Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
53 Fim da Linha para Vadermon
— Todos prontos? – Indaga João, que recebe um “sim” em coro. — Evolução de dados, já!
De forma sincronizada, João, Carlos, Verônica, Murilo, Bárbara e Flávia passam suas cartas elementais pelo digivice, e seu digimons sentem uma energia fluir repentinamente. Seus corpos brilham de maneira ofuscante e se desenvolvem rapidamente, evoluindo.
A garota loira de voz rouca saca uma Carta Acessória.
— Adição de Dados – Escudo.
Kazemon, que estava entre os demais digimons, espalma as mãos e uma semiesfera incolor materializa-se à sua frente, barrando o “Raio de Abdução” disparado pelo digimon alienígena. Yashamon e Meramon saem detrás da proteção criada pela Kazemon e correm na direção de Vadermon.
— Adição de Dados — Martelo Vulcão.
— Adição de Dados — Arqueiro Digital.
As espadas de madeira do samurai que tem uma máscara branca, olhos e cabelos vermelhos, dão lugar a um enorme martelo de aço. Na mão esquerda de Meramon surge um arco prateado, feito do mesmo material que o martelo: o cromodigizóide.
Ao perceber que seria atacado pelos dois digimons, Vadermon dispara novamente sua técnica. Os digimons, ainda correndo, conseguem se esquivar. Yashamon salta e investe com o martelo, seguro por ambas as mãos. Vadermon consegue se defender segurando o punho do digimon de Murilo. O guerreiro da madeira fazia força tentando passar pelo bloqueio das mãos do digimon Perfeito, quando repentinamente salta, revelando que Meramon já estava posicionado com o arco logo atrás. Ao tencionar a corda, uma flecha de água surge e é lançada contra Vadermon, atingindo-o. O digimon cai de costas e, logo em seguida recebe o ataque do “Martelo Vulcão” no peito, gerando uma explosão.
Meramon e Yashamon retornam para próximo do grupo, ainda com as armas.
Vadermon se ergue cambaleante. Seu olhar transbordava ódio.
— Não posso deixar que continue com essa ideia. Essas cartas são perigosas.
— Por que elas são perigosas? – Pergunta João. Shurimon voava logo atrás de si.
— Mestre Culumon disse para protegê-las.
— Culumon é um louco! – Rebate o líder dos domadores. — Ele está desaparecido há muito tempo. A última vez que o encontramos, ele disse que era para procurarmos essas cartas.
— Ele me deu ordens expressas para que protegesse essas cartas. Não deixarei as reúnam. Beijo do Demônio.
Tudo ao redor do garotos escurece e vários meteoros avançam em sua direção.
— Adição de Dados – Intangibilidade.
O guerreiro das lâminas, que possui membros espiralados, alonga seus braços, passando-os ao redor de todos os domadores e digimons. Os meteoros atravessavam o grupo sem lhe causar nenhum tipo de dano.
Vadermon insistia na técnica e mais meteoros avançavam.
— Desista. – Avisa Shurimon. — Enquanto estivermos de posse da “Intangibilidade”, você não poderá nos ferir.
— Acabarei com cada um de vocês!
O digimon alienígena Perfeito, que possui diversos tentáculos em substituição às pernas, intensifica sua ofensiva.
O garoto de barba pensava numa saída, já que a qualquer momento a intangibilidade poderia acabar, até que tem uma ideia.
— Verônica, – chama o garoto, que prontamente lança uma carta na sua direção — use isso!
Verônica pega a carta em pleno ar. Ela não esperava que João a confiasse um plano e, mesmo assim, aceita ativar a carta.
— Adição de Dados – Teletransporte.
Vadermon ouve Verônica falar e se assusta com o repentino desaparecimento do grupo de humanos e digimons. Ao olhar para trás, ele recebe a técnica “Punho de Água” no rosto e se desconcentra. Seus meteoros desaparecem instantaneamente e todo o lugar volta a ser como antes.
— Broca de Ouro.
As três brocas giratórias da digimon do solo se desprendem do seu corpo, como torpedos, e atingem o inimigo, ferindo-o ainda mais.
Os digimons e os domadores o cercam.
— Por que insiste em dizer que Culumon está por trás disso? – Indaga João mais uma vez.
— PORQUE ELE ESTÁ!
Vadermon cospe uma gosma transparente, que se divide no ar e atinge os olhos dos seis digimons, impedindo-os de enxergar. Os domadores entram em desespero e os digimons tentavam, a todo custo, se livrar da gosma. Kazemon é a primeira a conseguir, tornando-se alvo preferencial do oponente, que dispara seu “Raio de Abdução”. A digimon humanoide que possui asas de borboleta é atingida e lançada contra a encosta do morro.
Flávia se desespera, não sabia como agir naquele momento. Estava só e com um inimigo muito poderoso.
— Kazemon, voe!
Kazemon tentava seguir a ordem de Flávia e alçar voo, mas era constantemente atingida pelo Vadermon, até que regride.
— LUNAMON! – Grita Flávia, aos prantos.
— Flávia, se concentra! – Diz João, enquanto tentava ajudar o guerreiro das lâminas a se livrar da gosma. — Você é a única que pode nos ajudar! Pegue as cartas que estão comigo e com os demais.
A garota rapidamente acata a ordem dada pelo seu colega e corre em sua direção, pegando as cartas que estavam com ele.
Lunamon tentava ficar de pé quando é atingida por um dos tentáculos do Vadermon, que já estava próximo de si. A digimon berrava a cada golpe. O digimon Perfeito seguia chicoteando a digimon Novato, que não conseguia se defender.
— LUNAMON!
Vadermon ergue a pequena digimon rosada que carrega um medalhão da lua pendurado ao pescoço, por um dos braços.
— Pela última vez, retornem a superfície!
Os olhos de Flávia tremiam, assim como todo seu corpo. Não suportava mais ver o sofrimento da sua pequena digimon, que possuía vários ferimentos e perdia muitos bits.
— Se não o fizerem, serei obrigado a destruir Lunamon. – Diz o digimon apontando sua arma espacial para a cabeça da digimon.
— LUNAMON!
O grito da garota loira de voz rouca, ativa o brilho do seu digivice. Lunamon é envolta pelo casulo de luz da evolução, forçando Vadermon a soltá-la. O casulo da evolução ganha pouca altura, se comparado à Waspmon, e revela a presença de uma digimon coelho que consegue se manter ereta sob as patas traseiras, assim que se desfaz. Em suas patas dianteiras, veste luvas de couro que lhe deixa exposto dedos com garras roxas, assim como as patas traseiras, que possui tornozeleiras de couro. Longas orelhas eretas, idênticas as da Lunamon, além da lua dourada desenhada em sua testa, pernas e barriga. Usa uma máscara de ferro e possui seis finas caldas, e que mais parecem fitas roxas, que se movimentam como tentáculos de anêmonas do mar.
Rapidamente Flávia rastreia informações sobre a nova digimon que acabara de surgir.
Lekismon, uma digimon no nível Adulto. Essa digimon coelho é muito ágil, resistente e uma excelente boxeadora. Consegue saltar a uma grande altura. Sua técnica é a “Flecha de Lágrima”.
João alcança a domadora e lhe entrega mais cartas.
Prontamente, Lekismon avança no inimigo e lhe golpeia com uma sequência de socos e chutes, deixando-o sem reação. Após se afastar com um salto, a digimon estende a mão por trás do ombro, fazendo surgir uma flecha de gelo, a qual ela lança contra seu oponente com a ajuda de um arco de luz prateada que acabara de surgir na mão oposta.
Uma forte explosão acontece.
— Vamos, Flávia. – Diz João, atraindo para si a atenção da garota, que parecia bestificada. — Sua digimon precisa de mais energia. Use as cartas!
— Será que ela vai me obedecer?
— Não pense besteira. Lunamon é sua fã!
Flávia desvia seu olhar do João e observa sua digimon lutar. Lekismon utilizava-se de socos, chutes e saltos para atingi-lo. Porém, durante um rápido descuido, Vadermon consegue atingi-la com um soco.
— LEKISMON! — Grita a garota, preocupada, antes de adicionar uma Carta Acessória. — Adição de Dados — Asas Híbridas.
Asas de cor roxa brotam nas costas da digimon coelho que usa uma máscara de ferro, que rapidamente voa, livrando-se de ser atacada pelo inimigo que corria em sua direção.
Os demais digimons ainda tentavam se livrar da gosma quando Shurimon regride e nota que, com a regressão, havia obtido êxito. Rapidamente Betamon avisa aos demais, que logo seguem o seu conselho.
Vadermon tentava atingir Lekismon, que sobrevoava a região, com uma arma espacial.
— Betamon, pronto para lutar?
O digimon Novato concorda balançando a cabeça.
— Adição de Dados — Força Extrema.
O pequeno digimon redondo, que possui uma barbatana laranja nas costas, e cascos nas patas, evolui para uma imensa serpente de aço dotada de um poderoso canhão no focinho, Metalseadramon. Vadermon, ao perceber a evolução, cessa os ataques contra Lekismon e fica atônito. O digimon guardião das castas não esperava que um daqueles digimons pudesse atingir a Extremidade.
Metalseadramon pairava sobre os domadores observando o oponente.
Lekismon se junta ao grupo.
— C-Como que v-vocês conseguiram i-isto? – Gagueja o digimon transparecendo medo.
— Chegou o fim da linha para você. – Diz João.
— Isso nunca! Raio de Abdução
— Corrente Final.
O ataque de Metalseadramon avança poderosamente sobre o ataque do digimon Perfeito, que não consegue impedi-lo. Vadermon é pego pela rajada da serpente de metal e acaba sendo pulverizado sem a mínima chance de defesa.
Betamon regride em seguida.
— Conseguimos?
— Sim, Fafá. – Responde João. — Passamos por mais essa etapa. Agora, temos que desbloquear a passagem para prosseguir.
Lentamente a enorme e pesada porta de aço se abre em duas partes. Lekismon entra na caverna e é acompanhada pelos demais. Assim que o último integrante do grupo adentra, a porta se fecha automaticamente. Um escuro macabro toma conta do lugar. Misteriosamente, tochas presas à parede se acendem, uma por uma, iluminando o corredor. Desconfiados, os domadores caminham pelo longo corredor e se deparam com vários Numemons e Sukamons. Gotas d’água minavam do teto formando estalactites. O silêncio do local era assustador. Mais à frente, o grupo se depara com uma enorme escada, que deveria ter, no mínimo, uns cinquenta degraus. Lekismon para de caminhar próximo à escada e espera que todos se aproximem antes de descer. O digivice de Murilo continuava indicando o caminho. A expectativa do que encontrariam pela frente deixou todos calados. Ninguém falava absolutamente nada. A penumbra do lugar não dava a possibilidade de se ver muito longe. No final da escada, faltando aproximadamente uns dez degraus, todos visualizam outro portão de ferro exatamente como o primeiro.
— Que silêncio diabólico é esse galera? – Diz Murilo, tentando descontrair.
— Esse suspense todo me dá uma agonia incontrolável. – Diz Verônica esboçando um sorriso. — E agora mais essa: outra porta.
— Vamos entrar de uma vez, e pegar as cartas que restam.
— Calma, Fafá. Uma coisa de cada vez...
— O que houve, João? Nós já destruímos Vadermon? Ele quem protegia as cartas!
— Carlos, me ajuda aqui. Acho que ninguém pensa como nos dois.
— O que foi?
— Até você, cara?
O garoto que usa óculos de grau continua sem entender. Era nítida a expressão de dúvida estampada no seu rosto.
— Todas as cartas estavam guardadas naquele mausoléu. – Prossegue o líder do grupo. — Se elas vieram parar aqui dentro, é porque alguém as trouxe.
— Faz sentido.
— Estejam todos preparados. – Avisa o garoto de barba cerrada. — Pode ser alguém que conheçamos, ou alguém completamente desconhecido.
Flávia engole a seco antes de dar ordens a sua digimon.
— Lekismon, abra essa porta, por favor.
A porta em questão, ao contrário da primeira, é mais grossa e consequentemente mais pesada. João, Carlos, Murilo e Terriermon ajudam Lekismon a empurrá-la. Após abri-la, os domadores se deparam com um grande salão oval com paredes e tetos formados por pedras semelhantes à paralelepípedos. Um tapete vermelho iniciava-se no portão por onde acabaram de entrar e seguia por uma grande distância até subir os seis degraus do altar, onde havia uma confortável cadeira de costas para eles. Ao lado dessa cadeira, dois tonéis emanavam labaredas de fogo. Os domadores ficam admirados com a grandiosidade do lugar. Enormes labaredas que saíam de tonéis próximo à parede iluminavam o salão e, mesmo assim, havia uma região completamente escura, dando a falsa impressão de não ter fim.
Com a entrada de todos, a enorme porta se fecha.
João solta um longo e agudo assobio antes de falar:
— Lugar maneiro, esse.
Sua voz ecoa por três vezes.
— Maneiro e macabro. – Diz a garota loira. — Me lembra o calabouço de um castelo.
— E quando foi que você visitou um calabouço de um castelo?
— Não importa, quatro olhos! Esse lugar me lembra um calabouço e pronto!
— TERRIERMON! – Grita o pequeno digimon de grandes orelhas, que ouve seu nome ecoar por três vezes. — FOGO ARDENTE! — Novamente o eco é escutado. – CARLOS. — Mais três ecos seguidos. — CHATO.
— Chato é você, Terriermon.
— Gostei disso.
— O nome disso é eco. – Avisa Patamon.
— OLÁ, ECO! — Outro eco é escutado por todos. – Legal, né Patamon? O eco faz eco dele mesmo.
João, acompanhado de Betamon, segue andando pelo tapete vermelho, enquanto os demais domadores gargalhavam das besteiras ditas pelo digimon de Carlos. Ao ver João caminhando, Verônica o segue com Plotmon. João já estava sobre o altar e se aproximava da cadeira quando ouve um grito, que ecoa pelo ambiente, assustando a todos.
— JOÃO!
— Ta maluca? – Repreende.
— Não to com um bom pressentimento sobre isso aqui. – Avisa Verônica, fazendo todos se calarem. — É melhor você e Betamon voltarem pra cá.
A cadeira de madeira é envolta por uma silhueta rosada e começa a girar, fazendo um enorme barulho. João e Betamon correm para se afastar ao máximo, enquanto os demais se aproximavam deles. Todos acabam se encontrando no local onde Verônica estava, estática. Os domadores estavam de digivices em punho. Finalmente a cadeira se vira por completo.
Todos ficam assustados ao ver quem estava amarrado a ela.
Continua...
Fale com o autor