Digimon Adventure - Uma aventura de amor.
17 Foi por acaso...
Tai havia seguido para a piscina, onde os outros já se divertiam, enquanto Matt preferiu ir até o quarto para descansar um pouco antes de se juntar ao grupo. No caminho, porém, decidiu parar em um dos pontos mais bonitos do resort.
Ali, diante da vista deslumbrante de um dia ensolarado, Matt ficou alguns minutos admirando o horizonte. A brisa suave batia em seu rosto e o som distante das ondas trazia uma sensação de paz. Ele refletia sobre a conversa que tivera com Tai, ainda pensando nas palavras que havia dito e no peso daquela revelação.
Enquanto estava perdido em seus pensamentos, Meiko e Catherine, que caminhavam pelo resort, avistaram Matt sozinho no mirante. As duas trocaram olhares cúmplices e decidiram se aproximar, imaginando que seria uma boa oportunidade para conversar com ele.
Catherine: Meiko, olha só... aquele ali não é o Matt? — Disse apontando discretamente.
Meiko: É ele mesmo. Estranho, está sozinho... normalmente o Gabumon ou o T.K. estão por perto.
Catherine: Melhor ainda! Vamos lá falar com ele.
Meiko: Agora? Precisa ser nesse momento? — Respondeu meio nervosa.
Catherine: Claro que sim! Essa é a hora perfeita para você agradecer pelo que ele fez ontem na festa, mocinha.
Meiko: Você tem razão... — Disse respirando fundo. — Tá bom, vamos lá.
As duas seguiram em direção ao mirante, enquanto Meiko tentava disfarçar o nervosismo, ajeitando o cabelo e pensando em como começaria a conversa. Catherine, por sua vez, sorria animada, como quem sabia que estava prestes a assistir uma cena interessante. As duas estavam de biquíni, mas usavam cangas coloridas e bem trabalhadas, enroladas sobre seus corpos. O tecido leve balançava suavemente com a brisa, destacando ainda mais a beleza e elegância das duas, que chamavam atenção pela forma descontraída e charmosa com que caminhavam pelo resort.
Catherine: Olá, Matt! Milagre te ver sozinho por aqui.
Matt: Oi, Catherine... oi, Meiko. Pois é, decidi parar um pouco, pensar na vida e aproveitar o ar fresco.
Catherine: Que bom! Mas você não vai nadar com a gente?
Matt: Vou sim, mais tarde. Eu estava indo pro quarto, mas acabei ficando aqui. Aliás... vocês estão lindas com essas cangas e biquínis.
Catherine: Obrigada, fico feliz que tenha notado.
Meiko: Obrigada também... confesso que fiquei com vergonha, mas resolvi usar biquíni dessa vez.
Catherine: Depois de muita insistência minha, ela finalmente aceitou colocar.
Matt: Ah, entendi. — Disse com um sorriso simpático.
Catherine: Bom, vamos indo, Meiko. A Mimi está esperando por nós lá na piscina.
Meiko: Pode ir na frente, Catherine. Eu preciso conversar com o Matt um pouquinho.
Catherine: Tudo bem, então. Te espero lá na piscina. Tchau! — Disse, saindo animada.
Meiko: Até já.
Matt: Tchau! Então, Meiko... o que você queria falar comigo?
Meiko: Bom... queria conversar com você.
Matt: Ótimo. Vamos ali nos banquinhos, porque ficar em pé não é muito confortável, né?
Meiko: Verdade, ali é um ótimo lugar.
Os dois caminharam juntos até os bancos próximos ao mirante, enquanto a brisa leve deixava o momento ainda mais especial.
Matt: Bom, estou aqui... pode falar. — Disse após se sentar.
Meiko: Certo! Eu queria agradecer pelo que você fez por mim ontem na festa.
Matt: Que isso, não foi nada. Não precisa agradecer.
Meiko: Claro que precisa. Se não fosse você, eu não sei o que teria acontecido comigo. — Disse abaixando a cabeça, envergonhada.
Matt: É a primeira vez que te vejo de biquíni... você está realmente muito bonita.
Meiko: Obrigada. — Respondeu, corando levemente.
Matt: Mas me diz... o que deu em você pra beber daquele jeito e acabar tão bêbada?
Meiko: Ah... a bebida era doce, parecia inofensiva. Achei que não faria mal. Mas exagerei. Você sabe que eu sou tímida em festas... só queria ser um pouco como a Mimi.
Matt: Como a Mimi? — Perguntou confuso.
Meiko: Sim! Ela tem esse jeito alegre, espontâneo, faz tudo sem medo. Eu queria ser um pouco mais descolada na frente de todos. Acho que esse foi o principal motivo de ter ido à festa... mas acabou dando tudo errado.
Matt: Meiko, você não precisa beber pra ser igual a ninguém. Cada pessoa tem seu jeito. Não adianta eu querer ser igual ao Tai ou ao Joe, nem você querer ser igual à Mimi. Isso nunca dá certo. O que importa é a sua própria personalidade. — Disse, olhando nos olhos dela com firmeza.
Meiko ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo as palavras de Matt. A brisa leve balançava sua canga, e ela sentiu o coração acelerar diante da sinceridade dele.
Meiko: Mas como vou ter uma personalidade bacana se sou meio desastrada e estabanada?
Matt: Justamente isso faz parte de quem você é. A personalidade da gente é o que nos define.
Meiko: Entendo...
Matt: Desculpa se falei algo que você não gostou.
Meiko: Não precisa pedir desculpas. Eu que dei trabalho pra você na festa. Em vez de se divertir, você ficou cuidando de uma bêbada descontrolada.
Matt: Que isso! A festa foi ótima, mas eu fiz o que era certo.
Meiko: Falando nisso... você ou os meninos ficaram com alguma garota na festa?
Matt: Eu, particularmente, não. Agora, os outros eu não sei.
Meiko: Mas por quê? Achei que você fosse o mais pegador da turma.
Matt: Eu, pegador? Claro que não. Sempre fui o mais tranquilo. — Disse sorrindo.
Meiko: Mas eu soube que, quando você tocava na banda, sempre tinha várias meninas ao seu lado.
Matt: Isso é verdade, mas não rolava nada. Eram só fãs. Os outros caras da banda é que se envolviam.
Meiko: Eu também ouvi que a Sora gostava de você.
Matt: Sim, percebi isso. Mas eu sempre vi a Sora como amiga. Teve até uma vez que ela apareceu na porta do camarim com um presente pra mim... mas não passou disso. Acho que ela percebeu que não ia dar em nada e desistiu.
Meiko: Então vocês nunca ficaram?
Matt: Não, só amizade mesmo. Mas me fala de você... já namorou alguma vez?
Meiko: Bem... é meio vergonhoso, mas vou contar. Eu nunca namorei. E também nunca fiquei com ninguém.
Matt: Sério? Foi por causa da timidez?
Meiko: Não exatamente. Uma vez, eu e meus amigos estávamos brincando de jogo da garrafa. Acho que você já brincou disso.
Matt: Já sim.
Meiko: Então... meu desafio era dar um beijo em um menino aleatório da roda. Eu não queria, porque nunca tinha beijado ninguém. Aí falei que ia dar um beijo no rosto. Mas na hora, ele virou o rosto e pegou na boca. Foi só um selinho rápido, mas eu fiquei morrendo de vergonha. Depois disso, nunca mais tive contato próximo com alguém.
Matt: Ah, então foi tudo por brincadeira.
Meiko: Sim. Mas como sabia que um dia iria namorar e não queria passar mais vergonha, comecei a ver filmes e novelas com cenas de beijo, pra aprender como era.
Matt: Sério? Eu também fazia isso quando era criança, mas escondido dos meus pais. Eu tinha só sete anos.
Meiko: Pois é... desde então só sei o básico. Nunca tive experiência real.
Matt: Entendo como você se sente. Mas olha... que tal um milk-shake pra aliviar esse clima?
Meiko: Claro! Onde tem? Eu vou lá comprar pra gente.
Matt: Ali na frente tem uma sorveteria. Se quiser ir, eu fico aqui te esperando.
Meiko: Tudo bem, eu vou lá.
Matt: Coloca na conta do meu quarto.
Meiko: Certo. — Disse, levantando-se e saindo em direção à sorveteria.
Meiko caminhou até a sorveteria, enquanto Matt permanecia sentado, observando-a de longe. Havia algo no jeito dela — delicado, mas ao mesmo tempo espontâneo — que o deixava cada vez mais atraído. Ele não conseguia evitar o pensamento: “Será que ela sente o mesmo por mim? ”
Diferente da noite anterior, Meiko parecia mais solta, menos tímida ao lado dele. Comprou dois milk-shakes e, sorridente, começou a voltar em direção ao mirante onde Matt a esperava.
No entanto, distraída com seus próprios pensamentos, não percebeu um pequeno degrau no caminho. Ao se aproximar de Matt, tropeçou e caiu direto sobre ele. Surpreso, Matt a segurou firme para evitar que se machucasse.
O impacto os deixou próximos demais. Seus rostos se colaram por alguns segundos, e a primeira coisa que sentiram foi o toque suave de seus narizes. Meiko, sem reação, apenas deixou o momento acontecer. Matt, por sua vez, percebeu que aquela era a oportunidade perfeita.
A proximidade fez com que ambos fechassem os olhos, e seus lábios se encontraram. O beijo começou tímido, meio desajeitado, mas Meiko decidiu se entregar. Lembrou-se das cenas de filmes e novelas que havia assistido e, aos poucos, o beijo ganhou intensidade. Ela largou os milk-shakes ao lado e envolveu Matt em um abraço, enquanto suas bocas se moviam em perfeita sintonia.
Matt, tomado pela emoção, colocou a mão em sua cintura e a puxou ainda mais para perto, tornando o beijo firme e apaixonado. O tempo pareceu parar.
Após alguns segundos, os dois se separaram apenas pela falta de ar. Ficaram se encarando, os olhos brilhando e os sorrisos surgindo naturalmente, como se aquele instante tivesse revelado algo que ambos já sentiam há muito tempo.
Meiko voltou a se sentar ao lado de Matt, ainda com o coração acelerado. O silêncio entre eles não era desconfortável, pelo contrário: parecia carregado de significado. Os dois se encaravam, como se estivessem tentando decifrar o que aquele momento realmente representava. Matt, com um sorriso suave, passou a mão delicadamente pelo cabelo dela, afastando uma mecha que caía sobre o rosto.
Matt: Você não faz ideia do quanto eu queria que isso acontecesse... — Disse em voz baixa, quase como um segredo.
Meiko sentiu o rosto corar, mas não desviou o olhar.
Meiko: Eu também... só não sabia se teria coragem.
O vento leve trouxe um frescor à cena, e por um instante parecia que o mundo havia parado só para eles. Meiko apoiou a mão sobre o braço de Matt, buscando segurança naquele toque.
Matt: Não precisa ter medo. Eu gosto de você exatamente do jeito que é... tímida, desastrada, mas verdadeira.
Meiko sorriu, emocionada, e respondeu com sinceridade:
Meiko: Você não imagina o quanto isso significa pra mim.
Eles ficaram ali, lado a lado, aproveitando a proximidade. O milk-shake esquecido ao lado parecia irrelevante diante da intensidade daquele instante. Matt segurou a mão dela, entrelaçando os dedos, e ambos permaneceram em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro.
Matt: E então... o que achou do seu primeiro beijo? — Perguntou com um sorriso suave, ainda segurando a mão dela.
Meiko: Foi maravilhoso... nunca senti nada parecido antes. Mas com você... foi simplesmente sensacional.
Matt: Fico feliz que tenha gostado. Foi meio inesperado, quase por acaso... mas eu não consegui evitar.
Meiko: Eu não gostei... eu amei! Foi diferente, mas perfeito.
Matt: Confesso que achei que você iria recusar... na verdade, nem esperava que fosse acontecer.
Meiko: Eu também não esperava. Mas quando aconteceu, foi tão certo... não tinha como não deixar rolar.
Matt: Bom saber... porque isso significa que podemos repetir. — Disse, aproximando-se novamente.
Meiko: Vamos sim. — Respondeu com um sorriso tímido, antes de se inclinar e voltar a beijá-lo com mais confiança.
O segundo beijo veio mais natural, mais intenso. Meiko já não tinha medo, e Matt a envolveu com carinho, como se quisesse prolongar aquele instante para sempre.
Continua...
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