Após finalmente destruírem Vadermon e Lunamon ter evoluído para Lekismon, os domadores conseguiram entrar na caverna que dava acesso a um misterioso salão oval. Murilo, Patamon, Carlos, Terriermon, Bárbara, Fanbeemon, Flávia, Lekismon, João e Betamon se assustam com o grito de Verônica.

— Ta maluca? – Repreende.

— Não to com um bom pressentimento sobre isso aqui. – Avisa Verônica, fazendo todos se calarem. — É melhor você e Betamon voltarem pra cá.

A cadeira de madeira é envolta por uma silhueta rosada e começa a girar, fazendo um enorme barulho. João e Betamon correm para se afastar ao máximo, enquanto os demais se aproximam deles. Todos acabam se encontrando no local onde Verônica estava, estática. Os domadores estavam de digivices em punho quando, finalmente, a cadeira se vira por completo. Todos ficam assustados ao ver quem estava amarrado a ela.

Mateus Antônio, um dos amigos do Alex, domador de um Monodramon, estava ali, amarrado à cadeira pelos punhos.

— Eu me lembro de você. – Balbucia o domador de Betamon. — Você é amigo de Alex.

— Isso! – Interrompe o garoto negro que usa moicano. — Andávamos juntos pelo Mundo Digital. Alex, Albert, Victor e eu, passávamos força para o outro. Viver aqui nunca será fácil.

— Não se lembra da gente? – Adianta-se Plotmon. – Essa é Verônica. Destruímos um Raremon certa vez.

O garoto olha para a pequena digimon de bochechas rosadas, volta seu olhar para a garota magra de cabelos volumosos e apenas sorri.

— Por que não entrou em contato? – Prossegue Verônica. — Ficamos mais de seis meses sem notícias suas.

Mateus olha para as amarras em seu punho e torna a olhar para os domadores.

— Isso aqui serve como desculpa?

— Você estava aqui esse tempo todo? – Questiona o domador de Betamon.

— Infelizmente, guri. Não tenho tanta força como os Domadores Beta. Fui presa fácil!

— Presa fácil de quem? – Indaga João, que ouve o silêncio como resposta. — Responde!

O garoto negro começa a rir diabolicamente.

— Idiotas! Idiotas! Idiotas! – Brada o garoto, transtornado. Gotas de salivas voavam de sua boca a cada xingamento pronunciado.

— O único idiota, aqui, é você! – Retruca João no mesmo tom.

— Idiotas! Idiotas! Idiotas!

— Betamon, faça-o calar a boca!

— João, eu não posso atacar um humano.

— Vocês se sentem acima do bem e do mal. Domadores Beta... O câncer do Mundo Digital.

Mateus volta a gargalhar como há pouco.

— O que deu em você? – Intervém Carlos. — Por que está nos atacando dessa maneira?

— Porque vocês são completos idiotas! Destruíram seu aliado! – Diz Mateus, gargalhando.

— Como assim destruímos um aliado? – Pergunta Bárbara, confusa.

Mateus gargalha ainda mais.

— Pessoal, esse daí não é o Mateus que conhecemos!

Todos olham espantados para Verônica. Como ela podia afirmar com tanta convicção?

Mateus para de sorri e sua expressão muda completamente.

Um refletor se acende, atraindo a atenção de todos. Um foco de luz circular ilumina um humano preso à parede por correntes, como se estivesse crucificado, ao lado de um digimon. Tratava-se do Mateus e do seu pequeno dragão roxo que possui asas presas ao antebraço. Seu digivice estava dentro de uma caixa de acrílico, também presa à parede e próximo ao seu rosto. O garoto estava amordaçado, não conseguia falar absolutamente nada. Seus olhos estavam saltados e em vários momentos ele olhava para o lado direito.

João não estava entendendo absolutamente nada. Suas mãos transpiravam.

Os domadores voltam a olhar para o Mateus que estava amarrado na cadeira e, agora, se deparam com Culumon.

— Culumon? – Indaga João, confuso. — Peraê, o que está acontecendo?

— Fujam daqui, culú! Isso é uma armadilha. – Brada o digimon igualmente amarrado a cadeira. — Tem algo que vocês precisam saber. Existem ou...

Antes que o pequeno digimon branco, que voa com o auxílio das orelhas, pudesse falar, outro refletor acende. Uma voz, idêntica a voz de Culumon, surge pelo lado direito do salão e interrompe a fala do deus-digimon.

— Ele está mentindo, culú! Ele é o farsante!

Um Culumon surge acorrentado a parede, assim como Mateus.

— João, Verônica, Carlos, não deem ouvidos a ele, culú. Vocês me conhecem há muito tempo e sabem que sou o verdadeiro. — Grita o Culumon preso à cadeira.

Mateus observava a tudo, assustado.

— Dois Culumons? – Diz Flávia igualmente confusa. — Como saberemos quem ta falando a verdade?

— Flávia, eu escolhi você, Murilo e Bárbara pra substituírem Lúcia, Rafael e Davi, culú. – Diz o digimon sobre a cadeira de madeira, demonstrando irritação.

— ELE É O FARSANTE! – Diz o deus-digimon que está acorrentado a parede. — E eu posso provar. Verônica, — a domadora gela por dentro ao escuta seu nome — você e Plotmon recentemente viveram uma experiência além dos limites temporais.

Os demais domadores e digimons olham para a garota. Eles queriam saber o que estava acontecendo. A conversa havia se restringido entre Verônica e os dois Culumons.

— Você sabe que ELE fez refém alguém que você arriscou sua vida para salvar. – Prossegue o digimon preso a parede. — E esse alguém está aqui do meu lado!

— Verônica, do que ele está falando? – Interfere Carlos em busca de respostas. — Quem é essa pessoa? – O garoto a segurava pelo braço com bastante força.

A domadora não reagia ao seu amigo. Estava em transe.

— Verônica, culú, foi ele! — Prossegue o digimon amarrado a cadeira, se tornava o centro das atenções. — Ele tentou pegar a carta Cronômetro das suas mãos quando te encontrou e sequestrou o domador que você havia salvado para utilizá-lo como cobaia. Ele quer as cartas!

O Culumon preso ao lado do Mateus grita, atraindo para si toda a atenção.

— CHEGA!

Outros dois refletores se acendem, um iluminava o lado esquerdo do domador negro de moicano, e outro, ao lado direito de Culumon. Ao lado esquerdo de Mateus estava Albert, o garoto magro que usa óculos redondos, e Lopmon, digimon de pelagem marrom e idêntica à Terriermon, presos a correntes e amordaçados. O digivice de Albert também estava dentro de uma caixa de acrílico. Do lado direito de Culumon estava o domador de pele negra e cabelo curto, famoso por utilizar patins para se locomover pelo Mundo Digital. Uma digimon raposa bípede de pelagem amarela, pelugem branca ao redor do pescoço e luvas roxas que seguem além do cotovelo, estava acorrentada ao seu lado.

Para surpresa geral, Levi estava vivo e, durante todo esse tempo, era feito refém por alguém ou algum digimon. Os dois domadores e digimons que acabaram de ser revelados se debatiam, numa tentativa de se livrarem das correntes e amordaças.

Um misto de felicidade e raiva brotava no peito de João, Carlos, Verônica e Murilo, que é amigo de longas datas do domador.

— LEVI! – Grita o domador de Patamon, eufórico.

— Vejam, — prossegue o Culumon que está acorrentado – o digimon que está preso à cadeira é o farsante! Ele se aproveitou de nossas franquezas para nos sequestrar! Não deixe que toque nas Cartas Acessórias.

A todo o momento, Fanbeemon contava tudo o que se passava a sua domadora.

O Culumon preso à cadeira olhava tudo, desesperado.

— Rápido, João. Não deixe que revele sua verdadeira forma ou que se apodere das cartas, culú. Destruam-no!

Os domadores estavam convencidos. Tinham que acabar de uma vez por todas com quem quer que fosse.

— Evolução de Dados, já! – Brada o líder, sendo acompanhado pelos demais.

Betamon, Terriermon e Plotmon evoluem com a ajuda das cartas. Patamon e Fanbeemon evoluem normalmente. Os cinco digimons se juntam a Lekismon.

O Culumon próximo a eles se desespera.

— Me ouçam, culú, por favor.

— Isso é uma armadilha! – Insiste o pequeno digimon acorrentado, junto aos demais. — Não se deixem envolver pelas palavras ditas por ele.

— Ataquem!!! – Ordena João.

Os seis digimons disparam seus ataques mais poderosos na direção do digimon amarrado à cadeira. Os reféns olhavam a fusão das seis técnicas avançarem contra o pequeno digimon que possui um triangulo vermelho na testa.

Culumon fecha os olhos, temeroso pelo que lhe pudesse ocorrer, e, instantes antes de ser atingido, um vulto surge no salão e se põe à sua frente.

Uma explosão acontece.

Todos os presentes percebem que alguém havia protegido o pequeno digimon do ataque.

— NÃO! – Grita o Culumon que estava acorrentado.

Todos olham para trás e veem Júnior próximo a porta. O domador rapidamente corre pelo salão, passando pelo João, seus amigos e digimons, e se aproximando do pequeno digimon branco que acabara de ser salvo pelo digimon híbrido de dragão e pégasus.

Logo em seguida chegam Kau, Leon e Lucas montados em seus digimons no nível Perfeito, e se juntam ao domador de altura semelhante à de Davi e que estava no altar.

— O que vocês pretendem dessa vez? – Questiona o domador. — Perderam o juízo?

Qilinmon não resiste, desmaia, e regride para Kudamon. Júnior o pega nos braços.

— Você nos atrapalhou. – Adverte João. — Esse digimon é um farsante! – O garoto indica o lado direito do salão. — Ali está o verdadeiro Culumon e os domadores que ele sequestrou.

Júnior, Kau, Leon e Lucas também ficam confusos. “Qual dos dois é o verdadeiro Culumon?” Por um momento, um fio de arrependimento vem à cabeça do líder do grupo dos calouros. Seu digimon poderia ter se ferido gravemente a troco de nada.

— Que palhaçada é essa? – Manifesta-se o garoto de cabelo verde. — Dois Culumons?

— Esses digimons estavam nos colocando um contra os outros. – Atesta o domador que possui uma profunda cicatriz em um dos braços. – Por isso que nossas informações se desencontravam.

— Tengo que saber que é o verdade! – Diz Leon.

— Nós já descobrimos o verdadeiro, Lucas. – Diz Carlos. — O farsante está ao seu lado.

— O verdadeiro Culumon nos escolheu para destruir os digivices de vocês. Você não quer que acreditemos no que diz, assim, tão fácil?

— Uma festinha particular? Bravo!

Blaze, Fernanda e Alex entram pelo salão, tranquilamente, acompanhados de Guilmon, Solarmon e Leomon.

João se vê encurralado, a sua frente estava Júnior com três digimons Perfeitos, e agora havia Blaze, que a qualquer momento poderia evoluir para um Extremo.

— Era só o que faltava...

— Meta-se com sua vida, guria. – Brada Blaze.

— Ah, vá te catar branquelo! – Retruca Flávia.

— João, — manifesta-se, novamente, o Culumon próximo dos reféns — nos liberte e destrua o impostor antes que ele assuma sua verdadeira forma.

— Shurimon, liberte-os.

— Waspmon, ajude-o.

— Você também, Angemon.

— Júnior, acredite em mim, culú. – Diz o Culumon próximo de si, extremamente nervoso. — Não deixe aquele digimon impostor se apropriar das cartas.

Júnior fica pensativo por um momento. “Será que devo acreditar nesse Culumon? Como descobrir qual dos dois diz a verdade?”

Kau se aproxima.

— Mesmo sem saber se ele está falando a verdade, ou não, é melhor impedirmos João de libertar aquele Culumon. Ele pode ser o farsante.

— Tem razão!

— Lucas, Leon. – Brada o garoto de cabelo verde e braço tatuado. — Vamos impedir que libertem os prisioneiros.

Shurimon já estava próximo, com suas lâminas girando e prontas para cortar a corrente, quando recebe um golpe da Lilamon.

Uma batalha começa dentro do salão subterrâneo. Angemon duelava contra Paildramon, enquanto Waspmon se encarregava do Jewelbeemon. Shurimon desviava dos golpes de Lilamon.

— Parem com isso! – Pede João, irritado. — Vocês vão machucar os reféns.

— Se seus digimons se afastarem, os nossos se afastarão!

— Eu to de saco cheio disso tudo, Kau. Carlos, Flávia, ataquem o falso Culumon.

— Adição de Dados — Asas Híbridas.

O Culumon preso à parede observa, atentamente, todos os passos de Carlos adicionando a Carta Acessória e o nascimento das asas nas costas do digimon inteiramente feito de fogo.

Meramon alça voo na direção do Culumon atado a cadeira de madeira. Lekismon o segue correndo, a toda velocidade.

Júnior, Kau, Lucas e Leon não sabem o que fazer.

— Guilmon, vamos ajudar o grupo dos calouros.

— Você não havia brigado com ele? – Indaga o tiranossauro vermelho.

— Sim, mas ele está contra João. E quem está contra aquele grupo, é nosso amigo.

Guilmon sorri para o garoto alto e encorpado, que logo empunha o digivice.

— Guilmon, fase Adulta.

— Espera! – Interrompe, Fernanda. — É melhor deixá-las comigo. Você pode perdê-las.

Blaze fita Fernanda, sério, por alguns segundos, antes de responder:

— Tem razão! – O garoto as entrega. – Redobre a atenção. Se precisarmos de ajuda, você intervém, ta certo? Alex, você não vem?

Blaze volta a correr e, nesse meio tempo, Guilmon evolui.

— Vai lá, Alex. O dever te chama.

— Tu não sabes a raiva que sinto quando ele quer mandar na gente. Um dia ele me paga.

— Ele não quer mandar, ele já manda! – Ironiza a garota.

— Quem foi mesmo que levou um tapa, dele, na cara?

Alex sorri para Fernanda e sai correndo com Leomon ao lado. Um estranho objeto fazia volume por baixo da sua camiseta.

Fernanda observa as cartas que Blaze a entregou. Agora, a domadora estava de posse das três cartas: Amnésia, Braço Tridente e Revestimento Digizóide. A garota de cabelos ondulados não consegue disfarçar a felicidade.

— Solarmon, finalmente nosso plano está chegando ao fim.

— Solte esse digimon, Lucas. – Ordena Meramon, com as “Asas Híbridas”.

Lucas havia livrado Culumon da cadeira e abraçava-o.

Júnior, Kau e Leon estavam próximos a ele.

— Eu não vou soltá-lo.

— Colabore. – Pede a digimon Adulta evoluída a partir da Lunamon. — Ele é o impostor.

— Já que ele é o impostor, prove!

Shurimon é arremessado contra a parede, logo acima dos reféns e pedaços da construção caem sobre eles. Lilamon se aproxima para atacá-lo, quando o digimon segue voando por outra direção. Paildramon seguia lutando contra Angemon, até que visualiza Leon e os demais cercados pelo Meramon e pela Lekismon.

— LEON!

O enorme digimon humanoide que possui garras de ferro e patas azuis idênticas a sua fase anterior, abandona a batalha para salvar seu domador. Seu grito chama a atenção de Jewelbeemon e Lilamon, que também abandonam a batalha. Shurimon, Waspmon e Angemon resolvem seguir os inimigos, porém João intervém:

— Libertem os reféns. Depois, cuidaremos dos demais.

Shurimon, Waspmon e Angemon quebram as correntes e libertam os três domadores, seus digimons e Culumon. Por último, Angemon entrega os digivices que estavam nas caixas de acrílico aos domadores.

— Chama Extrema.

Lekismon desvia com um salto.

— Punho do Rei das Feras.

Meramon alça voo e também desvia.

Blaze e Alex chegam juntos.

— Querem ajuda?

— Sai daqui, seu imprestável. – Brada Júnior, irado. — Nossos digimons estão retornando.

— Imprestável é tu!

Ainda furioso, Blaze rapidamente olha na direção do grupo do João e nota a presença de Albert, Mateus e, por incrível que pareça, Levi.

— Alex, olha aquilo ali!

O garoto de olhos rasgados e cabelo preto liso, se assusta com o chamado do colega e prontamente olha na direção indicada por ele. O domador do Leomon não acredita no que vê. Seus dois amigos que estavam desaparecidos e Levi, que todos juravam estar morto, estavam na sua frente.

— Albert! Mateus! – Grita o garoto, feliz, acenando.

— Levi! – Berra Blaze, radiante.

Os três domadores olham na direção de Alex e Blaze, que iam de encontro a eles. Seus digimons os seguiam.

João, Carlos e Verônica impedem que Albert, Mateus e Levi fizessem o mesmo.

— Por que não podemos ir? – Pergunta o domador da Renamon, curioso, ao João.

— Isso é uma longa história, Levi.

Continua...