Após se surpreenderem com a presença de Davi no Mundo Digital, João, Verônica, Carlos e os demais seguiram o caminho indicado pelos digivices até caírem, através de um alçapão que se abriu ao redor do Farol, em um enorme salão subterrâneo.

Kazemon, Patamon e Fanbeemon voaram pelo túnel que os levariam até a superfície quando se certificam de que a passagem estava completamente fechada.

— Vamos abrir outra passagem! – Propõe o pequeno hamster voador.

— Isso mesmo! – Concorda seu domador, animado. — Patamon, Evolução de Dados!

Murilo estava prestes a passa a “Carta da Madeira” pelo digivice quando Carlos o impede:

— Ta com ideia de gente burra? Não vê que uma explosão no teto levaria tudo abaixo!

Patamon fica envergonhado e pousa sobre o ombro de Murilo.

— Mas pessoal, — manifesta-se Palmon – não estamos aqui em busca das Cartas Acessórias? Pra quê esse desespero de voltar para superfície?

— A gente precisa saber onde estará o caminho de volta! – Responde Verônica.

— Lá na frente a gente acha!

— Ela tem razão, João. – Diz Betamon.

— Então vamos andando. – Diz o garoto de barba cerrada tentando animar a todos. — Ali na frente tem um corredor. A gente segue por ele.

O digimon do Júnior avança com uma cabeçada em Growmon, fazendo-o cair.

— Guri irritante! – Berra Blaze. — Vou te fazer em migalhas. Não terei pena de ti.

— Blaze, – interfere Fernanda — deixa essa batalha comigo. Ele está me devendo uma por conta do torneio.

Júnior observava a conversa junto com os digimons dos seus amigos.

— Faça como quiser! – Diz o garoto alto e corpulento.

— Solarmon.

A digimon redonda, envolta por uma engrenagem, rapidamente é envolvida pelo casulo da evolução e se torna Blimpmon.

— Bomba de Hélio.

Grandes bombas incolores são lançadas pela enorme digimon em forma de dirigível na direção do Leppamon, que se esquivava das ogivas com extrema habilidade.

Caio, Lucas e Leon surpreendem o Junior com a repentina aparição. Os digimons correm até seus domadores, que logo tratam de acalmá-los.

— O que ta acontecendo aqui? – Pergunta Lucas, com cara de poucos amigos.

— Eles atacaram nossos digimons. Devem saber que queremos destruir os digivices dos Domadores Beta.

Leppamon é atingido por uma bomba e explode.

— LEPPAMON!

— Um a zero para mim, gato.

A fumaça da explosão se dissipava quando o digimon raposa salta e passa a girar ao redor do próprio eixo em alta velocidade, avançando na direção da enorme digimon que pairava sobre a cabeça deles. Leppamon consegue atingi-la, causando avarias em sua lataria.

Blimpmon urra de dor.

— Agora estamos um a um! – Responde Júnior, provocando-a.

— Lalamon, vamos botar pra quebrar!

A digimon redonda como uma uva também evolui.

— Raio Solar.

A técnica emitida pelo rosto da digimon vegetal com corpo de lagarto, asas de folhas e rosto que lembra um girassol, atinge a digimon dirigível, explodindo.

— Não se meta onde não é chamado! A batalha é minha e dele.

— Chama Extrema.

O digimon de Blaze consegue atingir Sunflowmon.

Em meio à batalha, o pequeno dragão azul se lembra de algo.

— Leon, Elecmon. Ele está lutando contra um domador também. Precisamos ir ajudá-lo.

Rapidamente o pequeno dragão evolui para o poderoso dragão humanoide alado de braços, pernas e calda musculosas e segue, juntamente com o seu domador, voando em direção à cidade.

— Leomon acabe com ele!

Alex estava um pouco distante do seu digimon, que havia dominado o Raiamon com uma chave de braço. Leomon torcia sua pata dianteira e estava de espada um punho, próxima a garganta do guardião.

Uma energia dourada em forma de xis atinge o Leomon pelas costas, surpreendendo o Alex. Logo o garoto percebe que se tratava de um domador e, ao ver Exveemon, nota que ele poderia ser a evolução do pequeno digimon azul que vira momentos antes ao lado de Elecmon.

O dragão alado deixa Leon no chão e logo avança na direção do leão humanoide.

— Corte Duplo.

Com um movimento de abrir e fechar os braços, o digimon dispara outra energia dourada do seu peito na direção do leão humanoide, que se vê obrigado a dar uma sequência de cambalhotas de costas para desviar.

Exveemon se aproxima de Raiamon e apoia a cabeça do digimon em sua perna.

— Sente-se bem?

— Não tanto como você. – Diz o digimon leão de juba marrom, forçando um sorriso. — Vejo que se tornou um digimon muito forte.

— Graças a você! Todos os digimons deveriam ter mais respeito por você.

— Tornou-se um digimon tão forte que foi o escolhido pelo Culumon, dentre tantos outros.

Raiamon desmaia e acaba regredindo.

Exveemon o pega nos braços.

— Punho do Rei das Feras.

A técnica proveniente do punho de Leomon avança na direção do dragão azul, que alça voo sem muita preocupação, livrando-se do ataque e se aproximando do seu domador, entregando o Elecmon para ele segurá-lo.

O digimon Adulto retorna e pousa à frente de Leomon.

— Agora sim poderemos lutar com mais tranquilidade!

Exveemon voa de maneira predatória, em meio aos seus próprios urros de raiva, na direção de Leomon, que dispara vários “Punho do Rei das Feras” ao seu encontro. O digimon de Leon seguia se esquivando das investidas de maneira acrobática, ainda no céu, enquanto se aproximava cada vez mais. Leomon não vê alternativa e saca sua espada para ataca-lo. Exveemon seguia destinado a atacar o digimon de Alex e não titubeia ao se aproximar. Ao notar que era chegada a hora, Leomon rapidamente disfere um golpe com sua espada, porém o dragão humanoide azul consegue ser mais rápido, esquivando-se pela esquerda e lhe aplicando vários chutes nas costas, levando-o ao chão. Logo após, o segura por uma das pernas e o gira no ar até que, com um salto, lança Leomon contra o chão, afundando o local.

— LEOMON! – Berra Alex, preocupado.

— Muy bien, Exveemon!

A batalha do outro lado da cidade se intensificara com a chegada do Caio.

Growmon e Blimpmon não conseguiam afrontar as constantes investidas de Leppamon, Sunflowmon e Allomon.

Fernanda, Blaze e Bento sentem-se acuados.

— Temos ordem do Culumon para destruir os digivices dos Domadores Beta e dos seus aliados. – Brada Júnior sentindo-se vitorioso.

— Quer dizer que vocês acham que nós somos aliados de João e sua corja? – Indaga Blaze, segurando uma risada quase que incontrolável.

— Experimenta dizer isso para o Alex que ele voa na tua garganta! – Pontua a garota.

Fernanda e Blaze riem só de imaginar a cena.

O garoto de cabelos cacheados e pele naturalmente bronzeada, observava assustado toda a movimentação.

Júnior, Lucas e Caio não entendem o motivo de tanta risada.

— Leppamon arranque os digivices dos três à força!

Leppamon, Sunflowmon e Allomon avançam calmamente.

— Fernanda, vamos mostrar para eles o que é uma batalha de verdade. – Avisa o garoto encorpado, de pele clara o olhos verdes.

Instantaneamente, seus digivices passam a brilhar intensamente, possibilitando a evolução de Growmon e Blimpmon. A digimon de Fernanda torna-se um enorme robô dourado, com quatro pernas, dois braços com mão em pinças que se fecham como pirâmides, corpo que lembra uma esfera formada por placas quadradas e rosto cilíndrico que se recolhe como uma tartaruga sobre o topo do corpo. Já o outro digimon tratava-se de um tiranossauro vermelho que possui antebraços mecânicos com poderosas lâminas em suas laterais, tronco também mecânico de onde saem propulsores e cabeça revestida por metal.

Valvemon e Megalogrowmon intimidavam simplesmente pelo tamanho, cada qual visivelmente maior do que seus oponentes. O tiranossauro cyborg chegava a ter quase o dobro de tamanho do tiranossauro anil com listras laranjas de Caio.

A raposa de calda em forma de foice, do Júnior, tenta uma investida contra a enorme digimon máquina de Fernanda, que, sem muita cerimônia, o segura com sua garra em pinça.

— Júnior, — diz a garota de lábios carnudos e cabelos longos e ondulados – posso ordenar a Valvemon que esmague seu digimonzinho insignificante e, assim, vencerei a nossa tão esperada batalha. Mas não tenho essa intenção.

— Queremos propor uma união. – Prossegue o garoto alto e corpulento. — Uma união entre o meu grupo e o seu grupo!

A digimon vegetal que possui a cabeça em forma de girassol e Allomon fazem menção de atacar, quando são impedidos:

— PAREM! – Esbraveja o garoto alto e magro. – Deixem ele terminar de falar.

— Obrigado! – Agradece. — Eu, a Fernanda e o Alex destruímos os digivices de todos os domadores, inclusive dos Beta. Mas, por algum motivo que ainda não sabemos ao certo, eles recuperaram os digivices e conseguiram umas cartas que possibilitam novas evoluções.

— Então deu na mesma. – Diz Lucas, domador de Sunflowmon. — Estamos na estaca zero! Se eles conquistaram novos digivices, conseguiram evoluir seus parceiros ao nível Extremo.

— É aí que você se engana. – Fernanda sorri. — Apesar de terem novos digivices, seus digimons não conseguem nem atingir a forma Adulta, para você ter uma ideia. A salvação deles está sendo essas tais cartas, até poderosas por sinal.

— Se o meu grupo e o seu grupo trabalharem juntos, conseguiremos cumprir o plano do Culumon. Ainda existem cinco digivices intactos. Dentre eles, três são de Domadores Beta.

— Esses não participaram do torneio? – Questiona o garoto moreno de corpo musculoso.

— Não! Por isso que não conseguimos destruir os digivices deles.

— Todos os Domadores Beta que perderam os digivices conseguiram os novos que vocês mencionaram?

— Da última vez que os encontramos somente um deles havia conseguido, e detalhe: uma humana simples conseguiu um digivice e se aliou a eles. São grandes as chances de os dois humanos simples restantes conseguirem digivices também.

— Caracoles! – Balbucia Caio. — Desse jeito fica difícil salvar o mundo.

— Resumindo a história: Temos que nos preocupar com onze domadores, sendo que quatro deles eu acho improvável darem as caras por aqui.

Blaze caminha até Júnior e lhe estende a mão.

— E aí? Topas enfrentarmos essa juntos?

Júnior olha intrigado para Lucas e Caio e não vê objeções em seus olhares.

— Ta certo! – Diz o garoto alto e magro. — Vamos ver no que vai dar.

Os respectivos líderes selam o acordo com um aperto de mãos.

— Agora que está tudo bem entre a gente, — prossegue o domador — dá pra sua digimon soltar o Leppamon?

— Você admite na frente de todos que perdeu a batalha para uma mulher? — Diz Fernanda, provocativa.

Com certa dificuldade e sem olhar nos olhos da garota, Júnior pronuncia a frase que ela tanto desejava:

— Eu admito, pessoal! Perdi uma batalha para uma mulher. Muito linda, diga-se de passagem. Olhos amendoados, lábios carnudos...

— Ta bom moleque! – Interrompe-o. — Eu já entendi. Valvemon, solte a raposinha.

A enorme digimon dourada põe o digimon raposa no chão e regride para sua fase Novato.

Leppamon também regride.

Megalogrowmon torna-se Growmon.

Caio olha, intrigado, para Bento.

— E esse cara aí, não é um domador também, não?

— Não! Ele é um amigo meu. É um humano simples.

— Temos que ir atrás do Leon! – Brada Lucas, lembrando. — Ele foi lutar ajudar Elecmon.

— Alex, pelo pouco que conheço, deve estar estraçalhando amigo de vocês.

Blaze e Bento sobem nas costas de Growmon e ajuda Fernanda a subir com Solarmon. Caio, Júnior e Lucas sobem em Allomon juntamente com seus digimons.

Assim que chegam ao local da luta, se deparam com leão humanoide de corpo mais esguio que sua fase anterior e que veste macacão preto com cilindros metálicos envolvendo suas canelas e antebraços surrando o dragão humanoide de Leon. O domador espanhol estava desesperando e gritava a todo instante, enquanto segurava Elecmon em seus braços.

Júnior e Blaze rapidamente se aproximam dos seus amigos e explicam o que acontecera e o porquê resolveram unir suas forças para cumprir o plano de Culumon. Megalogrowmon e Allomon se aproximam dos digimon, impedindo que Grappleomon prosseguisse com o massacre.

Enquanto as explicações prosseguiam, um portal se abre logo à frente do grupo e de dentro dele sai o garoto de cabelo verde, argolas no nariz e orelha e braço inteiramente tatuado. Em seus braços trazia um digimon ligeiramente maior e bem diferente do que havia levado consigo na noite anterior. Uma pequena bola verde com bochechas e boca rosadas. O restante do seu corpo estava dentro de uma espécie de pinha, que servia de carapaça.

— Que lindo esse digimon! – Diz Fernanda ao vê-lo se aproximar.

— Esse daqui é Minomon, a evolução de Leafmon.

A garota prontamente recolhe informações sobre o pequeno digimon.

Minomon, um digimon no nível Em Treinamento. Esse pequeno inseto vive dentro de um casulo marrom, o qual serve como abrigo e proteção. Sua técnica é o “Pinecone”, onde ele se fecha dentro do casulo, lançando-se contra o adversário.

— O que houve? – Questiona Kau ao ver Exveemon muito ferido e Elecmon desacordado nos braços de Leon.

— Chegue mais que vamos te atualizar. – Diz Júnior, acenando.

— Senta que lá vem história! – Sussurra Caio, assim que o colega passa próximo de si.

— Chato de galocha! – Retruca o garoto, sorrindo.

João e seus amigos continuavam caminhando pelo corredor subterrâneo. Murilo seguia à frente fazendo às vezes de guia do grupo. Kazemon havia regredido e caminhava ao lado da sua domadora. Tochas estavam presas a parede de ambos os lados a cada três metros e iluminava o local. Os domadores imaginavam e até comentavam o que essas tais Cartas Acessórias poderiam fazer, qual a real utilidade delas e se eram realmente poderosas. O único propósito que os motivavam a acha-las, era o de dar uma lição no Blaze, no Alex e na Fernanda, que, segundos eles, haviam extrapolado todos os limites em destruir os digivices.

Após alguns minutos de caminhada, o grupo encontra uma bifurcação.

— E agora? – Questiona o garoto alto e de sardas no rosto.

— Vamos pela esquerda. – Propõe o garoto de barba cerrada.

— Acho melhor nos dividirmos. — Diz Verônica querendo contrariar.

— Não acho! Com exceção de Davi, estamos vulneráveis depois que nossos parceiros perderam os dados de suas evoluções.

— Fale por você, meu bem. Eu sei me virar sozinha. Já dizia o ditado: antes só do que mal acompanhada.

— Nem comece com suas infantilidades. Temos coisas mais importantes para fazer.

— E desde quando você sabe o significado da palavra importante, João?

O casal inicia outra discussão acalorada. Plotmon e Betamon gritavam juntamente aos gritos dos seus domadores, numa tentativa de interromper a briga. Davi tenta se aproximar e falar algo, mas é sumariamente ignorado pelo quarteto, que seguia entre gritos e ironia inflando ainda mais a discussão.

— TENHA SANTA PACIÊNCIA! – Berra a garota loira de voz rouca enquanto se aproximava do casal, separando-os. — Vamos dividir logo essa bagaça!

Flávia, então, caminha até Davi e o segura pelo braço. Logo depois a garota se aproxima de Murilo e faz o mesmo. Por fim, se aproxima da domadora de Fanbeemon.

— Nós vamos pela direita e vocês irão pela esquerda.

Flávia segue caminhando, enquanto guiava Bárbara que gargalhava de toda a situação. Davi e Murilo as seguiam mais atrás, juntamente com os quatro digimons.

— Essa garota não existe! – Pontua Carlos, sem entender o que havia acabado de acontecer. – Como é que ela se predispôs a separar uma briga dividindo o grupo em duas equipes, e mantém os brigões juntos?

O garoto de óculos torna a olhar na direção de João e Verônica quando percebem que cada um estava de costas um para outro enquanto conversavam com seus digimons, que já estavam em seus braços.

Ao olhar para baixo, Carlos percebe que Terriermon o observava visivelmente assustado.

— O que foi, Terriermon?

— Por que você está conversando sozinho?

— Esquece! Ei, vocês! – Diz o garoto atraindo a atenção do casal e de seus digimons. – Vamos andando.

Carlos segue, com Terriermon nos ombros, pelo corredor oposto e logo atrás vinha João caminhando ao lado de Verônica, porém nenhum dos dois sequer dirigia o olhar ao outro. Betamon e Plotmon, ao contrário dos seus domadores, conversavam como velhos amigos.

No exato local da bifurcação, dentro de uma fenda escura na parede que se iniciava no meio do corredor, dividindo-o, grandes olhos azuis observavam toda a movimentação dos domadores.

Continua...