Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
48 Vadermon aparece
Após conseguirem obter sucesso com a fuga de Flávia do hospital onde estava internada, os seis domadores traçaram um plano para conseguirem respostas para todas as dúvidas que persistiam. João e Flávia investigariam o deus-digimon, Bárbara e Carlos iriam em busca de Bento e Metaletemon, já Murilo e Verônica reuniriam as Cartas Acessórias que restavam.
Um pequeno digimon tatu caminhava pelas proximidades do amontoado de entulhos onde havia o mausoléu que abrigava as cartas, quando percebe que Murilo, Patamon, Verônica e Plotmon surgem no local como num piscar de olhos. Sem ser notado, Armadimon sai correndo.
— Meu Senhor, acabei de me deparar com dois domadores aqui no Continente Perdido.
— Somente dois? — Responde o misterioso digimon sentado na sua enorme poltrona, de costas para Armadimon. O digimon jogava um digivice prateado pra cima e tornava a segurá-lo.
— Sim. Ao que tudo indica, vieram em busca das cartas.
— Excelente. Breve terei o prazer de receber os domadores aqui. Conseguiu mais cartas?
— Ainda não, meu Senhor. Eu estava procurando-as quando me deparei com eles.
— Fez bem em vir me avisar. Suspenda as buscas, não será mais necessário. Essas três cartas em meu poder irão fazer com que venham até aqui. Meus planos estão dando certo. Um deles já está em plena execução. Logo conseguirei sair dessa vida de limitações.
O misterioso digimon começa a gargalhar e salta da poltrona, caminhando pelo tapete vermelho e indo em direção a uma das portas de acesso ao salão.
Armadimon corre, apressadamente, para alcançá-lo.
— Onde o senhor vai?
— Irei visitar meus reféns. Estou com saudades.
O digimon seguia caminhando enquanto Armadimon o acompanhava. As portas em frente ao digimon se abre. Dele, só conseguimos visualizar dois pés, pequenos e negros, caminhando em direção ao longo corredor após a porta. Algumas tochas presas à parede iluminavam o lugar. Várias portas seguiam pelo corredor até o seu final, onde havia, em posição de sentido, um digimon humanoide de baixa estatura. Esse digimon veste luvas e botas de couro rasgado, capa roxa igualmente velha e rasgada, além de um chapéu pontudo na mesma cor sob o qual há uma caveira. Porta um cajado de madeira que possui uma representação do sol em uma das extremidades.
— Abra a porta, Wizarmon.
O digimon bruxo que possui a boca oculta pela gola da sua longa capa e olhos azuis prontamente atende a ordem que lhe foi dada. Do outro lado da porta, havia outro corredor, bem menor e com sete portas: três à direita, três à esquerda e uma no final do corredor.
Armadimon ainda o acompanhava.
— Abra a última sela pra mim.
O digimon tatu corre até a porta do final do corredor e a abre. O misterioso digimon entra no recinto, enquanto Armadimon fica da porta, observando-o.
Uma grossa corrente prendia um pequeno ser ao chão, impossibilitando-o de voar. Uma cúpula de energia também envolvia o refém acorrentado, que dormia.
— O que ele tem? – Indaga.
— Alcarpos. Acabamos de alimentá-lo, senhor.
— Excelente. Com essa erva e essa cúpula, ele fica impossibilitado de se comunicar. Vamos Armadimon. Abra a sela número dois.
O misterioso digimon sai da sela onde estava, e Armadimon a tranca. A sela de número dois era a primeira sela a direita. O digimon tatu prontamente a abre e o seu superior se aproxima. Nessa sela havia um refém preso à parede como se estivesse crucificado. A sela era totalmente escura, somente um refletor iluminava o lugar onde ele estava acorrentado. Ao perceber que a sela seria aberta, o refém ergue a cabeça e observa quem havia chegado.
— O que você quer? – Questiona, demonstrando uma grande revolta.
— Vim aqui saber se meus escravos estão tratando bem os meus ilustres convidados.
— Por que nos tirou do salão onde você fica? Está com medo das ameaças que te fiz?
— Francamente, humano. Sem isso aqui — o digimon lhe mostra o digivice que ele lançava para o alto constantemente — você não é nada! Simplesmente um zero à esquerda.
— Devolva meu digivice!
O digimon misterioso sai da sela enquanto o refém esbravejava ameaças.
Armadimon tranca a sela.
— Estão utilizando alcarpos nele?
— Este é o refém, qual lhe disse que desconfia que colocamos algo na sua água. Raramente a bebe, por isso lhe aplicamos injeções.
Armadimon, então, abre a sela ao lado, a de número quatro.
Outro refém estava preso à parede exatamente como o anterior. Ao seu lado havia uma caixa de acrílico presa a parede portando um digivice. Ele dormia profundamente com a cabeça pendendo para frente. Armadimon fecha a sela e abre a seguinte, a de número seis. Outro refém estava como os anteriores: preso à parede, como se estivesse crucificado, com grossas correntes, e ao seu lado havia uma caixa de acrílico com outro digivice. Esse refém estava tonto por causa da erva ingerida. Ao ver o digimon misterioso, desata a chorar. Sua voz soava embolada.
— Me deixe sair daqui. Não aguento mais ficar preso. Tire meu digivice, faça o que quiser. Eu perdi as contas de quanto tempo estou aqui. To enlouquecendo. Preciso ver a luz do dia, o sol. Quero ver meus amigos.
— Será que eles, realmente, são seus amigos?
— Você deve estar impedindo que eles rastreiem meu digivice. Desgraçado! Eu mesmo quero... acabar contigo.
Aos poucos o refém adormece.
— Idiota. Armadimon, como está o nosso mais novo aliado?
Metaletemon seguia correndo a toda velocidade por uma estrada de terra que cruza uma floresta e o levaria até uma cidade de pequeno porte, habitada por digimons de até o nível Adulto. A notícia de que um humano e um Etemon se fundiram e destruíram um vilarejo de Pyocomons e Tanemos já havia se espalhado por todos os habitantes, que corriam desesperados, fugindo do local, e outros se abrigavam nos subterrâneos que construíram na época da ditadura. Um Numemon tentava acalmar a população, mas era em vão. Ninguém lhe dava ouvidos em meio a toda confusão instaurada.
Metaletemon finalmente chega a entrada da cidade, que estava completamente deserta. O digimon caminha lentamente pela rua principal. Alguns digimons o olhavam pela fechadura, outros deixaram portas e janelas entreabertas. O gorila metálico continua caminhando até que encontra o Numemon que tentava tranquilizar a população. Apesar de temer o Metaletemon por causa da sua fama de destruição, o digimon lesma que possui enorme língua se mantinha estático. O digimon de metal se aproxima do Numemon sem dizer absolutamente nada.
Com os olhos úmidos e a voz trêmula, o pequeno digimon começa a falar.
— Você é o Metaletemon que todos andam comentando?
O digimon nada responde, só o observa.
— É verdade que você destruiu vários digimons a sangue frio? Sem dar a mínima chance de defesa a eles? Por que você fez isso?
Metaletemon olha para Numemon, que sente seu corpo gosmento e frio, tremer.
Os digimons que estavam escondidos nos mais diversos lugares continuavam observando a conversa.
— Você pergunta demais. – Responde o digimon Extremo. — Onde estão todos?
— Alguns fugiram, outros estão escondidos com medo. Você age como um dos ditadores. Você matou digimons inocentes. Você quer destruir essa cidade. Eu tentei convencer a todos do contrário, mas agora vejo que você é cruel.
Metaletemon torna a encará-lo.
— Você não tem um domador? Você é um dos digimons escolhidos por Mestre Culumon para proteger o nosso mundo do mal?
— Não conheço nenhum Culumon.
— Você é algum servo dos ditadores que sobreviveu? Você é cruel. Não acredito que você tenha se unido a algum humano, que tenha algum humano dentro de você.
Metaletemon se irrita e grita com o Numemon e esbraveja completamente alterado.
— Cala a boca, digimon uó! Você fala muita bobagem, credo. Sua voz é irritante. Você é irritante. Não quero saber o que você pensa sobre mim. To pouco me lixando se alguém fugiu dessa cidade.
Numemon pula na direção do rosto de Metaletemon, que lhe aplica um soco certeiro, convertendo-o instantaneamente em dados dispersos no ar.
— E ainda por cima queria me tocar. Imprestável.
Os digimons, que observavam apreensivos a conversa do Numemon, se revoltam com sua destruição e partem para o ataque. Mais de trinta digimons de vários tipos, grupos e níveis evolutivos saem dos seus abrigos e atacam Metaletemon. Técnicas de várias naturezas e intensidades avançavam contra o digimon Extremo. Outros digimons lançavam móveis dos prédios mais altos. Uma nuvem de poeira e explosão circunda o gorila de metal. Os digimons lutavam com todas as suas forças e utilizavam-se de tudo o que estivessem ao seu alcance para destruir seu algoz.
Após cinco minutos de contínuos ataques, os digimons estavam cansados. A nuvem de poeira, aos poucos se dissipava. Os digimons estavam apreensivos. Metaletemon não poderia sobreviver a esse intenso ataque. Por mais poderoso que fosse, estaria, ao menos, gravemente ferido. Para a surpresa de todos, o digimon Extremo estava agachado ao chão e protegia sua cabeça entre as pernas. Lentamente ele se levanta e sorri, revelando possuir poucas escoriações. Os digimons se desesperam e tentam fugir do local o mais rápido possível: correndo, voando ou pelo subterrâneo. Metaletemon, ao ver os digimons fugindo, resolve atacar. O digimon Extremo flexiona levemente suas pernas, que estavam paralelas; seus cotovelos fazem um ângulo de noventa graus; seus punhos estavam fechados. O corpo revestido por cromodigizóide começa a brilhar e aos poucos vai se tornando intenso. Metaletemon grita com bastante força e raiva erguendo os braços para cima com as mãos espalmadas.
Uma explosão de grande magnitude acontece, avançando pela cidade e destruindo tudo e todos que estavam por perto. Um grande cogumelo de fumaça escura se forma.
Carlos, que voava junto com Bárbara e seus digimons, avista o cogumelo da explosão ao longe.
— Uma batalha...
— Muito forte, por sinal. – Pontua Digmon.
— Um digimon Extremo?
— Com certeza.
O vento deslocado pela explosão avança pelos céus, causando resistência aos digimons que voavam.
— Espero que seja Bento. – Diz a garota de longos cabelos cacheados.
— Carlos, — pergunta o digimon inteiramente feito de fogo — não acha melhor avisar João e Flávia sobre isso? Se for uma batalha, o único que pode lutar contra Metaletemon é Metalseadramon.
— Vamos averiguar primeiro. Qualquer coisa pediremos ajuda.
Os digimon seguem rasgando o céu a toda velocidade.
— O que houve, Shurimon?
João e Flávia voavam com seus digimons à procura de pistas sobre o paradeiro do Culumon, até que o guerreiro das lâminas para no ar e olha para trás, despertando a curiosidade dos demais.
— Sinto uma força muito poderosa vindo de lá.
— Como assim?
— Dukemon...
— Eu também sinto, Flávia. – Interfere a guerreira dos ventos.
— Vamos até lá!
— Mas nossa função não é descobrir o paradeiro de Culumon!
— Que seja, Flávia. – Diz o garoto de barba cerrada. — Blaze deve saber de algo.
Flávia e João também seguem na direção da explosão.
Murilo e Verônica seguiam procurando as cartas no Continente Perdido. Plotmon e Patamon seguiam mais à frente dos seus domadores revistando todos os lugares possíveis. Eles haviam se distanciado do local onde se localizava o mausoléu e caminhavam em direção à praia. Verônica seguia mais atrás com Murilo.
— Não se afastem!
— Relaxa, Verônica. Hoje, tudo está tranquilo.
— Quanto mais tranquilo está, com mais medo eu fico.
Plotmon e Patamon descem por um banco de areia de aproximadamente dois metros até chegar à praia. Ao se aproximar da íngreme descida, Verônica desce lentamente e Murilo a acompanha logo em seguida. Após dar três passos, a garota se desequilibra e tenta se segurar no Murilo. Os dois domadores rolam ladeira abaixo, um sobre o outro. No final da descida, os dois estavam completamente sujos de areia, com o garoto por cima dela. Seus olhos estavam a poucos centímetros de distância. Ambos estavam visivelmente constrangidos com a situação. Murilo rapidamente sai de cima da domadora.
Plotmon surge correndo com uma carta presa à boca.
Patamon voava próximo.
— Achamos uma carta! – Brada o hamster laranja voador.
— Cadê?
Plotmon se aproxima e a sua domadora pega a carta.
— Obrigada.
Murilo se aproxima.
— Arqueiro Digital. – Finaliza.
— Faltam nove cartas.
Um raio de energia roxa atinge o chão logo atrás dos domadores e dos digimons, que são arremessados metros à frente. Murilo rapidamente se levanta e olha para trás, vendo o causador da explosão. Tratava-se de Vadermon, que continuava com sua arma espacial apontada para os domadores e seus digimons.
— Você outra vez? – Diz o garoto magro.
— Retornem imediatamente para a superfície. – Ordena o digimon alienígena.
— Muda o discurso, coisa feia. — Verônica comprime seu digivice na mão. — Passamos por você no labirinto, e não será agora que iremos perder.
— Vocês desobedeceram meu pedido. Disse para se afastarem. Agora as consequências poderão ser muito ruins. Raio de Abdução.
— Evolução de dados já! – Brada a garota.
Verônica e Murilo passam suas cartas da Água e da Madeira, respectivamente, pelos digivices e seus digimons evoluem para Ranamon e Yashamon.
— Punho de Água.
O ataque da Ranamon tenta fazer uma ofensiva ao raio de abdução, só que não é páreo para a técnica de um digimon Perfeito. Yashamon, usando sua habilidade de dominação sobre a madeira, retira alguns coqueiros que havia na praia e os colocam lado a lado, usando-os com escudo. O “Raio de Abdução” atinge o escudo de troncos, partindo-o em pedaços. Verônica retira as cartas da mão de Murilo e adiciona a “Martelo Vulcão”, que surge logo em seguida na mão direita da guerreira da água. A digimon avança com a nova arma para atacar Vadermon, superando seu asco. O digimon de aparência horripilante desvia das investidas de Ranamon e a golpeia com socos, levando-a a cair machucada e fazendo o martelo desaparecer da sua mão. Yashamon, com sua técnica “Laço do Górdio”, consegue emitir um raio elétrico de suas espadas de madeira no inimigo. O digimon se esquiva com um salto e ataca com o seu “Beijo do Demônio”, lançando vários meteoros na direção dos humanos e dos digimons. Yashamon e Ranamon pegam seus domadores nos braços e saem saltando sobre as pedras. Os digimons conseguem passar por todos os meteoros.
— Essas cartas jamais poderiam ter saído daqui. Beijo do Demônio.
Novamente, vários meteoros avançam na direção dos domadores.
Yashamon e Ranamon utilizam a mesma tática de saltar sobre os meteoros e assim passarem por todos eles ilesos.
— Verônica, vamos nos separar. – Propõe Murilo. — Assim ficará mais complicado pra ele.
— Certo!
Yashamon e Ranamon seguem desviando dos meteoros em direções opostas. O digimon samurai utilizava toda sua agilidade e conseguia esse feito sem muita dificuldade. Já a digimon humanoide de pele azul e que veste um maiô da mesma cor continuava a saltar de meteoro em meteoro, até que um meteorito a atinge na cabeça, fazendo-a perder a consciência e regredir. Verônica e Plotmon caem no chão e se arrastam por alguns metros. Murilo e Yashamon não percebem o perigo que a domadora corria, já estavam distantes. A garota estava com o braço direito com várias escoriações por conta da queda.
Os meteoros não paravam de avançar e Verônica não sabia o que fazer. Não tinha a quem recorrer. Estava completamente sozinha naquele momento. Tinha que descobrir uma saída o mais depressa possível. Um meteoro se aproximava cada vez mais. Plotmon já estava em seu colo quando a domadora retira todas as cartas do seu bolso e procura uma que pudesse ajudá-la naquele exato momento. A garota de cabelos volumosos e olhar estonteante, então, se depara com a carta que encontrara no dia anterior.
— Adição de Dados – Cronômetro.
O digivice de Verônica brilha e a seguinte mensagem surge em sua tela: “Esse segredo deverá ser guardado. O tempo estará sobre sua influência a partir de agora”.
Continua...
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