Digimon Beta - E o Domador Inicial
29 O Domador Inicial
Calamon dispara uma poderosa rajada de energia na direção dos domadores e seus digimons. Metalseadramon, Metalgarurumon, Ophanimon, Rosemon, Ancientvolcamon e Tyrantkabuterimon disparam suas melhores técnicas contra a ofensiva lançada pelo digimon das trevas. O ataque inimigo é tão poderoso que engloba as energias dos digimons e segue seu curso normalmente.
Os seis digimons são atingidos pela técnica e explodem, sendo lançados a grandes distâncias. O enorme pedregulho evoluído a partir do Gotsumon é lançado acima dos domadores e jornalistas, se esbarrando nos escombros dos prédios que existiam na orla.
Alex, que caminhava por entre os destroços procurando uma maneira de sair daquela zona de batalha, é surpreendido por um enorme pedaço de escombro que cai sobre si, esmagando-o. Seu digivice, assim como o aparelho que pertencia ao Blaze, se dissolve em dados.
Calamon logo se transforma num lobo negro alado, só que dessa vez completamente revestido de metal escuro e possuindo um triangulo vermelho de ponta-cabeça na testa.
— Minha nova versão guerreira está mais imponente do que nunca!
Metalseadramon é o primeiro a avançar no oponente numa tentativa de chicoteá-lo com a calda. Porém, o digimon das trevas consegue desviar e lhe aplica uma sequência de socos e chutes na cabeça, deixando-o atordoado. Calamon espalma uma das mãos a centímetros de distância da enorme serpente de metal quando é surpreendido por um chicote cheio de espinhos, que se enrosca em seu pulso. Ao olhar para trás, Calamon percebe que Rosemon o imobilizava enquanto Ophanimon se aproximava com sua lança emitindo um brilho multicolorido. O digimon das trevas logo materializa um escudo de energia invisível a poucos centímetros de distância do seu peito, impedindo que a digimon sagrada pudesse avançar.
— Hoje não, Ophanimon!
Lentamente o chicote que prendia um dos pulsos do digimon se solta e ambas as digimons são lançadas com forte impacto contra o chão, abrindo uma enorme cratera às margens do Farol da Barra.
— A telecinese dele está mais poderosa do que nunca! – balbucia Murilo.
O digimon de João rapidamente abocanha o inimigo, que consegue sair de dentro da sua boca atravessando-a como se fosse um fantasma. Já do lado de fora, Calamon consegue socar o focinho da enorme serpente de metal e é surpreendido pelo arsenal bélico disparado pelo lobo metálico do Rafael. Sem demonstrar nenhum sinal de surpresa, o digimon inimigo rapidamente cria outras três cópias suas, que seguem voando pelo céu da região confundindo todos os mísseis seguidores, que acabam chocando-se entre si durante as perseguições às cópias.
O digimon pedregulho da Lúcia dispara uma poderosa rajada de magma do vulcão alojado em seu corpo. O triangulo na testa do digimon das trevas brilha intensamente assim que o golpe do Ancientvolcamon se aproxima, absorvendo-a. Logo após, Calamon espalma as mãos e dispara a mesma técnica na direção do digimon da Lúcia, atingindo-o. Tyrantkabuterimon rapidamente se aproxima do seu colega de batalha quando o digimon das trevas faz o seu braço direito se transformar no braço tridente, braço de metal do Metalgreymon e de tantos outros digimons máquinas, fazendo-o alongar e crescer, atingindo o enorme besouro de cor roxa.
— Eu não fazia ideia de que Calamon precisaria absorver Culumon para se tornar mais forte – pontua Júnior. Kudamon estava sob seu ombro.
— Eu também não entendi isso – responde Antônio. – Eu jurava que só as cartas fossem suficientes para ele.
— Desde quando digimons podem absorver uns aos outros? – questiona Flávia.
— É isso! – diz João! – Só pode ser. A gente tem que tentar.
— Como assim? – manifesta-se Bruninho.
— O que você ta pensando, João? – pergunta Lúcia
— Lembra do Beelzebumon? Ele absorveu o Piedmon e se tornou um tal de Piedmon Modo explosivo.
— Me expliquem isso, não to entendo! – intervém Murilo.
— Quando a gente estava batalhando contra os dois últimos ditadores, Piedmon havia perdido a batalha. Estava praticamente se desintegrando em dados quando Beelzebumon se aproximou dele e absorveu seus dados.
— Eles se fundiram? Tipo o que eu e Fernanda fazemos com nossos digimons?
— Não, Leon. Nessa fusão, o digimon que estava machucado não está mais vivo. Somente o que absorveu fica no controle.
— Então você planeja algum digimon? – indaga Bárbara. – Vai colocar o Metalseadramon para fazer isso?
— Acho que será nossa única chance.
Calamon seguia batalhando contra os seis digimons Extremo. Sua facilidade em ataca-los e desviar das investidas, emitia um sinal de alerta, que só fazia aumentar, no interior de cada domador.
— Meu irmão, como é bom poder te abraçar! Fiquei com medo de te perder.
— Ah, Báhzinha! Esse lance da morte do Blaze.... Com um tiro?... Eu nem sei o que falar.
— Te entendo, Bento!
— Nossa... o que é aquilo?
— Aquilo o que, Bento? Ta de gracinha com a minha cara uma hora dessas?
— Não, mana! Me perdoe. Mas é que tem uma luz muito estranha vindo pra cá. Pessoal, venham ver.
Mateus, Will, Igor, Pastreli, Victor e Kau se aproximam.
— Vocês conseguem ver aquele ponto luminoso lá no céu? — prossegue o rapaz de pele bronzeada e cabelos cacheados.
— Sim... uma estrela, não?
— Acho que não, Kau. Aquele ponto luminoso está muito estranho.
— Também estou achando bem grande pra ser uma estrela – explica Will.
— Será que é o que eu estou pensando ser? – questiona-se o garoto loiro de olhos verdes.
— Diz logo, Victor. Qual o seu palpite?
Em meios aos ataques disferidos contra os digimons, Calamon nota que um grupo de humanos, um pouco mais afastado do grupo do João olhava para o céu. O digimon das trevas, então, ataca os digimons com poderosos chutes, deixando-os momentaneamente fora de combate.
— Vejo que alguns domadores já notaram a surpresa que virá do céu.
— Do que é que você está falando?
João e os demais logo olham para trás e percebem que alguns domadores indicavam um ponto luminoso.
— Programei um grupo de Mechanorimons para vir até o Mundo real e desviar a rota de um asteroide, colocando-o diretamente para cá: a cidade portal. Existem muitos humanos se compararmos aos digimons. Com esse asteroide, conseguirei aniquilar uma grande quantidade deles sem fazer muitos esforços.
— Claro! – relembra o garoto de barba cerrada. — Os Mechanorimons que Victor me alertou assim que recuperamos os digivices deles.
A equipe de jornalistas presentes no local da batalha começa a cobri a aproximação do asteroide. Órgãos de pesquisas espaciais de todos os países desenvolvidos se mobilizam numa tentativa de reverter a aproximação do asteroide, porém, qualquer medida adotada não teria como ser posta em pratica num curto espaço de tempo.
Pessoas de diversas localidades do planeta, que acompanhavam todo o combate que acontecia em Salvador, passam a ficar ainda mais desesperadas. Se não bastasse o aparecimento inexplicável desses monstros, que prometiam dominar a raça humana, um grande asteroide iria literalmente varrer toda existência de vida do Planeta Terra. Algo que lentamente era comparado pela imprensa ao asteroide que dizimou a população de gigantescos répteis que habitavam nosso planeta nos primórdios.
— Esse asteroide está se aproximando muito rápido! – alerta do irmão de Bárbara. — O ponto luminoso não para de crescer!
— Já que meu tempo está acabando, melhor terminarmos com isso de uma vez por todas.
O digimon das trevas segue atacando os digimons dos Domadores Beta sem lhes dar chance de defesa ou de contra-ataque.
Pouco a pouco os domadores começam a entrar em desespero. O tempo seguia se afunilando e todas as alternativas já estavam se esgotando.
— Pessoal, chegou a nossa hora de batalhar pela última vez – brada Leon, recebendo o apoio de Levi e Fernanda.
— Eu também queria poder ajudar!
— Seu digimon foi fantástico, Bruninho! – Diz Verônica. – Não esperava outra atitude dele.
— Nada do que vocês fizerem adiantará, Leon – diz João completamente desanimado.
Um Jeep do exército surge no local da batalha sendo pilotado por um homem até então desconhecido, e para abruptamente ao lado dos domadores. O motorista sai de dentro do veículo e corre na direção do grupo de garotos.
Os domadores e digimons que estavam mais distantes dos Domadores Beta ficam sem entender de quem se tratava, até que ele surpreende o domador do Veemon com um forte abraço.
— Leon!
— Padre? O que está fazendo aqui?
— Por que não me contou o que estava acontecendo?
— Eu não sei se acreditaria em toda essa loucura!
— Claro que acreditaria, meu filho! – Diz o homem olhando ao redor até que consegue ver o João – Pelo que vi na televisão, você é o líder de todos eles.
— Sim! – Diz Davi atropelando uma possível resposta dada pelo garoto. — Ele mesmo!
— Não desista! O jogo ainda não terminou! Vocês chegaram ao último nível. E assim que derrotar esse inimigo, o jogo finalizará.
Repentinamente, na mão direita do homem surge um aparelho idêntico aos aparelhos que todos os domadores possuíam.
— Um digivice? – balbucia Leon.
— Um digivice dourado! – brada João.
Uma forte explosão acontece, assustando a todos os presentes. Os digimons dos Domadores Beta estavam liquidados. Dados seguiam se desprendendo dos seus corpos. Um gigantesco desespero brota em todos os domadores. Verônica, Davi, Antônio e Lúcia gritavam o nome dos seus domadores e não obtinham respostas.
Rafael tentava ficar de pé, se aproximar, mas não possuía forças suficientes para tal.
— Você tem que ficar quieto – pede Cláudia. – Preciso continuar estancando o sangue da sua cabeça.
— Eu tenho que ajudar meus amigos, meu digimon! – Fala o garoto com um pesar até então inimaginável de se ouvir em sua voz.
— Adeus, humanos desgraçados!
— Maldito! – Diz João com a voz trêmula. – METALSEADRAMON!
O digimon serpente emite um urro.
Calamon se assusta ao ver que o digimon ainda não iniciara a conversão em dados e espalma sua mão na direção dele.
— Dessa vez você não me escapa.
João, como que num movimento impensado, segura a mão do Otávio pelo pulso, erguendo seu digivice na direção do digimon das trevas, que instantaneamente para de se mover. No peito do Calamon surge um pequeno brilho.
— O que está acontecendo comigo?
O rosto do deus-digimon aparece em seguida.
— João! Não tenho muito tempo, culú. Faça o que manda seu coração. Irei paralisá-lo por alguns minutos!
— Você não pode me controlar, seu parasita! Aceite sua derrota, maninho. Eu sou um digimon invencível! Não existe poder de fogo no Mundo Digital e no Mundo Real que possa me destruir nesse novo estágio.
— Ainda lhe falta uma carta, culú!
A notícia cai como uma bomba. O líder dos domadores rapidamente tateia o bolso da sua bermuda e percebe que uma única carta ainda está lá. Tratava-se da carta Amnésia.
— Absorva os dados dos nosso digimons – diz Verônica atraindo a atenção de todos. – Só você e Metalseadramon poderão nos livrar desse digimon.
— Vamos tentar esse último golpe, Metalseadramon!
A serpente de metal, mesmo gravemente ferida, enrosca seu enorme corpo em todos os cinco digimons que seguiam se convertendo em dados. João comprime o seu aparelho entre as mãos, concentrando-se no que Culumon havia acabado de lhe dizer. Metalseadramon passa a brilhar e a absorver os dados dos digimons dos demais Domadores Beta.
Um casulo de luz se forma ao redor do digimon de João. Calamon se esforçava para poder atacar, mas Culumon havia tomado o controle.
— Esse maldito está controlado os meus movimentos.
— Sua ambição sem medidas será a sua derrota, culú. Me absorver foi o seu maior erro.
— Então irei expulsá-lo.
— Uma vez absorvido, culú. Só poderei sair se seus dados ficarem instáveis.
Em meio a discussão de Calamon e Culumon pelo domínio de um único corpo, o brilho branco no corpo do digimon das trevas seguia se espalhando, numa tentativa de dominar todo o corpo negro. Porém, a energia das trevas se faz mais poderosa e consegue sufocar o domínio do deus-digimon.
Calamon estala os dedos e João sente a carta ser sugada para longe de si. O líder dos domadores tentava conter o objeto e sentia que era arrastado juntamente com ele. Verônica se aproxima do seu namorado e coloca suas mãos sobre as mãos do garoto, para segurar a carta. Rapidamente, todos os domadores se aproximam e passam a fazer o mesmo, colocando suas mãos umas sobre as outras, para conter a força do digimon das trevas, que seguia arrastando-os, porém de maneira mais lenta.
Otávio também os ajuda.
Marcos se aproxima para ajudar quando reconhece o pai do garoto espanhol.
— Otávio? É você mesmo?
— Marcos? Meu velho amigo. Há quanto tempo, hein?
O casulo de luz finalmente se desfaz, revelando um Metalseadramon completamente renovado. Seu corpo mantinha a mesma proporção e formato, porém inteiramente feito de pedras e revestido por uma armadura de tonalidade esverdeada com detalhes em dourado. Sobre seu dorso, três pares de asas de metal dourado idênticas as asas retráteis do digimon do Rafael. Ao redor do seu corpo, dois chicotes verdes possuindo espinhos seguiam enroscados da extremidade da sua calda bifurcada até a nuca, de onde brotavam uma pelugem de mesma cor. O metal que revestia sua cabeça agora possuía a tonalidade roxa, com uma lâmina em laser dourado, assim como as extremidades dos três pares de asas, em sua testa. O gigantesco canhão, antes alojado em seu focinho, havia desaparecido.
— Não é possível! – balbucia Calamon assustado. — Como ele conseguiu absorver cinco digimons e manter estabilidade? Isso é impossível!
Júnior, assim como todos os demais, erguem seus digivice na direção do novo Metalseadramon que acabara de surgir.
Metalseadramon Modo Explosivo.
— O digivice não reconhece essa evolução – pontua Lúcia.
— Destrua-o com a sua melhor técnica, Metalseadramon!
- Eu não vou me render tão fácil! – diz o digimon das trevas materializando uma enorme esfera de energia em sua frente.
— Corrente Final!
Metalseadramon abre sua enorme boca, projetando de seu interior um enorme canhão, que rapidamente acumula energia e dispara de encontro ao Calamon, que prontamente revida.
Uma poderosa disputa de técnicas se inicia. Calamon seguia se esforçando ao máximo para não perder terreno para o seu grande rival.
Levi e Leon rapidamente se fundem aos seus digimons, para surpresa de Otávio, que visualiza o Imperialdramon tão próximo de si.
O enorme guerreiro negro de asas vermelhas, e que possui um poderoso canhão alojado sob uma das mãos, recolhe todos os humanos e digimons que estavam por perto, inclusive a equipe de jornalistas, criando uma capsula de energia ao redor das suas gigantescas mãos. Já a raposa humanoide usa de todos os seus poderes místicos para proteger-se e proteger o Imperialdramon, criando mais um escudo ao redor de todos os humanos e digimons, mas agora protegendo a si mesma e ao seu companheiro de equipe.
O garoto de barba cerrada seguia, atentamente observando a intensa disputa de poder, quando a imagem de Carlos com o Terriermon sobre o ombro lhe invade o pensamento.
“João, você está conseguindo, meu amigo! Muito bom te ver assim. Essa é a última batalha. Não desconcentre! Nada do que aconteceu foi em vão. Acredite! ”
O líder dos domadores logo retorna à realidade e passa a prestar atenção na batalha quando nota que, novamente, o brilho branco surgiu no peito do digimon das trevas!
— ESSA É A HORA, METALSEADRAMON!
Calamon se distrai com a nova tentativa de domínio exercida pelo Culumon, quando uma intensa rajada de energia multicolorida possuindo fragmentos de todos os seis Digimons Beta o engloba, gerando uma explosão nunca vista anteriormente.
Sakuyamon e Levi logo regridem por conta da poderosa explosão, enquanto Imperialdramon sofre graves escoriações apesar de resistir e salvar a vida dos presentes. Toda a região, num raio de 3 km havia sido reduzida a pó, com exceção do Farol da Barra.
A fumaça seguia se dissipando até que João percebe que não havia nenhum sinal do novo Metalseadramon, e muito menos do digimon das trevas. Imperialdramon logo liberta os humanos e digimons das suas mãos, desfazendo o campo de força criado.
O líder dos domadores desmorona no chão enquanto chorava copiosamente, sendo amparado por um confortante abraço da sua namorada e a aproximação dos demais domadores
Continua...
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