Digimon Adventure - Uma aventura de amor.
13 A Festa - Parte 3
Meiko e Catherine chegaram ao bar e pediram uma bebida tropical. O sabor era doce e agradável, mas todos sabiam que, se exagerassem, poderiam acabar ficando um pouco mais alteradas, já que era mais forte que os drinks comuns. Meiko segurava o copo, respirando fundo, se preparando para ganhar coragem e se aproximar de Matt. Enquanto isso, na pista, Matt e Izzy dançavam juntos, rindo e se divertindo com seus próprios drinks.
Izzy: Matt, fala sério... essa noite está perfeita para a gente se aproximar de alguma garota, não acha?
Matt: Concordo que a noite está ótima, mas olhando em volta... nenhuma delas me chama atenção de verdade agora.
Izzy: Mas não precisa ser nada sério, só uma ficada.
Matt: Ah, Izzy... você me conhece. Não consigo ficar com alguém só por ficar. Para mim tem que rolar um clima, uma conexão. É bem melhor assim, entende?
Izzy: Entendo sim. Mas e a Sora?
Matt: A Sora não... ela já demonstrou que gostava de mim antes, mas eu não sentia o mesmo. Acho que acabei magoando sem querer.
Izzy: É.… faz sentido. Mas olha, talvez eu esteja ficando meio tonto com essa bebida, ou até vendo coisa...
Matt: Vendo coisa? Que tipo de coisa, Izzy?
Izzy: A Meiko. Ela não para de olhar para você. Se não estou enganado, acho que ela pode estar interessada.
Matt: A Meiko? Interessada em mim? Acho que você está exagerando. Um olhar não significa nada. Ela poderia estar olhando para o Tai, para o Joe, para o T.K.… até para você.
Izzy: Não, Matt. Esse olhar não é qualquer olhar. É diferente. Se ela realmente estiver afim de você...
Matt: Olha, a Meiko é uma garota interessante, bonita e inteligente. Se fosse para acontecer algo, eu não veria problema. Mas ela é muito tímida... não sei se teria coragem de se aproximar.
Izzy: Talvez você esteja certo. Mas... e se ela surpreender?
Matt ficou pensativo por alguns segundos, olhando em direção ao bar, onde Meiko segurava seu drink com nervosismo.
**
Meiko já havia tomado várias taças da nova bebida azul. O sabor doce mascarava a força do drink, e sem perceber, ela acabou exagerando. Após quatro taças cheias, já estava levemente tonta, embora não admitisse. Mal sabia que isso poderia complicar as coisas...
Meiko: Estou pronta! Vou lá falar com ele, quem sabe não dá certo.
Catherine: Calma, Meiko. A ideia era você tomar duas taças, mas você já tomou quatro. Vai devagar, você está meio tonta.
Meiko: Eu, tonta? Hahaha, claro que não, amiga! — Disse com a voz alterada pelo efeito da bebida. — Vou pegar mais uma taça azul e vou dançando até ele.
Catherine: Só cuidado... se você exagerar pode acabar dando vexame. Em vez de conquistar o Matt, pode assustá-lo.
Meiko: Relaxa, tá tudo sob controle! — Disse, saindo levemente cambaleante em direção à pista.
Meiko caminhava em direção a Matt, escorando discretamente nos pilares do salão. O foco dela era apenas ele, e nada mais parecia importar. Enquanto isso, Izzy e Matt conversavam e observavam a movimentação.
Izzy: Ei, Matt.… não é a Meiko vindo ali?
Matt: Sim, parece que é ela mesmo.
Izzy: Olha só... a gente acabou de falar dela e agora ela está vindo direto pra cá. Cara, sua chance pode ser agora.
Matt: Não sei... você não acha que ela está um pouco diferente?
Izzy: Acho que sim. Parece que ela bebeu além da conta.
Matt: É.… alguém claramente passou dos limites.
**
Tai: Joe! Aquela que está andando de um lado para o outro... não é a Meiko?
Joe: É ela sim. Mas olha, do jeito que está, parece que bebeu mais que o suficiente.
T.K: “Parece”? Eu tenho certeza! Olha só, ela está andando como se estivesse num jogo de dança, só que sem música.
Tai: E essa bebida azul que ela está segurando?
Joe: Ah, essa é a famosa Céu Azul. Bem docinha, parece inocente... mas engana mais que prova surpresa na escola.
Tai: Agora tudo faz sentido. Se continuar nesse ritmo, a única coisa que a Meiko vai ver hoje são estrelas rodando em volta da cabeça.
T.K: Verdade, Tai. — Disse rindo.
Logo, as meninas chegaram animadas, mas curiosas com a cena.
Sora: Oi, rapazes! Tudo tranquilo por aqui?
Tai: Tranquilo sim... tirando a amiga de vocês ali que tá quase fazendo coreografia própria.
Mimi: Que amiga?
T.K: A Meiko. Dá uma olhada.
Mimi: Minha nossa! — Disse surpresa. — Ela está andando como se fosse modelo... só que na passarela torta.
Kari: Acho que alguém passou da conta nos drinks.
Sora: Pois é.… ela tá se escorando nos pilares como se fosse parte da dança.
Joe: Aposto que está indo falar com o Matt.
Tai: Será que ela está interessada nele?
T.K: Quem sabe? Ela combina com o jeito dele... mas do jeito que está, talvez só consiga combinar passos de dança.
Tai: É, difícil conquistar alguém quando você parece estar em câmera lenta.
Mimi: Que tal nós seis irmos pra um lugar mais calmo? Assim ficamos juntos e aproveitamos melhor.
Joe: Boa ideia! Até porque essa festa não tem graça sem vocês por perto. Né, meninas?
Tai: Isso aí, Joe. Falou tudo.
T.K: Então bora, galera.
Tai: Mas para onde?
Mimi: Para a área VIP lá em cima. É tranquila e, como temos passe VIP, vai ser só nosso espaço.
T.K: Nem sabia que tinha área VIP... então vamos nessa! — Disse, já animado. — Só espero que a Meiko não confunda a escada com pista de dança.
O grupo caiu na risada e seguiu para o andar superior, deixando a confusão da pista para trás e prontos para aproveitar a noite com mais calma.
**
Depois de irem para um lugar mais calmo, Meiko e Matt começaram a conversar. Meiko, já um pouco alterada pela bebida, falava sem perceber muito bem o que dizia.
Matt: Que bebida é essa que você está tomando? — Perguntou, curioso ao ver o copo dela.
Meiko: Ahhh... chama Lua Azul... ou Estrela Azul... sei lá, alguma coisa azul! O importante é que é azul! Você TEM que provar! — Disse, quase gritando como se fosse propaganda de TV.
Matt: Ah, não, obrigado. Vou ficar só no refrigerante mesmo.
Meiko: Me diz uma coisa, irmão do Takeru... você não tocava naquela banda de rock?
Matt: Tocava sim, mas a gente se separou faz um tempo. Cada um resolveu seguir sua carreira, e a rotina estava pesada demais. Às vezes nem dava para ensaiar direito.
Meiko: Ah, mas relaxa! Se for pra vocês voltarem, vocês voltam. Falando em música... essa que tá tocando agora é HORRÍVEL! — Disse rindo alto. — Como é que eu vou dançar com uma música dessas? Quer saber? Vou dançar assim mesmo, dane-se! Bora lá, Matt! Matt!
Matt: Acho que aqui tá bom pra mim. Você não acha melhor ficar tranquila um pouco?
Meiko: Ficar parado é chato demais... vou ali pegar mais uma bebida e já volto! — Saiu meio cambaleante até o bar, voltou com uma garrafa inteira da bebida azul e levantou como se fosse um troféu. — Pronto, voltei! Tem certeza que não quer dançar?
Matt: Já dancei bastante hoje. Vou ficar de boa aqui mesmo.
Meiko: Então eu vou sozinhaaaa! — Disse, virando a garrafa direto na boca e saindo para a pista, dançando como se estivesse num clipe de comédia.
Matt ficou olhando, meio sem acreditar, e murmurou para si mesmo:
Matt: Essa bebida azul devia vir com manual de instruções...
Meiko já estava completamente fora de controle. A bebida havia tomado conta dela, transformando sua postura tímida em uma energia desmedida e imprevisível. Matt observava de longe, preocupado, pois sabia que aquela não era a verdadeira Meiko — era apenas o efeito da bebida que a deixava assim.
Ela levantava a garrafa para o alto como se fosse um troféu, pulava e dançava sem ritmo, rindo alto e gritando de alegria. Num impulso, foi até Matt e começou a dançar na frente dele, tentando provocá-lo de forma sensual. Mas Matt permaneceu sério, sem demonstrar interesse, apenas acompanhando com olhar atento e preocupado.
Frustrada, Meiko voltou para a pista e, em um ato impensado, virou a garrafa inteira na boca. Em poucos segundos, metade do líquido desapareceu. O público ao redor olhava com espanto, enquanto ela continuava dançando de forma desordenada.
Minutos depois, o corpo já não respondia da mesma forma. Meiko estava completamente tonta, a visão turva, o chão parecia girar sob seus pés. O sorriso foi desaparecendo aos poucos, substituído por um mal-estar evidente.
Ela tentou se apoiar em uma das pilastras, mas suas forças falhavam. Escorregou lentamente até o chão, sentindo a consciência se apagar. O salão, antes cheio de luzes e música, parecia distante e embaçado.
Meiko lutava para manter os olhos abertos, tentando se erguer, mas tudo girava ao seu redor. As vozes se tornaram ecos distantes. A última coisa que conseguiu enxergar foi a silhueta de alguém se aproximando. Logo em seguida, seu corpo cedeu de vez, e ela desmaiou, inconsciente, jogada no canto do salão.
Enquanto isso, Catherine e Izzy haviam se afastado para uma área mais tranquila do salão, conversando em voz baixa. Eram os únicos do grupo que ainda permaneciam juntos, sem perceber o que estava acontecendo com Meiko a poucos metros dali.
Izzy: Catherine, o que aconteceu com a Meiko? Nunca vi ela agir daquele jeito.
Catherine: Você sabe que ela é muito tímida... mas acho que dessa vez quis impressionar alguém.
Izzy: Impressionar? Naquele estado, parece meio complicado. Como você estava com ela, não tentou evitar que bebesse tanto?
Catherine: Eu avisei, disse para ela tomar só um copo. Mas acho que a bebida acabou subindo rápido. Talvez agora esteja bem, conversando com o Matt.
Izzy: Com o Matt? É impressão minha ou ela está interessada nele?
Catherine: Acho que sim. Para ela ter coragem de se aproximar, precisa de um empurrãozinho.
Izzy: Eu não chamaria aquilo de incentivo... mas espero que dê certo.
Catherine: Verdade. Mas me fala um pouco de você.
Izzy: O que você gostaria de saber? — Disse olhando para ela com atenção.
Catherine: Está namorando ou está solteiro? Como anda sua vida amorosa?
Izzy: Nossa, foi bem direta.
Catherine: Ah, desculpa se fui demais.
Izzy: Que isso, não tem problema. No momento estou solteiro, focado no trabalho.
Catherine: Sério? Eu também estou solteira, terminei faz um tempo.
Izzy: É uma pena... uma moça bonita como você solteira.
Catherine: Obrigada pelo elogio. Você também é muito bonito.
Izzy: Não foi nada. E quanto tempo durou esse relacionamento?
Catherine: Na verdade não chegou a ser namoro, foi mais um rolo. Infelizmente não deu certo, ele estava namorando outra garota e, ao mesmo tempo, ficando comigo.
Izzy: Que situação chata... você devia gostar dele.
Catherine: Não tanto. Era só algo passageiro, não dava para criar sentimento assim.
Izzy: Entendi. O Tai comentou comigo que você estava em Odaiba.
Catherine: É mesmo? O que ele disse?
Izzy: Quando planejávamos esse passeio no resort, ele comentou que você tinha mandado mensagem para avisar.
Catherine: Ah sim, lembro! Eu mandei mesmo, queria avisar que estava no Japão. Vim para morar.
Izzy: Que bom, fico feliz por isso.
Catherine: Vim trabalhar com meu pai, na empresa que ele abriu recentemente aqui.
Izzy: Desejo muito sucesso para vocês.
Catherine: Obrigada, Izzy.
Izzy: Eu só disse a verdade. Você tem uma energia diferente, sabe? É fácil conversar com você.
Catherine: Que bom ouvir isso. Eu também sinto que conversar com você é leve, sem pressão.
Izzy: Talvez seja porque a gente se entende. Você fala de forma direta, eu gosto disso.
Catherine: E você é muito observador. Parece que sempre percebe mais do que mostra.
Izzy: Pode ser.…, mas às vezes eu guardo demais para mim.
Catherine: Então hoje é uma boa oportunidade para não guardar nada. Estamos aqui, só nós dois, num lugar tranquilo.
Izzy: Verdade. — Disse sorrindo. — É engraçado, eu não esperava que essa noite fosse me trazer uma conversa tão boa.
Catherine: Nem eu. Achei que seria só festa, música e dança... mas olha só, estamos aqui, falando de coisas que realmente importam.
Izzy: E eu estou gostando disso.
Catherine: Eu também.
Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, apenas se olhando. O barulho da festa parecia distante, como se o salão inteiro tivesse desaparecido e restasse apenas aquele momento.
Izzy: Sabe, Catherine... acho que essa noite pode ser o começo de algo diferente.
Catherine: Talvez seja mesmo. — Disse, sorrindo de forma suave.
**
Sora: Será que os outros perceberam que a gente sumiu lá de baixo? — Disse abraçada com Tai.
Kari: Acho que não. Estão todos tão animados que nem devem ter notado.
Joe: Verdade... ainda mais com a Meiko lá, dançando com o Matt.
Tai: Mas aqui é bem mais tranquilo. Dá para a gente ficar à vontade.
Mimi: Concordo totalmente, Tai.
Tai: Kari, você não exagerou na bebida, né?
Kari: Claro que não. Eu e o T.K só tomamos duas taças e depois ficamos no refrigerante.
T.K: Isso mesmo. Até porque, se a gente bebesse demais, ia acabar igual a Meiko. — Disse rindo.
Joe: Tai, me diz uma coisa... ver a Kari beijando o T.K não te incomoda?
Tai: Eu sou irmão mais velho dela, Joe. Sempre vou proteger a Kari. Mas ela está ficando com o T.K, e eu respeito isso.
Mimi: E se fosse com o Davis, você teria a mesma reação?
Tai: Pra começar, a Kari não iria ficar com ele. Mas, se acontecesse, eu pegaria pesado.
Sora: Você não confia no Davis?
Tai: Ele é uma boa pessoa, mas ainda muito infantil. Tenho medo de que acabasse magoando a Kari. Ele não pensa antes de agir, e os dois não combinam. Já o T.K vocês conhecem bem, é completamente diferente.
Sora: Entendi.
Kari: O Tai tem razão. Você lembra, Mimi, quando fomos te visitar nos Estados Unidos? O Davis não desgrudava de mim, estava sempre em cima, e isso me incomodava bastante.
T.K: É, ele tinha umas atitudes bem chatas, mas não percebia.
Joe: Verdade... pensando bem, é curioso. A gente sempre foi tão próximos como amigos, e agora estamos aqui, juntos como casais. Nunca imaginei que ficaria com a Mimi... ou que o Tai e a Sora ficariam juntos.
Sora: Mas a amizade continua. Só levamos essa conexão para outro nível.
Joe: É.… você disse tudo, Sora.
O grupo estava reunido na área VIP, mais calmo e distante da agitação da pista. As luzes eram suaves, a música chegava abafada, e isso criava um clima diferente, quase acolhedor.
Sora: É engraçado pensar... lá embaixo todo mundo está dançando, rindo, e aqui parece que o tempo passa mais devagar.
Tai: É verdade. Aqui dá para respirar, conversar... e ficar mais à vontade.
Mimi: Eu gosto disso. É como se fosse só a gente, sem ninguém olhando.
Joe: E pensar que anos atrás éramos apenas amigos, sem imaginar que estaríamos aqui, juntos como casais.
Kari: Mas ainda somos amigos, Joe. Só que agora... é como se a amizade tivesse evoluído.
T.K: Concordo. A gente cresceu, mudou, mas continuamos próximos.
Sora: E isso é raro. Muitos grupos acabam se afastando com o tempo. Nós não.
Tai: Talvez porque passamos por tanta coisa juntos. Isso cria um laço que não se quebra fácil.
Mimi: Eu sinto que, mesmo quando estamos longe, sempre vamos nos encontrar de novo.
Joe: É.… e cada reencontro parece mais especial.
Um silêncio leve tomou conta por alguns segundos. Todos se olharam, como se estivessem reconhecendo a importância daquele momento.
Kari: Sabe... eu acho que essa noite vai ficar marcada. Não só pela festa, mas pelo que estamos vivendo aqui.
T.K: Eu também acho. É como se fosse um capítulo novo para todos nós.
Sora: Um capítulo que eu espero que dure muito tempo.
Tai: Vai durar. Porque, no fim das contas, não importa onde a gente esteja... sempre vamos ter uns aos outros.
Continua...
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