Digimon Chronicles: Strange Fate (Semi-interativa)

2 Capítulo 01 - O Pierrot e os Passarros


[07:58 — Cidade hishio — 17/04]


Um alto homem de cabelos dourados e olhos cor de ruby andava pelas dunas solitárias daquelas ruínas que mesmo que outrora tivessem nome, hoje eram somente conhecidas como parte do grande "Deserto de Vidro", se cobria em trapos, castigados pelas claras longas viagem daquele que os vestia, mas ainda se mantinham presos, protegendo seu dono dos ventos fortes e violentos…


Eram essas as palavras, quase desbotadas que estavam escritas em uma folha semi abandonada no canto de uma pequena mesa igualmente esquecida no quarto, na mesma mesa ainda havia uma blusa apenas jogada e duas latas vazias do que pareciam bebidas energéticas

No canto do mesmo quarto, deitado em um futon, completamente largado, tendo até mesmo sua perna esquerda para fora no próprio chão, um jovem rapaz de cabelos pretos levemente cacheados e bagunçados olhava para o teto, enquanto ao lado de sua cabeça o alarme de seu celular tocava


– Mais um dia uh? — já acordado mesmo com o alarme se insistindo, era única coisa que o mesmo dizia; mesmo que no quarto, graças as grossas cortinas, continuava escuro, sendo o único indicativo de que o dia havia chegado uma pequena fresta de luz que batia justamente no rosto do jovem

Após algum tempo, o mesmo jovem saia de sua moradia, uma pequena e rústica casa de madeira, antiga porém aconchegante, se destacando entre as outras casas de design mais moderno, tendo até o luxo de um pequeno quintal de grama antes do muro de pedras e portal simples de ferro, a grama crescia selvagem, ainda não descontrolada, mas algumas pequenas flores silvestres começam a surgir aqui e ali, talvez por obra da própria primavera

O rapaz saia ja estando vestindo o uniforme de sua escola, um blazer estudantil azul marinho intenso, quase como o céu noturno, por baixo uma blusa social branca comum, suas calça também pareciam sociais, no mesmo tom do blazer, com o único detalhe de serem um xadrez, com algumas das linhas sendo feitas por outro tom de azul ainda mais escuro, e as horizontais de levemente mais claros, na gola do blazer havia uma insígnia prateada com dois riscos em diagonal, a forma do colégio que ele estudava, Kisetsumirai, simbolizar que ele pertencia ao segundo ano

Ele bocejava olhando para o céu, semi limpo, apenas com algumas nuvens pintando a imensidão azul, mas logo indo em direção ao portão e começando seu trajeto para escola, parando apenas quando passava por um pequeno amontoado de lixos da vizinhança separados, suspirando enquanto pensava como havia esquecido de tirar o próprio lixo mais uma vez


O caminho para escola não poderia ser mais monótono e simples, apenas algumas esquerdas e direitas, e em cerca de 15 minutos, lá estava ele em frente a grande e antiga construção para Ensino formada de uma série de estalações, um dos primeiros grandes colégios de Hishio, levando consigo sua antiga, bela e distinta dos prédios ao redor arquitetura; claramente inglesa, apesar disso, suas paredes ainda eram novas, graças às constantes reformas para preservação, não seria difícil pensar que um colégio como aquele fosse particular, mas não, dinheiro não poderia comprar a vaga de alguém, ao menos não abertamente, para a maioria, a única forma de estudar ali era passar no rigoroso teste admissional


O garoto caminhava em direção das salas de aula no segundo andar do prédio esquerdo , entrando na sala com a placa "B-2°", se sentando em uma cadeira perto a parede, pondo a pasta sobre a mesa e deitando o rosto na mesa, decidindo também olhar para a parede, mais especificamente, para um quadro de aviso pouco acima da cadeira que sempre se sentava; em uma planilha escrita "Limpeza da sala", ele lia no dia 17 de abril seu nome escrito, Ryouji Kamui.


– Droga… queria ir para casa direto dormir… será que consigo fugir e fingir que não vi o quadro?...- Era tudo que ele resmungava, fechando os olhos logo em seguida, não dormindo mas aproveitando em paz ser o único na sala por alguns bons minutos


Mesmo quando enfim os ponteiros do relógio da sala chegavam a 8:30 a sala já estava cheia e movimentada, e finalmente as aulas começam, o garoto continuava em seu canto, eventualmente se distraindo da explicação dos professores, casualmente batendo a caneta sobre a mesa ou encarando as janelas do outro lado da sala


Até mesmo no intervalo, enquanto alguns se juntavam em grupos para conversar um pouco antes de deixarem a sala, ou iam ao refeitório para comer, Ryouji apenas ficava quieto em sua mesa, mexendo em seu celular, casualmente lendo notícias sobre ocorrências que pareciam cada vez mais comuns, misteriosos desaparecimentos de pessoas, vazamentos de gás perto de áreas industriais e estranhas neblinas que simplesmente surgiam pela cidade


– Ótimo período para eu ter resolvido voltar… Urg… — pondo o celular deitado na mesa, ele acompanhava deitando o rosto na mesa e fechando os olhos


– Imaginei que você estaria aqui de novo — quando Ryu estava quase começando a cochilar quando aquela voz familiar, jovial ainda que madura o chamava — bom estava precisando mesmo falar com você


Quem havia entrado na sala era um professor, provavelmente o mais jovem da staff da escola, Yuto Takahashi, o professor de Inglês, um homem em seus recém 20 e pouco, cabelos levemente crescidos bem penteados e cuidados, uma curta e bem feita barba que o dava um ar de maturidade, olhos um tanto quanto cansados porém sempre atentos que apesar de tudo mostravam genuína preocupação


– Você realmente precisa?... — Desinteressado, o mais jovem apenas continuava com a cabeça deitada, tentando evitar o que sabia que viria a seguir, porém tudo que ele conseguia era puxar um suspiro desapontado do professor


– Kamui, Seu histórico não é ruim… Mas ainda assim, você só entrou pela fila de espera, é, desde que as aulas começaram você vem ignorando não só minhas aulas como as de outros os professores, isso quando não decide simplesmente faltar — Ele falava em um claro tom de alerta, repreendendo a conduta de seu aluno — Se continuar assim irá reprovar é sera desligado nas primeiras provas… depois de tido a sorte de conseguir entrar, quer realmente jogar fora essa chance?


A princípio toda a resposta que ele recebia era apenas um silêncio, mas logo se rompia — E só eu não falhar nos teste não?... E mesmo se eu falhar, não é como se não pudesse simplesmente terminar meu ensino médio em qualquer outro colégio…


Outro suspiro pesado era soltado pelo tutor junto a um balançar de cabeça — Mesmo que seja verdade, será difícil encontrar oportunidades como a que damos aqui… você sabe, afinal foi uma das pessoas lutando por uma vaga aqui, não jogue essa chance fora… — Ele mais uma vez re-ponderava antes de pôr sobre a mesa o que parecia um formulário — … você deve ter tido um motivo para querer estudar aqui, não sei o que fez esse motivo se enfraquecer… mas se está com problemas devia ir ver e conversar como conselheiro da escola… o formulário não é necessário, mas o ajuda a formar uma avaliação prévia… o intervalo está terminando em 10 minutos, não durma na aulas dos outros professores


– … E por que se importa tanto? Se eu sair talvez entre um aluno que preste atenção às aulas, problemas resolvido não?...


Yuto respirava fundo, e então olhava aos lados, se certificado que estam só os dois na sala, todo esse cuidado apenas para descer seu punho no crânio do aluno em um certeiro cascudo — Vamos ver se isso ajuda a pôr na sua cabeça, até chegar a esse ponto, eu sou seu professor, e enquanto você for um dos meus alunos, é meu dever como professor e adulto ficar de olho em você, não quero que falhe

Apesar de ser visível nas expressões do mentor que tinha mais para dizer, a intenção final era apenas avisar o jovem, não o forçar, então por isso ele o deixava, porém antes de ir embora completamente da classe, ele olhava mais uma vez com um olhar cerrado — Hoje a limpeza da classe a sua, nem pense em fingir que não leu


– … droga… ~é tão errado assim só querer desistir? ~


[18:45 — Cidade hishio — Colégio Kisetsumirai — 17/04]


O Sol havia acabado de ser engolido pelas montanhas, mas o céu ainda se tingia com o tom laranja dourado do crepúsculo, Ryouji, que havia ficado até mais tarde pelas suas tarefas, já tinha até às feito, mas ao invés de apenas ir embora para casa, subiu até o teto do colégio

A essa altura, até mesmo alunos que ficavam pelas atividades de clubes já haviam partido para casa, porém ele ainda ficava ali, como se aquele lugar o chamasse… olhando o por do sol ao horizonte através das grades protetoras… não era a primeira vez que ele fazia essa pequena rotina, e por isso, também conhecia pequeno segredo…

Um dos cantos da tinha uma solda mal feita, de longe poderia parecer perfeita, porém com um simples toque ela soltava, criando uma abertura para as bordas desprotegidas do prédio, e claro, que em momento como aquele, onde todos já haviam ido embora da escola, ele punha essa informação a uso, atravessando para o outro lado para uma visão melhor, sem a grade atrapalhando, se segurando a grade por garantia

Em todo aquele momento, uma frase assombrada os pensamentos dele


“É tão errado assim estar cansado?... Querer desistir…me entregar a essa monotonia, e apenas me deitar? É tão errado assim…só desistir ”


Fechando os olhos, ele conseguia sentir a brisa batendo em seu rosto, conseguia sentir exatamente a quantidade de força que punha em segurar a cerca…podia sentir os raios de sol fracos sobre seu corpo, mas, essa última sensação repentinamente sumia


– O sol já se pôs… Urg… — A primeira reação, antes de abrir os olhos era resmungar, mas quando enfim os abria, era encontrado por uma pequena surpresa… Quase como se sua mente tivesse travado tentando processar, mas logo os olhos do rapaz começavam a se abrir em surpresa — Pássaro?!


A Dita cuja surpresa ao garoto era que aquilo impedindo o sol não era a montanha na qual ele já se punha, e sim um gigante pássaro que voava em direção a ele, de onde diabos aquele ser havia surgido?! O rapaz não recebia o luxo de poder descobrir a resposta já que o ser resolvia pousar sobre o telhado de forma nem um pouco gentil, amassando completamente a grade protetiva

Ryu instintivamente soltava a grade para tentar sair do caminho, porém tudo que via a seguir era a visão do céu e do terraço se tornando um pouco mais distantes enquanto ele começava a cair; em algum momento daquela queda, o celular dele escorregava do bolso dele, que por sua vez, no impulso tentava o pegar mesmo que tivesse coisas um pouco mais importantes no momento, Graças a isto ele notava que algo estava escrito em caracteres brancos brilhantes na tela apagada do aparelho, a mensagem lia “pequeno Pierrot, você quer poder voar?” Quando o garoto notava e se questionava o que diabos era aquela mensagem, a parte final da mensagem glitchtava e era substituída, alterando para “Você quer quebrar as correntes do teu coração? Você quer subir em teu palco?” com duas opções “Sim” e “Não”, estranhamente, ele sentia que aquelas mensagem estavam quase que zombando


– Mas que… Urg…que saber? — Ele então apertava o “Sim de forma um tanto quanto violenta, se virando e vendo que estava prestes a enfim atingir o chão, ele fechava os olhos, não reparando que a mensagem mudava mais uma vez para “Sincronizando Desejo de usuário”



Então, no pulso dele, um argola de luz surgia, uma pulseira luminosa que se expandida em uma esfera oval que o cobria por inteiro, o envolvendo, obrigando até mesmo Ryouji a abrir os olhos em curiosidade da origem da luz, tal evento misterioso parava a queda poucos centímetros antes dele atingir o chão, o deixando flutuando ali, uma parte da luz então começava a se concentrar em uma forma, logo, algo pairava bem diante dele, também flutuando. Um pássaro? Não exatamente. Um dinossauro? Também não parecia o termo certo. A criatura era um monstro, um ser de aparência ao mesmo tempo reptiliana e aviária. Seu corpo pequeno era coberto por penas de um verde vibrante, e no topo da cabeça uma grande crista branca se unia a uma espécie de máscara da mesma cor, marcada por um chifre carmesim. Em cada mão, três garras da mesma tonalidade vermelha se destacavam, afiadas como lâminas.

Tudo aquilo era capaz de tirar o fôlego Ryouji, o ser na sua frente roubava até mesmo a atenção da queda, e quanto o ser abria os olhos, já fazia questão de encarar o rapaz com grandes olhos curiosos


– O que… é isso…?


As palavras eram mais um sussurro do que uma fala em si, ainda em choque pela criatura híbrida na frente dele


– ... O que é você?


Antes que ele pudesse receber uma resposta, em uma perfeita sincronia, ele e o pequeno pássaro dragão enfim caiam no chão ao mesmo tempo que a outra ave monstruosa, descesse do teto e pousasse no chão em frente a eles, agora o jovem conseguia ver melhor as características daquela enorme monstruosidade, Era um gigante. Um corpo robusto e musculoso, coberto por uma plumagem verde-acinzentada que parecia metálicas. As asas se erguiam como muralhas, estendendo-se ao lado do seu tronco largo, com penas longas e pesadas. O bico, dourado e curvado, reluzia sob os últimos resquícios da luz do céu, e seus olhos brilhavam em amarelo, mas sem traço de empatia, apenas uma besta implacável, o pouso dele levantou uma nuvem de poeira que por hora escondia a dupla

A ave menor se levantava em um pulo, rapidamente se pondo na frente do de cabelos pretos, estendendo as asas de forma protetiva


– Ryouji! Não se preocupa, vo te proteger mano! — Finalmente a o ser menor falava algo, a voz era infantil, jovial, porém confiante e animada


O adolescente com tudo aquilo podia sentir o coração bater na garganta, ele tentava se levantar, mas sentia suas pernas tremerem em pavor, o que diabos estava acontecendo?!? Desde a mensagem estranha no celular até mesmo os dois monstros em sua frente, porque um deles sabia seu nome?! Porque um deles tentava o defender?!... Mas, em meio a confusão que se passava na mente dele, ele engolia seco juntando as forças para se levantar, ele então, como um instinto que podia confiar naquele ser na frente dele, agarrava então a pequena ave, e saia correndo com ela embaixo do braço


– Hey! RYOUJI! me larga cara! a gente dá conta dele — O pequeno dragão penoso pestanejar tentando se soltar

– Quieto seu Tengu! Não viu o tamanho daquilo?! A gente tem que correr!

– QUEM SE TA CHAMANDO DE TENGU?! — A ave irritada picava o torso do garoto, que apesar de soltar um gemido de dor não o soltava — Eu sou Pteromon! Trate de lembrar do meu glorioso nome! — um tanto quanto arrogante o pássaro dizia

– Chame-se como quiser Tengu maldito, mas não parece que teu pai ali tá para muitas amizades não! — ele retrucava tentando correr em direção a escola, esperando que a construção fosse servir para se esconder

– Pai?!? Não compare um grandioso Pteromon como eu com um Parrotmon surtado!!!


Enquanto Ryouji tentava fugir e discutia com o pequeno monstro alado, a poeira começava a baixar a grande ave-monstro enfim os achava, Imediatamente se focando neles, com a pupila dilatando como sinal disso, Ele avançava com o corpo inteiro, tentando bica-los, porém, por um triz a dupla era capaz de passar pela porta da escola, o ataque da ave mostrava a força dela, mesmo errando, estilhaça o vidro da porta e entortava os ferros, rachando até parte do teto no impacto, porém, o espaço era pequeno demais para ave-besta se enfiar, o que não impedia ela de Rugir frustrada

Preocupado com a ave simplesmente destruir o concreto e continuar a perseguição, Ryouji continuava a correr mesmo dentro da escola, pelo horário e falta de reação aos barulhos sabia que ele era o único presente na construção, bom, ele é o estranho monstrinho que se incentivava como Pteromon, por sorte, o monstro que os perseguia, não tentava invadir a escola a força, mas sim ficava a contornando pelo lado de fora, tentando seguir os movimentos da dupla, reforçando para o garoto que devia continuar correndo, já que toda vez que passava perto de uma janela ou parte aberta da escola, era “presenteado” com a aterrorizante visão os olhos do monstro focados no movimentos deles, os observando, como se tentasse resolver um quebra cabeça e conseguir a recompensa que era a dupla, ocasionalmente, quebrando uma janela ao enviar os braços ou cabeça tentando os pegar,


“pra onde vou?!”

“Ele vai me pegar!”

“Pense! Pense!”

“Algum lugar sem janelas…”

“Talvez…”



– O palco! — estava imerso nos pensamentos, ofegante pela correria, por sorte a adrenalina o permitia continuar correndo naquela situação onde não tinha o privilégio de poder parar, então se lembrava do palco, feito no antiga quadra da escola, era completamente coberto, apenas pequenas janela e era dentro dali o prédio principal da escola, se conseguisse chegar lá, poderia se esconder até que aquele monstro fosse embora


Levou mais alguns minutos de correria, e mais alguns surtos com a insistência dos golpes do monstro tentando os alcançar dentro do edifício escolar, mas chegavam

De imediato ao chegar à segurança, o garoto exausto se jogava no chão se deitando, soltando enfim Pteromon


– V-você… o que é você afinal?!... — Ryouji dizia ao dragão penoso, se perguntando porque sequer o levou junto, porque queria salvar ele também

– Tsk Tsk… medroso e não sabe de nada, você está realmente me dando um trabalhão parceiro… não é óbvio, eu sou um digimon! O incrível e único Pteromon!

Ainda não entendia muito bem, mas tentava por seus pensamentos no lugar, Digimon? O que diabos seria isso??... — Aquela coisa, se chamou de Parrotmon? Ele também é um “Digimon”?! Por que aquilo está nos atacando?!

– Sei lá — o digimon respondia de forma inocente, diferente do garoto surtando, ele parecia bem tranquilo com toda situação — Hmmm Ele costuma ser bem territorial, mas normalmente fica protegendo as florestas deles, não deveria estar tão irritado assim

– Você não consegue falar em… Sei lá, digimones ou passarroes para ele parar? Ou perguntar porque ele está nos atacando?!

– Hey! Quem está chamando de pássaro! Sou o grande Pteromon! — ele dizia orgulhoso e confiante — É a gente entende língua humana, se quer perguntar, pode fazer você mesmo, afinal… — pequeno digimon apontava para o teto do grande salão, subitamente, ele que rasgava, sendo aberto pelas garras da ave-monstro Parrotmon que invadia o lugar — Hehe, finalmente vou poder mostrar para esse cara, vamos lá bro!

Percebendo o erro em achar que esteve seguro ali com a enorme ave o encarando, o jovem corria para se levantar enquanto o pequeno digimon parceiro parecia pronto para entrar em combate com o ser múltiplas vezes seu tamanho, então… Ryouji podia sentir os pelos do corpo se arrepiarem…mas aquilo não era medo nem um calafrio….


– isso é… Estática? — iria se perguntar de onde tanta Estática subitamente surgia, mas logo, infelizmente a resposta já o vinha.


As penas vermelhas na cabeça do digimon gigante brilhavam enquanto elétrica de visivelmente se acumulava entre eles, para então, subitamente, ele abrir bico


– Mjölnir Thunder! — Era primeira coisa que o monstro dizia, a voz era aguda mas ainda apavorante e alta vindo de um ser tão grande, e com as palavras também saia um poderoso raio elétrico em direção a dupla.



[19:00 — ??? — ??? — 17/04]


Em meio a um vazio negro riscado por linhas digitais douradas – uma sala sem teto, chão ou paredes visíveis – duas figuras observavam a situação do garoto através de uma tela flutuante.

Uma delas era apenas uma esfera completamente branca, imóvel, mas de presença absoluta.

A outra, humanoide, mas claramente não humana, vestia uma armadura branca e dourada. Sua face permanecia oculta por um visor metálico, marcado por linhas carmesim como as da batina que se estendia sob sua armadura. Em sua mão, repousava uma enorme chave dourada, sustentada como se não pesasse nada.


– Lorde Yggdrasill, tem certeza de que deixar aquele Parrotmon escapar para o mundo humano foi uma boa ideia? – sua voz combinava perfeitamente com sua aparência: poderosa e angelical, suave, mas firme. – Ele é um Digimon do nível Perfect. Mesmo se esse jovem for um dos Escolhidos… é um pouco demais, não acha?


A resposta veio sem som direto, mas preenchendo o espaço ao redor.

A voz de Yggdrasill não saía da esfera, mas ecoava de todas as direções – artificial, sem emoção, suave e fria:


– Minhas simulações indicam que, ao expor um dos Escolhidos a uma situação de risco extremo, há uma elevação de 103.8% na probabilidade de sincronização com o Brasão da Coragem. O risco permanece dentro dos parâmetros aceitáveis para a eficiência do processo.


[19:03 — Antigo palco destruído — 17/04]



O gosto metálico na boca,O zunido nos ouvidos, O corpo, pesado demais para se mover, era isso o Sumário de sensações que passava pelo corpo do jovem

Ryouji não via mais o céu – apenas pedaços do teto pendurados, fumaça, e vigas do teto metálico amassadas.


"Então é assim que acaba..."


Sua visão tremia enquanto encarava o próprio braço estendido no chão. Um pulso eletrônico piscava no visor do estranho relógio em seu pulso – algo que ele sequer lembrava de ter, Era como se aquele pulso batesse por ele, Mais à frente, entre os escombros, Pteromon jazia imóvel.


"O que é isso…pulsando? … desde quando? …"


Uma sombra imensa cruzou seu campo de visão, seguida de um baque seco.

Parrotmon havia aterrissado com violência, interrompendo qualquer divagação do jovem.


"Eu... preciso levantar, não?... Eu preciso?..."

"Porque estou tentando tanto continuar…?"


Aquelas palavras não eram novas – apenas uma dúvida antiga e perpétua voltando à tona. O silêncio ao redor parecia aguardar sua resposta. A dor era insuportável, o medo sufocante

Mas…

MAS… Na tela do relógio, um símbolo em forma de sol surgia, brilhando em laranja.

Ryouji podia sentir seu coração bater com força. No peito, uma fagulha tênue, tímida, quase imperceptível.


À frente, o corpo caído de Pteromon começou a brilhar. Uma luz alaranjada tremulava como fogo dançando ao vento.

Devagar, a luz envolvia o corpo do monstrinho, moldando-se numa figura alada, tão grande quanto Parrotmon – um vulto flamejante, um guerreiro de plumagem ardente.

Mesmo sem compreender, Ryouji começava a sentir esperança, A faísca sobre a possibilidade, por isso reuniu toda a força que ainda tinha e se ergueu.

Sentindo essa chama, essa emoção de forma física vinda do parceiro, Pteromon também se levantou, cambaleante mas resoluto, encarando o inimigo pronto para o contra ataque


– Pteromon! – a emoção escapou pela voz do garoto.

– Agora é nossa hora, bro! – respondeu o digimon, vibrante como antes.


E então... tudo parou… Na tela do relógio digital, o símbolo do sol se desfez, substituído por uma mensagem: “ERRO: LINK MISSING.”, a aura em volta de Pteromon começou a se dissipar como chamas de uma vela assoprada


Parrotmon, por sua vez, sequer se preocupava em atacar. A dupla diretamente.

Apenas bateu suas asas com força, gerando uma rajada de vento violenta o suficiente para fazer os escombros voarem.

Pteromon tentou proteger Ryouji, jogando-se à frente, mas seu tamanho reduzido o tornava pouco eficaz na tarefa que o vinha instintivo

No fim, ambos foram arremessados em direção ao palco destruído. Ryouji caiu de costas sobre o chão de madeira, sentindo mais dor se acumular em seu corpo, ainda assim, bom em meio ao ar, ele instintivamente, agarrou Pteromon com força – um reflexo, sentindo que devia proteger aquele que até então só tentou fazer o mesmo.


"Haha… por um momento… achei que conseguiria... que estupidez...eu… não sou nenhum herói…”

"Eu... não sirvo pra nada..."


Ele então abraçou o pequeno dragão plumado, como se, ao menos, quisesse estar junto dele até o fim e foi quando percebeu: o corpo de Pteromon estava leve... leve demais, translúcido e desaparecendo.


– Bro... desculpa... eu não consegui te proteger... desculpa…- Pela primeira vez, a voz do digimon era fraca, triste. Havia vergonha nela.


Ryouji fechou os olhos. Pronto para aceitar o fim,mas então... uma memória ecoou.

Uma voz feminina, doce, familiar:


"Hey... amanhã a gente continua esse nosso mundo, promete?"


"Eu nunca continuei né? ... Eu nunca mais escrevi aquela nossa novel, né?..."

"Se eu não sirvo pra nada... se ao menos eu… se eu fosse como “ele”..."


Lágrimas se formaram atrás das pálpebras fechadas, Originadas pela frustração consigo mesmo


Já o motivo de o inimigo não ter avançado era porque, na tela do “relógio digital”, um novo símbolo pulsava. Dourado,Angular, Complexo, Como uma letra M cercada de triângulos. Brilhava com intensidade, uma energia nova emanava dali.


A luz envolveu Ryouji e Pteromon – os protegendo, sustentando, Parrotmon hesitou, recuando diante do brilho inexplicável.


"E mesmo… Eu... ainda tenho uma promessa a cumprir não é?."

"Se eu não consigo... então… Talvez…apenas ttalvez…”


A luz se condensou no relógio.

Uma voz animada, juvenil, ecoou do dispositivo:


𝐷𝐼𝐺𝐼𝑉𝐼𝐶𝐸𝑂𝑉𝐸𝑅𝐿𝑂𝐴𝐷:THEPIERROTSHOW


O relógio digital desapareceu do pulso do jovem, brilhou intensamente e então sumiu, se moldando em outra coisa, logo no lugar dele, surgiram dois novos objetos:

Na mão esquerda, um livro de capa dura, pulsando com a mesma luz dourada.

Na direita, uma caneta pena que brilhava em uma luz prateada.


Estranhamente, o conhecimento fluía para a mente dele – instintivo, natural.

E em um instante, ele sabia exatamente o que fazer com aqueles dois utensílios


– ...Entendo... fufu... FUHAHAHAHA! – a risada explodiu, dramáticamente, ele abriu o livro com vigor, preparando-se para escrever.

– Vamos, Pteromon! Você não disse que era grandioso e único?! Levante-se! Está na hora de transformarmos essa galinha em um balde e KFC! — O tom havia mudado, seu olhar era outro, mais intenso, excêntrico e único, quase como se fosse outra pessoa.

– R-Ryouji?... – Pteromon, confuso, mal reconhecia a voz.

Mas o garoto apenas sorriu de canto.

– Errado!

– Pteromon, grave bem isso: eu sou o único e grandioso... RYOUKA! FUHAHAHAHA!


A luz do livro e da pena se espalhava envolvendo o parceiro e graças a ela, Pteromon rapidamente se recuperava, perdendo a aparência translúcida

Parrotmon, por fim, fazia seu movimento e investia mas antes que o inimigo desse um passo… Ryouka escreveu algo no caderno

E então, O mundo mudou

Não havia mais quadra, palco, nem destroços, agora, estavam em um deserto de areia fina, pontuado por cristais de vidro reluzente e claro, sob Parrotmon, uma fossa de areia o prendia tentando o engolir


– ATO I.

– “O herói caminha pelas dunas; os tolos, afundam-se no mar dourado.”


Ele narrava enquanto escrevia.


– ATO II.

– “O calor do deserto não perdoa os perdidos; o mar de grãos se torna um só: vidro eterno.”


A areia solidificava, subitamente se tornando vidro sólido, prendendo momentâneam ente Parrotmon.


– ATO III.

– “O espírito do vento clama por sua promessa.”


Este, ele não escreveu no misterioso caderno, no lugar, apenas comandou o parceiro


– VÁ, PTEROMON!, essa é hora, do nosso contra-ataque!


Notas finais
É com mistérioso poder do digivice, o jogo parece virar! Será isso o suficiente para nosso Tengu Favorito vencer nosso Louro Jose Bolado? Fiquem atentos ao próximo capítulo, pois nele nossa aventura se Digitransforma!... Ks Regras e informações: https://docs.google.com/document/d/1qm5TyMBC6rxHgiSYJo3AA2sA7N8ErcRVTWzVflaFzOY/edit?usp=drivesdk Personagens (Cap 00/01) https://docs.google.com/document/d/1Kb4h6NArm3dggNeyHhsqAUj2CY1j05OA3cHy6dUmMms/edit?usp=drivesdk 🌟Reserva De Personagens⊱ ╔──────⊰۞⊱──────╗ 🔷– Ren Amamiya - Persona 05 @Autor 🔷– Naoto shirogane - Persona 04 @Autor 🔷– Futaba Sakura - Persona 05 @Autor 🔷– Kanji Tatsumi - Persona 04 @Autor 🔷– Thorns - Arknights @Autor 🔷– Lou li - To be Hero X @Autor 🌟Reserva De Digimon⊱ 🔶– Pteramon @Autor 🔶– Herismon @Autor 🔶– Fanbeemon @Autor 🔶– Blucomon @Autor 🔶– Ghostmon @Autor 🔶– Monmon @Autor ╚──────⊰۞⊱──────╝