Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
20 A Carta das Águas
Após muitos embates com os Domadores Beta e outros domadores mais próximos do grupo, Blaze, Alex e mais recentemente Fernanda, mostraram que iriam até as últimas consequências para atingirem seus objetivos.
Lentamente todos os garotos e digimons voltavam seus olhares para o local onde estavam os digivices. Estilhaços ainda caíam no chão e outros tantos estavam espalhados por todos os lados. Aos poucos, o que restara dos aparelhos seguia se dissolvendo em bits, assim como ocorria com os digimons quando eram destruídos.
Os garotos estavam apáticos. Não sabiam o que dizer ou fazer. Tudo estava acabado.
Lentamente uma gargalhada começa a ecoar na Arena Quadrática. Alex ria da expressão de desespero e desolação estampada na cara dos demais domadores.
— Desgraçados! – Grita, furioso, Bruno Pastreli. — Vocês não tinham esse direito!
— Maldita hora que eu não ouvi os pedidos de João e Igor. – Completa o garoto loiro de olhos azuis, domador do Agumon. – Tenho vergonha de dizer que fui teu amigo, Alex.
João avança na direção do garoto de olhos rasgados, porém é impedido. O líder dos Domadores Beta se debatia e urrava numa insana tentativa de se livrar de Carlos e Antônio.
Verônica se assusta com a reação explosiva do seu namorado. Ela nunca o tinha visto daquela maneira. Era como se o rapaz estivesse possuído por algo muito ruim. Um grande aperto no peito a faz transbordar em lágrimas.
Antônio, Carlos, Igor e Guilherme pareciam não ter forças suficientes para conter o garoto. Seus digimons, inclusive Betamon, se aproximam numa tentava de acalmá-lo.
Alex estende seu digivice na direção dos oponentes e um portal se abre logo atrás deles.
— Todos vocês retornarão ao Mundo Real. – Inicia o garoto de olhos orientalizados. — Com exceção de João, Carlos e Verônica. Ainda temos assuntos pendentes com esse trio.
— Ninguém aqui vai voltar para o mundo dos humanos! – Retruca Bruno Soares, domador do Patamon. — Queremos nossos digivices de volta.
— Que moleque chato! – Diz Blaze, sorrindo. – Você não é mais um domador!
— Leomon, — inicia Alex – trate de que retornem ao Mundo Real o quanto antes.
O digimon leão humanoide avança sobre os garotos como um exímio predador, pegando-os a força e os lançando, juntamente com os seus digimons, dentro do portal de luz.
Victor e Agumon foram as primeiras vítimas.
A passagem seguia em contagem regressiva para se fechar.
— Droga! A gente não pode ficar aqui. – Diz Carlos segurando Verônica pelo pulso. – Antônio! Vem comigo e traga João.
Vários domadores e digimons tentavam fugir das garras do Leomon, que era impiedoso e os forçavam a entrar no portal.
Carlos se aproxima do Igor e o segura pelo ombro, assustando-o.
— Vem comigo e traga Labramon!
Sem questionar, o garoto de cabelos negros e olhos azuis acata a ordem dada pelo Carlos e o segue, juntamente com o seu digimon.
Blaze vê que Carlos e Antônio tentavam levar seus amigos para fora da Arena.
— Idiotas... acreditam mesmo que poderão fugir? Growmon, atrás deles! – Grita o garoto indicando o pequeno grupo que tentava fugir em meio a grande confusão.
O grande tiranossauro vermelho inicia a perseguição.
O portal aberto se fecha quando Blaze, rapidamente, abre outra passagem.
Guilherme e Floramon percebem a fuga e resolvem se unir ao grupo, porém Leomon é mais rápido e consegue lança-los dentro do portal.
Ao se aproximarem do portão, o domador de Terriermon se lembra de algo.
— Me esperem do lado de fora. Preciso buscar Bruninho e Patamon.
— Como você vai se virar sozinho nessa confusão?
— Não sei, Antônio. Darei meu jeito. Betamon, preciso de você.
— Se Betamon ficar, eu fico.
— Nem pensar, João. Disso cuido eu!
— Pessoal, Growmon está vindo atrás da gente. – Alerta a namorada de João.
O garoto magro de cabelos bagunçados e olhos verdes atrás dos óculos de armação negra pega Betamon dos braços do seu amigo e segue correndo, juntamente com Terriermon, na direção de Bruno Soares, que corria e chorava completamente desorientado com Patamon voando ao seu lado. Leomon estava na sua cola.
Antônio e os demais seguem pelo portão de acesso e saem da Arena Quadrática.
— BRUNINHO! – Grita Carlos.
— CARLOS! – Grita o garoto mudando de direção e correndo de encontro ao domador.
Terriermon acelera os passos e corre até Leomon, dando-lhe uma cabeça no estômago.
— Me coloca no chão. – Pede Betamon.
Carlos prontamente atende o pedido do digimon.
— Choque Elétrico.
Uma poderosa rajada de eletricidade avança na direção do tiranossauro vermelho, que se vê obrigado a saltar para trás e desviar.
— Bolha de Ar. – Dispara Patamon.
— Pequeno Tornado. – Diz Terriermon girando velozmente no próprio eixo, criando um furacão e lançando-o no inimigo.
Leomon cruza os braços na frente do rosto, protegendo-se das técnicas.
O mais novo dentre todos os domadores avança e abraça Carlos.
— Obrigado!
— Preciso que venha comigo.
— Certo!
Os garotos correm em direção a saída enquanto os três pequenos digimons seguiam dando-lhes cobertura.
Faltando poucos metros para atravessarem o portão da Arena, os digimons de Blaze e Alex se colocam na frente dos garotos.
— E agora, o que faremos? – Questiona o pequeno hamster voador.
— Punho do Rei das Feras.
— Lâmina de Plasma.
As técnicas atingem o gramado próximo aos domadores e digimons, lançando-os no chão.
Leomon caminha na direção de Bruno Soares para poder capturá-lo e cumprir a ordem dada pelo seu domador.
Uma bola azul, que girava a uma incrível velocidade, atinge o digimon de Alex na cabeça.
— Bruno! Fuja daqui com Carlos. – Brada Luiz Filipe. — Eu e Gaomon daremos cobertura.
O digimon leão parte para cima do cachorro bípede, que usa luvas de boxe vermelha, e começa a chutar e socá-lo.
— Canhão de Metal.
Dorumon lança uma esfera de metal pela boca, acertando Growmon.
— Rápido, Carlos. – Manifesta-se Pastreli. — Faça o que tenha que fazer, e depressa.
Carlos se aproxima de Bruno Soares, o segura pelo braço e, acompanhado dos digimons, corre em direção ao portão de acesso da arena.
Blimpmon tenta impedir a fuga dos domadores lançando várias “Bombas de Hélio”. Porém, os garotos e os digimons conseguem desviar das ogivas e seguiam, cada vez mais, se aproximando da saída até conseguirem cruzá-la.
Ainda no interior da Arena Quadrática, no corredor principal, os jovens encontram seus amigos.
— Eu já estava indo atrás de vocês. – Diz Antônio demonstrando preocupação.
— Consegui trazer Bruninho. Vamos logo embora daqui.
— O que aconteceu com os outros? – Pergunta Verônica, aflita.
— Todos foram arremessados no portal pelo Leomon. Se não fosse pelo Pastreli e pelo Luiz Filipe, eu não conseguiria livrá-lo.
Murilo, Flávia, Bárbara, Patamon e Fanbeemon seguiam angustiados com a sequência de gritos e explosões que abalavam toda a região.
— Gente... está acontecendo algo de errado por lá! — Diz a garota loira.
— Vocês deveriam ir ver o que acontece! – Manifesta-se o garoto magro de cabelos negros.
— Fala isso por que não viveu nos longos anos da ditadura. – Retruca Patamon.
— Só lutamos em último caso. — Completa Fanbeemon. – Evitar confusões é o melhor!
Murilo olhava em direção ao portão de acesso quando percebe que João, Verônica, Carlos, seus digimons, além de três garotos e três outros monstrinhos, corriam apressadamente.
— Eles estão fugindo e esqueceram da gente... – Balbucia, incrédulo, Murilo.
— AAAH!!!
O grito alto, agudo e estridente da garota morena de corpo genuinamente brasileiro e cabelos cacheados chama a atenção do grupo que fugia. Prontamente, Carlos e os demais correm até os humanos simples, que permaneciam presos.
— Tínhamos esquecido de vocês. Desculpa. – Diz Carlos visivelmente cansado e esgotado. — Agora eu quero que se afastem do portão. Vamos arrebentá-lo.
Murilo se afasta e puxa Bárbara pelo braço. Flávia também acata a ordem.
— Pessoal, coordenem suas técnicas e ataquem!
Betamon, Terriermon, Plotmon, Labramon e Patamon que possui uma cicatriz próximo a boca, conseguem arrebentar a tranca da jaula, libertando os humanos simples.
— Afinal de contas, o que está acontecendo? – Questiona Murilo.
— É uma longa história... – Interfere João. – Em outro momento contaremos tudo a vocês.
— A gente precisa tirá-los daqui.
— Sem os digivices é praticamente impossível, Verônica. – Responde Bruno Soares.
— Culumon pode abrir um portal! – Diz o digimon réptil, animado.
— E cadê ele quando mais precisamos?
— Não tinha me dado conta. – Diz Igor. — Culumon sumiu! Será que o trio fez algo com ele?
— Pessoal, – adverte Carlos, apressando-os – depois conversaremos sobre isso. A gente precisa ganhar tempo e distância deles.
Todos os digimons e humanos começam a correr quando Flávia nota que a digimon rosada e de grandes orelhas eretas permanecia deitada, tranquilamente, sobre a jaula.
— Você não vem?
— Ficarei por aqui. Não quero ser destruída por esses humanos.
— Se você ficar, Lunamon, aí, sim, será destruída. – Adverte a digimon abelha.
— Essa briga não é nossa. Somos digimons selvagens. É melhor vocês ficarem comigo.
— Essa digimon está coberta de razão! – Interfere Verônica. — Nós vamos ajudar a Flávia e os demais a voltarem para suas casas. Não adianta vocês dois se arriscarem por nossa causa.
— Eu e Patamon iremos ajuda-los! – Diz Fanbeemon de forma categórica. — Mesmo que a Lunamon não queira.
Após alguns minutos de caminhada pela floresta, o grupo formado por humanos e digimons chega à uma clareia às margens de um largo rio. Apesar da quantidade de pedras, não havia corredeiras no rio. As águas claras estavam paradas e borbulhavam, como se fervessem dentro de um enorme caldeirão.
— Acho que aqui é um lugar seguro para passarmos a noite.
— É o quê, Carlos? – Exclama Flávia, assustada. – Não vou dormir ao relento!
— Irei procurar gravetos. – Diz o pequeno domador interrompendo o início de mais uma das inúmeras discussões protagonizadas pela garota durante o caminho. — Alguém se habilita?
— Eu vou! Eu vou! Eu vou! – Responde Terriermon, aos pulos.
— Eu e Frimon iremos contigo.
— Terriermon, — inicia o garoto de óculos – nada de se distanciar dos demais. Entendido?
— Entendido, querido domador!
— Eu me habilito a procurar comida!
— Eu e Plotmon iremos com vocês, Igor.
Restavam algumas cinzas e brasas no centro de um pequeno círculo feito de pedras. Os garotos e os digimons dormiam deitados no gramado ou encostados nas árvores. Aos poucos, um barulho de hélices, semelhante ao barulho gerado por um helicóptero em pleno voo, segue se aproximando. Terriermon, que havia dado uma de suas orelhas para Flávia utilizá-la como travesseiro, é o primeiro a acordar. O pequeno digimon de pelagem clara com sinais verdes percebe que, a cada segundo que se passava, o barulho seguia aumentando. O digimon, então, resolve ficar de pé e puxa sua orelha bruscamente, fazendo a garota loira bater a cabeça no chão.
— AI!
O grito de Flávia, misto de dor e susto, acaba por acordar todo o grupo.
— O que aconteceu? – Questiona Carlos, assustado, pegando os óculos que estavam ao lado e colocando-os no rosto.
— Seu digimon que puxou a orelha sem pedir licença. Bati a cabeça no chão. Mal-educado!
— Vamos voltar a dormir, gente! – Propõe o garoto de cabelos negros e olhos azuis ainda bocejando e tornando a apoiar sua cabeça sobre a barriga do pequeno labrador de orelhas e calda vermelha.
— Releva o que ele fez, Fafá! – Interfere João, que estava com os olhos inchados. Betamon dormia próximo a ele. – Terriermon não regula bem das ideias.
O pequeno digimon mantinha suas orelhas eretas quando se volta em direção à Flávia:
— Psiu!
— Não me mande calar a boca! Se não jogo esse salto daqui na sua cabeçona.
— Tem um barulho estranho...
Os humanos e demais digimons fazem silêncio e passam a observar o som, que seguia aumentando cada vez mais.
Repentinamente, um grande estrondo acontece entre as árvores. Um pequeno tremor de terra assusta o grupo que logo percebe que as árvores eram arrancadas por um grande ser que voava rasteiro ao chão. O enorme dirigível se revela ao chegar às margens do rio de águas turbulentas. Logo em seguida, surgem Growmon e Leomon. O tiranossauro vermelho trazia a pequena Lunamon, que estava desacordada.
A porta do compartimento de transporte de pessoas se abre e de dentro de Blimpmon saem Fernanda, Blaze e Alex.
— Ele pegou Lunamon! – Avisa Murilo ao ver a pequena digimon.
— Blaze, — pede Carlos – manda Growmon largar essa digimon!
— Não to afim!
— Ela mentiu para nós. – Completa Fernanda. – Disse que não os conhecia e que não sabia para onde tinham ido.
— Qual o problema com vocês? – Questiona Verônica com a voz embargada. — Estragaram o torneio, surraram o digimon de Antônio, destruíram os nossos digivices. Querem mais o quê?
— A gente quer jogar! – Diz Alex, sorrindo.
— Jogar? – Retruca Bruno Soares sem entender.
— Isso! Eu adoro jogar. Ainda mais quando apostamos algo.
— Apostar o quê?
— Que tal a integridade física de vocês? – Sorri. — Blaze, Fernanda, podem começar...
Os domadores se espremiam às margens do rio, completamente encurralados. Por mais que tentassem fugir, não conseguiriam. Atacar também não seria a solução. Restava a eles, apenas aguardar.
O garoto de barba cerrada estava com Betamon nos braços e com a cabeça a mil. “Se corrermos, todos juntos, seríamos facilmente alcançados pelo Leomon e pelo Growmon. Dividir o grupo não daria certo. Uma fuga pelo rio seria o mais recomendado, mas essa essas borbulhas podem nos tragar para o fundo e morreremos afogados. Droga! Se eu estivesse com o meu digivice...”. Um forte abraço lhe desconcentra.
Verônica estava ao seu lado. Tremia e olhava fixamente para o trio a sua frente. Ela também carregava sua digimon em seus braços.
O garoto branco, encorpado e de olhos verdes se aproxima do seu tiranossauro, sussurrando algo em seu ouvido. Growmon, após ouvir o que se domador havia lhe dito, fixa o olhar na direção do Bruno Soares, que estava com o Patamon sobre a cabeça, e dispara uma bola de fogo, não muito grande, em sua direção.
Institivamente, Patamon se lança na frente do seu domador e é atingido.
— PATAMON!
O garoto se aproxima, pegando o pequeno digimon do chão.
— Mandou bem. Parabéns.
— Por que você não vem resolver no braço comigo, seu moleque. – Esbraveja o garoto de barba. — Vou te dar uma surra que você nunca mais vai esquecer. Eu sei que o teu problema é comigo, Alex. Você me inveja! É a única explicação lógica que eu posso encontrar.
— Te invejar?
Carlos aperta o braço de João.
— Para de provocar!
O garoto se livra do amigo.
— Não venha me dizer o que devo fazer, beleza? Se você ta com medo deles, o problema é teu! Betamon, vamos lutar!
O digimon redondo, que carrega uma barbatana laranja nas costas, salta para o chão.
— Acho melhor tu ouvir teus amigos, guri. – Pontua Blaze, confiante.
— Agora, Betamon!
— Barbatana Bumerangue.
Leomon usa a espada e se defende sem muito esforço.
— Choque Elétrico.
O digimon leão salta e desvia da corrente de energia.
— Pessoal, só nos resta ajuda! Essa batalha também é nossa.
Todos os digimons, com exceção do Patamon do Bruno, avançaram para batalhar.
Blaze pega Lunamon das garras de Growmon, deixando-o livre. Patamon usa uma estocada no Leomon, mas recebe um soco em seguida e se esbarra contra uma árvore. Terriermon também ataca o digimon de Alex com seu “Fogo Ardente”, atingindo seus olhos. Betamon usa sua “Torre de Água” contra Growmon, que desvia com um salto e contra-ataca com a sua “Chama Extrema”. O digimon de João e Plotmon correm para lados opostos e desviam do ataque. Fanbeemon dispara uma rajada de “Ferrões Venenosos” no tiranossauro vermelho. A técnica atinge um dos braços de Growmon que, enfurecido, faz um giro de corpo e atinge a digimon abelha com sua calda, lançando-a de encontro a uma enorme pedra.
— Eu preciso tirar Lunamon dos braços dele. – Diz Murilo, apreensivo.
— Terriermon, — ordena o garoto de óculos — retire Lunamon dos braços do Blaze.
O digimon de grandes orelhas não questiona a ordem dada pelo seu domador e avança na direção do garoto corpulento a toda velocidade. Growmon também ouve a ordem dada pelo Carlos e corre na direção do seu domador, para protegê-lo. Porém, o digimon de Alex surge na frente de Blaze e, com um poderoso chute, lança Terriermon aos pés do garoto de cabelos desgrenhados, já desacordado. O corpo do digimon brilhava. Seus dados estavam instáveis.
— Terriermon, fala comigo! – Pede o garoto segurando o choro.
— Idiota! – Grita Igor. — Por que fez isso?
— Porque sigo ordens do meu mestre. – Responde Leomon calmamente. – Ele quer destruir todos vocês.
— Quer dizer que o grupo de vocês, agora, tem sistema de cotas?
Alex não se controla e começa a rir da piada feita pela Fernanda.
Verônica não suporta tamanha provocação e explode, assustando a todos.
— CHEGA! Vocês passaram de todos os limites!
— O que deu em você? – Questiona o garoto de barba cerrada, interrompendo-a.
— Olha aqui minha filha, — prossegue a garota ignorando a pergunta feita pelo seu namorado — você é muito chata. Odeio patricinha baixo nível, como você.
— Baixo nível é você, querida! Não tem espelho em casa?
— Mal-amada! Aposto que você veio ao torneio só para ver Rafa!
— O loiro malhado que era caidinho por você? – Pergunta Flávia entrando na conversa.
— Esse mesmo, amiga. O que você pegou até enjoar. Tem uma pessoa aqui doida pra pegar ele e não consegue.
Fernanda não gosta da indireta dada pela garota.
— Cala a boca!
— Quem é essa que não conseguiu pegar ele? Aquele ali é mais fácil de pegar do que gripe!
Fernanda não resiste a tanta pressão e explode.
— BLIMPMON! CALE A BOCA DESSAS DUAS!
— Leomon, ataque também.
— Nem pensar, meu bem. Essa luta é minha! Chegou a hora de nossos amigos nadarem.
A digimon avança a toda a velocidade, com um rasante, na direção dos domadores.
Os pequenos digimons se reúnem na frente dos domadores e disparam suas melhores técnicas contra a digimon do nível Adulto, porém não conseguem impedi-la de prosseguir.
— Eu não sei nadar! – Grita Bruno Soares, desesperado.
— Se vira, garoto! – Responde Fernanda aos risos.
Sem lhes dar chance de defesa, a digimon dirigível empurra o grupo no rio.
Muitos dos humanos e digimons se debatiam e tentavam se manter na superfície da água, que teimava em traga-lhes para baixo.
Fernanda, Blaze, Alex e seus digimons observam a agonia dos inimigos.
— Será que fiz bem?
— Pouco importa. O que realmente vale é que tu tiveste coragem. Agora, sim, acredito que está do nosso lado.
Em meio a suspiros e afogamentos, Verônica seguia preocupada com as últimas palavras dita pelo Bruno Soares. Em um dos momentos que retornava à superfície, a garota consegue se segurar em um tronco de árvore que boiava. A namorada de João gritava pelo nome dos seus amigos, enquanto via que alguns deles lutarem pelas suas vidas. Sua digimon, Plotmon, era uma das vítimas. A pequena digimon não sabia nadar e seguia, entre afogamentos e respiros, tentando chamar a atenção da sua domadora num desesperado pedido de ajuda.
— Fernanda, você me paga! PLOTMON!
O grito da domadora faz com que as águas do rio brilhem de maneira ofuscante, assustando do trio de domadores que já dava a vitória como certa. Nesse momento, uma carta, um pouco maior do que as cartas de um baralho tradicional, emerge das profundezas do rio e flutua em frente à Verônica, que rapidamente a segura com a mão direita. Uma luz muito intensa brilha na palma da mão esquerda da moça e toma a forma de um digivice semelhante ao que ela possuía, só que com um diferencial: esse novo aparelho possuía uma fenda semelhante a um leitor de cartão do lado direito.
O novo digivice de Verônica pisca três vezes e, logo em seguida, Plotmon também pisca. A garota, mesmo preocupada com seus amigos, observa que na carta tinha uma gravura de uma gota de água e algumas palavras que diziam: Carta das Águas.
Continua...
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