Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
27 O Mais Novo Domador
Após descobrirem que o domador espanhol, de quem eles suspeitavam ser o verdadeiro autor dos ataques, era o Domador Perdido que tanto buscavam, os calouros recebem uma mensagem do deus-digimon. Junior lera em voz alta o conteúdo da mensagem, revelando a todos os humanos e digimons qual a verdadeira missão deles.
— Então teremos que derrotar os Domadores Beta?
— É isso o que diz a mensagem, Júnior! – Diz o pequeno furão sobre o seu ombro.
— Por que será que teremos que enfrentar outros domadores? – Raciocina o garoto de profunda cicatriz em um dos braços. — Não seria mais fácil Culumon retirar os digivices dos Domadores Beta? Ou anular o seu poder?
— Pra início de conversa, alguém sabe dizer quem são os Domadores Beta? – Questiona o garoto moreno de olhos verde.
— João, Verônica e Carlos.
— Quem te disse isso, Lucas?
— O próprio Culumon! Assim que chegamos ao torneio, esqueceu? Somente eles possuem o poder de levar seus digimons até a fase Extrema.
— Ah... lembrei! Eu até disse que era por isso que João era arrogante.
— E Kau te repreendeu...
— Pra variar!
— ¿Quiénes son éstos ?
— Hã? – Retruca Júnior, sem entender.
— Ele quer saber que são os domadores ditos pelo seu amigo. – Interfere o dragão azul de asas brancas.
— Eles estavam lá na Arena Quadrática. – Diz Caio. – João é o garoto de barba. Verônica é a magrinha, baixinha, e o Carlos é o nerd de óculos preto.
— Ah ... Yo sé lo que son ! Los conocí en el aeropuerto de Salvador.
— Sério?
— Sí!
— Podemos continuar? – Pergunta o garoto de cabelo verde, cabisbaixo. Ainda sofria com a recente perda.
— Vamos! – Responde Júnior, pondo fim a conversa.
Os domadores retornam as suas posições e seguem montados em Exveemon e Sunflowmon, indo em direção a Cidade do Princípio.
João carregava Betamon em seus braços enquanto cruzava uma densa floresta de balões coloridos. Antônio, Flávia, Patamon e Kokabuterimon seguiam mais atrás. O pequeno grupo havia sido designado pelo Carlos para ir em busca de ajuda e de novas cartas como as que Verônica e Bárbara possuíam.
Repentinamente, o garoto de barba cerrada para de correr.
— O que houve, João? – Indaga o digimon em seus braços.
Os demais se aproximam e param ao seu redor.
— Você está machucado? – Questiona, ofegante, o garoto de braços e pernas fortes. — Aconteceu alguma coisa?
— Apenas cansaço. Eu to bem!
— E então? – Pergunta a garota de voz rouca.
— Eu to me sentindo um estorvo. Ninguém precisa mais de mim.
— Ah João, nem começa! – Repreende Antônio.
— Estamos correndo sem rumo! Não sabemos onde encontrar os novatos e muito menos essas tais cartas que dão novos digivices.
— Mas isso não é motivo para desistir! – Reitera o digimon inseto mecânico.
— Koka está coberto de razão.
— Eu sei disso, Antônio. O problema todo está em mim. Desde ontem, antes de vir pra cá, que eu to me sentindo deslocado. Como se todo mundo tivesse amadurecido e não precisasse mais da minha liderança.
— Verônica e Carlos precisam e você sabe disso.
— Ela vai ficar bem com vocês. Carlos tem mais visão estratégica do que eu. Estive pensando e irei caminha sozinho. É o melhor a ser feito.
— Isso é idiotice, cara! Você sabe que vocês precisam trabalhar juntos. Carlos, Verônica, Bárbara e Murilo dependem da gente.
— Eu preciso desse momento sozinho! Acho que esse lance de liderança e essa rixa com Alex e Blaze não me fizeram bem. Até breve.
João segue andando por outra direção com Betamon.
A dupla de domadores e digimons ficam atônitos, olhando o garoto e o seu digimon desaparecerem em meio a tantos balões.
— E agora, Flávia? – Questiona o pequeno hamster que voa com as orelhas.
— E sou eu que sei? Vamos, Tonho. Assuma o barco.
— É, Tonho. Assuma o barco. – Concorda seu digimon.
— Acho que o que temos a fazer agora é...
Antônio percebe que os dois digimons e a garota de corpo definido e cabelos loiros o olhavam depositando todas as esperanças para reverter a batalha que haviam deixado para trás.
— Vamos seguir por onde estávamos mesmo! – Diz o garoto gargalhando completamente desconcertado.
— Ai, Antônio! Como você é obvio!
Flávia segue caminhando e resmungando, sendo acompanhada pelos digimons.
— Hei! Me esperem!
Blaze e Bento continuavam correndo enquanto desviavam das técnicas que Gazimon lançava nas suas direções até que, finalmente, chegam à clareira onde Guilmon estava.
O pequeno tiranossauro vermelho se assusta com as constantes explosões.
— BLAZE!
— Precisamos fugir! Tem um digimon doido correndo atrás da gente.
— Blaze tacou uma pedra nele pensando ser Lunamon.
Gazimon surge espumando de raiva.
— Agora vocês me pagam!
— Eu vou lutar com ele. – Diz Guilmon se levantando com dificuldade.
— Você ainda está muito fraco.
— E você vê outra saída?
— Ta certo, então. Tome cuidado.
Guilmon avança no Gazimon dando-lhe uma cabeçada. O digimon cai de costas no chão, mas logo se põe de pé e dispara:
— Atordoador Elétrico.
O digimon hiena lança uma rajada sônica pela boca, que atinge Guilmon. O pequeno tiranossauro vermelho se coloca em pé e contra-ataca.
— Bola de Fogo.
O digimon de pelagem cinza desvia pela direita, com um salto, e rapidamente avança na direção do digimon de Blaze, dando-lhe uma joelhada no estômago. Guilmon perder o fôlego com tamanha dor que sentira.
— Os próximos serão vocês! Vão aprender a nunca mais atirar pedras em digimons.
— Me desculpa. – Pede o domador. — Eu não queria ter te acertado.
— Desculpa... – Ratifica o garoto de cabelos cacheados.
— Calem a boca. Não aceito desculpas.
Gazimon se preparava para ataca-los quando é surpreendido pelo Alex e pela Fernanda.
— Pare! – Diz o garoto magro e baixo de olhos rasgados. — Teu oponente está aqui.
— Ajude-o, Solarmon!
O filhote de leão que possui uma coleira dourada com uma bela pedra verde, além do topete vermelho sobre a cabeça, corre na direção de Gazimon e lhe dá uma poderosa mordida em uma das pernas. Bits começavam a se desprender do lugar. O digimon hiena bípede acerta um soco no focinho de Leormon, fazendo-o soltar sua perna e cair a alguns metros. O digimon se preparava para contra-atacar, quando Solarmon rapidamente entra na sua frente, com seu corpo brilhando:
— Sol Celebrante.
A digimon máquina emite um raio de luz da engrenagem que representa seu corpo, atingindo o inimigo.
Leormon se levanta e novamente ataca:
— Garras Leo. – Brada o digimon Novato antes de fazer um movimento de arranhar com uma das patas e liberar pequenas lâminas de energia explosiva.
Gazimon novamente salta e a técnica avança sobre o rio, atingindo a margem oposta com uma explosão. Percebendo que está em completa desvantagem, o digimon bípede de pelagem cinza tenta fugir, mas é impedido pelo Leormon que corre na sua direção e se lança sobre o seu corpo, derrubando-o.
— Me deixe ir embora. – Implora Gazimon, ainda caído. — Não quero mais brigar!
— Já? – Interroga Alex com o sorriso debochado que lhe é característico. — Agora que está ficando bom. Leormon, não me decepcione!
Com um golpe certeiro, usando suas garras, o pequeno leão quadrúpede de topete vermelho destrói o digimon.
Blaze fica revoltado com o que vê.
— Ele queria fugir. Por que não o deixou ir?
— Vai amarelar, Blaze? – Retruca o domador de maneira calma.
— Não se trata de amarelar e sim de fazer a coisa certa. Não precisava ter destruído ele.
— Ah! Agora é menos um para nos dar trabalho.
Enquanto os domadores discutiam, Bento caminha até o rio com a camiseta que estava sobre a testa do Guilmon, nas mãos.
— Blaze, tu não sabe da maior. – Diz Fernanda interrompendo a discussão dos garotos.
— O que é?
— Além da azeda da Verônica, uma humana simples conseguiu um digivice. A ceguinha...
— Fala baixo! – Pede o garoto fazendo sinal de silêncio enquanto olhava na direção do garoto que estava agachado às margens do rio. — Esse cara é irmão dela. Eu disse a ele que não saiba nada sobre essa garota.
— Irmão? Tem certeza? – Sussurra Alex, sorrindo. — Vamos usá-lo como isca.
— Não! Quanto menos ele souber sobre o que está acontecendo entre a gente, melhor!
— Falando em isca... Cadê Lunamon?
— Fugiu. Tentei pegá-la só que acabei acertando uma pedra naquele Gazimon, por isso que ele veio pra cima de mim e de Bento.
— Bento, é? – Diz Fernanda observando-o se aproximar de Guilmon e colocar a camiseta sobre sua testa. — Até que ele não é de se jogar fora!
Carlos, Terriermon, Verônica, Plotmon, Bárbara, Fanbeemon e Murilo caminhavam por um terreno completamente seco, de solo rachado. O sol era escaldante e a vegetação se resumia a árvores sem folhas, arbustos em gravetos e cactos de diversos tamanhos e formatos.
— Que lugar é esse? – Diz Murilo, sentindo sua garganta arranhar pela falta de hidratação.
Bárbara estava segura no braço do rapaz. Fanbeemon voava próximo a ela.
— Bem-vindo ao Mundo Digital. – Responde Carlos forçando um sorriso. Terriermon estava sobre o seu ombro.
— Eu não consigo me acostumar com essas mudanças bruscas de clima que tem aqui. – Diz Verônica, que carregava Plotmon no colo.
— Espero que encontremos os outros o quanto antes! – Manifesta-se Bárbara.
— Meu maior medo é que eles acabem cruzando com Alex, Blaze e Fernanda por aí.
— Ainda mais que João está sem nenhum pingo de paciência.
— Ai, Carlos! – Exclama Verônica. – Nem me lembre. Queria muito saber o que foi que aconteceu. Queria ajudá-lo.
— Eu te entendo. Mas, conhecendo João a tantos anos, só posso te dizer uma coisa: deixa ele. No tempo dele e no momento dele, ele dirá o que aconteceu.
Os garotos e os digimons seguem caminhando por alguns minutos até chegarem a uma floresta de árvores, flores e frutos gigantescos.
— Eles sumiram... – Balbucia o garoto magro, desapontado.
— Nem sinal por aqui. – Conclui Carlos, limpando os óculos na camiseta que vestia. — Se algum deles tivessem digivice, a gente conseguiria manter contato.
— Quero voltar para casa, logo. – Diz Verônica. – Mainha deve estar preocupada.
— Verdade! Eu tinha esquecido...
— O que foi, Carlos? – Pergunta Bárbara, assustada.
— Quando estivemos aqui lutando contra o Hexágono do Mal, o tempo passava mais rápido do que no nosso mundo. Ficamos vários meses aqui e só se passou uma madrugada no Mundo Real. Mas depois que destruídos os seis ditadores, o tempo entrou em sincronia.
— O pessoal lá de casa deve estar preocupado comigo... Estou aqui desde o sábado sendo perseguido pelos digimons e sendo refém de domadores.
— Se fosse só você, amigo... – Diz a garota deficiente, sorrindo.
Terriermon desce do ombro de Carlos e segue correndo na frente.
— Devagar, Terriermon.
— Carlos, vem ver! Olha o que eu achei!
Dentro de uma fenda em um galho de árvore caído, que mais parecia um tronco, fora da trilha por onde andavam, via-se a ponta de uma carta. Algumas folhagens encobriam o restante da carta. Por ser espelhada, ela brilhava com a incidência dos raios de sol.
— É uma carta! – Exclama a pequena digimon assim que salta dos braços da Verônica.
— Legal! – Exclama Murilo. — Agora ficam faltando quantas?
— Boa pergunta...
Terriermon tentava retirar a carta que estava presa ao tronco, se esforçando ao máximo.
— Que fraco você, Terriermon! – Diz o garoto de olhos verdes e óculos, fazendo gozação.
— Fraco nada! Eu sou gostoso!
— Já disse que não quero que você fique falando o que ouve na televisão.
— Terriermon é uma gracinha, né?
— Não se iluda, Bárbara. – Adverte Verônica. — Ele sabe ser bem chato quando quer!
O digimon de longas orelhas que se arrastam pelo chão se afasta, deixando seu domador, Carlos, tentar. O garoto de cabelos bagunçados também se esforçava ao máximo para retirar a carta e não consegue. Ele retira a folhagem que estava dentro da fenda e ao redor da carta e percebe que apenas uma pequena parte da carta é que estava presa ao tronco caído.
— Fala sério. – Sorri. — To pondo tanta força para desprender somente isso?
— Você deve está puxando de maneira errada. – Diz Murilo o empurrando para o lado.
O garoto igualmente magro segura a carta com ambas as mãos, se posiciona e faz um esforço maior do que o empregado pelo Terriermon e pelo Carlos. Porém, a carta se desprende na primeira tentativa e o garoto acaba caindo de costas no chão. Com a queda, seus pés empurram o galho da árvore, que acaba rolando pelo barranco.
Os demais domadores e os digimons não se contém e começam a rir.
— O que houve? – Pergunta Bárbara já sorrindo, contagiada pelos demais. – Me contem!!!
— Murilo foi retirar a tal carta e acabou levando um tombo! – Responde Fanbeemon.
— Engraçado você, Carlos! – Diz o garoto irritado, já de pé. — A carta estava solta! Não precisava de muita força.
— Mas a carta não queria sair de jeito nenhum! Eu juro!
— Não é querendo defender Carlos não, mas é verdade!
Carlos olha para Terriermon, repreendendo-o e ele logo começa a plantar bananeira com as orelhas.
Repentinamente, a carta que tem a imagem de troncos de árvores empilhados uns sobre os outros, começa a brilhar nas mãos de Murilo. Um digivice surge na mão oposta do jovem.
— Você também? – Indaga Verônica, surpresa.
— Bem-vindo ao grupo!
— Quem será o digimon dele? – Questiona Terriermon, ainda de ponta-cabeça.
— É mesmo. Cadê o meu digimon?
Um grupo de cinco digimons humanoides de pele verde sobem rapidamente pelo barranco por onde rolou o tronco de árvore e cercam os domadores. Um par de chifres sobre a cabeça além dos longos cabelos brancos que lhes chegam até o meio das costas. Enorme boca aberta com dentes amontoados. Carrega um tacape de osso, que lembra um fêmur, cravejado de pregos.
Verônica o seu digivice e rastreia as informações dos digimons.
Orgemon, um digimon no nível Adulto. Esse ogro é traiçoeiro e vive em grandes grupos para poder atacar digimons de níveis superiores aos seus. Sua principal técnica é o “Punho do Rei Supremo”.
— Quer dizer que foram vocês que nos acertaram com esse tronco? – Pergunta um dos Orgemons, fazendo os humanos e digimons olharem na sua direção.
— Foi mal, cara. – Murilo gagueja tentando se explicar. — É que rolou sem querer... Peraê, você é meu digimon?
— Que digimon coisa nenhuma! Eu lá vou me aliar a humanos?
— Pessoal, vamos sair daqui. – Propõe Carlos. – Vão nos desculpando pelo ocorrido. Não tivemos a intenção de machucar ninguém.
Carlos puxa os amigos para irem embora, mas dois dos Orgemons que estavam atrás deles cruzam seus tacapes, impedindo a passagem dos domadores e dos digimons.
O Orgemon, que possivelmente é o líder do bando, balança a cabeça negativamente.
— Vocês não irão a lugar nenhum!
Continua...
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