Edward entrou no seu quarto no palácio de Clarence com passos mais leves que o natural. Queria pegar a sua esposa de surpresa, mas ela já estava toda pronta e aposta, quase saindo do quarto. Ela lançou um sorriso que ele acreditava ser o mais doce de todos. Era tão radiante que a deixava sempre mais linda, mesmo depois de o tempo tê-la tirado alguns anos. Ele encostou-se na porta e ficou a observá-la. Já estavam juntos por mais de trinta anos, porém, ele sentia como se fosse a primeira vez que tivesse a visto. Bella foi até ele seguindo o seu olhar intenso nela. Pegou a gravata dele e começou a ajeitá-la.

— Hoje está um dia tão lindo, não é? – comentou ela. – Dias de casamento me lembra o nosso.

— É verdade. Apesar de eu preferir mais participar do casamento dos outros do que o meu próprio.

Bella franziu a testa e ele beijou levemente os olhos dela.

— Por que foi um dia extremamente exaustivo, só por isso. – se explicou antes que ela retruncasse.

— Foi mesmo. Mal aproveitamos. Porém, foi tudo tão bonito!

— O casamento mais lindo de todos!

Bella passou a mão pelos fios embranquecidos dos cabelos de Edward e ele abraçou a sua cintura. O príncipe pensou sobre como se sentia sortudo por ter uma relação tão sólida com a sua esposa que mesmo diante das crises, eles não se abalavam nunca. Talvez com algumas rachaduras pelo meio do caminho, mas sólidos como poucos.

— E de pensar que vimos essa menina nascer. Você lembra como foi complicado para Rosie com aquela gravidez de alto risco? Pensamos até que o pior iria acontecer e veja como ela está agora!

— É verdade. Foi um grande tormento para os dois, ainda mais durante aquela pandemia terrível.

— Que bom que tudo se ajeitou. Torço muito por Melany e George.

— Eu também. Será que teremos esse prazer de ver os nossos filhos se casando também em breve?

— Sim, não é, especialmente com relação à Renesme. Não se fala outra coisa no palácio.

— Não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto. Queria que a nossa menina escolhesse alguém sem precisar de toda essa cobrança.

— Nem eu. – Bella se aproximou mais do marido e tocou o rosto dele. – Edward, por favor. Não vamos colaborar com esse movimento contra a nossa filha. É tão injusto com ela! Tadinha, já se sente tão pressionada sobre tudo. Tenho medo que ela acabe casada e infeliz.

— Eu não colaboro com isso, meu amor. Eu também quero a felicidade da nossa filha. Mas é algo que está fora do nosso controle. Ela deve se casar e ter filhos em algum momento.

— Eu sei. Só não vamos pressioná-la. Deixe que ela faça a sua própria escolha e no seu próprio tempo. Você me promete que não vai deixar que passem por cima dos desejos dela?

Edward olhou para a esposa firmemente. Ele odiava quando ela falava como se não tivesse presente no futuro onde essas coisas fossem acontecer.

— Eu prometo e você vai ver eu cumprir essa promessa.

— Que assim seja!

Ela deu um beijo rápido nos lábios dele e encostou a sua testa na do príncipe. As batidas apressadas na porta, acabou quebrando o clima dos dois. Bella foi até a porta e ao abrir saiu uma Emily afoita com o celular na mão. Ela fez uma reverência breve aos dois e entregou o aparelho para a duquesa.

— O que aconteceu Emily? Hoje é dia de comemoração e não de trabalho.

— Desculpe alteza, mas acho que deve ler isso antes do casamento.

Bella pegou o celular e começou a ler a matéria de um jornal que falava algo sobre ela. À medida que a leitura ia evoluindo, ela ia sentindo perder as forças nas pernas. Precisava se sentar. Não! Precisava era entender o que estava lendo. Como era possível tantas informações confidenciais estarem expostas com tantos detalhes desse jeito? Edward observou a esposa se sentar na cama ainda com o celular em suas mãos e não entendeu o que estava acontecendo.

— Emily, o que está acontecendo? – perguntou ele.

— Publicaram uma matéria no Telegraph falando da duquesa e com informações muito confidenciais.

Edward olhou surpreso para Bella em busca de respostas da parte dela, mas que para ele estava claro demais que já era uma resposta dos movimentos que ela vinha participando. Que ele tanto a avisara para não fazer parte. A duquesa ignorou o marido e olhou para Emily.

— Como essas informações foram parar nesse jornal, Emily?

— Não sei, alteza. Você sabe que trabalhamos com alto sigilo com determinadas informações.

— Claramente isso não aconteceu!

— Temos que tomar uma providência contra esse jornal maldito! – afirmou Edward.

— Emily, descubra como essa informação vazou e acione os advogados.

Emily saiu apressada do quarto e Bella passou a andar por todos os lados. Pensando em todas as informações que estavam sendo divulgadas na matéria. Será que tinha a ver com a ligação de Elton da Multicores de dias atrás? Sua mente só conseguia trabalhar a toda velocidade.

Edward segurou o braço de Bella para poder fazer com que ela parasse e olhasse para ele.

— Me explique o que está acontecendo?

— Você não está vendo? Mais uma vez sou alvo da falta de proteção da instituição que deveria me proteger desses jornalistas sensacionalistas!

— Não ponha eles no meio. Você sabe muito bem por que isso vem acontecendo!

— Não começa!

Ela soltou-se dele e seguiu pelos corredores em busca de Emily. Precisava sanar algumas de suas dúvidas. A secretária já estava quase no fim do corredor quando Bella a interrompeu.

— Emily, soube alguma coisa sobre Elton Rust?

— Tentamos entrar em contato com ele, mas ao que parece, ele anda incomunicável ultimamente.

Bella colocou a mão na testa e encostou-se na parede.

— Não se preocupe, alteza! Vamos resolver esse problema.

A duquesa mal ouviu o que a sua secretária dizia. Na sua cabeça só se passava o pior. Lembrava muito bem das últimas palavras dele ao telefone. O ciclo estava se fechando. Ela só não entendia exatamente a gravidade da situação.

— Entre em contato com ele de novo, por favor.

— Certamente, alteza.

Emily desceu as escadas e Bella continuou encostada na parede completamente sem ação.

Mais tarde, as ruas de Clarence estavam cheias. A sensação de amor e alegria vindo do casamento real disfarçava e acalentava um pouco daquele sentimento triste desilusão trazido pela crise das cidades mineiras.

Renesme saia em procissão da capela de São Jorge e observava a energia diferente que o ambiente ganhava. Melany e George já estavam na porta e recebiam os vivas animados das pessoas lá fora. Selaram a união com um tão aguardado e tradicional beijo. A princesa sorria ao ver o tamanho amor que saia dos dois. Sentia tão absorvida por esse sentimento. Era tão mágico ver duas pessoas que se amavam tanto concretizando esse ato tão bonito.

Quando chegou ao patamar da capela, via que as pessoas sentiam o mesmo. Nada como um casamento real para animar os ânimos e mudar o tom do ambiente. Estava contente por Melany e George terem escolhido Clarence para a cerimônia do casamento, que mesmo sendo mais íntimo, já atraia muitos turistas para a cidade e movimentaria com certeza a economia local.

Olhava encantada o mar de pessoas em volta da capela quando sentiu alguém se aproximar por de trás dela e sussurrar em seu ouvido:

— Você está tão linda hoje!

Renesme virou-se levemente e viu Tom atrás dela e voltou a sua atenção para o povo com um leve sorriso.

— Cuidado! Todos podem ouvir.

Ele tocou levemente as costas dela e ela sentiu um arrepio instantâneo.

— Vamos para o carro. No palácio teremos mais privacidade. – falou e seguiu em direção ao veículo, agradecendo mentalmente o fato de seus pais e irmão não estarem presentes.

Fazia alguns dias que ela e Tom vinham tornando a relação romanicamente mais séria. À medida que o tempo passava, ela se sentia melhor, como há muito tempo não sentia. Mesmo às escondidas, estar ao lado dele, saber que ele estava perto dela, possivelmente pensando nela, dava mais ânimo, mais alegria. Quando olhava para os olhos dele sentia um sentimento tão grande. Queria tocá-lo, beijá-lo, viver essa grande aventura que tinha se tornado a sua relação com o seu segurança.

Quando chegaram ao palácio para a recepção do casamento. Ela buscou um lugar mais tranquilo no meio a multidão e sentiu que Tom a seguia. A química dos dois era tão forte que a princesa tinha certeza que ele sentia essa mesma atração por ela e ambos queriam mais do que nunca concretizá-la.

Ele a abraçou e a encostou na parede em um beijo quente e afoito. Ela sentia tudo dentro de si mesma acender. Os braços fortes dele a trazia para mais perto e ela lutava para esticar aquele momento por mais alguns segundos, mas ambos precisavam recuperar o fôlego. Tom quebrou o beijo e encostou a testa dele na dela. A princesa, ainda entorpecida, distribuía pequenos beijos no rosto dele.

— Estamos ficando malucos! – Tom falou pela primeira vez.

— Estamos. Mas é uma maluquice boa!

— Espero que todos estejam ocupados o suficiente.

Tom união a sua mão as dela e a puxou. Renesme resistiu e o abraçou.

— Eu sei o que você está pensando. Eu também quero, mas não pode ser hoje e nem aqui. Em nenhum dos palácios, na verdade. É muito vigiado!

— Tem razão. Tem alguém vindo.

Os passos pelo corredor ficaram mais altos à medida que a pessoa se aproximava. Tom se afastou de Renesme e a fez uma reverência respeitosa quando viu Henry chegar ao recinto.

— Então, estamos resolvidos, não é Tom?

— Sim, alteza. Com licença!

Tom se afastou deixando Henry e Renesme sozinhos. Henry, encostado na porta, deu um sorriso maroto para a prima. A princesa sabia exatamente o que ele estava pensando só em olhar para a expressão dele. Quando que ela poderia enganar o seu primo? Ele a conhecia bem demais para isso.

— Sabe, a vovó vai ficar bastante chateada em saber que o lance do príncipe não vai rolar. – Henry falou enquanto estendia um das taças de champagne para a prima.

— Se ela pensou que ia mesmo dar certo, se enganou completamente.

— Confesso que é uma pena...

Renesme olhou para o primo espantada e ele a devolveu um sorriso.

— Esperava que talvez, mesmo com uma porcentagem pequena que fosse, ele estivesse sido o escolhido.

A princesa respirou fundo e se aproximou mais de Henry sem entender onde ele queria chegar com essa conversa.

— Ele é um bom cara. Um cavalheiro total! Mas apenas não temos nada em comum, sabe?

— Então os três dias que ele passou aqui não valeram de nada?

— Valeu, por que eu o conheci e descartei a possibilidade. Sinceramente... Eu tentei. Porém...

— Sua cabeça estava em outra pessoa.

Renesme olhou bem para Henry e estudou bem o olhar do primo. Não podia mentir para ele, mas também não poderia entregar o jogo tão facilmente.

— Você é muito observador, não é?

— Você sabe que eu te conheço bem e eu não vejo esses olhinhos brilhando e sua boca manchada de batom desse jeito há muito tempo.

Renesme riu e pegou um lenço para ajeitar o seu rosto e retocar o batom de volta. Como não tinha prestado atenção a esse detalhe? Com o beijo que ela e Tom compartilharam, obviamente ela estaria com uma denúncia enorme na cara. Ela agradeceu aos céus por ter sido Henry e não outra pessoa a flagrá-la assim.

— Fico feliz em te ver assim, Ness. Eu nunca pensei que te veria assim tão bem desde... Você sabe.

— Eu também. Foi duro e demorado. Mas foi necessário esse tempo. Eu sofri muito com o término com o Colin. Realmente partiu o meu coração! Eu não conseguia confiar em mais ninguém, você sabe.

— E consegue confiar agora?

— Não sei. Mas pela primeira vez, eu não quero ter que parar e pensar no que eu estou fazendo. Eu estou curtindo essa minha nova relação e eu quero que tudo continue sem grandes compromissos e responsabilidades. Já bastam todas as outras coisas em minha vida.

— Eu sei. Eu gosto disso. Só não se machuca, tá? Você pode começar a se envolver e isso crescer mais do que está esperando agora...

— E enroscar ainda mais na corda desse sentimento.

— É isso. Pegar, mas não amar. Entende?

— Você não presta, Henry!

Ambos sorriram.

— Eu digo isso por que você sabe como será complicado a aceitação dele pela instituição. Ele é seu segurança e tudo mais...

— Eu sei, mas não estamos pensando nisso no momento. Sem responsabilidades!

— Certo então. Quero que ele te faça a mulher mais feliz do mundo!

— Ele já está fazendo. Mas mudando de assunto... Que bom te ver mais aqui em Belgonia.

— Pois é. Eu estou com uma coluna fixa no The Globe com um grande amigo meu, na verdade, o meu mentor. Sério! Você sabe a honra de ter que trabalhar com um dos melhores jornalistas do país?

— Hum! Quantos elogios! Eu nunca te vi falando tão bem de uma pessoa assim antes. Eu tenho que conhecer esse anjo que te trouxe de volta.

— Você vai conhecer! Ele me prometeu que irá cobrir a Festa de Primavera no palácio na semana que vem.

— Mal posso esperar, então.

Henry levantou o dedo e chamou a atenção de Renesme para a música que estava tocando. Renesme sorriu ao reconhecer uma das suas músicas favoritas.

— Me concede a honra dessa dança? – Henry perguntou já com a mão estendida.

— Eu não perderia a chance de dançar com o meu parceiro de dança preferido!

Ele sorriu e Renesme segurou a mão dele e se deixou ser conduzida para a pista de dança.

Esme se aproximou do marido que estava sentado próximo à pista, observando os dois dos seus netos mais velhos dançando animadamente. Sentia uma luz brilhar dentro de si. Nunca pensou, quando mais jovem, que sua maior satisfação na vida seria ter vivido o bastante para presenciar os seus netos adultos e felizes consigo mesmos. De repente, sentiu um orgulho enorme de toda a sua trajetória e de todas as batalhas que teve que travar para chegar até esse momento.

— Meu querido, está tão quieto! – falou Esme ao sentar-se ao lado do marido. – Está se sentindo melhor?

— Essie, querida, hoje é um dia de felicidade e não de ficar alimentando preocupações.

— São preocupações necessárias, meu amor. Hoje te senti muito cansado. Acho que devemos marcar uma consulta com o seu cardiologista. Você sabe muito bem como o seu pai se foi e não queremos perdê-lo por causa do seu coração.

— Ele vai continuar batendo forte, querida, não se preocupe! O que aconteceu com o papai pode não acontecer o mesmo comigo.

— Tomara! Mas devemos prevenir do que remediar.

— Você sabe que um dia eu vou acabar partindo. Estou mais próximo disso a cada ano.

Esme abraçou o marido e encostou a sua cabeça no vão do pescoço dele. Nunca parou para pensar no dia em que teria viver sem o seu marido. Ambos já compartilhavam mais de sessenta anos de casados e ela nem ao menos saberia como seria a vida sem acordar todos os dias ao lado dele, poder contar sobre amenidades que aconteceram. Na verdade, nem queria pensar nisso.

— Mas se eu fosse agora já estaria orgulhoso da família linda que construirmos, Essie.

— Eu também, querido.

Melany se aproximou dos avós e correu para abraçar o avô que a olhava com um sorriso meigo. De todos os seus netos, Carlisle considerava a caçula de seu primogênito a mais doce de todas.

— Vovô, você está se sentindo melhor?

— Eu não acredito que a sua vó foi lhe importunar com uma bobagem dessas no dia do seu casamento.

— Não é bobagem vovô! Nós nos preocupamos com você.

— Não precisa. O que tem que pensar agora é no seu casamento.

— Eu estou tão feliz que vocês dois puderam estar presentes nesse dia! Significa tanto para mim e para George.

— Para nós também, querida. Eu queria agradecer a você e a George por terem escolhido Clarence para a cerimônia.

— Era o mínimo que poderíamos fazer, não é vovó. Vocês viram como as pessoas estavam felizes.

— Claro que estavam! Todos gostam de um casamento e ainda mais quando temos um casal tão apaixonado!

Melany abraçou os avós enquanto era observada pela irmã de longe. Olhou para os lados em busca de uma distração que fosse e que não estivesse relacionado ao casamento, que já estava dando nos nervos de Marlowe. De repente, viu Renard se aproximando sensualmente dela. Ela deu sorriso vitorioso. Sabia que ele não ficaria muito tempo sem vir falar com ela.

— Me daria à honra de uma dança? – ele estendeu a mão para ela.

— Claro, sir. – disse Marlowe pegando a mão de Renard e deixando ser conduzida para a pista de dança.

Renard aproveitou a oportunidade para se aproximar de Marlowe ainda mais e sentir o gostoso perfume que vinha dela. Desde o momento que ambos foram apresentados, ele sabia que não poderia resistir aos seus encantos, por mais que ele quisesse, os dois davam muito certo juntos.

— Pensei que não veria você de novo? – falou ele.

— Eu estive ocupada, você sabe. O casamento não era meu, mas acabou envolvendo toda a família.

Ele a rodopiou pela salão e depois fitou bem o seu olhar. Marlowe sabia jogar. Seduzia, pegava o que queria e depois largava. Tudo ao seu bem querer, mas ele também era um “macaco velho” em jogos de interesse. Não podia deixá-la ir por que junto dela também poderia ter muitos benefícios políticos para a sua campanha de reeleição para a prefeitura de Belgravia.

— Achei que também estaria bastante ocupado. Ainda não estamos em período eleitoral, mas sei que vocês começam a fazer política bem antes.

— Você já contou a sua família sobre o nosso... Hugh... relacionamento?

— Pergunta errada, querido! Assim vou acreditar que está comigo apenas pela minha ligação dentro da família real.

Renard sorriu levemente e sussurrou no ouvido de Marlowe:

— Você sabe que somos muito mais do que parceiros ambiciosos, mas uma combinação única na cama.

Marlowe gargalhou com o comentário. É claro que ela e Renard tinham muita química juntos. Esse foi um dos motivos que a fez insistir e permanecer com ele por mais tempo. Além da posição política estratégica e privilegiada dele poder dar bastante destaque para ela. Não era bem o que ela queria, mas bastava para o momento. Além do que, ela também não conseguia resistir aos seus momentos com ele.

— Eu entendo sua aflição. – falou ele repentinamente. — Estando aqui no palácio me faz entender como é estar perto do muito e não ter nada.

Marlowe travou a boca com o comentário dele. Não era nenhum segredo que ela detestava a sua posição inferior dentro da instituição monárquica. Mas não queria que isso tivesse saído tão expressamente da boca de Renard e nada respondeu.

— Você é como eu, Marlowe. Tem sede pelo poder e juntos poderemos conseguir muito.

— É mesmo? Não sou apenas uma amante agradável em sua cama?

— Você sabe que não é só isso. Estamos vivendo tempos de muitas turbulências. Temos que unir forças. Eu poderia muito bem ajudar a levantar o nome da sua família em meio ao meu eleitorado e com boa parte do povo de Belgravia.

— Bem que eu queria que fosse tão fácil, docinho. Eu como membro, mesmo que relegado da família real, não posso me envolver com alguém com ligações políticas. Temos que permanecer neutros.

— Vamos ver se lei permanece a mesma caso Bono Donalson consiga o seu lugar privilegiado nas pesquisas para primeiro ministro.

— Acha que ele teria a audácia de fazer alguma coisa contra a minha família?

— Bono Donnalson é capaz de tudo para conseguir o que quer.

Marlowe deu um olhar preocupado para Renard. O mesmo sentimento que corroia o interior de Bella do outro lado do salão. Ela podia ouvir ao fundo Edward elogiando a performance de Antony ao piano no casamento, mas não conseguia pensar em Elton e o que teria acontecido com ele. Estava começando achar que havia mesmo alguém querendo os destruir. Não poderia imaginar que o seu amigo da Multicores tinha sido o primeiro alvo.

James se aproximou da sua patroa e falou baixinho próximo a ela, despertando a sua atenção.

— Alteza, Emily deseja falar com a senhora sobre algo que ela descobriu.

Bella levantou-se num rompante e seguiu o seu segurança para dentro do palácio. Edward observou a esposa sair agitadamente e pensou em segui-la, mas permaneceu sentado ao lado do filho. Não queria ter que brigar novamente com ela.

Emily estava afoita na sala ao lado. Não queria ter descoberto em primeira mão o que havia acontecido com Elton da Multicores. Era bárbaro demais!

— Alteza! Graças a Deus! – falou ela ao ver Bella entrando na sala ao lado de James.

— O que descobriu Emily? Me diga, por favor.

— Senhora, Elton Rust está morto!

Bella encostou-se na cadeira e sentiu as pernas vacilarem. Sua mente automaticamente deu uma “pane” e só vinha a palavra morto em seus pensamentos.

— Não pode ser possível!

— Pedi que a George, o seu ex- segurança, que tentasse descobrir alguma coisa. Ele disse que os vizinhos andavam preocupados por que há dias não o viam. Mas ele estava em casa, morto e esquartejado dentro de sacolas plásticas numa cisterna.

Bella sentiu o ar faltar em seus pulmões. As lágrimas começaram a escorrer sem parar de seus olhos. Não conseguia acreditar, por mais que quisesse.

— A polícia já assumiu o caso.

— Meu Deus!

— Senhora, se me permite dizer, acho que devemos aumentar a sua segurança.

Bella nem conseguiu responder. Da sua boca não saia palavras. Sua garganta estava fechada. De repente se lembrou das palavras dele: “Estão no nosso encalço. Não é mais seguro conversarmos ou estarmos juntos.”. Será que haveria a possibilidade de ela ser a próxima? E quem poderia estar por trás disso? No momento, ela não conseguia responder.