Dinastia 1: O Sonho Real
19 Coração Partido
Notas iniciais
A voz de Edward dava para ser ouvida de longe. Ele me chamava sem parar, mas eu não queria ouvi-lo, eu só pensava em fugir. As lágrimas escorriam pelo meu rosto. A imagem dele e de Tanya não saiam da minha cabeça. Como poderia ter acontecido isso? Como tudo tão mágico se transformara num pesadelo tão de repente?
— Bella me escute, por favor! – Edward gritava quase bem próximo de onde eu estava.
Acenei e um taxi parou na minha frente, entrei rapidamente antes que Edward pudesse me alcançar. O motorista olhava para mim com curiosidade. Desviei o rosto dele e fiquei observando a janela. Será que ele me reconhecera? De repente me lembrei que talvez houvesse um monte de paparazzis em frente ao palácio e provavelmente eles presenciaram a minha cena com Edward. Revirei os olhos. Por que eu ainda me importava com isso?
Cheguei ao campus e corri para o meu quarto. Rezei para que Ângela não estivesse ali e agradeci ao ver o ambiente vazio. Eu queria ficar sozinha e poder dar vazão aquela dor que eu estava sentindo.
A minha cabeça era um misto de pensamentos confusos. Tudo que eu menos queria na vida tinha acontecido. O homem que eu amava havia me traído. Minha confiança havia sido quebrada e eu estava ali destroçada sem saber lidar com toda aquela dor.
Mas ao mesmo tempo vinha um pensamento que como uma pessoa que havia dito que me amava, tão insegura e frágil como Edward tinha feito isso comigo? Era como se tudo que tivéssemos vivido não passasse de uma grande mentira. Será que ele havia me enganado e fingido esse tempo todo?
Pulei de susto ao ouvir fortes batidas na porta. Eu sabia que era Edward. Fui até lá, mas não consegui abrir. Minha mão ficou pressa na maçaneta como se estivesse encantada.
— Abra Bella! Eu tenho direito de me explicar.
Eu sabia que não podia negar isso a ele. Abri a porta e me afastei. Eu não queria olhar para o rosto dele. Não queria parecer frágil e dar motivo para ele rir de mim.
— Bella, meu amor, você não pode acreditar no que você viu nessa tarde.
— Vai dizer que não era o que eu estava pensando?
— Tudo foi um grande mal entendido. Eu não beijei Tanya. Ela me beijou. Bella, eu amo você. Tanya sempre foi apenas uma prima para mim e nunca despertou o meu interesse.
— Se você não tivesse interessado, se não gostasse verdadeiramente dela, você não tinha deixado nem ela se aproximar de você!
— Ok. Eu errei! Fui omisso, mas jamais eu dei chance para ela entender que eu queria algo mais com ela. Tudo não passou de um plano dela e de Rosie que eu acabei caindo feito um idiota!
Me virei e olhei para ele pela primeira vez. O seu rosto estava triste e suas expressões doloridas. Até podia ser que ele estivesse falando a verdade, porém a imagem deles dois juntos permanecia tão viva em minha cabeça que eu não conseguia raciocinar. Edward tentou vir até mim e eu estendi a minha mão para impedi-lo.
— Você não pode estar acreditando que eu te trai Bella.
— De certa forma foi isso que aconteceu, não foi?
Edward pegou os cabelos com tanta força que parecia que iria arrancá-los. Ele andava de um lado para o outro sem saber o que dizer. A dor era tão grande dentro de mim que me sufocava. Eu só queria sumir e desistir, deixar o espaço limpo para quem quer que fosse a escolhida por ele. Pois eu não aguentava todo esse sofrimento. Eu estava muito cansada de todo esse tormento que eu estava vivendo em todos esses dias.
— Sabe Edward, estar no palácio hoje na companhia de toda aquela gente me fez entender algo que eu já sabia, mas não queria admitir... Elas pertencem a um mundo que não é o meu e eu simplesmente não consigo me encaixar nele. Eu ficava te observando com Tanya e via uma esposa perfeita para os padrões exigidos para você. Eu só estou atrapalhando o processo.
— Isso não é verdade Bella...
— Edward tudo que nós vivemos foi um sonho muito bonito, mas que chegou o fim.
— Está me dizendo que o nosso namoro chegou ao fim?
— Eu estou tão confusa Edward! Estou machucada... Triste... Eu preciso de um tempo longe de você.
A expressão de Edward passou de surpresa para dor. Ele ajoelhou aos meus pés e pegou as minhas mãos. As lágrimas caiam dos olhos dele sem parar.
— Eu te amo Bella! Por favor não me deixe. Eu não consigo mais ficar longe de você...
A voz dele estava ficando embargada e eu comecei a chorar também. Tirei as mãos dele das minhas.
— Eu não acredito que na sua cabeça não há pelo menos um pouco de dúvida. Ou você acha que eu inventei tudo que eu disse, tudo que senti, tudo que vivemos nesses meses?
Virei o rosto sem querer lhe dirigir o meu olhar e ele levantou-se num rompante.
— Você pensa isso!
— Edward, por favor, me dê esse tempo...
Ele abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas desistiu ao ver a minha resistência alta. Assentiu e saiu. Meu coração ficou ainda mais destroçado ao vê-lo partir. Minhas mãos se estenderam até a porta. Me deu uma vontade absurda de ir até lá, mas me segurei. Eu tinha que ser forte agora. Uma hora tudo isso iria acabar de qualquer forma. Mas onde eu tiraria essa força?
Sentei no chão desolada e comecei a chorar novamente. Tudo em mim doía e ia me consumindo com tanta intensidade que eu achei que fosse morrer ali mesmo. Mas eu iria sair dessa. Eu iria juntar forças para continuar.
Nos dias seguintes, resolvi que iria me concentrar nos meus estudos. Estávamos no fim do semestre e eu não queria levar uma bomba. Passei dias em frente ao computador fazendo pesquisas, lendo minhas apostilas e estudando para valer.
Junho estava chegando ao fim e julho se aproximava. Edward não desistiu de tentar me convencer que tudo havia sido uma armação. Me ligava todos os dias e mandava muitas mensagens, mas eu não atendia as suas ligações e apagava as mensagens antes de lê-las.
Na última semana do mês, fiz as minha provas finais e passei de semestre com louvor. Resolvi ajudar Jake a passar na seleção de bolsistas que seria dali a duas semanas. Ajudá-lo seria uma forma de me distrair e não pensar em Edward, mas também seria uma forma de ajudar o meu amigo. Jacob estava desconfiado que havia acontecido alguma coisa, mas eu não dizia nada. Os jornais também especulavam bastante. Lançavam milhões de motivos que poderiam ter acontecido ao “novo casal real”, porém eu permanecia calada. Os paparazzis continuavam me seguindo sem parar. Eu pensei que isso iria parar, mas não. Me perguntavam um milhão de coisas e eu apenas continuava seguindo o meu caminho.
Um dia desses cheguei ao meu quarto e presenciei Ângela assistindo a parada militar na TV. Hoje era feriado nacional, dia da fundação de Belgonia, e eu havia me esquecido, é claro! Todos os anos haviam uma semana de muita festa, inaugurações, exposições e palestras e no dia 1ª de Julho havia sempre a parada militar acompanhada do cortejo de carruagens com a família real se dirigindo ao prédio do parlamento passando pelas vias principais de Belgravia. As pessoas abarrotavam as ruas para assistirem o discurso do Rei e verem todos eles unidos na varanda do parlamento para presenciarem a queima de fogos especiais. Esse era a única vez que toda a família real aparecia toda unida e as pessoas se matavam para vê-los.
Sentei ao lado de Ângela para assistir também. A câmera direcionou o foco para a família real que já estava na varanda para verem os fogos. Olhei para Edward e o vi ao lado de Alice. Estava absolutamente lindo com a sua farda oficial. Ora ele parecia sério e distante ora parecia um verdadeiro gentlemen e acenava para o povo que o assistia. Ele era tão bom naquilo que eu duvidava que ele não pudesse um dia ser um grande Rei.
Mas olhar para ele me deixava triste e mesmo passando dias, eu jamais poderia esquecer o que tinha acontecido. Ângela percebeu a minha tristeza e pela primeira vez em dias ela me perguntou o que tinha acontecido. E agora com uma certa distância do ocorrido, eu estava mais aberta para falar sem chorar rios de lágrimas.
— Eu o flagrei beijando a prima dele na festa de aniversário.
— O que? Tipo beijando na boca?
— Sim.
Ângela levantou e fez uma cara de surpresa. É claro que ninguém poderia imaginar o que tinha acontecido. Ela olhou para TV abismada como se estivesse encarando o próprio Edward e desligou o aparelho.
— Bella, eu não acredito!
— Eu também não acreditei. Imagina a dor que eu senti quando os vi. Na hora passou um filme na minha cabeça com todos os momentos que passamos juntos e todos eles sendo destruídos bem debaixo das minhas mãos.
As lágrimas começaram a cair novamente e Ângela me abraçou em compaixão.
— Oh minha amiga! Eu compreendo você. Se Ben tivesse feito isso comigo, eu também estaria destroçada.
— Eu não consigo acreditar que toda aquela concepção que eu construir dele fosse apenas fingimento. Ângela, eu via um Edward completamente diferente!
— Bella, não há uma possibilidade de ter sido apenas um mal entendido?
— Eu não sei... Essa prima dele sempre foi apaixonada por ele e agora ela encontrou uma aliada perfeita para ajudá-la a conquistá-lo, a Rosalie.
— Não! A Duquesa de Clarence? Você está bem arranjada, ein Bella?
— Agora se ele está envolvido ou não nessa história eu não estou interessada. No momento eu quero recuperar as minhas forças dessa decepção e colocar a minha cabeça no lugar por que não foi um golpe muito fácil.
— Eu sei, minha amiga. Você está certa e me desculpe à sinceridade, mas foi melhor que terminasse agora. Por que imagina a dor que você ia sentir se você tivesse ainda mais envolvida e chegasse uma princesa loira falando uma língua estrangeira para se casar com ele, ein?
— Você tem razão. Edward e eu não estávamos mesmo na mesma página.
O meu celular tocou e eu dei um pulo. Não quis olhar quem era com medo que fosse Edward novamente. Pedi para que Ângela olhasse e para o meu alívio era Jake. Atendi e ele falou com uma voz tão animada e rápida que eu não conseguia entender uma única palavra do que ele dizia.
— O que Jake? Não estou entendendo?
— Bella, eu consegui! Arranjei um trabalho na oficina duma concessionária aqui de Belgravia.
— Que ótimo Jake! Nossa! Eu estou muito feliz!
— O dinheiro não é muito, mas eu posso conciliar com a faculdade.
— Isso é maravilhoso!
Jacob era um ótimo mecânico e também muito inteligente. Aprendeu a mexer com carros e motos só olhando e mexendo com as peças dos automóveis que tinham lá na fazenda. Eu sinceramente não conseguia encontrar outra pessoa que pudesse lidar com isso melhor do que ele.
— Chame Ângela por que você, ela e eu vamos para esse show que vai ter daqui a pouco para comemorar.
O show beneficente que Emmett estava organizando. Eu tinha me esquecido dele completamente.
— Eu não sei se estou no clima Jacob...
— Qual é Bella?! É o meu dia de sorte e precisamos comemorar! E outra, eu estou me oferecendo para pagar as bebidas. Aproveite por que isso não acontece sempre.
Sorri com o comentário e fiz a proposta a Ângela que pareceu animada com a ideia.
— Sabe de alguma coisa Bella? Você devia ir. Se eu tivesse no seu lugar, eu colocaria uma roupa bem sexy e esfregava na cara dele o que ele perdeu.
Ri novamente e me dirigi a Jacob no telefone começando a me animar com a ideia.
— Ok, Jake! Nós vamos!
Ângela comemorou, e assim que desliguei a ligação, ela me arrastou para o armário para que eu pudesse escolher alguma coisa bem sensual. Eu não tinha muitas, é claro, mas acabei com um short curto e camisa rasgada com um top por baixo. Me olhei no espelho e comecei a me sentir um pouco ridícula, mas Jacob chegou antes que eu desistisse.
Ao chegarmos ao centro de eventos de Belgravia quase não conseguimos entrar com tanta gente amontoada naquele lugar. Emmett e Rosalie anunciaram o início do show e o cantor famoso nacional chamado James Foster começou a cantar. Inconscientemente, comecei a procurar por Edward, mas ele não estava lá. Me recriminei por estar pensando nele e ainda mais por estar procurando por ele. Eu era mesmo uma masoquista!
Observei as pessoas cantando e dançando ao meu redor e as invejei por estarem se divertindo quando eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser a minha decepção com Edward. Jake até tentou me colocar para cima, dançando comigo, mas eu não conseguia captar a energia. Eu estava quebrada e não sabia se teria conserto por enquanto.
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