Digimon: Dados em Chamas

1 Capítulo 1 - Uma fenda para um novo mundo


Notas iniciais
E ai pessoal, bom, essa aqui já é uma fic um pouco antiga minha que eu comecei - não me lembro se neste site aqui - e não continuei. Espero que dessa vez eu ache o ânimo para isso haha. Enfim, é isso ai, espero que gostem, boa leitura.

Mundo Humano, Canadá, Vancouver

1:53 PM

Estava ali, sentado em um dos bancos da praça, Jake.

(Jake Stanford, um jovem de 16 anos de idade, cabelos negros cortados mais ao lado com o topo um pouco mais cheio, tom de pele não tão claro, se aproximando do pardo, olhos castanho bem escuro. Seus pais tem origem latino-americana, tendo somente ele realmente nascido no Canadá. Vestia uma blusa branca com uma xadreza vermelha e preta por cima junto a uma calça skinny preta e um tênis cano alto de mesma cor)

Estava a espera de alguns amigos com os quais havia marcado de se encontrar. Já esperava ali tinha um certo tempo, mas sabia que havia chegado mais cedo. Estava no banco logo de costas para uma das estátuas da praça — estava usando a sombra da mesma para refugiar-se do incômodo daqueles breves raios de sol — e já se distraíra com várias coisas, desde um galho oscilando até alguns pássaros brigando por uma migalha qualquer pelo chão. Estava evitando o uso de seu celular desde o acontecimento daquela manhã. Algumas vezes ele começava a se lembrar do ocorrido mas logo procurava outra distração para afastar as lembranças de sua memória. Desta não foi diferente, porém, o que o distraiu foi — finalmente, pensava ele — um de seus amigos na outra margem da praça. Ele acenou para ele e o mesmo começou a andar para o seu lado. Porém, logo parou. Pareceu que algo havia interrompido seus passos e então uma face assustada deu lugar a anterior. Jake percebeu que o foco de seu amigo — e de já mais alguns na praça — estava logo atrás dele, o que fez com que ele se virasse também e encontrasse o motivo.

Não estava muito longe, no máximo uns 20 metros se colocavam entre eles. Uma espécie de abertura. A própria paisagem parecia ter se tornado uma tela que aos poucos ia sendo aberta no meio. De repente, algo saiu dela. Uma garra, de pelo menos uns 60 cm, atravessava o vão ali criado sendo seguida por outra no lado oposto. Elas brigavam por um espaço tão pequeno enquanto mais duas se juntavam a elas e logo depois mais duas. Os três pares, agora já acomodados ali, começaram então a fazer força para aumentar o espaço presente e, depois de um certo custo, finalmente conseguiram. Apareceu então, do outro lado de seja lo o que fosse aquele rasgo no ar, um olho. Era azul, um azul puro, porém, furioso como se podia perceber. Ele parecia incessantemente procurar algo naquele local, sem parar de se mexer sequer por um segundo. Todos estavam congelados a observar a cena, até que finalmente, o olho parou. Porém, isso só ocorreu quando se encontrou com os de Jake. O olho então se afastou um pouco da fenda e irrompendo com o então silêncio presente na praça, do outro lado da abertura, um rugido extremamente alto e furioso se propagou por todo o espaço.

As pessoas lembraram então que não eram estátuas e começaram a correr, desesperadas. Todas menos Jake. Ele parecia estar em algum transe ao mesmo tempo que "aquilo" projetava agora mais três garras pela fenda. Estas estavam organizadas horizontalmente e logo se identificou como sendo uma pata, pois esta atravessou o vão e o aumentou. As laterais que até então tentavam resistir, foram completamente devastadas, tornando o pequeno rasgo em uma passagem para um ser gigantesco. Um dinossauro vermelho de uns 6 metros de altura que se projetava furiosamente para o lado de Jake. Este finalmente pareceu acordar, mas percebeu que já era tarde. Não havia mais o que fazer. Via agora, enquanto seus últimos segundos se esvaiam, a completa figura de seu assassino.

Monstro

Foi então que, como um milagre, algo simplesmente parou o monstro. Este se virou e então viu, furioso, que sua pata traseira havia se agarrado em uma das abas do portal. Jake aproveitou a deixa e disparou para longe do monstro. Este ao perceber, arrancou sua pata e um pedaço da "paisagem" junto, enquanto se erguia monstruosamente. Se antes ele parecia grande, agora estava ainda maior na nova postura e, reunindo aparentemente todo seu ódio, fez incandescer levemente a extensão de sua boca até um pedaço de seu pescoço, e ao abrir sua mandíbula, disparou uma grande massa que brilhava em um vermelho vivo em direção ao garoto. Jake já esperava pelo pior, mas continuou a correr. Não iria parar naquele momento, por mais que pudesse já estar morto. Foi então que viu um banco logo a sua frente e mal subiu neste pegou impulso para distanciar-se um pouco. Ele então olhou para trás e mal pode acreditar que havia realmente desviado. E ainda bem, pois onde a pouco estava a massa brilhante, agora só havia cinzas do banco e uma redoma em chamas no chão da praça. Ele estava no chão ainda — pois havia rolado com a queda, mas não se levantara — e então olhou para seu caçador. O enorme lagarto, que ainda mantinha sua fúria, inundou novamente toda sua boca com aquele intenso brilho e disparou. Jake agora sabia que realmente era seu fim. Ele não era ágil a ponto de se levantar e escapar de mais aquele golpe, sinceramente não sabia nem como escapou do primeiro. E foi então que, em poucos segundos, ele relembrou daquilo que evitara pensar toda a tarde. Veio de uma vez em sua mente e ele não conseguiu controlar mais uma vez pensar no ocorrido daquela manhã.

== FlashBack ==

9:00 AM

Jake havia acabado de se levantar. Seus pais já haviam saído para ir trabalhar e ele sabia que não tinha nada o que fazer até as 2:00 da tarde, horário em que marcou de encontrar com seus amigos. Ele então se levantou, foi ao banheiro, enxaguou o rosto, bochechou um pouco de água e enquanto deixou seu computador ligando foi buscar algo para comer na cozinha. Passou sua manhã ali, de frente para o monitor. Havia acabado de entrar em um jogo — não que ele gostasse tanto, mas precisava de uma distração para momentos como aquele nas férias e esta era sua solução — e enquanto este carregava, ele pegava seu celular para ver as mensagens que havia recebido. Estranhamente ele havia se desconectado do Wi-Fi da casa, mas isso não causou tanto estranhamento em Jake, afinal, a solução era fácil. Logo que colocou a senha, aguardou uns poucos instantes e ele já estava conectado novamente. Mas foi neste momento que tudo aconteceu. No mesmo segundo em que o sinal do Wi-Fi retornou ao seu celular, uma intensa luz branca possuiu por completo seu monitor ao mesmo tempo que cobria toda a tela de seu aparelho. O brilho cada vez se intensificava mais e mais até chegar ao ponto de Jake fechar os olhos. Quando voltou a abri-los, a luz havia se dissipado e tudo voltara ao normal. Ele passou o resto da manhã normalmente, porém, ainda estava perturbado com o fato.

== FlashBack ==

Tentava interligar os fatos agora que estava em seu último suspiro de vida, porém, fazia tanto sentido quanto fizera antes. O que tem haver o seu computador brilhar com você ser atacado por um dinossauro que saiu de um buraco no meio do ar? Porém, já não fazia mais diferença. Ele conseguia já sentir o calor da esfera incandescente se aproximando. E realmente sentia, estava incrivelmente quente. Na verdade, já estava queimando a sua coxa. E foi então que ele olhou para a mesma e percebeu que seu bolso já havia sido incinerado, mas não pelo ataque de seu predador e sim por seu celular. A tela deste brilhava novamente, mas agora projetava uma especie de luz "opaca" a qual estava formando uma cúpula ao redor dele. A esfera brilhante colidiu contra a cúpula e logo se espalhou em chamas e fumaça. Porém, aquela luz havia o protegido e aparentemente, o grande réptil ainda não sabia disso. Era a chance de Jake — que estava somente ignorando os últimos ocorridos para não se desfocar da sua luta pela sobrevivência — escapar do mesmo. Ele logo pegou seu celular, afinal, este poderia ainda lhe servir muito bem como se mostrou, e viu que sua tela voltara ao normal. Exceto pelo fato de que uma mensagem estava sendo exibida na mesma:


"Jake, aguente só
mais um pouco,
já estou chegando
Ass: CD"

Naquele momento, Jake não pode conter as dúvidas surgindo: quem era CD? E como o conhecia? E sinceramente, aguente mais um pouco? Ele acha realmente que Jake estava ali por opção ou que ele tinha como resistir? Enfim, não era hora para isso. Ele se levantou e foi em direção a uma das três estátuas em sequência que haviam na praça. O dinossauro já o havia visto, porém, ele ainda tinha alguma esperanças. O grande ser vermelho se aproximou e logo derrubou a primeira estátua, porém, Jake já estava em outra delas. Ele mudou novamente e assim o dinossauro derrubou a segunda. Quando ele finalmente destruiu a terceira, Jake já estava aproveitando a grande cortina de poeira que se formou no local para conseguir escapar dali. Ele correu um pouco, e se refugiu atrás de outro monumento da praça. Desta vez sabia que havia despistado seja lá o que fosse aquele animal, mas sabia também que se continuasse ali em breve seria descoberto. Ele aguardou alguns segundos que pareceram ser uma eternidade, até que, irrompendo o silêncio de tensão ali presente, seu celular emitiu um breve toque. Ele olhou direto para tela para desligar o mesmo, mas percebeu que era mais uma mensagem:


"Use isso por enquanto,
já estou quase ai
Ass: CD"

Jake somente podia imaginar se realmente era possível que alguém estivesse o ajudando. Então esse tal de CD realmente estava vindo? Mas de onde? E foi então que interrompendo seus pensamentos ele se virou para o portal e viu que um pequeno objeto o atravessava. Era redondo mas tinha uma pequena ponta que piscava. Era sobre aquilo que a mensagem falava? Bom, ele só tinha uma chance de descobrir — principalmente agora que o rugido de fúria do grande monstro mais uma vez se fez presente — e assim ele disparou de seu refúgio em direção ao portal. Foi no momento exato, pois logo após o grande monumento em forma circular fora destruído por uma investida do monstro. Jake mal teve tempo de olhar para trás e já estava perto de mais do objeto. Agora, talvez, até mais do que pretendia pois descobriu que na verdade era uma espécie de granada. Ele não sabia quanto tempo faltava para a mesma explodir, porém a frequência das piscadas cada vez mais aumentava. Ele então viu o grande ser se levantar. Era sua melhor chance. Ele então se ergueu completamente até ver que estava no foco do animal e então começou a correr para frente. O grande monstro o seguiu, porém, ele era muito grande, e assim como esperado, ele atingiu em cheio a bomba com sua grande pata. Um som ensurdecedor de explosão se propagou e uma grande nuvem de fumaça se ergueu no local.

Jake agora estava escondido atrás de um conjunto de arbusto e observa um pouco ao longe enquanto a fumaça, aos poucos, abandonava o redor do monstro. Este estava agora de joelhos com sua perna esquerda — a que não pisara na bomba — em tempo que a direita se encontrava ferida quase até o joelho. Estava com algumas lacerações espalhadas por ela e alguns filetes de sangue começavam a escorrer, porém, mal avançavam alguns centímetros e se tornavam outra coisa, uma espécie de matéria, parecia até mesmo com.. Pixels? Dados de computador? Ele não sabia o porquê, mas eram as únicas comparações que vinham a sua mente. A face do monstro exalava uma essência de dor muito profunda. Jake se perdeu em meio a seus pensamentos quanto a situação e, sem notar, quebrou uma pequena galha do arbusto no qual se escondera. O som foi realmente baixo, porém, o animal parecia estar com seus instintos ao máximo graças a raiva que sentia. Raiva esta que ficou bem clara para o garoto, pois logo que escutou o som, a face de dor deu lugar a uma de ódio, um ódio tão profundo e intenso que fez com que instantaneamente a boca do monstro se inundasse de luz ao mesmo tempo em que ele se ergueu e então preparou-se para disparar. Foi ai que a última surpresa veio. Uma terceira voz tomava conta da praça.

– Acho que isso já durou demais. M16 Assassin!

Vários disparos foram então escutados enquanto o dinossauro gritava de dor e sua boca parava de brilhar. Ele caiu com suas quatro patas no chão enquanto um pouco de fumaça saia de suas costas junto a mais pixels. Foi então que Jake viu, indo em sua direção, outro dinossauro. Este era menor que o primeiro e tinha uma cor diferente. Sua pele parecia pixelizada em diferentes tons de azul que se moviam de vez em quando, além de sua roupa tática. Ele se aproximou do garoto ainda com sua arma em mão. Um rifle de assalto do qual ainda saia a mesma fumaça que estava nas costas do grande monstro.

Pequeno Dinossauro

– Desculpe a demora, o caminho era grande — Dizia o pequeno monstro enquanto sorria gentilmente para o garoto. Este ainda estava atordoado com tudo aquilo. Então um grande rugido se propagou novamente pela praça e o grande monstro se erguia mais uma vez. — Então você é mesmo duro na queda não? — Dizia o pequeno dinossauro olhando em direção ao grande monstro e continuando depois de uma pequena pausa — Tudo bem, acho que já sei como vamos resolver isso então.

Ele então saiu correndo em direção ao grande ser. Jake não tinha ideia de como ele pretendia derrotar aquele grande monstro sozinho. Ele então seguiu até bem perto e parou enquanto o outro dinossauro seguia a seu encontro. O pequeno réptil mirou sua arma e então realizou alguns disparos em direção a pontos exatos do monstro — muito mais preciso do que no primeiro ataque — e este então gritou com grande dor. Foi neste momento que o pequeno monstro sacou de seu colete uma granada semelhante a que havia surgido do buraco antes e ao morder a ponta desta, ela começou a piscar. Ele a lançou em direção a boca do grande monstro que a engoliu sem nenhuma chance de escapatória. O pequeno dinossauro somente se afastou um pouco e deitou ao chão. Jake fez o mesmo e tudo o que pode ver de entre os arbusto foi uma nuvem de fumaça que precedeu um grande som de explosão. Quando ele olhou não havia mais dinossauro, somente uma grande massa de dados que se moveu em direção ao portal. Ele então vê o pequeno dinossauro azul com seu rifle nas costas andando em sua direção, porém, sabia de alguma forma que ele não representava perigo algum. Ao se aproximar ele diz:

– E ai Jake, se feriu? — Perguntava um pouco preocupado.

– Não, não, eu estou bem mas, quem é você e como sabe meu nome? — Perguntou Jake ainda perdido no meio de todos os acontecimentos.

– Meu nome e Commandramon, muito prazer. Eu sei seu nome porque me mandaram aqui para te buscar. — Respondeu o pequeno dinossauro.

– Me buscar? Para onde? Quem te mandou? E o que você é? — Perguntava Jake que definitivamente estava alienado sobre a situação.

– Ei, calma ai — Dizia o pequeno monstro com um breve sorriso, um pouco sem jeito com tantas perguntas — não tenho todas as respostas do mundo, mas posso esclarecer algumas coisas para você se quiser. É só vir comigo. — E ao dizer isso, o pequeno dinossauro lhe lançou um olhar puro e estampou um sorriso em seu focinho, meio animado com a ideia.

Ele então começa a caminhar em direção a fenda e ao chegar nesta vira para trás e olha para o garoto. De alguma forma, Jake sabia que deveria segui-lo, sabia que ele não era perigoso e, como se levasse um empurrão de sua consciência, ele começa a andar em direção a fenda. Após passar por esta seu celular lança um brilho onde ela se formara e a fecha completamente. Ele já nem procurava mais entender aquilo, somente seguiu Commandramon e ambos saíram em uma floresta. Estavam agora em outro lugar. Estavam agora, em outro mundo.

Continua...

Notas finais
Bom, é isso ai pessoal, eu sei que ficou meio pequeno mas os próximos serão maiores, eu prometo hehe. Espero que tenham gostado, se possível deixem seu comentário ai dizendo o que gostou, o que não gostou, enfim, deixe sua opinião. Muito obrigado pela companhia e até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.