—Bom dia pessoal! Esta começando mais um programa Digimon! No capítulo anterior vimos o treinamento de quatro dos digiescolhidos, nesse veremos o dos outros dois, mas fui avisado que teremos uma perspectiva diferente e a introdução de um novo personagem. Não tenho muitas informações a respeito, pois ainda não assisti. Hoje pretendo manter uma postura profissional, então vamos ao capítulo! –João sentou-se na poltrona e colocou os pés sobre a mesa enquanto no telão o capítulo tinha início –Produção, me trás pipoca –Ele cochichou.

Na sede da União...

—Aquele gótico me paga! –Linz gritou jogando um monte de arquivos no chão –Ele mandou seu filho roubar meus digiescolhidos!

—Fique calma, senhorita Linz –Alice tentava acalma-la.

A líder da equipe vermelha da União estava revoltada, pois cabia à sua equipe treinar os digiescolhidos, mas Dead fez com que seu filho praticamente sequestrasse os novatos.

—E aquele fugitivo do hospício nem preenche os relatórios corretamente! Olhe Alice! Na parte de observações ele desenhou corações e escreveu: “Afrodite e Live forever”! Me diz por que não posso ir lá agora mesmo e explodir tudo? –Os olhos da líder vermelha literalmente entraram em chamas.

—Acalme-se, se fizer isso vai começar uma verdadeira guerra civil! E você é a mais sensata dos líderes.

—Nisso você tem razão –Disse Linz se estirando na poltrona –É melhor voltar ao trabalho. Envie o pedido de novos relatórios ao Live pelo correio Pyomon.

—É pra já.

Alice saiu feliz daquela sala, era muito raro ver a líder vermelha sair do sério, mas nas raras vezes que isso acontecia, era um deus nos acuda. Ela levou o documento até o correio Pyomon e encontrou uma sala vazia.

—Que estranho, nunca vi essa sala vazia.

—É aniversário da Pyomon 33 –Disse uma voz masculina atrás de Alice, ela se vira e vê um digimon pássaro de corpo vermelho, cabeça branca com uma pena na ponta que lembrava o estilo indígena.

—Um Hawkmon?

—Sim e adivinhe quem não foi convidado pra festa de Pyomon? Isso mesmo, euzinho, e ainda dizem que não são racistas.

—O que faz aqui no correio Pyomon?

—Trabalhando é claro.

—Mas é correio Pyomon.

—Você já ouviu falar de crise econômica? Não esta fácil pra ninguém. Eu estava precisando de um emprego urgente e consegui uma vaga aqui no correio da União. Mas nunca pensei que seria tão discriminado por ser de outra espécie –O digimon pássaro parecia bastante chateado, cruzando as asas e fazendo biquinho, se bem que ele naturalmente já tinha bico.

—Você vai se enturmar. Tome, entregue essa correspondência –Hawkmon pegou o envelope e viu o trecho de assunto: “Treinamento dos digiescolhidos”.

—Sabe, um primo meu de quinto grau foi parceiro digimon de uma digiescolhida, a Yolie.

—Pyomon também –Hawkmon fechou a cara para a velha .

—Pyomon! Pyomon! Tudo é Pyomon! Já vou indo fazer a entrega! –Ele saiu voando resmungando e a idosa riu.

—Gostei dele.

Um mês atrás Hacko e Hayaki chegaram à uma floricultura.

—Esse é o endereço certo? –Perguntou o amante de máquinas, sem imaginar como treinaria suas habilidades naquele lugar.

—Só vamos saber se entrarmos –Respondeu Hayaki abrindo a porta.

—Bom dia, em que posso ajuda-los? –Os garotos ficaram boquiabertos pela beleza do atendente, o reconheceram imediatamente do quadro no escritório de Live, mas ver Afrodite pessoalmente era um colírio para os olhos.

—O-o-olá –Gaguejou Hayaki.

—Live nos mandou aqui –Disse Hacko tomando a frente –Somos os novos digiescolhidos, ele disse que você nos treinaria.

—Nossa, que direto. Prazer em conhecê-los. O Livizinho me mandou uma mensagem avisando de sua chegada. Espero que não pensem que pegarei leve com vocês, só por que são bonitos –Ele deu uma piscadela que fez Hayaki engolir em seco e Hacko fazer uma cara confusa –O esquema é o seguinte, no horário comercial vocês vão me ajudar na floricultura e a noite eu lhes darei um treinamento especial.

Os garotos não gostaram muito da ideia, pensavam que treinariam o dia inteiro, mas não tiveram escolha, um pedido de Afrodite era uma ordem. E assim se passaram semanas, de dia adubavam plantas, montavam arranjo de flores, atendiam clientes. Hacko teve muita dificuldade, mas Hayaki parecia ter nascido pra isso, tudo que ele tocava florescia, seu sorriso cativava os clientes e causava palpitações no Hacko. “Como ele consegue ser tão adorável? Seu sorriso é como a luz do sol, aquecendo tudo à sua volta, seu olhar é como um belo arranjo de flores que atraí minha atenção e sua boca... Por algum motivo me dá sede”.

O dia numa loja já era cansativo, mas era nos tais treinamentos especiais que o bicho pegava.

—Rosas Piranhas! –O que Afrodite tinha de belo, tinha de implacável, várias vezes os garotos saíram feridos ou pelo menos traumatizados.

—Ele é tão assustador –Confessou Hacko.

—Já entendi por que o Live é bipolar –Choramingou Hayaki.

Quando enfim podiam descansar era um alívio. Eles dividiam um quartinho nos fundos do quintal da casa de Afrodite. Mesmo tendo uma loja na cidade, Afrodite preferia morar no campo, segundo ele, gostava de apreciar a beleza das flores brilhantes do céu, as estrelas. Os garotos tinham que tomar banho num chuveiro no quintal, mesmo tendo um banheiro de luxo com uma banheira que parecia uma piscina na casa principal! Afrodite dizia que a simplicidade do quartinho dos fundos era essencial para seu treinamento, mas os garotos achavam que era pura maldade dele.

—Vou tomar banho primeiro –Disse Hayaki pegando sua toalha.

—Eu estou morto de cansaço, por favor me deixe tomar banho primeiro, quero dormir! –Choramingava o amante das máquinas.

—Você foi primeiro ontem!

—Não seja mau, Hayaki.

—Talvez... –Hayaki pensou bem na proposta que estava prestes a fazer –Talvez possamos tomar banho juntos.

O rosto pálido de Hacko enrubesceu, ele olhou timidamente pro lado. Hayaki se arrependeu do que sugeriu.

—Talvez... Você tenha razão –Disse Hacko –Assim é mais prático e... Economiza água.

Sendo assim eles foram para o quintal, era estranho caminharem em silêncio, mas os dois estavam morrendo de vergonha. “Por que estou me sentindo desse jeito? Sinto como se fosse explodir!” Pensava Hacko. “Meu Deus ele topou mesmo! Calma, são só dois amigos tomando banho juntos, nada de mais” Pensou Hayaki.

Chegando ao chuveiro começaram a se despir, Hacko estava de costas para Hayaki que não conseguia tirar os olhos daquelas costas pálidas, quando o primeiro ficou só de cueca, o segundo virou a cara envergonhado. Os dois estavam só de cueca e de costas.

—Vamos entrar –Hacko quebrou o silêncio.

—Sim, vamos.

Os dois não tiraram as cuecas e entraram assim no cercado de madeira que servia de paredes. O chuveiro era forte e a água relaxante, era muito agradável olhar para cima e ver o céu estrelado enquanto seu corpo era banhado. O lugar era meio escuro não permitindo ver muito bem da cintura pra baixo, de certo modo aquilo os deixou mais confortáveis.

—Pode esfregar minhas costas? –Pediu Hayaki.

—Claro –Hacko massageava as costas dele com o sabonete, a pele bronzeada do outro era tão bela e macia que o agradava muito tocá-lo. Ele desceu as mãos ensaboando as costas até chegar ao tecido da cueca e então prestou atenção no traseiro do amigo –Nossa, nunca tinha percebido como sua bunda é grande e bonita.

—O quê?! –Hayaki exclamou surpreso e se virou de frente para o outro –Você acaba de elogiar a minha bunda?

—Me desculpe! Não sei por que disse isso! –Hacko ficou completamente nervoso –É que quando estou com você as vezes falo sem pensar –Ele ficou tão desconsertado que apertou a mão e o sabonete escapuliu caindo entre eles, sem pensar duas vezes Hacko se abaixou e sua inteligência foi inútil nessa situação, o ambiente era apertado e ao se abaixar ele acabou esfregando a cara na virilha de Hayaki e se surpreendeu ao sentir o órgão dele duro em seu rosto.

Hayaki se afastou se encostando ao máximo na parede de madeira, Hacko apanhou o sabonete e se levantou, com a outra mão tocou no próprio rosto no local onde acabava de acontecer aquele estranho contato.

—Me desculpe! Me desculpe! –Pedia Hayaki.

—Não, foi minha culpa, eu que me abaixei sem pensar.

—Eu não devia estar assim –Disse Hayaki cobrindo-se com as mãos.

—Não foi algo ruim –Disse Hacko sem pensar e deixando o outro chocado –Sabe, passei a maior parte da minha vida interagindo apenas com máquinas, meus pais são cientistas, especialistas em robótica, fui cuidado por babás robôs, ensinado por computadores humanoides, faz pouco tempo que finalmente comecei a frequentar uma escola normal. Então... Não sou muito acostumado com contato humano.

—Desculpe se invadi o seu espaço.

—Não foi o que eu quis dizer. Pelo contrario! Gosto quando você me toca, você tem mãos quentes, tem um cheiro doce que me atrai, gosto de sua voz e de como nunca sei o que vai acontecer quando estou ao seu lado. Fico pensando, será que o Hayaki vai me chamar por um apelido diferente hoje? Como o Hayaki pode ser tão bom com as pessoas? Ele parece o sol.

Hayaki ficou boquiaberto com as palavras do outro, Hacko falava tão inocentemente que nem se dava conta que estava praticamente se declarando.

—Resumindo: Eu gosto quando você me toca Hayaki, então nunca se afaste de mim –Hayaki deu um passo a frente e depois outro de modo que seus rostos estavam muito próximos, ele se inclinou e seus corpos se encostaram fortemente, pois o naturalista abraçou o amante das máquinas.

—Eu gosto muito de você Hacko, não vou mais me desculpar quando te tocar.

—Obrigado –Hacko sorriu –Estou sentindo que você ainda esta... Duro.

—Desculpe –Disse Hayaki, mas sem se distanciar, nem mesmo quando seu pênis pulsou dentro de sua cueca molhada prensado ao corpo do colega.

—Você disse que não ia se desculpar.

—Desculpa! Ops! –Os dois riram e continuaram seu banho.

Nas semanas seguintes, eles treinaram muito, venderam muitas plantas, riram muito, gritaram e aprenderam novos ataques, algumas vezes tomaram banho juntos, chegaram até a parar de usarem cuecas nessas horas, pois era desnecessário molhar uma peça de roupa.

Atualmente, Live estava almoçando com Miwa e os outros quatro digiescolhidos, estes comiam feito animais.

—Minha gente, a comida não vai escapar não –Live os repreendeu.

—Eu estava há 3 dias sem comer nada meditando num buraco! –Gritou Pink furiosa.

—Olhe pelo lado bom, agora você já consegue usar seus poderes para voar.

—Eu devia te matar, seu psicopata maluco! –Todas as facas e garfos levitaram e se posicionaram ameaçadoramente próximos ao rosto de Live.

—Quer mesmo lutar comigo e perder o almoço? –Pink fez uma cara pensativa e depois os talheres voltaram para seus donos e todos voltaram a comer.

—Meu Deus que sopa maravilhosa! De quê é? –Perguntou Bucky bebendo uma tigela sem nem mastigar.

—Isso é... Miojo –Confessou Miwa que comia calmamente.

—E essa salada? Esta incrível! –Exclamou Kitsu.

—É só tomate e alface –Disse Miwa sem entender todo aquele alvoroço por sua comida.

—Estamos com tanta fome que isso parece o melhor banquete do mundo! –Concluiu Lucy mordendo uma enorme cocha de frango.

—Correio Pyomon chegando na área! –Gritou um pássaro enorme entrando voando pela janela e jogando o envelope no colo de Live.

—Mas você é um Hawkmon –Comentou Live.

—Oh não diga sabichão! Sempre pensei que eu era na verdade um Angemon! Deve ser por que ambos temos penas –O pássaro debochou sarcasticamente arrancando risadas dos digiescolhidos.

—Mesmo amando rosa, sempre achei muito sem graça o correio só usar Pyomon –Disse Pink –São tantos digimons que voam que mereciam essa chance de emprego –Hawkmon se virou para garota com os olhos brilhando.

—Sério mesmo que você pensa assim?

—Claro! Achei super legal receber uma correspondência entregue por um Hawkmon!

—Dá aqui um abraço! –O digimon pássaro se jogou na garota que gargalha com o abraço do digimon.

—Mas a correspondência é pra mim –Comentou Live baixinho enquanto a garota ria a beça com o abraço do digimon –Deixa pra lá.

—Você quer alpiste? –Perguntou Bucky.

—Que alpiste o quê? Quero é essa cocha de frango! –Ele agarrou uma cocha da mão do Bucky e começou a devorar.

—Ei! Isso é canibalismo!

—Eu sou um digimon e não uma galinha, então foda-se!

—Ele é tão engraçado! –Gargalhava Pink.

—Melhor eu ir indo. A vida de carteiro é muito difícil.

—Imagino –Concordou a rosinha.

—Boa sorte no treinamento digiescolhidos. Ei! Um primo meu de quinto grau já foi parceiro de uma digiescolhida chamada Yolie.

—Que legal! –Exclamou Pink realmente animada.

Depois de muitas risadas Hawkmon finalmente partiu, dessa vez muito sorridente. Os digiescolhidos tiraram um bom cochilo e voltaram ao treinamento. Alguns dias depois Hacko e Hayaki se juntaram a eles, Afrodite tinha mandado uma carta para Live por eles, então o desequilibrado ficou trancado no escritório lendo e relendo apaixonadamente a carta, enquanto os seis digiescolhidos voltaram a treinar, dessa vez todos juntos.

No digimundo, HiAndromon, o digimon androide guerreiro, tinha formado uma legião e agora explicava seu plano de ataque. Zamielmon, o digimon duende arqueiro, ouvia tudo atentamente e até fazia anotações como se estivesse numa turma de pré-vestibular. Stephen estava num misto de sentimentos, ele não gostava nada do HiAndromon, mas podia sentir o perigo e o poder que aquele digimau emanava.

—Ainda bem que estamos do mesmo lado –Ele cochichou para Salamon, sua parceira digimon.

—Não se preocupe, Stephen. Se um dia precisarmos enfrenta-lo, tenho certeza que ganharíamos dele se lutássemos juntos! –Stephen sorriu sem muita confiança.

—Alguém tem alguma pergunta? –Perguntou HiAndromon e Zamielmon sacudiu a mão freneticamente –Diga, Zamielmon.

—Será que enfrentaremos os digiescolhidos nesse ataque?

—Meus informantes me disseram que eles estão treinando fora da União, então é pouco provável que os enfrentemos. Ainda assim, se eles aparecerem será ainda melhor, será como matar dois humanos com um tiro só.

O digimau riu, os preparativos para o grande ataque a cede da União estavam quase completos. Era questão de poucos dias para a batalha sangrenta ter início.

Continua...

—Gente, o que foi isso? –Perguntou João de boca aberta.

—Gente, o que foi isso? –Perguntou Kayo, a maquiadora, passando pó no ar ao invés de no rosto do apresentador.

—Gente, o que foi isso? –Perguntou Taki chocado.

—Gente, o que foi isso? –Perguntou até mesmo o diretor que subiu ao palco.

—Adorei as cenas yaoi desse capítulo! –Gritou João girando –Fiquei tipo: Beija logo! Façam um esfrega-esfrega nesse banheiro ao ar livre!

—Você esta exagerando –Disse o diretor limpando o nariz com um lenço.

—Sério? E por que você esta limpando esse sangramento nasal –Caso não saibam, nos animes quando um personagem tem um sangramento nasal é por que esta excitado.

—Eu... Eu... Eu tenho sinusite –Disse o diretor dando uma desculpa esfarrapada.

—Nem venha com essa! Deixe-me ver se sua cueca esta babada!

—Oxe!? Saí daqui, João! Se afasta de mim! –O diretor saiu correndo e o apresentador foi atrás deixando Taki e a Kayo no palco.

—É... Bem, no próximo capítulo o grande ataque tem início. Se preparem para batalhas incríveis! –Anunciou Taki fazendo o trabalho de seu namorado.

—Vamos ter muito trabalho para filmar todas aquelas lutas! –Se queixaram os câmeras-men, a galera do Host Clube.

—É a vida. Como disse o Hawkmon, nessa crise financeira não esta fácil pra ninguém. Então até o próximo capítulo –Taki tossiu limpando a garganta e falou imitando João –Kissus no heart!