Digimon: Fighters

16 As Asas Douradas de Thundermon


Notas iniciais
Aproveitem o capítulo!

― Isso é impossível! ― Vampirimon vociferou logo depois que Thundermon surgiu do lago ― Eu havia acabado com você! Como pode ter digivolvido?

― Não importa que você tenha acabado comigo ― a voz mais grave de Thundermon ecoou em resposta a Vampirimon ― O poder da minha digievolução não vem de mim. Vem do meu parceiro. Enquanto Vitor estiver aqui para me dar poder, você não vai me derrotar.

Vitor sentiu as palavras de Thundermon como um abraço quente ao redor de seu coração. Seu digimon tinha digivolvido. Ele tinha feito seu digimon digivolver. E agora ele era um magnífico gigante falcão amarelo.

― Agora a verdadeira luta começa! ― Thundermon exclamou e partiu para o ataque, avançando contra seu inimigo encolhendo suas asas e transformando seu corpo em um míssel dourado.

― Como se isso fosse funcionar comigo! ― Vampirimon ergueu seus braços novamente, a mesma massa de energia negra que ele havia usado anteriormente começou a se formar. Vitor sentiu sua garganta trancar. Ele iria usar aquele ataque novamente e Thudermon estava indo direto para ele ― Eu vou acabar com você com o mesmo ataque que te derrotei antes! Tormenta Suprema!

― Thundermon! ― Vitor gritou no momento em que Vampirimon lançou sua nuvem de lâminas contra o grande digimon amarelo, mas Thundermon não pareceu escutá-lo, continuando a avançar.

Mas dessa vez o ataque não pareceu ter nenhum efeito contra o grande pássaro. As lâminas atingiram Thundermon, mas o digimon não pareceu se incomodar. Em sua forma de míssel e em alta velocidade, ele continuou a avançar contra Vampirimon.

― O que? ― Vampirimon indagou no exato momento em que Thundermon o atingiu em cheio, jogando o digimon roxo na direção da pequena praia próxima ao lago.

Thundermon abriu suas asas, recuperando a postura majestosa de antes enquanto Vampirimon tentava recobrar a própria postura e não cair do ar em que planava.

― Eu não serei derrotado pelo mesmo truque duas vezes, Vampirimon ― Thundermon declarou ― Pode ter funcionado antes em minha forma inferior e quando eu estava mais fraco, mas agora estou em uma fase mais alta e com minhas forças renovadas. Sua “Tormenta Suprema” não terá nenhum efeito sobre mim.

― Aquele não era o único truque que tinha na minha manga ― Vampirimon rebateu e suas mãos começaram brilhar em vermelho novamente ―Lâmina de Sangue!

―Tempestade Laser! ― a voz de Thundermon ecoou em resposta enquanto abria seu bico vermelho, disparando uma rajada de arcos laranja contra o ataque de Vampirimon. Os ataques colidiram em choque, iluminando a noite além do luar brilhante.

Vitor protegeu seu rosto da forte luz que surgiu da colisão. A forte onda de choque também causou a água do lago a tremer e a atmosfera ficou mais quente. Nenhum dos dois parecia disposto a desistir, colocando mais força em seus ataques.

Vitor viu quando a onda de laser de Thundermon pareceu superar as rajada vermelha de Vampirimon, o ataque pendendo agora na direção do digimon menor. Thundermon estava ganhando aquela disputa e Vitor sentiu um leve sorriso se formar em seu rosto. Seu parceiro finalmente podia lutar.

A rajada laser de Thundermon se aproximava de Vampirimon com força total. O digimon roxo então desistiu de atacar, parando seu raio vermelho e desviando da técnia de Thundermon no útlimo segundo. Os arcos laser do pássaro gigante atingiram a pequena prainha ao lado do lago. Areia voou para todos os lados.

― Seu pássaro vitaminado ― Vampirimon grunhiu. Vitor viu a raiva tomando conta de seu rosto. Ele com certeza não esperava ter uma luta difícil dessa forma contra ele ― Por quê? Por que toda essa determinação para lutar por alguém que nem pode se defender? Arriscando suas vidas por causa de humanos?

― Porque os humanos são a salvação do nosso mundo, Vampirimon ― Thundermon respondeu ― Eles são aqueles que tem o poder para salvar o Digimundo das mãos de Royalmon.

― Eles são indefesos ― Vampirimon rebateu ― Inúteis.

― Eles nos dão o poder da digievolução ― Thundermon continuou a falar ― Uma digievolução mais forte do que as outras. A luz que eles transimitem de seus corações, é a luz que Halomon sempre quis trazer para o Digimundo. E, a cima de tudo, esses humanos são, agora, nossos amigos. Nossos parceiros.

― Quanta baboseira! ― Vampirimon gritou e suas mãos começaram a brilhar mais uma vez ―Nuvem do Pesadelo! ― mais uma vez o ciclone negro disparou contra o digimon amarelo.

Mas Thundermon não desviou ou reagiu, pelo contrário. Ele em encolheu suas asas e disparou contra o inimigo com a forma de um míssel. Assim que ele adentrou o ciclone e despareceu na nuvem de fumaça escura, Vitor prendeu a respiração. O que ele estava pensando? Thundermon iria ser pego na “Nuvem do Pesadelo” e não conseguiria mais lutar.

A lembrança de sua própria experiência naquele ataque causou calafrios em Vitor e imaginar que seu parceiro teria que passar por aquilo era ainda pior.

― Acabou! ― Vampirimon vociferou, triunfante ― Na minha “Nuvem do Pesadelo”, você está acabado! Tolo... ― então ele parou subitamente de falar, como se pego de surpresa por alguma coisa. Vitor não conseguia entender o que estava acontecendo, mas Vampirimon parecia estar intensamente atordoado com alguma coisa ― O que? Como é possível?

Foi então que o que perturbava o digimon humanoide se revelou. Thundermon saiu da nuvem de fumaça como uma águia trinfante brilhando sob a lua. O olhar determinado em contraste com o desespero de Vampirimon. Ele estava agora tão perto do outro digimon que um ataque causaria grandes estragos.

Vitor sorriu. Thundermon havia resistido à “Nuvem do Pesadelo”. Eles iriam ganhar essa luta.

― Não é possível... ― Vampirimon começou a falar, seu corpo parecia em choque. Mas as palavras foram interrompidas pelo ataque feroz de Thundermon.

―Tempestade Laser! ― a voz do grande digimon ecoou mais uma vez e os arcos laser dispararam de sua boca, acertando Vampirimon em cheio. Não houve tempo de o outro digimon reagir, apenas gritar em dor. Um grito que se dissipou quando ele explodiu em uma nuvem de dados em meio ao brilho da técnica de Thundermon.

O brilho dourado se dissipou e agora apenas Thundermon planava sobre o lago. Tudo o que restava de Vampirimon era o ovo em que ele tinha se transformado logo depois de ser destruído.

Eles realmente tinham vencido. Tinham lutado contra um digimon sozinhos e vencido. Vitor se sentia mais feliz do que podia expressar em palavras.

― Vitor, venha ― Thundermon falou, atraindo a atenção de seu parceiro. Thundermon agora estava planando sobre o pequeno pedaço do píer no qual Vitor estava em pé ―Vou te levar até a margem.

Vitor concordou com sua cabeça, admirando seu belo e grande parceiro digimon. Com as asas abertas, Thundermon era um belo pássaro de esperança. Vitor subiu nas patas dele e ambos voaram para margem.

Assim que aterrissaram na pequena prainha, Thundermon começou a brilhar e diminuir de tamanho. O brilho amarelo se dissipou quando o digimon se tornou menor do que Vitor, revelando que Tanmon estava de volta. Tanmon tinha um pequeno sorriso em seu rosto e não estava mais tão derrotado quanto tinha estado antes de evoluir.

― Obrigado, Tanmon ― Vitor agradeceu ― Você realmente me salvou.

― É o que parceiros devem fazer, não é? ― Tanmon respondeu, o sorriso ficando um pouco mais largo ― Afinal, você também me salvou quando fez digivolver.

Vitor sorriu também.

― Pode-se dizer que sim. Mas foi tudo graças a você. Se não fosse por você, eu nunca teria saído daquela “Nuvem do Pesadelo”.

― Eu te disse, não disse? ― Tanmon questionou, deixando Vitor confuso por um segundo sobre o que ele estava falando antes de continuar ― Eu disse que você é um menino forte.

Vitor sorriu ainda mais. Tanmon estava sendo verdadeiramente sincero.

― Tanmon, ― Vitor se aproximou de seu digimon e, sem nenhum aviso e sem falar nada, o abraçou o mais forte que conseguiu. Tanmon congelou, ficando sem reação imediata para aquele abraço ― obrigado de novo. Eu sinto que, agora, o nosso laço está... Mais forte de algum jeito.

― Vitor, ― Tanmon começou a falar, o choque inicial se dissipando ― eu sinto isso também.

Então Vitor sentiu as pequenas asas de seu parceiro se estendendo ao redor de seu corpo. Mais um leve sorriso se acalentou em seus lábios e ele recebeu o abraço recíproco de seu parceiro como se fosse uma nuvem de proteção.

Ele não era inútil. Não mais. E nunca mais queria se sentir daquela forma. E tinha a sensação de que Tanmon iria garantir que ele nunca mais se sentisse assim.

+ + +

Daniel, Lucas e seus parceiros digimon pararam de correr antes de chegarem ao campo de batalha. Daniel não conseguia tirar um sorriso de seu rosto enquanto eles encaravam o grande digimon gavião amarelo pousar com Vitor na pequena praia ao lado do lago.

― Parece que você estava errado no final das contas, Lucas ― Daniel falou, voltando-se para encarar o loiro ao seu lado ― Vitor não vai ser o problema como você pensou que seria.

Lucas fechou os olhos, abaixando a cabeça. Não em sinal de rendição, mas como se estivess decepcionado com a afirmação de Daniel. Daniel não conseguia entender qual era o problema com esse garoto.

― Isso é só o começo, Daniel ― Lucas levantou o olhar ― As coisas serão mais difíceis daqui para frente. São para esses momentos que precisamos nos preparar.

O sorriso de Daniel se foi, franzindo seu semblante.

― Você é realmente um grande estraga-prazeres, não é?

― Eu estou sendo realista, Daniel ― Lucas rebateu ― Sinto muito se enfrentar a realidade às vezes não é uma coisa boa.

― Lucas? ― Guepmon entrou na conversa. Não devia ter sido difícil para os parceiros deles terem percebido a tensão entre os dois. Daniel sentia que até Vitor naquela distância poderia perceber o que se passava ali ― Tá tudo bem?

― Daniel? ― Dinomon também questionou.

Por um segundo, nenhum deles respondeu. Nenhum deles parecia querer responder. Era como se ambos precisassem provar que o outro estava errado apenas se encarando. Daniel não sabia porque estava se sentindo daquela maneira, mas não conseguia evitar.

― Tá tudo bem sim, Guepmon ― Lucas respondeu, por fim ― Daniel e eu só temos opiniões diferentes sobre alguns assuntos ― um belo eufemismo, Daniel podia dizer ― Vamos voltar pra cabana, Guepmon.

Lucas, então, se virou e começou a andar de volta para a grande casa. Mas antes que Lucas pudesse partir completamente, Daniel precisava dizer uma útlima coisa a ele. Algo que estava fazendo sua língua queimar.

― Lucas, ― ele chamou, fazendo o menino loiro parar. Lucas não se virou, continuou de costas para Daniel ― você precisa começar a confiar mais nos outros. Só assim vamos ter sucesso nessa missão.

Lucas suspirou.

― E você não pode ser tão otimista e esperar que tudo seja perfeito, Daniel. As coisas podem piorar e precisamos estar prontos para quando isso acontecer. É só o que estou dizendo.

Então Lucas partiu de volta para a cabana. Dessa vez, Daniel não o parou. Ele acreditava que ambos precisavam de um tempo distante um do outro. Afinal, depois de partirem no dia seguinte não teriam escolha que não passar dias e dias juntos no Digimundo.

― Daniel? ― Dinomon falou, quebrando o silêncio quando Lucas já estava quase na porta da cabana ― O que aconteceu entre você e o Lucas?

― Não se preocupe, Dinomon ― Daniel respondeu ― Não é nada importante. Eu acho.

Mas ele não tinha como ter certeza de suas palavras. Estava preocupado com como as coisas seriam daqui pra frente, mas precisava seguir suas próprias palavras e confiar em seus companheiros.

― Daniel? ― a voz de Vitor vinda de trás dele, fez Daniel pular com o susto. Ele se virou para encarar o pequeno garoto de cabelos negros o encarando de volta, parecendo confuso ― O que você tá fazendo aqui?

― Vitor! ― Daniel exclamou, se recuperando do susto ―Dinomon me avisou da aparição de um digimon e nós viemos para ajudar na luta.

― Sério? ― Vitor questionou.

― Sim. Mas quando a gente chegou, você já tinha resolvido tudo ― Daniel sorriu para Vitor e viu o menino mais novo corar, um pouco desconfortável em receber aquele quase elogio.

― E você conseguiu digivolver, Tanmon! ― Dinomon falou, se direcionando ao pequeno digimon amarelo ao lado de Vitor ― É incrível, não é?

― Foi incrível, sim! ― Tanmon respondeu, parecendo muito entusiasmado. Daniel sentiu seu sorriso aquecer. Lucas estava errado. Vitor e Tanmon não seriam um problema no futuro. Ele acreditava verdadeiramente nisso ― Eu conseguia voar tão rápido!

― Nós vimos a sua forma evoluída! ― Dinomon falou, também muito animado ― Você parecia uma fênix com grandes asas douradas!

Tanmon também corou um pouco. Daniel riu mentalmente. Ele e Vitor eram mesmo perfeitos parceiros um para o outro.

― Eu não teria conseguido sem a ajuda do Vitor, né ― Tanmon disse, voltando o olhar para o menino mais novo ― Foi graças a ele que consegui aquelas grandes asas douradas.

Vitor sorriu de volta para seu parceiro.

― Acho que você também conseguiu suas próprias asas douradas, né, Vitor? ― Daniel falou, atraindo a atenção de Vitor e surpreendendo-o ― Você parece até mais confiante do que antes ― Vitor sorriu para ele, um sorriso largo e verdadeiro. Quase orgulhoso de si mesmo ― Agora vamos pegar aquele digiovo e voltar pra cabana. Quero saber tudo sobre a sua batalha e como fez o Tanmon digivolver.

― Isso mesmo! ― Dinomon exclamou também ― Eu também tô curioso!

― Pode deixar! ― Vitor respondeu, animado enquanto eles andavam até a prainha para recuperar o ovo do digimon derrotado.

E Daniel não conseguia tirar Lucas de sua mente. Pensando em como queria que ele pudesse confiar mais nos outros. Daniel não sabia o que tinha acontecido no passado de Lucas, pois todos eles tinham acabado de se conhecer, mas esperava que ele mudasse sua forma de pensar. O destino do Digimundo e do mundo deles dependiam que eles trabalhassem juntos.

Daniel só esperava que tudo desse certo no final.