Dimensões em Colapso

2 Luz, Conselho e Convergência


A lua ainda pairava no céu, parcialmente escondida por nuvens que arrastavam-se preguiçosas sobre a cidade colossal. A cada rua iluminada por postes de energia azulada, sombras longas se estendiam como dedos prontos para agarrar os incautos. O coração desse mundo híbrido pulsava em sincronia com os diferentes universos que nele colidiram — concreto, aço, magia e tecnologia entrelaçados numa tapeçaria de caos.


Sob esse manto noturno, dois encanadores caminhavam por túneis subterrâneos. As botas encharcadas de Mario batiam contra as poças acumuladas nos ladrilhos gastos, enquanto Luigi segurava uma lanterna de luz amarelada, que tremia a cada passo. O ar ali era pesado, impregnado de ferrugem, mofo e o som constante do gotejar da água.


— Esses canos parecem mais velhos que o próprio tempo — murmurou Luigi, passando os dedos numa tubulação enferrujada.

— Não importa o quanto a gente arrume, sempre tem alguém mexendo onde não deve — respondeu Mario, secando o suor da testa com a luva. Seu olhar estava tenso, como se pressentisse algo além de problemas técnicos.


Naquele mesmo instante, os dois ouviram um eco distante. Não era água. Não era metal. Era passos. Muitos.


Das trevas, uma figura colossal emergiu, trajando um sobretudo negro com o brasão em chamas de uma corporação rival. Bowser, com seu olhar faiscante, ergueu um charuto aceso e sorriu, cuspindo fumaça como se fosse um dragão real.

— Encanadores... sempre enfiando o nariz onde não são chamados. — A voz dele reverberou pelos túneis. — Esses canais agora pertencem a mim.


Mario apertou a chave inglesa em sua mão como se fosse uma espada. Luigi, embora tremesse, firmou a lanterna na direção do inimigo. A tensão no ar era quase palpável, como eletricidade prestes a descarregar.


Enquanto isso, na superfície, os arranha-céus abrigavam outros conflitos. Em um prédio de vidro reluzente, o Serviço de Inteligência e Espionagem operava em silêncio absoluto. Salas escuras, repletas de telas holográficas e cabos de energia, mostravam informações que piscavam como corações digitais.


Na sala principal, Kakashi observava relatórios em um monitor translúcido. O brilho azul refletia em sua máscara, deixando apenas um olho visível.

— Freeza está expandindo seus contatos. — Sua voz era baixa, mas carregada de gravidade. — Ele não está apenas dominando os ringues de MMA. Está comprando políticos, manipulando corporações... e agora até os encanamentos da cidade estão em jogo.


Shikamaru, com os cotovelos apoiados na mesa e os olhos semicerrados, resmungou:

— Que trabalho problemático. Mas se Bowser está envolvido, as coisas podem ficar ainda piores.


De repente, uma imagem surgiu nas telas. Naruto e Sasuke, infiltrados em um depósito abandonado, observavam um carregamento suspeito. Caixas com símbolos demoníacos eram descarregadas por homens encapuzados.


— Isso não parece só contrabando — disse Naruto, seu olhar determinado iluminado pela luz da lua que entrava pelas janelas quebradas.

Sasuke, sério como sempre, respondeu:

— Não. Isso é influência da Ceita Satânica. Eles estão espalhando raízes em todos os setores.


Longe dali, em uma avenida iluminada por letreiros coloridos, o Supermercado Hero Mart mantinha suas portas abertas 24 horas. O cheiro de pão fresco misturava-se ao de frutas tropicais, e os carrinhos deslizavam por corredores repletos de prateleiras organizadas com precisão quase militar.


Na entrada, um caixa automático piscava com propaganda holográfica:

"Hero Mart – Onde até heróis encontram preços baixos!"


No balcão principal, Saitama, de avental simples, bocejava enquanto passava códigos de barra. Genos, ao lado, reorganizava pilhas de enlatados com disciplina robótica. Tudo parecia calmo... até que um homem de jaqueta escura encostou no balcão. O olhar dele era frio, como o de um predador. Era Garou.


— Um supermercado comandado por um careca entediado... que ironia. — A voz dele era carregada de desprezo.

Genos deu um passo à frente, faíscas escapando de seus braços cibernéticos.

— Você não é bem-vindo aqui.


Mas Garou apenas sorriu, deixando uma moeda girar nos dedos.

— Não vim comprar nada. Só observar como esse lugar desmorona.


Nas sombras do estacionamento, uma figura feminina de cabelos verdes flutuava discretamente: Tatsumaki, com sua irmã por perto, observava o cenário.

— Deixe que ele cause o caos. Nós só precisamos do resultado — murmurou, com os olhos brilhando em tom esmeralda.


E, nas profundezas de um templo antigo, iluminado apenas por velas vermelhas, a Ceita Satânica reunia seus seguidores. Cânticos guturais ecoavam pelas paredes de pedra, enquanto símbolos arcanos eram desenhados no chão. No altar, sacerdotes clamavam por forças infernais, prometendo poder e glória.


Mas entre eles, Dante permanecia calado, encostado em uma coluna. Seus olhos azuis observavam a cerimônia com crescente desconforto.

— Vocês não fazem ideia do que estão invocando... — murmurou, mais para si mesmo.


E como um contraste direto, em uma catedral distante, sinos tocavam. Fiéis da Religião da Luz rezavam em uníssono, clamando para que Deus triunfasse sobre as trevas. Entre eles, líderes erguendo estandartes brilhavam sob a luz de vitrais coloridos. A guerra espiritual se intensificava a cada noite.


Enquanto tudo isso acontecia, dois homens caminhavam lado a lado em meio a uma praça repleta de bandeiras coloridas e multidões vibrantes. Yumichika Ayasegawa, com sua graça extravagante, ajeitava os cabelos cuidadosamente, e ao seu lado, General Blue, imponente em seu uniforme azul impecável, erguia um megafone.


— A beleza está na diversidade — dizia Yumichika, sua voz ecoando sobre os aplausos.

Blue completou:

— E só haverá futuro se todos puderem ser quem realmente são!


O brilho das tochas e das bandeiras LGBT iluminava aquela praça como um farol contra a intolerância.


Naquele mesmo instante, como se o destino conspirasse, trovões cortaram o céu. Um portal escarlate começou a se abrir sobre os arranha-céus, sua energia distorcendo o ar ao redor. O Portal Absoluto começava a reagir, como um coração batendo para chamar algo ainda maior.


E cada facção, cada herói, cada vilão... sentiu o impacto daquela energia atravessando o mundo.


O equilíbrio estava por um fio.


No altar central, Allen Walker ergueu sua espada sagrada, cuja lâmina refletia um feixe de luz azulada que parecia atravessar a pedra e tocar o céu. Ao lado dele, Lenalee Lee ajustava as correntes de sua arma, cada movimento calculado para maximizar agilidade, mas mantendo a graça. Kanda Yuu, com o olhar sério e postura rígida, permanecia ao fundo, observando cada sombra com suspeita; qualquer detalhe fora do lugar poderia significar a presença de agentes da Ceita Satânica. Lavi, sempre sorridente e com seu martelo gigante nas costas, fazia anotações rápidas em seu caderno — registros de preces, ataques e qualquer fenômeno mágico detectado naquela noite.


— A energia demoníaca se concentra na fenda — disse Allen, sua voz firme ecoando pelo salão. — Se não controlarmos, o Portal Absoluto poderá consumir não só esta cidade, mas todos os universos ligados.


Lenalee assentiu, apertando a empunhadura da corrente.

— Precisamos coordenar nossas forças com os outros grupos. Cada minuto perdido aumenta o risco.



Enquanto isso, na periferia da cidade, Saitama e Genos caminhavam por ruas estreitas, repletas de lojas antigas e mercados improvisados. O cheiro de pão recém-assado e arroz cozido misturava-se ao aroma de metal oxidado dos portões das casas. Genos carregava uma mochila com ferramentas e planilhas holográficas, seus olhos cibernéticos refletindo cada detalhe do caminho.


— Mestre Saitama, acredito que deveríamos procurar alguém com experiência consolidada no comércio interdimensional. — disse Genos, enquanto passavam por uma banca de frutas brilhantes que pareciam vir de outro mundo.


— Não sei se isso vai dar certo — resmungou Saitama. — Mas tudo bem, vamos ver o que o tal King tem a dizer.


A loja de King ficava em um prédio baixo de madeira, com janelas amplas e letreiros simples: “King’s Emporium — Aqui, a freguesia é a família.” Dentro, o espaço cheirava a madeira envelhecida e café recém-passado. Prateleiras abarrotadas de produtos comuns se misturavam a itens exóticos vindos de mundos diferentes: doces que flutuavam, latas com símbolos desconhecidos, e um relógio antigo cujos ponteiros giravam ao contrário.


King, um homem idoso de cabelo grisalho e olhar sereno, cumprimentou-os com um sorriso caloroso.

— Ah, jovens! Não sei bem o que fazem com essa história de supermercados modernos, mas a freguesia continua voltando, e isso é suficiente para mim. — Ele limpou as mãos em um pano desgastado. — Meu segredo? Trate cada cliente como se fosse a última pessoa no mundo.


Genos franziu a testa, absorvendo cada palavra.

— Mestre, talvez possamos aplicar essa filosofia na rede de Hero Mart. —

— Pode ser. — Saitama deu de ombros, pegando uma maçã que King ofereceu. — O cara tem jeito. Só não espere que eu aprenda nada sobre contabilidade.


Enquanto Saitama e Genos conversavam com King, nas ruas elevadas acima, Vegeta desceu de seu hoverboard, cada movimento calculado, os olhos estreitos refletindo alerta absoluto. Ele não gostava de ser visto caminhando ao acaso, mas algo no instinto de luta dizia que a presença dele ali era necessária.


De repente, um frio percorreu o ar. A eletricidade estática dançava entre prédios, e Sasuke, movendo-se pelas sombras, observava o mercado com olhar crítico. O Sharingan brilhava levemente, captando cada detalhe: Genos com sua postura rígida, Saitama despreocupado, e até King ajustando pacientemente os produtos nas prateleiras.


Vegeta se aproximou, passos firmes, sem hesitar.

— Quem são vocês? — a voz era dura, mas sem hostilidade completa.


Genos ergueu a mão direita, cauteloso, mas sem recuar.

— Meu nome é Genos. Este é meu mestre, Saitama. E você é…?


— Vegeta. — curto, direto. O saiyajin avaliava o jovem ciborgue como se ele fosse um inimigo potencial, embora o gesto de Saitama ao comer a maçã tenha desconcertado Vegeta momentaneamente.


Sasuke, surgindo das sombras, cruzou os braços.

— Eu sou Sasuke Uchiha. — Seus olhos negros varreram Vegeta e Genos como se calculasse cada possibilidade de ataque ou defesa. — Parece que todos nós sentimos a mesma perturbação.


A fenda no céu tremia mais intensamente agora, refletindo nos olhos de cada um deles: um portal vermelho e roxo que pulsava como coração de besta antiga, ameaçando rasgar o mundo em pedaços.


— Então… todos nós estamos aqui por causa disso — murmurou Genos, observando Vegeta com cautela. — A energia desse portal… é instável e massiva.


— Instável? — Vegeta bufou. — Não existe força neste mundo que eu não possa medir. Mas isso… isso é diferente.


Sasuke ergueu um dedo, apontando para o portal, o Sharingan girando em padrões hipnóticos.

— Isso exige mais do que força bruta. Precisaremos de estratégia, inteligência e… aliados inesperados.


O silêncio caiu sobre o mercado, apenas quebrado pelo tilintar de uma moeda caindo no chão e pelo sussurro do vento que atravessava a cidade. No instante em que os três se entreolharam, o ar pareceu eletrificar-se: forças de universos diferentes convergiam naquele mesmo ponto, e o futuro estava prestes a se revelar.


O encontro entre Sasuke, Vegeta e Genos não era casual. Era o primeiro sinal de que o mundo precisava de todos — guerreiros, estrategistas e heróis — para enfrentar o que viria a seguir.


A cidade, o céu e o chão vibravam, prenunciando o impacto que mudaria para sempre o destino de todas as dimensões.