Digimon Viral Crisis: Ascension
2 Capítulo 1: O Monstro Ogro
Notas iniciais
O dia mal havia começado. Passos apressados e galhos sendo quebrados já ecoavam ao redor da floresta, escurecida pelas copas das árvores, chamando a atenção de uma garota, enquanto ela caminhava por perto, acompanhada pelo digimon com um casaco de pele escura sobre seu rosto e costas.
“Parece que encontramos”, a voz do digimon ecoou em sua mente, algo que fazia quando achava um pouco de privacidade necessário. Silenciosamente, tão como lentamente, ambas caminhavam floresta adentro, seguindo cuidadosamente a fonte dos vários ruídos ao redor. Era como se houvesse sempre mais alguém para correr de algo.
–Está especialmente quieta hoje, Ritsu… –O digimon examinava os arredores por meio de olhares rápidos, em completo silêncio, andando um pouco a frente da garota, que suspirou devido a falta de resposta. –Você é impossível…
–Só quero acabar logo com isso e achar um lugar pra ficar o resto do dia. –A garota riu, e antes que pudesse pensar em dizer alguma coisa, o digimon continuou falando: –Antes que você tente, Juliann, é, eu poderia ter dormido, mas vamos colocar algumas prioridades, okay?
Nenhuma outra palavra foi dita, e as horas pareciam não passar naquele lugar, talvez por conta das árvores que bloquevam a luz do sol, ou a expectativa que ambas compartilhavam, de que algo fosse acontecer.
“Tem alguma coisa vindo”. O digimon parou, e olhou para a esquerda, pronto para o que vinha em sua direção.
“Como-” antes que Juliann pudesse continuar, rochas voaram por eles, destroçando algumas árvores no caminho, surpreendendo a garota, não por conta do surgimento súbito, e sim pela quantidade de rochas que passaram por elas. Somente um digimon em desespero lançaria um ataque tão feroz e rapidamente.
–Isso… –Juliann completou, quando as pedras pararam de surgir. –Okay, não esperava por isso…
Nem um minuto sequer passou, e passos apressados puderam ser ouvidos, se aproximando rapidamente. Mas, contrariando as expectativas, um digimon relativamente pequeno surgiu dentre as árvores, tentando reganhar o fôlego. O digimon, feito de pedras, olhava para as duas com certa admiração conforme se aproximavam, e antes que pudessem dizer alguma coisa, começou a falar.
–Você… –O digimon apontou para as duas, com uma respiração cansada. –Você é aquele digimon… Aquele BlackGabumon com X-Antibody que eu ouvi falar…
–As coisas se espalham fácil, por aqui… –Juliann murmurou, sendo ouvida somente por sua parceira. Ela se aproximou ainda mais do digimon que estava diante dela, com esperanças de que ele saberia onde o digimon que procuravam estava.– Gotsumon, o que aconteceu?
–Bem… –Começou, após recuperar seu fôlego. –Um Ogremon atacou nosso pântano do nada… Eu consegui escapar por sorte, mas… –Gotsumon suspirou, e, com um leve tom de pesar, continuou. –Não sei se os outros estão bem…
–Viu, te disse, Juliann. –BlackGabumon declarou, e caminhou pelo trajeto que Gotsumon fez para chegar ali. –Encontramos.
A garota não podia fazer outra coisa além de suspirar, e seguir sua parceira. E que parceira… Ela supôs que era natural que as coisas acabassem assim para elas. Fazendo a mesma que coisa que acabou matando seu pai, anos atrás, com certeza teria seus efeitos sobre ambas.
“Você deveria parar de pensar sobre esse tipo de coisa”, Julian olhou para o lado, relativamente surpresa com sua parceira. “Sabe, faz mal à saúde”, BlackGabumon riu, e continuou caminhando como se nada tivesse acabado de acontecer, fazendo com que Juliann desse um pequeno sorriso.
–Parece que um pequeno inferno já começou por aqui. –BlackGabumon mencionou após alguns minutes de uma caminhada rápida.
Elas haviam chegado no pântano que Gotsumon mencionara. Várias árvores foram arrancadas do chão junto de suas raízes, sendo lançadas a vários metros de onde originalmente estiveram. Certamente, não era nada como o pacífico pântano que deveria ser.
–Quem- Quem tá aí?! –Uma voz fraca, e com medo, perguntou, enquanto um Gotsumon saia de um dos arbustos próximos. –Nós… –Seguindo-o, outros apareceram da área ao redor, rapidamente se juntando, com óbvio medo do que ainda poderia acontecer a eles. –Nós já tivemos problemas o suficiente por hoje, vão embora!
–Não estamos aqui pra causar problemas, –BlackGabumon disse, em um tom frio. –Estamos aqui pra achar o arruaceiro.
–Vocês.. Vocês estão aqui pelo Ogremon…? –O Gotsumon olhou para os outros, atrás, e suspirou. –Bem, você tá um pouco atrasada, caçadora. Ele já foi, então eu sugiro que vocês procurem em outro lugar.
–Foi mal, mas não vai dar. –Juliann disse, em quase mesmo tom que BlackGabumon. –Esse pântano é a única coisa que temos, graças àquele Gotsumon que correu pra floresta.
Sua única resposta foi a aproximação dos digimons, e os olhares preocupados dos Gotsumons entre si, e para ela. Embora ele entendesse o motivo dessa ansiedade, isso a fez sentir-se desconfortável. Por que a menção de mais um Gotsumon do pântano em que todos eles vivem os deixaria tão… Nervosos? Ela pode, então, perceber o que estavam fazendo.
“Juliann, não to gostando disso…”
–Eu que me desculpo, caçadora, mas… –Um dos digimons deu um passo a frente, com olhar amedrontado, como todos os outros. –Não tem como nenhum de nós ter ido pra floresta... Nós… Estamos todos aqui.
–Ah… –Juliann suspirou, e olhou ao redor, encontrando um outro Gotsumon ao longe, embora algo parecia errado. Era como se ele não estivesse realmente ali. –Bem, isso é uma reviravolta que eu preferiria não ter que encarar hoje. –Ela não hesitou de tirar um par de facas de caça de um dos bolsos. A luta do dia estava a caminho, e mais próximo do que gostaria.
“É aquela coisa de novo, não é”, BlackGabumon questionou, tão preparada quanto podia estar. Juliann, por outro lado, respondeu com um mero balançar de cabeça, observando o Gotsumon, que rapidamente se transformara em uma nuvem de dados, e então, em uma criatura alta, de pele verde e cabelo cinza. A criatura se movia em direção as duas, com o bastão de osso que carregava erguido.
–Não acho que preciso dizer o que vocês devem fazer. –Juliann olhou rapidamente para o grupo de Gotsumons, que correram para os arbustos mais próximos. Ogremon bateu o bastão no chão, em uma tentativa falha de acertar Juliann e BlackGabumon. –As vezes, odeio o que faço...
–Não adianta reclamar agora. –O digimon riu, e saltou em direção ao ogro, lançando uma bola de gelo formada em sua boca. –Shadow Ice!
O digimon de pele verde rebateu o ataque, facilmente quebrando a bola de gelo em vários pedaços, embora isso tenha congelado parte da arma que carregava. “Já é alguma coisa”. Juliann se aproximou, lentamente e por trás, do Digimon, enquanto ele continuava a tentar acertar um golpe em seu oponente, sem perceber a aproximação silenciosa da garota, e o efeito que o gelo de BlackGabumon tinha sobre seu bastão.
–Hey, velhote! –Juliann exclamou, atraindo a atenção de Ogremon, e surpreendendo sua parceira. Asim que o ogro se virou para ela, a garota jogou as facas que segura firmemente, e, para sua própria surpresa, acertou o ombro e um dos olhos de Ogremon, o que fez com que o digimon urrasse de dor e balançasse o bastão congelado em torne de si, enquanto corria sem pensar, tentando acertar seus oponentes furtivos.
O bastão acertou diversas árvores, e a cada uma que atingia, se tornava um pouco mais danificada. Era o que Juliann esperava que acontecesse, embora ela agora tenha que fazer o seu melhor para desviar dos ataques de um Ogremon ainda mais furioso, e parcialmente cego. “Que raios de ideia idiota foi essa, Juliann”, BlackGabumon questionou, irritada e desviando dos ataques.
“Nem começa-”
–Argh! –Um mero momento de distração foi suficiente para que Ogremon acertasse um golpe em Juliann. O bastão de osso finalmente se quebrou por conta do gelo corrosivo que o havia atingido, mas contra o alvo errado. A garota foi lançada a vários metros de onde estava, quase para fora do pântano, mas atingiu um tronco de árvore no caminho.
–Juliann! –BlackGabumon chamou, dando um passo em direção a ela. Ogremon, largando o bastão agora quebrado, correu em direção ao digimon, atacando-o novamente, dessa vez com socos facilmente desviados. –Me dá um tempo!
–Essa deve ter sido a pior ideia que já tive toda minha vida… –A garota murmurou, usando o tronco que havia acertado para se levantar. –Eu definitivamente já cansei disso. –De um dos bolsos da jaqueta que usava, Juliann retirou um pequeno aparelho circular, e pressionou alguns dos botões. O aparelho emitiu um leve brilho, que parecia se refletir em BlackGabumon. –Ritsu!
O digimon simplesmente olhou de relance. Já sabia o que aquilo significava. “Já passou da hora”, BlackGabumon deu um sorriso discreto, e o aparelho estava apontado à criatura.
X-Evolution… BlackGabumon evolui para…!
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