Digimon Champloo

2 Capítulo 2, parte 1 - Nasce Renamon


O dia havia chegado. O momento em que a escolhida iria assumir seu posto como mensageira dos deuses do digimundo. Dentro do templo estavam apenas, Baromon – um digimon xamã qe usa uma assustadora ascara azul — e Sakuyamon, o primeiro estava dando as ultimas instruções para a sacerdotisa raposa, sua filha adotiva e aprendiz nas artes sagradas.

Escondida do lado de fora estava Kuzuhamon – um digimon sacerdotisa raposa, ela veste uma armadura negra igual a de Sakuyamon -, irmã gêmea de Sakuyamon, a raposa negra apenas observava a irmã ensaiando os passos do seu primeiro ritual, ia resmungando em voz baixa para sua kuda-gitsune:

– Era pra eu estar lá aprendendo a fazer o ritual de iniciação e não ela. Eu passei anos treinando para me tornar forte física, mental e espiritualmente. –a voz dela pia se enchendo de raiva conforme falava — Como ela pode ter se tornando uma Sakuyamon e eu uma simples Kuzuhamon? Isso não é justo, não é.

Kuzuhamon é uma das digievoluções naturais de Renamon, apenas as mais fortes conseguem evoluir para Sakuyamon. Era costume na vila File que uma destas fosse responsável pelo templo e pelas festividades em homenagem aos deuses digitais, a única exceção para esse costume foi Baromon, era o único de sua geração com as habilidade necessárias para tomar conta do templo.

Baro se lembrava do dia em que as duas raposas entraram em sua vida enquanto via Sakuya, que foi nomeada como Rina, ensaiando uma ultima vez.

Vários anos antes, Wizardmon – um digimon mago especializado em magias de terra e fogo — o bruxo digital estava tomando conta do ovo que iria gerar a candidata a sacerdotisa, seu chapéu estava sendo usado como ninho a tanto tempo que ele já havia se acostumado com a sensação do vento passando pelo cabelo, talvez até o desse de presente para a Renamon quando esta alcançasse o estagio final de evolução. Enquanto o bruxo passava as paginas de um livro sobre magia, ele falava com o digitama:

– Estamos ansiosos para ver como você vai crescer futura sacerdotisa... Embora, eu ainda esteja preocupado, ainda sinto que tem algo errado com seu ovo.

Ele colocou o livro sobre uma mesa de sua casa e se aproximou mais do digitama, esticou ambas as mãos de forma a manter o ovo entre elas e conjurou uma magia de detecção, não sabia dizer que energia sinistra era aquela que circulava por debaixo da casca, estava preocupado com a segurança do digimon que estava lá dentro e mais preocupado com Baromon.

Mais cedo naquele dia, o bruxo havia ido visitar seu amigo, chegando a tempo de ver este conjurar uma magia divina de purificação e então desmaiar, depois de revitalizá-lo usando sua magia, a dupla conversou sobre o ovo e a presença maligna que havia sido notada nele, era algo tão sombrio que nem os poderes de Baromon conseguiam afastar, Wizardmon colocou o ovo no chapéu e disse que tomaria conta deste enquanto o sacerdote descansava, quando este estivesse com sua energia restaurada poderia tentar purificar o digitama novamente e agora com a ajuda do bruxo. Enquanto buscava alguma resposta em seu grimório, alguém batia na porta da casa de Wizardmon, ele achou que fosse o sacerdote:

– Ai,ai... – suspirou antes de abrir a porta e já começava a dar bronca – Baromon, eu falei para você descansar, seus poderes ainda não devem estar no máximo.

– Não sou o Baromon. – era uma voz feminina conhecida do bruxo.

– Vá embora, Witchmon! – o bruxo batia a porta, mas esta não fechava.

Witchmon, uma bruxa digital, tem a aparência de uma bela jovem usando um vestido vermelho colado ao corpo, podendo ser facilmente confundida com uma humana se não fossem por seus braços enormes com mãos terminadas em garras, eles estão cobertos com luvas da mesma cor do vestido.

Ela já esperava que a recepção do colega nas artes místicas não seria das mais amigáveis e por isso havia posicionado o cabo de sua vassoura de forma a evitar que a porta fosse fechada. A bruxa abriu a porta e falou:

– Que forma feia de receber sua amada e bela rival.

– Estou ocupado demais para te expulsar de forma mais enérgica, suma daqui sua bruxa!

– Sempre tão bravo e másculo. Shishi. – ela se abaixava, pois era mais alta que o bruxo, então se encostava a ele e deslizava os dedos pelo peito do bruxo. – Por que você é malvado comigo? Eu venho te visitar e você bate a porta na minha cara, joga água em mim e uma vez tentou explodir com uma dinamite.

Uma veia saltava na testa do bruxo, ele esticava o braço e o seu cajado vinha girando para sua mão, com a ponta dourada em formato de sol aponta para Witchmon e um raio era disparado nela no mesmo instante:

– Thunder Cloud! – a bruxa era lançada em direção a um monte de caixas empilhadas a o lado de uma casa vizinha. – E não encha mais minha paciência, bruxa abusada!

Fechou a porta, apesar de saber que seria em vão e voltou para perto do digitama, pegou o chapéu e o colocou sobre a cama, estaria seguro ali, pois ele sabia exatamente o que iria acontecer a seguir.

Witchmon derrubava a porta com um chute, disparando uma magia de agua em direção ao bruxo e este em resposta conjurava sua magia favorita:

– Aquary Pressure! – a bruxa dispara uma rajada de água de alta pressão capaz de cortar aço.

– Thunder cloud!

Por serem magias do mesmo nível as duas se anulavam quando colidiam.

Já que estavam no mesmo nível quando se trata de poderes místicos, um corria na direção do outro e começavam a usar seus instrumentos mágicos, vassoura e cajado, como se fossem espadas:

– Wizardmon! Não o perdoo pelo que fez com meu cabelo!

– Não é a primeira vez que te deixou com essa palha, que você chama de cabelo, toda espetada!

– Como ousa falar que meu lindo e macio cabelo loiro se parece com palha!? Você vai morrer agora!

– Pare de fazer barulho, vai incomodar o digitama!

A bruxa parava seu ataque e baixava a vassoura, estando com a surpresa estampada na cara, até mesmo seu gato magico colocava a cabaça para fora do chapéu e a olhava, pois aquela era a primeira vez que Witchmon ficava sem resposta para o bruxo:

– Di-di-di-di-di-di-di-di-digitama!?

– É, estou tomando conta de um. Ele esta na minha cama.

– Ma-ma-mas... – Ela olhava na direção da cama e via o ovo dentro do chapéu do rival. – N-n-n-n-não me diga que você...e uma digimon...

Witchmon sentava na cama desliava a ponta do indicador pela casa do ovo, ela abaixava o chapéu vermelho dela sobre o rosto e abaixava a cabeça:

– Então você é o filho do Wizardmon. Parece que eu perdi para outra garota... Ele vai ser um bom pai.

Wizardmon ficava com o rosto ligeiramente ruborizado enquanto escutava o mal entendido de sua colega, tomando a atitude de rapidamente esclarecer aquilo, ao berros:

– Esta é a filha do Baromon! A próxima sacerdotisa do templo desta vila! Não fique tirando conclusões precipitadas, sua bruxa maluca!

– O que?! – a bruxa começava a dar soco, fracos, na cabeça de Wizard – Seu maldito, bobo, proletário, carpinteiro, Nostradamus, idiota, fica me enganando desse jeito! Seu cruel!

Wizardmon apenas suspirava enquanto era golpeado pela fúria de Witchmon, ele levantava a mão como se fosse dar um tapa nela e esta se encolhia no mesmo instante, mas era surpreendida quando o bruxo apenas fazia carinho em seus cabelos:

– Agora seja uma boa menina e fique quieta.

– Então não me assuste desse jeito de novo. – os olhos da bruxa estavam inchados por estar segurando as lagrimas.

– Você é problemática bruxa.

Witchmon começava a recolher as coisas que foram derrubadas durante seu duelo contra o bruxo, algo raro de acontecer, estava tentando ajudar, pois o rival tinha que prestar atenção no ovo. Wizardmon sentava na cama lado do ovo, voltando a ler as magias de purificação que havia sido obrigado a aprender com seu antigo professor, foi quando teve uma ideia brilhante, ele não era bom em magias de purificação e sua rival era boa nas áreas da magia que ele era ruim:

– Witchmon, tenho um favor a pedir.

– Meus socos afetaram seu cérebro? – a bruxa virava apenas a cabeça na direção do mago, estava abaixada e carregando vários livros. – Em uma situação normal você jamais pediria minha ajuda, né?

– Está não é uma situação normal, use alguma magia de detecção no digitama e você vera.

A bruxa largava todos os livros sobre a mesa e limpava as mãos batendo uma contra a outra, nunca imaginou que seu rival fosse pedir ajuda para ela, normalmente iria recusar, mas percebendo que o favor teria relação com a criança que ainda iria nascer, achou que seria injusto negar o apoio que poderia dar. Cuidadosamente tirou o digitama de dentro do chapéu e o segurou com as duas mãos, conjurando o tipo de magia especificado por Wizardmon, assim como o bruxo, confirmou que havia algo errado com o digimon que estava se desenvolvendo:

– Wizardmon, seu amigo Baromon entrou no caminho de alguém da zona das trevas?

– Ele nunca foi muito longe da vila. Mas este digitama veio da cidade do inicio e eu nunca ouvi falar em ovos que carreguem as trevas de sua vida passada.

– Então o ovo foi amaldiçoado durante a viagem até aqui. – Witchmon sentava na cama e deixava o digitama sobre o colo. – Ou apenas tenha sido tocado por trevas de origem natural.

– Se fossem trevas naturais o Baromon teria as dissipado facilmente com uma magia de purificação.

– Como eu temia. Vou pegar seu laboratório emprestado. – A bruxa tirava o chepéu vermelho da cabeça e puxava um gato preto de dentro dele – Felpudo, vou precisar da sua ajuda agora.

– E-então, você vai nos ajudar?

A bruxa colocava o digitama dentro do chapéu e se levantava da cama indo em direção ao laboratório, sendo acompanhada por seu familiar, um gato fantasma:

– Posso não gostar de você ou do Baromon, mas nunca me perdoaria por deixar algo de ruim acontecer a um digimon que ainda sequer viu este mundo.

– O-obrigado, Witchmon! – Wizardmon falava um tanto emocionado, mas seu tom de voz voltava ao normal rapidamente. – Não adianta fazer essa pose de legal e entrar no meu banheiro. O laboratório é a outra porta.

– Shishi... Estava apenas te testando.

Witchmon saia do banheiro e ia para o laboratório dando uma risada timida. Finalmente ela começava a preparar as poções que precisava para tentar identificar quem havia conjurado a maldição sobre o ovo, pelo que sabia de Baromon, ele provavelmente tinha usado todas as magias divinas que conhecia e desmaiado, se o sacerdote soubesse usar magias de rastreio poderia ter descoberto a fonte da energia negativa e ter usado um rito sagrado especifico.

Quando finalmente terminava de preparar as poções que iria usar, as despejava sobre o digitama com cuidado enquanto pronunciava as palavras magicado ritual, se tudo desse certo e o alvo da busca não tivesse preparado nada contra magias de rastreio, logo a bruxa teria a resposta. Nesse meio tempo, Baromon já havia recuperado energia o suficiente para tentar purificar o digitama novamente e acabava de chegar na casa do bruxo:

– Wizardmon, aquela baderneira esteve aqui? – chegou à conclusão por ver a porta caída.

– Sim e no momento esta tentando descobrir uma forma de nos ajudar.

Wizardmon olhava o amigo e via o olhar preocupado por de baixo da mascara, o bruxo se levantava e entregava um copo de água ao amigo, dizendo:

– Acalme-se, o digitama esta em boas mãos.

– O digitama esta com aquela bruxa maluca?

– Ela precisava dele para o ritual de... – Antes que pode terminar de falar, era agarrado pelos ombros e chacoalhado.

– Como você pode deixar minha filha nas mãos daquela irresponsável!? Aposto que ela quebrou o ovo e fritou ele! Você é doido?!

– Se-se-se-se-se-se-se-se acalme Baromon, ela esta dentro do meu laboratório.

O sacerdote soltava Wizardmon e corria na direção do laboratório, mas vira para o lado errado e entrava no banheiro, dando tempo o suficiente para Witchmon sair do laboratório com digitama e ver Baromon encarando a privada:

– Desculpa. Porta errada. – Ela fechava a porta do laboratório e depois abria – Espera, é você que esta usando o banheiro com a porta aberta! Exibicionista!

Baromon se virava na direção da bruxa e era possível ver uma aura vermelha ao redor dele, ele encarou a bruxa e estendeu a mão em direção a ela, soltando fumaça pelas narinas da mascara antes de falar qual quer coisa:

– O digitama.

– Kya! As-assustador... – entregava o chapéu junto com ovo – A-a-a-a-a-a-a-aqui. Por favor, poupe minha vida.

– Obrigado por cuidar dele. – a intensão assassina do sacerdote sumia quando o digitama estava em seus braços. – O que estava fazendo com a minha filha?

– Acho melhor você sentar (e se possivel devolver meu chapéu). Não quero que o ovo quebre.

Os três se acomodavam pela casa do bruxo, Wizardmon sentava na cama, pois sua poltrona favorita já havia sido tomada por Witchmon, Baromon sentava no chão e ficava com o digitama, ainda no chapéu, sobre o colo. A bruxa olhava os dois e respirou fundo, não sabia como falar a noticia que tinha de forma a amenizar o impacto, apenas torcia para que o sacerdote não se levantasse com tudo e acabasse derrubando o ovo no chão:

– Eu usei uma magia para rastrear a origem das trevas no digitama e obtive bons resultados.

– Agora poderei usar uma magia de purificação especial para cortar a ligação entre o ovo e o responsável pela maldição.

– Baromon não se anime, ainda não sabe quem estamos enfrentando. Não se trata de um digimon maléfico como um Devimon ou um Myotismon, eles teriam se prevenido contra magias de rastreio. – ela se afundou mais na poltrona e suspirou, começando a massagear a testa com o indicador e o polegar. – O responsável pela maldição é um dos setes lordes demoníacos, Leviamon da inveja.

Wizardmon e Baromon ficaram em silencio por alguns segundos, os dois sabiam que combater uma maldição lançada por um digimon de alto nível como um lorde demoníaco era uma tarefa quase impossível para eles, apenas uma das quatro bestas sagradas ou digimons de nível extremo com grandes poderes divinos poderiam purificar aquele digitama:

– Você tem certeza, Witchmon? – perguntou Wizardmon depois de formular uma quantidade absurda de teorias em sua mente.

– Eu refiz a magia cinco vezes e conjurei formas de contra-atacar magias anti-rastreio depois da primeira tentativa. – ela se levantou da poltrona e cruzou os braços, um sorriso confiante se formava em seu rosto. – Mas não se preocupem, já bolei um plano para vencermos desse cara. Primeiro preciso que o Baromon faça todos da vila rezarem pela saúde da candidata a sacerdotisa.

– Já estou indo!

Baromon dizia aquilo e levantava rapidamente, havia recuperado seu animo quando escutou que a bruxa tinha um plano, mas acabou esquecendo-se do ovo em seu colo e este caia em direção ao chão, felizmente Wizardmon era rápido o suficiente para saltar de onde estava sentado e pegar o digitama. Todos suspiravam aliviados após aquele mini ataque cardíaco, Witchmon falava com calma:

– Baromon, acho melhor você deixar o ovo sobre nosso cuidado. Vamos o esperar no templo para continuar com o plano.

– Eu também acho. – concordou Baromon.

O trio se separou naquele momento. Já estava começando anoitecer quando Baromon saiu correndo pela vila para dar inicio ao plano, ele batia de porta em porta para pedir que os fieis rezassem pelo bem da sacerdotisa que estava para nascer, não precisou dar muitas explicações, pois os habitantes da vila confiavam nele o bastante para saber que se ele estava fazendo um pedido deveria ser algo urgente. Enquanto isso Wizardmon ascendia as velas da sala principal do templo, das escadarias a entrada, assim iria garantir que o amigo subisse todas escadas do templo sem tropeçar, Witchmon começava a posicionar os instrumentos sagrados do templo de forma a potencializar tanto a magia divina do sacerdote quanto a magia arcana dela, ela sabia que iriam precisar do maior quantidade possível de energia possível para tentar purificar o digitama.

Quando Baromon finalmente chegava no templo estava exausto, a anos não corria daquela forma, a ultima vez que isso aconteceu foi quando um Myotismon tentou invadir a vila File. Mas deixando memorias de lado, para se focar no que iria se feito a seguir, Witchmon esperou que o sacerdote recuperasse o folego antes de explicar todo o plano dela e o motivo de todos aqueles preparativos. Quando conseguiu voltar a falar, Baramon perguntou:

– O que faremos agora?

– Vou explicar meu plano. Vamos conjurar uma magia de purificação especifica para quebrar a maldição conjurada por Leviamon, mas pra isso vamos ter que usar toda energia sagrada disponível na vila.

– Então foi por isso que você fez o Baromon correr por toda File pedindo para os habitantes rezarem e fez todos estes preparativos. – Wizardmon interrompia a bruxa e explicava antes dela.

– Wizardmon, quem fez o plano? – perguntou aquilo encarando o bruxo.

– Você.

– Então não explique o meu plano! – a bruxa gritava e então se acalmava para prosseguir com a explicação. – Como eu dizia... Para conseguirmos usar toda energia disponível, eu organizei os instrumentos sagrados do templo de forma a potencializar a minha magia e do Baromon, apenas nos iremos conjurar a magia. Wizardmon vai usar uma magia de transferência de mana, assim ele vai nos passar a energia magica dele e iremos conseguir suportar mais tempo a magia de purificação. Para evitar que sejamos surpreendidos por algum contra-ataque do Leviamon, pedi para o Felpudo assumir a forma de uma barreira de proteção contra tipo vírus. Alguma duvida?

– Entendemos. – Baromon e Wizardmon respondiam ao mesmo tempo.

– Muito bom, vou esperar dentro do templo. Venham quando o Baromon estiver pronto.

‘A bruxa entrava no templo e deixando os dois amigos sozinhos, sabia que eles deviam ter algo para conversar antes de prosseguirem com o ritual. A dupla sentava na escadaria que dava acesso ao templo, eram vários degraus que começavam na vila e terminavam no alto de um monte, Baromon se lembrava da primeira vez que subiu aquelas escadas e não deixou de comentar com Wizardmon:

– Lembro que eu ainda estava no estagio novato quando subi essa escadaria. Um patamon não devia subir tantos degraus, temos formato redondo e somos gordinhos. Rolamos facilmente, sabe?

– Vai dizer que você caiu e rolou todos os degraus?

– Não rolei todos! – falo envergonhado – A minha antecessora estava subindo a escadaria, viu uma bola rolando escada abaixo e a chutou.

– Você era a bola?

– Era. – Baromon cobria o rosto com as mãos enquanto o bruxo dava tapinhas em suas costas. – Espero que minha filha adotiva possa sentar e conversar com os amigos dela da mesma forma que estamos fazendo agora.

– Não se preocupe Baromon. Eu nunca vi a Witchmon se dedicar tanto em alguma coisa. O plano dela não vai falhar.

– Estou confiando nela. Mas o que me incomoda é entender o motivo de Leviamon.

– Ele é um dos sete lordes demoníacos, um digimon destinado a viver sobre a influencia constante de um dos sete pecados. Talvez digimons comuns como nos nunca iremos entender o motivo deles amaldiçoarem o mundo digital ou a dor que sentem.

– Agora você falou igual um sacerdote.

– V-vamos para dentro terminar o que começamos.

Os três se posicionavam para dar inicio ao ritual, o digitama era coloca no centro do templo, Baromon e Witchmon ficavam um ao lado do outro com Wizardmon posicionado logo atrás deles. Sacerdote e Bruxa começavam a recitar o cântico de suas magias de purificação, fazendo com que as relíquias começassem a absorver a energia sagrada reunida através das orações do povo da vila, assim potencializando o efeito da magia que seria conjurada pela dupla. O único verso que Baromon e Witchmon falavam juntos era o ultimo:

– Convoco a proteção da tartaruga negra do norte. Peço a força do pássaro rubro do sul. Empreste-me sabedoria do dragão azul do leste. E suplico pelo pode do tigre branco do oeste. Por favor, quatro bestas sagradas, respondam esta oração e anulem a maldição que foi conjurada sobre este digitama! Purificação dos quatro pontos cardeais!

Os quatro cantos da sala que ficavam voltados na direção de cada um dos pontos cardeais eram iluminados por uma forte luz da cor da besta sagrada que dominava aquele ponto, negro para o norte, vermelho ao sul, azul no leste branco a leste.

Da palma da mão da bruxa e do sacerdote era disparado um feixe de luz policromático, onde era possível se observar a cor negra, branca, azul e vermelha, que iluminava o digitama. Wizardmon esperava pelo momento certo para começar a transferir sua energia para dupla, sabia que não iriam aguentar mais do que alguns minutos usando uma magia de purificação daquele nível, mesmo tendo juntado tanta energia para usar aquele ritual.

O bruxo apenas observava o andamento do ritual e esperava que as trevas dentro do digitama fossem expulsas, elas deveriam sair de dentro do ovo como se fosse uma nuvem negra que se dissiparia no sentido dos quatro pontos cardeais, notando que haviam passado três minutos e a magia ainda não tinha surtido efeito, ele dava inicio a sua parte do plano. Wizardemon segurava o cajado com ambas às mãos e esticava os braços na direção de seus companheiros, mantendo seu bastão na horizontal e pronunciava em voz baixa:

– Empresto minha energia a vós para realizarem um grande ato.

De ambas as pontas do cajado começavam a fluir a energia magica do bruxo e ia à direção de Barromon e Witchmon.

Ambos não perdiam a concentração na magia que estavam conjurando, não relaxando nenhum musculo de seus corpos, tinham de estar atentos, pois na pior das hipóteses o responsável pela maldição tentaria evitar que esta fosse quebrada. Dos três, o único que percebia o som de algo rachando era Wizardmon, uma vez que não precisava estar completamente concentrado na magia que estava usando. Mais estalos foram ouvidos antes do bruxo perceber que o digitama estava rachando e começando a emitir o brilho que indica que estava na hora do nascimento:

– Droga... É agora ou nunca. – dizia o bruxo que aumentava a quantidade de energia que enviava para o máximo e rezava. – Por favor, Yggdrasill, proteja esta criança que vai nascer.

O digitama começa a tremer, fazendo com que mais rachaduras surgissem em sua casca, quando o ovo finalmente começava a abrir, uma forte luz escapava de dentro dele e ofuscava a visão do que estavam presenciando o nascimento da próxima sacerdotisa da vila File, isso acabava parando a magia de purificação.

O interior do templo ficava mudo por alguns segundos, o que teria saído de dentro do digitama? Era a perguntava que passava pela cabeça dos três que estavam lutando contra a maldição. Não demorou e logo as paredes do local vibraram com o choro de um bebê, mas que um, nasceram duas Relemon – uma pequena bolinha de pelos amarelos com cauda de raposa — do mesmo digitama.

Barromon foi o primeiro a se aproximar dos bebês, pegou ambas as bolinhas peludas com cuidado, eram tão pequenas. Quando a visão do sacerdote voltou ao normal, ele percebeu que uma das relemon tinha pelos negros, enquanto a outra tinha pelos amarelos, chamou por Wizardmon e Witchmon:

– Venham ver minhas filhas. – havia orgulho em suas palavras.

– Nosso ritual funcionou? Eu realmente não esperava que o digitama fosse chocar. – Witchmon se aproximou e se surpreendeu em ver uma Relemon com pelos escuros. – Primeiro o digitama da à vida a duas e agora isso?

– Qual o problema Witchmon? – indagava Wizardmon, mas não precisava de resposta ao ver os bebês.

Os bruxos ficavam em silencio, não era comum dois digimons nascerem do mesmo digitama. A purificação não havia funcionado completamente, conseguiu evitar que o bebê fosse possuído pelas trevas e forçado a digievoluir para um ser perigoso, mas em contra partida o vírus que habitava o ovo usou os dados originais e deu original a Relamon de pelos negros. Wizardmon segurou o mais firme, que conseguia naquele momento, seu cajado e conjurou uma magia de levitação sobre a raposinha que não devia existir:

– Irei eliminar este vírus pessoalmente.

– Não! – dizia Baromon – Vírus ou não, ela ainda é minha filha!

– Baromon! Quem sabe o que ela vai se tornar no futuro? Ela é perigosa!

– Mas ela não pediu para nascer! Ela ainda é uma candidata à sacerdotisa. Não podemos a matar por ter nascido das trevas.

– Ela não poderá se tornar uma sacerdotisa de File! Ela é a criação distorcida de um demônio e vai acabar seguindo os passos dele, mais cedo ou mais tarde!

Wizardmon era surpreendido por um tapa dado por Witchmon, o golpe era tão forte que derruba o bruxo e jogava o chapéu dele para longe, ainda no chão ele tocava o rosto e olhava a bruxa, os olhos dela estavam cheios de raiva por alguns segundos e então caia de joelhos, derramando lagrimas:

– Wizardmon, não diga isso! Todos os digimons nasceram com direito de escolher serem bons ou maus! Eu sou como essa Relemon, fui abandonada quando atingi o estagio novato por ter me tornado uma Aruraumon e não uma Palmon. Por isso... Por isso... Por isso poupe esta filha do Baromon. Podemos ensinar ela a ser boa e vamos ter duas sacerdotisas em File, os moradores da vila vão dizer que isso é uma mensagem divina.

Wizardmon ficava em silencio, ele sempre achou estranho seu mestre tratar Witchmon como se fosse uma filha quando não estava dando aula, mas nunca imaginou que ela tivesse sido adotada por ter sido abandonada pela própria família por ser diferente.

O bruxo se sentiu extremamente envergonhado por sua atitude de segundo atrás, como poderia ser tão estupido e achar que a única solução era dar fim a uma vida que nasceu sem nenhum pecado?

A pequena Relemon negra flutuou até os braços do pai com o efeito da magia do bruxo. Wizardmon deitou as costas no chão e disse:

– Não vou pedir perdão. Mas prometo que vou ajudar a tomar conta dela.

– Obrigado, seu babaca, atrevido, sacripanta, marmota, Carl Max, bobo e sem sex appel.

– Obrigado aos dois. – Baromon agradecia de forma menos ofensiva e sentava, aninhando suas filhas no colo.

– Ei, Baromon, elas vão precisar de nomes. Se as chamarmos de Renamon vamos criar muita confusão. – afirmava o bruxo.

– Concordo, mas qual nome deve se dado a elas? – o sacerdote pensou por alguns segundos e disse – Já sei! Chamarão Sombra e Escuridão!

– Só que não... Vocês homens não sabem dar nomes para garotas. Deixa que eu, a fabulosa e humilde, Witchmon, nomeio essas gracinhas que dão vontade de apertar! – mexia os dedos da mão parecendo que realmente ia apertar os bebés e dizia os nomes – A que nasceu com pelos amarelos será Rina e a com pelos negros será Rani. Shishi. Sou genial, né?... Wizardmon, não é hora de ser sincero.

Wizardmon havia pensando em falar o obvio, mas fechou a boca, pois sentiu que a vida dele corria perigo naquele momento, Baromon não se conteve e começou a rir e logo foi acompanhado pelos dois amigos, mas pararam assim que as Relemon começaram a chorar. O trio não sabia o que fazer, eles não aprenderam a cuidar de bebês durante o treinamento.

Baromon aprendeu rapidamente a tomar conta de suas filhas, graças a ajuda de Witchmon e Wizardmon. A bruxa procurou livro sobre como cuidar de bebés, levava dezenas para o templo, mas nenhum deles conseguia ler, pois perdiam muito tempo procurando as relemon brincalhonas. O estagio bebê de Sakuyamon e Kuzuhamon são conhecidos por gostarem de brincar de esconde-esconde, fazendo uso de sua capacidade de se transformarem em pequenos objetos para dificultar a chance de ser encontrada. O único defeito na transformação de uma Relemon é a cauda de raposa que não pode ser transformada, ficando naturalmente exposta, quando Rani e Rina começaram a se ocultar eram encontradas por causa da cauda, de inicio por não a esconderem, depois por balançarem a cauda quando percebiam a frustação do bruxo e do pai tentando as encontrar, até aprenderem a mantê-la escondida. Uma vez, Rina só veio a ser encontrada por ter começado a chorar de fome.

Foram dois meses brincando com os bebês e tentando as ensinar que não deviam se ocultar em todos os locais que encontrassem, Baromon sempre resmungava o quanto era terrível encontrar as duas na floresta aos arredores do templo.

Com o termino do segundo mês de vida das Relemon, elas naturalmente digievoluiram para o estagio “em treinamento”, já sendo capazes de falar e aprender os conhecimentos básicos exigidos de uma candidata à sacerdotisa de File. Durante uma visita de Witchmon, ela não deixou de comentar com o sacerdote:

– Baromon, a Rani esta ficando com o pelo mais claro depois que evoluiu para Viximon.

– Eu também percebi e o Wizardmon comentou a mesma coisa quando veio ontem. Acho que quando ela evoluir para Renamon vai ficar com o pelo amarelo igual da Rina.

Witchmon observa suas sobrinhas de consideração brincando e perguntava a Baromon:

– Elas nunca acharam estranho cada uma ter pelos de cor diferente?

– Não e nem me perguntaram o motivo de uma ter pelo amarelo e a outra não. Provavelmente não devem ligar para essas diferenças.

– Vovó Witchman, vamos brincar? – perguntava Rani.

– Vovó? – uma veia saltava na testa da bruxa – Aposto que o Wizardmon ensinou vocês a me chamarem assim! Aquele bruxo... Não posso falar palavrões!

– Sim, vovó, foi o tio que ensinou. – concordou Rina.

– Rani, Rina, me chamem de tia, ta bom? Sou nova demais para ser avó de vocês. – a bruxa suspirou enquanto Baromon apenas ria e perguntou as sobrinhas – Do que vocês querem brincar?

Apesar de terem evoluído Rani e Rina ainda pareciam bolinhas de pelo, apenas estavam maiores do que antes, tendo o tamanho de gatos, já possuíam pernas e braços curtos e orelhas, ficando mais parecidas com raposas. As irmãs trocavam olhares, sorriam e iam correndo na direção da bruxa, uma saltava sobre ela, a derrubando,. enquanto a outra roubava seu chapéu:

– Rani, devolva o chapéu da tia! – Witchmon esticava a mão pedindo pelo chapéu.

– Hehe... Não! Vem pegar! – as irmãs raposa começavam a correr pelo templo.

– Eu vou transformar vocês em... Gekkomons!

– Kyaaaaaa! – gritava Rina apenas para fazer graça

– E não adianta se passarem por fofinhas agora!

Baromon aproveitava aquele momento de sossego para preparar um pouco de chá enquanto observava as filhas fazendo a bruxa de boba, pois quando ela chegava perto de uma para pegar o chapéu, quem estava com o chapéu jogava para outra dando continuação à brincadeira.

O sacerdote se divertia apenas olhando elas brincarem, mas esperava que Witchmon estivesse agindo como uma boa tia, pois às vezes ele tinha a impressão que ela estava realmente se esforçando em tentar pegar o chapéu de volta e estava sendo enganada por duas crianças. Quando o chá finalmente ficava pronto, Rina parava na frente do pai e jogava o chapéu para ele:

– Toma.

Era tudo que a pequena falava antes de sair correndo, o sacerdote olhava para o chapéu e então para frente, sentindo uma aura assustadora indo na direção dele. Qual quer um iria se lembrar de que a bruxa não precisava se segurar contra digimons adultos:

– Baromon, devolva meu chapéu.

– Não pai, não da o chapéu para a Tia!

– Pai corre e passa pra mim! – gritava a Rani enquanto dava pulinho tentando chamar atenção.

– Nem pense nisso Baromon. Você sabe que eu não vou hesitar em acertar você.

– Pai passa pra mim! Pra mim!

– Vou me arrepender disso... Rani, Rina, vamos correr!

O sacerdote começava a correr dentro do templo e além de ter que prestar atenção em quando passar o chapéu ou receber. Tinha que se preocupar com as magias que a bruxa lançava na direção dele sem hesitar, algumas vezes sendo acertando por um jato de água mesmo estando sem o chapéu em mãos. No final daquele dia, Witchmon estava tão cansada que acabou passando a noite no templo, uma tarefa difícil, pois as Viximon dormiram amontoadas em cima dela.

Os dias de brincadeira acabaram apenas quando as irmãs evoluíram para o estagio novato, Renamon, assumindo a forma de raposas bípedes do tamanho de humanos com quinze anos de idade, agora ambas tinham pelos amarelos e brancos pelo corpo, para ficar fácil de diferenciá-las, Rani usava mangas vermelhas, presente de Witchmon, e Rina usava mangas roxas.

Finalmente havia chegado a hora de revelar o dever das irmãs e o quanto deveriam se esforçar para isso, Baromon pediu para que Wizardmon e Witchmon estivessem presentes no templo no momento em que fosse explicar a Rani e Rina o que significava ser uma candidata a sacerdotisa de File.

As irmãs raposas estavam sentadas uma ao lado da outra, sobre as pernas e com a coluna reta, a dupla de bruxos estava sentada no lado oposto, logo atrás de Baromon, o único que estava em pé dentro do templo. O sacerdote jogava sal nos quatros cantos da sala em que estavam para purificar de qual quer energia negativa, se posicionava em frente às filhas e fala em voz alta:

– Hoje, eu, Baromon, centésimo sétimo sacerdote da vila File e atual representando das bestas sagradas, devo revelar a vocês, Rani e Rina, a função que estão destinadas a assumir! Estão prontas para ouvir?

– Sim! – respondiam em uníssono.

– Rani e Rina, vocês são predestinadas a assumir o papel de sacerdotisas no meu lugar, mas para isso devem receber a aprovação de Fanglongmon, o dragão amarelo do centro. Como candidatas de sacerdotisa, o dever de vocês é treinar corpo, mente e alma. Devem ser fortes para se defender, inteligentes para reconhecer mentiras e possuir espirito forte para controlar a magia divina! No entanto, existem outras candidatas à sacerdotisa e elas podem tomar o lugar de vocês caso o dragão amarelo acredite que um deles seja mais capaz. Então, treinem com afinco e não desistam perante as provações que deverão superar!

A partir desse momento as coisas começaram a lentamente, mudar. As irmãs eram treinadas em combate corpo-a-corpo, apreendiam sobre religião e magia, precisavam saber se defender para proteger a vila das ameaças. Seus mestres eram Wizardmon, Witchmon e Baromon, os bruxos ensinavam a teoria da magia e as diferenças entre as magicas de origem arcana e divina, o sacerdote ensinava todo o resto, de matemática a teologia.

Das duas irmãs, Rani era a que mais esforçava, suas habilidades físicas eram excepcionais e sua capacidade mental impressionava, mas por mais que tentasse suas magias divinas eram de baixo nível e por vezes falhavam, em contra partida Rina conseguia dominar perfeitamente a magia, Wizardmon acreditava que ela seria uma das poucas sacerdotisas capaz de conjurar magias divinas e arcanas, mas independente de seus pontos fortes e fracos, ambas eram motivo de orgulho para o pai.

A primeira vez que elas vieram a medir a diferença habilidades uma contra a outra foi durante uma das aulas de Wizardmon, mas por culpa de Witchmon, tudo começou quando a bruxa chegou e a aula já estava na metade:

– Oi Wizardmon. Rani e Rena estão sendo obedientes?

– Sim, tia. Não achei que fosse vir hoje. – Rina sempre era animada e amável.

– Rina, esse seu jeito vai te render muitos garotos no futuro. Embora o jeito serio e reservado da Rani, a torne misteriosa e isso também atraia a atenção do sexo masculino.

– Tia Witch, por favor, não faça esse tipo de comentário... Durante a aula. – O rosto da Rani estava ruborizado, mas ela tentava manter a pose.

– Witchmon para de atrapalhar minha aula! Vá embora daqui! – Wizardmon como sempre caloroso com a bruxa.

– Shishi... Esta com ciúmes bruxo?

Ela descia da vassoura e se aproximava do bruxo, recostava-se sobre o mago e abaixava as abas da capa de Wizardmon, deixando o rosto dele visível, a bruxa ia aproximando o rosto do dele enquanto falava:

– Eu sempre soube que você se preocupava comigo bruxinho. Aposto que você não gosta de saber que eu posso estar andando com outros digihomens, né?

– Witchmon... – o bruxo ficava em silencio e apenas encostava o cajado na barriga da mulher digimon.

– Você não faria isso logo agora, né?

– Thunder cloud!

A bruxa era eletrocutada pela magia do mago, ela caia no chão com os cabelos espetados e soltando fumaça pela boca, o bruxo tentava dar continuidade a aula, mas esperava suas alunas pararem de rir da cena:

– Como eu estava explicando. As magias ligadas a Zhuqiaomon são especializadas no elemento fogo e eu acredito que a magia mais poderosa concedida por ele é... – era interrompido por uma mão que agarrava sua perna.

– Bruxo maldito, fedido, coração de pedra, insensível, lerdo, tapado, incapaz, Sun Tsu! Vamos lá para fora resolver nossas diferenças!

– Estava esperando por isso. – saia da sala de aula improvisada no templo, arrastando Witchmon.

– Eles não têm jeito, irão brigar novamente. Vamos lá ver, Rani?

Rani apenas suspirava e seguia com a irmã para o lado de fora da sala, ela se se encostava a uma das colunas que suportava o telhado que cobria o corredor externo que circundava o templo, Rina se sentava e ficava olhando o duelo de “espadas” dos bruxos, ria discretamente enquanto via dos bruxos brigando como se fossem criança:

– Rina, como será lutar com alguém que esta no mesmo nível que você?

– Não sei, mas observando o tio e a tia, parece ser bem divertido. Eles podem parecer bravos por fora, mas sinto que estão sorrindo por dentro. Você consegue ver, Rani?

– Não, mas você poderia me mostrar.

– Aya? – olhava para a irmã com cara de interrogação.

– Eu sei que você entendeu, Rina!

– Era pra eu entender alguma coisa?

–Vamos lutar.

– Então era isso! – batia a palma de uma mão contra a outra – O papai nunca falou que não podíamos testar nossas habilidades uma contra a outra, então acho que não tem problema né?

– Pare de enrolar.

– Sim!

Rani apenas suspirava, às vezes lamentava por ter uma irmã tão lenta em entender as coisas.

As duas tomavam posição para começar a luta que serviria como um treinamento para elas, mas Wizardmon e Witchmon estavam ocupados demais no próprio duelo para dar qual quer tipo de aviso às irmãs, assim as duas começavam a trocar golpes físicos. Rina aplicava socos e chutes precisos, mas as habilidades de combate superiores da irmã anulavam cada ataque e tornavam difícil para ela defender, até ser acidentalmente acertada com um soco mais forte no rosto e dar alguns passos para traz:

– Desculpe-me, Rina. Eu não queria te acertar com força, vamos parar aqui.

– Não foi nada, Rani. Vamos continuar, eu quero me tornar tão boa quanto você. – ela levantou um dos braços e abaixou o outro, os movia, formando um circulo no ar. – Senhor Baihumon, soberano do oeste, me empreste um pouco de sua força! Tekken!

Rani reconhecia aquela magia, era os punhos de ferro de Baihumon, além de aumentar a força física de quem a conjurava, também melhorava sua velocidade e capacidade de resposta em combate, era perfeita para compensar a falta de habilidade da irmã:

– V-você aprendeu a usar a Tekken?

– Sim. Eu vi que você estava tentando dominar essa magia divina a tempos e decidi tentar ontem, consegui usar na primeira tentativa, mas fico muito cansada depois que o efeito acaba.

– Incrível, Rina! Você aprendeu sozinha a usar a Tekken? – perguntava Witchmon.

– A Rina é habilidosa com magias arcanas e divinas, mas não acho que vá superar a Rani em combate usando a Tekken. Prossigam com o treino, mas tomem cuidado para não se machucarem. – Wizardmon afirmava ao mesmo tempo que alertava.

– Sim, tio Wizardmon! – respondiam as duas irmãs.

Os bruxos haviam parado o duelo para observar as irmãs treinando, o que havia chamado a atenção eles era Rina conjurando uma magia divina de alto nível sem nenhuma dificuldade. A luta entre as raposas continuava, mas agora Rani conseguia apenas ficar na defensiva, os socos e chutes agora estavam mais pesados e o tempo de reação dela estava mais apurado, se não tomasse cuidado iria ser golpeada facilmente.

Como da ultima vez, um golpe acertava por acaso uma das Renamon, mas agora era Rani que era acertada no estomago, porém um golpe aplicado com ajuda dos punhos de aço era muito mais forte que um soco normal, isso fazia a raposa cair de joelhos e se curvar, com as mãos sobre onde foi acerta e dificuldade para respirar, Wizardmon ia a socorrer enquanto Rina parecia assustada:

– Rani, você esta bem? – perguntou o mago

– Irmã, desculpa, desculpa, desculpa. Eu não queria te machucar. – Rina não parava de pedir perdão.

– Acalme-se Rina, sabemos que vocês estavam empolgadas com a luta. Acidentes acontecem. – Witchmon tentava consolar a sobrinha.

O que fez Rina sentir que devia tantas desculpas era o olhar enraivecido de Rani, como se esta a odiasse independente de serem irmãs. A Renamon que estava no chão estava com raiva, muita raiva, havia se esforçado tanto para tentar dominar aquela técnica, não tendo sucesso, enquanto sua irmã o fez em apenas um dia.

Rani não conseguia aceitar o fato de que havia sido superada na única coisa em que se destacava. Aquilo a enfurecia. O ocorrido daquele dia logo teria sido esquecido por todos, menos pela raposa que fora golpeada no estomago, aquele foi o começo de um caminho repleto de amarguras.

Notas finais
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