Dinastia 1: O Sonho Real
35 Um encontro com o passado
Notas iniciais
Edward e eu nos sentamos em frente ao juiz ouvir os proclames e os regimentos estabelecidos para a nossa união. Aceitamos tudo que mandava os protocolos reais sem mudar uma vírgula. Lembro que tivemos uma manhã inteira para acertar o nosso contrato de casamento e com um advogado nos esclarecendo cada lei e protocolo que deveríamos obedecer. Só de lembrar já me dava sono, portanto nem quis prolongar mais no assunto e deixar tudo como estava.
Em seguida assinamos uma série de papeis que não pareciam ter fim e demos a vez aos nossos padrinhos, Alice e Jake me representando, Rosalie e Emmett representando Edward. Resolvemos no afastar um pouco e aguardar a assinatura deles.
— No que está pensando? – perguntei a Edward que parecia um pouco longe.
— Estou me lembrando daquela nossa viagem para a Playa Del Amor. Se lembra?
— Sim. Foi tão inesquecível! Jamais poderei me esquecer.
De repente todas as imagens daquela viagem povoaram a minha mente. Tinha sido mesmo maravilhosa! Era a primeira que eu tinha feito com Edward para fora de Belgonia. Tínhamos combinado que passaríamos o aniversário dele juntos e fora do país para nada atrapalhar o nosso momento. Edward estava tão animado! Pesquisava bastante vários lugares que podíamos conhecer, via fotos, vídeos e planejava todo o nosso roteiro. Resolvi deixar tudo por conta dele mesmo, afinal, ele conhecia mais lugares no estrangeiro do que eu. Ele decidiu que iríamos para o Cabo São Lucas no México para visitar as belíssimas praias que havia por lá. Nada mais romântico! Pedi apenas para que tirássemos pelo menos um dia para visitar a minha mãe já que estaríamos tão perto dos Estados Unidos, e ele aceitou prontamente. O aniversário de Edward cairia numa segunda-feira, então resolvemos passar dois dias com a minha mãe e dois dias no México.
E assim foi. Me lembro de estar dentro de um avião com Edward. Ele segurava a minha mão e eu olhava pela janelinha as nuvens no céu. Fazia tanto tempo que eu não percorria esse caminho. Da última vez, eu estava meio triste por abandonar a minha antiga vida, porém certa que era isso que tinha que ser feito. Eu sabia que tinha que deixar a minha mãe viver a vida dela e se alguém teria que se sacrificar, esse alguém seria eu. Graças a Deus que resolvi fazer isso. Não deixaria mais a minha vida em Belgonia por mais nada no mundo. Sorri comigo mesma, como a minha vida tinha dado um salto em apenas dois anos! Eu tinha conseguido realizar o meu sonho de estar na faculdade, tinha o meu dinheiro, apesar de não ser muito, estava em paz comigo mesma, pela primeira vez, e tinha Edward, que era mais do que eu poderia ter sonhado. Era impressionante as voltas que a vida dava.
— Bella, você não teve vontade de voltar para os Estados Unidos alguma vez?
— Tive, algumas vezes, nos meus primeiros meses em Belgonia. Porém, eu sabia que eu tinha que seguir com a minha vida e eu descobri que eu não poderia deixar o meu pai sozinho, não no momento em que ele estava tão feliz pela minha decisão.
— Você é muito nobre Bella!
— Não é nobreza Edward, é amor e senso de responsabilidade.
Ele riu e pegou a minha mão e a beijou. Ficamos de mãos dadas até o avião pousar. Me senti aliviada por termos chegado. A viagem tinha sido cansativa e durado vinte horas exatas. Eu sentia até as minhas pernas adormecerem. Mas ao mesmo tempo eu me sentia feliz por poder ver a minha mãe de novo e revisitar o país que foi a minha casa por tantos anos.
Edward e eu descemos do avião em seguimos para o polo de controle de fronteira e visto depois seguimos em busca de nossas bagagens. Edward sorria de orelha a orelha e até parecia com mais vida.
— Liberdade finalmente! – disse ele.
Devia ser mesmo libertador estar em um lugar onde ninguém o reconheceria e poder andar como uma pessoa comum por ai. Até que Carlisle quis que um segurança nos acompanhasse, porém Edward recusou dizendo que não estava em uma viagem oficial e que nos Estados Unidos ele não seria um príncipe. Mas eu desconfiava que Carlisle talvez tivesse mandado alguém disfarçado para ficar de olho na gente. Afinal, Edward era precioso demais para a monarquia Belgã.
Demos as nossas mãos novamente e seguimos arrastando as nossas malas até a saída do aeroporto. Logo vimos minha mãe toda animada ao lado de Phil. Ela balançava o braço como se não fossemos vê-la. Ri e agradeci mentalmente por estar perto dela novamente.
— Bella! – gritou ela.
— Mãe!
Nos abraçamos calorosamente e ela beijou os meus cabelos. Como eu sentia a falta dela! Já fazia um ano que eu não a via e isso era quase inaceitável já que a companhia dela era importante demais na minha vida.
— Edward, querido, é bom ver você de novo!
— É bom revê-la também Renée.
— Edward, esse é Phil, o esposo da minha mãe. – falei apontado para Phil que permanecia em silêncio a espera de ser apresentado. – Phil esse é Edward, meu namorado.
— É um prazer! – falou Edward.
— Para mim também. – respondeu Phil e os dois apertaram as mãos.
Depois das apresentações seguimos para o carro, onde mamãe passou o tempo inteiro contando tudo que tinha acontecido durante o ano que ela não tinha me visto. Tentei ouvir tudo, mas a sensação de paz, de liberdade e segurança por estar “em casa” me preencheu, além do que mamãe falava rápido demais para o meu cérebro cansado.
Quando paramos em frente à velha casa da rua W Menadota Drive, minha mente logo se transportou para o passado. Nossa! Quantas boas lembranças eu tinha dali. Aquela casa tinha pertencido aos meus avós maternos e depois a mim e a minha mãe. Eu crescera ali e esse lugar tinha sido o meu porto seguro por muitos anos. Olhar para aquela garagem da porta branca me lembrava de todas as vezes que eu tinha tentado andar de bicicleta, e falhara, o jardim em frente à porta tinha cheiro de infância com as bonecas e a adolescência com livros. Era simplesmente emocionante!
Phil estacionou em frente à entrada de carros e desci logo quando ele desligou o motor. Respirei fundo, aspirando o ar do ambiente, e deixando o calor de Phoenix entrar em todos os meus poros. Como eu tinha sentido falta do calor! Edward veio até mim e peguei a mão dele o levando para conhecer toda a parte externa.
— É uma casa bonita, Bella!
— É incrível! Cada pedacinho dela guarda um pouco da minha vida.
— Eu estou tão ansioso para conhecer cada pedaço dela.
— Então vamos lá.
Peguei a mão dele e entramos em casa. Ela não era muito grande, possuía apenas dois quartos. Por muitos anos, minha mãe teve que dormir comigo em seu antigo quarto de solteira, mas eu nunca tinha reparado na falta de espaço ou conforto, pois era ali que eu me sentia protegida. Era o meu lar e nada mais. Quando abri a porta de entrada logo vi que quase nada havia mudado. Tinha apenas algumas coisas que atribui a Phil espalhadas na sala e aparelhos mais modernos, obviamente, pois minha mãe não gostava de nada velho. Mas as velhas paredes amarelas ainda estavam lá dando energia ao ambiente. Me lembro bem de quando mamãe eu resolvemos pintá-la, isso claro depois que minha avó faleceu, pois ela nunca deixaria que trocássemos o papel de parede florido da parede. Mas depois que ela se foi, resolvemos deixar a casa a nossa cara, bom, pelo menos a cara da minha mãe, pois eu nunca fui muito boa em decoração, mas sempre me importei em deixar tudo organizado já que ela, apesar do bom gosto, era bagunceira de primeira classe. Até me admirava encontrar a casa um pouco mais arrumada.
— Oh Edward, eu tenho tantas lembranças daqui!
— Estou vendo. Parece que você está entrando num parque de diversões de tão feliz que está.
— É uma sensação indescritível!
— Quando você veio morar aqui? Me disse que tinha nascido em Belgonia.
— Bom, eu sai de Belgonia quando tinha apenas seis meses. Minha mãe é americana e estava morando com uma tia lá e passou a ficar mais um tempo quando casou com o meu pai. Porém, ela logo viu que o casamento não era bem o que ela esperava e me trouxe para cá.
— Então morou aqui desde que era apenas um bebê?
— Não. Moramos seis anos em Los Angeles num pequeno apartamento que a minha mãe conseguiu alugar. Ela não quis voltar para Phoenix por que ela sabia que o meu avô não aprovava o que ela fez. Só viemos morar aqui quando ele faleceu.
— Sério?
— Sim, minha mãe nunca teve um relacionamento muito bom com os meus avós. Ela sempre foi meio avoada e fazia sempre o que o coração mandava e isso não combinava com o jeito conservador dos pais dela. Mas com a minha avó era um pouco mais fácil.
— É engraçado como vocês duas são completamente diferentes uma da outra.
— Minha mãe sempre me disse isso. Acho que puxei mais coisas do meu pai do que deveria.
— Mesmo com esses conflitos, eu acho interessante o seu modo de vida, alias, de todas as pessoas. Deve ser muito bom viver sem regras, sem destinos predestinados...
Sem ser vigiado o tempo inteiro, completei em minha mente. Para Edward devia ser tudo muito curioso, já que viveu a vida inteira convivendo só com aquele universo monárquico. Tudo que para nós parecia natural, para ele era uma grande novidade, o que era bastante irônico! Mas era bom mostrá-lo um pouco o outro lado da vida.
— Já que estamos falando em recordações! – falou minha mãe toda animada vindo até nós com uma caixa nas mãos. – Vamos ver algumas fotos antigas.
— Mãe... – revirei os olhos.
— Ah Bella, eu não posso perder uma oportunidade dessa. Edward precisa conhecer mais um pouco sobre você.
— E tem que ser através dessas fotos horríveis?
— Na verdade Bella, eu quero ver essas fotos. Acha que só você pode ter acesso ao meu passado?
— Concordo plenamente. – falou a minha mãe. – Direitos iguais sempre!
Já que não tinha escolha, acabei me sentando com eles no sofá. Mamãe abriu a caixa e ela estava entupida de fotos antigas que cheirava a velho. Ela ia separando algumas e mostrando a Edward que via tudo com muito interesse. Eu não sabia onde pôr a cara.
— Nessa aqui, Bella tinha apenas um ano. Comprei um bolinho e comemoramos nós duas o primeiro aniversário dela. Me arrependo até hoje de não ter dado a ela uma festa de verdade.
Me compadeci com que ela disse e toquei a mão dela em forma de carinho. Eu nunca tinha desejado mais do que eu já tinha. Eu sabia o quanto a minha mãe tinha se esforçado esses anos todos para que eu tivesse tudo que era necessário para uma criança crescesse saudável e feliz. Tinha abdicado até da sua vida em nome da minha. Por isso que eu tinha me esforçado tanto para eu tivesse o futuro que ela jamais teve.
— Mãe, não se arrependa por isso. Eu fui à criança e a adolescente mais feliz do mundo. Nunca desejei mais do que você poderia me dar.
— Eu sei querida. Mas eu queria poder te dar o mundo se eu pudesse. Sabe, Edward, eu era muito jovem quando eu tive a Bella e muito irresponsável também. Deixei Charlie sem muitas explicações e sem saber como iria cuidar de uma criança tão pequena. Larguei tudo e vim para os Estados Unidos. Eu tinha uma amiga em Los Angeles que nos deu um abrigo provisório enquanto eu conseguia um emprego. Depois eu aluguei um apartamentinho, Bella nessa época já tinha quase um ano. Era tudo muito sofrido nesse período.
— Mesmo assim soube criá-la, Renée, nunca consegui conhecer ninguém tão bem educado e maduro como a Bella. Parabéns!
— Ah isso tudo é mérito dela também. Bella sempre teve essa personalidade maravilhosa!
Corei e fiquei sem saber o que dizer. Os dois conversavam como seu eu não tivesse ali e era um pouco constrangedor. A próxima foto eu estava num carrossel e tinha mais ou menos três anos. Era uma das minhas preferidas!
— Bella, você era a criança mais linda do mundo! – elogiou Edward.
— Você é suspeito Edward.
— Espero que os nossos filhos sejam tão bonitos quanto você.
— Já estão pensando em filhos? – mamãe perguntou com uma animação alterada.
— Eu já pedi a sua filha em casamento um milhão de vezes e ela me disse não.
— Bella?
— Edward precisava colocar caramiolas na cabeça da minha mãe?
— Não estou fazendo nada. Apenas disse a verdade.
— Podemos conversar sobre isso depois? – implorei.
— Vamos conversar sobre isso depois mocinha. – mamãe falou me olhando com um olhar desafiador.
Edward riu e balancei a cabeça negativamente. Os dois me ignoraram e começaram a ver as fotos novamente. As próximas eram de mim um pouco maior, nos tempos da escola. Seja no time de futebol ou na apresentações nas datas especiais. Me envergonho até hoje desses momentos. Na escola, eu era um tremendo fracasso nessas atividades artísticas e esportísticas. Mamãe sempre fez questão que eu participasse de tudo, para que eu deixasse de ser tão tímida, mas eu sempre me saia mal em todas elas. Principalmente nos esportes por causa dos meus dois pés esquerdos e jeito desengonçado. Nas apresentações em público, era outro desastre, eu me embolava toda na hora de falar por que sempre tive pavor de público. Por fim, mamãe acabou desistindo. Mas de uma coisa ela estava certa, eu sempre fui muito focada e dedicada nos estudos. Isso nunca eu poderia me decepcionar. Desde de cedo eu tinha uma meta e fazia de tudo para cumpri-la.
— Edward, eu tenho umas filmagens também de Bella na época que ela fazia balé. Era tão linda!
— Ah não mãe! Não acha que já me envergonhou o suficiente?
— Deixemos para outra oportunidade, Renée. Eu e Bella estamos cansados e vamos descansar um pouco. Depois a gente pode sair e jantar fora?
— É uma ótima ideia!
— Finalmente caíram em sã consciência! – falei estendendo as mãos para o céu.
Edward riu e beijou os meus cabelos. Peguei sua mão e o arrastei escada a cima antes que mamãe inventasse mais alguma coisa. Ainda bem que ela não tinha dado nenhum chilique com o fato de Edward e eu dormindo num mesmo quarto, se fosse o papai mataria o meu namorado na primeira oportunidade. Sorri com esse pensamento. Papai nunca me enxergaria como uma adulta nem que se passasse um milhão de anos.
Abri a porta do meu antigo quarto e me surpreendi ao ver que tudo permanecia exatamente como eu deixara há dois anos. Eu seria capaz de apostar que até o meu cheiro continuava impregnado em cada coisa ali presente. Edward saiu observando cada detalhe do ambiente. Senti uma sensação estranha, como se finalmente eu me deixasse revelar para alguém. Por que agora ele estava conhecendo a Bella de verdade, aquela que sempre esteve escondida no meu interior, completamente sem disfarce ou censura.
— Sabe que eu consigo te imaginar em cada coisa aqui presente?
— Bom... Você está conhecendo a Isabella Swan adolescente. Uma garota reservada, tímida, leitora voraz.
— Cheia de sonhos. – falou enquanto apontava para o mapa pregado na parede cheio de post- its com informações sobre os lugares que eu gostaria de conhecer um dia.
— Isso são lugares que eu gostaria de conhecer. Tem razão. Eu era sonhadora o suficiente para acreditar que eu poderia conhecer tudo isso com tão pouco dinheiro. Mas a verdade é que sempre eu me imaginei sendo uma grande e poderosa mulher, alguém diferente do que eu achava que eu era de verdade. Uma pessoa que todos pudessem admirar...
— Você fala como se isso tivesse ficado no passado e nunca mais fosse se realizar. – Ele pegou a minha mão e as apertou, me encorajando. – Você ainda realizará todos esses sonhos Bella.
Não se eu me cassasse com ele, pensei. Por que se isso acontecesse essa Bella deveria continuar onde sempre esteve, num canto escondido na minha mente, impedida de se revelar.
— O que achou dessa Bella Swan?
— Eu sou capaz de dizer que eu me apaixonaria por ela.
Corei e abaixei a cabeça. Ele me abraçou e ficamos assim por alguns minutos até ficarmos cansados o suficiente para resolvermos dormir um pouco. Enquanto eu adormecia nos braços de Edward diante de tudo que um dia me pertenceu. Senti uma sensação estranha como se eu tivesse vendo alguém que se fora, mas que eu conhecia muito bem, porém que estava dando espaço para uma outra pessoa surgir. Elas habitavam o mesmo corpo, mas eram diferentes de alguma forma. Eu podia a ver a Bella que eu deixei aqui há dois acenando para mim de longe, como se tivesse dando adeus. Era mesmo bizarro! Porém, eu sentia que nesse momento eu estava passando por um processo de renovação. Uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto enquanto eu caia na inconsciência.
No dia seguinte, abri os olhos devagar, deixando o sono se esvair e a consciência me tomar por completo. Rolei na cama e vi que o outro lado estava vazio. Onde Edward estaria? Levantei e me espreguicei. Resolvi tomar uma boa ducha para acordar de vez e reacender as energias. Vesti minhas amadas roupas leves que quase nunca podiam ser usadas em Belgonia. Desci as escadas devagar e vi que Edward e minha mãe conversavam baixinho e achei aquilo muito estranho, principalmente por que logo quando eles se deram conta da minha presença se calaram e olharam para mim.
— Bom dia! – falei.
— Bom dia anjo! – respondeu Edward calorosamente.
Ele se levantou e veio em minha direção me dando um beijo na testa.
— Me desculpem por não tomar o café com vocês? Tenho que comprar um presente para cada um na minha família. Alice me mataria se eu não trouxesse nada para ela!
— Não quer que eu vá com você?
— Não precisa. Volto logo e passaremos o dia juntos antes de viajarmos para o México.
— Certo então...
Dei um selinho nele com uma pitada de desapontamento e deixei-o ir. Sentei na mesa e comecei a me servir com algumas panquecas. Mamãe me acompanhou, mas com um olhar atento em mim. Eu sabia que ela estava me analisando como sempre gostava de fazer.
— O que tanto vocês dois conversavam?
— Nada de mais. Apenas ele me perguntou onde poderia encontrar umas lojas legais para comprar os presentes.
— Hum.
Resolvi aceitar aquela resposta, mais ainda achando muito estranho.
— Ele é um garoto bem família, não é?
— É sim. Isso é uma das coisas que mais gosto dele. Esse apego e doação profunda para aqueles que ama.
— Sabe que acho que era isso mesmo que você estava procurando esse tempo todo. Alguém que abalasse as suas estruturas, que pulasse na sua frente e recebesse uma bala por você e te provasse que o amor existe. Que reacendesse diariamente o seu estimulo de viver.
— Que exagero mãe!
— Falei alguma mentira?
— Talvez eu tenha que concordar com algumas coisas... Edward me fez ver a vida de uma nova perspectiva. Me dá mais animo!
— Isso é bom!
Comi alguns pedaços de panqueca e me ajeitei na cadeira. Pensei em todos os sentimentos conflituosos que Edward me causava. Uma sensação de estar sempre ligada.
— É engraçado que eu olho para as minhas antigas coisas e reconheço o que eu fui nelas, mas sinto que eu estou vendo o meu passado de fora, como uma telespectadora. Eu mudei tanto desde que sai daqui que nem parece eu mesma.
— Ainda bem Bella! Eu tinha medo que você envelhecesse com esse medo de se entregar para o mundo, de arriscar em coisas novas, de viver... Você era tão trancada para a vida, meu bem.
— Eu era mesmo, acho que ainda sou... O novo me dá medo. Prefiro sempre o certo do que o duvidoso.
— Isso é bobagem minha querida! Temos que ás vezes quebrar as regras e se aventurar diante do desconhecido. A vida nunca terá um manual de instruções.
— A verdade é que nunca pensei que chegaria a esse estado. Eu nunca sonhei com um grande amor, você bem sabe disso, e ainda me sinto estranha tendo que compartilhar o meu dia e a minha vida com ele.
— Você sempre foi muito individualista mesmo e é por isso que vem negando os pedidos de casamento dele?
— Parte dos motivos é isso. Eu também, no fundo tenho medo, de me entregar demais a esse amor e me decepcionar de alguma forma... Apesar de que no momento e não consiga mais pensar a minha vida sem ele. Dá para entender?
— Dá sim e eu até posso imaginar que no fundo você se baseie demais no meu relacionamento fracassado com o seu pai e acha que vai acontecer o mesmo com você. Mas repito, as experiências nunca são as mesmas Bella. Na verdade, até acredito que seu pai e eu devemos agradecer termos errado no passado para que hoje a gente tenha total certeza do que queremos para sermos felizes.
— Você tem razão. Papai está muito feliz com a Sue.
— Eu não lhe falei! Fico feliz por Charlie está bem, assim como eu estou com o Phil.
Tomei um gole do meu café e pensei o quanto a minha mãe ainda idealizava a vida. Se ela soubesse metade dos problemas que assolam a família real, talvez me aconselhasse a ir devagar.
— Tem outra coisa também...
— O que?
— Eu não sei se eu estou pronta para deixar quem eu sou... Não sei se eu vou me encaixar no mundo dele, sabe? Parece fácil e glamoroso se tornar uma “princesa”, mas não é tanto. Há muita coisa que eu tenho que deixar de lado e acho que é o preço muito alto a se pagar.
— Eu imagino, porém tenho certeza que você não será jogada de paraquedas no universo dele. Eles vão te preparar para isso e do jeito que você é centrada, vai tirar de letra.
— Não sei... Comecei agora a ver a vida de uma outra forma, de vivenciar novas experiências e já vou ter que largar tudo...
— Bella pare de encarar tudo com tanta seriedade! Deixa as coisas acontecer minha filha! Eu não sei se você está percebendo, mas você já está sendo conduzida para essa sua possível nova vida.
— Será?
— Claro, a não ser que ache que Edward não valha a pena? Isso só você pode dizer. Mas se fosse eu, cairia dentro dessa aventura.
Terminei o meu café e fiquei pensando em tudo que a minha mãe me falara. Será mesmo que eu já estava enquadrada no universo monárquico e não sabia? Para mim parecia estranho demais, porém eu sentia que essa viagem aos Estados Unidos como um rito de passagem que eu tinha que me despedir da Isabella Swan para dar lugar a uma duquesa. Não sabia se realmente era isso. Mas eu sentia que o horizonte em minha frente estava se abrindo de uma maneira diferente. Intuitivamente eu sabia que as coisas mudariam muito depois dessa viagem.
Fale com o autor