Digimon Beta - E o Hexágono do Mal
8 Batalhas em Salvador e no Rio de Janeiro
Garurumon é muito hábil. Conseguia saltar sobre prédios com mais de vinte metros de altura e desenvolvia uma grande velocidade pelas ruas da capital baiana. Seadramon seguia em sua cola, voando paralelamente ao chão. Garurumon tentava a todo o custo despistar Seadramon e, apesar de boas tentativas, não conseguia tal feito.
Repentinamente o digimon salta e, com uma cambalhota no ar, consegue ficar de frente para Seadramon e dispara:
– Rajada Uivante.
Enquanto pedalava até sua casa, o digivice de Verônica reage.
– Tem um digimon por perto.
– Tem certeza? – pergunta Plotmon dentro do cesto da bicicleta.
– O digivice ta indicando. Vamos atrás dele.
Sem titubear, Verônica muda de rota e começa a pedalar mais rápido. O digivice seguia mostrando, com um triângulo vermelho em sua tela fazendo às vezes de bússola, qual rua a garota devia tomar. Quanto mais próximo, mais estrondos ela conseguia ouvir. Ao cruzar uma esquina e tomar a direção indicada pelo digivice, Verônica para de pedalar ao vê Seadramon ser arremessado contra um prédio com João ainda em suas costas. O garoto acaba largando o corpo do digimon com o forte impacto que recebera.
– João! – grita Verônica sem ser escutada.
Pela mesma esquina que surgiu Seadramon, surge Garurumon rosnando como um cão prestes a atacar a qualquer momento. Plotmon salta do cesto da bicicleta e avança em direção a batalha. No percurso, o cachorrinho de pelúcia é envolto pelo casulo da evolução e torna-se Tailmon, que consegue atacar o lobo com um chute nas costelas e o afasta do Seadramon. João aproveita o momento e corre até Verônica. Seu boné xadrez acaba ficando para trás.
Lúcia estava deitada na cama. Ficara off-line assim que João e Verônica saíram.
– Eu daria tudo pra estar em Salvador agora.
– Quero conhecer Plotmon pessoalmente. É muito ruim viver sem nenhum amigo digimon por perto.
– Tenho uma novidade para você.
– O quê é?
– Verônica disse que apareceram mais dois domadores.
– Dois domadores?
– Dois meninos. Um é domador de um Betamon e o outro ainda não achou o parceiro.
– Legal! Por isso que eu quero ir pra lá o quando antes.
– Calma, eu já te disse que falta pouco.
– Ta bom.
– Eles devem estar batalhando agora.
– Sério?
– Eu tava teclando com Verônica e o domador do Betamon quando os digivices deles reagiram e eles foram atrás do digimon. Disseram que lá aparecem muitos.
– Pelo visto o Arquivo Digimon está correto.
– É bem provável que Verônica não tenha lido o Arquivo. Se não, ela teria dimensão do que Salvador representa para o Mundo Digital – o digivice de Lúcia reage e em sua tela surge um triângulo vermelho.
Guiados pelo digivice, eles chegam à praia de Copacabana, que aparentemente estava sossegada. Gotsumon utilizava um roupão preto e um boné amarelo, para ocultar sua verdadeira aparência. Quando chegou a areia, ao lado do forte de Copacabana, o boneco de pedra se despe do que vestia e entrega a sua domadora.
O forte de Copacabana é uma construção antiquíssima, assim como o Farol da Barra, construído da época do Brasil colônia com o intuito de proteger da cidade de eventuais invasões inimigas.
– Tenha muito cuidado. Ele deve estar escondido.
Gotsumon anda bem devagar e observa o local atentamente procurando o inimigo. Lúcia também seguia observando aos arredores quando, ao olhar para cima, percebe que uma ave de penas rosa mergulhava na direção de Gotsumon.
– Atrás de você! – Lúcia grita tentando alertar seu digimon, mas não há tempo. O pássaro rosa rapidamente agita suas asas como se quisesse direcionar o vento e libera uma energia espiralada de cor verde. O digimon de pedra cai de costas na areia após ser atingido.
Lúcia retira seu digivice, que estava pendurado ao pescoço, e rastreia informações do oponente.
Piyomon, um digimon no nível Novato. Esse pássaro de plumagem rosa possui oitenta centímetros de altura e é um excelente voador. Sua técnica é o “Fogo Mágico”.
– Punho de Pedra.
O ataque atinge a asa direita de Piyomon, que cai. Gotsumon corre até o digimon e tenta imobilizá-lo com seu corpo pesado, mas Piyomon levanta voo antes que o digimon de pedra conseguisse tocá-lo. Gotsumon então começa a disparar várias de suas técnicas na direção de Piyomon, mas nenhum dos ataques surte efeito. Piyomon se desviava de maneira hábil.
– Gotsumon tenha mais atenção na batalha!
– Eu estou dando o meu melhor.
– Você está muito relapso! Preste atenção na luta, se não vai perder.
– Lúcia, desse jeito você é que está me desconcentrando.
Piyomon aproveita a pequena discussão e segura Gotsumon pelos ombros com suas garras, levanta voo e, com certa dificuldade por conta do enorme peso do oponente, vai em direção ao mar.
– Gotsumon! – grita Lúcia.
Piyomon o solta. Gotsumon afunda instantaneamente.
Garurumon seguia se esquivando das rápidas investidas da pequena Tailmon com saltos e movimentos de corpo.
– Esse digimon é muito veloz. É a primeira vez que encontramos um oponente assim – diz Verônica apreensiva enquanto observava a batalha.
Depois de muito se esquivar, Garurumon atinge Tailmon com sua pata e a lança contra o chão. Seadramon tenta chicoteá-lo com sua calda, mas o digimon lobo consegue cravar suas presas e o arremessa sobre Tailmon, que consegue rolar pelo chão e se esquivar.
Em uma esquina mais reclusa, atrás dos domadores, uma pessoa observava toda a movimentação sem que sua presença fosse notada.
– Esse Garurumon realmente é forte – constata Tailmon se colocando de pé — Tem alguma coisa diferente nele em relação aos outros digimons.
Garurumon parte para cima de Tailmon querendo pisoteá-la, o digimon gato consegue se desviar de suas tentativas. Seadramon investe com uma cabeçada no Garurumon, que salta:
– Rajada Uivante.
Tailmon e Seadramon desviam da técnica indo por direções opostas. Tailmon usa suas quatro patas e corre, passando por debaixo de Garurumon, que ainda estava no ar por conta do pulo, tomando impulso na parede do prédio logo atrás e salta sobre as costas do inimigo antes que ele pudesse tocar o chão.
– Flecha de Gelo.
– Rajada Uivante.
Garurumon disputa habilidade com Seadramon sem perceber que Tailmon estava presa as suas costas e prestes a atacá-lo.
– Soco de Gato.
Tailmon acerta em cheio a cara do digimon, que cai praticamente desmaiado se arrastando pelo asfalto da avenida.
– Flecha de Gelo.
Seadramon lança uma rajada de gelo pela boca e instantes antes de atingir Garurumon, o mesmo abre os olhos e consegue fugir passando pelo João e pela Verônica.
– Que saco! Cansei dessa brincadeira de pega-pega – diz João irritado.
– Vamos atrás dele.
– Não tenho alternativa mesmo.
Verônica, João e Tailmon novamente montam no Seadramon e vão atrás do Garurumon, que entra em uma esquina e desaparece. Nessa rua, eles veem uma pessoa andando bem rápido, como se fugisse.
– Quem é aquele? – pergunta Verônica.
– Tenho quase certeza de que ta fugindo da gente.
Lúcia abandona a roupa que Gotsumon lhe entregou, retira sua sandália e o digivice, e corre em direção ao mar, saltando algumas marolas antes de nadar. Piyomon sobrevoava o exato lugar onde havia largado o digimon de pedra, que não era muito distante da areia. Lúcia consegue encontrar Gotsumon e, com muita dificuldade o retira da água. Apesar de ter a mesma altura que Piyomon, Gotsumon pesava como um humano adulto.
– Humana idiota, se esforçando atoa! Vai morrer juntamente com esse digimon. Humanos e digimons não podem viver em harmonia. Somos superiores a vocês!
Mesmo ouvindo os insultos de Piyomon, Lúcia seguia arrastando Gotsumon por um dos braços. O digimon estava fraco e mal conseguia ficar de pé.
– Gotsumon, fale comigo! – Lúcia sacudia o digimon de pedra. Estava desesperada — Seu desgraçado! Olha o que você fez com Gotsumon.
– Vou acabar com vocês agora. Fogo Mágico.
A técnica do pássaro rosa avança como um espiral na direção de Lúcia e Gotsumon. A domadora, como única esperança pega seu digivice, e o aparelho brilha intensamente, restaurando as forças de Gotsumon que prontamente se coloca de pé, na sua frente, e cruza os braços, anulando a técnica.
– Gotsumon! Que bom te ver bem! – Lúcia abraça Gotsumon pelas costas.
– Vou acabar com isso do jeito que você sempre quis, Lúcia. Punho de Pedra.
Piyomon não consegue se desviar das pedras lançadas e cai. Gotsumon vai para cima, prende as asas de Piyomon entre suas pernas e começa a lhe aplicar vários socos por todo o corpo.
Lúcia fica ouvindo de longe os gemidos de Piyomon.
– Gotsumon acabe logo com isso. Não o faça sofrer.
Gotsumon finge não ouvir sua domadora e continua batendo no Piyomon, que já não tem mais forças para reagir.
Lúcia se aproxima dele.
– Gotsumon acabe logo com isso. Estou mandando!
Gotsumon então destrói Piyomon com um soco que lhe atravessa o peito.
– Gotsumon, por que você agiu daquela maneira. Eu nunca te vi com tanto ódio.
– Por que ódio? Só por que eu destruí aquele digimon? Que eu saiba, o nosso trabalho é destruir os digimons que aparecem por aqui.
– Mas você o fez sofrer. Mesmo distante dava para ouvir os gemidos dele. Por que você fez isso?
Gotsumon, que retornava para o carro, para de andar e diz:
– Eu pensei que você quisesse ter um digimon forte.
– Eu continuo querendo que você fique mais forte. Mas não concordo com isso. Você sempre destruiu os outros digimons sem precisar agir com crueldade. Não quero mais te ver agindo assim.
– Ta bem Lúcia, ta bem. Vamos para casa agora – responde Gotsumon de maneira arrogante.
– Você está chateado comigo?
– Não Lúcia. Eu não estou chateado com você. O problema todo é comigo.
– Não vejo nenhum problema em você.
– Tem certeza?
– Claro que tenho, Gotsumon.
– Lúcia olha pra mim, eu não consigo evoluir. Plotmon consegue, e com certeza Betamon deve conseguir também. Por que só eu não consigo? — Gotsumon senta na areia triste.
– Você tem suas qualidades. E se algum dia for realmente necessário, tenho certeza que você vai evoluir. Sei que você está pensando assim por minha causa, por que eu vivo pegando no seu pé para que você evolua. Eu to curiosa pra saber como que você vai ficar. Se vai ficar maior, se vai ter asas. Você também não se pergunta isso?
– Eu também to ansioso pra esse dia chegar logo! – responde sorrindo.
– Vamos combinar uma coisa? Nunca mais vamos falar sobre evolução. Não quero que se sinta pressionado.
– Ok. Nada de evolução. Um dia minha hora vai chegar.
– Certo! — Lúcia sorri — Agora vamos embora. Você deve estar muito cansado.
– Eu to cansado mesmo. Me leva no colo.
– Hei você é muito pesado! Eu não te aguento.
– Eu não sou pesado nada! Você é que é fraquinha.
João, Verônica e Tailmon descem das costas de Seadramon e começam a correr atrás da pessoa que se afastava ao perceber que sua presença foi notada. Seadramon regride para Betamon e seguia mais atrás, se arrastando. Tailmon, rapidamente toma a frente dos demais e consegue, com um chute nas costas, derrubar a pessoa misteriosa, que usava uma longa capa de chuva amarela e capuz.
– Por que está fugindo? – pergunta João – Aquele Garurumon é seu digimon?
– Vamos ver quem você é.
Aos poucos a pessoa misteriosa se põe de pé e Verônica retira seu capuz.
– VOCÊ?
Continua...
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