No palco a equipe de maquiagem, formada apenas pela habilidosa Kayo, dava os retoques finais na maquiagem de João. Kayo saiu animada passando pela equipe de filmagem, a galera do Host Club, e lançou uma piscadela para Mori que mantem a postura de durão.

—Bom dia meu povo lindo! –Gritou João ao som de aplausos –Depois do especial dos bastidores estamos de volta com a continuação da fic! Dessa vez não vou enrolar muito, por que o capítulo esta bem longuinho e tenho certeza de que estão curiosos para saber o que o Bucky e seus amigos vão encontrar na tal Clínica. Então de olho no telão!

Depois de serem nomeados oficialmente como digiescolhidos Bucky e seus amigos deram início ao seu treinamento e se saíram muito bem em seu primeiro desafio. No entanto foram atacados pelo cavaleiro negro, Orion, e quase foram aniquilados, Lucy não conseguiu lutar, pois não havia água por perto para que usasse seus poderes, Hacko fez rápidas analises, mas na pratica não fez nada, os ataques de Bucky, Hayaki e Pink foram inúteis. Por pura sorte, os poderes de Kitsu salvaram o dia, ela possui o poder da luz sagrada que é o ponto fraco de Orion. A batalha terminou em empate, mas deixou o gosto amargo de derrota.

Na manhã seguinte os seis se encontraram mais animados, tinham combinado de encontrar o tal filho do Dead.

—Ele deve ser gótico das trevas que nem o pai –Debochou Bucky.

—Estou mais preocupado com o fato dele ter ficado internado numa clínica psiquiátrica –Comentou Hacko.

—E o que será que ele pode nos ensinar? –Perguntou Hayaki.

—Só tem um jeito de descobrir –Concluiu Kitsu.

Eles chegaram ao endereço entregue por Dead.

—É aqui?! –Perguntou Pink. Estavam em frente à um prédio que parecia abandonado, suas paredes cor de rosa estavam desgastadas, as janelas quebradas, num letreiro se lia: “Clínica de Reconciliação de Casais”. Mais em baixo um aviso: “Aceitamos todos os tipos de casais, seja hétero, yaoi, yuri ou hentai”.

—Nunca vi uma clínica voltada para unir casais –Comentou Hacko chegando em seu celular.

—Já que chegamos até aqui, vamos entrar gente! –Exclamou Kitsu abrindo a porta do lugar.

—E lá vamos nós de novo.

—Oh de casa!

A tal clínica tinha seu interior completamente diferente do aspecto de local abandonado que era o lado externo. Era organizado e totalmente limpo, a área de espera para os pacientes possuíam luxuosas poltronas roxas, uma gigantesca TV, no teto um lustre iluminava o local.

No balcão da recepção se encontrava a secretária que aparentava ter entre 10 à 12 anos, de feições sérias, pele clara e cabelos longos e roxos, que se mantinha concentrada lendo uma revista. “Eu devo fazer uma denuncia sobre trabalho infantil?” pensou Hacko à respeito.

—Com licença? –Disse Pink tentando chamando a atenção da menina –Você poderia dizer se o Live ou algum outro responsável por esse lugar está aqui?

—Você esta falando com a outra pessoa responsável –Respondeu a pirralha mascando chiclete e olhando a Pink da cabeça aos pés com olhar de desdém –Meu nome é Miwa... Vocês tem hora marcada?

—É claro que temos, queridinha! –Mentiu Kitsu apoiando o braço no ombro da Pink enquanto lançava seu melhor olhar de barraqueira para a atendente mirim –Viemos em nome do Dead. Você sabe, um dos três líderes da União, a maior organização do mundo.

—Não preciso procurar! LIVE! TEMOS PACIENTES! –A garota mudou de atitude muito rápido, pelo jeito o Dead era tão durão quanto parecia.

Uma porta se abre e dela sai um jovem que fez todos os digiescolhidos ficarem boquiabertos. Se aquele era mesmo o Live, ele era o oposto do pai, ao invés de emanar escuridão, este era a definição de beleza e sensualidade, ele tinha altura mediana, olhos azuis brilhantes, usava um óculos que lhe davam um ar fofo e intelectual, seus cabelos eram cor-de-rosa, lisos e curtos, sua pele clara como um bolinho de arroz. Vestia uma camisa de manga longa e uma calça moletom. Bucky corou, não sabia explicar, mas estava se sentindo intimidado pela presença daquele rapaz.

—Miwa, eu já mandei você bater na porta ao invés de me chamar aos gritos feito uma louca!

—Vai mesmo falar de loucura comigo? Logo você...

—Se gosta do seu emprego é melhor não terminar essa frase, mocinha! –Ele se voltou para as crianças –Perdoem a minha secretária! Ela só está aqui há um mês. Eu sou o doutor Live. Pelo visto vieram para uma consulta em grupo, posso fazer um preço promocional pra vocês. Vocês são três casais ou são adeptos do poli amor?

—Na verdade, senhor, nós viemos... –Começou Hayaki a explicar.

—Vamos continuar essa conversa no meu consultório, sigam-me!

O consultório era completamente branco, desde as paredes, o chão e todos os moveis ali dentro. Lembrava um quarto de hospício, só que muito chique. Numa das paredes estava pendurado uma foto enorme de uma mulher de cabelos azuis, lábios rosados e olhos claros, ela estava segurando um vaso de flores.

—Que mulher bonita –Comentou Bucky.

—Mulher? –Perguntou Live confuso sentando-se em sua poltrona, depois olhou para o quatro e entendeu –Oh, você esta se referindo ao Afrodite, na verdade é um homem.

—O quê?! –Bucky ficou corado, mas todos os outros também ficaram surpresos. O futuro governante do mundo, segundo ele mesmo, ficou chocado ao ver um homem tão bonito e ainda por cima era mais belo do que qualquer mulher que ele já vira na vida, até mesmo do que as artistas de TV.

—Fiquem a vontade –Disse Live apontando para o divã, os digiescolhidos se sentaram –Me falem sobre os seus problemas amorosos! Vocês são os primeiros pacientes que eu atendo desde que sai do hospício!

—Pergunta –Disse Pink levantando a mão, suas bochechas estavam rosadas e os cantos dos seus lábios ameaçando formar um sorriso –Qual é sua relação com aquele homem da foto? –A fanática por Yaoi ataca novamente.

—Você quer saber o que eu tenho com o Afrodite? –A expressão alegre do médico mudou completamente, sua alegria foi drenada deixando-o com um enorme ar de depressão –Digamos que protagonizamos uma história de amor. Pode-se dizer que ele é o amor da minha vida.

—Kyaaaaa! –Gritou Pink animada –Que fofo! Que fofo! Que fofo!

—No entanto –O olhar abatido do médico pareceu congelar em fúria. Ele sacou uma faca do bolso e arremessou contra a parede. As crianças gritaram e se abaixaram, a faca atingiu a imagem do vaso de flores que Afrodite segurava –Esse desgraçado é o responsável pela minha depressão. Afrodite seu Maldito! Infeliz, miserável, ladrão, imprestável, afeminado, imbecil, inútil, filho da puta! Verme! Monstro!

—Gente, ele pirou –Cochichou Hacko.

—Quem você esta chamando de doido sem miolos e que precisa ser internado?! –Gritou Live em fúria se voltando contra Hacko que encolhe na cadeira.

—Você o entendeu mal –Disse Hayaki se levantando e ficando entre Hacko e Live –Ele disse: “Gente, ele é lindo”. Só isso –A expressão de Live mudou para a de alguém completamente apaixonado.

—Desculpe, você tem razão. Afrodite é a mais bela criatura viva, seu sorriso aquece meu coração, seu olhar me deixa aceso de tesão, seus cabelos são...

—Obrigado –Disse Hacko cochichando no ouvido de Hayaki quando este sentou-se de volta ao divã.

—De nada, robozinho –Respondeu Hayaki sorrindo.

—Robozinho? Eu não sou uma máquina, sou de carne e osso –Disse Hacko não ofendido, mas sinceramente tentando explicar.

—Eu sei, seu bobo. É só um apelido carinhoso. Desculpe se não gostou.

—Não! Não! Eu gostei sim! Pode me chamar assim se quiser –Os dois sorriram. Hayaki voltou sua atenção para o show de Live e Hacko sentiu algo estranho e tocou o próprio peito. “Meu coração esta acelerado” pensou.

—Joia do mundo real, divindade entre os homens, beldade esculpida por fadas, doce criatura, voz de...

—Ele é bonito, a gente já entendeu isso! –Gritou Bucky chamando a atenção de Live, que pisca várias vezes e assumi uma expressão de alguém normal.

—Desculpe é que fico um pouquinho perturbado quando o assunto é o Afrodite. Ele me deixou marcado para sempre –Do nada Live desabotoa a camisa revelando seu corpo magro e cheio de marcas vermelhas e roxas. Bucky ficou mais uma vez constrangido, tentou disfarçar olhando para os lados, por sorte todos observavam com atenção o corpo do suposto médico.

—Ai, ‘migo’ –Falou Pink se sentando no braço da poltrona e cruzando as pernas na frente do doutor –Conte todo o babado que eu escuto, curto, comento, anoto e compartilho! Lucy, pegue o lápis e caderno, Kitsu, abra o notebook!

—Chega! O foco aqui são vocês! Isso não é terapia inversa! –Rebelou Live prestes a cair no redemoinho de sentimentos que era sua mente. Ele suspirou assumindo uma expressão profissional, ajeitou os óculos e perguntou casualmente –Me contem, o que aflige os corações indecisos de vocês?

—Que pena, queria saber do babado –Lamentou-se Pink.

—Sinto muito, mas sou alguém que sabe muito bem separar a vida pessoal da profissional. Não saio por aí contando à todo mundo meus traumas! Acham que começo a falar da minha vida e esqueço dos meus pacientes? Só por que fui estuprado várias vezes, inclusive nesse divã em que vocês estão sentados, enlouqueci, fui internado num hospício, mas acabei foi sento abusado pelos médicos e enfermeiros várias vezes, sofri terapia de choque e fiquei trancado num quarto esperando somente a vinda dos médicos para me doparem, maltratarem e abusarem de novo e de novo? Só saí de lá quando meu pai descobriu e me salvou. Não queiram saber o que aconteceu com os envolvidos, mas não foi nada bonito de se ver.

Os garotos ficaram chocados com o motivo dos traumas de Live e também pela forma causal de que falou sobre ele. Não havia dor em seus olhos, o jovem era completamente desequilibrado emocionalmente.

—Olha –Começou Bucky com cuidado –Sua história é muito triste e...

—Eita! É mesmo! –Exclamou Live e em seguida foi tomado por uma tristeza a ponto de escorrer lágrimas pelos seus olhos –Me desculpem, mas sempre choro quando lembro disso.

—Isso quando você lembra do que deve sentir –Disse Bucky já impaciente –Antes que nos interrompa vou logo dizendo, não estamos aqui para uma consulta! Seu pai nos mandou dizendo que você podia nos ensinar... Alguma coisa –Bucky se lembrou de como se sentiu impotente na batalha contra Orion –Se você pode nos ajudar a ficar mais fortes... –Ele odiava pedir qualquer coisa a alguém, sempre fora extremamente orgulhoso, mas precisava abrir uma exceção –Se pode nos fazer ficar mais forte, nos ajude.

Live olhou nos olhos dele, dessa vez Bucky não se sentiu intimidado por sua beleza. O médico de cabelos cor de rosa pensou por um longo tempo e então finalmente disse.

—Se é um pedido feito pelo meu pai, não posso recusar! MIWA! –Ele gritou chamando a garotinha recepcionista.

—Você diz pra eu não te chamar aos berros e faz a mesma coisa.

—Preciso que vá até a União e roube os arquivos sobre essas pessoas.

—O quê? –Perguntaram surpresos.

—Miwa não trabalha aqui a toa, ela meio que esta sobre liberdade condicional e eu sou o responsável para que ela não saia da linha.

—E você pede para ela roubar? –Perguntou Kitsu.

—Ela vai devolver depois, vai ser rapidinho –A Miwa simplesmente desapareceu no ar deixando uma nuvem de fumaça no local onde estava. As crianças sobressaltaram surpresas.

—Ela desapareceu?!

—Miwa tem a rara habilidade de teletransporte, algumas pessoas já manifestaram essa habilidade, mas Miwa é a mais surpreendente, uma vez que além de poder ir a qualquer lugar do mundo, consegue até mesmo transitar livremente entre os mundos. Nenhuma prisão pode contê-la. Em seu julgamento foi proposto sua execução uma vez que ela é uma ameaça para União. Graças ao meu pai, ela foi condenada apenas a trabalhar pra mim.

—Morrer ou ficar com esse maluco? Nossa que decisão difícil –Resmungou Bucky.

—O que a impede de fugir? –Perguntou Lucy.

—Nós fomos ligados, se um morrer o outro também morre. Se ela ousar fugir, eu me mato e pronto –Live dizia aquilo como se não fosse nada de mais. Miwa aparece ao seu lado e joga uma pasta enorme sobre sua mesa.

—Lê logo isso para eu devolver. Não estou a fim de me encrencar por sua causa.

—Nossa quanta coisa –Comentou Bucky olhando para o enorme arquivo sobre a mesa de Live –Nos tornamos digiescolhidos ontem e eles já tem tudo isso sobre a gente?

—A União é bastante competente –Live folheou o arquivo em segundos –Pode levar –Miwa pegou o arquivo e desapareceu.

—Pensei que você ia ler –Disse Kitsu.

—E li, senhorita Kitsu, filha do shinigami Yamato, usuária da luz o digimundo. Uma habilidade muito poderosa diga-se de passagem –A garota ficou de boca aberta –Agora que sei sobre suas habilidades, já tomei minha decisão de como vou treina-los.

Ele pegou um pedaço de papel e fez uma anotação, em seguida ergueu a mão o oferecendo para Hayaki.

—O que é isso?

—É o endereço do Afrodite, você e o Hacko não serão treinados por mim. O Afrodite é mais indicado para isso. Vão imediatamente e... –Live corou –Digam a ele que a mais bela flor de seu jardim mandou lembranças.

Hayaki e Hacko se olharam, eles se despediram de seus amigos e partiram para encontrar o tal Afrodite.

Bucky e as garotas foram levados para uma sala subterrânea, ficaram boquiabertos ao se deparar com uma gigantesca ala vazia, devia ter um pé direito de uns vinte metros de altura e uma área de uns novecentos metros quadrados.

—Uau! –Exclamaram surpresos.

—Vamos começar seu treinamento –Live sorriu para eles, ergueu o braço direito apontando dois dedos para cima e em seguida faz um rápido movimento, uma luz dourada foi disparada pelos seus dedos atingindo Bucky no peito o arremessando longe.

—Bucky! –Gritou Pink.

Live surgiu diante da garota e girou lhe dando um tapa na cara, a rosinha saiu bolando pelo chão comendo poeira.

Kitsu e Lucy ficaram em posição de ataque.

—Luz Sagrada! –Gritou Kitsu atacando o médico.

—Raio Solar! –Seus ataques se chocaram, mas o de Live era muito mais poderoso sobrepujando o de Kitsu a arremessando longe.

—Kitsu! –Gritou Lucy.

—Preocupe-se consigo mesma! Me ataque!

Lucy fechou os olhos se concentrando a procura de canos de água.

—Não tem água aqui! –Choramingou nervosa, pois mais uma vez seria inútil.

—Você esta vendo algum raio por aqui? –Perguntou Live –Não, mas ainda assim vai receber um: Raio Solar!

Lucy foi atingida em cheio e gritou levando um poderoso choque, ela caiu deitada e toda dolorida. Bucky se levantou furioso.

—Pensei que ia nos treinar e não nos dar uma surra!

—Só fiz uma demonstração. Vocês além de serem muito lentos, não dominam seus elementos, vento, água, luz e raio. Seus poderes são semelhantes aos meus por controlarem um elemento. Todos vocês precisam treinar muito para melhorar, principalmente você! –Ele apontou para a descabelada Lucy –Você é quem pior controla seus poderes! Invocar a água dos canos? Que coisa mais ridícula! Além de limitado, faz uma baita estrago nas construções! –O desequilibrado médico, agora parecia um general de exercito.

—Desculpe se minha habilidade é limitada! –Gritou Lucy super ofendida.

—Você cria sua própria limitação! Olhe ao seu redor! Tem água para todos os lados –Lucy olhou para aquele local vazio que mais parecia uma caverna.

—Você esta tendo alguma alucinação, cara?

—Água é formada por hidrogênio e oxigênio, esses compostos estão presentes no ar, ou seja, existe água em todo lugar! Esse será seu principal desafio que a fará deixar de ser um garota limitada para se tornar uma guerreira poderosa! Crie sua própria água!

Lucy arregalou os olhos e foi como se a lâmpada de uma ideia se acendesse em sua mente, aquilo fazia todo o sentido.

—Você é mesmo bom –Ela admitiu.

—Bondade? –Live sorriu tirando uma rosa de seu jaleco, aquela flor de pétalas cor de rosa era diferente de qualquer outra, ela faiscou liberando eletricidade –Preparem-se, pois não costumo pegar leve. Rosa Elétrica!

Continua...

—Gente que esse Live é destruidor! –Comentou o diretor surpreso.

—O que ele tem de doido tem de poderoso! –Disse João.

—Fiquei em choque quando ele começou a atacar os digiescolhidos –Comentou Taki –Pensei que ele seria um vilão.

—Já quero um hentai dele com o Afrodite! –Disse João e a plateia gritou animada em apoio.

—Já quero bolo pudim! –Gritou outra voz ao lado do apresentador e a plateia grita em apoio, até se tocar e exclamar: “O quê?”.

—Quem te chamou ao palco? Honey! –Repreendeu o diretor –Você é da equipe de filmagem! Volte para trás das câmeras!

—Mas eu quero bolo!

—Menino desobediente! –O diretor saiu correndo atrás do Honey no que parecia uma encenação de Tom e Jerry.

—Bem, vamos ficando por aqui –Disse João para as câmeras –Até o próximo capítulo, Kissus no heart!