Dilema de Vingança
1 Capítulo Único.
Ele estava lá, logo à minha frente, com o seu típico sorriso de “sou o melhor”. Eu o esperei por trinta minutos naquele parque para, finalmente, fazer o que ansiava há tempos: Me vingaria.
— E então Elesis, o que você tinha tanto para falar comigo? – Ele perguntou, tirando-me de meus pensamentos.
— O chamei aqui apenas para prestar contas. – Fiz uma pausa, olhando para sua expressão confusa.— Não gosto nem um pouco de como você me trata desde que nos vimos pela primeira vez, não suporto esse seu sorriso de quem se acha o mais forte de todos.
— Só uma coisa, Elesis: Eu não me acho o mais forte...
Ia interrompê-lo, pois já sabia o que ele diria, mas resolvi não fazê-lo, daria a ele a ultima chance de falar aquilo.
— Eu sou o mais forte. – Completou ele, dando ênfase no “sou”.
— É forte o suficiente para resistir a isso? – Finalmente revelei o boneco negro para ele, enquanto lembrava-me de quando o consegui...
~ Noite anterior ~
Vinte e três horas e cinqüenta e nove minutos. A hora estava chegando, minha vingança contra aquela pessoa se iniciaria ali, e não havia mais volta.
— Anda... Vai... – Eu olhava constantemente para o relógio, esperando que ele todo zerasse.
Um simples minuto parecia uma eternidade, era assim que eu pensava, até que percebi que havia dado meia noite. Comecei a digitar o nome daquela pessoa que me irritava tanto.
— Sieg... Hart... – Dizia a mim mesma, enquanto digitava o nome daquele desgraçado no site Jigokutsushin.
Após digitar o nome e clicar no botão que ficava logo abaixo da caixa onde escrevi, senti um vulto e olhei imediatamente para trás. Ela estava lá, a Jigoku Shoujo realmente existia!
— Me chamou? – Ela perguntou, olhando para mim com aqueles olhos vermelhos que nada expressavam.
Ela era exatamente como eu tinha ouvido falar: Pele pálida, cabelos negros que iam até abaixo de sua cintura, olhos vermelhos e vestia um típico uniforme de colegial japonês de cor preta.
— Pegue. – Fui tirada de meus pensamentos pela voz da garota, que me estendia um boneco de vudu de cor preta.— Se realmente desejas se vingar de seu inimigo, deves desfazer esse laço vermelho. – Olhei para o boneco e vi o laço que estava em seu “pescoço”.— Se o fizer, será um contrato oficial comigo, a pessoa de quem desejas se vingar será imediatamente mandada ao inferno.
Aquilo parecia tentador... Eu finalmente o tiraria de minha vida! Mas a garota continuou a falar.
— No entanto... – Ela fez uma breve pausa, e continuou.— Você deverá pagar um preço.
— Que preço...? – Perguntei, só por curiosidade, pois daria qualquer coisa para me livrar dele.
— Quando uma pessoa é amaldiçoada, dois túmulos são cavados. – Ela olhou para mim, como que pedisse permissão para continuar.— Quando morrer, sua alma cairá no abismo do inferno, e vagará pela dor e o sofrimento durante toda a eternidade, sem nunca conhecer o paraíso.
Quando ela terminou de falar, me vi em um dilema: Deixaria tudo como está agora, ou venderia minha alma para que Sieghart saísse de minha vida? Eu já havia me decidido...
~ Tempo atual ~
— Elesis, o que pensa em fazer com isso?! – Ele parecia assustado, algo que eu nunca tinha visto.
— Não é obvio? Mandarei você para o inferno, aqui e agora! – Não perdi mais tempo e puxei o cordão que fazia um laço no "pescoço" do boneco. Quando vi, Sieghart havia sumido.
Realmente funcionou? Imagino se ele estará no inferno agora... Mesmo estando aliviada, algo me incomoda. Sua expressão ao ver o "espantalho" em minha mão foi suspeita. Ele estava assustado, como se soubesse o que estava para acontecer. E, também, percebi que ele tentou dizer algo enquanto eu desfazia o laço.
~ Em algum lugar desconhecido, com um grande rio ~
— Outra vez? — Uma garota remava uma canoa, acompanhada por um homem de cabelos negros, que tinha uma expressão de cansaço. Ele estava deitado na canoa. — É a terceira.
— Sim. E eu ainda tentei impedi-la... Há quanto tempo, Jigoku Shoujo. — O homem mudou de posição, sentando-se; era Sieghart. Ele olhou para a garota que remava. — Não... Ai Enma.
— É impressionante como esse lugar parece atrair você de todos os jeitos. — A garota olhava ao redor, depois voltando a encarar o homem.— Você parece calmo. Você tem essa reação desde a segunda vez. Não consigo acreditar que é a mesma pessoa que ficou desesperada, pulou no rio e tentou voltar nadando.
— Você não demonstra emoção, mas vou tomar isso como uma piada. — Ele riu, mas logo mudou para uma expressão pensativa.— Eu não pensei que isso fosse acontecer. Diferente das duas primeiras vezes, eu reconheci a descendente dela assim que a vi, mas passamos pouco tempo juntos... Apenas dois meses. O que diabos aconteceu, para que ela decidisse fazer isso? Eu tentei de tudo para ficarmos próximos como amigos, já que ela não acreditaria se eu dissesse que sou seu tetravô. Me diga, Ai, o que eu fiz de errado? — Ele deu um sorriso que parecia triste, e pôs-se a encarar a garota.— O que a motivou a fazer o mesmo a bisavó e a tetravó dela?
— Talvez você seja apenas irritante. As garotas não gostam de homens irritantes, não importando o parentesco. — Ela respondeu, friamente.
— Eh?! Mas eu só estava tentando ser legal... Uma pessoa admirável! — Sieghart tinha uma expressão de indignação.
— Você apenas estava sendo chato. Entenda isso. — A expressão da garota pareceu ficar mais fria.— Se você não percebeu isso nesses trezentos anos, vai continuar voltando aqui pelos próximos mil.
— Cruel... Você é cruel, Ai! — Sieghart sabia que a Jigoku Shoujo estava brincando com ele, mesmo que tivesse um tom sério; eles pareciam ter se tornado algo como amigos. Os dois ficaram em silêncio, até que a garota notou que se aproximavam do "portão".
— Você vai fugir outra vez? — Ela o encarou, com uma expressão que parecia mais séria que sua expressão usual.
— Sim. — O homem ficou de pé na canoa. Tinha uma expressão confiante e desafiadora.— Eu não pretendo desistir. Eu não lutei por cento e cinquenta anos para me deixar abater. Mesmo que, dessa vez, eu só consiga escapar depois de mil anos, eu continuarei tentando. Eu não mudarei quem sou... Eu continuarei encontrando as descendentes dela, até que alguma delas me aceite completamente.
— Você é muito problemático. — A garota suspirou.— Um humano que consegue lutar de igual para igual com "Ele" e escapou do inferno duas vezes... Eu gostaria de ter um poder assim.
Um vento quente atravessou os portões que se abriram à frente da canoa. Sieghart sentia-se cada vez mais eufórico. Cento e cinquenta anos lutando para voltar à vida; vinte e quatro anos procurando uma pessoa que poderia não estar viva na época. Quanto tempo demoraria dessa vez? Ele só sabia que, com certeza, ele sairia e encontraria o descendente da primeira pessoa que o amaldiçoou. Para ter vingança? Não. Ele não sabia ao certo o motivo, mas apenas queria estar com aquela pessoa. Ele era um idiota.
— Ei, Ai! — Chamou pela garota, ainda encarando os portões à sua frente.— Quando eu perceber que fui verdadeiramente aceito pelo descendente dela... Eu tirarei você e sua família daqui. Eu com certeza destruirei a sua maldição. — Ele olhou para ela pelo canto dos olhos, lançando um sorriso.
— Claro. — Ela desviou o rosto, pondo um discreto sorriso no rosto por uma fração de segundo.— Eu estarei esperando.
A canoa finalmente atravessou os portões, que fecharam-se e desapareceram logo em seguida.
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