Digimon: O Limiar de um novo mundo!
31 Capítulo 30 –Trevas Refletidas no Espelho
Notas iniciais
—Olá pessoal, hoje fui instruído à não enrolar muito e começar logo o capítulo que esta um “amor”, vamos descobrir porque –Disse o apresentador meio chateado por não poder fazer uma aparição digna de sua importância –Vamos direto para o capítulo!
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(...) I knew what I wanted; I went out and got it
Did all the things that you said that I wouldn't
I told you that I would never be forgotten
And all in spite of you (...) — Alive, Sia.
Quando a luz do portal parou de ofuscar seus olhos, os digiescolhidos e seus parceiros digimons viram milhares de rostos familiares: Os seus próprios.
—Bem, esse lugar não podia ter uma nome melhor do que País dos Espelhos –Disse Hawkmon dando de ombros e se olhando num espelho enorme –Minhas penas estão um luxo.
A cidade era enorme, uma verdadeira metrópole, mas todos os prédios eram feitos de espelhos de modo que era muito fácil se perder ou até mesmo enlouquecer naquele lugar.
—Como vamos achar a chave? –Perguntou Pink tentando se orientar.
—As chaves foram criadas por Homeostase, talvez nossos digivices possam sirvam para localiza-las –Sugeriu Stephen pegando o seu digivice, imediatamente um painel virtual se expandiu mostrando três pontos vermelhos, dois deles estavam juntos e outro estava ali perto –Acho que esses dois pontos somos nós dois, e esse último, ou é outro digiescolhido, o que é bem improvável, ou é a chave.
—Stephen, você é tão inteligente –Disse Pink apaixonadamente.
—Melhor irmos andando –Latiu Salamon.
Ali perto dois digimons surgem das trevas, um deles era uma linda e perigosa mulher, seus cabelos eram negros, assim como suas asas de morcego e sua roupa deslumbrante. Em sua mão direita usava o “Nazar Nail” um tipo de luva com dedos pontudos e fatais, dizem que corrói tudo que toca.
—Então esse é o País dos Espelhos? Deslumbrante, principalmente quando pode refletir a beleza da deusa das trevas –Ela disse fazendo poses para um espelho.
—Esta cheia de razão, Mestra Lilithmon –Disse um ser tenebroso cujo corpo se misturava com as sombras e seus braços gigantescos se moviam de forma fantasmagórica, seus olhos vermelhos esbanjavam maldade.
—Não seja puxa saco, Devimon. Vamos nos separar e procurar a chave, você vai por ali, eu vou pelo outro lado, assim que terminar de deslumbrar minha beleza.
Devimon revirou os olhos e desapareceu nas sombras. Lilithmon fazia parte dos quatro cavaleiros infernais e Devimon era seu braço esquerdo, não dizia direito, porque seu Nazar Nail era mais ameaçador do que qualquer parceiro digimon que ela pudesse arrumar.
Os digiescolhidos seguiam o sinal da chave pelo digivice enquanto jogavam conversa fora.
—Já que você invadiu minha mente, devia ter a cortesia de me contar algumas coisas sobre você –Disse Stephen fazendo a garota corar.
—O que quer saber?
—Não sei, me diz como é ser você. Afinal nós dois somos opostos, enquanto eu vivi praticamente sozinho, você desfrutou de uma família de digiescolhidos –Havia angustia naquelas palavras.
—Bem, meus pais sempre foram super protetores, mas eu sou a filha responsável, o Bucky que é o problemático. Ele sempre teve essa mania de grandeza e de chamar todo mundo de escravo e...
—Para –Mandou Stephen revirando os olhos.
—O que foi?
—Eu pergunto sobre você e acaba se tornando uma redação sobre o Bucky? Ele grita, literalmente, sua personalidade. Estou mais curioso em saber sobre você, sobre quem é a Pink.
Aquilo pegou a telepata de surpresa, normalmente quando se descrevia se comparava com seu irmão. Mas quem ela era? Quem era a Pink?
—Eu... Gosto de yaoi.
—Bom, isso já percebi –Stephen respondeu dando um meio sorriso que desarmou a garota a deixando mais a vontade –Prossiga.
—Gosto de escrever.
—Sério? Eu adoro ler –Os dois pararam de andar e se olharam como se o tempo tivesse parado.
—Gosto de contar histórias, mas minha plateia costuma ser um diário e não pessoas.
—Minha vida tem sido tão difícil, que gosto de ler e ver a vida de outras pessoas ao invés de encarar a minha. Qualquer dia desses gostaria de ler uma de suas histórias.
—Seria ótimo –Então ela se lembrou do tempo que tinha uma quedinha pelo garoto caladão da escola e de uma história de amor que escreveu sobre os dois, ela ficou toda vermelha. “E se ele lesse a história que escrevi sobre nós dois?! E aquela parte +18 da gente se agarrando numa biblioteca?”. Quando deu por si já estava gritando histericamente.
—O que foi? –Perguntou Stephen.
—Pessoal, cuidado! –Avisou Salamon. Devimon surgiu das sombras e agarrou Pink.
—Incrível como você sentiu minha presença –Disse Devimon para a garota –Mas seu grito de alerta não foi rápido o suficiente.
—Grito de alerta? –Ela perguntou confusa e então entendeu que eles estavam pensando que seu grito envergonhado ao lembrar de um hentai que escreveu dela com o Stephen era na verdade um grito por ter pressentido o inimigo –Oh, sim, claro! Senti seu fedor vilanesco!
—Largue ela agora mesmo! –Gritou Hawkmon.
—Claro, assim que fizer isso: Toque do Demônio! –As garras do digimau chegaram ao coração da garota que grita em agonia.
—Pink!
Ela é largada no chão e cai de joelhos, Stephen corre até ela e segura seus ombros.
—Você esta bem?
—Tem algo errado comigo, eu...
Tudo ficou escuro o mundo desapareceu, Pink se viu sozinha num quarto escuro.
—O quê? Stephen! Hawkmon!
—Eles não estão aqui –Ela se virou e viu alguém conhecido.
—Bucky? O que esta fazendo aqui?
—Eu estou em todos os lugares, afinal sou o protagonista.
—Não temos tempo para sua mania de grandeza. Nossos amigos estão sendo atacados por um Devimon!
—Você ainda com essa história de grandeza? Eu não tenho esse problema queridinha, você que é medíocre de mais para ser relevante.
—O que?
—Ninguém nunca se lembra de você, eu sou o protagonista e você é apenas definida como a irmã sem graça do herói.
—Isso não é verdade, eu... –Ela se lembrou de que sempre que tentava falar sobre si mesma não encontrava nada interessante para contar –Eu sou uma poderosa telepata e...
—Até seu poder diz respeito às outras pessoas, as ideias e lembranças dos outros. Você sozinha não é capaz de nada.
No País dos Espelhos Stephen sacudia os ombros de Pink que parecia em transe.
—Eu sozinha não sou capaz de nada.
—Pink, sai dessa! Acorda!
—O que você fez com ela?! –Hawkmon gritou para Devimon que gargalhava.
—Mergulhei seu coração nas trevas! –Os olhos de Pink brilharam em fúria.
—Destruir! –Uma poderosa onda de energia mental lançou Stephen, Salamon e Hawkmon longe. O garoto bateu contra um espelho que se parte em pedaços.
—Salamon, Hawkmon, vocês cuidam do Devimon! Eu vou tirar a Pink dessa! –Mandou Stephen.
—Confio ela à você, Stephen! Pena Ninja! –Hawkmon lançou a pena de sua cabeça contra Devimon que a desvia facilmente com uma das mãos.
—Stephen me dê seu poder! –Gritou Salamon.
—Esta na hora de BlackTailmon aparecer! –Disse o garoto sacando seu digivice que brilha.
—Salamon digivolve para... –O digivice negro de Stephen brilhou mudando de cor.
—O quê? –Seu digivice agora era branco. Ele olhou surpreso para gata branca com luvas verdes que sua parceira se tornara.
—Tailmon! –Ela mesma ficou surpresa –Minha forma esta diferente.
—Eu entendi! –O garoto sorriu e se voltou para Pink –Veja Pink! Eu consegui expulsar as trevas do meu coração! Se eu fiz isso, você também pode!
—Soco de Gato! –Tailmon atacou Devimon e os dois caíram dentro de um prédio através de espelhos. Hawkmon voou atrás deles.
Stephen ficou sozinho com Pink. “Tenho que faze-la sair dessa!”.
—Pink, você tem que...
—Raio Lazer! –Raios cor de rosa saíram dos olhos dela direto até ele.
Ele se joga de lado, por um segundo pensou que o espelho fosse refletir o ataque, mas na verdade foi feito em pedaços.
Na mente de Pink, o quarto escuro começou a encher de água negra que já estava na altura de seus joelhos.
—Você sempre esteve sozinha –Disse Bucky –Mesmo em nossa casa cheia e animada você sabe que sempre foi deixada para trás.
—Pink –Disse uma mulher aparecendo do nada ao seu lado com uma Floramon.
—Mamãe?
—Você viu o Bucky? Ele esqueceu de colocar o colar! Acredita nisso? Aquele garoto ele... –Ela saiu andando e sumiu na escuridão.
—Pink –Dessa vez era seu pai seguido por Wizardmon –Você viu o Bucky? Hoje é a noite dos homens! Vamos sair para muita diversão masculina!
—Eu também gostaria de ir, papai.
—Não seja tola. É a noite dos homens –Ele se foi.
—Por que vocês nunca perguntam como eu estou? Por que tudo é sempre sobre o Bucky –A água continuava a subir, agora já estava na altura de seu umbigo –Eu...
Pink viu sua família as vezes rindo, outras brigando, mas sempre com o Bucky, ela só ficava ali sentada rindo, apagada. Nas saídas com os amigos, todos sempre prestavam atenção no enérgico Bucky. Com as garotas seu papo quase sempre era sobre yaoi, mas quando a conversa ficava mais pessoal...
—Meu sonho sempre foi ser marinheira! –Dizia sua prima Lucy que sabia o que queria.
—Meu pai não sai da minha cola! –Reclamava Kitsu de seu pai presente e super protetor.
—Eu queria saber o que quero ser, eu queria ter alguém que me amasse tanto que nunca me abandonasse, mas... Eu sou tão vazia que ninguém se importa –A água já estava em seu pescoço.
No País dos Espelhos Stephen estava tendo problemas para desviar dos ataques de Pink sem ter que machuca-la.
—Pink, escute minha voz!
—Destruir! –Uma ventania fez os prédios tremerem e espelhos racharem.
—Tive uma ideia, espero que funcione! –Stephen correu diretamente em direção da garota que lhe ataca com raios oculares –Espada de Órion! –Ele convoca sua espada de lâmina negra e percebe que agora ela era branca e ao invés da aura vermelha, exalava uma azul, mas não parou para contemplar isso. Ele barrou o ataque dela e continuou avançando, quando chegou perto atacou –Lâmina da Perdição!
Pink vacilou desviando e ela a agarrou, quando ela estava prestes a gritar sua frase robótica: “Destruir!”, ele selou seus lábios com um beijo.
Pink estava se afogando num rio de trevas.
—Eu não sou nada, ninguém me ama, ninguém nem se importa, ninguém... –Ela se assusta ao sentir alguém puxar seu braço.
—Pink! Você precisa sair dessa!
—Stephen?
—Expulse essas trevas de seu coração!
—Você fala como se fosse fácil, senhor Órion, o cavaleiro negro. Quem você pensa que é para falar em combater as trevas?
—Veja isso –Ele lhe mostrou seu digivice.
—Esta branco? –Ela perguntou confusa.
—Eu mudei! Graças à você consegui enxergar minha luz! Consegui deixar o desejo por vingança para trás! Graças à você posse seguir um novo caminho.
—É possível vencer as trevas?
—Sim, é!
—Mas isso é porque você é forte, eu sou fraca, não sirvo pra nada, eu...
—Fraca? Você é a digiescolhida mais poderosa.
—O quê?
—Eu te admiro, você não só me derrotou em batalha, como não desistiu de me mostrar a luz, você veio até minha cela, me confrontou! Você é corajosa, divertida e nunca desiste dos seus amigos.
—Você consegue ver tudo isso em mim?
—Você é incrível, Pink. Só precisa enxergar isso em si mesma.
No País dos espelhos Tailmon e Hawkmon foram arremessados e saíram bolando machucados. Devimon saiu de um buraco nos espelhos e viu os digiescolhidos com os lábios grudados.
—O que eles estão fazendo?
—Stephen?
—Pink?
—Vou destruí-los de uma vez por todas. Contrato Infernal!
O quarto na mente de Pink mudou, Stephen se viu diante de uma enorme estatua de uma garota.
—Que lugar é esse?
—Quando fomos nomeados digiescolhidos, nos levaram até o coliseu, lá havia 12 estátuas, cada um de nós escolheu uma delas. Essa foi a minha, Sora Takenouchi –A estátua diminuiu até assumir a forma da lendária digiescolhida.
—E você ainda lembra o que eu lhe disse?
—Que o verdadeiro poder de um digiescolhido brilha quando ele descobre o sentimento que o move.
—Acho que você já descobriu qual é o seu –A digiescolhida sorriu e desapareceu.
—O sentimento que me move? –Stephen segurou sua mão.
—Você não esta sozinha, nem tão pouco é medíocre, você é forte e destemida.
—Eu não estou sozinha?
—Nós estamos com você –Disse Hawkmon e todos os outros estavam lá.
—Amigos?
—Nós sempre estaremos com você, escrava! –Disse Bucky sorrindo –Eu te amo irmãzinha chata.
Pink voltou à si bem à tempo de ver o ataque de Devimon quase os atingindo.
—Meu sentimento é o amor!
Houve uma explosão de luz, o ataque de Devimon se desfez em dados. O digimau protegeu os olhos ofuscado por aquele brilho.
—Ela se libertou do meu Toque do Demônio?
—Hawkmon digivolve para... Aquilamon! –O parceiro da garota que antes estava exausto, agora sentia energia transbordando seu corpo –O poder do amor da Pink me faz me reerguer! Ela é capaz de fazer as pessoas enxergarem o que há de melhor nelas! Eu sempre pensei que era um zé ninguém sem importância e ela me fez ver meu próprio valor!
—Isso mesmo! –Exclamou Stephen –Esse é o seu dom, Pink. Nunca se sinta sozinha ou sem importância, você nos aqueceu com o seu amor, deixe-nos retribuir esse sentimento.
Pink quase chorava de emoção, ela era amada, ela fazia todos se sentirem melhor, dessa vez precisava canalizar aquela energia para si mesma.
—Vamos nessa, Aquilamon!
—Rajada Cortante!
—Luz do Amor!
Devimon gritou ao ser atingido por tamanho poder e se desmanchou em dados sem ter a chance de lutar. Os digiescolhidos comemoraram se abraçando, só então se lembraram de seu beijo e se afastaram envergonhados.
—Obrigada por me tirar daquele lugar escuro.
—Você fez o mesmo por mim, então nada mais justo que retribuir.
Continua...
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—Esses dois são um amor juntos! Sem trocadilhos com o sentimento da Pink –Disse João tomando um drink –Por hoje é só, mas não sintam minha falta, no capítulo seguinte volto ao meu corriqueiro estrelato! Então Kissus no heart e até breve.
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