Digimon Adventure Zero Three

7 Capítulo 6 - A Deusa das Trevas


Notas iniciais
Oi!! ♥♥ EU SEI QUE DEMOREI UM SÉCULO E MEIO DE NOVO, MAS NÃO ME MATEM, POR FAVOR, LINDOS! Acontece que, quando eu estava de férias, aproveitei meu tempo fora do computador e... aaa, então não postei nada antes de fevereiro, e agora, tendo aulas, estou sem tempo nenhum. NENHUNZINHO. Nenhum mesmo. SÉRIO, NENHUM. CULPEM A VIDA, NÃO CULPEM A MIM PELO ATRASO! Boa leitura! ♥♥♥

Capítulo 6 — A Deusa das Trevas

Os olhos azuis gélidos desviaram-se para o meio do grande salão de pedra.

Envolto por uma neblina extremamente densa e cinzenta, havia um altar — não muito grande — feito de uma espécie de metal, onde residia uma pequena joia, brilhando em um tom de verde majestoso.

Muitos conheciam lendas, mas poucos sabiam a verdade por trás do Brasão da Luxúria.

O dito brasão, criado milhares de anos atrás, assim que o Bem e o Mal surgiram no Digimundo, é uma das chamadas “sete pedras de oito”. Oito pedras sagradas, com poderes neutros, que apareceram muito antes de qualquer outra existência no mundo digital.

As oito eram mantidas atrás da Parede de Fogo, na Ilha Arquivo, até que a divindade das Trevas, Ogudomon, conseguiu corromper sete delas, e destas, se originaram sete novos DigiTamas.

E cada uma das rochas foi designada para dar poder a cada um desses novos digimons.

A pequena Nyaromon fora presenteada com a verde, assim que nasceu.

Cada uma das pedras, ao cruzar as fronteiras do mal, passou a representar um pecado: luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e orgulho. E esses pecados, quando cometidos, dão poderes aos que os possuem.

A oitava pedra, porém, fora corrompida por um diferente tipo de poder. Um poder oposto as suas sete irmãs: a Luz. Luz vinda dos poderes de Huanglongmon, e que deu origem, também, a quatro novas espécies, e oito virtudes essenciais.

O brasão esverdeado está em todas as memórias de Lilithmon. Sempre o carregou consigo, até mesmo quando era pesado demais para ela. Evoluiu com ele. Ganhou poderes com ele. Reinou com ele, e também, perdeu com ele ao seu lado.

– Mestra Lilithmon?! – BlackTailmon estava um pouco amedrontada. A lorde parecia transtornada, e dizer a ela, o que precisava falar, poderia piorar tudo. – Eles...

– BlackTailmon, não me enrole! – levantou a voz, e apoiou o cotovelo no braço de seu trono encrustado de pedras preciosas.

– As crianças – engoliu com dificuldade. – Elas fugiram!

– O... – não terminou de falar.

Lilithmon não conseguia acreditar que foram tão idiotas a ponto de fugir.

Aquele era seu território. Território da impiedosa rainha das Trevas.

Como puderam ousar desafiar desse modo os seus poderes? Como puderam ousar andar por seu castelo? Como ousaram pensar que sairiam impunes se conseguissem escapar?

Havia chegado a hora dos Escolhidos conhecerem o verdadeiro poder das Trevas. A hora de saberem como é o verdadeiro inferno. E quem melhor para guiá-los que um verdadeiro demônio?

***

– Estamos... LIVRES! – berrou a herdeira do Amor e da Sinceridade, ao ver-se fora da sufocante cela em que passara os últimos... minutos? Horas? Aa, isso não importava agora. – Nunca pensei que ficaria feliz por estar em um corredor escuro e cheio de teias de aranha.

– Obrigado por nos salvar – o garoto timidamente estendeu a mão direita em direção ao loiro. – Sou Ken Ichijouji.

– P-prazer em conhecê-lo – hesitou responder ao cumprimento do outro. – É bom conhecer vocês!

– Obrigado por nos tirar daquele lugar – o goggleboy sorriu contente para o outro, que tentou esconder sua surpresa ao notar que Dai-chan tinha suas mãos entrelaçadas às de Hikari.

–Wallace! Como é bom te ver – a morena correu em direção ao amigo e o abraçou. – E, nossa, você cresceu desde que eu voltei para o Japão.

Separou-se da garota e respondeu com um simples “é bom te ver também, Mimi”.

– Koushirou-san – o Ishida arrumou alguns fios amarelos que caíam sobre sua testa. – Já encontrou uma saída?

Silêncio. Um longo silêncio.

– Koushirou?!

O ruivo estava procurando uma maneira de escapar do castelo, desde que se libertaram da prisão onde estavam, alguns minutos atrás.

– Aan? – Yamato observava o garoto que parecia ter acabado de acordar. – Acho... que sim.

– Então – continuou. – O que descobriu?

– Bem... há um salão – finalmente ele desviou os olhos da tela do computador. – Eu não tenho certeza, mas acho que podemos encontrar algo por lá.

– Então – Sora percebeu o olhar preocupado de seu namorado. – Vamos?!

Todos se entreolharam e concordaram com a Escolhida do Amor (menos Miyako, que preferia continuar no lugar em que estava, junto das aranhas, mosquitos e outros insetos-digitais).

E então, após mais alguns segundos se entreolhando, simplesmente começaram a andar.

E foram.

(...)

***

– Somos nós dois agora – Gennai se assegurou de que Wallace já estaria em uma distância segura, antes de continuar.

O monstro digital de pelo menos quatro metros se posicionou em sua frente e olhou diretamente para o homem:

– Não subestime a minha força.

– Como poderia? Só estou surpreso – sorriu de canto; não demonstrava sentir medo algum. – Um digimon Kyuukyokutai* como você, recebendo ordens?

– O quê? – piscou intrigado. Apesar de forte, era parte de uma espécie influenciável e não muito esperta.

O digi-humano deu alguns passos antes de prosseguir. Passos que o levaram até uma distância perigosamente curta do monstro, que olhava atentamente para baixo.

– Ordens, sabe?

Silêncio.

– Você é tão valioso quanto um... – levou a mão esquerda até o seu queixo pálido. – Numemon! É, para os Lordes, você é só um bonequinho. É tão valioso quanto um simples e sujo Numemon.

E sorriu novamente ao ouvir o rosnado furioso da ave, porém, desta vez, segurou o cabo de sua espada, cuidadosamente afiada nas grossas pedras do rio onde sua casa residia.

– Você irá se arrepender do que disse – alçou voo, jogando uma forte rajada de vento no outro. –Seu... verme!

Gennai apontou o objeto afiado para a besta, que desferiu seu primeiro ataque: – Kaiser Phoenix!

Os lasers emitidos pelo digimon não foram certeiros, e o outro, graças a sua grande habilidade e experiência em combate, conseguiu desviar com certa facilidade, provocando-o logo depois com um debochado “é só isso que sabe fazer?”

O imenso ‘animal’ grunhiu.

– Golden Radiance Typhoon!

À medida que as enormes asas batiam, um furacão dourado começou a se formar em torno do homem, que estava erguido no ar.

Crossmon estava gargalhando, podendo assistir o desespero de seu adversário, preso dentro do tufão que criou. Já sentia o gosto de mais uma vitória.

– Boa sorte no inferno – formou um círculo com suas garras, onde se formava uma concentração de energia. – Mystic Break!

E foram essas as palavras que condenaram a ave metálica.

Ao ver a esfera branca se aproximando, Gennai usou a arma que possuía em sua mão como um escudo. A lâmina pontiaguda, formada pelo metal Chrome Digizoid repeliu o golpe como uma espécie de espelho, enviando-o de volta para quem o lançou.

Isso pegou a besta de surpresa.

Ao ser atingido, o digimon cambaleou e cessou o ataque anterior, libertando o homem, que foi rápido em se recompor.

Correu com sua espada em mãos e a arremessou em direção ao único local desprotegido pela armadura dourada: o pescoço do monstro digital.

E o ataque foi o suficiente para deixa-lo caído no chão frio e sujo do castelo.

– Uma nova lição – a lâmina, recém-tirada de dentro do corpo do outro, estava quente. – Não conte vitória antes da hora.

E, desprotegido, sem saber o que fazer, desesperado e talvez, com medo, a ave recebeu mais um golpe; desta vez, no abdome.

Gemendo de dor, viu seu corpo de desfazer em dados de coloração esverdeada.

E desistiu de lutar quando percebeu que não havia tido forças o suficiente para derrotar um simples verme como seu oponente.

Depois disso, tudo o que sobrou do corpo do digimon derrotado, foi o pedaço de armadura em que a espada que o matou, estava fincada.

E a energia negativa que até então, estava dentro dele.

***

A harpia, prestes a atravessar os limites das Trevas do Digimundo, pensou seriamente se deveria prosseguir com a missão que lhe foi designada.

O primeiro castelo. O primeiro nível do purgatório estava logo à sua frente, mas ainda havia um obstáculo a se passar. Muitos monstros digitais guardavam a única entrada — e saída — do lugar.

Mas não poderia falhar, afinal, era de enorme importância que os Escolhidos conseguissem sair das mãos dos Lordes, e, principalmente, da Escuridão.

Continuou firme até que sentiu uma forte pressão que a fez cambalear. Um imenso número de Devidramons, chegando cada vez mais perto cada vez mais da ave.

Segurou firme a rocha, e pensou no quão poderosa ela poderia ser. E, de repente, os pequenos inimigos começaram a se afastar, enquanto a pedrinha emitia uma luz branca radiante.

Sentiu uma enorme força a invadindo dentre suas penas. Um grande poder se formando dentro de si. Finalmente obteve a coragem que lhe faltava para prosseguir. Finalmente obteve o poder.

Agora, começava a entender o porquê de ser tão importante a imediata união das crianças com o pequeno fragmento luminoso, que carregava tão rigorosamente em sua pata direita.

(...)

***

Até então os Escolhidos diziam quase nada. Apenas andavam, segurando seus digimons nos braços, procurando pelo tal salão mencionado por Koushirou. E aquele clima, o silêncio que os rondava, era incomodante, mesmo que todos compreendessem o motivo dele existir.

Havia uma sensação estranha naquele lugar... uma sensação de frio, de que algo ou alguém estava apertando com força o coração de cada um deles.

E Hikari sentia-se ainda mais fraca, ainda mais amedrontada com aquela situação, provavelmente por seu brasão ser justamente a Luz, mas, mesmo assim, andou em direção aos fios loiros que via logo à sua frente e abriu a boca para falar:

– Keru-kun?

– O que foi?

Silêncio.

– Eu... – na verdade, não havia nada para ser dito. – Eu fiquei muito feliz, sabe, com o que você fez hoje cedo – sorriu fraca, mas calorosamente, e pensou se fora certo usar a palavra ‘hoje’. – Obrigada!

– Na-não tem problema, Hikari – “Hikari”. – Eu me senti mal sobre o que aconteceu no outro dia... e-eu não gosto de brigar com você. Não precisa me agradecer por isso!

– Mas – virou o rosto para olhá-lo. – Não era necessário...

O loiro foi quem sorriu fracamente depois disso:

– Eu não fiz nada que não quisesse. De verdade. Mas, mesmo assim, não precisa agradecer. Eu estava triste por brigar com você... – olhou-a de volta. – Eu pensei que precisávamos conversar, entende?

– Sério?

– Sim. Porque, afinal... nós somos amigos e eu... eu quero estar bem com meus amigos! Eu me importo muito com você, Hikari-chan. Muito.

Eles pararam de andar e ficaram se encarando, em silêncio. Takeru piscou e, então, decidiu dizer:

– Hikari-chan, eu... eu disse coisas horríveis pra você, não é?

Silêncio. Novamente.

– Está tudo bem, Keru-kun. Já está tudo resolvido...

– Eu – interrompeu-a. – Queria me desculpar.

– Não! Não precisa pedir desculpas! – a morena percebeu o seu tom de voz elevado quando percebeu o olhar de seu irmão, preocupado, alguns metros à sua frente. – Você estava certo.

Mas ele a ignorou, sussurrando logo em seguida:

– Mas... isso não é desculpa pra te tratar daquela maneira. Eu sinto muito.

Hikari o observou por alguns segundos.

– Takeru-kun, eu já disse que está tudo bem – sorriu. – Obrigada.

– Mesmo?

– Sim! Agora, ei, os outros já estão bem longe. Vamos?

– Sim – disse Tailmon, olhando fixamente para a parede. – É perigoso ficar por aqui.

– Então, vamos – Patamon sorriu e olhou para seu parceiro. – Takeru!

– Tudo bem!

Entretanto, Takeru ainda não se sentia muito satisfeito.

E, após alguns segundos, eles se encontraram novamente com seus amigos e irmãos.

– Hikari! – o goggleboy estava olhando diretamente para o rosto da garota. – Você me deixou preocupado. Por que você e o Tajeru ficaram parados ali atrás?

Mas ela não respondeu: – Hikari-chan?! Você está bem?

– Sim, estou. Estou muito bem.

E sorriu porque realmente, estava muito bem.

***

Ainda nas mãos do homem, residia um pedaço da armadura dourada do monstro. Estranhamente, esse mesmo pedaço, não havia se desfeito em dados junto aos outros quando a besta fora derrotada, instantes atrás.

Havia sido surpreendentemente fácil para Gennai derrotar Crossmon, e o digi-humano não entendia muito bem o porquê. Não compreendia o motivo do monstro se render. Desistir da luta, depois de somente um golpe.

Tinha uma ideia, porém. O digimon não parecia ‘comum’, estava diferente de um ser digital normal, parecia sem vida, sem vontade própria. O poder das Trevas o havia consumido. O tomado por inteiro.

O homem corria para tentar encontrar os Escolhidos o mais rápido possível, e sair dali.

Era perigoso brincar com a escuridão em sua própria casa. E mais perigoso ainda, correr o risco de ter a alma completamente coberta por ela...

[...] “Novamente”.

***

– BAKEMON! – uma foca branca, afoita, gritou o nome do digimon assim que adentrou o salão.

Depois de andar por mais alguns minutos, os jovens se viram em frente a uma grande escadaria, que os levara direto ao seu objetivo. De acordo com a Sabedoria, se chegassem lá, teriam uma chance de fugir, e não mediriam esforços para conquistar tal feito.

– Os prisioneiros estão aqui! – foi estranhamente cômico ver um bando de fantasmas, voando de um lado para outro e gritando desesperadamente. – Estão aqui! Aqui!

– Baby Flame! – Agumon disparou suas chamas contra os inimigos, espantando-os rapidamente.

– Petit thunder! – a joaninha-robô lançou suas descargas elétricas.

– Esses Bakemons não são tão corajosos, não é mesmo? – Piyomon continuou, após atacar um outro grupo dos mesmos digimons brancos com seu Magical Fire.

A batalha não durou muito mais que 30 segundos. Não fora difícil para os digimons escolhidos destruir os pequenos inimigos, mesmo sem tanta energia em seus corpos e sem a possibilidade de evoluir.

– Koushirou?

– Nada ainda, Jou – o ruivo estava determinado de que poderia encontrar uma saída.

– Olha! – Floramon cutucou o pequeno dragão azul, e apontou para algo com uma de suas pétalas.

– Que pedra bonita! – Chibimon correu em direção ao objeto que brilhava com um tom esverdeado. – Daisuke! Venha aqui!

Ele foi, e ficou instantaneamente encantado com a beleza do artefato.

E o goggleboy, prestes a tocar a ‘pedra’, por pura curiosidade, fora interrompido por uma voz alta e amedrontadora:

– O que... – a sombra preta, parada ao lado da porta, fez com que o cabelo lilás de Miyako se arrepiasse. – O que vocês pensam que estão fazendo com isso?

O demônio não pôde deixar de gargalhar ao ver os olhares assustados das ‘crianças’ escolhidas.

– Acredito que ainda não nos apresentamos formalmente, mas sei que vocês sabem quem eu sou – o Motomiya sentiu uma gota de suor descer sobre seu rosto quando a distância entre ele e a digimon se tornou menor. – E isso pertence a mim.

Ao ser tocada por ela, a ‘pedra’ desapareceu. Simplesmente sumiu, ali, do nada.

– Air Shot! – a bolha de ar do hamster deixou uma marca vermelha no rosto do anjo caído.

Silêncio.

– Como... – estava indignada. – Como ousa, seu... VERME!

– Pessoal – Catherine estava sussurrando, mas, naquele momento, naquele lugar e com aquela coisa ao lado deles, um sussurro se assemelhava a um grito. – Acho que é uma boa hora para...

Parou de falar quando percebeu o olhar furioso da ‘mulher’ em cima do grupo.

– CORRAM! – Palmon foi a primeira a dizer, embora todos estivessem pensando, de qualquer modo, em fazer isso.

Começaram a correr, voar, pular e se arrastar (no caso de Gomamon) o mais rápido que podiam. Sabiam que a Lorde viria atrás deles, mas, quanto mais tarde fosse, melhor.

E correram por mais vários minutos, até que suas pernas não aguentassem mais.

– Não é seguro aqui! – o ruivo estava ofegante. O local era como um labirinto de pedras. – Nós andamos em linha reta, aqui será o primeiro lugar que ela irá nos procurar.

– Mas eu não posso mais correr! – a Escolhida da Sinceridade parecia estar prestes a chorar.

– Mimi, você não... – olhou para baixo. Sora conhecia bem sua parceira, e sabia quando a mesma percebia algo de errado — a ave possuía um sexto sentido incrível. – P-piyomon?

A resposta da digimon da ruiva chegou alguns poucos segundos depois: – Tem alguém ali.

Olharam para o lado, um corredor escuro onde não se atreveriam entrar, com medo de ser mais algum inimigo com quem — pelo menos, naquele local — não seriam capazes de lutar.

***

O som alto do despertador tirou Takaishi Natsuko de seu curto período de sono.

Desviou os olhos para o pequeno aparelho eletrônico: as horas marcavam 5h30m.

Foi então que a mulher percebeu onde estava: dormira em cima de alguns papéis, na mesa de seu escritório. “Que droga” pensou ao ver que adormeceu sem ao menos um banho; andava muito cansada e abatida por causa do trabalho.

E lembrou-se de não ter visto Takeru chegar em casa no dia anterior.

– Takeru!

Não houve resposta.

– Takeru!

Novamente, nada.

– Ta... – antes de gritar o nome do filho pela terceira vez, lembrou-se de que eram cinco e meia da manhã, e ele devia estar dormindo. E não pôde deixar de rir por ter se esquecido disso.

Porém, teve a infeliz ideia de ir ao quarto do loiro para vê-lo dormindo. E tudo para encontrar somente uma cama vazia e desarrumada.

A jornalista correu desesperadamente até o banheiro, cozinha, todos os lugares da casa; seu filho não estava em nenhum deles.

Em um segundo reflexo, segurou fortemente o telefone e apertou desesperadamente os botões, ligando para a casa de seu ex-marido: – Hiroaki!

– Na-natsuko? – o homem estava falando embolado, provavelmente por ter sido acordado pelo telefonema da outra.

– O Takeru! Ele está aí? – silêncio. – Responda!

– Aan... – o moreno fez força com a cabeça para conseguir ver o quarto do filho. – Não! O Yamato também não está.

– O Yama... – estava indignada com a calma do pai de seus dois filhos. – E VOCÊ NÃO ESTÁ PREOCUPADO?

– Acalme-se – ela conseguiu ouvir o bocejo do outro através do telefone. – Não é a primeira vez que ele dorme fora de casa, e o Gabumon está com ele. Já tentou telefonar para o Takeru?

– Gabu... Gabumon – e foi neste momento, a jornalista percebeu que o porquinho laranja do loiro também não estava lá.

Silêncio, novamente.

– Natsu... – interrompeu-o.

– Aa, boa ideia! Vou telefonar para ele. É, obrigada!

E lembrou-se que Takeru havia comentado algo sobre o mundo digital dois dias antes.

Não que o fato de imaginar que o adolescente estava em mais uma daquelas aventuras a deixasse menos preocupada. Não. Mas, apesar de tudo, confiava em seu filho, nos seus dois filhos, e sabia que, mais uma vez, voltariam para casa, sãos e salvos.

“Cuidem-se bem...” levou uma de suas mãos até a testa, e sentiu uma fria lágrima escapar. “Meus filhos”

***

– Quem está aí? – Yamato não gritou, mas também não usou seu tom de voz normal. – Apareça!

– Ge-gennai?

– Vocês estão – ele parecia estar sem fôlego. – Estão... bem?

– Estamos, mas... – a francesa se aproximou do mais velho com cautela.

– Estou bem, Escolhida – sorriu de canto. – E mesmo que não estivesse — temos que sair daqui agora!

– O senhor... aconteceu alguma coisa? – Iori estava falando mais alto que o habitual.

– Eu encontrei isso – mostrou a pedra branca em sua mão. – Pobre Harpymon. Provavelmente foi morta logo ao entrar no castelo.

– Harpymon? – a Luz cochichou o nome para si mesma.

– Ela estava segurando este fragmento da Rocha Sagrada em sua pata – apertou-o com força. – Os guardiões devem tê-la mandado.

– Eu posso ver, Gennai? – Koushirou recebeu o objeto e logo tratou de analisa-lo. – Não parece ter nada de especial. Para que serve?

– Lembram-se da Luz do Guardião, que eu lhes dei alguns anos atrás? – todos concordaram com as cabeças, atentos às palavras do mais velho. – Essa é a fonte daquela luz.

Os olhos do ruivo pareceram brilhar (por mais que isso não fosse possível, já que a iluminação no local onde estavam fosse, praticamente, inexistente) ao ouvir a declaração do outro. O jovem achava fascinante desvendar os mistérios daquele mundo.

– Mas como isso pode nos ajudar? – a confiança precisava de respostas para conseguir, realmente, confiar.

– Os digimons estão sem força alguma, certo? – concordaram, novamente, somente com suas cabeças. – É este lugar... ele está drenando-as.

– Você não respondeu – o ex-prodígio estava segurando com força a mão de sua namorada. – Não respondeu a pergunta.

– Isso, Escolhido, é a nossa força – ergueu o objeto até a altura de seus ombros. – Agora devemos sair daqui.

E antes que pudessem fazer qualquer movimento, a mesma voz feminina de antes apareceu, alta e clara, no meio da escuridão.

– Gennai, seu verme imundo – o rosto diabólico começou a aparecer. – Ainda está vivo?

– Lilithmon, você me subestimou.

Ele lentamente dava passos largos para trás, empurrando os jovens que o acompanhavam.

– Foi realmente um erro mandar Crossmon fazer algo que eu mesma poderia fazer.

Os passos começaram a se acelerar.

– Acho que...

Virou o rosto para trás e gesticulou um “agora” com a boca: – Talvez não seja o melhor momento!

O homem jogou algumas bombinhas de fumaça que carregava consigo, por precaução, e ganhou tempo para que pudessem ter alguma vantagem sobre a outra.

Começaram a correr, e correr, e correr, mas não conseguiram nem distância o suficiente para sair do corredor em que estavam. Correr tanto parecia não estar adiantando; quanto mais o faziam, mais perto a besta parecia estar.

O mais velho do grupo estava exausto; a Escuridão daquela parte do mundo digital não afeta somente os digimons. O efeito é também devastador em um digi-humano como ele.

E a exaustão fez com que, em um descuido, o homem derrubasse a pedra iluminada de que tanto precisavam.

– Taichi-san! – Daisuke fora o único que viu quando aconteceu, e gritou para a Coragem, que vinha por último no grupo.

Ele correu para pegar o objeto caído no chão — por mais que fosse arriscado, ele era, afinal, a coragem. Foi em uma questão de segundos. Logo estava nas mãos do moreno, e, inesperadamente, começara a brilhar.

A luz foi forte o suficiente para atingir os que estavam mais próximos a ele no momento: o Amor e a Sinceridade. Os três Digivices começaram a dar sinal. Estavam experimentando o poder sagrado pela primeira vez, e era como se toda a energia que possuíam fosse recuperada.

Agumon shinka... Greymon!

Ambas as partes sorriram quando o grande dinossauro se ergueu. Os Escolhidos, por sentirem uma pequena ponta de esperança queimar dentro deles, e Lilithmon por perceber que finalmente iria se divertir com seus inimigos.

Piyomon shinka... Birdramon!

Palmon shinka... Togemon!

Uma gargalhada maquiavélica saia do demônio: – Patético!

– Lightspeed Jabbing! – os espinhos venenosos do cacto gigante foram certeiros em direção à inimiga, mas pareceram não surtir efeito algum.

– Pelo visto são os seus guerreiros são quem me subestimam, querido – virou os olhos quando se referiu aos Escolhidos como guerreiros. – Não pretendo sujar minhas mãos com vocês agora.

– Mega Flame!

– Meteor Wing!

As chamas do gigante e as labaredas da ave laranja foram ambas absorvidas pelas garras douradas da digimon, que as usou, logo depois para contra atacá-los.

– Idiotas! – rosnou, visivelmente irritada com a ousadia dos dois. – EMPRESS EMBLAZE!

O ataque mais poderoso de seu estoque fora lançado. Uma mão de pelo menos cinco metros, composta de sombras se ergueu das pedras cinzentas que formavam o chão daquele lugar.

– O-o-o quê? – Mimi não pôde deixar de fechar os olhos e desejar que tudo fosse um pesadelo ao ver aquela coisa viva em sua frente: – TOGEMON! – se arrependeu de ter gritado ao ver sua parceira ser atingida na barriga pelo monstro criado pelo anjo caído.

– CORRAM, AGORA! – o grito desferido pelo digi-humano despertou a todos, que iriam seguir a ordem lhes dada logo em seguida, caso um extremamente machucado Greymon não fosse arremessado em sua direção, quebrando e destruindo toda a parede daquele corredor que se ligava com a área externa, e, surpreendentemente, mesmo com uma enorme abertura em sua estrutura, o lugar parecia mais escuro do que nunca.

– GREYMON! – Taichi iria atrás de seu parceiro, se uma espécie de corrente preta não o tivesse segurado naquela mesma posição. E o mesmo se repetia com cada pessoa e digimon presente ali, um de cada vez.

Birdramon viu de longe a mesma corrente ir em direção à sua parceira, que estava estática, preparada para aquilo.

Até que em um baque, a herdeira do amor sentiu a manga de sua blusa ser puxada por uma grande mão pálida, e reparou nas veias que saltavam na mesma, ainda que a escuridão camuflasse muitas delas.

– Yamato! O quê...?

– Sora, eu preciso que suba em Birdramon e fuja! – o loiro estava falando em tal seriedade que assustou a outra.

– Mas... eu...

– Sora, por favor! – ele desviou o olhar para baixo, tentando não olhar diretamente para a namorada e observando a coisa que o prendia ao chão. – Você é a única que pode sair daqui agora! Vá e busque ajuda.

– Não! Eu não vou deixar vocês aqui, eu não... – parou de falar quando viu a cena deplorável atrás de si: um Greymon e uma Togemon caídos no chão, tentando reagir contra a forte inimiga; a maioria dos seus amigos presos e acorrentados; sua melhor amiga, gritando por sua parceira, que recebia inúmeros golpes do demônio.

E, a sua frente, uma ave vermelha a esperando para alçar voo.

– Sora, todos já foram pegos – lágrimas caíam do rosto da Amizade, que estava manchado de poeira. – Por favor.

Não conseguia raciocinar em meio aos gritos, os rosnados, os grunhidos e os inúmeros ataques lançados pelos outros digimons. Não conseguia pensar no que fazer. Não sabia se deveria, ou...

– BIRDRAMON! – gritou, repentinamente.

Sua parceira começou a bater as asas e ela pulou, agarrando-se a uma de suas patas, seguindo, nessa mesma posição, em direção ao enorme buraco aberto por Greymon na parede do castelo.

O demônio tentou impedir, mas a ave fora mais rápida que seu encantamento.

Partiu com a imagem de Yamato ajoelhando no chão e Lilithmon a amaldiçoando por ter conseguido fugir.

E berrando um desesperado “eu prometo que voltarei”.

(...)

***

A ruiva piscou e desviou o olhar para baixo — para a água, a terra seca e as árvores mortas, enquanto Birdramon lutava para sair da Área Negra o mais rápido possível. Em qualquer lugar que olhasse, tudo o que podia ver era a escuridão, e tudo o que podia sentir era a tristeza. A raiva. E ela não gostava disso.

Sabia que todos estavam cansados, presos em um lugar sujo e sombrio, sem esperanças de sair. E ela se lamentava por poder fazer nada.

Uma coisa era certa para a garota: ela abandonou-os em um momento em que precisavam dela.

Percebeu lágrimas aparecendo e caindo lentamente sobre suas bochechas, ainda sujas com a poeira vinda dos destroços do castelo, e, nervosa, apertou as penas vermelhas de sua parceira.

O Amor havia falhado. Havia demonstrado amor nenhum.

Sora Takenouchi então se lembrou da criança de onze anos de idade, que não entendia o significado de seu precioso brasão.

E começou, depois de anos, a sentir-se novamente sozinha.

***

– Você se arrepende?

Era um lugar frio, quente, úmido e seco ao mesmo tempo. Funcionava como uma prisão provisória, coberta por nuvens densas de tom azulado, uma grande fumaça branca e estrelas. Era como o céu. Ou o inferno, para aqueles que o mereciam.

– Eu não me arrependo de nada o que fiz.

Sentado em um trono com símbolos antigos e códigos desconhecidos por seres que, atualmente, se encontravam vivos, estava o digimon. O Deus do Julgamento e supervisor da Área Negra do mundo digital.

– Está certo, então.

Anubimon escolhia o caminho para qual os digimons mortos em batalha seguiam: o da glória ou o da perdição. Digimons redimidos e com almas puras, retornavam como DigiTamas; digimons maus e corrompidos tinham suas almas engolidas e enviadas para o Mundo das Trevas.

– Sabe – a ave de metal abriu os braços — ou melhor, asas — e sorriu orgulhoso. – As lendas dizem que só os piores são mandados pra lá.

O deus gargalhou.

– Será um pouco doloroso – levantou-se e ergueu as grandes mãos para o alto. Os anéis que tinha em torno de seu punho começaram a emitir uma forte luz, e as nuvens que cercavam o lugar, a se remexer. – AMMIT!

O demônio devorador de almas, ou, no caso, núcleos digitais, surgiu, forte e aterrorizador. E, após um último grito, gélido e rouco, Crossmon desapareceu em dados cinzentos, que seguiram caminho para o Oceano Escuro.

Como últimas palavras, o vilão caído simplesmente disse algo sobre querer lutar para sempre.

E Anubimon sentou-se novamente, esperando para jogar mais um impuro nas trevas eternas.

Notas finais
Kyuukyokutai* - Forma extrema da digievolução *para os que não sabem*. APESAR DE SER A PALAVRA MAIS ESTRANHA QUE JÁ VI, EM UMA CONVERSA ENTRE UM DIGI-HUMANO E UM DIGIMON, EU PRECISEI USAR ESSE TERMO AO INVÉS DE ‘mega’ OU ‘extremo’. ENTÃO, GOSTARAM? GENTE, POR FAVOR, NÃO ME MATEM OU COISAS ASSIM! Eu teria postado esse capítulo bem antes, mas tantas coisas me impediram de fazer isso e acabei demorando demais. E, NOSSA, SÉRIO, PEÇO DESCULPAS PELA CENA DA LUTA CONTRA A LILITHMON E TAL, PORQUE EU A ODIEI. FICOU UM LIXO! Eu a tiraria do capítulo se não fosse a parte mais importante. Vocês devem estar pensando “desde quando o Gennai anda com uma espada?” e eu respondo: desde que ele se tornou um personagem da minha fic. BRINCADEIRA, é que, como o Gennai (novo), foi inspirado em guerreiros japoneses, imagino que uma espada cairia bem para ele (assim como as bombinhas de fumaça). Eu ainda não sei se amei ou odiei esse capítulo. Acho que é algo na metade, tipo, ele me deu MUITO TRABALHO, por ter batalhas e tal, e ao mesmo tempo ficou meio sei lá. EU NÃO SEI ESCREVER BATALHAS, GENTE! Mas, ao mesmo tempo, eu gostei do resultado final. Achei que ficou bom. THIS IS THE LIFE! ESTOU AGUARDANDO COMENTÁRIOS SOBRE O PEQUENO TAKARI DO CAPÍTULO, QUE EU ACHEI SUPER FOFO, ENTÃO FALEM SOBRE ISSO NOS COMENTÁRIOS, ESCRAVOS, EU SEI QUE VOCÊS SHIPPAM! Brincadeirinha, viu, gente, MAS COMENTEM MESMO! ♥ Ah, eu preciso comentar uma coisinha: a cena da mãe do Takeru. Foi totalmente improvisada e escrita em tipo 2 segundos, então deve estar um lixo, mas eu precisava colocar algo assim, pra 1) mostrar que o tempo está passando igualmente nos dois mundos 2) mostrar quanto tempo já passou 3) mostrar o porquê da minha intenção de focar mais nos pais do Takeru/Yamato, por eles saberem tanto do Digimundo (eu suponho que eles saibam, né). QUEM AÍ FICOU CURIOSO COM O ‘NOVAMENTE’ NA MINI CENA DO GENNAI? HEIN, HEIN? Bem, isso vocês só descobriram mais tarde, bem mais tarde mesmo. Na verdade, isso foi um improviso, depois de algumas MP’s trocadas com a Maguh Tachikawa sobre algumas teorias antigas minhas, com a B Star Fic... NO SPOILERS!@! E, ah, uma coisinha, LEITORES FANTASMAS, APAREÇAM, LET ME LOVE YOU! Sério, fiquei meio (???) com o fato da fic ter tantas visualizações [*---* OBRIGADA!!!] e relativamente poucas pessoas comentarem. Não que eu esteja reclamando, mas gostaria de saber mais sobre o que vocês, leitores, estão pensando da fanfic. ♥ *Tenho a impressão de que ninguém lerá uma palavra que está aqui, então estou reescrevendo a bíblia para ninguém ler*. Entãããão, é isso. Espero que tenham aproveitado a leitura e tudo mais. ♥ BEIJINHOS! ♥♥♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.