Carlos, Verônica, Flávia, Murilo e Bárbara passavam por sérios apuros na cidade governada por Etemon. Após enfrentarem o bando de cinco Orgemons, seus digimons estavam esgotados e ainda tinham de enfrentar o prefeito da cidade. Quando todos julgavam não haver saída, João surge trazendo Lunamon e outras duas cartas: a Carta das Lâminas, que possibilitou o Betamon evoluir para Shurimon, e a Carta dos Ventos.

Após a insistência do líder dos Domadores Beta, Flávia toma a carta que restava em suas mãos, tornando-se uma domadora. Lunamon, que estava em seus braços, é a sua digimon.

Assim que a garota loira passa a carta pelo digivice, Lunamon é envolta por um pequeno tornado, que cresce, liberando luz rosa em todos as direções. O tornado de vento adquire a mesma altura que Shurimon, e se dissolve em seguida, relevando uma digimon humanoide de forma feminina, vestindo apenas calcinha, sutiã e cinta-liga que se prendem às botas que lhe chegam ao meio da coxa. Todos na cor lilás. Uma viseira branca encobre seus olhos, como se fosse uma venda. Asas de borboleta, longos cabelos roxos, luvas até o cotovelo e ombreiras brancas completam seu visual.

Animada, Verônica rastreia informações acerca da nova digimon que acabara de surgir.

Kazemon, uma digimon Híbrido. Essa guerreira dos ventos possui uma aparência doce e frágil, além de ser muito poderosa. Com seu “Tornado Gamba” gira de ponta cabeça desferindo vários chutes no oponente.

— Tornado Gamba. – Brada Kazemon antes de avançar na direção de Etemon, enquanto girava de ponta-cabeça com as pernas abertas, disferindo uma rápida sequência de chutes no rosto do digimon macaco, derrubando-o.

Etemon ainda se recuperava da forte investida que recebera quando percebe que os braços de Shurimon avançavam na sua direção enquanto suas lâminas giravam. O digimon gorila rapidamente dá duas cambalhotas seguidas, desviando-se da técnica do digimon de João, que fica com as lâminas presas ao chão. O digimon gorila espalmava uma das mãos na tentativa de criar sua “Rede Negra” quando uma forte corrente de ar o surpreende pelas costas e o ergue a uma grande altura em poucos segundos, deixando-o cair. O digimon macaco caí de cabeça no chão.

A digimon dos ventos observava o oponente com ambas as mãos espalmadas na sua direção.

— Ai como dói! – Grita Etemon com a voz embargada, esfregando o local onde recebeu a pancada. — Ta doendo muito, minha cabecinha!

Enquanto se contorcia de dor, ainda deitado no chão, o digimon percebe que duas sombras haviam se posicionados perto de si. Ao abrir os olhos e notar que Shurimon e Kazemon estavam de pé e ao seu lado, segue se afastando com cambalhotas até parar de pé.

Mesmo exaustos, Ranamon, Meramon, Yashamon e Digmon se aproximam da dupla recém-chegada à cidade.

Ao ver os novos guerreiros reunidos, lado a lado, Etemon não se contém e começa a rir.

— Vocês são ridículos! São piores do que o Stingmon que eu tratei de destruir. Por sorte, os amigos deles conseguiram fugir. Bando de inúteis!

— Pessoal, — diz João atraindo a atenção dos demais — vencê-lo com o que temos, no momento, é impossível.

— Já me liguei nisso. – Diz Carlos com pesar. — E o que faremos?

— Vamos ganhar tempo e fugir!

— Por que você fugiu, João, e abandonou Antônio e Fafá?

— Depois conversamos, Verônica.

— Carlos, — interfere Murilo — conte a ele sobre Culumon.

— O que tem Culumon?

— Apareceu e disse que existem mais cartas para serem achadas. Cartas Acessórias.

— Interessante...

Kazemon e Shurimon avançam, juntos, na direção de Etemon. A digimon do vento tenta novamente um “Tornado Gamba”, mas Etemon consegue barrar seu ataque segurando-a pela perna. O digimon gorila faz um giro de corpo, ainda a segurando, e a arremessa sobre o digimon de João. Meramon infla suas mãos e consegue segurar o rival, queimando-o. O digimon macaco gritava de dor até que Evilmon se aproxima e ataca Meramon pelas costas.

— Choque do Pesadelo.

A técnica atinge Meramon, que se vê obrigado a soltar Etemon e reduzir suas mãos para o tamanho natural. Uma vez solto, Etemon o ataca com uma “Rede Negra”. A técnica atinge o digimon de fogo no peito, fazendo-o regredir e permanecer desacordado.

— TERRIERMON!

— Joãozinho lindo! – Diz Flávia. — Rápido que o cerco está se fechando.

Yashamon aproveita que Evilmon estava distraído e o ataca. Com o seu “Mestre dos Fantoches”, o guerreiro da madeira usa o cipó amarrado ao seu tórax e laça Evilmon por um dos pés, controlando-o.

Evilmon voa até Etemon e dispara sua técnica supersônica, obrigando o digimon macaco a cruzar os braços a frente do corpo para se proteger.

— Pare com isso, seu louco!

— Eu não consigo controlar! Meus movimentos são involuntários. – Avisa o pequeno digimon gárgula. — Ele está me controlando com esse cipó.

Evilmon novamente dispara sua técnica e consegue atingir o seu companheiro, deixando-o momentaneamente atordoado.

— ATAQUEM COM TUDO! – Grita João, aproveitando-se da favorável situação.

— Punho de Água.

— Shuriken.

— Broca de Ouro.

— Ciclone Imperial. – Diz Kazemon erguendo as mãos para o alto e criando um gigantesco furacão de aspecto negro, que avança devastando tudo em seu caminho.

Os ataques atingem Etemon, causando uma enorme explosão.

— É agora! — João ergue seu digivice e abre um portal. — Vamos indo.

Shurimon avança até o local onde seu domador estava, regride para Betamon e entra pelo portal juntamente com ele.

— Para onde vamos? – Questiona Bárbara, aflita.

— De volta para o nosso mundo.

— Mas e o meu irmão, Verônica? Vocês prometeram me ajudar.

— Amanhã voltaremos, eu prometo.

Verônica pega Bárbara pelo braço e entra pelo portal, sendo seguidas pela Digmon e pela Ranamon, que, como Shurimon, regridem antes de entrar. Carlos corre até Terriermon, desacordado, e o toma em seus braços, atravessando o portal de luz que já contabilizava três segundos a menos dos sete iniciais.

O samurai da madeira ainda atacava Etemon através de Evilmon.

— Murilo, vamos? – Pede a garota loira de voz rouca ao se aproximar. Kazemon voava logo atrás de si.

— Yashamon!

O digimon que possui espadas de madeira ouve o grito do seu domador e larga o pequeno digimon, correndo na sua direção.

Murilo, Flávia e Kazemon avançavam na direção do portal, que estava prestes a se fechar.

— Desgraçado! – Berra Evilmon. — Me fez atacar Etemon.

Yashamon é surpreendido por um ataque traiçoeiro do pequeno digimon, que lhe atinge as costas. A explosão atrai a atenção do garoto magro que, ao ver o pequeno Patamon caído e desacordado, volta para ajudá-lo.

— Patamon!

Evilmon também se aproximava do pequeno hamster.

Flávia e sua digimon fada dos ventos também param metros antes de atravessar o portal, que logo se fecha.

— Kazemon, vá ajudar!

A digimon humanoide com asas de borboleta atende ao primeiro pedido feito pela Flávia após ter se tornado sua domadora, e voa paralelamente e próximo ao chão, indo de encontro ao Evilmon. Antes mesmo de conseguir alcança-lo, é surpreendida por um chute dado pelo Etemon, que a lança sobre o asfalto, se arrastando por alguns metros.

— Murilo, — pede a garota tentando manter o controle enquanto observava o gorila que usa óculos escuros se aproximar. — Abre logo a droga de um portal, por favor.

— Eu não sei como é que faz isso!

— Você só pode estar de brincadeira.

Em Salvador, no mesmo ponto onde João e os outros abriram um portal na manhã do dia anterior, outro portal se abre e quatro domadores saíram acompanhados dos seus digimons.

O sol já começava a se pôr no horizonte.

— Que bom que conseguimos fugir. – Diz João. — Yashamon foi muito esperto em usar Evilmon para atacar Etemon. Ele é a evolução de dados de qual digimon?

— Do Patamon com a Carta da Madeira. – Responde Carlos, que estava com Terriermon nos braços.

— Murilo se tornou domador daquele Patamon? Legal! No caso deles três, os digimons é que os escolheram como domadores.

O portal se fecha, para a surpresa geral.

— Cadê Murilo e Flávia? – Pergunta Verônica, assustada.

— Eles não estão aqui conosco?

— Não, Bárbara! Alguma coisa deve ter acontecido. A gente tem que voltar imediatamente para resgatá-los.

— Eles abrem outro portal por lá e fica tudo resolvido, galera.

— Esse é o problema, João. – Responde Bárbara. — Acho que eles não fazem a mínima ideia de como se abre um portal. Pelo menos eu não faço!

O garoto de barba cerrada logo posiciona seu digivice, abrindo uma nova passagem para o Mundo Digital. Assim que o grupo se aproxima do portal de luz, esbarram-se no Murilo com Patamon, na Flávia, e na Lunamon.

O portal logo se fecha.

Um grande amontoado de humanos e digimons havia se formado: braços, pernas, cabelos, patas e garras se cruzavam de modo que dificilmente algum desavisado conseguiria dizer a quem pertencia tal parte do corpo.

— De quem é esse pé que está na minha boca?

Carlos belisca o pé e ouve o grito de Verônica.

— Seu vagabundo, é o meu!

— Nossa como você é carinhosa!

— Não amola, Carlos!

Terriermon havia caído mais afastado do grupo e acorda com o impacto da queda. Ao ver tamanha confusão, o pequeno digimon acha graça e resolve participar, pulando sobre os demais.

— Ai, Terriermon! – Grita Lunamon. — Que digimon mais retardado!

Terriermon pula sobre a barriga do Carlos.

— Saia de cima! – Ordena o garoto de cabelos bagunçados. — Você está me machucando!

O digimon de grandes orelhas para de pular e fica chateado, se aproximando de Patamon, que também havia caído mais afastado, porém permanecendo desacordado.

— Vocês ficam se divertindo e não gostam quando eu participo.

— Divertindo? – Exclama Carlos, incrédulo, enquanto se coloca de pé. — Se não tivesse dormindo saberia o que aconteceu.

— Eu não estava dormindo, estava desmaiado! – Retifica.

— Ta bom, então. E eu nasci ontem. E venha logo, aqui, e faça silêncio. Já voltamos para o Mundo Real.

Terriermon se aproxima do seu domador, que o pega nos braços.

João, Verônica, Flávia e Murilo fazem o mesmo com seus digimons.

Fanbeemon planava sobre os domadores, observando os prédios.

— Aqui não parece ser muito diferente do meu mundo. Onde estão os outros humanos?

— Fanbeemon, — diz a garota de cabelos longos e cacheados – não ouviu o que Carlos acabou de falar? Venha até aqui.

A pequena digimon abelha se aproxima da sua domadora que, ao senti-la próxima de si, a segura em seus braços.

— É melhor que ela finja não ter vida. – Recomenda a garota de cabelos volumosos, domadora de Plotmon. — Assim as outras pessoas pensarão se tratar de um brinquedo qualquer.

— Eu e Murilo devemos milhares de agradecimentos a vocês! – Ironiza a garota loira enquanto se afastava.

Os demais passam a acompanha-la.

Verônica segue ajudando Bárbara.

— Onde você está indo?

— Para minha casa, João! Quero comer, tomar banho e dormir.

— Estávamos indo ao encontro de vocês. – Diz o garoto de porte mediano retomando a conversa.

— Assim que nos aproximamos do portal, Evilmon atingiu Yashamon. – Relata Murilo. – Por isso Patamon está desacordado.

— Eu e Kazemon ficamos para ajudar. Nunca senti tanto medo. Aquele macaco maluco parecia um leão faminto avançando na nossa direção.

— Pra nossa sorte outro portal se abriu sozinho.

— Foi esse portal que nós abrimos para ir ajudá-los. – Diz João, sorrindo. — Ainda bem que vocês perceberam e conseguiram entrar.

— Ele surgiu no exato momento em que Kazemon os afastaram com uma rajada de vento.

— Pelo visto ganhamos mais uma colega corajosa e poderosa em nossa equipe.

— Obrigada, Betamon. – Agradece Lunamon, envaidecida.

— Onde é que nós estamos? – Questiona Bárbara à Verônica.

— Em Salvador.

— Como assim? Eu to muito longe de casa, garota!

— Você é de qual lugar? – Interfere Carlos.

— Eu sou de Campo Grande, Mato Grosso.

— É... É um pouquinho distante, mesmo!

— E agora? Como é que eu faço para voltar para minha cidade?

— Acho melhor você ficar conosco. – Propõe Verônica. — Amanhã voltaremos ao Mundo Digital para procurar seu irmão. Promessa é dívida!

— Você é louca? Diz isso porque não conhece minha mãe. Ela está superprotetora só por que me tornei deficiente. Bento dorme fora de casa quase todo o final de semana. Antes eu até dormia, mas ela ainda está com certo receio de me deixar só.

— Ta bem, então. Te levo até Campo Grande, te deixo lá e amanhã nos veremos.

— Insisti para Murilo ficar e dormir lá em casa, só que ele não quis. – Avisa o garoto que usa óculos de grau. — Voltou pra Itabuna.

Já era noite quando Flávia, Carlos e João estavam reunidos na casa de Verônica, mais precisamente em seu quarto.

Terriermon, Plotmon, Fanbeemon, Betamon e Lunamon dormiam sobre a cama.

— Vocês não fazem ideia de como a minha mãe gritava! – Diz a garota loira aos risos. – Disse que eu era uma irresponsável. Que não dei satisfação. Faltei aula. Ameaçou até me proibir de cantar na “Cais do Porto”. Disse também que não me quer andando com João, porque “João é um perdido. Só quer saber de reggae e nada de estudar”.

— Até Dona Cecília sabe da fama de João! – Diz Carlos, gargalhando.

— Vocês são tão gozados. – Desdenha o garoto.

— Sim, João Ferraz. – Diz Verônica atraindo a atenção dos demais. — Pode logo tratar de explicar esse lance de abandonar Antônio e Flávia.

— Eu não os abandonei. Eu quis abandonar todo mundo, todos vocês! Vocês me tiraram do sério, me jogaram para escanteio.

— Quando que nós fizemos isso?

— Ontem, enquanto eu me preocupava com vocês, vocês retribuíam com grosseria.

— Não exagera, João.

— Não exagera uma pinoia, quatro olhos!

— Chega! To saturada de suas frescuras. Você é volúvel demais pro meu gosto. Horas é maduro, horas age como uma criança. Você não tem moral pra falar de Alex e Blaze.

— Pessoal vamos manter a calma, por favor. – Pede a garota loira de voz rouca.

Verônica se exalta ainda mais.

— To de saco cheio de seus ciúmes bestas, de sua arrogância, de sua prepotência!

— Agora eu sou isso tudo, não é Verônica? Quando você ia dormir lá em casa não rolava esses papos de arrogante e coisa e tal.

— Você está insinuando o que, hein?

— Gente, vamos baixar o tom de voz? Conversar civilizadamente. Senão, Daqui a pouco Célia chega aqui pra saber o que ta acontecendo.

— E se ela chegar, Flávia, vamos dizer a verdade! Chega de pessoas duas caras.

— Querem saber, vou embora! Não tenho saco pra ouvir sermão, ainda mais de alguém que se acha a senhora da razão.

João se aproxima de Betamon e o pega nos braços de maneira abrupta, assustando os demais digimons que dormiam juntamente com ele.

— Pode ir! Aproveite e pense no que você anda dizendo.

Socos na porta do quarto interrompem a discussão.

— Verônica, ta tudo bem? – Diz a voz que ecoa pelo lado de fora do ambiente.

Os digimons rapidamente correm para debaixo da cama, com exceção do Betamon, que finge ser um boneco nos braços do seu domador.

— Ta sim, mainha. A gente ta discutindo uns lances da gincana do colégio.

— Ah bom... Só baixa o tom de voz, está certo? Não queria me matar de preocupação.

Alguns segundos se fazem de completo silêncio.

Flávia e Carlos já trocavam olhares de alívio quando João torna a falar.

— Não é você que iria dizer a verdade pra sua mãe? To aguardando.

Carlos esbraveja com o amigo.

— PARA DE PROVOCAR, JOÃO! Se vocês dois continuarem com essa briga de casal, eu e Flávia iremos embora. Resolvam suas diferenças quando estiverem a sós e não nos utilize como plateia.

— Não sei onde você viu um casal aqui, quatro olhos. Você já foi mais perspicaz.

O garoto de barba cerrada pega sua mochila do chão, a abre, fazendo com que o Betamon entrasse, e a joga sobre o ombro, saindo pela porta do quarto que, até então, estava trancada.

Verônica corre até a porta e a bate com toda a força, estremecendo o quarto.

— Grosso! Idiota!

A garota desaba em lágrimas e é amparada pela Flávia.

Carlos respira fundo com o final da discussão, enquanto os digimons se olham assustados com o que acabara de acontecer.

Continua...