Dinastia 1: O Sonho Real
38 Entrando no modo real
Notas iniciais
“É estritamente proibido o uso de roupas negras, ao não ser em caso de luto.”
“O uso de saias ou shorts curtos são proibidos, pois a etiqueta real determina que mulheres da realeza devem permanecer recatadas. Essa regra vale para vestidos que devem estar no mínimo na altura do joelho.”
“É proibido demonstrações de afeto em público entre casais, pelo menos não em compromissos oficiais, pois nesse momento eles estão a serviço da coroa.”
“Os casais reais devem ter no mínimo dois filhos, para que a descendência monárquica seja garantida.”
“Nunca reclame, nunca explique ou explane seus problemas ou sentimentos quando estão aos olhares do público. O recomendado é se manter sempre natural, sereno e sorrir sempre, independente de seu estado de espírito no momento.”
Fiz uma careta e fechei o livro de protocolos deixando de lado por um momento. Eu não conseguia acreditar que poderiam haver tantas regras para caber em um livro de mais trezentas páginas. Eu nunca aprenderia tantas coisas meu Deus! E era por que eram apenas regras de comportamento e ainda havia a legislação monárquica que também deveria estar gravada na minha mente.
Cocei a minha cabeça por alguns instantes e fiquei pensando o quão absurdo era tudo aquilo! Haviam protocolos ali que tinham sido estabelecidos há mais de 100 anos e era tão retrógrados para os dias de hoje que eu não conseguia acreditar que ainda não tinham sido abolidos. Era frustrante ter que segui-los e ainda mais por ter a sensação que aquilo tudo era um adestramento puro. Até que eu poderia entender por que aquela família era tão rígida e cheia de problemas.
O rugido da moto de Jake entrando na área de carros me fez voltar à realidade. Fiquei olhando ele estacionar, tirar o capacete e descer da moto. Me balancei um pouco no sofá balanço que tinha na entrada da casa do meu pai e esperei que Jake viesse até mim. Um pensamento passou na minha cabeça e me resenti um pouco. Quanto tempo mais eu teria dessa vida simples e tranquila?
— Ei Bells!
— Jake! Como vai essa máquina? É boa mesmo?
— Incrível! Eu dei umas calibradas nela e ficou ainda melhor.
Ele estava feliz e isso me iluminava. Papai e eu juntamos algum dinheiro e demos uma entrada nessa moto para Jake como presente de aniversário. Agora ele parecia uma criança feliz com o seu doce preferido. O bom era que nem precisava muito para agradá-lo. Era fácil conviver com ele e pensei o quanto eu sentiria a sua falta quando eu passasse para o lado de lá.
— Que cara é essa, ein? Alguém disse alguma coisa com você lá na realeza?
Ri e dei um soquinho no ombro dele.
— Eu não estou triste. Só impressionada com esse monte de regras que eu vou ter que aprender quando me casar com Edward e entrar no modo real.
Jake sentou-se ao meu lado e pegou o livro de protocolos que eu estava lendo. Deu uma leve olhada e jogou pro lado com uma careta.
— Acredita que diz ai que eu não posso demonstrar sentimento. Que eu devo sempre andar por ai sorrindo feito um robô?
— É mesmo? E que cara deve fazer quando tiver com vontade de socar o almofadinha que inventou essas bonagens todas?
— Não sei. Devo sorrir para ele e depois socá-lo elegantemente.
Rimos e Jake me abraçou. Eu me sentia boba por estar com esse sentimento de insegurança. Afinal, eu queria estar com Edward e para isso eu tinha que me acostumar com as regras do mundo dele. Tudo não já tinha sido decidido? Por que eu tinha que ficar assim? Mas como eu poderia tirar de dentro de mim esse sentimento de perda?
— Sabe que não precisa ir adiante, não é Bella? Se não se sente pronta, não se case. Edward vai ter que entender o seu lado também.
— Eu tenho certeza que eu quero me casar com ele, Jake. Edward não está me obrigando a nada.
— Mas pode ter um tempo para se acostumar com tudo isso, não pode?
— Tenho três meses até o casamento.
— Só? Bella não faça isso! Não se case se sentindo assim, insegura. É perceptível que você não está à vontade.
— Não quero desistir. Um dia eu vou ter que passar por isso de alguma forma se eu quiser mesmo ficar com Edward. Ele não pode abdicar do mundo dele e eu não posso ficar sem ele... Então, é melhor que eu passe por isso agora.
— Você é quem sabe. Mas quero que tenha certeza que você tem escolha.
— Eu sei.
— Hora do jantar crianças! — Sue apareceu na porta com um sorriso doce nos chamando para jantar.
Pelo jeito a comida estava boa por que eu poderia sentir o cheiro delicioso daqui da entrada. Eu adorava Sue! Já gostava dela antes, mas agora que eu tive a oportunidade de ter uma visão mais abrangente dela, tinha percebido o seu lado maternal que eu apreciava demais. Era super aconchegante estar perto dela. Eu sentia um carinho tão grande que confesso que não me sentia assim tão acolhida nem com a minha mãe. Além do que, o relacionamento dela com o meu pai estava fazendo muito bem para ambos e eu não poderia ficar ainda mais feliz.
Jake e eu entramos e o cheiro do jantar nos seduziu ainda mais. Papai já estava se sentando a mesa com uma cara gulosa enquanto Sue terminava de pôr a mesa. Era um quadro perfeito de um ambiente bem familiar. Gosto disso! É bastante acolhedor essa experiência. Não me lembro de ter passado por isso antes, mas queria um dia ter uma família agindo exatamente nesses termos.
— Acho que hoje vamos comer como um rei! – papai falou todo animado.
— Sue sua comida é mesmo fantástica! Obrigada por ter entrado na família. – falei sorrindo e ela acariciou as minhas costas.
— Falando em rei... – iniciou ela. – Como vão os planos do casamento Bella?
— No início. Ainda não discuti muito com Edward sobre como vai ser. Na verdade, eu nem sei como um casamento real deve ser. Acho que vão acabar escolhendo tudo por mim.
— Minha filha se casando... Sabe que eu ainda não consegui me acostumar com isso?
— Oh Charlie não seja bobo! – retruncou Sue. – Bella está realizando o sonho de toda garota.
— Mesmo assim... Tenho medo que essa gente te trate mal, minha filha, e te afaste de nós.
— Isso não vai acontecer pai. Nem que eu tenha que sair escondida do serviço secreto, eu venho aqui te visitar.
Papai fez uma careta e Sue sorriu sonhadora. Acho que nunca meu pai se acostumaria com a ideia que eu ia me casar e parar de ser a sua menininha. Nem sei como ele aceitou o pedido de Edward quando ele veio aqui.
— Eu fico me perguntando, Bella, como deve ser para você estar entrando para a família real. Para mim parece ser tão mágico!
— No começo eu achava tudo surreal, mas agora eu acho que tem realidade demais nisso.
— É como ganhar na loteria! – Ela comparou. – Só acontece com um em um milhão.
— Eu não entendo o que você vê nele. – papai falou.
— Você costumava ter uma opinião bem diferente dele antes de saber que estávamos namorando, pai.
— Por que eu não o conhecia bem. Agora eu o acho certinho demais. Formal até o fio de cabelo, sei lá... Boa aparência ou a sensação de segurança?
— É bom saber que pensa isso de mim pai.
— Não fique com raiva Bells. Só tentando achar um motivo para você deixar a sua vida boa para entrar naquele ninho de cobras. Sim por que pela cara dele, mesmo que eles demonstrem ser boa gente, não parece que ele tenha uma vida tão legal.
— Será que não pode entender o fato de que o amo e é só por isso?
— Ele entende Bella. Só está com ciúme de você. – afirmou Sue.
— Pai, eu não estou a caminho da morte, ok? Eu só vou me casar e isso não vai me deixar nem um pouco diferente do que eu sou ou mais importante do que os outros seres humanos.
— Eu sei filha por que você é altruísta o bastante para isso. Eu sei o quanto você é especial! Eles vão ter sorte em tê-la com eles e vai ser bom por que aquela família precisa de alguém para mudar um pouco as coisas. Mesmo eu não compreendendo bem tudo que está se passando, eu vou lhe apoiar sempre.
Uma lágrima solitária caiu dos meus olhos. Eu estava bastante emocional nesses últimos dias e aquilo era a gota d’água. Estiquei o braço e acariciei a mão de papai agradecida por ele ser tão bom comigo.
— Bella vai fazer um bum na realeza! Quero só ver! – Jake falou animado.
— Imagina Charlie que em breve teremos um ou uma Swan na família real. Não é algo especial?
— Nem me fale em netos agora Sue. Não consigo nem me acostumar com o casamento da minha filha ainda.
— Mas é algo que vai acontecer.
— Vão ser crianças muito especiais pode ter certeza! Por que Bella será a mãe deles.
— Obrigada pelo apoio e confiança, pai. Isso significa muito para mim. Nada vai mudar, eu prometo!
Será que não ia mesmo? Por um lado eu sabia que os próximos passos iriam ser transformadores e que tudo mudaria, mas por um outro lado, eu refletia sobre o fato de que talvez eu é que estivesse sendo boba demais. Afinal de contas, quem no mundo tinha se aproximado tanto das entrelinhas da família real, que é tão protegida e blindada? Eu estava mais dentro do que fora agora, essa é verdade. O que eu tinha que fazer agora era levantar a cabeça e aprender tudo que tinha que aprender. Eu sempre fui boa nessas coisas de regras e organização. Sempre fui muito esforçada para aprender o que eu queria e então por que eu não poderia conseguir isso agora? Eu deveria dar o meu melhor isso sim.
Foi com esse pensamento que acabei adormecendo e tendo uma noite bastante agitada. Sonhei que estava diante a um tapete vermelho extramente longo. As portas do carro se abriram e eu pude ver os muitos fotógrafos que estavam ali. Quando me viram, vieram logo até mim e eu me assustei e acabei pisando em falso e caído na frente de todos. Eu só podia enxergar os flashes na minha cara e as pessoas gritando que eu era uma fraude total! Que eu nunca iria ser nada! Que eu era exibicionista fracassada! Eu queria apenas correr dali e sumir, mas eu não conseguia levantar.
— Bella levanta! – alguém dizia ao longe.
“Eu não consigo”, eu dizia no pensamento enquanto me esforçava para mover as minhas pernas. Alguém me balançava e isso me fez abrir os olhos. Logo vi o rosto de Alice bem na minha frente. Levantei assustada sem entender nada.
— Alice?
— Bella por que ainda está nessa cama?
— Há algo de errado nisso?
— Não está se lembrando, não é?
— Lembrando de que?
— Frogmore Cottage.
Bati a mão na minha testa me lembrando vagamente que Esme tinha dito que Nick ligaria marcando uma data para irmos a Frogmore Cottage para averiguarmos as coisas por lá. Peguei o meu celular e vi que a bateria estava totalmente descarregada. Deveria haver um trilhão de ligações de Nick me avisando.
— Desculpe Alice! Meu celular descarregou e eu devo ter perdido os recados de Nick.
— Ainda dá tempo. Vamos lá se levante!
— Ok. Eu só levarei alguns minutos.
— Certo. Eu espero. Só não veste uma dessas suas roupas horrorosas.
Revirei os olhos e avistei Ângela adentrando o quarto. Ela sorria, mas estava com um ar de surpresa ao mesmo tempo. Provavelmente pensando em como Alice tinha conseguido entrar desse jeito em nosso dormitório.
— Ela parece conseguir tudo o que quer, não é? – perguntou ela.
— Sim. Me desculpe por isso Ângela.
— Não se preocupe. Na verdade, eu estou meio triste por você estar indo embora.
— Eu também estou. Por mim ficaria exatamente onde estou.
— Pois eu em seu lugar estaria muito contente em sair desse aperto e ir para uma casa grande cheia de coisa cara e bonita.
Assenti e segui para o banheiro. Todas as garotas deviam mesmo estarem certas em pensar que tudo era mágico em deixar suas vidas e seguir para uma grandiosa dentro da monarquia. Eu era que parecia mesmo maluca e fora do lugar por não pensar exatamente dessa forma.
Ao terminar de tomar banho tentei escolher uma roupa que não fosse tão repugnante para os olhos de Alice e fui ao encontro dela. Ela estava tão afoita que nem reparou no que eu estava vestindo. Pegou o meu braço e saiu me arrastando para fora.
— Bella, minha mãe pediu para transmitir a você as desculpas dela por não estar aqui agora como combinado. Apareceu um compromisso de última hora que ela precisou comparecer, mas que ela gostaria muito era de estar aqui com você.
— Diga a ela que não se preocupe com isso. Afinal, teremos muitas outras oportunidades, não é?
— Claro! Agora deixe eu apresentar a você o George. Ele é o seu segurança a partir de agora.
Olhei para o tal George e me assustei com o tamanho dele. Parecia que ele tinha no mínimo uns dois metros, além disso, era branco e tinha cara meio assustadora. Acho que isso era algo bom para um segurança.
— Segurança? Ual! Quer dizer... É um prazer George!
Estendi a mão e ele a apertou com força. Depois curvou a cabeça num arco, como uma pequena reverencia. Fiquei estranha com aquilo.
— O prazer é todo meu, senhorita!
Entramos no carro e seguimos para Frogmore Cottage. A casa não ficava longe do campus, eram apenas algumas ruas ao leste, já quase na divisa com a cidade de Montsaurai. Aliais, chamar aquela residência de casa parecia um insulto, já que ela parecia mais um palacete. Eu nem devia me impressionar tanto por que quase todas as coisas que pertenciam à família real eram tudo exuberantes demais. Estacionamos em frente ao meu futuro lar e eu fiquei mais um pouco apreciando o lugar. Eu poderia apostar que esse prédio poderia ter mais de cem anos pelos seus contornos e formas. Ele era alto, tinha dois andares e suas paredes eram revestidas com um branco cetim bem bonito. Quando entramos vi que muitas coisas não eram tão antigas assim. Na verdade, parecia uma mistura entre o novo e o clássico. Era um lugar muito charmoso e também enorme!
— E ai Bella? O que achou?
— É fantástico Alice!
— Eu sei. Estou com inveja de você. Um dia, eu vou pedir ao papai para vir morar aqui.
Sai andando pelos cômodos para conhecer todos os lugares. Mas parecia que eu não terminaria a minha jornada exploratória hoje com tantas coisas para se ver. Senti uma sensação muito boa naquele lugar. Tinha uma áurea bem acolhedora e isso me deixou bastante satisfeita. Até poderia dizer que era o lugar ideal para se transformar em uma princesa, já que em alguns aspectos a casa parecia ter saído dum livro de contos de fadas, apesar das modernidades ali presentes.
— Edward pediu para que fizessem algumas modificações para que você pudesse ficar melhor acomodada nesses três meses.
— Quantos quartos tem esse lugar?
— Uns 10 acho? Por que? Achou pequena?
— Não. É perfeita! Quantas pessoas já moraram aqui?
— Não muitas... Na verdade, essa casa tem uma tradição de ser a residência das noivas reais. Mas outras pessoas de nossa família já moraram aqui por um tempo.
— Eu sabia que esse lugar tinha história.
— Claro que tem! Agora vem! Vamos conhecer o andar de cima. Edward me pediu para que lhe mostrasse a suíte principal primeiro.
Ela pegou a minha mão e subimos para o andar de cima. Mal tive chance de observar muito por que Alice já me carregava para o fim do corredor. Daria um prêmio para a pessoa que pudesse acompanhar a energia da minha futura cunhada. Ela abriu a grossa porta de mogno e por trás dela havia um quarto enorme. Segui entrando e ficando mais impressionada. Em cima da grande cama estava algo bastante conhecido por mim. Era o meu velho edredom de retalhos com fotos de cartões postais de todo o mundo. Eu tinha mesmo sentido falta dele esses últimos dias. Eu devia ter deixado no quarto de Edward e ele trouxe para cá. Peguei o bilhete que tinha ao lado dele e li o que tinha escrito.
“Para a minha futura esposa se sentir um pouco mais acolhida em seu novo lar provisório.
Edward Cullen”
Sorri encantada. Só Edward mesmo para me fazer sentir a mulher mais especial de todas! Segui andando pelo quarto e vi que haviam duas portas. Decidi abrir a primeira logo e me espantei ao ver um enorme closet que eu poderia chutar que tinha o mesmo tamanho do meu dormitório na universidade. Olhei para todas aquelas roupas e não me vi vestindo nenhuma delas, mas pude imaginar que esse deveria ser o meu estilo agora.
— Gostou das roupas Bella?
— São lindas! – disse querendo ser agradável, mas na verdade, eu as achava extravagantes.
— São de minha coleção. Escolhi as melhores para você, Bella. Agora que vai ser uma duquesa, esposa do futuro rei de Belgonia, deve se vestir bem.
— Obrigada por isso Alice! Eu nem faço ideia de como deve ser o protocolo para roupas.
— Não se preocupe. Eu vou te ajudar com isso. Agora... Já decidiu quais mudanças quer fazer por aqui?
— Nenhuma. Por favor, não mudem nada.
— Ótimo! – Alice falou batendo palmas. – Isso sobra tempo para resolvermos outras coisas.
Nem pude responder e por que Alice já estava me puxando novamente. Dessa vez descemos as escadas e formos para uma das salas que ficava no andar de baixo. Em cima da mesinha de centro estava um grosso fichário. Nos sentamos no sofá e Alice já começou a falar novamente. Eu podia apostar que ela entraria em combustão em algum momento!
— Temos um milhão de detalhes que temos que decidir para o seu casamento. Como por exemplo, onde será a recepção? A decoração, o seu vestido, o numero de convidados...
— Calma Alice! Deixe-me ver esse fichário.
Ele pôs o fichário em minhas mãos e pude ver que realmente “um milhão” poderia ser uma boa descrição para tudo que deveria ser decidido para o casamento. Ali haviam opções que variavam entre o tipo de flores até a cor do vestido das daminhas. Engoli em seco e me assustei um pouco. Nunca pensei que casar desse tanto trabalho! Na verdade, eu nunca tinha me visto casando antes, então, eu nem sabia o que pensar.
— Alice, você entende melhor de todos os protocolos que devem ser cumpridos para o casamento, então por que não faz assim, você vai fazendo uma lista de tudo e coloca algumas opções para Edward e eu escolhermos com calma.
— Acho que vai ser maravilhoso assim! Não se preocupe! Seu casamento vai ser o mais bonito da História de Belgonia! – ela falou dando tapinhas na minha mão.
— Tenho certeza que sim. Mas tenho algumas solicitações que devem ser atendidas.
— Quais? Você quer rosas ao invés de Camélias?
— Não. Quero que o casamento seja o mais simples possível.
— Como assim? – Alice perguntou novamente como se não tivesse ouvido direito. – Você sabe que está se casando com o príncipe herdeiro, não é?
— Eu sei que casamentos reais são também um evento político, mas acredito que menos é mais. Além do que o dinheiro gasto no casamento sairá dos cofres públicos e acho que não devemos exagerar. Acho que Edward também concordará com o fato de que precisaremos ali apenas o necessário para uma cerimônia acontecer. Quero que ela seja tradicional, simples, romântica e só.
— Ok... Vou fazer o que posso. – Ela falou com uma cara de decepção.
— Eu sei que vai. – pisquei. – Quanto ao meu vestido. Eu já tenho um modelo em mente.
— Ah esse é um ponto importante! Chegaram ao palácio vários modelos de vestidos enviados por estilistas de todo o mundo. Sabe que será uma honra para eles ter um modelo deles em seu corpo no dia da cerimônia.
— Eu sei. Mas eu já tenho uma estilista favorita?
— Quem?
— Ela está sentada na minha frente.
— Ahhhh! Jura?
Alice ficou eufórica com a minha decisão e pulou em meus braços. A abracei com carinho. Acredito que aquele casamento seria para ela algo melhor do que ir a um parque de diversões para uma criança. Eu usaria o meu casamento como uma oportunidade para deixar outros felizes também, começando por ela.
— Eu vou caprichar tanto nesse vestido! Vai ser o melhor que eu já desenhei até agora e vai fazer História, estou dizendo a você! Já tem algum modelo em mente? Eu quero começar a desenhá-lo hoje ainda.
— Sim, eu tenho. Eu sou fascinada pelo vestido de casamento da rainha Mary e eu queria algo parecido.
— O que? Bella não me diga que quer se casar com um vestido da década de 20? Você tem noção que o vestido da noiva em casamentos reais é talvez o que mais se espera ver? Ele deve ser único e marcante!
— Eu não quero exatamente igual ao dela, Alice. Eu quero algo que seja tradicional, romântico e que tenha um pouco da minha personalidade expressa nele. O vestido da rainha Mary tem tudo isso. Ele tem uma força tão grande que não conseguimos enxergá-lo em outra pessoa a não ser nela, entende? Não trazia nenhuma exuberância, era simples e poderoso.
— Acho que entendo. Uma mistura de clássico com o novo. Simples, mas elegante. Saquei! Mais alguma coisa?
— Sem bebidas alcoólicas na recepção.
— Por causa de Emmett.
— Sim, por causa dele. Não quero que ele se sinta tentado.
— Acho que isso vai ser bom. Podemos dizer que é uma campanha que vocês estão apoiando contra o alcoolismo.
Alice abaixou a cabeça e ficou séria. Começou a escrever sem parar na sua agenda para disfarçar o seu descontentamento com relação ao assunto. Peguei a mão dela e tentei encontrar as palavras certas para perguntar sobre Emmett. Há um tempo, eu não sabia nada sobre ele ou Rosalie e estava curiosa.
— Alice, como está Emmett?
— Bom... Dessa vez, ele resolveu se tratar de verdade. – ela deu um pequeno sorriso ao dizer isso.
— É mesmo? Isso é bom.
— É sim. Ele anda frequentando aquele psicólogo de Edward todos os dias. Acho que esse negócio da perda do filho e da separação com Rosalie o motivou a tentar sair dessa.
— Eles estão mesmo separados?
— Não formalmente na letra da lei, mas os dois mal se falam ou se cruzam. Rosalie foi para Clarence dizendo que iria trabalhar uma causa ambiental por lá, mas nós sabemos que ela quer é ficar longe dele.
— Isso é triste, mas necessário, sabe? Eu sei que o alcoolismo é uma doença, mas depende muito da pessoa para se curar. Emmett precisa saber que Rosalie está firme na decisão dela para que ele veja que só se tratando vai tê-la de volta.
— Eu não queria que isso tivesse acontecido. Não sei o que acontecerá com ele se Rosalie não voltar. Os meus irmãos parecem durões, mas com coração mole feito uma gelatina.
— Vai dá tudo certo Alice. Se os dois se amam mesmo vão lutar para ficarem juntos.
Ela assentiu e voltou a dar uma olhada no fichário. Fiquei olhando para ela e pensando. Nada me tirava da cabeça que esse problema só seria resolvido se toda a história da abdicação não fosse totalmente esclarecida e seja finalizada por completo.
— Alice?
— Hum?
— Me esclareça uma coisa... Foi Emmett mesmo quem decidiu sozinho a abdicar? Será que alguém não o influenciou a tal. Por que fica difícil imaginá-lo tomando uma decisão dessa no estado em que ele estava.
— Na verdade... Eu não me lembro muito dos detalhes sobre isso, Bella. Eu era bem nova quando tudo aconteceu. Além do que nem eu e nem Edward formos chamados a participar das decisões.
— Mas qual a sua opinião sobre isso?
— Sinceramente? Acho que foi o papai que decidiu dar um basta. Como pai, obviamente que ele ama o filho e quer vê-lo bem, porém ele também tem que pensar como monarca e tirar Emmett do trono era o mais sensato.
— Então na sua opinião foi Carlisle?
— Sim. Mas não costumamos conversar muito sobre isso. Eu sei que o papai se recente até hoje do que aconteceu naquela época, deve ter sido duro ter que tomar essa decisão.
— E Emmett? Não palpitou? Será por isso que ele se cobra tanto?
— Ele palpitou sim. A decisão de sair foi dele. Acho que o papai só deu um empurrãozinho.
Era completamente estranha essa história. Eu já tinha feito muitas teorias a respeito e nada vinha na minha cabeça. Podia ser uma coisa completamente aleatória, mas enquanto eu não tivesse certeza do que aconteceu, aliais, não só eu, todos os envolvidos. Essa história não chegaria ao fim por definitivo e nem poderia haver paz na vida daquelas pessoas.
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