Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
17 Capítulo 17
Bella tamborilava os dedos na mesa e batia os pés no chão ansiosamente. Desde nova ela teve esse hábito. Ainda podia ouvir a voz de sua mãe falando que ela tinha nascido com 5 litros de café em sua cabeça para ser tão inquieta. Mas nos últimos tempos ela podia dizer que havia motivos para isso. Sentia como seus dias fossem uma bomba relógio a ponto de explodir. Sentia lá no fundo que uma hora tudo isso ia acabar, mas não sabia quando.
O nível de tensão podia ser cortado com uma faca. A duquesa sabia que estava sendo vigiada a todo instante. Quando andava pelos corredores do palácio podia sentir que era seguida pela sombra de alguém. Ela comparecia aos eventos e tinha total ciência que tinha um funcionário ali medindo os seus passos. Os seus discursos eram alterados de última hora e sua agenda era modificada constantemente. No fundo, ela entendia. O palácio não queria que ela fosse o TNT que iria explodir tudo ao redor. As coisas já estavam suficientemente graves em Belgonia e qualquer coisa poderia significar o fim.
Bella sabia que não era só a “firma” que estava de olho nela. Bono Donalson observava cada movimento dela para ter algo para falar na imprensa. Quantas vezes ela não tinha sido alvo de acusações e notícias falsas nos jornais pagos por ele? A duquesa não pôde evitar um sorriso ao pensar nisso. Ser capa de jornal não a incomodava mais, afinal de contas, essa sempre fora a sua rotina desde que começou a namorar Edward. Ela queria feri-lo de algum modo e isso era a única coisa que a prendia na sua sanidade mental. Pois sabia que estar contra ele era o único bem que poderia fazer aos belgãos nesse momento e sabia que cada aparição pública dela o atingia de certa forma, tanto a ponto dele procurar falar com o palácio para mandar que ela fosse silenciada. E agora ali diante de uma entrevista para a revista Vogue não pouparia esforços para atingir os seus objetivos.
— Você tem se envolvido bastante com projetos ligados a comunidade LGBTQUIA+ e recebido muitos comentários positivos e negativos a respeito disso. Analisando o seu histórico dentro da monarquia, você nunca se envolveu muito em assuntos controversos, por que agora?
Bella olhou bem para a jornalista em sua frente e admirou a coragem dela de perguntar algo assim de uma maneira tão direta. Não tinha vergonha do que vinha fazendo, pelo contrário, os seus trabalhos filantrópicos com a comunidade LGBTQUIA+ tinha sido uma das melhores coisas que tinha feito em toda sua vida por que lhe deu a oportunidade de ter voz outra vez e sair daquele velho conformismo hipócrita imposto pela realeza. Ela sabia o quanto seus trabalhos incomodavam e se assim provocava essa reação é por que era mais uma prova que ela estava no caminho certo.
— Eu nunca me considerei uma rebelde, mas eu sempre acreditei que não podemos nos calar diante das injustiças. Eu estou com quase 55 anos e sinto que eu não posso mais suportar ficar em silêncio diante do que eu vejo de errado. Eu não quero mudar o mundo agora, por que eu sei que jamais conseguiria tal feito, só quero ter a chance de não perpetuar o preconceito e o desamor por ai. O maior problema do nosso país é o conformismo diante do que está errado.
Renesme se contorceu toda ao lado da mãe, enquanto a jornalista da Vogue fazia as suas anotações rapidamente. A princesa sabia que as coisas não andavam muito boas para o lado da mãe nos bastidores. Queriam cortá-la de todas as formas possíveis, pois ela andava causando mais problemas com o partido conservador do que eles podiam esperar. Depois da morte de Elton, Bella rasgara a toalha e resolveu partir para o ataque, isso vinha deixando todos dentro da instituição malucos com o que isso poderia vir a se transformar. Renesme sabia o quão perigoso poderia ser para todos um conflito político desses. Não era a toa que eles obedeciam a carta magna do parlamento. Porém, por outro lado, sabia que essa era a missão de vida de sua mãe e se orgulhava muito do que ela vinha fazendo, só não queria que as consequências fossem tão severas como aparentavam e nem queria que ela ficasse usando algo tão bom, como o seu trabalho filantrópico, para ficar atacando quem não prestava.
Bella quase deu um sorriso ao observar a filha ao seu lado. Ela estava apreensiva, era óbvio, pelo menos ela não ficava como Edward, tentando podá-la. Esme sempre a disse que o primeiro filho não pertencia as suas mães e sim ao Estado, no caso em que elas se encontravam. Podia comprovar verdadeiramente isso. Renesme era muito Cullen. Pensava como uma figura pública e tinha medo de fugir das regras estabelecidas. Não a culpava, ela é fruto de sua educação.
Bem que tentara por um longo tempo fazer a filha entender que ela podia ser livre e fazer o que fosse necessário sem ter que agir como um robô controlado como Edward ou qualquer outro membro da família real. Mas o risco de que ela se tornasse um Emmett e colocasse tudo a perder era mais forte. Por isso trataram de levar Renesme por lado da perfeição. Mas Bella sentia que se tinha deixado algo de bom para a filha era a sua capacidade de enxergar o melhor em tudo e isso a levaria a realizar grandes coisas em prol das pessoas que realmente importavam.
— Precisamos fazer a nossa parte. – falou Renesme. – Boas intenções precisam de ações e se podemos fazer algo que possa mudar um pouco a nossa realidade dura, por que não? Eu me orgulho do que minha mãe vem fazendo, independente do que dizem por ai. Ela sempre fez tudo que fez de coração realmente aberto. Ao contrário da maioria dos humanos, suas necessidades pessoais estão no final da fila. Eu admiro muito a coragem dela.
Bella tocou a mão de Renesme com um aperto no coração. Significava tanto ouvir essas palavras de sua filha agora. Significava que de certa forma ela não estava agindo errado apesar de tudo ir contra.
— Vendo as fotos da campanha da Channel que vão ser divulgadas aqui na revista com exclusividade, podemos ver a grande conexão entre vocês duas. Nunca vi algo assim, é realmente muito bonito!
— Eu também me surpreendo ás vezes. – Bella falou rindo. – Eu não tinha vontade de ser mãe, mas Renesme veio com um propósito e eu acredito que seja para mudar as coisas para melhor como ela me mudou. A pessoa certa no momento certo. Independente do que possam achar, a madura da relação sempre foi ela.
Renesme revirou os olhos. Bella e sua eterna mania de transformá-la num ser superior e bom. Mães acreditavam e superestimavam demais os seus filhos!
— Quantas vezes ela não me deu alguns puxões de orelha e me trazia para a realidade? Eu ás vezes caio no impulso de querer fazer mais do que eu posso e ela está sempre ali para me guiar. Renesme nasceu pronta e me ensina mais do que eu ensinei a ela esses anos todos.
— Minha mãe acredita muito em mim e isso me motiva a tentar ser exatamente assim como ela me pinta. Mas sempre foi assim com nós duas, confiamos muito uma na outra. A nossa relação sempre foi muito baseada na verdade. Nunca ela escondeu nada de mim e nem eu dela. Acho que isso nos deu raízes firmes.
Bella trocou olhares com Renesme. Era exatamente assim. Ela sabia que se um dia não fizesse mais parte desse plano, a filha nunca se arrependeria de não ter tido uma relação verdadeira com ela. De alguma forma, mesmo diante de tantas regras impostas pela realeza, pelas inúmeras responsabilidades, a princesa poderia encontrar a mãe dentro dela para guiá-la.
A jornalista parou de escrever e Bella respirou cansada. Fora uma longa entrevista. Olhou para a mulher em sua frente para agradecê-la e de relance viu algo parecido com um gravador na bolsa dela. A duquesa sentiu o seu corpo se aquecer. Tinha deixado claro que não queria gravadores perto dela. Sabe lá quais eram as reais intenções dessa jornalista? Muitas informações pessoais já tinham sido vazadas ultimamente, deixando Bella maluca para tentar saber de onde elas tinham saído e até agora não conseguira descobrir. Por isso, não queria nada disso perto dela.
— Isso é um gravador?
— Não... – desconversou a jornalista.
— Deixa eu ver!
— Mãe! – recriminou Renesme.
— Eu quero ver! – gritou Bella.
Bella já se viu muito nervosa. Podia jurar que suas bochechas já estavam avermelhadas de raiva. Sabia que não podia confiar em ninguém mesmo!
— Abre a bolsa! – Bella falou com a voz muito alterada.
Renesme segurou o braço da mãe para fazê-la ficar quieta e não pular em cima da jornalista na frente delas.
— É um gravador sim, mas está desligado. Eu juro que eu não o usei.
— Me dê! – gritou Bella.
A jornalista abriu a bolsa com as mãos tremulas, pegou o gravador e colocou nas mãos da duquesa, não queria enfurecê-la ainda mais. Bella pegou o objeto e o quebrou em pedacinhos. Renesme tentou impedir a mãe de fazer tal coisa que parecia absurda, mas não conseguiu. Ela estava paranoica demais.
— Nunca mais apareça com isso na minha frente!
Bella saiu da sala enfurecida. A jornalista permaneceu em seu lugar, perplexa demais para fazer alguma coisa. Renesme a olhou para ela sem jeito e se levantou.
— Me desculpe por isso. Mamãe não está passando por um momento muito fácil. Vamos lhe dar outro gravador.
A mulher nada disse e Renesme saiu em busca da mãe pelos corredores do palácio. Esses últimos tempos estavam sendo muito tumultuados. Fora todo o peso dos problemas econômicos do país, ainda tínhamos uma Bella cada vez mais fora de si dentro de casa. Renesme queria com todas as forças acreditar que tudo que a mãe dizia não fosse somente fruto da imaginação dela, pois assim poderiam protegê-la e fazer alguma coisa. Mas era tudo tão absurdo que não parecia real! A ideia de estar sendo perseguida e vigiada pelo palácio ou por qualquer pessoa que fosse, não passava pela cabeça da princesa. Para ela, a mãe precisava se desintoxicar um pouco de toda essa confusão advinda após a morte trágica de Elton.
Do outro lado estava Edward. Suas têmporas estavam para explodir. Estar em mais uma reunião com o primeiro ministro para tentar ver soluções cabíveis para a crise econômica e o período de recessão, o cansava mais do que o imaginável, por que ele sabia que seria mais um encontro infrutífero. Quantas vezes não tinha feito projetos sobre economia sustentável? Era uma pena que ninguém o tivesse ouvido. Teria evitado horas de papo furado no futuro e uma relativa paz na economia.
Ele se revirou na cadeira mais uma vez já se cansando de estar ali, mas era a sua obrigação, não era? Ainda mais agora com o pai cada vez mais ausente. Ele passou a mão pelos cabelos e já se preparava para revidar as palavras do primeiro ministro quando Bella abriu as portas do escritório repentinamente e assustando a todos. Ela entrou sala a dentro em direção a Edward tão rapidamente que fez com que os papéis da mesa balançassem. O príncipe a olhou surpreso.
— Chega! Eu não aguento mais! É isso que queriam? Que eu desistisse, pois conseguiram!
— Bella...
— Estou cansada de ser perseguida. De ter a minha liberdade, direito primordial de todo ser humano, ser completamente destruída. Eu apenas quero a minha vida de volta.
— Bella, meu anjo, aqui não é o lugar para discutirmos isso.
A duquesa parou de falar, olhou para todos os presentes na sala e se deu conta pela primeira vez onde estava.
— Me desculpa, senhores...
Edward pegou a mão da esposa e a levou para longe do escritório. Não queria correr o risco dela chamar ainda mais atenção indesejada e abrir mais palco para especulações.
— Chega tá, Bella! Você precisa colocar a cabeça no lugar.
— Você acha que eu estou ficando louca, não é? Todos vocês pensam isso de mim, não é mesmo? Mas eu não estou louca! O que eu preciso fazer para provar isso para vocês?
— Você não está louca, meu amor. Está apenas cansada, e por isso, eu acho que seria uma excelente ideia você visitar a sua mãe nos Estados Unidos. Ficar lá o tempo que precisar. Estou pensando em contratar um terapeuta em sigilo para ele te visitar na casa da sua mãe, acho que vai ser melhor assim.
Bella começou a tremer novamente e colocou as mãos no ouvido para não escutar o que ele estava dizendo. Ninguém iria acreditar nela, mas também, como ela iria provar as ameaças que ela vinha recebendo? A pessoa por trás disso era muito inteligente e apagava todos os rastros antes que Bella pudesse fazer qualquer coisa. Edward abraçou a esposa e sentiu muito por ela estar passando por isso naquele momento. Não podia perdê-la! Ele enlouqueceria se isso acontecesse.
— Eu só quero o seu bem, meu anjo. Não me enxergue como o seu inimigo, ok? Eu amo você!
— Mas não acredita em mim, o que é o pior.
A duquesa saiu dos braços do marido e Edward respirou derrotado.
Antony observava a sua mala feita em cima da cama e pensava em sua volta para Belgonia. Amava estar ao lado de sua família, e isso era fato! Mas odiava estar naquele ambiente. Detestava ter que dar satisfação de tudo que fazia. Se sentia numa liberdade condicional por um crime que ele nem sabia que cometera. Estar na Inglaterra lhe deu ao menos uma visão mais clara do que ele não queria fazer e como queria viver. A realeza era uma das suas últimas opções. Entendia que a sua irmã e o seu pai estavam presos, mas ele não tinha que estar. Sentiu as mãos de Ashley lhe tocar e não pôde evitar sorrir.
— Você olha para essa mala como se ela fosse te matar. Dá até medo!
Ashley e suas precisões corretas. Antony fechou a mala de vez e ficou a observar a bela loira em sua frente. Ele sempre se achou livre de quaisquer padrões de vida desde que começou a ter ciência de como as coisas realmente funcionavam. Não queria fazer o que todos faziam. Queria viver da maneira como ele desejava e experimentar o que poderia tirar de proveito da vida. Relacionamentos monogâmicos ou héteros demais nunca foi o seu desejo para o futuro. Não se considerava gay, mas se de repente se apaixonasse por algum homem e fosse feliz ao lado dele, que mal faria? Ele já tinha ficado com alguns caras, mas no minuto que pôs os olhos em Ashley soube que queria o pacote completo e que se danasse todo o resto.
— Me fala mais sobre Belgonia. Acho que deve ser um máximo viver num país pequeno comandado por um rei, deve ser como voltar para a Idade Média.
— Vocês tem isso aqui!
— Mas não é da mesma forma. A realeza daqui é uma empresa de marketing como qualquer outra.
— E como você acha que funciona as coisas em Belgonia?
— Você é um príncipe de verdade, bem aqui na minha frente, e eu mal posso acreditar que isso é mesmo real!
Antony sorriu mais uma vez. Essas foram às exatas palavras que ela disse quando ele contou a verdade pra ela. Não que todos não soubessem de sua sina. Seu pai fizera questão de chegar junto com ele tanto na universidade quanto no dormitório. Todos sabiam que ele não era uma pessoa “comum”. Mas para Ashley era como se fosse tudo muito surreal.
— É tudo uma grande merda! Não é o mundo dos sonhos como você está pensando. A gente não pode ser livre lá, eles controlam até o nosso pensamento.
— Não seja exagerado!
— Não duvide que eles possam fazer qualquer coisa em nome da “boa imagem”. Isso não é vida! Você ter que viver eternamente preocupado em agradar todo mundo e não sair da linha para não sofrer uma rasteira de quem você menos espera. Acredite, é como viver numa gaiola de ouro, onde todo mundo fode todo mundo.
— Eu, ein?
Ashley se remexeu na cama, ainda acreditando que tudo era um grande exagero. Antony foi até ela e a abraçou por trás, a prendendo em suas pernas. Estava cansado de tentar explicar, ninguém nunca acreditaria. Passou os braços em torno do corpo de Ashley a prendendo mais contra ele e ela podia sentir a ereção dele cada vez mais evidente atrás dela. Se arrepiou ao sentir a barba rala em seu pescoço e o molhado sabor da saliva dele enquanto a beijava.
— E o que você queria fazer de verdade?
— Música ou fotografia. Isso é a minha verdadeira paixão. Eu sei que isso não dá muita grana, se comparado ao que eu ganho do palácio, mas eu não me importo.
E não se importava mesmo, pensou Ashley. Quantas vezes tinha visto Antony passar horas no metrô de Londres tocando saxofone para as pessoas que passavam por ali apenas pelo prazer de estar tocando a vida delas com música. Quem via até riria se dissessem que ele era um príncipe.
— E os seus pais? O que dizem disso?
Ashley sentiu o calor da respiração dele em seu pescoço. Antony bufava, como sempre fazia quando o assunto era desagradável.
— Minha mãe aceitaria. Ela é legal e só quer me ver feliz. Mas o meu pai...
— Você falou de mim para eles?
— Não. Mas eu vou falar quando estiver lá.
— E acha que eles vão gostar de mim?
— Claro! Eles vão ficar felizes em me ver de boa e eu estou muito bem com você!
Ashley saiu dos braços do príncipe e trocou as posições, agora ficando por cima. Já ia abrir o fecho da calça dele quando o som estridente do celular os interrompeu. Antony se esticou para pegá-lo na cômoda e viu que era sua mãe.
— É incrível! Ela sempre sabe quando estamos falando dela.
Antony atendeu e logo percebeu a voz bastante alterada dela. Não se surpreendeu. Nessie vinha falando muito do estado em que ela descrevia ser “neurótico” da mãe. Que ele achava particularmente horrendo de se imaginar. Antony acreditava em tudo que Bella o dissesse e ponto.
— Oi mãe. Aconteceu alguma coisa?
— Filho, vem pra cá logo, por favor.
— Eu estou indo, mãe. As minhas malas já estão até prontas...
— Quando você chega?
— Amanhã. Mãe por que você está com essa voz?
— Eu quero você aqui já! Eu posso proteger você melhor estando aqui perto de mim. Filho cuidado! Eles estão vigiando a gente. Deve ter alguém ai em Londres olhando você.
— Mãe, calma, ok? Me explica isso direito.
Antony agora já estava de pé. Ashley olhava o namorado andar de um lado para outro do quarto também assustada. A voz de Bella dizia muito mais do que aparentava. O príncipe sentia que ela queria contar o que tinha acontecido, mas não podia ou não queria. Ela chorava agora do outro lado da linha e o filho dela estava apavorado. Olhou pela janela e nada viu. A rua estava sempre vazia nesse horário.
— Eu estou tão confusa. Não sei mais o que pensar... – Bella dizia desesperada ao telefone. – Eu quero te dizer, mas eu tenho medo de estarem ouvindo.
— Quem está ouvindo? Mãe me fala, por favor?
— Ligaram pra mim agora. Há dias vinham me mandado mensagens me alertando, me ameaçando... Mas sempre apagavam a mensagens alguns segundos depois de eu ver. Toda vez era um número diferente e não dava para eu pedir que George rastreasse, mas agora...
— O que aconteceu agora?
— Me ligaram nesse instante. Essa foi a primeira vez que isso aconteceu... Era a voz de um homem e ele me disse que eu tivesse cuidado por que uma coisa muito ruim estava sendo armada para mim em breve. Eu não quis acreditar, perguntei o nome dele, mas ele apenas disse que se eu não me protegesse e me calasse iam pegar você e Renesme para me atingir.
— Mãe, você precisa contar isso para o papai agora.
— Seu pai não acredita em mim. Ele e todo mundo acham que eu estou maluca.
— Mas você não pode ficar sem segurança. Mãe, você está correndo um risco danado. Tem muita gente que quer te derrubar, incluindo pessoas dentro do palácio.
— Você acredita em mim.
— Claro! Eu não sou cego. Sei como as coisas funcionam por ai.
— Eu te amo filho. Vem logo, ok? Toma cuidado!
— Também te amo, mãe. Se cuida.
Antony jogou o celular na cama e olhou para Ashley. Ela agora, depois dessa ligação de Bella, estava começando a entender o que o príncipe queria dizer mais cedo. Talvez fazer parte da realeza não fosse mesmo tão legal assim.
Enquanto isso, estava Marlowe abraçada ao peito de Sean. Ainda não acreditava que tinha cedido aos pedidos insistentes dele para que ela viesse até o apartamento dele. Sabia que no final era apenas uma rodada de sexo selvagem e pronto. Detestava o fato de que, de alguma forma, estava gostando mais de estar com ele do que ela queria.
— Você me faz fazer coisas que até Deus duvida. – declarou Melany ainda fazendo círculos no peito do prefeito de Belgravia.
Sean apenas sorriu. Melany podia trazer muitos benefícios importantes para a carreira política dele, porém tinha que admitir que ela o fascinava e estava ficando cada vez mais difícil de resistir. Ele sentiu o celular vibrar e atendeu sem olhar. Há dias tinha posto alguém de confiança para sondar os bastidores do palácio do parlamento. Ele desconfiava que chumbo grosso estava vindo por ai e queria ter como se preparar com antecedência para o que viesse.
— Renard!
Melany observou o prefeito atender ao telefone longe dela. O acompanhou com o olhar até o closet e se esforçou ao máximo para captar qualquer conversa que fosse. Num mundo de dominantes e dominados, vencia o melhor e ela sabia bem disso. Qualquer informação que fosse poderia ser importante para ela. Para a sua surpresa, não estava difícil ouvir. Sean perdia-se no tom a cada palavra que ele dava. Só podia ser mesmo algo sério. Tanto que a ligação só durou alguns minutos e ele já estava de volta em frente a ela com uma cara apreensiva.
— Quais as chances de você conseguir uma reunião com a duquesa de Richmond?
— Depende. Pra quem?
— Pra mim óbvio!
Ela revirou os olhos e se ajeitou entre os lençóis. Esse era um favor difícil de se conseguir. Tinha um preço alto! Marlowe tinha ouvido que a “firma” estava vigiando de perto a sua tia postiça. A visita de um político da importância de Sean a Bella poderia ser um furor no parlamento e um tiro nos pés da família real.
— Pequenas.
— Você tem que conseguir. É urgente!
— Você tem que me dizer ao menos o que é.
Sean andou de um lado para o outro e depois voltou à atenção a mulher em sua frente, tentando decidir se realmente podia confiar nela.
— Ok, consegui uma informação sigilosa do escritório do Donnalson e ele tem planos para uma grande passeata no dia do National Day. Tenho que discutir com a duquesa um plano para revidar esse ato dele.
— Não estou entendendo... O que a minha tia tem a ver com isso?
— Eu tenho uma informação importante pra ela, mas eu não posso dizer a você.
Melany suspirou e coçou os cabelos. O que poderia haver de tão importante assim para que Sean quisesse dar essa informação diretamente a Bella? O que ele estava tramando que precisava da ajuda dela?
— O que a tia Bella pode fazer para parar Donnalson?
— Uma coisa muito simples, mas preciso convencê-la primeiro. Se Donnalson tiver mesmo planejando fazer uma grande revolução num dia tão importante como o National Day vai ser uma reviravolta grande no jogo. Todos estamos correndo riscos.
Melany analisou bem Renard e decidiu que ele não estava querendo se aproveitar dela. O momento era mesmo de colocar todas as cartas na mesa e tentar fazer o melhor lance. Queria ajudá-lo, mas acima de tudo queria fazer o melhor para a sua família. Então, no mesmo minuto levantou-se da cama e começou a pensar num jeito de fazer Bella se encontrar com Sean sem que ninguém soubesse.
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