Digimon: Gênesis
3 Capítulo 2 : Sementes Lançadas
Depois que a reunião acabou, Cherubimon voltou para sua tribo. Era um longo caminho, pois a Tribo Fera ficava a quilômetros de distância do Palácio de Seraphimon.
Nem sempre foi assim, mas devido a conflitos anteriores, Seraphimon decidiu afastar a Tribo Fera da Tribo Humana, até uma distância que ele considerasse suficientemente segura para ambos. Cherubimon não havia concordado, mas como os ânimos estavam exaltados, achou mais prudente aceitar o afastamento evitando assim, uma guerra. Seu objetivo foi alcançado mas em compensação, seu povo agora vivia numa terra condenada, onde logo não haveria como suprir a necessidade de todos. Ele poderia ter simplesmente se teletransportado, pois possuía essa habilidade, mas como precisava pensar, decidiu ir voando mesmo, para clarear sua mente. Finalmente chegou em suas terras. Era um vilarejo bem grande, porém simples, e tinha as mais variadas formas de habitações. Algumas casas eram de concreto, outras de madeira, de palha, de barro, etc. Em todas as direções só havia um imenso deserto exceto ao Norte, onde fica o bosque decadente que Cherubimon falara. Desceu dos Céus e foi direto em direção ao bosque, mais especificamente, para a lagoa onde ficava Jureymon . Esse monstro digital é uma árvore centenária com olhos amarelados e penetrantes, que caminha usando as raízes. Raramente sai do lugar, só se locomove quando é realmente necessário, e quando o faz, utiliza uma bengala de madeira para tanto. — Pela expressão que traz em seu rosto, vejo que a reunião foi um tremendo fracasso. — De fato, meu amigo. Estamos praticamente sentenciados a permanecer aqui. Nem sei como dizer isso a meu povo... — Diga verdade. Que Seraphimon nos condenou a miséria. — Não foi bem isso que aconteceu. — Vai mesmo defender aquele hipócrita ? — Não diga isso. Apesar de nossas diferenças, eu o respeito e considero um amigo. — Grande amigo... _ Ironizou Jureymon. — Obrigando você a viver essa vida miserável, enquanto ele ostenta do que esse mundo tem de melhor. — Seraphimon é justo. Tenho certeza que vai voltar atrás, só precisa de tempo pra por suas ideias no lugar. — Pro seu bem e pro nosso, espero que tenha razão. — Não se preocupe, pedi a Ophanimon que falasse com ele. Tenho certeza de que ele vai ouvi-la. — Não seja tolo, aquela meretriz só faz o que Seraphimon manda. Cherubimon se aproximou e olhou bem no fundo dos olhos de Jureymon : — Jamais a chame assim, novamente. Eu a estimo muito, e ofender a ela é ofender a mim, fui claro ? Jureymon ficou calado por alguns segundos, e manteve seu rosto inexpressivo. De repente, fechou os olhos, e inclinou seu corpo para frente, em um gesto cortez : — Me perdoe, Mestre Cherubimon, eu não tive intenção de ofendê-lo. Tomarei mais cuidado com minhas palavras. — Assim espero. Cherubimon saiu e deixou Jureymon sozinho com seus pensamentos. Enquanto isso, Ophanimon foi atrás de Seraphimon para tentar convencê-lo a voltar atrás em sua decisão. Pensava em como fazer isso, enquanto caminhava pelos corredores de cristal. Apesar de já ter estado nesse local, ainda não se acostumou com tal maravilha e talvez nunca se acostume. Se perguntava como Cherubimon e Lucemon podiam ser tão indiferentes em relação ao castelo. Nem mesmo Seraphimon se importava tanto com ele. O que será que a fascinava tanto ? Uma estranha predileção por material reluzente ? Não... Ela se sentia segura ali. Mas por que ? Como ela poderia se sentir mais segura ali, do que em seu próprio castelo ? Ophanimon afastou esses pensamentos quando avistou Seraphimon na varanda de uma das janelas. Antes mesmo de dizer qualquer coisa, Seraphimon se adiantou e tomou a palavra : — Ophanimon, olhe bem lá pra fora. O que você vê ? — Nossa tribo. — Observe melhor. E me diga o que vê. Ophanimon começou a observar sua tribo. Rostos alegres, conversas animadas, monstros digitais comprando e vendendo... Foi aí que Ophanimon percebeu aonde Seraphimon queria chegar... — Estão todos felizes. _ Respondeu ela. — Exatamente. Quer mesmo arriscar nossas vidas trazendo a Tribo Fera até nós ? — Eles não podem ser tão perigosos assim. — Alguns são até bons, mas... A maioria... São selvagens, são... Irracionais... — Você nunca seu uma chance a eles. — Está enganada. — Não, não estou. Ao primeiro sinal de conflito, você exilou aqueles pobres coitados. — Se eu os deixasse aqui, estaria colocando tudo a perder. E assim como outrora foi, estaria arriscando tudo que conquistei se permitisse a entrada deles aqui. Ophanimon baixou a cabeça, claramente desanimada. Seraphimon percebeu e tentou animá-la. — Ei, não fique assim, Ophanimon... _ Disse, enquanto segurava seu queixo com delicadeza. — Ouça, darei um jeito de ajudar a Tribo Fera, mas de outra maneira. — Como ? — Pensarei em algo. Espero que isso a ajude a dormir melhor. — Vai ajudar, sim. _ Respondeu ela sorrindo. Em seguida abraçou Seraphimon com força. Isso o surpreendeu, era a primeira vez que ela agia assim. Não que ela nunca tivesse demonstrado seu estado emocional antes, afinal, de todos os três arcanjos, ela era a mais emotiva, mas era a primeira vez que estava sendo tão direta. Ele então a envolveu com seus braços, e pôde sentir o calor do corpo dela mesmo estando de armadura. Era realmente incrível como aquela armadura resistia aos mais duros golpes, mas deixava passar todo o calor, todo o amor de Ophanimon. Era a primeira vez que ele sentia algo parecido também, e gostou da sensação. As vezes Seraphimon se preocupava tanto com seu povo, que se esquecia de prazeres simples como abraçar alguém. Ophanimon não podia ver o rosto dele devido ao elmo, mas ela não precisava. Ela sabia, que naquele momento, Seraphimon estava sorrindo...
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