Blaze finalmente havia reencontrado seu digimon, Guilmon. Ambos conversavam as margens de um rio quando o digimon vermelho percebe a aproximação do Kokabuterimon. Mesmo sem entender direito o que aconteceu entre os digimons, o garoto de alta estatura e olhos verdes libera seu digimon para fazer o que achava correto, enquanto seguia, deitado e de olhos fechados, ouvindo música com fones de ouvido.

Após conseguir derrotar o besouro mecânico em uma rápida batalha, o pequeno tiranossauro vermelho de poderosas garras nas patas superiores e inferiores retornava para próximo do seu domador quando nota que Floramon, digimon do Guilherme, havia chegado ao local da batalha.

— Sementes Explosivas.

Das flores das extremidades dos braços da Floramon, saem pequenas sementes de luz que explodem feito bombas. A digimon lançava uma forte rajada na direção do Guilmon, que seguia se desviando à medida que se aproximava.

O digimon do Blaze consegue atingir a digimon vegetal com um golpe de garras, derrubando-a.

— Bola de Fogo.

O ataque atinge a digimon a queima-roupa, explodindo.

Guilmon observava a pequena nuvem de poeira se dissipar quando recebe uma rajada de sementes explosivas no peito, sendo lançado de costas a alguns metros. O digimon rapidamente se levanta quando é surpreendido com uma cotovelada da digimon que tem um botão de flor envolvendo a cabeça, derrubando-o mais uma vez. O digimon do Blaze usa sua calda e passa uma rasteira na Floramon, levando-a ao chão, e rapidamente se põe de pé.

— Muito ágil você, Floramon!

A digimon tenta se levantar quando Guilmon pisa sobre um dos seus braços.

— E nem tente usar seu pólen para eu perder a vontade de lutar. – Adverte o digimon do Blaze. – Ao mínimo sinal de abertura desse botão, eu irei te fritar.

— Hoje?

João estava ao telefone, sentado em frente ao computador sobre a escrivaninha do seu quarto, quando exclama assustado.

— É! – Responde Rafael do outro lado da linha enquanto arrumava uma mala com diversas roupas. — Minha mãe conseguiu passagens pra hoje, no voo das 23:10. Vamos fazer uma conexão em Johanesburgo, África do Sul.

— Pelo visto vai ser uma longa viagem...

— É! São trinta horas de viagem. Ah! Tem uma novidade.

— O que é?

— Lúcia também vai! Só que ela não conseguiu passagem para esse voo e irá em um que sai amanhã do Rio. Depois desse incidente com Leo, Sérgio a convidou para passar um mês lá com a gente.

— E Gabumon? – Questiona o garoto de barba cerrada. — Já se despediu dele?

A pergunta fez o garoto loiro parar por alguns instantes. Havia se despedido do seu digimon a algumas horas.

Uma lágrima rola na face do digimon de manto listrado sobre as costas.

Rafael se abaixa e o olha nos olhos, segurando em seus ombros.

— Eu não sei dizer se de lá poderei vir te ver!

— Vai demorar?

— Eu to de mudança! Não tenho previsão de voltar para o Brasil.

Gabumon baixa a cabeça. Estava triste.

— Mas venho assim que puder! – Promete o garoto.

Rafael abraça Gabumon. Era a primeira vez que o abraçava. E, pelo visto, ambos não sabiam afirmar quando aquele gesto se repetiria.

— Fiquei de coração partido quando me despedi dele. – Finaliza o garoto loiro.

— Faço ideia... – Diz João do outro lado da linha.

— To desligando aqui. Tenho que terminar de arrumar a mala!

— Beleza. Vou ver com o pessoal pra gente ir com você até o aeroporto.

— Certo, João. Tchau!

Floramon é lançada de costas, no ar, até se chocar contra uma frondosa árvore. Tinha diversas escoriações espalhadas pelo corpo.

— Acho melhor desistir, – pontua Guilmon – assim como fez Kokabuterimon.

— Você não pode ficar impune! Nem tudo pode ser do jeito que você quer! – Diz a digimon do Guilherme se esforçando para ficar de pé.

— Cale a boca!

Guilmon corre na direção da digimon quando é surpreendido pelo Terriermon, que se põe na frente na digimon vegetal de braços e orelhas abertas. Rapidamente o digimon de Blaze cessa a corrida.

— Terriermon... – Balbucia Floramon.

— Você está bem? – Questiona o digimon ainda mantendo seu olhar fixo no Guilmon.

— Estou. Mas Kokabuterimon não...

— Não se meta onde não é chamado! – Esbraveja o pequeno tiranossauro vermelho.

— Quando você parar de ser infantil eu paro! – Responde Terriermon.

— O único infantil que estou vendo aqui, é você.

Um garoto magro, de olhos verdes emoldurado por óculos de grau de armações negras e cabelos bagunçados, surge correndo pela mesma direção que Terriermon.

— Carlos! – Grita o pequeno digimon à frente da Floramon. — Guilmon surtou.

— Ele atacou Kokabuterimon e a mim sem motivos! – Diz Floramon.

— Tem certeza que foi sem motivos? – Retruca Guilmon.

— Vamos circulando Guilmon – Diz Carlos se aproximando do digimon vermelho. — Se não, vou contar ao Blaze o que você anda fazendo.

Guilmon rosna antes de avançar na direção de Carlos, para mordê-lo, quando é surpreendido pelo pequeno tornado de cor verde que atinge o chão alguns metros à sua frente.

— Não vou deixar que machuque meu domador!

— Bola de Fogo!

Terriermon desvia do ataque pela direita e avança no Guilmon. Suas orelhas tremulavam durante a corrida. Ao chegar próximo do oponente, o pequeno digimon, com sinais verdes espalhados pelo corpo salta, desviando do ataque de garras do tiranossauro vermelho, e o ataca com uma cabeçada.

Guilmon cambaleia levando as mãos à cabeça.

— Fogo Ardente.

Terriermon dispara pela boca uma rajada de esferas verdes no Guilmon, levando-o a explodir.

— KOKA!!!

Antônio havia acabado de chegar ao local quando nota que seu digimon estava caído as margens do rio. Rapidamente o domador branco de braços e pernas fortes se aproxima do besouro azul.

— O que fizeram contigo...

— Foi Guilmon que o atacou. – Diz Floramon enquanto se aproximava do domador.

Carlos também se aproxima do Antônio.

— Estava na aula quando o digivice vibrou. Senti que algo pudesse ter acontecido ao Koka.

— Mentiroso! — Esbraveja Guilmon ao ver que Antônio estava por perto.

— Ele enlouqueceu? – Diz o garoto se levantando. — Quem é mentiroso, aqui, digimon de uma figa?

— Terriermon! – Ordena Carlos. — Cale a boca dele!

O digimon, então, dá um salto, gira no ar e avança no digimon do Blaze, disferindo-lhe uma sequência de tapas com suas enormes orelhas.

Blaze, que até então estava avulso a batalha, sente o seu digivice reagir de modo diferente e resolve ver o que seu digimon estava fazendo. Ao se levantar e retirar os fones do ouvido, o garoto corpulento percebe que seu digimon estava caído e com vários ferimentos pelo corpo. Terriermon estava próximo a ele. Mais ao longe o domador nota também a presença do Carlos, Antônio, Floramon e Kokabuterimon desmaiado no chão.

— O que vocês fizeram com o meu digimon? — Grita o domador ao longe, atraindo a atenção dos outros.

— Blaze? – Exclama o domador do digimon besouro ao vê-lo se aproximar.

— Que bom que você está de volta! – Exclama o garoto de óculos, sorrindo.

O garoto nada diz e se aproxima do Guilmon, que aos poucos ficava de pé.

— Seu digimon tem agido de modo estranho, ultimamente. – Prossegue o domador de óculos. — Caça confusão com todos os demais.

— Olha o que ele fez ao Koka e à Floramon. – Completa Antônio.

— Eu confio no Guilmon. E se ele atacou o seu digimon é porque teve um bom motivo.

— Você ta de sacanagem, só pode ser – Brada, incrédulo, o domador de Terriermon.

Enquanto Antônio e Carlos se exaltavam a cada palavra dita pelo Blaze, o mesmo continuava agindo com frieza.

— Vão querer me convencer, agora, de que seus digimons são pacíficos? E que o único errado, aqui, é Guilmon?

Antônio cerra os punhos e avança na direção de Blaze, mas é contido pelo Carlos.

O domador alto e desengonçado chega ao local da batalha com o seu digivice em punho. Ao ver Floramon ferida, Guilherme se aproxima, assustado.

— O que aconteceu contigo, Floramon? – Diz o garoto pegando-a nos braços.

— Assim que você, Victor e Agumon foram embora, eu encontrei Guilmon espancando Kokabuterimon. Tentei ajudar, mas não fui muito eficaz. Por sorte Carlos e Terriermon chegaram a tempo.

— E o que ele tem, afinal?

— Ele disse que você, Antônio e Pastreli são mentirosos por que sempre prometeram trazer notícias do Blaze e nunca trouxeram.

— Mas nós não conseguíamos encontrá-lo!

— Isso é desculpa esfarrapada! – Interfere Blaze. – Alex conseguiu me encontrar. Por que vocês e João tiveram tantas dificuldades? É melhor admitir que não queriam ajudar.

— Como você tá diferente... – Diz Carlos. – Bem que João e Rafael me alertaram sobre isso.

— Guilmon, vamos reviver os velhos tempos. – Diz Blaze erguendo seu digivice. – Evolua!

Uma moça, acompanhada de um rapaz aparentemente mais jovem, caminha por uma praça no centro da cidade de Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso. Cabelo cacheado que lhe chega até a cintura, pele levemente bronzeada, corpo genuinamente brasileiro e olhos castanhos claros que lembram a cor do mel. Essa moça é deficiente visual e caminhava segurando no braço do garoto que tem mesma altura e tom de pele. Na mão direita ela trazia uma bengala dobrável de alumínio que seguia tocando o chão a sua frente à medida que caminhava.

— Às vezes fico perdida com essa bengala! – Diz a garota.

— Ai mana chega dessa ladainha uó! – Pontua o garoto de voz e trejeitos afeminados. — Você sabe que pode contar com seu maninho aqui pro que der e vier.

— Obrigada, Bento. Não sei o que faria sem você. Desde que perdi a visão você tem me ajudado. Sempre me leva ao centro de reabilitação.

— Báhzinha, você além de minha irmã é minha confidente. Sabe de todos os meus babados. Não poderia deixar você de lado justo agora que precisa.

O garoto, que vestia um short um pouco acima do joelho e cabelos curtos em cachos extremamente definidos, segura sua irmã pelo braço com mais firmeza enquanto aguarda o semáforo fechar para poder atravessar a rua.

— Bárbara, hoje pela manhã teve uma palestra lá no colégio sobre os mais variados tipos de deficiência. Daí o palestrante citou sobre a cegueira e sobre o difícil trabalho de habilitar uma pessoa cega a uma vida normal.

— Ele comentou sobre a doença que eu tive?

— Comentou. Disse que o Glaucoma atinge, na maioria dos casos, pessoas com mais de cinquenta anos. E que é uma alteração na pressão do líquido que está dentro do globo ocular...

— O humor aquoso! – Interrompe.

— Esse mesmo. Daí esse liquido começa a fazer uma grande pressão dentro do olho e isso danifica as células nervosas do lugar mais sensível do olho, onde fica o nervo óptico

— Você ta falando do ponto da esclera, que é o local onde o nervo óptico deixa o olho.

— Isso, Báhzinha. Ta arrasando, hein, gata!

Bárbara sorri.

Mais à frente, ela e Bento entram em um edifício de fachada espelhada. No térreo desse edifício fica localizada a clínica de reabilitação que Bárbara frequentava três vezes na semana, as terças, quartas e sextas.

Já fazia seis meses desde que a moça perdera a visão por completo. Apesar de ser uma doença rara na faixa etária dela, a doença foi diagnosticada já em estado avançado e de lá pra cá, mesmo com o início dos tratamentos que poderia controlar seu avanço, ela perdera a visão dos dois olhos por completo.

— Pronto maninha, está entregue. – Diz o garoto sorrindo. – Logo, logo eu to de volta!

— Obrigada, Bento. Tchau.

Terriermon se afasta do Guilmon aos saltos, enquanto o digimon do Blaze seguia envolto em um casulo de luz e ganhando altura e largura.

— Não acredito que ele esteja fazendo isso! – Pontua Antônio.

O casulo se desfaz, revelando um enorme tiranossauro vermelho, muito parecido com o Guilmon, a não ser pelos dois chifres acima dos olhos e a crina branca que descia pela parte detrás seu pescoço.

— Ataque, Growmon! – Grita Blaze.

— Chama Extrema.

O enorme tiranossauro vermelho de crina branca e olhos amarelo lança pela boca uma rajada de fogo, que avança na direção do grupo.

O digimon de pelagem clara e grandes orelhas seguia na frente do seu domador e da dupla de domadores e digimons.

— Saia daí, Terriermon! – Brada o domador de óculos de armação negra.

O digivice azul emite um intenso brilho, que possibilita a evolução do pequeno digimon.

Um casulo de luz azulada envolve Terriermon, fazendo-o crescer de maneira assustadora. Ao se dissolver, o casulo revela a presença de um enorme robô de armadura verde que carrega dois enormes torpedos amarelos sobre os ombros.

A rajada de fogo disparada pelo Growmon se esbarra na perna do digimon Extremo, evoluído a partir do Terriermon, sem lhe causar nenhum tipo de dano.

— Growmon, recuar! – Grita Blaze.

O digimon acata a decisão do seu domador, e recua.

O digimon Extremo ergue seus braços, posicionando suas metralhadoras na direção do tiranossauro vermelho.

— Não, Saintgargomon. Não há necessidade disso.

O garoto alto, corpulento e de pele branca sobe no ombro do seu digimon, segurando na crina que vai do topo da sua cabeça até o meio das suas costas.

— Essa humilhação que vocês me fizeram passar não vai ficar assim. Terá troco!

Growmon dá meia-volta e desaparece em meio a densa floresta.

— Pelo menos eles sabem que não em chance em uma batalha contra um Extremo. – Pontua Antônio.

Aos poucos, o besouro mecânico de cor azul abre os olhos.

— Tonho...

— Como que você está, Koka?

— Melhor, agora... Cadê Guilmon?

— Saintgargomon o colocou pra correr.

O gigantesco robô de cor verde regride.

— Que bicho o mordeu? – Balbucia Carlos tentando compreender o que havia acontecido.

— Vai saber... – Diz Guilherme. — A queda deve ter afetado a cabeça dele!

— Eba! – Vibra Terriermon, para espanto dos demais. — Mais uma vitória minha!

Culumon estava pensativo sobre o galho de uma árvore.

— Meus domadores estão desunidos. Poucos ainda mantém contato uns com os outros. Tenho que pensar em algo para reverter essa situação.

Um pequeno estrondo atrai sua atenção.

O deus-digimon, então, resolve voar na direção do barulho e nota que dois digimons idênticos batalhavam entre si. Amarelos, possuem pelagem avermelhada sobre as costas e enormes espinhos negros que seguem enfileirados por toda a sua extensão.

— Os Gizamons estão batalhando.

Por alguns momentos Culumon pensa em intervir, mas depois resolve apenas observar.

Os digimons seguiam saltando e girando em alta velocidade sobre o próprio eixo, transformando-se em uma lâmina altamente perigosa, enquanto avançavam um de encontro ao outro. Um dos digimons repete o ataque quando o rival, ao invés de atacar do mesmo modo como já vinha fazendo, o espera se aproximar. O digimon dá um salto para trás e, assim que o seu oponente para de girar ao tocar o local onde ele estava, o atinge com uma forte investida, lançando-o contra uma pedra.

O digimon atingido tenta se colocar de pé, mas novamente atingido pelo seu oponente, só que agora com a técnica giratória.

Gizamon urra de dor.

— Desiste? – Pergunta o digimon que acabou de atacar.

— Sim! Pode ficar com essa árvore para você!

Mesmo ferido, o digimon segue caminhando floresta a dentro, enquanto o vencedor da batalha aplica um golpe giratório contra uma árvore, derrubando vários hambúrgueres para comê-los, em seguida.

— Tive uma ideia! – Exclama o deus-digimon radiante. — Já sei como unir os domadores!

O domador loiro e musculoso está sentado em uma das poltronas do saguão do Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, esperando o momento para embarcar. Ao seu lado estava uma mulher de estatura mediana, magra, loira e de olhos azuis. A todo o instante Rafael olhava para o relógio em seu pulso e se lembrava dos amigos que estava deixando pra trás, das festas, das paixões...

João, Verônica, Carlos e Flávia seguiam correndo pelo saguão até que avistam Rafael sentando e se aproximam.

— Que bom que ainda não embarcou... – Exclama a garota loira de voz rouca.

— Meu voo teve um atraso.

— Novidade. – Sorri.

— Já fizeram o check-in? – Questiona Verônica.

— Foi a primeira coisa que fizemos. – Responde a mulher ao lado do Rafael.

— Vocês conhecem minha mãe?

— Eu a vi no seu aniversário. – Responde João estendendo a mão para a mulher. – João.

— Carla. Prazer. – Cumprimenta-o.

As meninas e Carlos também a cumprimentam e fazem as devidas apresentações.

— Ta com o inglês na ponta da língua? — Pergunta o garoto de barba cerrada.

Rafael gargalha.

— Rapaz... Acho que sim!

— Fiquei sabendo que Lúcia vai pra lá também. – Diz Carlos.

— Vai sim! Deve ficar lá durante um mês, eu acho.

“Atenção senhores passageiros do voo 1456 com destino a Sydney, Austrália. Embarque pelo portão 04. Tenham todos uma boa viagem.”

A mãe do Rafael se despede verbalmente dos amigos do seu filho e se dirige ao portão de embarque.

— Chegou minha hora! – Pontua o garoto loiro se pondo de pé.

— Vem nos visitar quando? – Questiona Verônica.

— Não sei dizer. Prometo fazer o possível.

Flávia abraça o amigo, sendo seguido pela Verônica e Carlos.

— Te cuida, cara. – Diz João estendendo a mão para Rafael que, como prova de que todo o desentendimento entre eles ficou pra trás, o abraça.

— Cuida do Gabumon pra mim. — Sussurra ao João, para que Flávia não escutasse.

— Pode deixar!

Rafael pega a mochila que estava na cadeira ao lado e caminha em direção a sua mãe sob os aplausos dos seus amigos.

— PESSOAL! EU NUNCA VOU ESQUECER DE VOCÊS! — Diz Rafael batendo contra o peito de punho fechado e depois retribuindo os aplausos aos amigos.

O garoto loiro abraça sua mãe e ambos entram pelo portão 04.

Cinco minutos depois, João, Verônica, Carlos e Flávia observam o avião levantar voo e desaparecer no horizonte.

— É... Quem diria que Rafael fosse morar em outro país. – Pontua Verônica caminhando entre João e Flávia.

— Eu não troco meu Brasil por nada nesse mundo! – Responde João.

— Somos dois. – Pontua Carlos ao lado do garoto de barba. — Apesar dos pesares, aqui é o melhor lugar para se viver.

— Salvador, Bahia... – Inicia Flávia, que logo é seguida pelos demais quatro respondem em coro — É massa demais, mainha!

O grupo começa a rir do que acabaram de fazer e continuam caminhando.

João seguia distraído, conversando com Carlos, até que tropeça numa mala que estava sendo carregada por um turista e cai de cara no chão.

Carlos não resiste e gargalha.

Enquanto isso, o estrangeiro, de aproximadamente vinte anos, olhava a cena constrangido e sem saber o que fazer. Seu cabelo castanho e extremamente liso o obrigava constantemente a jogá-lo para o lado.

Flávia e Verônica se aproximam. A garota de voz rouca e corpo escultural gargalhava muito alto, atraindo a atenção de várias pessoas ao redor.

Lentamente João ia corando com a situação.

— João, você ainda me mata de rir!

— E você, Flávia, ainda me mata de vergonha.

O garoto olha com raiva para o estrangeiro e se levanta.

— Você não olha por onde anda?

— Perdón! No tenía intención. Llamo Leon.

João sai andando nervoso e logo atrás dele os demais o acompanham.

— ¡Muchacho arrogante!

João tomava banho quando Verônica entra pela porta do banheiro já vestida no uniforme escolar e com os digivices amarelo e preto nas mãos.

— Recebemos uma mensagem do Culumon!

— Agora? O que ele quer?

— Ele mandou de madrugada! Perâe que eu vou ler.

Domadores espero todos vocês aqui no Mundo Digital no próximo domingo. Está aberto o I Torneio de Domadores de Digimon. Que vença o melhor!

Ass.: Culumon.

— Um torneio? – Questiona João desligando o chuveiro.

Continua...