Digimon Emperor

1 Prólogo — O Acordo de Paz.


Os holofotes na hora estavam na guerra que acontecia ali, no Mundo Digital. Não havia um dia que não era comentada, temida, apoiada, admirada ou ameaçada pelos Digimons que viviam por lá. Aquele mundo, antes em paz, sofria agora por uma divergência gigante de territórios e semelhantes. Tudo foi dividido em sete. Não importava sua espécie e sim sua fé. Você deveria se entregar de corpo e alma na causa que acredita ser certa.

Agora não parava de se falar sobre um acordo de paz que seria estabelecido entre os líderes de cada grupo militar. Os dois anciões do DigiMundo, Jijimon e Babamon; os mediadores diplomáticos da guerra; insistiram para que isso fosse necessário. Muitos DigiTamas haviam sido reformados desde que o embate começou.

— Vocês, jovens tolos, tomados por uma disputa cega, não veem que estão levando nosso mundo a um ponto crítico? — Essa foi a afirmação em uma pergunta retórica feita por Babamon.

Assim como o amanhã nunca é certo, não se esperava muito da reunião das Sete Nações. Todos estavam reunidos em uma antiga sala no subsolo. Jijimon e Babamon se sentavam em cadeiras no centro enquanto do lado direito e esquerdo se formavam seis figuras, três para cada lado, que permaneciam em pé.

— Os anciões não precisam se meter em nossas disputas! — Bravejou ferozmente a figura central do lado esquerdo. — Estamos nos saindo muito bem sem suas intervenções!

— Fique quieto por um instante, Leomon. — Pediu de modo frio a figura ao lado. — Não adianta reclamar sem fundamento. Jijimon e Babamon não nos chamariam aqui sem um motivo, não estou certo?

Jijimon deu um sorriso e desceu de sua cadeira, um estranho velho anão, com cabelos e barba grisalha cobrindo toda a sua face, pelos nos pés e trajando uma esfarrapada roupa simples, com ataduras cobrindo seus pulsos, ressaltando suas mãos avermelhadas. Mesmo para sua aparente idade, o velho Digimon apresentava músculos nos braços. Andava com dificuldade, usando sua bengala, que tinha uma pata fechada de gato em cima, para se apoiar. Foi em direção ao lado esquerdo lentamente.

— ... realmente, TyrantKabuterimon. Inteligente como sempre... como sempre... — Respondeu Jijimon com lentidão. — Leomon, se acalme. Você é jovem... ainda tem muito tempo... muito tempo...

— Jijimon... pode ir direto ao assunto? — Perguntou uma das figuras do lado direito, essa de voz feminina. — Não podemos perder muito tempo.

— Rosemon está certa! — Exclamou Babamon que, em um pulo, acertou sua vassoura na cabeça de Jijimon. — Velho inútil, comece a falar!

— Quem você está chamando de velho, sua velha?!

— Quem você está chamando de velha, seu velho?! — Exclamou Babamon, acertando-o mais uma vez na cabeça. — Eu ainda tenho minha beleza de quando era uma Rosemon...

Babamon, uma velha Digimon que, segundo ela, era uma Rosemon que acabou por ser amaldiçoada, fazendo-a envelhecer “modestamente”. Traja vestes coloridas de uma feiticeira, com um colar de pedras rosa em volta de seu pescoço. Seus olhos são cobertos por uma franja grisalha e um grande coque é formado no topo de sua cabeça, preso por uma agulha de costura. Sua boca tem costuras incompletas nos lábios que, quando fechados, completam-se.

— Babamon, por favor...

— Por favor, uma ova! — Disse Babamon batendo sua vassoura no chão, provocando um abalo na sala toda, fazendo com que os seis ficassem assustados. — Sabem vocês o que está acontecendo ao Mundo Digital por culpa desta guerra idiota!?

Todos estavam em silêncio. A situação antes engraçada passou para um tema sério de um jeito rápido. Babamon apenas respirou fundo e soltou um longo suspiro, andando com a ajuda de sua vassoura virada para cima.

Jijimon se levantou devagar, apoiando-se em sua bengala e sussurrando maldições contra Babamon enquanto ia a sua direção.

— Para piorar aquele inútil do Neptunemon não está aqui! Inúteis! Vocês são todos inúteis!

— Acalme-se, querida... — Pediu Jijimon. — Vocês sabem o porquê de estarmos aqui, certo?

Todos concordaram com a cabeça, não havia um Digimon que não sabia dos rumores: trazer humanos para o DigiMundo. Era algo egoísta de um ponto de vista, fazer humanos arriscarem a vida para decidirem essa guerra.

— Como vocês disseram: “Já perdemos muito”. Por que arriscar a vida de humanos?

— Muito simples... Examon... — Começou Jijimon com sua explicação. — Os humanos e os Digimons não são tão diferentes, mas a luz que eles trazem consigo pode salvar o DigiMundo... assim como podem possuir trevas que engolirão nosso mundo... não concordam, Líderes?

Após isso, Jijimon olhou para todos com um olhar sério, revelando um de seus olhos que lembrava muito um olho humano de cor de mel. Todos entenderam fragmentos da referência. As sete crianças que, no passado, salvaram o DigiMundo de um grande desastre e o grande desastre que aconteceu com elas. Não podiam negar um pedido dos anciões, talvez pelo respeito, talvez pelo medo, não sabiam, mas não podiam.

— Traremos os humanos nós mesmos... estão dispensados. Vão.

— Entendido... eu passarei o recado para Neptunemon... com sua licença... — Disse Leomon com uma voz fraca, logo sua figura desaparecia.

— Imaginei que seria algo tão sério... vocês nunca param de me surpreender, anciões. — Aclamou TyrantKabuterimon, desaparecendo logo depois de Leomon.

Outra figura do lado esquerdo desaparecia com eles, uma figura que escolheu não se pronunciar na conversa, o Rei das Trevas, VenomMyostimon. Essa pose também foi adotada por Hououmon, do lado direito, que desaparecia junto de Rosemon em silêncio. Apenas sobrará Examon com os anciões.

— Têm certeza que é a melhor decisão, anciões?

— Teria uma ideia melhor, pirralho? — Perguntou Babamon.

— ... entendido. Com sua licença.

E assim Examon desaparecia, deixando apenas os dois anciões lá, sozinhos. Babamon estava cansada disso. De tudo. De ver amigos brigarem e Digimons sofrerem pelo conflito. Jijimon tinha fé de que, no futuro, tudo se resolveria e depositava-a nos seus escolhidos. Assim foi o prelúdio de uma nova aventura que aguardava os sete escolhidos, os novos DigiEscolhidos que deveriam trazer paz para o DigiMundo.