Após sair discretamente de seu quarto, Tai caminhou até a praia do resort em busca de ar fresco. A noite estava silenciosa, com o som suave das ondas quebrando na areia e o vento frio acariciando seu rosto. Ele não conseguia dormir — algo o inquietava por dentro, uma agitação silenciosa que não o deixava em paz.

As palavras de Agumon ecoavam em sua mente como um lembrete constante. Por mais que tentasse se distrair, os pensamentos sempre voltavam, insistentes, como se pedissem uma resposta que ele ainda não sabia dar.

Sentou-se na areia úmida, abraçando os joelhos, e deixou o olhar se perder no horizonte escuro. Ali, sozinho sob o céu estrelado, Tai se rendeu à confusão que carregava no peito. Começou a conversar consigo mesmo em voz baixa, como se tentasse organizar o que sentia.


Tai: Por que isso me afeta tanto? — Murmurou. — Eu tenho tudo... amigos incríveis, minha família, Agumon..., mas ainda assim, parece que falta algo.


Ele respirou fundo, tentando encontrar coragem dentro de si. A noite não lhe oferecia respostas, mas oferecia espaço. Espaço para pensar, para sentir, para aceitar que talvez estivesse diante de algo maior do que ele esperava — algo que não se resolve com lógica, mas com o coração.


Tai: Droga... — Disse, com a voz embargada. — Eu vim para cá tão bem, achando que ia conseguir esquecer tudo isso. E do nada, tudo volta. Bastou o Agumon tocar no assunto para bagunçar minha cabeça de novo.


Ele se sentou na areia, abraçando os joelhos, tentando conter a avalanche de pensamentos que o invadia.


P.O.V Tai


— Por que aqui? Por que agora? Eu tentei guardar esses sentimentos, esconder, fingir que não existiam... mas parece que quanto mais eu fujo, mais eles me perseguem. Talvez o único jeito seja colocar tudo para fora antes que eu enlouqueça.

O vento soprava forte, mas não o suficiente para acalmar o que ele sentia. Seus olhos se fixaram no horizonte, e ele começou a refletir em voz baixa.

— Isso começou lá atrás... ainda no Digimundo. Sempre fui próximo da Sora, minha melhor amiga. Salvei ela tantas vezes, assim como salvei os outros. Mas com ela... sempre foi diferente. A gente cresceu juntos, jogamos bola, estudamos lado a lado. Teve uma vez que dei uma presilha de cabelo de presente de aniversário. Era simples, eu não tinha muito dinheiro... e ela ainda brigou comigo porque não gostou muito. Vai entender...

Ele riu de leve, mas logo o sorriso se desfez.

— Com o tempo, comecei a perceber que gostava dela. Não só como amiga. Eu fazia de tudo para agradar, para estar por perto. E acho que ela percebeu... principalmente depois daquele beijo no rosto, que quase foi na boca. Ela ficou tão sem graça... e eu também.

Tai fechou os olhos, lembrando de um dos momentos que mais o marcou.

— Depois de muito tempo, o Matt fez um show com a banda dele. Eu e o Agumon fomos até o camarim para cumprimentar. Quando cheguei na porta... lá estava a Sora. Com um presente nas mãos. Ela ficou surpresa ao me ver, parecia não esperar por mim ali. Perguntei o que era o presente... ela ficou envergonhada, mas a Piyomon disse que era para o Matt.

Ele engoliu seco, sentindo o mesmo aperto no peito que sentiu naquele dia.

— Naquele momento... meu coração se despedaçou. Fiquei paralisado, sem reação. O Agumon teve que me chamar várias vezes até eu voltar a mim. E o que eu fiz? Disse para ela entrar, que ele devia estar esperando. Por que eu disse aquilo? Por que apoiei ela? Eu devia ter lutado por ela... não ter entregado ela para o meu amigo.

Tai abaixou a cabeça, a voz agora mais baixa e carregada de arrependimento.

— Depois disso, me afastei. Não queria sofrer mais. Acho que ela e o Matt ficaram juntos... quem deve saber disso é a Mimi, já que é a melhor amiga dela. A Kari provavelmente não sabe, senão teria me contado. E se a Sora não contou pra Kari, talvez seja porque sabe que eu ainda gosto dela.

Ele suspirou fundo.

— O problema é que eu nunca fui claro. Nunca disse o que sinto. Nunca olhei nos olhos dela e falei. O Agumon tinha razão... eu deveria dizer antes que seja tarde demais. Mas tenho medo. Medo de ela não sentir o mesmo. Medo de perder a amizade dela. E isso... isso me destruiria.

Tai olhou para o céu, como se buscasse forças.

— O pior é que eu nem sei o que ela pensa de mim. Será que ela me vê só como amigo? Será que ela já percebeu tudo isso? É tudo tão confuso...

Ele tocou no colar que carregava com o brasão da coragem.

— Às vezes eu acho que esse brasão não é meu. Como posso ter coragem para enfrentar batalhas, mas não para dizer o que sinto? Eu só queria que ele brilhasse agora... e me desse coragem pra fazer isso...


Quarto da Sora



Piyomon observava a Sora enquanto ela se arrumava em silêncio, com movimentos mais lentos do que o habitual. A luz suave do quarto iluminava o rosto pensativo da garota.


Piyomon: Sora... você parece diferente hoje. Aconteceu alguma coisa?

Sora: Não, está tudo bem. Só... não consigo dormir. Minha cabeça está cheia.

Piyomon: Mas você correu tanto para organizar tudo para essa viagem. Era para estar exausta. Você praticamente cuidou de cada detalhe.

Sora: Eu sei. E eu estou cansada, mas não é físico... é aqui dentro. — Disse, tocando levemente o peito. — Acho que preciso respirar um pouco, clarear a mente. Vou dar uma volta pelo resort, ver se o ar fresco me ajuda.

Piyomon: Quer que eu vá com você?

Sora: Não precisa. Você já fez muito hoje. Descansa, tá? Eu não vou demorar.

Piyomon: Tá bom... mas se precisar de mim, estarei aqui. Boa noite, Sora.

Sora: Boa noite, minha amiga. — Disse com carinho, dando um beijo suave na testa da parceira antes de sair.


Sora caminhava lentamente pelos jardins do resort, envolta pela brisa suave da noite. Seus passos eram leves, mas sua mente estava pesada. Ela olhava para o céu estrelado, tentando encontrar alguma resposta entre as constelações, e começou a falar consigo mesma em voz baixa, como se precisasse ouvir seus próprios pensamentos para entendê-los.


P.O.V Sora


— Eu não sei o que está acontecendo comigo... — murmurou. — Esse sentimento voltou, como se tivesse despertado de um sono longo. Eu achei que tinha superado, que era só uma fase..., mas não. Ele voltou. E mais forte.

Ela parou diante de uma fonte iluminada, observando o reflexo da água.

— Eu e o Tai somos amigos desde que éramos crianças. Antes mesmo de irmos ao Digimundo pela primeira vez, já éramos inseparáveis. Jogávamos bola juntos, estudávamos na mesma sala... ele sempre esteve por perto. E com o tempo, eu comecei a sentir algo a mais. Algo que não era só amizade.

Sora suspirou, lembrando de um momento específico.

— No meu aniversário, ele me deu uma presilha de cabelo. Eu fui tão dura... não gostei do presente e acabei discutindo com ele. Mas depois, ele me mandou um e-mail pedindo desculpas. E no final... estava escrito “Com amor, Tai Kamiya”. Aquilo me paralisou. Eu fiquei olhando para a tela sem acreditar. Tantos garotos bonitos por aí, e eu... apaixonada pelo mais distraído e atrapalhado de todos.

Ela sorriu de leve, com um toque de carinho na voz.

— Guardei isso por muito tempo. Achei que era melhor manter em segredo. Mas agora... agora eu não consigo mais esconder. Quando estou perto dele, fico sem jeito, nervosa. E acho que ele percebe.

Sora caminhou mais um pouco, lembrando dos últimos dias.

— Desde que cheguei aqui, ele não para de me olhar. E antes da viagem, quando fomos ao shopping... na volta, ele me deixou na porta de casa. E me deu um beijo no rosto. Tai nunca fez isso antes. Ainda mais comigo. Foi tão fofo... eu adorei aquele momento. Me senti especial.

Ela parou, respirou fundo e olhou para o horizonte.

— Acho que está na hora de falar com ele. Vai ser mais fácil do que continuar fingindo. E eu tenho quase certeza de que ele também gosta de mim. Só preciso encontrar coragem.

Sora olhou para trás, pensando em Piyomon.

— Melhor eu não demorar. Se ela acordar e não me encontrar, vai sair me procurando pelo resort. Vou dar só uma volta rápida... só para organizar o coração.


Sora caminhava lentamente pelos caminhos iluminados do resort, envolta por uma noite fria e silenciosa. O vento cortava com suavidade, mas constante, e ela se mantinha aquecida sob um casaco grosso que cobria seu corpo por completo. Mesmo assim, o frio parecia vir de dentro — não da pele, mas do coração inquieto.

Enquanto seguia por uma trilha que levava ao jardim externo, um som sutil chamou sua atenção. Era uma voz. Familiar. Ela parou, tentando identificar de onde vinha. A curiosidade a fez dar alguns passos cautelosos, aproximando-se de uma área mais isolada, onde as luzes eram mais suaves e o silêncio mais profundo.

A voz ficou mais clara. Era o Tai.

Ele estava sozinho, parado diante da praia, olhando para o mar escuro. Sora se escondeu discretamente atrás de uma coluna de pedra, sem querer interromper. Observou em silêncio enquanto ele falava consigo mesmo, sem perceber que estava sendo ouvido. Até que ela toma uma decisão e...


...Tai: Acho que estou com o brasão errado, porque não tenho coragem de chegar na pessoa que eu gosto de dizer o que eu sinto, expor meus sentimentos para ela. Só acho que meu brasão deveria brilhar e me dar coragem para fazer isso...


Sora: Fazer o que Tai? – Disse se chegando de repente perto dele.

Tai: Sora? — Disse, virando-se surpreso. — Você me assustou... não esperava ver ninguém aqui a essa hora.

Sora: Percebi. Sua expressão entregou tudo.

Tai: É.… você me pegou desprevenido. O que está fazendo fora do quarto tão tarde?

Sora: Não consegui dormir. A cabeça está cheia, sabe?

Tai: Engraçado... comigo está igual. Justo hoje, que era para a gente descansar depois de um dia tão cheio.

Sora: Pois é. E esse frio não ajuda muito. Como você está aguentando aqui fora sem congelar?

Tai: Acho que o ar fresco me ajuda a pensar. Mas se o frio está incomodando... que tal a gente ir tomar um chocolate quente? Deve estar quentinho na cafeteria.

Sora: Boa ideia. Acho que vai aquecer mais do que só o corpo.

Tai: Então vamos. Quem sabe a conversa também ajude a acalmar a mente.

Sora: Sim, verdade.


Tai e Sora caminharam juntos até a cafeteria do resort, onde pediram dois chocolates quentes fumegantes. A noite estava fria, mas o aroma doce e o calor das bebidas traziam conforto. Logo encontraram um espaço coberto, com poltronas acolhedoras e uma vista tranquila para o jardim iluminado. Sentaram-se lado a lado, protegidos do vento, e começaram a conversar.


Tai: Pronto. Acho que o frio já não é mais problema. — Disse, soprando a bebida antes de tomar o primeiro gole.

Sora: Concordo. — Respondeu com um sorriso leve. — Mas me diz uma coisa... quando eu cheguei lá fora, ouvi você falando sozinho. Algo sobre não ter coragem para alguma coisa. O que era?

Tai: Ah... nada demais. Só pensamentos soltos. Não precisa se preocupar com isso.

Sora: Hum... está bom. — Disse, desconfiada, mas respeitando o silêncio dele.

Tai: Na verdade... tem uma coisa que eu queria te perguntar. É uma dúvida que carrego faz tempo.

Sora: Pode perguntar, Tai. Estou ouvindo.

Tai: É que... — ele hesitou, mexendo na caneca como se buscasse coragem no fundo do chocolate. — Eu não sei bem como dizer isso...

Sora: Tai... vai falar ou vai ficar enrolando até o chocolate esfriar?

Tai: Tá, tá... — Disse, respirando fundo. — Você e o Matt.… chegaram a ficar juntos?

Sora: Eu e o Matt? — Perguntou surpresa. — Por que essa pergunta agora?

Tai: É que... naquela vez, no show da banda dele... eu te vi parada na porta do camarim com um presente nas mãos. Parecia algo especial. E quando a Piyomon disse que era para ele... eu fiquei com aquilo na cabeça.

Sora: Ah... agora entendi. — Disse, olhando para a caneca. — Naquela época, eu estava gostando dele, sim. Foi uma fase. Comprei o presente, pensei em dizer algo..., mas não aconteceu nada. A gente nunca ficou. Não passou disso.

Tai: Entendi... — Respondeu, visivelmente aliviado, soltando um suspiro discreto. — E hoje? Tem alguém que você goste?

Sora: Tenho. — Disse quase sussurrando, com um brilho tímido nos olhos.

Tai: Ah... — murmurou, sentindo o coração acelerar. — Posso saber quem é?


Sora apenas sorriu, desviando o olhar para o jardim, deixando no ar uma resposta que Tai começava a entender sem precisar ouvir.

Naquele instante, Tai parou de beber seu chocolate quente. A caneca tremia levemente em suas mãos. Seu coração disparava, como se cada batida fosse um aviso de que algo importante estava prestes a acontecer.


Tai:

Sora: Até hoje... eu nunca tive coragem de dizer isso para a pessoa que eu gosto.

Tai: Quem é essa pessoa, Sora? — Disse com a voz trêmula, tentando manter a calma.

Sora: Você conhece ela.

Tai: Eu conheço? — Perguntou, já sentindo o nervosismo crescer.

Sora: Sim.

Tai: É o Joe?

Sora: Não.

Tai: Então... o Izzy?

Sora: Também não. O Izzy é só um amigo.

Tai: O Matt você já disse que não é.… então só pode ser o Willis.

Sora: Willis? — Riu de leve. — Não, Tai. Você também errou.

Tai: Então fala logo... porque eu realmente não sei quem é.

Sora: Eu achei que nunca ia dizer isso. Nem as meninas sabem. Mas... é você, Tai. — Respirou fundo, olhando nos olhos dele

Tai: O quê?! — Disse, completamente surpreso. — S-Sora... E-eu... C-como assim?

Sora: Isso mesmo. É você. Faz muito tempo que eu queria te contar. Só não sabia como.

Tai: Eu... eu não estou acreditando. — Disse, com os olhos arregalados e o coração acelerado. — Para ser sincero... antes de você chegar, eu estava falando de você. Quando disse que não tinha coragem... era sobre isso. Sobre te dizer o que eu sinto. O Agumon até me incentivou, disse que eu devia falar. Mas eu tinha medo... medo de perder sua amizade.

Sora: Tai... para de ser bobo. Eu sempre soube que você gostava de mim. Quem faria tudo o que você fez por mim se não fosse por amor? E agora... conseguimos tirar esse peso enorme das nossas costas.


Tai e Sora se encaravam em silêncio, como se o tempo tivesse desacelerado só para eles. O brilho suave das luzes do resort refletia nos olhos de ambos, revelando sentimentos que palavras ainda não tinham conseguido expressar. A tensão era doce, carregada de expectativa e carinho.

Pouco a pouco, eles começaram a se aproximar. Nenhum dos dois dizia nada, mas os olhares falavam por si. Os rostos estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. O coração de Tai batia acelerado, e o de Sora parecia acompanhar o mesmo ritmo.

Num impulso suave, Tai envolveu a Sora com os braços e a puxou delicadamente para perto. Seus lábios se tocaram com leveza, como se estivessem descobrindo um segredo guardado há muito tempo. O beijo começou lento, terno, mas logo ganhou intensidade — não pela pressa, mas pela profundidade do sentimento.

Era um beijo carregado de tudo o que foi calado por anos: amizade, desejo, carinho, saudade, e finalmente, amor. Eles se entregaram ao momento, como se o mundo ao redor tivesse desaparecido. Nenhum dos dois queria se afastar. Era como se aquele beijo fosse a realização de algo que sempre esteve ali, esperando para acontecer.

Ao final, Tai encostou a testa na dela e a envolveu num abraço apertado, como se quisesse protegê-la do frio e do mundo.


Sora: Que beijo delicioso...

Tai: Literalmente. — Disse sorrindo. — Ainda mais depois daquele chocolate quente.

Sora: É verdade. Mas o chocolate só deu um toque a mais... seu beijo é perfeito, sabia?

Tai: Que nada... o seu que é. Sora, essa é a melhor noite da minha vida.

Sora: Esse sorriso no seu rosto... é tão lindo, Tai.

Tai: E os seus olhos castanhos... eu me perco neles. São irresistíveis... assim como você.

Sora: Tai... me desculpa.

Tai: Pelo quê?

Sora: Por ter demorado tanto. Se eu fosse mais sincera, como a Mimi, e não tivesse escondido isso de você... talvez estivéssemos juntos há muito tempo.

Tai: Não se culpa, Sora. Tudo tem sua hora certa. E essa... é a nossa.

Sora: Obrigada por entender, Tai.

Tai: Acho melhor esse segredo ficar só entre nós por enquanto. Quando for o momento certo, a gente conta para os outros. O que você acha?

Sora: Por mim, tudo bem.


Eles se olharam mais uma vez, e como se fossem atraídos por uma força invisível, seus lábios se encontraram novamente. O beijo dessa vez foi ainda mais carinhoso, mais íntimo. Seus corpos se uniram num abraço acolhedor, como se finalmente tivessem encontrado o lugar certo — um no outro.


Sora: Acho que já está bem tarde... melhor eu voltar antes que a Piyomon perceba minha ausência e fique preocupada.

Tai: Relaxa, ainda deve ser cedo.

Sora: Cedo? — Disse rindo suavemente enquanto olhava para o visor do seu Digivice. — São três e meia da manhã, Tai.

Tai: É que... quando estou com você, o tempo simplesmente voa. Nem percebo as horas passando.

Sora: Eu também sinto isso. Mas é melhor a gente ir. Vai que alguém nota nossa falta e sai procurando... não quero causar alarde.

Tai: Você sempre pensando nos outros.

Sora: Claro que sim. Principalmente em você.

Tai: Isso é tão bonito da sua parte... tá bom, vamos. Te acompanho até seu quarto.


Tai caminhou ao lado da Sora pelos corredores silenciosos do resort. A luz suave iluminava o caminho, e o clima entre eles era leve, envolto por tudo o que haviam compartilhado naquela noite. Ao chegar à porta do quarto dela, Tai parou, olhou nos olhos da Sora e, com delicadeza, se aproximou para um beijo de boa noite — suave, terno, cheio de significado.

Sora sorriu, tocando levemente a mão dele antes de entrar.

Naquela noite, enquanto o resort dormia, os dois ficaram acordados em seus respectivos quartos, com o coração aquecido e a mente repleta de lembranças. Pensavam um no outro, revivendo cada olhar, cada palavra e, principalmente, o momento em que finalmente se permitiram sentir.