Diluc in Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Kaeya, após ser abandonado pelo seu pai biológico em Mondstad quando era apenas uma criança pequena, cresceu como um jovem delicado e muito inteligente na residência dos Ragnvindr, o principal vinhedo da cidade do arconte anemo. Assim como Diluc, seu irmão adotivo, atualmente é um jovem abastado e sem nenhuma preocupação com sua sobrevivência como era antes de sua chegada à mansão, mesmo seu pai tendo o falado tantas vezes que pertencia a sangue nobre. Os irmãos Ragnvindr brincavam e faziam passeios frequentes juntos, aproveitando o melhor que tinham da companhia um do outro e agora é, finalmente, a festa de 16 anos de Kaeya e sempre que o olhar de Diluc recai sobre seu irmão, pensa em como o menino está tão animado para o evento e que jamais o vira com tamanha empolgação. Diluc, por ser mais velho, mesmo que essa diferença fosse de apenas alguns poucos meses, atuava como o chefe da família enquanto seu pai estava fora e para essa ocasião específica havia encomendado um alfaiate especialmente para seu amado irmão e Lord Crepus que não teria roupas adequadas para a festa, já que chegaria em breve de uma longa viagem especialmente para o grandioso aniversário de Kaeya.
Enquanto Kaeya era atendido pelo alfaiate em seu quarto na mansão, Diluc novamente pensava que havia tanto tempo que não o via animado assim, sorria apenas de ver o sorriso de seu irmão mais jovem, ele estava belo dentro daquele traje formal de tecido claro com belos detalhes bordados e cheios de babados, era tão lindo que Diluc tinha a vontade de abraçá-lo, Kaeya e o alfaiate acertavam apenas os últimos detalhes sobre as roupas enquanto Diluc o olhava sentado na cama do enorme e bem decorado quarto. A luz amarelada do sol entrando pela janela deixava os olhos azuis de Kaeya ainda mais brilhantes apenas para encantar o mais velho que sequer ouvia as conversas sobre o traje, a cada raio solar Kaeya estava ainda mais belo.
Na verdade Diluc sequer percebeu quanto tempo se passou desde que Kaeya estava provando suas roupas, quando viu, seu irmão estava atrás de um biombo azul e tão bem decorado quanto o restante do quarto, nele tinha adornos de aves e sua estrutura era feita de madeira de pinheiro envernizado e bem brilhoso, uma verdadeira obra prima que certamente era cara e vinda de Ligue, onde a maioria das coisas são bastante luxuosas e bonitas. vestindo novamente suas peças de roupas habituais, ao sair de trás estava com os cabelos levemente bagunçados, a visão da maior das belezas foi levemente estragada, Diluc apenas teve o impulso de se levantar e ir até ele.
“Você tem a mania de se bagunçar todas as vezes que se troca” disse o ruivo parecendo um pouquinho irritado, mas no fundo ele gostava do quão Kaeya era desastrado.
“Me desculpe, eu acho que nunca me acostumarei a ter os cabelos grandes.” Kaeya disse envergonhado tocando uma de suas mexas enquanto o alfaiate pedia licença se despedindo e saindo pela porta colocando o chapéu sobre a cabeça para dar mais privacidade aos garotos. Kaeya esperou alguns segundos mas olhou suas mexas novamente se lembrando que os Ragnvindr tem uma marca muito peculiar vinda da descendência do povo que havia sido escravizado de Mondstad de deixar seus cabelos grandes e como Kaeya era um Ragnvindr, Lord Crepus o pediu para que deixasse crescer os cabelos, por mais que Kaeya ainda se intitulasse um Alberich.
A proximidade fazia com que Diluc pudesse sentir o cheiro absurdamente doce das favas de baunilha, um ingrediente vindo de Sumeru, são as sementes de uma orquídea tão delicada quanto Kaeya, um tanto complicado de se achar, mas que deixava Diluc com vontade de querer sentir ainda mais daquele cheiro, então ele mesmo fazia questão de colocar até missões para que alguém procurasse aquelas favas para os perfumes de Kaeya.
“Vou arrumar você para que ninguém o veja assim.” Segurou a delicada mão do irmão mais jovem e o fez sentar de frente para o espelho da penteadeira “e vou fazer um penteado que vai deixar você ainda mais belo.” finalmente Diluc sorriu mais empolgado de poder ficar mais tempo próximo do irmão.
“É estranho…” Kaeya abaixou a cabeça com um suspiro e uma voz baixa esperando pelo outro.
“O que?” Diluc soltava calmamente o laço e pegava a escova de kaeya começando a cuidar dos longos fios.
“Você…” o olhou pelo espelho a princípio com seus olhos frios e profundos fazendo a espinha de Diluc gelar um pouco “você cuida de mim o tempo todo” mas finalmente deu um sorriso continuando “é um pouco estranho, você tem estado assim de um tempo pra cá, eu não sei dizer o que eu sinto com isso.”
“Você é meu irmão, não é natural cuidar de você?” voltou seus olhos dos cabelos para o espelho.
"Temos criados para pentear os meus cabelos.”
“Mas eu disse que gosto.” A leve risada nervosa fez Kaeya estranhar a atitude, mas logo o coração de Diluc palpitou com uma iminente ideia para desviar o assunto “que tal… treinarmos um pouco de dança no salão?” Se abaixou debruçando por cima da cadeira para olhar o irmão pelo espelho com um sorriso no rosto
“Eu sei que quer dançar comigo de novo, Diluc, você poderia ser mais direto” ambos riram e Kaeya levantou os braços para abraçar o outro mesmo estando de costas esperando ser abraçado primeiro para concluir a sua ação.
“sim, é o que eu quero.” Envergonhado, Dicluc se abaixou e Kaeya envolveu seus braços em volta da cabeça de seu irmão mais velho enquanto Diluc fazia o mesmo com ele. Os dois jovens se olharam por alguns segundos próximos demais até sorrirem juntos achando uma certa graça na situação que se encontravam.
Mesmo criados por lorde Crepus como irmãos, Diluc e Kaeya eram adolescentes e seus corpos e mentes funcionam de uma forma diferente agora. Sabendo que não são irmãos de sangue e que Kaeya é adotado, isso aflorou um certo sentimento que jamais haviam experimentado, como por exemplo quando Diluc viu o irmão nu tomando banho no lago próximo ao vinhedo na calada da noite, para ele foi como se estivesse vendo o próprio deus da beleza, como se Kaeya fosse uma obra de arte perfeita para ele, um calor surgiu em seu corpo como nunca havia surgido antes e naquela noite foi quando descobriu os prazeres de se tocar sozinho.
Um pouco depois do pensamento, Diluc suspirou e deu uma leve sacudida em sua cabeça sem perder o sorriso bobo do rosto tentando não se lembrar das noites de fantasias que chamava o nome de Kaeya enquanto retomava sua postura perfeita, estendeu a mão para o irmão e olhou para ele, apenas continuou penteando em silêncio, Kaeya viu o rosto vermelho e mordeu o lábio apreensivo mas logo após terminar de arrumar Kaeya, Diluc apenas o levou pelos corredores da mansão do vinhedo até o salão principal da casa imensa segurando delicadamente sua mão.
Sem mais conversas, Diluc deixou Kaeya no meio do salão e ligou a vitrola, um mecanismo que toca música feito em Fontaine que o pai dos garotos comprou para animar um pouco a casa enquanto estivesse fora, tinha um funcionamento diferente do que estavam habituados no começo mas junto com aquilo, Crepus trouxe para eles uma pilha de discos com vários tipos de música, a última que ouviam juntos estava pela metade mas nada que atrapalhasse os dois, depois de preparar tudo Diluc caminhou até Kaeya e segurou firme na sua cintura sendo respondido com uma escapada de ar dos pulmões do mais jovem, ambos deram suas mãos com os rostos corados, Kaeya colocou a mão que sobrou no ombro de Diluc. Como se quisessem que o momento durasse para sempre, os olhos azuis finalmente se encontraram com os olhos vermelhos de Diluc que pareciam arder em paixão, como o fogo de sua visão elemental ganhada ainda bem jovem. Já Diluc percebeu que os de Kaeya pareciam ser tão frios quanto a espinha do dragão mas nada disso era um problema para eles, Kaeya estava disposto a deixar sua frieza ser derretida pelo fogo de seu irmão mais velho.
Os jovens se encararam por alguns momentos sem se mexer, encantados e presos em seus olhares até que finalmente uma nova faixa começou, inconscientemente seus pés começaram a mover-se sozinhos em passos curtos no mesmo ritmo da música mas conforme a faixa avançava tudo parecia mais grandioso, os pés dos garotos entraram em uma sincronia mais que perfeita dessa vez e Diluc conduzia a dança, os movimentos de ambos eram delicados o bastante para não mover um centímetro de seus peitos grudados um no outro, a mão de Diluc Apertou um pouco mais a cintura fina de Kaeya que ousou a fazer um movimento um pouco mais ousado jogado o corpo para trás sendo segurado por Diluc que o trouxe de volta, em sua dança Kaeya quis dizer que um dia sairia da casa, Diluc não só entendeu o que ele quis dizer como mostrou que o traria de volta custe o que custasse sendo até um pouco violento nesse movimento, os rostos ficaram mais sérios e então Kaeya tomou o controle da dança mesmo na posição de conduzido, Diluc ficou surpreso com tamanha frieza no olhar mas logo tudo virou uma disputa em que Kaeya dizia o tempo inteiro que iria embora e Diluc o trazia de volta para perto de si, o conquistando de novo e de novo, não importa quantas vezes Kaeya queira ir embora, Diluc sempre ia atrás e no fim conseguiu domar seu amor, ao se olharem nos olhos novamente depois de um tempo de dança com Kaeya o evitando e depois de uma tarde dançando, Kaeya parecia finalmente ter o mesmo fogo no olhar, mesmo que continuassem azuis e frios.
Tudo terminou de uma forma diferente da que começou, antes era como se fosse um valsa delicada de um casal tímido mas a paixão e frieza tomou os dois, Kaeya usou a dança para comunicar levemente sobre sua missão e Diluc entendeu e respondeu, não importa o que Kaeya fizesse ou deixasse de fazer, ele iria perseguir o seu amor pelo resto da vida, no final tudo era tão intenso e cheio de paixão que ambos mal poderiam segurar a vontade de se beijar. Diluc estava ofegante assim como Kaeya e seus corpos cheios de hormônios desejavam um pelo outro a ponto do mínimo toque parecer dar choque em suas peles, eles juntaram suas testas fechando os olhos mas estavam no meio do salão, embora sozinhos, não deveriam fazer isso em um lugar tão aberto, certamente não deveriam deixar chegar aos ouvidos de seu pai, Lord Crepus.
"Venha." Disse Diluc soltando o corpo de Kaeya repentinamente e segurando com força sua mão para subir as escadas da mansão com pressa carregando Kaeya tão determinado quando ele atrás de si.
"O que vai me mostrar?" Kaeya olha para trás por um momento, a vitrola fica ligada, Adelinde e as outras empregadas preparando o chá da tarde ainda estão na cozinha.
Os garotos finalmente chegam ao quarto de Diluc que fecha a porta, não é um lugar comumente frequentado por Kaeya, ao contrário de seu próprio quarto que é bastante frequentado por Diluc. O ruivo fecha a porta com chave e parece bastante ofegante quando finalmente se vira para Kaeya com o rosto tão vermelho quanto seus fios de cabelo. Ele colocou a mão no peito, suspirou e entrou tomou uma postura completamente diferente, ajeitando sua coluna e se aproximando de Kaeya parecendo que iria força-lo a algo, o mais novo deu um passo para trás um pouco receoso, como se ainda estivessem naquela dança em que ele foge do mais velho, a sua respiração se prendeu um pouco e seus olhos se abriram levemente de medo pensando na possibilidade de ser indagado sobre aquilo, ele não queria e muito menos podia falar daquela missão, a tensão de seu corpo apenas aumentava mas para a surpresa de Kaeya, a mão de Diluc tocou sua cintura suavemente fazendo cócegas e o arrepiando por inteiro, logo a segurada foi firme na sua cintura e o rosto de Kaeya também enrubesceu, um alívio atingiu o seu corpo e ele sorriu encarando os olhos vermelhos.
"Por que me trouxe aqui?" Kaeya disse baixo, seus rostos estavam bem próximos e como Kaeya é apenas alguns centímetros mais baixo que Diluc, isso não fez praticamente nenhuma diferença para eles novamente, assim como na dança.
"Eu quero te beijar, Kaeya." Encosta a testa na dele entreabrindo os lábios e tocando seus narizes. "Eu quero sentir o doce dos seus lábios"
Kaeya novamente ficou surpreso, foram criados como irmãos e se achava meio estranho por não pensar em Diluc como irmão mas pelo visto Diluc pensava o mesmo dele, eles sentiram-se talvez como irmãos até o final de sua infância e quando Kaeya ainda não era quase um homem bonito e delicado. Os jovens permaneceram parados por alguns segundos sentindo o hálito quente um do outro em seus respectivos rostos fazendo a sua pele se arrepiar apenas por estarem próximos demais. Kaeya finalmente usou suas mãos para segurar o rosto de Diluc, seus lábios chegavam a fazer cócegas um no outro de tanta proximidade, Kaeya apenas estava decidindo se deveria ou não sucumbir aos seus desejos.
Demorou um tempo mas eles finalmente decidiram consumar o beijo, as bocas entreabertas deram espaço para as línguas se tocarem timidamente e bastante desajeitadas, Kaeya se lembra que sempre ficara curioso com os beijos amorosos descritos em seus amados romances, ele mesmo tomou a iniciativa e o controle, ainda desajeitado continuou a beijar seu amado Diluc que apertou mais sua cintura correspondendo ao caloroso beijo. Não demorou muito para que pegassem o jeito da coisa mas isso sequer importava mais, os garotos estavam com seus corpos arrepiados de prazer, nunca haviam feito algo igual, Kaeya abraçou Diluc pelo pescoço se levantando levemente na ponta dos pés e Diluc agarrou mais forte como se não quisesse mais sair daquele sonho.
Por tanto tempo o carmesim estivera apaixonado, nunca foi bom com palavras e muito menos com expressar seus sentimentos de forma visível, seus poemas nunca foram tão bons quanto os de Kaeya mas de uma coisa tinha certeza, a paixão que corria dentro de seu coração tomava seu ser pouco a pouco, já Kaeya apesar de parecer sempre frio e sarcástico, conseguia derreter um pouco o gelo que havia em seu coração, aquela maldita visão pendurada na calça de Diluc fazia o quentinho do corpo do mais velho envolver o seu confortavelmente, enquanto Diluc era péssimo com as palavras, também nunca percebeu que os poemas de Kaeya eram sobre ele e que, talvez por causa daquela visão que tornava Diluc ainda mais admirável e apaixonante, estava perdido em pensamentos por ele a todos os momentos só que conseguindo disfarçar bem, afinal os objetivos da sua verdadeira estadia em Mondstad ainda estavam confusos em sua cabeça.
O beijo cessou quase que bruscamente depois de ambos ficarem sem ar, seus lábios doloridos pela fricção só sentiram segundos depois que não deviam beijar-se por tanto tempo. Demoraram algum tempo para se recompor enquanto encaravam um ao outro ofegantes, tentando não fazer barulhos para que ninguém os descobrisse, Kaeya foi o primeiro a desviar o olhar e tentar se desvencilhar do abraço mas foi impedido por Diluc que o apertou mais um pouco sem querer soltar, Kaeya mordeu o lábio e fechou os olhos.
“Você sabe que nós não devíamos ter feito isso, não é?” Kaeya diz permanecendo afastado repousando as mãos sobre o peito de Diluc.
“Eu não me importo. Nada de ruim aconteceria, nós temos privacidade o suficiente aqui, você sabe muito bem disso, Kaeya.” Ele franze o cenho um pouco confuso e sem saber o porquê do menor ter esse comportamento.
“bem…” uma pequena pausa de Kaeya para um longo suspiro e depois olhar nos olhos tão carmesim quanto seus cabelos e continuar a falar “nós supostamente deveríamos nos tratar como irmãos.”
“não é como se eu não tivesse tentado, Kaeya.” a mão que começa a ficar calejada de brandir espadas de Diluc alisam o rosto de pele morena e delicada. “mas é como uma batalha das mais difíceis e dessa vez eu me sinto derrotado.” Ele deu uma pequena risada o que fez com que o clima tenso pairando sobre Kaeya se dissipasse e ele risse também.
“como que o cavaleiro de Favonius conseguiu uma proeza como ser derrotado e logo por mim?” Continuou a rir junto com o ruivo.
“eu acho que é uma questão que eu ainda não sei lidar, deve ser porque eu estou em treinamento, por mais que eu tenha uma visão” os garotos continuaram rindo por mais algum tempo juntos, a graça toda é Kaeya ser a fraqueza do outro, ele jamais achou que encontraria alguém assim. “então…” Diluc disse mordendo seu lábio inferior enquanto olhava os olhos azuis “você quer continuar a dança comigo novamente?”
Kaeya balança a cabeça positivamente com um sorriso anasalado desviando o olhar para baixo levemente envergonhado, suas bochechas formigaram pelo rubor que isso lhe causou mas ao mesmo tempo ele pensa que devia novamente treinar para seu aniversário, então olha Diluc novamente e morde o lábio concordando positivamente com um leve gesto de sua cabeça novamente, para reafirmar o que já havia deixado bem claro.
No fim os garotos desceram as escadas novamente e de mãos dadas, Diluc fazendo questão de ser cavalheiro com Kaeya, ao chegar no grande salão de entrada novamente ele agarrou a cintura de Kaeya olhando bem fundo nos seus olhos voltando a dança elegante para que Kaeya pudesse aproveitar ao máximo a noite de seu aniversário. Os próximos dias foram marcados com os jovens dançando no hall de entrada todos os dias durante suas tardes livres, a diversão durava por horas a fio, Diluc e Kaeya estavam quase que enfeitiçados pelo olhar um do outro e a dança para eles se tornou ali uma forma de se amar sem ser percebidos.
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