse corretamente.
— Tem certeza que isso não pode ter sido ocasionado pela batida?
— Claro que não! Aqui tem mãos humanas envolvidas.
Joel não pôde evitar ficar envergonhado por conhecer tão pouco sobre o funcionamento e as peças de carro. Olhou ruborizado para o mecânico e ele pareceu entender a confusão do amigo.
— Esse cabo aqui foi cortado e mal, por sinal. Se ele não conduzir adequadamente o óleo para o sistema de freios bem aqui, o pedal não funciona lá dentro. Entendeu?
— Sim e acha que pode ter sido possível que ele tenha sido serrado ainda na residência da pessoa, por exemplo?
— Não é muito improvável. Pelo que se dar para perceber, o cabo foi cortado as pressas e muito provavelmente com uma serra ruim. Veja o tanto de riscos. Isso significa esforço. Mas fácil alguém ter seguido o dono do carro até algum lugar e ter esperado a hora certa para fazer essa barbaridade. Se tivesse sido feito na saída do carro de casa, o motorista teria percebido que o freio não estava funcionando.
— Sei. Quanto ao airbag? Por que não foi acionado?
— Esse me deu trabalho. Por que airbags para serem danificados é preciso mexer em todo o painel. Isso não poderia ser feito pelo mesmo amador que cortou o cabo do freio.
— E o que pode ter acontecido?
— Eu me perguntei a mesma coisa várias vezes por que você me disse que o carro não tinha passado por revisão recentemente. Então, só poderia ser defeito de fábrica. Mas seria muita coincidência, não é?
— Certamente.
— Eu abri o painel e chequei que os airbags estavam todos lá direitinho. Carros dessa marca são muito bem feitos, é muito difícil apresentarem problemas. Mas aí eu pensei: e se o sensor não tiver funcionando?
— Como assim? – Joel perguntou, mais uma vez envergonhado pela sua ignorância com relação a carros.
— Bem perto do banco do motorista há um sensor de ocupação que indica a presença de ocupantes no banco do carro.
— Se ele não tivesse funcionando aí não teria como o sistema de airbag saber da presença de alguém no carro.
— Exato! Os cabos também foram cortados. Por isso é que eu te digo. A pessoa que fez isso nesse carro queria ter certeza que o dono dele estaria bem morto. Coitado! Quer dizer... Se o dono desse carro foi algum bandido da porra, eu retiro a minha pena.
— Não era nenhum bandido. Isso eu posso garantir.
— Então, tadinha mesmo dessa pessoa.
Joel coçou o pescoço ainda abalado com tudo que ouvira e resolvera tirar o máximo possível de fotos para tentar aplacar essa sensação de revolta dentro dele. Louis ia mostrando a ele todos os detalhes do carro, os danos que haviam sido ocasionados pelo acidente, assim como as particularidades do veículo. O policial escutava apenas uma parte do que o amigo dizia, sua mente só trabalhava nas possibilidades de como tudo poderia ter ocorrido.
— Hey Louis! Tem como você guardar o carro aqui em sigilo, por enquanto?
Loius, que demonstrou ser um grande fã do carro, deu um sorriso enorme.
— Claro! Sem problemas.
— Só mantenha-se em silêncio sobre isso, ok? O caso que eu estou investigando é um tanto espinhoso e envolve gente alta, então qualquer coisa que vaze pode atrapalhar...
— Eu entendo. Não vou abrir o bico.
— Obrigado, mano. Vou arranjar um lugar pra ele em breve. Manda a conta pra mim, ok?
Louis apenas apertou o ombro de Joel e sorriu. O policial saiu da oficina pior do que já estava. Claro que estava satisfeito por obter provas concretas das suas desconfianças. Mas ao mesmo tempo não tinha como se abalar com tudo que foi descoberto. Era muita crueldade! Ele entrou no carro e segurou com força no volante, descarregando toda a adrenalina que tinha dentro de si.
Durante os seus cinco anos como policial tinha pegado casos horrendos, estrupos, assassinatos de todos os tipos, acidentes graves, casos de tráfico de droga, overdoses, suicídios, mas nenhum desses casos o tinha abalado tanto quanto o da duquesa. Dizem que na profissão há sempre um caso que é considerado o número um, o determinador da carreira e da vida. Já ouvira histórias de policiais ficarem tão focados em seus casos que chegou a virar obcessão, principalmente aqueles não resolvidos. Não sabia se fora o fato de Isabella ter sido um diferencial importante na sua vida que fazia ele ficar tão abalado ou se era a brutalidade que tudo havia sido planejado para a morte dela. Em todo o caso, esse era o caso de sua vida.
Ainda estava no estacionamento quando sentiu o seu celular em seu bolso vibrar. Pegou-o e viu que era um número desconhecido. Tremeu. Não tinha como não se assustar, mesmo sabendo que ao seu redor ninguém tinha motivo para desconfiar do que ele vinha fazendo, mas ainda assim temia. O caso Isabella tinha muito disso. Resolveu atender e escutou uma voz baixa e contida de uma mulher.
— Olá? Você é Joel?
— Sim, sou.
— William me deu o seu número.
Joel agora sentiu tudo se avivar em si. Estava falando com a futura rainha do país.
— Oi, alt...
— Por favor sem formalidades... Me chame de Nessie. É melhor que não usemos os nossos nomes, por precaução.
— Entendo. Joe, então.
— Ok.... Bom... Eu conversei com o meu pai sobre as suas investigações e ele ficou muito entusiasmado em conversar com você sobre isso.
— Pra mim é um prazer, alte... Desculpe. Nessie.
— Pode ser agora? Me desculpe em sugerir algo assim tão de última hora... Mas os horários do meu pai e os meus estão meio loucos.
— Pra mim seria ótimo.
— Maravilha! Bom, o meu segurança, Tom, vai estar esperando por você próximo a entrada do palácio. É importante que você entre pela área dos funcionários para não levantar suspeitas. Tom vai lhe guiar até o local do encontro.
— Para mim está perfeito! Daqui uns vinte minutos estarei ai.
— Lhe aguardamos.
E o telefonema desligou. Joel ficou olhando para a tela durante alguns segundos ainda sem acreditar. Ora tinha acabado de comprovar que a esposa do futuro rei de Belgonia tinha sido assassinada, tinha acabado de conversar com a princesa e iria ao encontro do príncipe herdeiro dentro do palácio. Era muito para um dia só! Apressou-se em ligar o carro e seguir para casa para se preparar para esse encontro.
Na verdade, na cabeça dele ainda estava sendo difícil processar tudo. Tentou focar em reunir de forma resumida e menos dolorosa todas as informações vitais sobre a morte da princesa. Ter a parceria da família real nesse caso iria ser importantíssimo e muitas portas iriam ser abertas, mas também corria o risco de tudo sair pelos ares e o país inteiro saber da investigação, incluindo os assassinos. Era um caso cauteloso e perigoso demais.
Ele ficou pensando em todos os passos que deveria tomar a seguir durante todo o percurso ao palácio. Quando se aproximou da entrada, pôde ver um homem loiro e alto parado a uma certa distância. Ele estava todo de terno preto e acenava. Joel entendeu que esse só poderia o segurança que a princesa se referia. O policial parou no meio fio ao lado dele e o viu entrar no carro sem muitas cerimônias.
— Meu nome é Tom, sou o segurança da princesa. Vou conduzir você para a entrada dos funcionários. Siga em frente e depois para a direita. No primeiro portão da lateral você para.
Joel ligou o carro e fez como combinado. Tom mostrou o crachá dele para a câmera e o portão foi aberto. O policial anotou essa informação. Esse portão dava acesso exclusivo para funcionários do palácio e por conseguinte, apenas os crachás reconhecidos poderiam entrar. Então, quem quer que tenha mexido no carro de Bella, não o fez dentro dos domínios da residência real.
— Agora siga em frente e depois vire à direita. Vamos estacionar o carro na garagem.
— Ok.
No percurso, um tanto longo, Joel notou outro fato que lhe chamou atenção. Havia outro portão na parte de trás do palácio onde haviam um grande número de pessoas aglomeradas. Ele entendeu que essa era a porta de entrada ou saída dos visitantes do museu real, que também tinha sede nas dependências do palácio. Será que alguém poderia ter se passado por visitante e começado a mexer no carro da duquesa ainda aqui?
— Todos tem acesso a esse portão? Quer dizer, ele está aberto para qualquer visitante do museu?
— Na verdade, as pessoas entram pela porta de entrada mesmo e lá recebem uma pulseira com um chip que indica que ela está apenas visitando o palácio. Esse portão é para elas saírem.
— Como funciona o chip?
— Todos eles são monitorados. É que os visitantes não tem permissão de visitar todo o palácio. Eles só têm permissão para entrar no saguão de entrada, no salão de baile e a sala do trono. A visita deles deve terminar no museu. O chip serve para rastrear as pessoas para caso elas se desviem do grupo e andem por locais proibidos.
— Entendo.
Seguiram até a garagem em silêncio. Na verdade, Joel achou Tom bastante silencioso e se perguntava até onde ele sabia sobre a visita dele ali. Será que a família confiava tanto assim em seus funcionários? Ao chegarem ao recinto. O segurança pôs o seu crachá novamente no sensor ao lado da porta e elas abriram. Joel estacionou na primeira vaga livre que encontrou. Tom nada disse, então, ele entendeu que não haveria nenhum problema.
— Todo mundo estaciona aqui?
— Funcionários e membros da família.
— Todos os carros ficam juntos?
— Não. Há vagas separadas para os membros da família real.
— Certo.
Tom o conduziu para a área de elevadores e mais uma vez com muita formalidade, então Joel acabou associando isso ao fato da profissão dele exigir esse tipo de decoro. Tentou captar o máximo de detalhes possíveis na garagem. Ainda tinha em sua cabeça que o princípio do assassinato da duquesa tinha começado aqui. A primeira coisa que percebeu é que não haviam câmeras espalhadas pelas paredes. Achou o fato muito estranho! A única câmera que encontrou foi no elevador que entrou junto com Tom.
— Não há câmeras na garagem?
— Não.
— Por quê?
— Não são necessárias já que só se pode entrar na garagem quando o sensor aprova, ou seja, só os membros da família real por biometria e nós, funcionários cadastrados.
Mesmo assim Joel considerou um descuido. Vai que alguém se livrava da pulseira de visitante e seguia por dentro do palácio até chegar à garagem? Porém, Joel percebeu que havia câmeras em locais específicos dos corredores do palácio. Ou seja, ao menos no interior, tudo estava sendo monitorado. Se alguém tivesse entrado na garagem não tinha sido mesmo por dentro do palácio. Ou a pessoa podia estar infiltrada como um funcionário, o que o policial não achava nada difícil de acontecer.
Joel seguiu com Tom pelos corredores do palácio. Percebeu claramente o desconforto do segurança ao conduzi-lo. Se a aparência dele se mantinha séria e aparentemente calma, outras partes do corpo dele o denunciavam. Joel tinha experiência o suficiente com linguagem corporal em interrogatórios para saber quando alguém estava inseguro. Vez ou outra, Tom coçava os dedos, respirava mais alto do que o normal, coçava o nariz em intervalos alternados. O que fez o policial suspeitar mais uma vez de quanto o segurança sabia do real motivo da sua visita ao palácio.
Quando chegaram à ala dos apartamentos, Joel não pode deixar de se impressionar mais uma vez com o contraste que havia entre o cenário do palácio em si ao escolhido para o interior do apartamento do clã do príncipe Edward. Era tudo muito simples, moderno e clássico ao mesmo tempo. Entrar ali era como estar em qualquer casa de um cidadão comum. Muito diferente do grande luxo que havia em todo o palácio em si. Edward e Bella pareciam mesmo querer buscar a simplicidade em uma vida comum.
O segurança bateu levemente em uma das portas fechadas que haviam pelo corredor do apartamento. Foi à princesa que os recebeu. Joel não pôde deixar de se impressionar ao vê-la pessoalmente. Era um baque para ele que estava tão acostumado a vê-la sempre na TV e ao vivo parecia algo completamente diferente. Ela era mais baixa do que imaginou e também muito mais bonita, com poucas semelhanças com aquela cujo o assassinato viera a motivar a vida do policial.
— Por favor, entre. – Disse a princesa para Joel.
Tom ficara parado na porta. Era um assunto pessoal e que certamente não se esperava a presença dele no recinto. Mas o que chamou a atenção de Joel antes de entrar completamente na sala foi um gesto da princesa. Ela sorrira para Tom e alisara o pescoço dele, da orelha até o colarinho. Tinha sido um gesto tão rápido que poderia ter passado despercebido por qualquer pessoa. Mas não para o policial, que de relance captara esse movimento, o gesto que lhe parecera carinhoso demais para um patrão e empregado. Isso o deixou intrigado. Que tipo de relacionamento poderia haver ali? Seria a princesa ligada a atos afetuosos com todos ao seu redor?
— Por favor, Joel, me acompanhe.
O policial voltou a sua atenção para o que viera realmente fazer ali e seguiu a princesa até onde o príncipe Edward os aguardava sentado numa grande poltrona próxima à lareira. Renesme sentou-se ao lado do pai, mas não antes de oferecer o assento para Joel sentar. Ele fez uma reverencia um tanto desajeitada para ambos e sentou-se de frente a eles. Não pode deixar também de sentir um tremor ao se dar conta de que estava em frente a duas pessoas de grande importância para o país, que até esse momento pareciam mais personagens de livros ou de seriados de TV do que pessoas realmente reais. Mas ali estavam eles, fazendo coisas tão humanas, como respirar e aguardar com uma ansiedade óbvia alguma resposta dele. Era surreal!
— Renesme me contou que você vem investigando a morte de minha esposa.
— Sim, alteza. Eu sei que isso pode parecer loucura já que o Serviço Secreto já havia encerrado o caso. Mas, como policial, e também como um curioso, achei que muita coisa acabou não sendo explicada ao longo da investigação.
— É verdade mesmo que poderia haver alguém aqui no palácio que estava perseguindo ela?
Joel estagnou com essa informação. Até o presente momento não tinha chegado a discutir isso com a princesa e nem mesmo com William. Tinham ambos parado para focar em encontrar as provas mais óbvias e concretos do assassinato em si.
— Há motivos para você acreditar que haviam pessoas que a perseguiam aqui?
Edward olhou para a filha em busca de saber se a informação que ele acabara de revelar era mesmo verdadeira e se Joel tinha ciência dela. Renesme assentiu para ele e este voltou a olhar novamente para o policial em sua frente.
— Bella alegava para nós o tempo inteiro que haviam funcionários da instituição que não gostavam dela. É claro que eu não levei isso a sério. Sabia que poderia ser apenas uma desconfiança boba e sem fundamento, pois todos aqui trabalham para o nosso bem estar.
— E que motivos a sua alteza declarava para essas desconfianças vindo por parte dos funcionários?
— Ela dizia que eles rejeitavam de propósito os projetos dela. Mas eu sei que não era verdade. Bella tinha umas ideias bem pesadas... Algumas um tanto polêmicas demais e o palácio tem de filtrar os projetos que podem ser prejudiciais para nós, como instituição, que podem pôr em risco a nossa relação com os partidos políticos e com o público em geral.
— E só isso a levou a acreditar que estava sendo perseguida?
— Na verdade... O palácio realmente vinha, até o momento da morte dela, pegando mais pesado... A preocupação deles é que Bella estava criando muito caso com Bono Donalson. Não era por causa dos projetos para a comunidade LGBTQUIA+ em si, era por que esse assunto estava muito em pauta no parlamento. O partido conservador chegou a mandar um email pra cá com um tom um tanto ameaçador. Eles queriam que nós a controlássemos e foi isso que foi feito.
Joel não sabia se surpreendia com o tom natural que Edward usava para justificar as ações claramente punitivas contra a própria esposa ou com o fato de Bono ter tido a audácia de enviar ameaças para o palácio. Ele resolveu pegar o seu bloco e fazer anotações do que era dito, pois já podia esperar que muitas novidades iam surgir com aquela conversa.
— Não quero que pense que a punimos. – Edward tratou de se corrigir ao ver a expressão surpresa de Joel. – Apenas queríamos protegê-la. E nada demais foi feito. Só alguns eventos passaram a ter mais prioridade na agenda dela. Bella vinha dando muita atenção à comunidade gay e queríamos que ela parasse um pouco, então o palácio passou a alterar a agenda dela e alguns discursos. Minha esposa tinha um ar direito quando queria. Bono já estava fuçando zangado.
— E por que ela achava que estava sendo perseguida por pessoas daqui? Além do motivo, óbvio, é claro.
— Isso Renesme pode nos esclarecer melhor.
Joel dirigiu a sua atenção a princesa, assim como o seu pai. Ela que tinha se mantido calada até o momento ficara claramente desconfortável por ser incluída dessa forma na conversa. O policial desconfiou que ela poderia saber bem mais do que ela contou nos depoimentos a polícia. Curioso!
— Alguém de minha inteira confiança me contou que ouviu dois funcionários do palácio falarem que as coisas iam ficar difíceis para a mamãe. Essa pessoa tentou me avisar isso, porém, fora tarde demais. Soube disso no dia em que ela falecera...
Ele vira o quanto à princesa estava ficando vermelha e quanto cruzava os dedos uns nos outros com mais força. Ela estava nervosa e o fato dela não ter revelado a fonte da informação tão crucial como a que acabara de revelar só mostrava o fato que ela protegia alguém. Mas quem? Seria Tom? Joel resolveu não questioná-la ali em frente ao pai. Talvez ele não soubesse da proximidade da filha com o seu segurança.
— Você veio falar conosco a cerca de suas desconfianças... – iniciou Edward.
— Sim e hoje tive provas concretas de todas elas.
Edward sorriu esperançoso e Joel sentiu que a parceria com a família real poderia mesmo gerar bons frutos, como William havia sugerido antes. Pegou a pasta e separou algumas informações importantes sobre o caso da duquesa. Deixando para trás algumas mais espinhosas que poderiam gerar muita dor naquelas pessoas tão próximas a ela.
No final, viu o quão Edward e Renesme estavam pasmos com o que ouviam. A princesa já estava em lágrimas e o príncipe muito incomodado. Sentia culpa em ambos e isso o deixou ainda mais curioso para colher separadamente o depoimento de todos aqueles que eram próximos da duquesa. Tudo parecia muito mais excitante para ele agora.
— Estou pasmo! – declarou Edward. – Me sinto terrível! Ainda mais do que antes. Não pude protegê-la... Eu nem mesmo acreditei nela quando ela falava somente a verdade...
Edward estava agora emocionado. Suas lágrimas caiam pra valer em seu rosto. Joel então entendeu a culpa. O príncipe se sentia em dívida com a duquesa por sua omissão durante um dos períodos mais difíceis de sua vida. O policial era capaz de entender o tamanho da dor dele.
— Buscar a verdade é uma maneira de vingar a morte dela.
— Com certeza. – Edward tentava se recuperar. – Quero que investigue e faça tudo que puder para descobrir os verdadeiros culpados pela morte da minha Bella.
— É o que eu pretendo. Mas vou precisar muito da ajuda de todos vocês.
— Claro! Eu estarei com você a cada passo dessa investigação.
— Agradeço. Vou precisar colher o depoimento de todos que tiveram proximidade com a duquesa nos meses que antecederam a sua morte. Assim como outras coisas que possam ser necessárias ao longo da investigação.
— Falarei com todos e acredito que vão colaborar. Mas temos que agir com muito sigilo. Não quero que a imprensa venha a descobrir e virar aquele tumulto.
— Eu espero que assim seja. Também não quero chamar a atenção de ninguém de fora, especialmente do assassino, que no momento está achando que está impune. Faremos um esquema para que ninguém saiba o que está acontecendo. Essa investigação vai transcorrer em sigilo até onde pudermos.
— Ótimo! Fico feliz por você não ter desistido e se proposto a vir nos procurar. Eu fui um imbecil por não ter cobrado uma investigação mais séria desde o início.
— Nada está perdido ainda.
— Assim espero.
Edward estendeu a mão para Joel e este a apertou com fervor. O policial só deixou o palácio quando acertou todos os mínimos detalhes de como iria ser conduzida a investigação. Não iam ser tratados pelos seus nomes de batismo, iam se comunicar por números destinados apenas para isso, assim como fazia com William. Aliais, Joel deixara de lado a informação que o jornalista também estava o ajudado no caso, a pedido dele próprio. Afinal nenhum dos dois sabiam qual seria a reação da família com essa informação. Edward prometera entregar a Joel todos os pertences de Bella que fosse necessário, assim como conversaria com as pessoas que pudessem estar envolvidas de alguma forma com a duquesa. O policial deixou claro que colheria todos os depoimentos de forma nada formal, queria abordá-los como se fosse um bate papo comum para não levantar muitas suspeitas.
Quando sentiu que seu tempo ali já tinha acabado. Levantou-se e foi embora sendo acompanhado por Tom que o aguardava na porta da frente do apartamento. Deu mais uma olhada no estacionamento e entrou no carro. A caminho de casa ficou analisando tudo de novo que descobrira e tentava encaixar tudo em sua teia mental do caso. Eram muitas novidades para um dia só. Precisava conversar com William a cerca de tudo e tentar ver se encontrava novas alternativas para tudo que aconteceu.
Parou o carro em frente a sua casa. Pegou o seu bloco, agora cheio de anotações novas, e acrescentou mais dois nomes: Renesme e Tom? E o fechou. Sentia-se mais motivado e sabendo que agora Bella ia ter a sua morte vingada finalmente.
Galera preciso dos comentários de vocês para conduzir a história. Coloquem tudo que pensam e me deem sugestões.
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