Notas iniciais
ANTEPENÚLTIMO CAPÍTULO Bom pessoal eu adiantei um pouco este capítulo, pois era pra ter saído na segunda-feira. Como eu to muito inspirado pra esse final eu resolvi postar logo de uma vez. Agora restam apenas 2 capítulos para darmos adeus ao Paulo e Cia. É triste, mas esta é a realidade. Uma outra coisa é que este capítulo é mais explicações e revelações de segredos. Luta terá mas não muito importante. Outra coisa é que o capítulo serve de ponte do 68 e do 70, por isso saiu menor que o anterior. Bom, eu já falei demais, mas antes de me despedir das notas eu quero agradecer ao Camargoos por ter recomendado e os demais que comentaram e que estão lendo. Tudo que começou tem que terminar, é a realidade. Até o próximo capítulo.(sem notas finais)

CAPÍTULO 069

Perto da Torre de Tóquio, alguns homens com ternos pretos filmavam a ação dos digimons na invasão e o ataque de Daemon na torre. Eles eram empregados da empresa Genetech, que naquele momento já fazia testes de estudos envolvendo digimons e o Digimundo de maneira clandestina. A invasão foi o estopim para que a empresa pedisse autorização do governo.

— Como está a situação por aí?

— Crítica, Matsunaga-sama. Esses monstros não param de atacar as pessoas e nem sinal de um digiescolhido por perto. Podemos voltar?

— Não. Não façam isso. Não quero perder a chance de ver aquele digimon em forma de anjo em ação. Preciso de mais informações dele... — Matsunaga sofreu uma crise de tosse ainda na linha. — Depois... eu volto a ligar.

A secretária entregou um comprimido e um copo com água para ele. Era um homem já idoso, acima dos 70 anos. Depois que tomou o remédio, a crise parou.

— O que foi? Por que essa cara de tacho?

— Senhor, a sua neta está aqui.

— O que é que essa menina quer? Tudo bem, deixe-a entrar.

A jovem e sorridente abriu a porta de uma vez. Era uma linda e charmosa japonesa. A mulher se sentou na cadeira em frente ao seu avô.

— Não preciso pedir permissão para entrar no seu escritório. Enfim, estou aqui porque ouvi rumores de que o senhor está dentro de um projeto enorme e que envolve aquelas criaturas que vimos uns anos atrás. Quero participar.

— Naomi, sua vida é unicamente comprar vestidos caros e palpitar com as suas amigas socialites. Esse trabalho é feito por profissionais experientes. Uma despreparada como você não pode ter o privilégio.

A mulher bateu com as duas mãos sobre a mesa. Uma explosão ali próximo ocorreu por causa da invasão.

— Eu estudo na faculdade, lembra? Quando eu me formar daqui a alguns anos com certeza entrarei a fundo nesse negócio de digimons e nem mesmo o senhor poderá me deter.

Matsunaga sorriu e se levantou. Ainda se recuperando da crise de tosse, foi até a janela do escritório e viu a paisagem.

— Se seu pai estivesse vivo...

— Já vai começar com essa conversa de novo? Papai morreu. Ele não vai poder te substituir na empresa. Vovô... sou a sua única neta. Sou a escolhida natural para gerir a Genetech no dia que o senhor partir.

— Você não tem nem consideração pela sua tia?

— Titia que é de fato uma dondoca. Eu sou a filha do seu filho mais velho. Não pretendo ficar de fora da sucessão da empresa.

Matsunaga riu das palavras de Naomi. Substituí-lo? Essa palavra não existia em seu dicionário de vida. Seus planos iam além de uma mero trabalho empresarial.

— Acho que você tem razão — Matsunaga viu sangue no lenço que tossiu. — Mas você tem que provar que é uma Matsunaga de respeito.

— O que tenho que fazer?

O velho se aproximou dela e falou no seu pé do ouvido.

— Quando chegar a hora, eu precisarei do seu esforço para um serviço em prol das pesquisas. Quando sair, feche a porta. Eu voltarei para casa.

Naomi Matsunaga era uma mulher muito ambiciosa. Puxou o seu avô. Mas nem ela fazia ideia do que o presidente da Genetech queria com ela.

...

A neve voltou a cair em toda a capital. O clima era denso e muito frio e o cenário de toda Tóquio era assustador, porque todos os seres humanos nos quarteirões próximos à área da torre desmaiaram.

O curioso era que, mesmo apenas os digiescolhidos Kari e T.K serem os únicos a se livrarem da maldição de Daemon, uma única mulher também se salvara. Ela estava trabalhando quando percebeu que todas as pessoas no escritório, em que trabalhava, caíram duras no chão. Ela rapidamente se levantou e foi tentar socorrer a todos, entretanto sem êxito algum. Ela foi ligar para o hospital, mas todas as linhas estavam fora do ar.

— O que aconteceu? — ela trabalhava em Minato, perto da torre.

Por causa do seu trabalho duro, não viu o tempo passar e nem a invasão dos digimons. Ela só notou algo errado na hora de almoçar.

— Não é possível. O que aconteceu aqui com todo mundo? — disse ela saindo do escritório. — Os advogados e todas as outras pessoas caíram feito pedras no chão. Já sei, ligarei para a minha mãe que dev... espera um pouco. Eu não fui atingida.

No banheiro, a mulher se olhou no espelho e passou água no rosto. Desceu pelo elevador e passou pela recepção. Quem estava ali também havia desmaiado. Ao sair do prédio, foi andando pelas ruas, meio desorientada, pois a cidade parecia que estava num apocalipse. Todos os carros parados com as pessoas "mortas" dentro. Parecia um filme de terror. Enfim, chegou no ponto de ônibus e esperou uns trinta minutos, porém resolveu voltar a pé. Como o escritório ficava em Minato, era relativamente perto da Torre.

— Sinceramente, Lin, esse não é o seu dia de sorte.


LadyAngewomon resolveu voltar até onde estavam Kari e Takeru. A Lady chegou bem próxima deles, assustando-os.

DIGIMON: ANGEWOMON (DARK)

ATRIBUTO: VÍRUS

NÍVEL: PERFEITO

NPD: 200.000

DESCRIÇÃO: UMA ANGEWOMON TOMADA PELO PODER DAS TREVAS. NÃO VIROU LADY DEVIMON POR UM MOTIVO DESCONHECIDO.

— Você?! O que quer conosco! — disse Kari com medo.

— Deixe-nos em paz ou seremos obrigados a te derrotar — falou T.K.

— Espere — interrompeu a digimon.— Não precisam lutar. Não lutarei com vocês. Apenas quero que a digiescolhida da luz venha comigo.

— O quê? Como assim?

A digimon se transformou na forma original. Ela era exatamente como Angewomon, exceto pela roupa vermelha, elmo vermelho, asas e a fita pretas, cabelos brancos.

Hikari ficou impressionada com o que LadyAngewomon disse. Takeru não confiou muito.

— Espera, T.K. Talvez haja algo inesperado para nós. E essa digimon deve saber o que é.

...

Beelzebumon largou Paulo ao perceber que o garoto estava bem melhor. Agradeceu aos demais por terem ajudado na luta contra o ChaosDukemon.

— Não precisa agradecer. Fizemos porque gostamos de ajudar os nossos amigos — respondeu Jo.

— Mesmo assim, eu tenho que agradecer. Acho que se não fosse por vocês eu seria destruído — disse Beelzebumon mais calmo e sério.

Nashi e Crusadermon cumprimentaram Paulo e disseram que estavam dispostos a ajudarna luta final contra Daemon. O brasileiro agradeceu a ajuda do japonês.

— Olha, escuta. Vocês precisam ir urgentemente para a Torre deter o Daemon. Eu já falei com os outros e eles concordaram. Todos já estão se deslocando para lá — falou Koushiro.

— E vocês? Ficarão aqui?

— Sim, Paulo não se preocupe conosco. Agora vão, rápido — respondeu o médico.

— Que a vitória esteja com vocês, novos digiescolhidos — disse o ruivo num tom de encorajamento.

Assim Beelzebumon Blast Mode segurou Paulo e o levou voando daquela ilha, Crusadermon fez o mesmo com Nashi. O rumo que tomaram era a parte central de Tóquio, na Torre de Tóquio, local onde Daemon estava.

— Beelzebumon você está ferido no braço. Arriscou tanto a sua vida!

— Isso não foi nada demais. O importante é que agora estamos juntos. O único problema é que as minhas balas acabaram, então a única arma que eu tenho é o meu canhão.

Nashi surgiu perto dos dois. Ele falou que Beelzebumon havia pensado que Paulo morrera pelas mãos do general e por isso explodiu em fúria.

— Não precisava perder a cabeça. Você é do atributo vírus. Por isso pode sair do controle.

— Vou ficar bem. É sério. Fiz o que fiz para vingar você. Não me arrependo.

Paulo sorriu e agradeceu mais uma vez o parceiro por ter ajudado. Ao mesmo tempo, pensava na irmã. Ele nem sonhava que Lúcia havia sido levada.


Enquanto isso nas docas...

— Ahhhhhh eles levaram a menina e o loirinho. Eu me sinto tão culpada! — dizia Mimi chorando com o celular na mão.

— Não precisa chorar, moça — falou Ruan numa tentativa de acalmá-la — nós vamos salvá-los.

— Não é por causa disso que estou chorando. É por que o Jo não atende o celular. Pra que... Oh meu Deus eu fico furiosa com isso! Pra que tem celular se deixa ele sempre desligado? Jo, você me paga, seu cretino — ela pegou o celular dela e o jogou pra bem longe, caindo na água. — Pronto! Se não é pra ter celular, então pronto. Vamos, crianças! Para a Torre que o idiota do Koushiro falou pra ir.

— A Mimi não tem jeito. Me mata de vergonha — lamentou Palmon com a cabeça baixa.

— VAMOS LOGO, PALMON!!! — gritou ela já dentro do carro.

Assim eles foram com a louca da Mimi que só andava nos cem quilômetros por hora e passava todos os sinais vermelhos. No caminho, ela atropelou um Gazimon. Coisa normal. Mia e os outros se apavoraram com aquilo, parecia que a qualquer momento iriam bater em algum poste ou muro.


O outro grupo de digiescolhidos derrotaram todos os restantes dos digimaus em Odaíba. Não sobrou nenhum. Enfim, eles estavam indo na direção comum a todos. Daisuke e seu Lighdramon iam com Jin, Rose e seus parceiros todos juntos. Yamato e seu Garurumon, que apareceram logo depois, ajudaram na locomoção do Tai e seu parceiro. Ken era levado por Stingmon.

— Precisamos nos apressar. Metade da cidade está sendo quase completamente envolvida pelas trevas emitidas por aquele Daemon — disse Jin para Daisuke.

— Eu sei muito bem disso. Agora o Gennai nos disse que vocês são os únicos que poderão vencê-lo. Os novatos — falou o Motomiya.

...

As trevas de Daemon se espalharam para além do centro da cidade. Mais bairros e distritos foram mergulhados nas nuvens roxas do demônio.

— Agora as trevas vão se espalhar automaticamente pela atmosfera do planeta.

O vilão parou de emitir o poder maligno e deixou que ele agisse sozinho. Num ritmo mais acelerado a prefeitura de Tóquio já era tomada por 40% do seu território.


No congresso, os politicos estavam todos desmaiados no salão deliberativo. Homens, mulheres, políticos e civis. Todos foram atingidos.

Na sede do governo, o primeiro-ministro também ficou em coma. Além dele, seus acessores e os ministros de estado. Mas antes havia deixado a responsabilidade governamental para os militares.


IWO JIMA

Os pilotos receberam a missão para um ataque em larga escala na Torre de Tóquio. O alvo eram os que eles chamavam de youkais que invadiram o país.

Uma esquadrilha com dez jatos partiu do Pacífico e foi na direção da capital. Eles prepararam o arsenal.

— Quando virem os alvos, atirem sem hesitação — disse o capitão do grupo.

Os digiescolhidos perceberam a presença dos militares e ficaram nervosos, haja vista armas humanas seriam inuteis contra o imperador das trevas.

Daemon olhou para cima e percebeu os rasantes que os aviões deram.

— Humanos e as suas armas.

O demônio voou para uma altura muito mais alta e ficou parado no céu. Fez um pentagrama no ar e passou por ele. Aquilo era um portal para uma outra parte da cidade.

A esquadrilha se juntou para o ataque. Mas se deparou com o pentagrama surgindo diante dele.

— Mas que negócio é aquele?

— Capitão?

— Atirem.

Lançaram os mísseis.

Rajadas de fogo cor violeta saíram de dentro do pentagrama e acertaram os projéteis. As explosões afetaram a visibilidade dos pilotos.

De repente, Daemon apareceu gigantesco no céu. Tentou pegar um avião, mas o piloto desviou. Depois, lançaram mísseis nele, porém o monstro se protegia com um escudo de energia.

— Vamos sair daqui!

E foram embora.

— HAHAHAHAHA!!!! — Daemon gargalhou guturalmente ao presenciar a atitude covarde dos humanos.


GENETECH

Naomi desmaiou ainda no escritório do avô. A secretária e todos os funcionários no prédio foram atingidos pelas trevas.

Os espiões perto da torre também caíram no chão e permaneceriam lá por toda a luta posterior.

O único que se safou foi Matsunaga. O velho pegara o helicóptero e mandara o seu piloto sair do Japão.

— Tem certeza que foi melhor deixar a sua neta lá, senhor?

— Por enquanto eu só me importo comigo, Sakazuki. A minha neta é jovem, cheia de vida. Ela vai passar por essa.

O empresário não demonstrava empatia nem pela filha do seu filho preferido. Ryuu apenas pensava numa unica coisa: a sua sobrevivência.

...

Ainda na base da Torre de Tóquio.

— E então? Vem comigo? — perguntou LadyAngewomon para a Kari.

— Não faça isso. Ela está inventando dizendo que a novata está com ela. É uma cilada — T.K tentava convencê-la de não ir.

— Eu vou — falou ela, para o espanto do rapaz. — mas a Tailmon terá que ir comigo. Não me separarei dela enquanto for contigo.

— Tem certeza que é isso que quer, Kari?

— Sim, Tailmon. Pode me levar, já to pronta.

O loiro tentava convencê-la a não ir, no entanto era tudo em vão. A irmã do Tai estava decidida a ir com a digimon se encontrar com Lúcia onde quer que fosse. Lady Angewomon usou seus poderes místicos para levá-las consigo. Assim foram voando dali ao encontro de Lúcia.

...

Por mais louca que Mimi Tachikawa fosse no volante, ela chegava bem rápido ao destino. Em menos de vinte minutos já estava no centro de Tóquio, poucos quilômetros da torre. Entretanto, no caminho apareceu diante deles BlackWargreymon, impedindo a passagem. Ruan saiu com seu Hagurumon de dentro do veículo e quis ficar para lutar com ele.

— BlackWargreymon você vai pagar pelo que fez com a irmã do Paulo. Cade ela? — perguntou Ruan.

— Ela está neste exato momento presa com um digimon e pronta para ser destruída pelas mãos do imperador. Apenas aguarda o término do ritual que ele está fazendo — respondeu o general.

— Saia da nossa frente. Ou então seremos obrigados a te derrotar — disse Mia.

— Então estou muito curioso para saber o quanto vocês são capazes. Vamos, mostrem-me seus poderes — respondeu o digimau.

— Esperem, Mia e Betamon. Seria muito arriscado vocês lutarem contra ele. Seadramon tem fraqueza contra o BlackWargreymon. Agora vá com a senhorita Mimi e derrote Daemon. Depois nós chegaremos lá — disse Ruan.

Então ela foi com Betamon junta de Mimi. Ruan e Hagurumon ficaram para lutar contra o general das Trevas.

— Criança infeliz. Acha mesmo que podem me derrotar tão facilmente. Não ache que eu sou tão imprudente como o ChaosPiedmon e tão autoconfiante como o ChaosDukemon. Eu não subestimo os meus inimigos. Eu sou o General Estrategista das Trevas, BlackWargreymon.

— Então chegou o momento. Hagurumon megadigivolva e o destrua completamente — disse o menino com seu digivice e seu brasão brilhando.

...

SHIBUYA

Lúcia e Lucemon foram levados ao Templo Meiji a pedido de LadyAngewomon e eram vigiados por um Phantomon. A garota e seu parceiro ficaram esperando a decisão de Lady Angewomon. O loiro ficou acalmando a menina para que não chorasse de medo, pois suas vidas estariam em risco e o maior medo dela era não poder mais ver sua mãe nem seu irmão.

— Fique calma, Lúcia. Estou aqui para te proteger — disse ele, abraçando-a.

Na sequência, a porta do templo se abriu, revelando Kari e Tailmon. As duas correm na direção dos outros dois. Era um alívio para a menina ver um rosto conhecido. Phantomon quis intervir, no entanto foi destruído por Lady Angewomon com uma bola de energia de cor roxa. Sim, ela o destruiu. Os digiescolhidos ficaram sem entender com a ação dela, pois havia matado um aliado.

— Por que fez isso? — perguntou Kari.

— Porque chegou o momento. Mas não para lhes matar, mas sim o momento de contar toda a verdade por trás disso tudo.

...

HiAndromon lutava contra BlackWargreymon. O parceiro de Ruan foi pra cima do general, contudo este desviou muito rápido e usou seu tornado para atingi-lo.

— HiAndromon atrás de você — o garoto alertou.

O androide conseguiu se esquivar e aplicar seu golpe mais poderoso. O Raio Atômico foi lançado contra o digimau que não teve tempo de se defender e teve seus destruidores de dramon destruídos.

— Como isso é possível? Quanto poder! Se eu não agir logo de imediato, eu poderei ser destruído. Então eu terei que usar a minha energia das trevas para derrotá-lo.

— O que vai fazer?

— HiAndromon não cante vitória antes do tempo. Você vai se arrepender por ter me confrontado. Energia das Trevas! — BlackWargreymon forma uma imensa bola de energia negativa e a lançou contra seu oponente. HiAndromon pegou Ruan e o tirou dali, porque era muito perigoso para ele.

...

Enquanto isso...

— Que tipo de verdade você tanto fala? Eu não entendo. Antes você estava do lado dos digimaus. Agora fica contra eles. Afinal de que lado você está? — perguntou Kari.

— Não se preocupem. Nada acontecerá com vocês. Na verdade eu quero que me vinguem, destruindo definitivamente Daemon.

Kari, Tailmon e Lucemon ficaram surpresos com a declaração da mulher. Ela era uma serva do imperador, mas havia dito que queria que ele fosse destruído. O mistério em volta de LadyAngewomon estava prestes a ser revelado.

— Não entendo o que uma digimon que deveria ser a nossa inimiga querer a nossa ajuda — falou Lucemon.

— Eu entendi que ela quer que a gente derrote Daemon. Mas por quê?

— É isso mesmo, Tailmon. Digamos que eu fui enganada por ele. Contarei uma história real que houve no passado — ela caminhou na direção dos quatro. — Há muitos anos, no digimundo, ainda quando os tempos eram diferentes nos dois mundos, o primeiro Brasão da Luz surgiu. Mas por que surgiu naquele tempo? Nessa época havia surgido um grupo de digimons malignos chamados de Grandes Lordes Demônios. Eles conquistaram por um tempo o mundo digital e fizeram terror. Todos foram derrotados por um grupo de crianças escolhidas. Naquela época, surgiram os primeiros escolhidos para defenderem o mundo dos digimons. No entanto, Daemon não havia sido destruído e os seus dados foram acumulando até ganhar seu corpo original. Ele usou seus poderes para selar os brasões das crianças, contudo havia um grande receio por parte dele com a Luz, o único elemento no qual ele não conseguia dominar, nem consegue. Então seria necessário que tivesse um digiescolhido da luz para que assim pudesse eliminar Daemon de uma vez por todas do mundo digital. Entretanto, o imperador das trevas soube disso e impediu que a criança recebesse o digivice e conhecesse o digimundo. Logo em seguida tomou posse da digitama e do digivice. Assim nasceu a pequena luz que foi criada pelas trevas. O imperador das trevas criou o pequeno digimon e o treinou a dar valor mais as trevas do que a sua origem, a luz. Um dia, esse pequeno digimon quis realmente encontrar respostas sobre as suas origens e foi procurar até o mais alto cume dos montes digitais falar com uma besta divina. A besta sagrada lhe revelou que, encontrando o brasão, encontraria todas as respostas. Por instinto, o brasão foi encontrado pelo próprio digimon que o guardou com muito cuidado. No entanto, Daemon soube disso e logo se prontificou em dizer a verdade ou a possível verdade sobre o parceiro do tal digimon. Segundo ele, a criança abandonou o pobre coitado do digimon e nunca mais quis saber de encontrar seu parceiro escolhido. Começou a odiar a própria luz desde então e sempre ficou do lado das trevas. Quando estava muito tempo tomado pelas trevas foi depois que soube de toda a verdade através de uma conversa que escutara do próprio Daemon. Sentiu um grande ódio, no entanto era tarde. Já havia se passado muito tempo. Não havia nada que podia ser feito. Desde então as trevas tomaram conta desse digimon e nunca mais quis saber de luz alguma. Foi então, por fazer muitas maldades, foi banido para a área negra do digimundo e ficou lá até que retornasse nos dias atuais apenas para se vingar do seu carrasco.

— Nossa que história comovente. Eu nunca pensei que uma história assim existisse — disse Kari com lágrimas nos olhos.

— Coitadinho do digimon. E cadê ele? — perguntou Lúcia.

— Todos vocês... estão olhando para ele neste exato momento. Ou seja, sou eu — Lady Angewomon revelou seu segredo. Todos ficaram de boca aberta por ouvir aquilo.

...

A bola de energia fez um estrago na rua. Carros foram virados. Além disso, o poder explodiu num cruzado, criando um buraco de dez metros de fundo.

— Não é por que destruiu as minhas dramon killers que virei um inútil.

HiAndromon usou seus ataques físicos para acertar o general, mas este se esquivava com uma ligeira facilidade. Logo pegou e chutou o androide, que caiu na pista. O androide foi arrastando o asfalto por vários metros.

— HiAndromon, você está bem? — Ruan correu para o parceiro.

— Sim.

— Estou muito preocupado com o que acontecerá com o meu mestre. Eu não tenho tempo para ficar aqui e lutar contigo. Acabarei logo com esta luta desnecessária. Energia das Trevas!

BlackWargreymon formou uma imensa bola de energia negativa ainda maior e atirou na direção do androide. HiAndromon se levantou e segurou a imensa bola com suas próprias mãos.

— Aguenta firme — disse Ruan.

O ataque do BlackWargreymon jamais poderia passar, pois causaria uma explosão comparável a um míssil. Mataria os pedestres e motoristas desmaiados.

— Tem algo acontecendo com LadyAngewomon — disse o general ao olhar na direção do templo.

HiAndromon permanecia segurando a esfera gigante. Usou uma técnica especial que fez com que ele imitasse aquele poder e lançou o golpe mais a esfera contra o general. O digimau tentou se defender com seu escudo nas costas, no entanto era tarde demais. Foi atingido em cheio e teve a sua armadura completamente destruída.

— Não pode ser, ele conseguiu repelir o meu ataque. Então esta é a força de um digiescolhido? Quanto poder!

BlackWargreymon caiu ao chão desmaiado, mas não foi destruído completamente. Ruan e HiAndromon comemoraram a vitória e foram para a torre enfrentarem o Daemon em pessoa.

...

Enquanto isso...

— Quer dizer que é você? O digimon é você?

Kari estava impressionada.

— Sim, sou eu. É engraçado as coisas. A luz sempre sofrendo. Primeiro aconteceu comigo, depois com você Kari e por último com a Lúcia. Mas vocês tiveram sorte, pois encontraram com seus devidos parceiros. Nunca tive essa sorte.

— E depois de tanto tempo servindo a ele, agora quer se vingar. Como conseguirá isso? Não entendeu ainda que ele é um digimon na fase extrema?

— Kari eu tenho um jeito que poderá realizar a minha vingança. Mas antes eu tenho que dizer umas coisa. Quando eu servia à ele, eu tinha um ódio intenso para com a luz. Depois que eu descobri a verdade, passei a odiá-lo, mesmo assim o servia. Na verdade, quando eu era apenas uma Salamon eu já era a serva leal dele, não, sua escrava leal. Eu servia de escrava para ele. A única coisa que queria era servi-lo. Passei muito tempo sem saber o que é um calor de um parceiro, até ver a luta da Tailmon contra a LadyDevimon. No momento em que eu vi uma evolução, percebi pela primeira vez a luz. E percebi que você era a antiga digiescolhida da luz. Passei muito tempo infeliz, mas agora eu abri meus olhos e quero fazer justiça. Depois que vi a Tailmon digievoluir, eu pude sentir a brisa batendo no meu rosto, meu coração bater mais forte e o privilégio de sentir o que é a luz dentro de mim.

— Mas o que aconteceu com o Daemon? Por que ele não foi destruído antes? — perguntou Kari.

— Ele foi aprisionado no Mar das Trevas pelos primeiros digiescolhidos. No entanto, conseguiu se libertar, ele sempre acha uma maneira de sair de lá. Não há jeito, para se livrar dele tem que ser morto e destruído definitivamente. Por mais que o aprisionem em qualquer dimensão que for, ele sempre voltará. Como aconteceu nesses dias atuais. Agora ele realizará o sonho que ele sempre quis realizar. Na verdade, ele matará todos os humanos deste planeta e transformará todo este lugar em um lugar com trevas. Apenas os digimons continuarão vivendo. Quando isso acontecer.... ele vai separar todos os digiescolhidos dos seus parceiros... assim como ele fez... comigo — disse Lady Angewomon chorando bastante.

— E como poderá vencê-lo? — perguntou Lúcia.

Ela retirou o brasão de seu pescoço.

— Este é o meu brasão. O primeiro brasão da Luz. Ele nunca serviu pra mim, mas servirá pra você, menina Lúcia.

Ela segurou o objeto na mão e ele começou a brilhar e se fundiu com o brasão da menina até formar um único brasão da Luz. Assim que isso aconteceu, Lady Angewomon começou a passar mal. Estava morrendo aos poucos. Todos foram socorrê-la.

— LadyAngewomon! — disseram em uníssono.

— Não se preocupem comigo, eu estou nos meus últimos momentos. Meu digi-núcleo está acabando, não me resta muito tempo. Agora vocês têm que se preocupar em deter Daemon. Cuidado com ele. Seu poder é imensuravelmente maior do que os três generais juntos, não descuide — ela sentou no piso do templo, pois não tinha mais forças para ficar em pé e segurou na mão do Lucemon. — Garoto, a luz agora é sua.

— Lady Angewomon, é minha a luz?

Ela pegou o objeto parecido com o digivice e entregou para a Kari. O objeto era antigo e bem maior do que o digivice comum.

— Esse foi o primeiro digivice que foi criado. Não me serviu, exceto para encontrar o meu brasão e o brasão da Lúcia. No entanto serve pra localizar o meu parceiro que eu nunca conheci. Façam um favor para mim, se o encontrarem por aí digam que eu gosto muito dele e que... infelizmente as circunstancias não permitiram nos encontrarmos e sermos parceiros. Dê essa mensagem para ele.

— Aguenta firme, Lady Angewomon...

— Não, Tailmon. Não dá mais. A única coisa que tenho a fazer é ... esperar o meu fim... agora vão rápido, não há mais tempo...

Assim Kari e os outros saíram dali. Lady Angewomon os viu saindo e ficou lá esperando apenas a hora da sua morte.

"A luz esteja contigo menina" — pensou Lady Angewomon começando a brilhar e reduzir de tamanho.

...

Beelzebumon e Paulo viram BlackWargreymon deitado ao chão e foram vê-lo. O general estava muito ferido e não lhe sobrava muito tempo de vida. De repente, o céu começou a escurecer e o dia ficou parecido com noite assustando o digiescolhido.

— O que é aquilo? Por que está tudo escurecendo? — perguntou o garoto.

— Fi... finalmente chegou o momento que... o mestre tanto... quis. Agora o seu mundo será... envolvido pela trevas... Daemon conseguirá eliminar todos os humanos e... dominar os dois mundos... hehe esse é o meu mestre... — Em seguida, BlackWargreymon morreu e virou dados negros, que foram na direção do topo da torre.

— Isso quer dizer que o Daemon vai conseguir dominar os dois mundos?

— Paulo segure firme. Eu serei o mais rápido possível — ele levantou voo e foi em direção à Torre de Tóquio.


O grupo de Daisuke e os outros chegou finalmente à base da Torre. Todos olharam para cima e ficaram chocados com a escuridão que se formava. Era uma energia muito mais escura do que o roxo de antes. A energia se espalhava numa velocidade ainda maior. Toda a prefeitura de Tóquio foi coberta pela escuridão. Além disso, as prefeituras de Chiba, Kanagawa e Saitama começaram a escurecer.

Algo surgiu do topo da torre e caiu diante deles. Era Lorde MagnaAngemon. Daemon em sua forma sagrada.

Todos ficaram surpresos com o anjo aparecendo para, finalmente lutar.

— Olhem é ele. É o Daemon em pessoa — disse Jin, surpreendendo os veteranos que custavam acreditar que aquele anjo de luz era o imperador das trevas.

De luz MagnaAngemon não tinha nada. Era apenas aparência. Porém o vilão sequer manipulava o sacro atributo de luz.

— Então se aquele é o próprio Daemon numa outra forma, então a verdadeira luta começou — disse Taichi sem se intimidar.

Lorde MagnaAngemon continuou brilhando intensamente na cor violeta e parou ao pisar no chão. Formou o pentagrama ao seu lado e tirou uma espada.

— Excalibur — disse ao puxar uma espada.

Continua...