Digimon Adventure: Next Generation
2 Capítulo I - O incidente do pôr-do-sol
Notas iniciais
Toc toc toc...
Lucas bateu na porta do dormitório das garotas. Ele respirou fundo e esperou sua companhia sair do quarto. Alice, do outro lado da porta, reunia coragem para abri-la. Quando ela abriu, Lucas olho-a de cima a baixo, deixando Alice meio corada.
– Oi, tudo bem? — cumprimentou Lucas, dando um beijo na bochecha de Alice.
– Oi... Sim, e com você? — respondeu a garota.
– Também... Bem, pronta pra darmos uma volta? Já vou avisando, não conheço nada aqui, é bem possível que a gente se perca!
– Bem, se for pra me perder, que seja com alguém tão engraçado como você! — comenta a garota rindo.
– Então vamos lá!
Os dois saíram do dormitório e decidiram procurar um lugar para comerem. Andaram um pouco e acharam um carrinho que vendia lanches. Eles compraram dois pastéis e foram comer em uma das mesas próximas ao carrinho.
– Então, conta aí, você está curtindo o seu primeiro dia aqui? — perguntou Lucas.
– Sim, estou. Quer dizer, até agora estou, mas acho que, uma hora ou outra, eu vou ficar com saudades de casa, sabe? Saudades dos meus pais, dos meus amigos da minha antiga escola, de tudo...
– Sei como é, mas acho que eu vou curtir essa escola, sair um pouco do comum, aprender a me virar sozinho... E também poder aprender coisas novas na escola, não só o que ensinam normalmente.
– Verdade, isso vai ser legal. Não vejo a hora das minhas aulas de biologia! Esse ano as matérias técnicas são Ecologia e Taxonomia.
– Você tá fazendo biologia? Que legal! Eu tô fazendo eletrônica, esse ano a gente têm aula de Desenho Técnico e Introdução a Eletrônica.
– Deve ser legal, mas é tecnológico de mais pra mim — comenta Alice rindo.
Os dois terminam de comer em silêncio e continuaram o passeio. Já era quase hora do pôr-do-sol, então eles decidiram achar um lugar para observarem o fim do dia. Eles acharam um lugar quase no fim do colégio onde era possível ver o mar no horizonte. O local era lindo, era alto, tinha um gramado sem imperfeições e com flores brancas espalhadas. Os dois jovens sentaram no chão e puseram-se a observar o sol poente no horizonte.
– Olha que lindo! Mesmo próximos a cidade, podemos ver algo tão lindo! — disse Alice.
– Realmente! Esse colégio é muito legal, nós podemos ter todas as coisas da cidade e, ao mesmo tempo, podemos aproveitar a natureza, já que temos árvores e pequenos lagos na escola, além do mar logo aqui na frente. E também têm um monte de animais, tipo aquele pássaro preto ali, ele parece estar bem perto.
– Na verdade eu acho que ele está longe, e parece ser enorme!
– É... E está se aproximando!! Acho melhor a gente sair daqui!
Os dois saem correndo dali e procuram algum lugar para se esconder. Enquanto isso, a grande ave preta se aproximava do colégio. Ela realmente era grande, maior do que qualquer pássaro existente na Terra. Além disso, por onde ele passava aparecia uma trilha do que pareciam ser pixels. Lucas e Alice se abrigaram perto de uma pilha de troncos de árvores tombadas. Eles não queriam levar aquele pássaro até o colégio, já que ele parecia segui-los e eles não queriam que ele destruísse o colégio.
O pássaro aparentemente parou de segui-los, então eles saíram de trás da pilha de troncos.
Esse talvez tenha sido o pior erro da vida deles...
No momento em que eles saíram, o grande pássaro negro pousou bem em frente a eles. Seu corpo era feito de chamas pretas como carvão, tinha dentes pontiagudos e tortos saindo de seu bico. O pássaro gritou de uma forma extremamente aterrorizante, fazendo meteoros negros caírem do céu. Sem chance de fuga, Alice e Lucas fecharam os olhos e esperaram o pior acontecer, mas...
– Double Typhoon!!
Um pequeno tornado marrom e verde protegeu Lucas e Alice de um meteoro que ia cair bem encima da cabeça deles. Depois de destruir o meteoro, o tornado começou a girar cada vez mais rápido, criando uma barreira de proteção. Qualquer meteoro que caísse na área da barreira era destruído na hora.
De repente, do meio do tornado, surgiram duas criaturinhas. As duas eram muito parecidas com coelhos. Uma delas era branca e tinha alguns detalhes verde-claros, tinha um chifre na cabeça e enormes orelhas. A outra era marrom com detalhes rosa, tinha três chifres ao invés de um e também tinha orelhas grandes. Os dois se assemelhavam muito entre si, pareciam gêmeos.
Lucas e Alice ainda estavam de olhos fechados, aparentemente não haviam notado que estavam sendo protegidos e não haviam sido acertados pelos meteoros. Alice achou que já estivesse morta, ou talvez havia se machucado muito e estava "atravessando o véu entre os mundos". Lucas, no entanto, estava com esperanças do monstro ter uma péssima mira e houvesse errado todos os meteoros, mas estava com medo demais para abrir os olhos.
– Ei, Alice, você está bem? Abra os olhos, por favor! — disse a criaturinha marrom.
– Hã? O quê? Quem tá aí? É um anjo? Eu morri? Esse é o céu? — perguntou a garota meio frenética, porém ainda de olhos fechados.
– Abra os olhos! Tudo ficará mais claro se você abri-los.
– T-tudo b-bem... — respondeu a garota relutantemente. Lentamente ela abriu os olhos e viu a situação. Ela estava no meio do tornado, Lucas estava de olhos fechados ao seu lado, segurando sua mão, e as duas criaturas em frente a eles.
– Viu, bem melhor, não é?
– Sim! Lucas! Abre os olhos, nós não morremos! Estamos dentro de um tornado, mas estamos bem! — falou a garota. Lucas abriu os olhos e viu que estavam bem. Ele, impulsivamente, abraçou Alice. A garota ficou extremamente corada e Lucas, quando percebeu o que fez, soltou-a e também corou violentamente.
– Bom... Er... Você está bem, Alice? — perguntou Lucas.
– S-sim, e v-você?
– Estou bem, eu acho... E quem são vocês? — questionou às criaturas.
– Eu sou o Lopmon — respondeu a criatura marrom — Este ao meu lado é o Terriermon. Nós somos Digimon, monstros digitais que vivem no Mundo Digital. E, antes que você pergunte, esse pássaro que atacou vocês é Saberdramon, ele também é um Digimon.
– Foram vocês que nos salvaram?
– Sim, por quê?
– Bem, é que, se vocês são Digimon, e ele também é um Digimon, e ele nos atacou, então vocês não deveriam nos atacar também?
– Boa linha de pensamento, mas está errada. Nem todo o Digimon é ruim como Saberdramon. Assim como os humanos, existem Digimon bons e Digimon maus. Nós somos Digimon bons, nós ajudamos Gennai, o Digi-humano, a proteger o Digimundo das Trevas.
– Tá, ok... Agora explica em português — falou Alice.
– Bem, pra vocês entenderem o que o Lopmon disse, eu vou explicar tudo do começo — disse Terriermon, pronunciando-se pela primeira vez na conversa — No início dos anos 90, com o começo da internet, muitos dados acabaram sobrando. Tais dados se juntaram e criaram uma espécie de plano paralelo à Terra. Até mais ou menos 1993, esse plano era muito simples, apenas um monte de dados formando uma planície digital, mas, depois de um grande servidor ser criado na Terra para controlar todos os computadores, esse plano se tornou o que hoje é o Mundo Digital (Digimundo, para encurtar). Nós, os Digimon comuns, só fomos criados lá por 1995. Pode parecer que passou pouco tempo desde a criação do Digimundo, mas, até o primeiro grande ataque das Trevas ao Digimundo, o tempo entre o nosso mundo e o seu era muito diferente, um dia no nosso mundo equivalia a apenas um minuto no seu, sendo assim, mais ou menos dois mil e oitocentos e oitenta anos se passaram. Nesse intervalo de tempo surgiram vários Digimon, começando com os grandes guardiões que protegem todo o Mundo Digital. Mas isso é uma história muito longa, outra hora nós contamos para vocês.
– Eu já ouvi falar sobre isso em algum lugar, acho que foi no site de algum garoto japonês — falou Lucas.
– Por acaso esse garoto não se chama Koushirou Izumi? — perguntou Terriermon.
– Esse mesmo, como você sabe, carinha?
– Ele é um Digiescolhido, assim como vocês, mas ele é bem mais velho que vocês. Ele foi ao Digimundo durante a era do primeiro grande ataque das Trevas, ele era o nerd daquele grupo de crianças, ele era um verdadeiro prodígio, com 10 anos já sabia muitas coisas sobre computação. Nos últimos anos ele programou diversas coisas para proteger o Digimundo. Há algum tempo, nada protegia o nosso mundo, mas, desde o segundo grande ataque, ele vem colocando vários Firewalls para impedir a entrada de pessoas que pretendem fazer o mal.
– Nossa, eu sabia que ele era inteligente, mas não que ele era demais! Agora eu quero muito conhecer ele.
– Você vai, com certeza vai. Ultimamente ele está ajudando Gennai com a proteção do Digimundo, como o Terriermon disse, mas não só programando coisas. Ele quem selecionou o novo grupo de Digiescolhidos que devem enfrentar as trevas. E vocês estão nesse grupo! — disse Lopmon — Vocês devem ir ao Digimundo e derrotar as Trevas!
– O QUÊ?!
Continua...
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