Notas iniciais
O capítulo está sem lutas, mas está bom. Algumas revelações e um ar de um novo romance. Espero que gostem^^

CAPÍTULO 040

MINA DE CHROME DIGIZOID

Os Gazimons chicoteavam os escravos que levavam pedaços do metal valioso em carroças improvisadas sobre trilhos. Essa era a mina valiosa sob o domínio de KingEtemon.

— Parou por quê? — reclamou um Gazimon.

— Estou fraco. Preciso comer algo — clamou um Otamamon.

Gazimon se irritou e passou a gritar com o digimon oprimido. Os demais oprimidos ficaram com medo e logo puxaram a carroça.

— Eu não tenho tempo para lamentações. Levem-no para a cela.

Os guardas eram Minotaurmons que intimidavam quem quer que fosse criar algum tipo de tumulto ou revolução. Um deles levou o Otamamon para uma cela no fundo da mina. Outros digimons estavam apenas esperando a morte.

— Pelos céus. Vossa Majestade KingEtemon precisa buscar mais escravos. A cada dia que passa, esses vermes ficam mais frágeis — um alienígena vivia numa torre ao lado da mina. Ele pegou uma xícara de chá e bebeu.

— Chefe! Chefe Vademon — Gazimon entrou na sala de supetão.

— Se não quiser que eu te desintegre com a minha arma laser, não entre mais assim. Homessa!

— Perdão. Mas é que Vossa Majestade KingEtemon queria falar com o senhor a respeito dos digiescolhidos. Parece que eles entraram no nosso território, senhor.

Vademon era o encarregado pela mina. Apesar de ser um servo fiel, ele era muito arrogante. Não gostava de ficar por muito tempo dentro da mina e encarregava os Gazimons ao trabalho sujo. Obviamente a sua arrogância o impediu de escutar a mensagem do lorde via rádio.

— Que droga. Eu desliguei o rádio. Mas com certeza vamos nos preparar para um combate com aqueles digis-sei-lá-o-quê.

Gazimon suou ao testemunhar o pouco profissionalismo do alienígena.

Vademon foi até um painel repletou de botões e ligou o aparelho. Outra chamada surgiu. Era de um carregamento de novos escravos para a mina.

— Excelente — disse ele brindando com o Gazimon.

— Vamos comemorar...

— Quem mandou você, idiota? Agora volte ao trabalho.


OÁSIS DE KINGETEMON

O oásis de KingEtemon era onde ficava localizado a base central desse lorde das trevas. Um lugar paradisíaco com muitos coqueiros, sombra fresca, campo verde e um pequeno lago. Possuia também uma grande pirâmide idêntica a de Gizé. Essa pirâmide era a base central do rei e a sua residência. Ele chegou com a sua tropa de digimons dinossauros e foi logo para a área de controle onde ficavam cinco Gazimons trabalhando. Eles ficavam sentados, e, nas suas frentes, alguns monitores com radares e mapas de toda a região de Hardware.

— E aí, acharam os pirralhos? — perguntou o rei.

— Não, majestade, foi muito esquisito. Há uma hora eles estavam nas ruínas, mas parece que sumiram do mapa sem mais nem menos — disse o Gazimon já com medo de levar esporro.

— Como assim sumiram? A incompetência já chegou aqui em vocês? Estou ferrado com um monte de inúteis ao meu redor. Agora é o seguinte, deixa eu raciocinar aqui bem direitinho. Se eles fugiram, esconderam-se em algum lugar. Se se esconderam, alguém os levou. Então esse alguém deve ser o Mummymon. Aquela múmia decrépita e seu amiguinho sempre tentando passar por cima de mim. Nunca me enfrentaram em campo aberto. Onde já se viu, aqueles dois me pagam, ainda acabo com a raça deles — disse o digimau bastante mal humorado.

— Majestade, uma última informação. O general Vademon mandou avisá-lo que os escravos chegarão amanhã pela manhã e que precisa do senhor lá — disse o outro Gazimon.

— Mandou! Precisa de mim? Que é isso agora? Estou sem nenhuma moral. O Vademon é quem manda? Quem é que é o chefe agora? Olha, eu estou perdendo a paciência com vocês todos. Preciso renovar meus subordinados e pra isso oh, em três tempos consigo novos empregados. Mandar, mandar uma ova, no máximo ele pede — disse o rei mais irritado ainda.

— Nossa, que cara chato... — disse um Gazimon bem baixinho, mas não o suficiente para o vilão não ouvir.

— O que? Repete!!!!

— N-não m-majest... p-por favor...

— Tarde demais! Eu ouvi tudo que você disse. Você me conhece pra falar de mim assim? — KingEtemon pegou o pobre Gazimon pelo pescoço e começou a estrangulá-lo ali mesmo. Apertou tanto que o coitado quebrou o pescoço e morreu — Ah que maravilha, quebrou o pescoço, adoro esse barulhinho peculiar de osso quebrando. Olhem a cabeça dele mole pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá hahahahahahahahahaha Ahhh virou dados. A questão é a seguinte, alguém mais vai falar mal de mim?

— NÃO MAJESTADE!!! — disseram em uníssono.

— Ótimo. Ah, amanhã eu quero os digiescolhidos rastreados. Se eu voltar da mina e saber que fracassaram, serão quatro pescoços quebrados. Olha, eu sou um assassino nato. Mato por diversão. Se quiserem me testar, é só fracassarem. VÃO FRACASSAR?

— Não majestade! — disseram em uníssono.

— Excelente. Hoje não terá a ração de vocês, porque me dão muitas despesas. Vão trabalhar com fome assim mesmo — o perverso saiu e foi para os seus aposentos enquanto os coitados dos Gazimons trabalhavam em jejum.

Já nos aposentos, KingEtemon recebeu a visita de ninguém mais ninguém menos do que Musyamon.

— A que ponto chegamos? Lilithmon acha que é dona de tudo. Mandar o subordinado dela para cá?

— O senhor sabe que eu sirvo a todos os lordes. Vim para ajudar na busca pelos digiescolhidos.

O macaco sorriu enquanto se alimentava de várias frutas na sua mesa farta.

— Parece que eu tenho cara de quem precisa de ajuda?

— Mas tem cara de quem nunca lutou contra os digiescolhidos.

KingEtemon pegou o seu cetro com uma banana de ouro na ponta e lançou para trás. O objeto fincou na parede ao lado da cabeça de Musyamon.

— Meça as suas palavras. Não esqueça que você é apenas um empregado. Não importa se eu não lutei contra os pirralhos. Eu sou invencível. Entendeu?

— Perfeitamente.

— Agora caia fora. Pode visitar o oásis ou correr com o rabinho entre as pernas para a sua dona.

Musyamon não se deixou abalar pelo jeito que foi tratado pelo rei. Não esperou autorização para ir atrás dos digiescolhidos.

...

Paulo e os outros foram salvos pelo Mummymon esquisito. Apesar de sua aparência esquisita, ele era um digimon bom, apesar de ser vírus. O digimon múmia começou a contar sobre o seu envolvimento nada amigável com o rei do deserto.

DIGIMON: MUMMYMON

ATRIBUTO: VÍRUS

NÍVEL: PERFEITO

NPD: 31.000

DESCRIÇÃO: UMA MÚMIA QUE LUTA COM JUSTIÇA CONTRA O REGIME OPRESSOR DO REI ETEMON. SUA ARMA É A METRALHADORA, MAS PODE USAR AS BANDAGENS DO CORPO COMO ARMAS.

— Eu sou um digimon que está lutando contra o KingEtemon faz muito tempo. Eu e meu amigo conseguimos lutar com seus capangas, mas contra ele... impossível. Lutamos pela liberdade dos escravos que trabalham com ele. Há anos ele tem domínio sobre todo o deserto. Nunca conseguirei vencê-lo — disse o digimon sentado no chão e com o rosto triste.

— Escuta, Mummymon, vamos achar um jeito de destruirmos ele e conseguir salvar os cativos. Precisamos criar um plano de como salvar os prisioneiros, não é, pessoal? — disse Paulo pondo a mão no ombro do digimon depressivo.

— Eu concordo com você, Paulo. Acharemos uma saída pra acabarmos com o KingEtemon — Mia foi a primeira a se encorajar.

— Mummymon, o KingEtemon é tão perigoso e poderoso assim? — perguntou Ruan.

— Tanto que nem imaginam. Escuta, ele é sádico, cruel, impiedoso, mata por prazer. Ele mata porque gosta de matar, aquilo é a ruindade em forma de digimon. Nem mesmo alguns digimaus são tão ruins quanto ele.

— Assim, sem me intrometer muito na sua vida, mas qual é a sua relação com o KingEtemon? Percebi que você odeia ele de uma forma mais pessoal — perguntou Rose.

— Há algum tempo, eu era casado com uma digimon chamada Arukenimon. Como temos a capacidade de ficar na forma humana, não chamávamos tanta atenção assim. Vivíamos num vilarejo próximo a esse deserto, que nem existe mais. Daí um dia, KingEtemon apareceu na nossa casa e me ofereceu a chance de uma vida melhor, pra todos na vila. Como éramos ingênuos, também não sabíamos de nada, aceitamos. No caso, eu aceitei na ilusão de algo melhor. Comecei a trabalhar pra ele, servia como seu capanga. Prendia, fazia coisas absurdas com os digimons inocentes e me arrependo até hoje. Uma vez escutei ele conversar com o Vademon que ia escravizar todos naquele vilarejo inclusive Arukenimon. Portanto, eu havia pedido demissão na hora, mas não dava. Ele não aceitava e mandou que me matassem. Fugi, mas voltei pra vila... Arukenimon não estava em casa. Um mensageiro do desgraçado me disse que era pra eu voltar para a pirâmide dele que encontraria ela, até que... a encontrei na sua forma de digimon na frente da pirâmide com o imperador. Ele apontou uma espada próxima ao pescoço dela, dizendo para eu voltar para o seu exército senão a mataria ali mesmo. Eu disse " eu volto, mas a deixe em paz", no entanto ele disse "que pena... nunca dou uma segunda chance" e enfiou a lâmina no peito dela e morreu na minha frente. Fiquei desesperado e comecei a lutar com seus capangas que estavam ao redor, mas não consegui triscar sequer no maldito. Foi aí que ele me atacou me deixando gravemente ferido e quando ia me matar, um amigo me salvou. Gladimon. Eu sei que é estranho um digimon vírus e um vacina serem amigos, mas realmente nos tornamos amigos e até hoje fazemos parte dos digimons que querem destronar KingEtemon. E até hoje eu sonho com o dia em que verei o rei ser derrotado. É o meu sonho, mas está muito difícil de acontecer — explicou o digimon com lágrimas no único olho.

— Nossa, que história mais triste — disse Rose chorando.

— Nós vingaremos a morte de todos que morreram nas mãos desse tirano — disse Paulo decidido.

— Que bom, pelo menos somos muitos agora — disse Gladimon, que acabava de chegar. — Mummymon, descobri algo que não vai acreditar. Mais escravos virão para a mina de Crome-digizóide do imperador.

— Tem certeza? — perguntou Mummymon.

— Claro. Descobri que são Gekomons igual a esse aí. Amanhã bem cedo eles passarão pelas minas — disse o guerreiro.

— São a minha família!!! Eles foram levados pelas tropas de KingEtemon — disse o Gekomon.

— E mais. Parece que o KingEtemon vai sair da base dele até a mina — Gladimon complementou.

— Uma coisa é certa. O KingEtemon vai se ausentar da pirâmide amanhã bem cedo. Talvez se formos lá primeiro — disse Jin.

— No que está pensando, Jin? — perguntou Paulo.

— Nada, por enquanto. Mas quando tiver certeza, eu direi a vocês. — disse o nerd.

— Bom eu ficarei de guarda lá fora. Se precisarem de alguma coisa pra comerem têm algumas frutas logo ali naquela outra parte da caverna. E água, tem um poço artesanal aqui em fora. Apesar de ser deserto, aqui no subterrâneo passa água em abundância — disse Gladimon.

Paulo avisou que Impmon iria bater muito na cara de KingEtemon, pois ele tinha a capacidade de ficar na forma extrema. Mummymon olhou para ele e disse que derrotar o vilão seria mais difícil do que imaginava, haja vista ele era bem treinado.

— Não se preocupe. Amanhã eu vou dar um jeito de chutar a bunda daquele rei — Impmon falou decidido.

...

Musyamon se locomoveu sobre um Monochromon até o local das ruínas. Parou o digimon cargueiro na entrada e caminhou tranquilamente pelo ambiente até chegar ao recinto em que os digiescolhidos ficaram. Percebeu que o local estava remexido, com marcas de sapatos e pegadas grandes (era do Mummymon).

— Eles não estão muito longe daqui. Se KingEtemon não fosse impaciente e não tivesse voltado, teria encontrado relativamente fácil.

O samurai retirou a espada e fez várias marcas na parede. Em seguida, segurou um radar. Na tela do objeto, vários pontos vermelhos por grande parte do deserto.


Enquanto isso, os digiescolhidos se refugiaram no QG do Mummymon. Era um templo antigo, criado na encosta de um rochedo de 100 metros. Havia muitas estátuas destruídas na frente. Era muito idêntico ao templo de Abu Simbel.

— Achamos esse lugar como esconderijo desde quando KingEtemon passou a governar o deserto. Um pouco antes da destruição do vilarejo — falou Mummymon.

Gladimon surgiu diante deles e também ajudou os humanos a irem a um recinto.

DIGIMON: GLADIMON

ATRIBUTO: VACINA

NÍVEL: ADULTO

NPD: 19.000

DESCRIÇÃO: UM PEQUENO GUERREIRO COM GRANDE EXPERIÊNCIA EM BATALHAS. É AMIGO DE MUMMYMON E O AJUDA NA REVOLTA.

O ambiente era bem rústico, com chão de terra, paredes de pedra e pouca mordomia. Havia sacos de dormir.

— Como vocês têm esses objetos? — indagou Ruan.

Gladimon e Mummymon se olharam e mostraram um aparelho de holograma com uma mensagem gravada de Gennai. A múmia colocou no chão.

— Olá, digiescolhidos. Essa mensagem é gravada, por isso não percam tempo com perguntas. Eu serei breve, portanto prestem atenção. Não estou no Continente Servidor. Encontro-me em outro continente, porém isso não é importante. A minha mensagem é que entrei em contato com digimons inimigos dos Lordes das Trevas um tempo atrás e pedi que eles os recebessem de braços abertos. Espero que consigam superar mais essa adversidade. Estarei aqui torcendo para um "até logo".

A mensagem acabou. Mummymon explicou que Gennai se empenhara a ajudar os digiescolhidos antes mesmo de se tornarem os atuais heróis.

— Ele trouxe esses sacos de dormir, têm remédios naquela instante e comida também. Graças ao Gennai, sobrevivemos por muito tempo neste deserto — explicou Mummymon.

— Vocês não conseguiam se virar sozinhos? — perguntou Paulo.

— O rei possui algo que faz com que a nossa localização seja encontrada em muitos lugares do deserto — explicou Gladimon. — Já nos mudamos diversas vezes. Mas aqui é um local mais seguro.

Jin ficou pensativo, chamando a atenção de Mushmon. O menino estava assim há um bom tempo.

As crianças agradeceram aos dois. Depois do dia mais louco da vida delas, puderam descansar.

...

Márcia foi se deitar não muito confortavelmente num dos quartos, pois o cômodo era apenas uma outra parte da caverna mobiliada com uma cama e um guarda-roupa, além de um mini banheiro com chuveiro, pois era apertado. A mulher ficou impressionada com o digimon que falara há pouco. Nem acreditava que fez amizade com um digimon. Depois dormiu.

Dynasmon ainda continuava sentado no chão se recuperando dos ferimentos, mas logo decidiu se levantar e ir diretamente para o quarto. O guerreiro passou com muita dificuldade na entrada do seu quarto e caiu de bruços na cama, quebrando-a.

Não acredito. Me esqueci que estava na forma de digimon. Amanhã vai dar pra ficar normal.

...

KingEtemon acordou bem cedinho e foi se aprontar para ir à mina.

— Ahhh que sono, mas é necessário que eu vá — disse o macaco. Ele comia algumas bananas enquanto se aprontava para ir.

— Mestre, o Mammothmon está pronto — avisou um Gaomon que trabalhava para ele.

— Obrigado, Gaomon. De todos os meus subordinados, você é o mais competente — e saiu com seu Mammothmon e seus DarkTyranomons.

— O puxa saco sempre puxando o saco do rei — disse um Gazimon.

— Cara... que inveja é essa? Somos da mesma espécie, mas no meu caso eu sou mais bonito. Faço apenas o que o mestre manda, por isso sobrevivi até hoje — disse o digimon boxeador.

...

Márcia dormia feito um anjinho e nem se deu conta que um homem a acordava. Era Ray tentando acordá-la, dando uns tapinhas nas costas dela.

— Moça, ei moça. Acorde, preciso de uma coisa — ele estava bem melhor do que antes e a acordava na tentativa de pedi-la mais analgésicos.

— Não, pai. Deixa eu dormir mais — disse ainda com os olhos fechados.

— Preciso que me ajude com algo — ele insistiu.

— É você, cavaleiro? — ela abriu os olhos e viu a cara do homem bem perto do dela — AHHHHH QUEM É VOCÊ?!!!

— Calma, eu sou o mesmo que você ajudou. Na verdade sou um humano que tem a capacidade de virar um digimon — explicou o homem.

— Olha, eu não consigo mais entender os digimons. Cada dia que se passa essa história de digimons e digimundo me surpreende. Mas agora eu quero uma explicação ... — ao perceber que o homem estava SOMENTE de calção na sua frente, começou a passar mal. — Ai meu Deus!!

— Ei, oi, está bem? Ei eu ia pedir mais uns daqueles comprimidos para dor. Sabe, eu melhorei muito das dores e foi graças ao seu remédio. Posso pegar? Onde está?

— Que... que remédio?... — ela não parava de olhar para o corpo malhado dele e também para o rosto dele — Ah o remédio... está na minha... sacola logo ali... pegue o que quiser. Leve tudo se quiser.

— Aqui na sacola? Bom, tem vários remédios... Achei — ele ficou também nervoso, pois nunca mais viu uma mulher tão linda na vida — Pronto, achei. Ainda está doendo, mas melhorei muito. Muito obrigado por tudo ontem, ah, se quiser tomar um banho, tem um chuveiro logo aí. Sai água do subterrâneo. Er... já vou indo para o meu quarto, se precisar de algo, me chame, ok?

— S-sim — engoliu em seco — e-eu o chamo — ela ficou olhando até ele sair, parece que ficou hipnotizada só com o simples fato de ver um homem atlético só de calção. — Jesus Cristo, será que aguento uma barra dessa? Acho que meu coração vai saltar pela boca. Que perfeição é essa?

Ray também ficou um tanto impressionado com a beleza de Márcia e começou a corar. Ele, diferentemente dela, consegue se disfarçar melhor. Sentou-se na cama ainda com o braço esquerdo na tipoia feita de gaze, tomou o remédio e ficou pensando.

Caramba, agora eu pude perceber que ela era muito bonita. Que olhos são aqueles? Mas não posso me envolver sério novamente com uma mulher. Todas são iguais! Enganadoras, traidoras. Mas... ela é muito linda.

...

KingEtemon chegou à sua mina de chrome digizoide. A mina era uma caverna subterrânea. Sua entrada era uma caverna normal, mas ao passo que ia mais além, no fundo, chegava às profundezas. O subterrâneo era cheio de estalactites e o ar era rarefeito. Os pobres escravos trabalhavam nesse sufoco todo. Como havia dito, a entrada era uma caverna. Ao lado tinha uma torre de comando em que Vademon administrava tudo.

— Ai que nojo desses escravos, fico me coçando com essa imundície. Mas por que eles ainda estão aqui em fora? Ei você — disse KingEtemon.

— Sim, majestade — disse um Cockatrimon capataz.

— Por que esses escravos ainda estão do lado de fora? Por que não estão trabalhando?

— São escravos de uma leva que veio hoje, majestade. Esse chegaram pouco antes do senhor — respondeu a ave.

— Ah bom. Pode fazer o seu trabalho também, vá — ele foi voando para o topo da torre.

— Majestade KingEtemon, que bom que apareceu. Aquele carregamento de Gekomons virá daqui a pouco. A mais nova aquisição, cerca de vinte deles — disse o digimon Vademon enquanto KingEtemon sentava na poltrona.

— Será uma boa ajuda para essa mina. Ultimamente não tenho recebido tantos louros pela extração do minério.

Vademon ofereceu um chá ao rei.

— Não, majestade. O problema é que esta mina não vai lhe dar mais lucro.

— Vademon, explique-se de uma vez.

— Mestre KingEtemon, é simples. A mina não está dando mais chrome digizoide bruto como antes. Se encontrarmos uma pepita minúscula será pura sorte. E o pior é que esses digimons não estão produzindo mais o que presta. Estão morrendo mais rápido do que podem extrair.

— Que má notícia. Então preciso comprar outra mina do KingChessmon. Se for pra bancar meu luxo, comprarei. Ah eu também acho que esses escravos não prestam mais. Eles precisam ser destruídos de uma vez por todas.

— O mestre pensa em matá-los com as próprias mãos?

— Não, Vademon, eu não tenho tempo. Preciso encontrar os pirralhos e seus digimons... faça o seguinte, daqui a pouco coloquem os escravos nas celas e peguem as bombas de TNT e ponham-nas nas celas. Quando elas explodirem, todos morrerão de uma só vez. Será magnífico hahahahahaha!!


As crianças acordaram cedo ainda e começaram a planejar algo para salvar os digimons escravizados das garras de KingEtemon.

Jin chamou todos os demais a fim de falar o que descobriu esse tempo todo.

— Pessoal, eu achei um jeito de driblar o inimigo — disse Jin sempre junto de seu tablet. — É muito provável que existam sensores no deserto, por isso eles sabem a nossa localização. Tenho quase certeza de que o centro do comando deles fica na pirâmide. Se eu instalar um programa no sistema deles, será muito fácil enganá-lo. Vai dar uma falsa localização de nós. Precisamos ir para a pirâmide primeiro, pois com certeza KingEtemon foi para essa mina dele.

— Você é um gênio, Jin. Então a nossa missão principal é salvar os cativos e destruir completamente o KingEtemon — disse Paulo.


Enquanto isso, Musyamon chegou a um local do deserto. Seu radar não pegava, haja vista nenhum sensor fora instalado no subsolo daquela região. Ele desceu no Monochromon e caminhou alguns metros. Havia uma parede invisível.

— Achei vocês, digiescolhidos.

Continua...

Notas finais
Será que os digiescolhidos vão salvar os escravos? E KingEtemon merece ser humilhado pelos digiescolhidos? kkkk Até a próxima.