Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
52 Quando tudo começa a fazer sentido
João, Bárbara, Flávia, Carlos e seus digimons, estavam encurralados. Após conseguirem se livrar de Metaletemon, que repentinamente desistiu de atacá-los e foi pego de surpresa pelo Dukemon, o grupo liderado pelo garoto de barba cerrada sofria pressão por parte de Júnior e dos demais calouros para que entregassem as Cartas Acessórias. Fernanda e Alex, que estavam por perto, também planejavam se apossarem das cartas.
Qilinmon, Jewelbeemon, Paildramon e Lilamon se aproximavam para pegar as cartas dos quatro domadores, quando um bastão amarelo surge voando como um bumerangue, atingindo o rosto de cada um dos digimons, que ficam atordoados por alguns momentos.
O garoto de cabelo verde espetado, argola no nariz e orelha e braço direito inteiramente tatuado, olha para o alto e vê que Angemon surgia no campo de batalha carregando seu domador e Verônica, nos braços. Plotmon estava nos braços da sua domadora.
Flávia finalmente consegue pegar a carta “Recuperação” do bolso do domador do Terriermon.
— Adição de Dados – Recuperação.
O corpo de Lunamon emite um forte brilho e a pequena digimon recupera as forças. A garota loira de voz rouca e corpo malhado, saca a Carta dos Ventos e a passa pelo seu digivice, fazendo a pequena digimon rosa, que carrega um medalhão da lua pendurado ao pescoço, evoluir.
Angemon coloca os humanos no chão, e consegue pegar seu bastão de volta.
— Todo mundo bem? – Questiona o garoto, que acabara de chegar.
Verônica segura Bárbara pelo braço.
Os digimons se animam.
— Você chegou na hora certa.
João cumprimenta Murilo com um aperto de mão.
Os digimons Perfeito conseguem se recuperar do ataque e avançam nos seus inimigos. Os domadores e os digimons se reúnem próximos de Angemon que, com a carta do teletransporte, consegue fazer com que todos desaparecessem do lugar sem deixar rastros.
— Temos que agir o quanto antes! – Brada Murilo.
Os seis domadores estavam reunidos, em Salvador, na casa de João.
Assim que conseguiram escapar dos calouros, no dia anterior, ele haviam marcado de conversar sobre o que descobriram. Murilo estava sentado no chão, junto à Flávia, e Verônica estava próxima à janela. Carlos estava em pé ao lado de João, e Bárbara estava sentada em uma cadeira próxima a mesinha do computador.
Os digimons estavam sobre a cama.
— Pelo visto, só você e Verônica foi que conseguiram algum resultado.
— Quem te disse isso, Fafá? – Interfere a garota. — Só conseguimos uma única carta, a “Arqueiro Digital”.
— Vocês a utilizaram? – Questiona o garoto de óculos de grau, curioso.
— Não. Como eu havia dito, Vadermon estava nos atacando e eu só tive cabeça para pensar numa fuga.
— Essa carta do teletransporte foi de grande serventia.
— E como foi, Murilo!
— Eu e João não conseguimos nenhuma notícia sobre o paradeiro de Culumon.
— Em compensação, Júnior nos revelou mais uma dele. Agora, segundo os calouros, ele quer todas as Cartas Acessórias.
— Vadermon também utilizou do mesmo discurso da última vez. – Explica o garoto magro de sorriso largo. — Disse que as cartas jamais poderiam ter saído do Continente Perdido.
— Isso, sim, é preocupante.
— O que? – Pergunta Bárbara.
— Os discursos, tanto de Júnior como de Vadermon, dessa vez tem algo em comum. O cara disse que Culumon, supostamente, o mandou pegar todas as cartas. Já Vadermon, que também diz está seguindo ordens do deus-digimon, disse que não poderíamos ter retirado às cartas de lá.
Os domadores ficam pensativos por alguns momentos. Pela primeira vez em meses, algo fazia sentido para eles.
— Supomos que Vadermon e Júnior estejam falando a verdade. – Diz a digimon abelha. — Então quem é aquele digimon que nos mandou pegar as cartas?
— Aquele é Culumon! – Afirma Betamon.
— Então ele está fazendo jogo duplo?
— Mas a troco de que ele faria isso? – Interfere Lunamon.
— Sei lá. Vai ver ainda estamos no torneio.
— Fora de cogitação isso, Lunamon. – Afirma Verônica. — Um domador morreu; Sua domadora ficou gravemente machucada; Bento não consegue controlar a Extremidade.
— Peraê. – Interrompe João. — O fato de Bento não consegui controlar Etemon, não quer dizer absolutamente nada. Etemon é um digimon Perfeito e completamente louco. Se os ditadores estivessem vivos, arriscaria dizer que Etemon trabalhava para eles.
Verônica observa João por todo o momento. Após sua fala, a domadora saca as cartas do seu bolso e caminha até a mesinha do computador.
Carlos toma a palavra:
— Entretanto, eu, João e Verônica sabemos que Culumon está diferente desde o torneiro. Blaze massacrou Kokabuterimon e ele não fez absolutamente nada para impedir. Fora que os digimons de Luiz Filipe e Bruno Pastreli saíram do controle e foi preciso uma intervenção nossa.
Verônica deposita as cartas que estavam com ela e com Murilo sobre o móvel. “Lobo Lutador”, “Teletransporte”, “Martelo Vulcão”, “Arqueiro Digital” e “Cronômetro”. A última carta intriga a domadora. “Não seria melhor esconder essa?”, pensa. Verônica olha para Plotmon e resolve guardar a carta consigo. Ninguém percebe sua movimentação.
Os demais continuavam conversando.
— Falando em Culumon, estão lembrados do e-mail que Antônio nos enviou? – Pergunta Bárbara. — Ele falava justamente sobre Culumon estar diferente.
João e Carlos fazem o mesmo que Verônica e colocam as cartas que possuíam ao lado do computador.
— Então, mais uma vez, vamos supor. Supomos que Culumon está completamente louco psicótico e quer nos testar com uma insana disputa mortal de poder.
Os demais começam a rir.
João pede silêncio.
— Posso continuar?
— Por favor, Fafá.
— Obrigada, João. Como eu estava dizendo, se Vadermon e Júnior estiverem falando a verdade, e Antônio coberto de razão, quem está nos apoiando?
— Segundo o que você mesma disse, — inicia Carlos — Culumon estaria louco. Não vejo um possível inimigo por vários motivos. Primeiro que esse lance todo começou por causa daquele maldito torneio, organizado por Culumon. Logo após, Blaze, Alex e Fernanda conseguiram destruir nossos digivices. Depois, surgiram Júnior e os demais dizendo que Culumon os mandaram destruir nossos digivices. Consegue perceber que em nenhum momento existiu alguém de fora, um digimon quero dizer.
— Vadermon, Mugendramon e o próprio Etemon, como que você explica o envolvimento deles? – Interfere Murilo.
— Eles são digimons selvagens. Antes da nossa interferência no Mundo Digital, eles viviam como animais, se é que me entende. Disputando território, força, ou o que quer que seja. É comum que uma raça mais evoluída domine outra menor. Vadermon a todo o momento diz servir Culumon. Já Etemon e Mugendramon são incógnitas.
O garoto de barba cerrada pega todas as cartas sobre a mesinha e as colocam lado a lado, no chão.
— Eis todas as cartas que conseguimos reunir: Intangibilidade; Martelo Vulcão; Asas Híbridas; Lobo Lutador; Multiplicador; Força Extrema; Teletransporte; Recuperação; Escudo e Arqueiro Digital. Dez, no total.
— Ou seja: Faltam dez. – Finaliza o domador de Terriermon.
— É bem provável que os calouros comecem a procurá-las. – Aponta a garota de cabelos volumosos. — Teremos que intensificar as buscas.
— Gente, eu sei que to enchendo o saco de vocês com esse lance do meu irmão. Mas, queria reforçar meu pedido...
João a interrompe:
— Nem precisa continuar, Bárbara. Vamos ajudá-la sim!
Após decidirem os detalhes do que fariam para conquistar as demais cartas, os domadores resolveram não aparecer no Mundo Digital naquele dia. Com esses constantes ataques de Blaze, Alex, Fernanda e dos calouros, os seis domadores estavam esgotados, e isso causava certa preocupação por parte de seus amigos e familiares.
João e Flávia estavam passando por sérios apuros com suas provas finais. O terceiro ano do ensino médio estava ficando para trás e, com isso, a cobrança por melhores resultados aumentava. Era preciso passar de ano e ser aprovado no vestibular. Carlos ministrava estudos periódicos com João e Flávia a fim de ajudá-los.
Além dos estudos, a garota de voz rouca tinha outra grande preocupação: ensaios com a banda “Cais do Porto”. Seus colegas reclamavam de sua falta de responsabilidade com os ensaios que vinha se arrastando há um mês. Conversaram até sobre uma possível saída da vocalista, que logo foi deixada de lado pelo simples fato de Flávia ser considerada uma nova promessa no cenário musical baiano.
Murilo inventava várias desculpas para seu diretor de teatro. “Toda manifestação artística tem que ser trabalhada exaustivamente até se chegar a algo apresentável”, dizia constantemente o diretor. O garoto havia decorado a frase na intenção de repassá-la à Flávia.
Bárbara se revezava entre os consolos a sua mãe e as aulas de reabilitação. A domadora não tinha mais a companhia do seu irmão que a levava todas as segundas, quartas e sextas até a clínica.
No final do dia, Verônica se preparava para tomar banho quando, perdida em seus pensamentos, se lembra de João e de como começou a gostar dele. Do seu jeito engraçado, de como sorri e de quando toma a dianteira nas situações mais perigosas. Desde quando discutiram, coincidentemente o dia em que João recebeu o e-mail de Antônio, Verônica não havia pensando tanto nele. Logo em seguida, lhe vem à mente Murilo. Com qualidades e defeitos semelhantes ao primeiro. A garota se recorda de quando, no dia anterior, rolou pela areia junto com ele e parou a centímetros da sua boca. Sentia algo muito forte por ele. Verônica se assusta, procura pela sua digimon e a encontra deitada na cama, dormindo profundamente.
— Melhor que eu guarde essa carta. – Diz Fernanda segurando uma das Cartas Acessórias.
Mais um dia havia se passado. Fernanda e Alex conversavam sobre a carta que haviam acabado de encontrar. Os domadores estavam na praia do Continente Perdido.
— Tudo certo. Mas que fique bem claro que eu tenho parte dessa carta.
— Não confia em mim, Alex? Comigo a carta “Amnésia” ficará em segurança.
— O que vocês tanto cochicham? – Diz Blaze, se aproximando. O pequeno tiranossauro vermelho o acompanhava.
Discretamente, a garota guarda a carta no bolso.
— Conversávamos sobre o que aconteceu comigo ontem à noite.
— E o que de tão interessante te aconteceu?
— Estava chegando em casa quando tentaram me assaltar. Três caras me cercaram, sendo que um deles estava armado. Uma nove milímetros.
— E ai? O que fizeste?
O garoto, descendente de orientais, estende um jornal, que trazia enrolado na mão, para Blaze. O domador corpulento lê a seguinte manchete: “Três jovens foram encontrados degolados do bairro da Vista Alegre, em Curitiba”.
— O que você tem a ver com isso?
— Eu, nada. Já Leomon...
Blaze e Fernanda ficam indignados com a frieza do amigo.
— Como que você foi capaz disso?
— Já disse que não fiz nada, Fernanda. Um dos caras estava armado. Ele queria grana e eu não tinha. E tu sabe que não dá pra vacilar hoje em dia.
Blaze pega Alex pela gola da camiseta.
— Não é de hoje que você vem querendo se aparecer. Ninguém pode saber dos digimons e você parece que faz de propósito.
O garoto de olhos rasgados se livra de Blaze, enfurecido.
— Me deixa! Quem você pensa que é? Quer destruir os Beta e acha que pode me dar lição de moral?
— Você quer isso tanto quanto eu.
— Mas não to sendo hipócrita!
Blaze avança no Alex e Fernanda interfere.
— Silêncio. – Pede a garota. — Tem alguém chegando.
Os domadores se escondem atrás de alguns arbustos já no limite entre a mata e praia.
Murilo e Verônica chegam caminhando pela areia com seus digimons.
— Se você acha que é o melhor a fazer...
— Desculpa não poder te dar maiores informações sobre isso, Murilo. Só peço que não conte a ninguém sobre a “Cronômetro”.
— Tudo bem. Será nosso segredo.
— E isso vale pra você também, Patamon.
— Eu sei, Plotmon!
— Verônica sozinha, longe de João e Carlos. – Aponta Alex, sorrindo. — Acho que dá pra se divertir com ela.
— Você é maluco, moleque? Os outros estão vindo logo atrás.
Terriermon seguia correndo pela praia. Suas longas orelhas tremulavam com a brisa. Carlos, João, Betamon, Flávia, Lunamon, Bárbara e Fanbeemon seguiam mais atrás. O digimon de grandes orelhas sobe pela perna de Murilo e, chegando ao seu ombro, dá um salto para trás, caindo em pé no chão.
— Que digimon mais maluco. – Pontua o hamster voador.
— Um dia você se acostuma com ele. – Diz Plotmon, sorrindo.
— PARA, TERRIERMON!
Terriermon volta correndo até seu domador.
— Não é todo mundo que gosta das suas brincadeiras.
— Murilo é legal. – Contesta.
— Mesmo assim! Quando eu digo que não, é não!
— Ah, você chato!
Carlos e Terriermon começam a discutir.
— Estava demorando... – Balbucia o digimon réptil de barbatana laranja.
— Eles fazem isso pra se livrar do tédio ou o que?
— Discutem feito crianças desde que se conheceram, Flávia. – Pontua João. — Terriermon é meio louco.
— Deu pra perceber.
— Eu e Betamon quase que o destruíamos.
— Destruir Terriermon? Por quê?
— Porque quando eu me tornei domador, vários digimons apareciam em Salvador. Todos eles querendo dominar a cidade. Terriermon tinha levado uma pancada muito forte, de um dos ditadores, na cabeça e tinha perdido a memória. Pensávamos que ele trabalhava para o Hexágono do Mal.
Murilo e Verônica tinham parado de caminhar e estavam esperando os demais próximo a uma estrada que invadia a mata.
— Vamos seguir por aqui. — Verônica indica a estrada. — Eu e Murilo descobrimos um vilarejo que fica no final dessa estrada.
João, sem questionar nada, passa entre Murilo e Verônica e segue andando pela trilha. O domador aparentemente estava chateado.
— O que houve com ele? – Questiona a domadora de Plotmon.
— Você ainda pergunta? – Responde Flávia erguendo a sobrancelha.
Os domadores seguem andando, agora pela estrada.
— Pra onde será que eles vão? – Questiona Blaze saindo detrás dos arbustos, juntamente com seus colegas e digimons.
— Não sei. – Responde a garota sem rodeios. — Vamos segui-los. Alex, tudo bem pra você?
— Vocês conversam demais. Menos conversa e mais ação.
O domador sobe no ombro de Leomon, que segue andando. Blaze e Fernanda os seguem mais atrás.
Após cinco minutos de caminhada, finalmente a equipe liderada pelo João chega ao vilarejo. O lugar é composto por casas de alvenaria, semelhante a outras construções encontradas tanto no Mundo Digital como no Mundo Real, somente uma única diferença chamava a atenção de quem passava por lá: As construções eram todas de ponta cabeça. O telhado era construído no chão e as paredes eram erguidas até a alvenaria. Postes de iluminação pública também seguiam os mesmos moldes das casas. Chafariz, praças, bancos, placas, tudo estava de ponta cabeça.
Caminhando pela rua principal do vilarejo, em direção a praça, João avista uma carta debaixo de uma pedra e a pega.
— Pessoal, achei outra carta.
Todos se aproximam, curiosos.
— Que carta é essa? – Pergunta Lunamon.
— Invisibilidade.
— Bom que nem precisa usar pra saber como ela funciona. – Diz Carlos, sorrindo.
— Por que não? – Questiona, Flávia, intrigada.
— Ah Flávia, você ta de gozação com a gente! Só pode!
Todos riem de Flávia.
— A gente vai fazer o que agora, João?
— Vamos rastrear as outras, Bárbara.
Murilo saca o digivice e começa a rastrear as cartas. A seta que aparece na tela do aparelho vai indicando a direção que eles deviam tomar. Todos passam a segui-lo. Os domadores acabam cruzando todo o vilarejo e seguem por um curto caminho que bifurca em duas direções. Pela esquerda, a estrada seguia morro acima de forma sinuosa. Pela direita, cravado no morro, um enorme portão de cromodigizóide.
— As cartas estão atrás desse portão? – Questiona Verônica.
— Exato! – Responde o garoto magro de sorriso largo.
João toma a dianteira.
— Não temos tempo a perder.
Um grande lampejo de cor roxa atinge o morro logo acima do portão, causando um pequeno desmoronamento de terra. O portão fica parcialmente soterrado, impedindo a passagem.
Vadermon surge pela ladeira, descendo o morro.
— Estive procurando por vocês.
— Sentiu saudades, coisa esquisita? – Brada Murilo, sacando o digivice.
— Vamos acabar com isso de uma vez por todas, domadores teimosos. Tenho uma missão e não vou me dar por vencido.
Vadermon ergue sua arma espacial e todos os domadores sacam seus digivices.
Os digimons se põem no ataque à frente de seus domadores.
Continua...
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