Yuji: Ai, tá doendo!

Ryota: Yuji, você se machucou?

Yuji: Sim. Vai devagar, por que tá doendo muito!

Ryota: Não se preocupe. Eu vou cuidar de você.

Enquanto Yuji chorava de dor, Ryota cuidava de sua ferida. Era só uma cena aleatória de alguns anos trás. E isso era mostrado ao garoto, como se fosse um filme de televisão.

Astamon: Você e o seu irmão se davam bem, né?

Ryota: Não é da sua conta!

Astamon: Isso é verdade. Mas eu adoro, ver as intrigas do cotidiano. Vamos continuar assistindo.

Ryota ainda não entendia suas intenções. Ele queria sair dali o quanto antes. Não por ser uma armadilha do inimigo, mas pelo que viria a seguir.

Ryota: Parabéns, Yuji! Feliz aniversário!

Ryota: Obrigado, irmão!

Mãe: Desculpe, Yuji. Eu sei que não é a festa que você pediu, mas...

Yuji: Tudo bem. Eu sei que a senhora fez o melhor. E eu agradeço a todos vocês!

Pai: É o meu garoto!

Ryota: É ótimo ter você na família, Yuji!

Era uma festa simples. Só havia a família. Mesmo assim, o garoto esbanjava sorrisos.

Ryota: Por que está me mostrando isso tudo?

Astamon: Por que ainda não chegamos na parte boa ainda, seu bobo! Hahaha!

Ryota: Maldito!

Ryota lembrou-se do parceiro. Como estaria, Dorumon, sem ele?

Yuji: Ryota-nii, você veio!

Ryota: A partir de hoje, vou vir te buscar na escola todos os dias!

Yuji: Valeu, mano!

Ryota: Olha só isso! Eu comprei pra você?

Yuji: Um boneco do Alphamon?! Que demais, eu te amo!

Ryota: Eu também. Sempre estarei aqui, pra você.

Astamon: Veja essa cena! Que lindo exemplo de amor fraterno!

Ryota: Cala a boca, cala a boca!

Sofrendo a pressão psicológica, Ryota perdia a calma facilmente. Astamon manipulou o tempo, para chegar em outra lembrança de Ryota.

Pai: Por que você não me disse antes?

Mãe: Por favor, me deixe explicar!

Pai: Você me enganou esse tempo todo, e ainda quer que eu te escute? Como você é baixa!

Mãe: Não, você não me entende!

A mãe de Ryota chorava incontrolavelmente, e seu esposo parecia furioso com ela.

Ryota: Por favor, não me faça ver isso.

Astamon: Hum? O que você disse? Fala mais alto, que eu não consigo te ouvir.

Ryota: Por favor, caramba! (Gritando)

Astamon: Não vai dá não. A parte boa começa agora.

Ryota: Papai, o que está fazendo?

Yuji: Mamãe, a senhora está bem?

Mãe: Eu estou, mas vocês devem sair daqui!

Ryota: Pai, o que houve?

Pai: Não me chame de pai! Você não é meu filho!

Ryota fica chocado com a o que escuta.

Pai: Você não é meu filho! É dessa daí, com outro cara!

Yuji: Não, papai! Ryota é meu mano!

Ryota: Mãe, do que ele tá falando?

Mãe: É verdade, filho. Me desculpe!

A mãe de Ryota chora, e o abraça. O garoto perde a noção da situação.

Pai: Eu vou embora. E vou levar Yuji comigo!

Yuji: Ryota-nii!

Ryota: Yuji!

Mãe: Não, você não vai levá-lo de mim!

Pai: Afaste-se, vadia!

O pai de Ryota a empurra com violência, contra a parede. Ela cai no chão, desacordada.

Astamon: Gente, que escândalo! Será que ela morreu?

Ryota estava horrorizado ao recordar aquelas cenas. E via o desespero, do seu ‘’eu’’ mais novo.

Ryota: Mãe?! Mãe!! (Gritando)

Pai: Christie, não!

A mãe deles morreu, e o pai deles foi preso. Ryota e Yuji foram morar com os avós maternos. O tempo passou, mas a ferida no coração dos dois seria eterna. Principalmente, em Ryota.

Yuji: Maninho, você tá acordado?

Ryota: Sai daqui!

Yuji: Mas eu só queria saber, se...

Ryota: Sai daqui caramba! Eu não sou o teu irmão! Me deixa em paz!

Yuji saiu chorando. Ryota se transformou. O garoto cresceu, e nutriu as mágoas. Passou a rejeitar Yuji de todas as formas possíveis. Criou uma barreira entre os dois. Quanto mais o irmão tentava se aproximar dele, mais ele se distanciava. Brigas entre os dois, se tornaram frequentes. E por fim, Yuji que adorava o irmão, passou a odiá-lo. Seu coração encheu-se de trevas. Ryota afastou todos à sua volta, e negligenciou os estudos. Sua vida nunca mais seria a mesma. Notas baixas, solidão, desamparo. Seus avós não ligavam para ele, e só tinham olhos para Yuji. O garoto, era o orgulho dos avós. Comportado, educado, e belas notas. E sempre tinha um sorriso no rosto, exceto quando chegava perto do irmão. Acabou o amor. Ryota passou a praticar bullyng, com o próprio irmão, por ter inveja dele. Em seguida, fez o mesmo com os nerds do colégio. Isso explica sua birra contra Akira, e Kenichi. Ele sofreu muito. Mas o pior, ainda estava por vir.

Avó: Mais um 10! Esse é o meu garoto!

Yuji: Muito obrigado!

Avô: O que você acha, minha velha? Será que ele merece?

Yuji: Hã? Não me digam que...

Avó: É claro que ele merece! Yuji, vamos te dar o Playstation 4, que você tanto queria!

Yuji: Eba!

Ryota: Não é justo!

Avô: Ryota, o que deu em você?

Ryota: Durante todo este tempo, vocês nunca me deram um presente. Mas ele, por outro lado...

Avó: Yuji se esforçou bastante. É mais do que justo, que ele receba nosso presente. Se você fosse como ele, talvez...

Ryota: ‘’Se eu fosse como ele’’?

Ryota ficou possesso.

Ryota: Eu nunca serei como ele! E vocês sabem muito bem disso!

Avó: Não é isso, que estamos dizendo!

Ryota: Eu não sou o irmão dele! Foi isso que eu descobri de muito tempo! Por que insistem em me comparar com ele? Ninguém nunca se importou comigo!

Yuji: Eu me importei!

Ryota do presente observava atentamente.

Yuji: Antes da verdade, e depois da verdade, eu nunca deixei de te amar! Mas você se afastou de mim! Por quê, Ryota-nii?

Ryota: Você tem o papai! Eu não tenho ninguém! Mamãe está morta, e meu pai me deixou desde antes de eu nascer! Por que você gostaria de alguém como eu?

Yuji: Por que você é o meu irmão! Eu te amo!

Yuji o abraçou. Ryota do presente, não segurou as lágrimas.

Astamon: Você foi um grande idiota mesmo, não é? Yuji era o único que sempre te amou! Mas o que você fez, hein?

Ryota: O quê?!

Astamon: Veja o que você fez!

As últimas cenas do passado de Ryota, seriam mostradas agora.

Ryota: Eu odeio você.

Yuji: O quê?!

Ryota empurra Yuji, e vai até a cozinha.

Ryota: Eu vou matar você! Você acabou com a minha vida! (Apontando uma faca)

Avó: Yuji, fuja!

Avô: Salve sua vida!

Noite chuvosa. Yuji deixou a casa, correndo o mais longe que podia.

Ryota: Essa não! O que foi que eu disse? (Larga a faca no chão)

Avó: Nós é que te odiamos!

Avô: Você, é quem deveria morrer!

Desesperado, Ryota corre para o quarto, e se tranca. Chorando incontrolavelmente.

Astamon: Agora, você está completamente sozinho.

Astamon desfez as ilusões, e voltaram para o DigiQuartz. Ryota estava atônito, com tudo o que viu.

Dorumon: Ryota! Você está bem!

Astamon: Vai demorar um bom tempo, para ele se recuperar.

Ryota curvou-se no chão, e colocou as mãos na cabeça. A loucura parecia o dominar.

Dorumon: Ryota, não se renda! Seu desgraçado, o que você fez com ele?

Astamon: Apenas bisbilhotei o passado dele, só isso.

Dorumon: Não! Ryota, seja lá o que tenha visto, eu estou aqui pra te ajudar! Vamos achar Yuji juntos!

Astamon: Não vai adiantar nada. Mesmo que vocês o encontrem, ele jamais o perdoará. Acha mesmo, que Yuji vai ter a coragem de olhar na sua cara, depois de quase o ameaçar de morte!

Ryota: Chega!

Ryota deu um grito, que interrompeu a fala de Astamon.

Ryota: Eu não aguento mais ver você falando da minha vida, como se soubesse de tudo. Que direito você tem de falar do Yuji, assim?

Astamon: Você nunca vai achá-lo.

Ryota: É o que nós vamos ver. Só que antes, eu preciso fazer você engolir cada palavra, do que disse.

Dorumon: Estou com você, parceiro!

Ryota: Eu vou matar alguém, mas te garanto que não será o Yuji!

A fúria de Ryota atinge seu ápice! Uma batalha intensa está prestes a se desenrolar!