Junho de 2044

Bella olhava para a multidão que se formava em frente ao prédio da fundação Multicores e ficou com uma sensação de esperança. Em todas as vezes que estivera por lá em eventos oficiais ou não, presenciava um número diminuto de pessoas. Ela tinha ciência que muitos em frente a ela, estavam ali por curiosidade pela morte de Elton, mas também podia ver muitos da comunidade LGBTQUIA+ unidos e preparados para participar da luta contra o preconceito. Ela se sentia honrada por segurar essa bandeira também e por não ter desistido também.

É claro que ela ganhou muito apoio de William. Ele vinha escrevendo artigos cada vez mais inflamados falando das diversas discriminações que Bono Donalson vinha pregando, principalmente em suas falas homofóbicas e racistas. Saber que tinha o apoio de pessoas tão inteligentes e com influência, como Willliam, a dava mais motivação para seguir em frente e enfrentar as consequências que viessem.

— É duro voltar aqui sem a presença do Elton. – Bella iniciou o seu discurso. — Eu tive o prazer de conhecê-lo e poder aprender junto com ele, mas infelizmente já foi tarde demais. Porém, tudo que ele lutou, tudo que ele construiu junto com vocês não será esquecido. Gostaria de poder contribuir para continuarmos os trabalhos dessa fundação tão incrível! Com toda vontade e desejo de realização, irei trabalhar para terminarmos o projeto do centro comunitário que tanto Elton e eu sonhamos!

Um dos jornalistas que se amontoava diante dos outros estendeu o microfone para a duquesa e arriscou a perguntar:

— O que a sua alteza real pensa sobre o assassinato de Elton Rust?

Bella olhou bem para o jornalista e pensou bem se iria responder a pergunta. É claro que ela sabia que a imprensa se aproveitaria do momento para tirar informações comprometedoras. Deles sempre poderia esperar o pior.

— Foi duro acreditar que alguém tirou a vida dele tão brutalmente. Estamos completando hoje um mês de sua morte e ainda não temos respostas. Mas eu confio no trabalho da polícia. Só acho desprezível o fato de muitos políticos por aí usarem essa fatalidade para propagar ainda mais preconceito e ódio. Não estamos aqui para pregar nada. Apenas para semear o amor e a união. Tenho certeza que a justiça vai ser feita!

Bella sentiu os olhos marejarem e tentou segurar as lágrimas como pôde. Desceu do púlpito e saiu em direção ao seu carro. Era tudo que podia dizer e fazer por hoje.

Esme assistia a presença de Bella na Fundação Multicores pelo celular numa transmissão ao vivo que alguém resolvera fazer. Ela via a multidão enlouquecida e apaixonada correr para apertar a mão dela. Era como se ela tivesse virado uma nova mártir.

— O que tem a dizer sobre isso, majestade? – perguntou Peter Townsend, o especialista em legislação monárquica. – Devemos comunicar o rei?

— Não. O rei não está se sentindo muito bem. Não devemos incomodá-lo com assuntos que podemos resolver nós mesmos.

— Temos que fazer alguma coisa, majestade. Essa manhã recebemos uma carta nada agradável de Bono Donalson pedindo para que contivéssemos a duquesa.

A rainha tamborilou os dedos na mesa irritada. É claro que essa situação com Isabella não a agradava. Tantas vezes, ela tentou alertá-la para os perigos que suas atitudes rebeldes ocasionariam para todos, mas a duquesa parecia determinada a não escutar.

— Esse Bono que vá a merda também, não é? Quem ele pensa que é para dar palpite aqui dentro?

— Ele não tem mesmo esse direito, senhora, mas devemos lembrar que ele tem um grande apoio dentro do parlamento e isso pode gerar uma crise política enorme.

— Eu sei. Eu também não gosto das atitudes que a duquesa vem tomando e já tentei alertá-la diversas vezes, mas ela não me ouve.

— Talvez se a senhora insistisse um pouco mais.... Talvez a morte de Elton Rust a tenha feito se atentar para certas coisas.

Esme suspirou. Odiava ter que resolver essas situações delicadas. Porém, ela ainda era a rainha consorte desse país e enquanto o seu marido tivesse ausente, de certa forma, as decisões tinha que partir dela. Não poderia botar tudo a perder.

— Vou tentar mais uma vez. Quanto a você.... Está autorizado para fazer o que for preciso quanto a essa situação.

— Certamente, senhora.

Peter fez uma reverencia formal e a rainha saiu do escritório do marido. Encontrou a nora no saguão principal e tratou logo de abordá-la.

— Isabella, presenciei o seu discurso dessa manhã.

Bella parou por um instante e viu que a expressão de sua sogra não era de contentação.

— É mesmo?

— Devo alertá-la mais uma vez que esses seus atos terão consequências graves. Você sabe o que acontece quando alguém vai longe demais, não é?

A duquesa tremeu na espinha e tentou interpretar o que Esme disse. Não sabia bem se tinha recebido uma ameaça ou um simples aviso. Não poderia esperar menos de sua sogra. Ela sempre fora doce, mas virava um leão quando alguém ameaçava algo que ela achava importante. Não é a toa que ela teve coragem de armar contra o próprio filho para tirá-lo do trono.

— O que quer dizer?

— Que trabalhamos sob a mesma lei. Mas infelizmente não podemos proteger aqueles que não seguem o combinado.

A rainha lançou um olhar duro para nora, mas nada mais disse. Subiu as escadas para olhar como estava o marido, deixando Bella pasma em baixo das escadarias. Teria que ser dura algumas vezes, dizer e fazer coisas que não queria. Mas era para um bem maior que ela estava fazendo isso e esperava que ela entendesse.

Bella subiu até o seu apartamento remoendo as palavras de Esme em sua cabeça. Será que ela estaria certa, afinal? O palácio estava mesmo contra ela? Lembrou-se de uma conversa que tinha ouvido de Esme com uma ex- funcionária do palácio anos atrás, quando tinha acabado de ficar noiva de Edward.

“-Temos que ter cuidado para que ela não crie problema para nós. Ela parece ser muito rebelde e precisa ser adestrada o quanto antes!

— Eu lhe garanto que isso não vai acontecer. Bella é inteligente e vai se sair bem.

— Se não sair cortaremos ela também. Como já fizemos antes, não é? Afinal o bem da monarquia vem sempre em primeiro.”

De repente, ela sentiu que nada estava correto. Talvez William tivesse mesmo razão. Ela poderia estar sendo vigiada e isso a fez sair em disparada atrás de qualquer coisa que pudesse estar filmando ou capturando a sua voz. Sabia que nunca esteve em segurança. A qualquer momento alguém poderia fazer qualquer coisa contra ela. Sabia que a monarquia ou qualquer centro de poder eram lugares antropofágicos, uns comiam uns aos outros para estarem na frente.

Por isso saiu numa procura desenfreada pelos cantos das paredes, detrás dos móveis, dentro dos estofados e nada. Mas ela não podia desistir. Sabia que tinha algo errado. Continuou revirando tudo em busca de alguma pista. Até que se lembrou que o seu celular ou o telefone fixo poderiam estar sendo grampeados ou com alguma escuta diminuta dentro deles e pôs a desmontá-los, peça por peça.

Quando Edward chegou ao apartamento, encontrou a sua esposa diante do telefone fixo todo desmontado. Ao redor dela, tudo estava fora do lugar. Ele estranhou, é claro, Bella sempre fora organizada ao extremo, e agora ela parecia fora de si.

— Bella, o que você está fazendo?

— Estão escutando a gente, Edward. Estão sim! Eu ouvi um som estranho vindo do telefone. Acho que pode ter alguma coisa escondida nele.

— Meu amor, você o desmontou inteiro e não há nada dentro dele.

— Não é verdade. Eu ouvi uns cliques na ligação. – Bella tentou avisá-lo imitando com os dedos o som que aparentemente ouvia.

Edward tentou se aproximar dela, mas ela se afastou e continuou a procurar. Essa não era a sua esposa, tinha certeza disso. Desde a morte de Elton Rust ela não era a mesma. Sempre desconfiada e pensando o pior. Ele tinha medo em que isso poderia se transformar dentro dela.

— Não é mais seguro, Edward! Você tem que se proteger e proteger os nossos filhos.

— O que está dizendo, Bella?

— Eles não gostam de mim. Não suportam o fato de eu estar fazendo parte de algo mais importante do que cortar fitas em inaugurações.

— Pelo amor de Deus, Bella! Isto está saindo do controle!

— Eu estou dizendo coisas que eles não querem ouvir. Você entende?

Edward olhava perplexo para a esposa e jamais pensou que a pudesse encontrar num estado tão desesperador. As mãos dela tremiam e as lágrimas caiam dos seus olhos. Ele tinha que intervir. Talvez umas férias nos Estados Unidos a fizesse bem, qualquer coisa que a trouxesse de volta para a sua sanidade.

— Você entende? – ela voltou a perguntar.

— Bella...

— Eu não vou parar. É isso que eles querem, mas não vão conseguir. Só me matarem de vez.

— Não diga isso!

— Você não acredita em mim, não é? – Bella falou agora aos gritos. — Esse é o seu maior problema, Edward! Você sempre está alheio a tudo!

— Eu não estou dizendo nada, Bella.

Agora ela chorava desesperadamente e deixou se cair no chão diante a bagunça que ela própria criou. Edward foi até ela e devagar, beijou-lhe a testa, a segurando em seus braços. Bella chorava copiosamente, molhando a camisa dele.

— Shiii, meu anjo. Nada vai acontecer com você e nem com a nossa família. Eu prometo.

A duquesa balançava a cabeça sem esperanças e lembrava de um tempo onde tudo era mais fácil. De um distante momento em que ela foi feliz com Edward num pequeno dormitório da universidade quando eles ainda eram jovens e quando tinham acabado de descobrir um grande amor um pelo outro. Era duro saber que as coisas voltariam mais a ser como eram.

Enquanto isso, A princesa Renesme cavalgava em alta velocidade pelos campos verdes da propriedade de seus pais em Norfolk. Ela olhava para trás com um sorriso enorme ao ver que Tom estava bem distante dela. Não acreditava que iria ganhar essa corrida de seu segurança e agora amante. Quando chegou próximo ao topo da colina, fez o seu cavalo parar, desceu de cima dele e ficou a avistar a bela vista em sua frente.

Era hipnotizante ver aquela imensidão verde, com pequenas flores ao redor e uma linda cachoeira ao longe. Parecia que estava no próprio paraíso. Talvez esse tivesse sido o motivo pela qual seu pai adquirira esse terreno, anos atrás.

Ela ainda apreciava a vista quando sentiu duas mãos fortes ao seu redor. Tom abraçou a princesa por trás e pôs absorver o cheiro gostoso dos cabelos dela. Renesme acariciou as mãos dele e sentiu os pelos do braço dele se arrepiar. Era bom ver o efeito que ela causava nele. Ela se encostou ainda mais nele e sentiu que ele estava mais animado do que deveria. Não pôde evitar dar um sorriso maroto.

— Só podemos mesmo sermos dois malucos! – afirmou Tom. — O mundo se acabando e nós aqui.

Renesme riu e sentou- se na grama fresca, sendo acompanhada por Tom. Tudo que menos ela queria pensar era em crises, fome e qualquer outra coisa que atrapalhasse esse seu momento de paz.

— Eu tinha que lhe mostrar esse lugar.

— É um dos lugares mais lindos que eu já vi e olha que eu cresci em Clarence, onde é provavelmente um dos lugares mais bonitos de Belgonia.

— Esse lugar é especial para mim e para a minha família. Meu pai adquiriu essa propriedade anos atrás e deu de presente para a minha mãe quando eles completaram 10 anos de casados.

— Foi um gesto bem romântico! Aposto que a sua mãe adorou. Bem esperto o príncipe!

— Sim, ele foi. Mas eu acho que os meus pais não precisam de muitos gestos românticos para darem certo. Parece que era o destino deles ficarem juntos.

— É sorte quando isso acontece.

— É verdade. Eu sempre sonhei que um dia eu viver um romance que nem o deles. Mas essa altura, cansei de acreditar.

Tom olhou para Renesme e não sentiu muita verdade em suas palavras. Suas expressões a denunciavam, ela ainda acreditava no amor. No fundo, todas as garotas só queriam isso. Um amor para a vida inteira. Ainda mais ela, que nasceu dentro de um contos de fadas particular. Ele acariciou o rosto dela e se sentiu culpado, de certa forma.

— Mas para mim aqui sempre foi um refúgio. Um lugar para se esconder do mundo e ser eu mesma. Nunca tive tanta liberdade como aqui.

— Eu vi o discurso da sua mãe nessa manhã. – Tom falou mudando para um assunto que ele achava ser importante para ser discutido.

— É mesmo? Eu perdi.

— Ela foi bem inflamada em algumas palavras. Acho que o Donalson não vai ficar tão feliz.

— Não importa. Ela está fazendo a coisa certa. Eu admiro tanto a coragem que ela tem. Nunca vi uma pessoa tão honesta e altruísta em toda a minha vida! Ela ainda acredita com todas as forças que pode ajudar a mudar as coisas para melhor. Queria eu ter herdado pelo menos um pouco das qualidades que ela tem.

O segurança observou a princesa falar de sua mãe e sentiu a tamanha admiração que ela tinha pela duquesa. Ela praticamente a venerava e tinha que admitir que esse tempo em que passou trabalhando no palácio, observou que Isabella Cullen era mesmo uma mulher de uma coragem grandiosa.

Renesme olhou bem para ele e disparou uma pergunta inesperada:

— Por que você faz tantas perguntas sobre a minha mãe?

Tom teve que rir para disfarçar o seu nervosismo com esse questionamento. Renesme era muito perspicaz, embora passasse uma imagem de distração e de pouco caso com as coisas ao redor. Vez ou outra ela fazia as perguntas certas, mas que não poderiam ser respondidas por ele.

— Eu só a admiro bastante.

Ela sorriu e abaixou a cabeça. Tom esperava que ela tivesse satisfeita com essa resposta, era tudo que ele poderia oferecer no momento. Ele olhou para o céu e viu que algumas nuvens pretas já estavam ao redor e achou que era a hora exata para fugir dessa saia justa.

— Não quero atrapalhar o nosso passeio, mas acho que se não formos para a casa agora, iremos pegar chuva.

Renesme olhou para o céu e assentiu ao mesmo tempo que se levantava. Ambos seguiram em silêncio para onde os cavalos estavam. Tom ficou se perguntando o que ela poderia estar pensando no momento. Ele tinha que ser cuidadoso quando estivesse ao lado dela. Não queria que ela fizesse suposições erradas a seu respeito, ou certas, no caso, o fato é que não poderia estragar as coisas.

Ele continuou a observá-la durante o percurso de volta e viu que ela não estava desconfiada, apenas feliz. Vez ou outra, a princesa levantava a cabeça para aspirar o cheiro do campo e soltava um sorriso. Era como se ela tivesse em sua paz interior, completamente inabalada, mesmo com o início do sereno.

O segurança ajudou a princesa a descer e a guardar os cavalos no estábulo. Seguiram juntos para a saída e encontraram uma forte chuva a cair. Renesme tocou no ombro de Tom e lançou-lhe um sorriso maroto antes de começar a correr pelos caminhos que levavam até a enorme casa. Ela olhava para trás e desafiava Tom a vir também. Ele olhava para ela e lembrava-se que fazia o mesmo quando era criança e foi tão endurecido pela vida que acabou perdendo essa naturalidade. Tom resolveu entrar na brincadeira e saiu correndo atrás dela.

Era um momento divertido e despretensioso. A princesa se sentia feliz, talvez como nunca antes. Corria e sorria. Tom a alcançou quando ambos estavam já diante da porta da casa. Ele a abraçou a encharcando ainda mais. Renesme pegou a mão dele e o conduziu para o seu quarto no andar de cima. Há tempos ela queria ter esse momento com ele e não via hora perfeita como agora, quando ambos estavam sozinhos na propriedade.

Quando eles chegaram ao quarto, ela trancou a porta atrás de si. Tom a olhava com admiração. A princesa era linda e isso era inegável, além de terrivelmente sedutora quando queria. Ele se encaminhou até ela e inclinou-se para um beijo ardente. A princesa fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás para sentir os beijos dele em seu pescoço, acariciando a nuca dele com as unhas.

Tom levantou a blusa dela para cima a tirando de seu corpo enquanto ela lutava com os botões da camisa xadrez dele, o que a fazia rir baixinho. Ele distribuía beijos pelos ombros e colo dela enquanto tirava o seu sutiã.

Ambos se dirigiram a cama para iniciar a sua dança de sedução e paixão. Tom pensava que talvez, estivesse entrando por um caminho perigoso, por que estava sentindo cada vez mais apegado a essa mulher e provavelmente isso não teria volta.

Ele sentia o seu olhar dominador em torno dele e sabia que poderia se perder neles facilmente. Era como se ela o chamasse, o puxasse para a sua órbita e conquistasse tudo. Um arrepio subiu em suas costas ao sentir que ela sentava em suas pernas sem quebrar o ritmo do olhar.

A princesa sentia-se entorpecida pelo momento também. As mãos de Tom em suas pernas a trazia mais perto dele. Ela o queria tanto que chegava até a doer. Ao mesmo tempo que sentia toda aquela conexão quase cósmica em volta deles que os ligavam de uma maneira inexplicável.

— Eu imaginei esse momento... Tantas vezes... – Tom afirmou com a voz um tanto rouca enquanto mergulhava no interior de sua amante improvável.

— Eu também.

Ela estendeu a mão para tocá-lo, acariciando sua perna, sentindo ser preenchida completamente, enquanto ele a puxava para se moldar ao seu corpo com cada vez mais pressa. Seus olhos deixaram os dela apenas para que ele pudesse colocar beijos de borboleta em seu nariz, bochechas, têmporas. Ele reivindicou seus lábios mais uma vez. Renesme ergueu os quadris para encontrá-lo cada vez mais fundo e podia sentir que os movimentos ficavam mais lentos e sabia que viria logo. Ela fechou os olhos enquanto os espasmos de prazer a deixava completamente entorpecida. Ela inclinou a cabeça para trás e se deixou envolver, aliviada quando ele não se levantou completamente. Tom se deitou ao lado dela. Sua mão embalou sua cabeça novamente, girando-a suavemente em sua direção.

Ele pressionou os lábios em sua testa antes de mover a mão por seu corpo para puxá-la contra ele. Ela queria ficar acordada, flutuar no momento de silêncio entre eles e se deitou no peito dele como se não quisesse que ele saísse dali e que aquele momento não virasse uma mera ilusão, como tantos outros em sua vida.

— Não quero que esse momento acabe. – declarou ela. – Eu penso que sair daqui agora, eu vou encontrar o mundo lá fora virando cinzas. Queria tanto fugir disso.

Tom se apertou mais contra ela e cheirou os longos cabelos cor de bronze da princesa. Se ela soubesse o quanto as coisas estavam indo longe demais lá fora, talvez realmente não quisesse mesmo sair dali.

— Eu quero só umas férias de tudo isso. Não quero pensar, nem agir, nem ter que premeditar tudo.... Eu quero só estar aqui você.

O segurança beijou a testa da princesa e ela lhe deu belo sorriso. Era nessas horas que ele queria voltar atrás e mudar tudo, mas sabia que era tarde demais. O que restava era protegê-la do que viesse para frente.

— Precisamos tirar você daqui um pouco.... Se eu vivesse nesse sistema, num lugar como o palácio, tão tóxico, eu teria pesadelos todos os dias. Podemos sair... Viajar por uns dias.

Renesme respirou fundo e acariciou os cabelos de Tom sabendo o quanto isso era impossível para ela no momento. Ela já havia fugido por tempo demais de sua vida na realeza agora era hora de enfrentar.

— Não posso. Chegou a hora de ser gente grande.

Tom sorriu desanimado. Como não envolvê-la no que estava por vir? Sabia que poderia ser o fim dela, de certa forma, e ele se odiava por não poder fazer mais nada, principalmente por saber de tudo e não poder avisá-la para ir embora. Sentiu-se um egoísta por querê-la perto, mesmo que fosse necessário que ela fosse para longe.

— Acho que tudo vai tomar proporções maiores do que já estão. Sinto no ar que basta um pouco para que tudo exploda. O clima está muito pesado.

— Você não tem ideia.

A princesa inclinou-se e sustentou-se com o braço para olhar bem para Tom. Ela não era muito de fazer declarações. Achava que as palavras eram ineficazes diante dos gestos, mas em tempos tão incertos como aquele, qualquer coisa valia.

— Estou feliz por poder contar com você.

O segurança a abraçou para não olhar para ela e sabia que se assim ela o fizesse descobriria tudo. Ele sabia o quanto a princesa era astuta demais. Queria mantê-la ali com ele, pelo menos por aqueles minutos, mesmo se sentindo o pior dos homens.