Meiko e Catherine chegaram ao bar e pediram uma bebida tropical. O sabor era doce e agradável, mas todos sabiam que, se exagerassem, poderiam acabar ficando um pouco mais alteradas, já que era mais forte que os drinks comuns. Meiko segurava o copo, respirando fundo, se preparando para ganhar coragem e se aproximar de Matt. Enquanto isso, na pista, Matt e Izzy dançavam juntos, rindo e se divertindo com seus próprios drinks.


Izzy: Matt, fala sério... essa noite está perfeita para a gente se aproximar de alguma garota, não acha?

Matt: Concordo que a noite está ótima, mas olhando em volta... nenhuma delas me chama atenção de verdade agora.

Izzy: Mas não precisa ser nada sério, só uma ficada.

Matt: Ah, Izzy... você me conhece. Não consigo ficar com alguém só por ficar. Para mim tem que rolar um clima, uma conexão. É bem melhor assim, entende?

Izzy: Entendo sim. Mas e a Sora?

Matt: A Sora não... ela já demonstrou que gostava de mim antes, mas eu não sentia o mesmo. Acho que acabei magoando sem querer.

Izzy: É.… faz sentido. Mas olha, talvez eu esteja ficando meio tonto com essa bebida, ou até vendo coisa...

Matt: Vendo coisa? Que tipo de coisa, Izzy?

Izzy: A Meiko. Ela não para de olhar para você. Se não estou enganado, acho que ela pode estar interessada.

Matt: A Meiko? Interessada em mim? Acho que você está exagerando. Um olhar não significa nada. Ela poderia estar olhando para o Tai, para o Joe, para o T.K.… até para você.

Izzy: Não, Matt. Esse olhar não é qualquer olhar. É diferente. Se ela realmente estiver afim de você...

Matt: Olha, a Meiko é uma garota interessante, bonita e inteligente. Se fosse para acontecer algo, eu não veria problema. Mas ela é muito tímida... não sei se teria coragem de se aproximar.

Izzy: Talvez você esteja certo. Mas... e se ela surpreender?


Matt ficou pensativo por alguns segundos, olhando em direção ao bar, onde Meiko segurava seu drink com nervosismo.

**


Meiko já havia tomado várias taças da nova bebida azul. O sabor doce mascarava a força do drink, e sem perceber, ela acabou exagerando. Após quatro taças cheias, já estava levemente tonta, embora não admitisse. Mal sabia que isso poderia complicar as coisas...


Meiko: Estou pronta! Vou lá falar com ele, quem sabe não dá certo.

Catherine: Calma, Meiko. A ideia era você tomar duas taças, mas você já tomou quatro. Vai devagar, você está meio tonta.

Meiko: Eu, tonta? Hahaha, claro que não, amiga! — Disse com a voz alterada pelo efeito da bebida. — Vou pegar mais uma taça azul e vou dançando até ele.

Catherine: Só cuidado... se você exagerar pode acabar dando vexame. Em vez de conquistar o Matt, pode assustá-lo.

Meiko: Relaxa, tá tudo sob controle! — Disse, saindo levemente cambaleante em direção à pista.


Meiko caminhava em direção a Matt, escorando discretamente nos pilares do salão. O foco dela era apenas ele, e nada mais parecia importar. Enquanto isso, Izzy e Matt conversavam e observavam a movimentação.


Izzy: Ei, Matt.… não é a Meiko vindo ali?

Matt: Sim, parece que é ela mesmo.

Izzy: Olha só... a gente acabou de falar dela e agora ela está vindo direto pra cá. Cara, sua chance pode ser agora.

Matt: Não sei... você não acha que ela está um pouco diferente?

Izzy: Acho que sim. Parece que ela bebeu além da conta.

Matt: É.… alguém claramente passou dos limites.


**


Tai: Joe! Aquela que está andando de um lado para o outro... não é a Meiko?

Joe: É ela sim. Mas olha, do jeito que está, parece que bebeu mais que o suficiente.

T.K: “Parece”? Eu tenho certeza! Olha só, ela está andando como se estivesse num jogo de dança, só que sem música.

Tai: E essa bebida azul que ela está segurando?

Joe: Ah, essa é a famosa Céu Azul. Bem docinha, parece inocente... mas engana mais que prova surpresa na escola.

Tai: Agora tudo faz sentido. Se continuar nesse ritmo, a única coisa que a Meiko vai ver hoje são estrelas rodando em volta da cabeça.

T.K: Verdade, Tai. — Disse rindo.


Logo, as meninas chegaram animadas, mas curiosas com a cena.


Sora: Oi, rapazes! Tudo tranquilo por aqui?

Tai: Tranquilo sim... tirando a amiga de vocês ali que tá quase fazendo coreografia própria.

Mimi: Que amiga?

T.K: A Meiko. Dá uma olhada.

Mimi: Minha nossa! — Disse surpresa. — Ela está andando como se fosse modelo... só que na passarela torta.

Kari: Acho que alguém passou da conta nos drinks.

Sora: Pois é.… ela tá se escorando nos pilares como se fosse parte da dança.

Joe: Aposto que está indo falar com o Matt.

Tai: Será que ela está interessada nele?

T.K: Quem sabe? Ela combina com o jeito dele... mas do jeito que está, talvez só consiga combinar passos de dança.

Tai: É, difícil conquistar alguém quando você parece estar em câmera lenta.

Mimi: Que tal nós seis irmos pra um lugar mais calmo? Assim ficamos juntos e aproveitamos melhor.

Joe: Boa ideia! Até porque essa festa não tem graça sem vocês por perto. Né, meninas?

Tai: Isso aí, Joe. Falou tudo.

T.K: Então bora, galera.

Tai: Mas para onde?

Mimi: Para a área VIP lá em cima. É tranquila e, como temos passe VIP, vai ser só nosso espaço.

T.K: Nem sabia que tinha área VIP... então vamos nessa! — Disse, já animado. — Só espero que a Meiko não confunda a escada com pista de dança.


O grupo caiu na risada e seguiu para o andar superior, deixando a confusão da pista para trás e prontos para aproveitar a noite com mais calma.


**


Depois de irem para um lugar mais calmo, Meiko e Matt começaram a conversar. Meiko, já um pouco alterada pela bebida, falava sem perceber muito bem o que dizia.


Matt: Que bebida é essa que você está tomando? — Perguntou, curioso ao ver o copo dela.

Meiko: Ahhh... chama Lua Azul... ou Estrela Azul... sei lá, alguma coisa azul! O importante é que é azul! Você TEM que provar! — Disse, quase gritando como se fosse propaganda de TV.

Matt: Ah, não, obrigado. Vou ficar só no refrigerante mesmo.

Meiko: Me diz uma coisa, irmão do Takeru... você não tocava naquela banda de rock?

Matt: Tocava sim, mas a gente se separou faz um tempo. Cada um resolveu seguir sua carreira, e a rotina estava pesada demais. Às vezes nem dava para ensaiar direito.

Meiko: Ah, mas relaxa! Se for pra vocês voltarem, vocês voltam. Falando em música... essa que tá tocando agora é HORRÍVEL! — Disse rindo alto. — Como é que eu vou dançar com uma música dessas? Quer saber? Vou dançar assim mesmo, dane-se! Bora lá, Matt! Matt!

Matt: Acho que aqui tá bom pra mim. Você não acha melhor ficar tranquila um pouco?

Meiko: Ficar parado é chato demais... vou ali pegar mais uma bebida e já volto! — Saiu meio cambaleante até o bar, voltou com uma garrafa inteira da bebida azul e levantou como se fosse um troféu. — Pronto, voltei! Tem certeza que não quer dançar?

Matt: Já dancei bastante hoje. Vou ficar de boa aqui mesmo.

Meiko: Então eu vou sozinhaaaa! — Disse, virando a garrafa direto na boca e saindo para a pista, dançando como se estivesse num clipe de comédia.

Matt ficou olhando, meio sem acreditar, e murmurou para si mesmo:

Matt: Essa bebida azul devia vir com manual de instruções...


Meiko já estava completamente fora de controle. A bebida havia tomado conta dela, transformando sua postura tímida em uma energia desmedida e imprevisível. Matt observava de longe, preocupado, pois sabia que aquela não era a verdadeira Meiko — era apenas o efeito da bebida que a deixava assim.

Ela levantava a garrafa para o alto como se fosse um troféu, pulava e dançava sem ritmo, rindo alto e gritando de alegria. Num impulso, foi até Matt e começou a dançar na frente dele, tentando provocá-lo de forma sensual. Mas Matt permaneceu sério, sem demonstrar interesse, apenas acompanhando com olhar atento e preocupado.

Frustrada, Meiko voltou para a pista e, em um ato impensado, virou a garrafa inteira na boca. Em poucos segundos, metade do líquido desapareceu. O público ao redor olhava com espanto, enquanto ela continuava dançando de forma desordenada.

Minutos depois, o corpo já não respondia da mesma forma. Meiko estava completamente tonta, a visão turva, o chão parecia girar sob seus pés. O sorriso foi desaparecendo aos poucos, substituído por um mal-estar evidente.

Ela tentou se apoiar em uma das pilastras, mas suas forças falhavam. Escorregou lentamente até o chão, sentindo a consciência se apagar. O salão, antes cheio de luzes e música, parecia distante e embaçado.

Meiko lutava para manter os olhos abertos, tentando se erguer, mas tudo girava ao seu redor. As vozes se tornaram ecos distantes. A última coisa que conseguiu enxergar foi a silhueta de alguém se aproximando. Logo em seguida, seu corpo cedeu de vez, e ela desmaiou, inconsciente, jogada no canto do salão.

Enquanto isso, Catherine e Izzy haviam se afastado para uma área mais tranquila do salão, conversando em voz baixa. Eram os únicos do grupo que ainda permaneciam juntos, sem perceber o que estava acontecendo com Meiko a poucos metros dali.



Izzy: Catherine, o que aconteceu com a Meiko? Nunca vi ela agir daquele jeito.

Catherine: Você sabe que ela é muito tímida... mas acho que dessa vez quis impressionar alguém.

Izzy: Impressionar? Naquele estado, parece meio complicado. Como você estava com ela, não tentou evitar que bebesse tanto?

Catherine: Eu avisei, disse para ela tomar só um copo. Mas acho que a bebida acabou subindo rápido. Talvez agora esteja bem, conversando com o Matt.

Izzy: Com o Matt? É impressão minha ou ela está interessada nele?

Catherine: Acho que sim. Para ela ter coragem de se aproximar, precisa de um empurrãozinho.

Izzy: Eu não chamaria aquilo de incentivo... mas espero que dê certo.

Catherine: Verdade. Mas me fala um pouco de você.

Izzy: O que você gostaria de saber? — Disse olhando para ela com atenção.

Catherine: Está namorando ou está solteiro? Como anda sua vida amorosa?

Izzy: Nossa, foi bem direta.

Catherine: Ah, desculpa se fui demais.

Izzy: Que isso, não tem problema. No momento estou solteiro, focado no trabalho.

Catherine: Sério? Eu também estou solteira, terminei faz um tempo.

Izzy: É uma pena... uma moça bonita como você solteira.

Catherine: Obrigada pelo elogio. Você também é muito bonito.

Izzy: Não foi nada. E quanto tempo durou esse relacionamento?

Catherine: Na verdade não chegou a ser namoro, foi mais um rolo. Infelizmente não deu certo, ele estava namorando outra garota e, ao mesmo tempo, ficando comigo.

Izzy: Que situação chata... você devia gostar dele.

Catherine: Não tanto. Era só algo passageiro, não dava para criar sentimento assim.

Izzy: Entendi. O Tai comentou comigo que você estava em Odaiba.

Catherine: É mesmo? O que ele disse?

Izzy: Quando planejávamos esse passeio no resort, ele comentou que você tinha mandado mensagem para avisar.

Catherine: Ah sim, lembro! Eu mandei mesmo, queria avisar que estava no Japão. Vim para morar.

Izzy: Que bom, fico feliz por isso.

Catherine: Vim trabalhar com meu pai, na empresa que ele abriu recentemente aqui.

Izzy: Desejo muito sucesso para vocês.

Catherine: Obrigada, Izzy.

Izzy: Eu só disse a verdade. Você tem uma energia diferente, sabe? É fácil conversar com você.

Catherine: Que bom ouvir isso. Eu também sinto que conversar com você é leve, sem pressão.

Izzy: Talvez seja porque a gente se entende. Você fala de forma direta, eu gosto disso.

Catherine: E você é muito observador. Parece que sempre percebe mais do que mostra.

Izzy: Pode ser.…, mas às vezes eu guardo demais para mim.

Catherine: Então hoje é uma boa oportunidade para não guardar nada. Estamos aqui, só nós dois, num lugar tranquilo.

Izzy: Verdade. — Disse sorrindo. — É engraçado, eu não esperava que essa noite fosse me trazer uma conversa tão boa.

Catherine: Nem eu. Achei que seria só festa, música e dança... mas olha só, estamos aqui, falando de coisas que realmente importam.

Izzy: E eu estou gostando disso.

Catherine: Eu também.


Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, apenas se olhando. O barulho da festa parecia distante, como se o salão inteiro tivesse desaparecido e restasse apenas aquele momento.


Izzy: Sabe, Catherine... acho que essa noite pode ser o começo de algo diferente.

Catherine: Talvez seja mesmo. — Disse, sorrindo de forma suave.


**


Sora: Será que os outros perceberam que a gente sumiu lá de baixo? — Disse abraçada com Tai.

Kari: Acho que não. Estão todos tão animados que nem devem ter notado.

Joe: Verdade... ainda mais com a Meiko lá, dançando com o Matt.

Tai: Mas aqui é bem mais tranquilo. Dá para a gente ficar à vontade.

Mimi: Concordo totalmente, Tai.

Tai: Kari, você não exagerou na bebida, né?

Kari: Claro que não. Eu e o T.K só tomamos duas taças e depois ficamos no refrigerante.

T.K: Isso mesmo. Até porque, se a gente bebesse demais, ia acabar igual a Meiko. — Disse rindo.

Joe: Tai, me diz uma coisa... ver a Kari beijando o T.K não te incomoda?

Tai: Eu sou irmão mais velho dela, Joe. Sempre vou proteger a Kari. Mas ela está ficando com o T.K, e eu respeito isso.

Mimi: E se fosse com o Davis, você teria a mesma reação?

Tai: Pra começar, a Kari não iria ficar com ele. Mas, se acontecesse, eu pegaria pesado.

Sora: Você não confia no Davis?

Tai: Ele é uma boa pessoa, mas ainda muito infantil. Tenho medo de que acabasse magoando a Kari. Ele não pensa antes de agir, e os dois não combinam. Já o T.K vocês conhecem bem, é completamente diferente.

Sora: Entendi.

Kari: O Tai tem razão. Você lembra, Mimi, quando fomos te visitar nos Estados Unidos? O Davis não desgrudava de mim, estava sempre em cima, e isso me incomodava bastante.

T.K: É, ele tinha umas atitudes bem chatas, mas não percebia.

Joe: Verdade... pensando bem, é curioso. A gente sempre foi tão próximos como amigos, e agora estamos aqui, juntos como casais. Nunca imaginei que ficaria com a Mimi... ou que o Tai e a Sora ficariam juntos.

Sora: Mas a amizade continua. Só levamos essa conexão para outro nível.

Joe: É.… você disse tudo, Sora.


O grupo estava reunido na área VIP, mais calmo e distante da agitação da pista. As luzes eram suaves, a música chegava abafada, e isso criava um clima diferente, quase acolhedor.


Sora: É engraçado pensar... lá embaixo todo mundo está dançando, rindo, e aqui parece que o tempo passa mais devagar.

Tai: É verdade. Aqui dá para respirar, conversar... e ficar mais à vontade.

Mimi: Eu gosto disso. É como se fosse só a gente, sem ninguém olhando.

Joe: E pensar que anos atrás éramos apenas amigos, sem imaginar que estaríamos aqui, juntos como casais.

Kari: Mas ainda somos amigos, Joe. Só que agora... é como se a amizade tivesse evoluído.

T.K: Concordo. A gente cresceu, mudou, mas continuamos próximos.

Sora: E isso é raro. Muitos grupos acabam se afastando com o tempo. Nós não.

Tai: Talvez porque passamos por tanta coisa juntos. Isso cria um laço que não se quebra fácil.

Mimi: Eu sinto que, mesmo quando estamos longe, sempre vamos nos encontrar de novo.

Joe: É.… e cada reencontro parece mais especial.


Um silêncio leve tomou conta por alguns segundos. Todos se olharam, como se estivessem reconhecendo a importância daquele momento.


Kari: Sabe... eu acho que essa noite vai ficar marcada. Não só pela festa, mas pelo que estamos vivendo aqui.

T.K: Eu também acho. É como se fosse um capítulo novo para todos nós.

Sora: Um capítulo que eu espero que dure muito tempo.

Tai: Vai durar. Porque, no fim das contas, não importa onde a gente esteja... sempre vamos ter uns aos outros.


Continua...