João, Carlos, Verônica e Bárbara estavam perplexos enquanto assistiam a batalha entre dois digimons Extremos. Metaletemon e Dukemon travavam uma intensa disputa de poder.

O digimon dirigível chega ao local da batalha, vindo da mesma direção de onde surgiu o cavaleiro medieval e pousa. De dentro do seu compartimento de transporte, surge a garota magra, de lábios carnudos e cabelos castanhos ondulados, e o garoto de olhos orientalizados e cabelos negros e lisos. Acompanhando-os, estava o digimon leão quadrúpede que usa uma coleira dourada com uma enorme pedra verde, além de um topete avermelhado. Rapidamente o pequeno digimon evolui para Leomon, e Blimpmon regride para a digimon engrenagem de cor laranja.

— Bah! Não acredito que o convencestes a lutar com Metaletemon.

Solarmon olha para sua domadora de maneira disfarçada.

— E o que tem demais nisso, Alex?

— Pareceu que tu tinhas segundas intenções. – Afirma o garoto de maneira séria antes de sorrir. – Esquece o que eu disse!

Os digimons Extremos continuavam a intensa disputa de forças. Dukemon disparava sua técnica contra Metaletemon, que resistia bravamente. As pequenas pedras do lugar flutuavam e se dissolviam no ar. Nenhum dos digimons demonstrava o menor sinal de desistência.

João continuava olhando para a carta acessória que estava em sua mão. O domador, então, decide utilizá-la. Ele precisava aproveitar aquela oportunidade.

— Pronto, Betamon?

— Espera. – Pede Carlos. — O que você quer fazer?

— Metalseadramon conseguirá destruir um dos dois se continuarem com essa disputa.

— Eles são digimons e domadores antes de tudo, João. A gente não pode simplesmente acabar com um deles.

No interior do Mundo Digital, mais precisamente no Continente Perdido, Ranamon continuava controlando os tsunamis que iam de encontro a Vadermon. O digimon Perfeito utilizava seu “Raio de Abdução” para dissolver todas as ondas que se aproximavam. Já a digimon das águas estava exausta. Não conseguia mais controlar a enorme quantidade de água, e deixa as gigantescas ondas se desmancharem em pleno ápice, regredindo logo após. A grande massa de água, agora fora de controle, avançava em todas as direções de maneira impiedosa, destruindo todas as belezas naturais da praia subterrânea. Era como se um enorme reservatório flutuante se despedaçasse sobre o lugar. Vadermon, para se proteger, salta em direção à copa de um coqueiro, que sacodia tamanha a força das águas. Plotmon estava a poucos metros da grande enxurrada e começa a correr.

— PLOTMON! – Grita Verônica, preocupada.

A digimon cachorrinho de pelúcia se esforçava, porém a enxurrada se aproximava cada vez mais. O digivice da garota brilha, atraindo a atenção de Murilo. Aquele brilho, em particular, remetia as evoluções da Plotmon, algo que Verônica queria muito reconquistar. Infelizmente não houve evolução e Plotmon continuava sua turbulenta fuga. A enxurrada, agora, seguia destruindo tudo por onde a pequena digimon havia passado.

— PLOTMON, CORRE!

Murilo — Verônica, a carta do teletransporte. — Verônica rapidamente procura a carta e a entrega.

— Adição de Dados – Teletransporte.

Yashamon se teletransporta um pouco à frente da Plotmon, que se lança em seus braços. Em questão de segundos, o garoto utiliza novamente a carta acessória, e seu digimon se teletransporta para próximo de si. Por pouco os digimons não eram engolidos pela parede de água.

Plotmon se lança dos braços de Yashamon para sua domadora.

— Me Desculpe, Verônica.

— Esquece isso. Fico feliz que esteja bem.

A massa de água, agora, estava a poucos metros dos domadores.

Vadermon observava tudo da copa do coqueiro em que estava, e saca de sua arma que tem a aparência de um secador de cabelos. O digimon começa a disparar contra os domadores. Os raios são barrados pelo Yashamon, que lança sua técnica “Laço do Górdio” como contra-ataque, causando uma explosão.

— Vamos sair daqui! – Pede a domadora.

Murilo novamente utiliza a carta do teletransporte, fazendo com que seu digimon os levassem para um local muito alto, um morro para ser mais exato. De lá, tinham uma visão privilegiada do que acontecia no litoral. Não só o litoral, mas como todo o continente subterrâneo. As ruínas do mausoléu onde estavam guardadas as cartas acessórias; A estação de trem onde encontraram Angler; A passagem que os levaram, através de túneis, até ali da primeira vez; Um pequeno vilarejo aos pés do morro onde estavam. Uma estrada de terra ligava a passagem através dos túneis ao pequeno vilarejo, passando pelas ruínas do mausoléu. Outras estradas seguiam do vilarejo em direção à praia, e do vilarejo em direção a estação de trem. Uma estrada subia de maneira sinuosa pelo morro, ligando o vilarejo ao lugar onde estavam. Os demais lugares do continente eram compostos por florestas e praias. Por ser o ponto mais alto, fazia um calor infernal no lugar. Eles estavam próximos à esfera incandescente. Poucos minutos de observação rendeu grande cansaço a todos.

— Yashamon, — pergunta seu domador — por que nos trouxe até aqui?

O digimon olha para trás, levando Murilo, Verônica e Plotmon a olharem. No cume do morro, logo atrás dele, estava erguido um prédio de três andares. A construção contava com enormes portões de ferro, e na fachada predominavam as cores preto e branco. Um enorme letreiro estava cravado no chão alguns metros à frente do prédio: “Observatório Binário”.

O calor estava insuportável.

A grande massa de água retorna ao seu lugar de origem, deixando um imenso rastro de destruição.

— Esse ponto é bastante seguro. – Pontua Murilo. — Fez muito bem, Yashamon. Estão prontas para retornar?

— Plotmon não tem nenhuma condição para lutar, agora. Melhor voltarmos depois.

— A gente prometeu procurar as cartas que faltavam. Todas as duplas estão fazendo o que lhes cabem.

— Isso daqui não é uma gincana pra testar quem consegue cumprir primeiro uma tarefa. Não podemos lutar. Plotmon está fraca. Além disso, Vadermon é um Perfeito e Yashamon está cansado.

Murilo ouve Verônica falar de maneira exaltada e não retruca.

— Yashamon, vamos voltar para o farol.

Murilo utiliza a carta do teletransporte.

Instantaneamente, Murilo, Verônica, Plotmon e Yashamon se deparam com a réplica do Farol da Barra presente no Mundo Digital. A domadora de olhar estonteante e cabelos volumosos, coloca Plotmon no chão e saca seu digivice.

— Vou mandar uma mensagem para Carlos e Flávia, perguntar como estão se saindo.

Rapidamente a domadora consegue digitar uma mensagem de texto e enviar aos seus destinatários. Enquanto aguardavam a resposta, em silêncio, Yashamon regride e Patamon pousa sobre o ombro do seu domador.

— Será que eles estão muito longe? – Questiona o pequeno hamster voador.

— Espero que estejam por perto, ou que estejam em um lugar que conhecemos.

— Verdade. – Diz o garoto. — O teletransporte só funciona para um lugar que previamente conhecemos.

Murilo fica observando Verônica por alguns segundos até que resolve perguntar:

— E João?

— O que tem ele? – Indaga, surpresa.

— Já voltaram às boas?

— Nem conversamos sobre isso.

— Vocês só conversam o necessário?

— Por que pergunta tanto?

— Não posso?

Antes que a domadora pudesse responder, o digivice amarelo emite um sinal sonoro. Uma mensagem havia chegado. Verônica rapidamente lê.

Murilo a observa, muito curioso.

— Quem respondeu?

— Carlos. Disse que ele e Bárbara conseguiram achar Bento. João e Flávia estão com eles. Metaletemon e Dukemon estão batalhando nesse exato momento.

— Blaze e Bento de novo?

— É! Só que Carlos não deu maiores explicações.

Uma explosão bem distante é escutada.

— Essa explosão... – Manifesta-se Plotmon. — Deve ser eles!

Dukemon e Metaletemon faziam um embate corpo a corpo. O cavaleiro medieval havia deixado seu escudo e sua capa jogados no chão, e lutava trocando socos e chutes com o Metaletemon. O digimon de Blaze levava a pior. Sua forte armadura, ao mesmo tempo em que o protegia dos constantes golpes, não lhe dava a agilidade necessária para que atingisse o digimon macaco de metal. Dukemon recebe um chute de Metaletemon e cai de costas no chão, sendo arrastado por alguns metros. O digimon do bento corre na direção de Dukemon caído, que logo se levanta e materializa sua espada.

— Sabre Real.

A técnica avança rente ao chão na direção de Metaletemon, que novamente a segura com suas mãos espalmadas. À medida que Dukemon caminhava, Metaletemon dava passos de costas.

— Tenho que admitir que, se tratando de embate corporal você leva a melhor!

Metaletemon, ainda resistindo a técnica, consegue livrar sua mão direita e ergue seu indicador.

— Espírito da Escuridão.

Um poderoso raio negro desce do céu, atingindo em cheio Dukemon. Ao lançar a técnica, Metaletemon se descuida e é atingido pelo digimon de Blaze.

João, Carlos, Flávia e Bárbara observavam o embate.

Betamon, Terriermon, Lunamon e Fanbeemon estavam por perto.

— Conseguiu mandar a resposta? – Questiona Bárbara.

— Consegui, sim. – Responde o garoto de óculos. — Verônica quer saber exatamente onde estamos para poder se teletransportar pra cá.

— Aí fica difícil. – Balbucia João. — Eu nunca estive aqui antes.

O digivice amarelo torna a reagir. Verônica havia enviado outra mensagem.

— O que ela disse? – Prossegue.

— Eles ouviram a explosão e estão vindo pra cá.

— Carlos, — avisa a garota de voz rouca — manda uma mensagem de volta e diz que estaremos na casa de João.

O garoto magro de olhos verdes digitava a mensagem proposta pela amiga.

Flávia e João olhavam a batalha quando Lucas e Leon surgem na sua frente. Ao olharem para trás, os garotos se deparam com Júnior e Kau. Seus digimons estavam no nível Perfeito.

— Carlos, Bárbara, temos companhia.

Carlos ergue a cabeça e se assusta com a presença dos quatro domadores, cercando-os. Bárbara o puxa por um dos braços, forçando-o a explicar quem havia chegado.

— Pela enésima vez, João, — Diz o garoto alto e magro. — me entregue os digivices.

Flávia observava as novas formas adquiridas pelos digimons e rastreia suas informações, a começar pelo digimon do Júnior.

Qilinmon, um digimon no nível Perfeito. Essa besta sagrada é um híbrido de um pégasus com um dragão. Quadrúpede e com um par de asas, possui um chifre na testa e escamas pela cabeça e pescoço. Sua principal técnica é a “Espada do Furacão”.

Jewelbeemon, um digimon no nível Perfeito. Esse inseto humanoide é a evolução do Stingmon. Especialista em combates físicos, é famoso por possui joias incrustadas em seu corpo e cetro. Sua técnica é o “Espinhos de Esmeraldas”.

Paildramon, um digimon no nível Perfeito. Esse dragão humanoide possui grandes garras de metal no lugar dos dedos e uma poderosa lança retrátil sobre o dorso da mão. Ataca seus inimigos com o “Recurso Final”, técnica em que ele dispara balas de energia com as duas armas presas ao seu quadril.

Alex observa a chegada dos calouros e chama Fernanda, que estava distraída olhando a batalha de Blaze, para vê-los.

Fernanda fica um pouco incomodada com a situação.

— Vamos ver de perto o que vai acontecer. – Propõe a garota, domadora de Solarmon.

— Acabou de tirar as palavras da minha boca.

— Júnior, — interfere o garoto de cabelo verde — na boa? Cansei de fazer a linha pacifista com esses caras. Já que não querem entregar por bem...

— Chega, Kau! — Brada o líder do seu grupo. — Não quero batalhas desnecessárias, ta bom?

— Não vê que por conta disso Caio morreu? – Diz o domador de Jewelbeemon. — Será que é tão difícil acreditar que aquele Mugendramon veio somente para nos destruir? Eles conseguiram fugir sem nenhuma dificuldade. Nunca passou pela sua cabeça que isso é muito estranho?

O garoto alto e magro, por um momento, fica pensativo. Seu aliado estava coberto de razão. Mugendramon só apareceu porque João e seus amigos estavam em apuros. Carlos se aproxima de João, que friamente observava tudo.

— Algum plano? — Cochicha.

— Sim. Pegue seu digivice e o das meninas. Vamos entregá-los.

Carlos não acredita no que ouve e fita João, sério.

— Não ouviu o que eu disse? – Prossegue o domador do Betamon. — Traga os digivices.

— Para de falar besteira!

Carlos se afasta.

— Caio não merecia ter aquele fim. – Diz Lucas, pondo fim ao momentâneo silêncio. — Era um cara super alto astral. Nos fazia rir mesmo quando não devia. Mesmo não concordando com Kau em partes, acho que devemos lutar.

Júnior observa cada palavra dita pelo Lucas. Dentre os três, era o domador em que mais confiava. O garoto para Leon, que diz:

— Tambien concordo!

— Que bacana! – Vibra o garoto de olhos orientalizados, atraindo a atenção dos calouros e o do grupo do João para si. Fernanda e seus digimons os acompanhava. — Várias batalhas ao mesmo tempo.

Fernanda olha Júnior e, quando o domador a fita nos olhos, ela desvia o olhar.

— Na boa, — Diz Kau impaciente. — Vá catar coquinho.

— Calma, guri. Vim aqui só pra dizer que não é pra destruí-los. Eu, Fernanda e Blaze também queremos nos divertir.

Enquanto todos conversavam, Flávia se aproxima de Carlos, pelas costas, e sussurra no seu ouvido.

— Fica quieto. Vou pegar a carta da recuperação que está no seu bolso.

A garota de voz rouca escorrega sua mão em direção ao bolso traseiro da calça de Carlos. Ambos estavam tensos.

— As três estão juntas! – Avisa o garoto.

— Relaxa que eu dou um jeito de acha-la.

— Anda, João. – Intima, Júnior. — Ou entrega os digivices ou vamos pegar a força.

— É assim que se fala! – Incentiva o garoto de cabelo verde e braço inteiramente tatuado.

João tentava pensar em alguma saída, mas nada lhe vinha à cabeça. Alex o observava com um sorriso largo estampado no rosto, enquanto Fernanda estava séria. Júnior, Kau, Lucas e Leon esperavam por uma resposta o quanto antes. Flávia continuava, disfarçadamente, retirando as cartas do bolso de Carlos. Bárbara estava rodeada pelos digimons dos seus amigos. Um sinal sonoro é emitido pelo digivice de Júnior. O domador havia recebido uma mensagem. Por um momento, o domador do digimon híbrido de pégasus e dragão se torna o centro das atenções. Fazendo com que se esqueceram até do embate entre Metaletemon e Dukemon.

Júnior lê a mensagem silenciosamente e olha fixo para João, que estava a sua frente.

— Pessoal, esqueçam os digivices. Nossa meta agora são as cartas. Ordens de Culumon.

Os olhos de João saltam das órbitas. “Será que Culumon está, mesmo, por trás de tudo?”

— MENTIRA! – Grita o líder dos Domadores Beta. — Culumon nos mandou reunir todas as cartas. Ele esteve pessoalmente conosco.

— Culumon acabou de me mandar uma mensagem. – Rebate o líder dos calouros. — Ele quer todas as cartas comigo.

— Alex, vamos entrar no jogo. – Propõe Fernanda, ao pé do ouvido.

— Como assim?

— Vamos pegar as cartas também.

Solarmon olha assustada para sua domadora.

— Se os calouros as querem, é porque algo de muito bom devem conseguir com elas.

— Você é louca? – Diz o garoto, sorrindo. — Tem momento em que me passa a impressão de proteger João, já em outros, de que está do lado de Júnior. Você é demais, guria!!

— Blaze tem duas dessas cartas. Vamos pegar as demais para nos.

— Certo!

— João, essa é a última chance. – Prossegue Júnior. — Me entregue as cartas e não faça nenhuma gracinha.

— Calma, Carlos. — Sussurra a moça de voz rouca. — To quase lá.

Terriermon e Betamon correm até João.

— Não vamos entregar nada, seu cara de Numemon. – Diz Terriermon mostrando a língua.

— João, — diz o digimon que tem uma barbatana laranja nas costas. — pode contar comigo.

— Seu tempo acabou. – Avisa o domador de Qilinmon. — Pessoal, peguem todas as cartas!

Os quatro digimons do nível Perfeito se preparam para avançar no grupo de João.

Continua...