Digimon Chronicles
1 Capítulo 1 - Prólogo
— Mundo Real, Cachoeira de Minas, MG —
Katsuo havia dormido demais e já passava da onze da manhã quando acordou e foi para a mesa tomar café da manhã. "Esse menino precisa ter mais responsabilidade. Onde já se viu, acordar ha uma hora dessa" sua mãe, Naomi, resmungava enquanto lavava a louça.
Katsuo: Bom dia para a senhora também, mãe...
Naomi: Isso lá são horas de acordar, menino?
Katsuo: Me desculpe, mãe. É que eu não estou dormindo muito bem por causa de uns pesadelos... — Explica, enquanto abria um pão e passava manteiga nele.
Naomi: Espere, não coma agora!
Katsuo: Mas mãe, eu estou morrendo de fome.
Naomi: Me faça um favor primeiro, leve o lixo lá fora e depois pode comer.
Katsuo: Ok, mãe — Ele se levanta, pega o saco de lixo que estava atrás da porta e o leva para a rua. Enquanto ele colocava o lixo na lixeira, ele percebe que, alguém o observava nos arbustos a sua frente — Quem é? Apareça!
— Não se preocupe, por favor. Eu não sou seu inimigo — Disse uma voz que vinha de trás dos arbustos.
Eis que, do meio dos arbustos, surge um ancião com um pouco mais de um metro de altura, barba e cabelos brancos que cobriam quase toda a sua face e sua roupa, tão velha quanto ele, era suja e cheia de costuras. Ele tinha um cajado de madeira em sua mão direita. Com passos ligeiros, ele se aproxima do garoto e começa a examiná-lo.
— Hum... Olhos verdes... Cabelo loiro... — O ancião pega em uma mecha do cabelo de Katsuo — um pouco oleoso, precisa cuidar melhor do seu cabelo, ou logo vai ficar careca!
Katsuo: Ei! O que está fazendo? Saia de cima de mim! — Ele empurra o ancião, que já estava quase em cima dele. O velho se recompõe e continua a falar.
— Tem um coração puro, bravo e aventureiro. Você é, sem dúvidas, a criança que eu estou procurando...
Katsuo: Mas do que você está falando? Quem é você?!
Jijimon: Meu nome é Jijimon e você se chama Katsuo. Sua mãe é japonesa e seu pai é brasileiro... Bela mescla de sangue..
Katsuo: Co-como sabe tanto sobre mim?
Jijimon: isso é uma coisa que, nem você e nem os leitores saberão... Bom, talvez saibam, mas não já!
Katsuo: Você é um velho muito estranho. Fique longe de mim.
Jijimon: Espere! — Ele segura o braço de Katsuo — Minha missão é recrutar as crianças de coração puro para que ajudem meu mundo. Todas deveriam estar em Tóquio... Isso é de praxe em toda história sobre Digimon... Mas já você, eu tive que vir procurar no Brasil... Mas isso também não é importante. Por favor, deixe-me entregar duas coisas que vim entregar.
Jijimon entrega uma carta e um objeto estranho para o garoto. A carta tinha o desenho de um ovo branco com três faixas vermelhas que o envolvia. O objeto, muito parecido com um tamagotchi, era laranja, com detalhes em preto e com botões cinza.
Katsuo: Um Tamagotchi e uma carta...?
Jijimon: Isso não é um Tamagotchi. Talvez seja, mas a situação anda precária, sabe... Minha velha tem que vender Meats o dia inteiro na feira para podermos ganhar um trocadinho no fim do mês... Mas foi modificado para servir como um Digivice!
Katsuo: Ok então...
Jijimon: Agora prepare-se para uma viagem breve, porém cansativa... — O velho toca com o seu cajado no chão e o som se propaga formando um eco enorme.
Quando Katsuo observa melhor, vê que tudo se desfazia e era engolido por um buraco negro abaixo dele. Então, tudo ficou escuro. Katsuo surge desacordado numa clareira no meio de uma floresta. O chão da clareira era todo gramado e tinha uma rocha bem ao lado do garoto desacordado. Em cima dessa rocha, tinha um ovo, igual aquele da carta. O ovo pulsava como um coração, o tal do Digivice apitava sem parar e emitia uma luz amarela. Então o garoto começa a acordar e, aos poucos, se levanta e escora na rocha. Ele pega o aparelho, que apitava freneticamente e, ao toque, o objeto se silencia. Ele senta na rocha e, só então Katsuo percebe o povo pulsante ao seu lado. Ele pega o ovo e o encara firmemente tentando entender o que estava acontecendo. Uma criatura parecida com uma bola de pelos lilás se aproxima e diz:
— É um Digitama...
Katsuo: Um o que?
— Um Digitama. — Repete a criatura — Você tem que cuidar muito bem, pois dele, logo nascerá um bebê Digimon. — A criatura sai pulando sem explicar direito, deixando Katsuo brisando por um tempo.
"Bebê Digimon? Mas o que é essa coisa de Digimon?" Ele pensava.
De repente, o Digitama começa a brilhar firmemente e dele sai um bichinho redondo, de pelos negros e olhos grandes e amarelos. Ele cabia na palma da mão de Katsuo.
Katsuo: Ah! Isso é um bebê Digimon...
Botamon: Puiuiu-puiu!
Katsuo: Ei, o que foi? Está com fome? Deve estar com fome... Mas onde encontro comida...? Ai caramba! Eu não faço a mínima ideia de como criar um bebê.
Logo à frente, vinha, o que Katsuo chamou de "uma abelha gigante", que segurava dois baldes de metal transbordando de tanto mel. Parecia ser amigável e o garoto deduziu que ela falasse assim como aquela criatura lilás.
Katsuo: Com licença, dona abelha...
Funbeemon: Dona abelha? Hum... Meu nome é Funbeemon...
Katsuo: Funbeemon? Suponho que você também é um Digimon, certo?
Funbeemon: Exato! Todos nós somos.
Katsuo: Eu queria pedir um pouco desse seu mel para o meu bebê Digimon que está faminto...
Funbeemon: É um Botamon e, sinto muito, mas esse mel não é para ser consumido.
O Botamon sente o cheiro do mel e pula dentro de um dos baldes da Funbeemon, que derruba tudo no chão espalhando o mel. O Botamon toma um pouco e seus olhos ficam vidrados, olhando para lugar nenhum.
Katsuo: Essa não, Botamon... O que ouve com ele?
Funbeemon: Eu disse que não era para consumo... Eu preciso ir, já m estou atrasada! — ela sai voando as pressas pela floresta a dentro.
O menino ficou olhando para o Botamon muito preocupado. O monstrinho começa brilhar e a crescer, ficando quase do mesmo tamanho de Katsuo. Já não se parecia mais com aquela bolinha de pelos que saíra do ovo. Agora tinha mãos, pés e um par de chifres cerrados em sua testa. Katsuo olhava espantado para aquilo.
Katsuo: Wow!! Botamon... Você... Você... virou um demônio?!!
— Demônio? Onde? — Perguntou ele.
Katsuo: Ah, minha nossa! — Ele andava em volta do Digimon tentando entendê-lo.
Flamon: Katsuo o que ouve? Sou eu, o Botamon, só que eu evoluí para Flamon agora...
Katsuo: Flamon? Mas pra que tantos mons, hein?!
Flamon: Eu não sei... — Ele olha para cima e avista fumaça vindo de algum lugar além das árvores — Olha, fumaça...
Katsuo: E onde há fumaça há...
Flamon: Comida! Vamos, estou faminto! — Diz enquanto começa a correr na direção da fumaça.
Katsuo: Eu ia dizer fogo...
Flamon: Vem logo!
Os dois correm por alguns segundos até que encontram uma cabana no meio da floresta. A fumaça saia da chaminé da cabana que era toda feita de madeira.
Flamon: Deve ter alguém cozinhando alguma coisa lá dentro...
Katsuo: Hum... Talvez um humano!
Flamon: Humanos não são comuns aqui no Digimundo.
Katsuo: Digimundo? Então esse é o nome daqui... Eu sabia. Sabia que não estávamos na Terra!
Flamon: Vamos olhar mais de perto! — Ele puxa o garoto para junto dele e os dois vão mais perto da cabana e observam, por uma janela de vidro, o interior da cabana.
Lá dentro, uma velha anã mexia num caldeirão que estava no fogo abaixo da chaminé. Ela retira um pano molhado com água quente e o leva na testa dum garoto que, estava deitado na cama do outro lado do quarto. Ao lado do garoto, um Digimon parecido com um urso com um boné azul.
Katsuo: Que velha mais esquisita — Ele diz em alto tom de voz.
Flamon: Shiiiiu... Silêncio, ela vai nos descobrir!
— Quem está aí?! Apareçam! — Ordena a velha.
Katsuo: Calma dona coisa, só estávamos observando... Né Flamon?
Flamon: Sim, não viemos fazer nada de mais...
— Mais humanos... Esse lugar está infestado por humanos... — A velha reclama — Querem entrar?
Eles entram na cabana e se sentam no sofá ao lado da cama. A velha vem com duas canecas de chá quente e entrega aos dois.
Babamon: Desculpe-me pelo susto, eu não sou má. Meu nome é Babamon. Bebam o chá, é de jasmim, está muito bom eu garanto...
Katsuo: Ah, dona Babamon, quem é aquele?
Babamon: Eu não sei. Ele apareceu aqui desmaiado sendo carregado por aquele Bearmon ali ao lado dele, eu só estou cuidando para que o garoto não morra...
Bearmon: Ele não vai morrer! Ele não pode morrer! — os olhos da criatura se enchem de água e uma lágrima escorre do olho direito dele.
Babamon: Bom, eu espero que não morra mesmo, estou fazendo o possível para salvá-lo.
Katsuo tomava seu chá despreocupado, até que olha pra onde Flamon deveria estar e não o encontra. Vê a porta que vai em direção aos fundos da cabana aberta.
Katsuo: Para onde o Flamon foi? O_o
Babamon: Essa não... FIQUE LONGE DA MINHA PLANTAÇÃO!!! — Ela grita enquanto corria para fora e Katsuo a seguiu.
Lá fora, Flamon estava debruçado no chão e comia com muita vontade a carne que nascia da terra.
Katsuo: Carne? A senhora planta carne?!
Babamon: Sim, é o meu ganha-pão, agora o faça parar de comer os meus meats!! — ela corre e pega sua vassoura.
Katsuo: Ham... Flamon pare de comer os meats da Babamon!
Flamon: Não posso, estou faminto!
Babamon: Pare imediatamente!! — ela corre atrás dele com a vassoura na mão — Volte aqui, vai ter que pagar por todos os meats que você comeu!! — Ela dá uma vassourada em Flamon e ele cai — agora você vai ver.
Katsuo: Babamon, não o machuque, por favor.
Antes de ela dar "o golpe final", é parada por um rugido que vinha da Floresta. Parecia ser de uma criatura muito feroz e selvagem.
Babamon: Jijimon, é você? O_õ
— GRRRRRAUUUUU!!! — a criatura sai das sombras das árvores se revelando.
Katsuo: Bom, da última vez que vi esse tal de Jijimon ele não se parecia com o Pé Grande! O_O
Babamon: Não é o Jijimon, é Hanumon!
Hanumon — Digimon primata antigo na fase adulta. Ele ataca seus inimigos com o seu osso Nyoi,
Katsuo: Hanumon?
Babamon: Sim, esse Digimon desce das montanhas para comer a minha plantação, é uma praga!
Flamon: desculpe, senhor macaco — ele vai para junto de Katsuo.
Babamon: Fora daqui! Não vai comer meus meats hoje!! — diz dando vassouradas nas pernas do bicho.
Hanumon com um só empurrão joga a Babamon contra uma árvore e ela fica desacordada. Katsuo corre para socorrê-la.
Katsuo: Babamon... Olha o que você fez com ela seu malvado!!
Flamon: Grrrrh!!! Não posso permitir isso!
Flamon agora se parecia mais com um animal selvagem também. Em segundos foi-se seu aspecto de criança indefesa e inocente. Enquanto isso, Hanumon seguia para a horta de meats da Babamon.
Flamon: BABY SALAMANDER!!! — Ele ataca Hanumon pelas costas com uma bola de fogo atirada de sua boca.
Hanumon cai com o impacto do ataque, mas não sofre muitos danos. Logo ele se levanta, pega o osso gigante que estava em suas costas e ataca Flamon com ele. Porém Flamon foi rápido e, com um salto, ele desvia do ataque, pula por cima da cabeça de Hanumon, pega impulso e começa a girar firmando uma roda flamejante que, novamente, acerta as costas de Hanumon. Agora ele se levanta com dificuldade.
Hanumon: DOHATSUTEN!!! — Furioso, Hanumon gira seu corpo e libera vários pelos em forma de espinhos em todas as direções.
Flamon: Katsuo!! — Ele pula na frente do menino e da Babamon os protegendo do espinho, porém, ele sofre alguns danos — Aaaaaaaaaah!!
Katsuo: Flamon, não!
Flamon: Não se preocupe, eu vou ficar bem... Alguns pelinhos não vão me derrubar — ele se levanta — Ei, Monstrengo!
Hanumon: GRRRRRR!!
Flamon: Venha me pegar se for capaz! — corre na direção da floresta — Não se preocupe, Katsuo, eu senti o cheiro do oceano e vou levá-lo para lá. Tive um plano!
Hanumon segue Flamon para a floresta e Katsuo vai atrás. Logo, a floresta acaba e Flamon se depara com um abismo e, no fundo do abismo, o oceano. Ele para a tempo de cair.
Hanumon: Te peguei! — Ele parte pra cima de Flamon com o seu osso, mas antes de ele o alcançar, Flamon dá um salto por cima dele e o empurra. Hanumon se desequilibra e cai no abismo.
Flamon: Hum... Parece que quem te pegou foi eu! U_Ú
Katsuo: Flamon — ele chega as pressas — você está bem?
Flamon: Sim, quem não está é o macacão ali. — aponta pro abismo.
Katsuo: Muito bom, Flamon... ^^'
Nesse momento chegam uma criança e um Digimon que se parecia com uma coelha marrom com manchas rosas.
— Lopmon olha, mais um humano. Eu não sou o único na ilha...
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