Notas iniciais
Meus leitores eu peço desculpas (sempre esse clichê) por ter demorado nessa fanfic, mas é porque bateu o velho branco e fiz este capítulo até meio que arrastando meus neurônios. Enfim, deixo-vos mais um capítulo para alegria de vocês. ^^

CAPÍTULO 050

Em uma parte do Continente Servidor, relatos de desaparecimento de digimons surgiram desde que os Lordes das Trevas tomaram conta. O local mais suspeito era na grande região metropolitana de Dark City.

Dark City parecia mais uma floresta de pedra. Os prédios tinham uma cor grafite ou acinzentada. Mas havia pequenas cidades nas periferias. Por exeplo, a cidade Metrópolis, aquele em que os digiescolhidos conheceram KingEtemon, fazia parte de toda a região de mais ou menos 2 mil quilômetros quadrados de puro prédio e sem nenhuma planta. Também havia uma grande cúpula de mais de 1 quilômetro de altura e 100 de diâmetro. Além de muralhas metálicas que circundavam a cidade.

— Alguém entrou no setor oeste, mestre — falou um Solarmon no salão de comando do subsolo.

O salão de comando era repleto de monitores. Havia o monitor central, que era enorme e servia para monitorar toda a área da metrópole.

No centro, um trono feito com partes de digimons metálicos. O lorde Raijinmon era aquele sentado e dando ordens aos seus subordinados.

— Verifique quem é?

Surgiu a imagem de Aiko e MasterTyranomon.

— Eles entraram sem perceber.

— Fechem por onde entraram.

O muro metálico saiu do chão e subiu até uns vinte metros, trancando o digiescolhido e o seu parceiro dentro da Dark City.

— Atacamos?

— Não. É necessário que eles tenham algum contato com os rebeldes. Deixem o exército do império de metal vigiando sem atacar.

Os Solarmons deram o recado aos soldados.

Na cidade, Tankmons, Mechanorimons e Sealsdramons mantiveram a ordem e ficaram no aguardo de quaisquer ordens do seu mestre.

Enquanto isso, os rebeldes de Dark City eram um grupo de digimons que viviam na região antes de Raijinmon roubar as suas terras e transformá-la no império das cidades. Desde então travavam batalhas contra o tirano.

— Última informação obtida do lado de fora da cidade — corria uma Floramon pelas ruas da periferia. — ChaosMetalSeadramon foi derrotado!

Os habitantes da Cidadela ficaram impressionados com a notícia.

O líder dos rebeldes se aproximou de Floramon e afirmou que os digiescolhidos estariam em breve na cidade e que seria o momento perfeito para aliar forças.

Ainda em Dark City, a cidade que nunca amanhece, um raio desceu e atingiu um satélite em formato de ouriço. Vários raios menores saíram do objeto e caíram nas cabeças de cada habitante. Mas a eletricidade não os machucou, e sim energizou um pequeno cristal de brilho amarelo que flutuava em suas cabeças.

...

Márcia ficou olhando para algo que a perturbava muito. A moça observou algum tipo de "bicho de olhos grandes" que a encarava. Na realidade o tal "monstro" ficou atrás de uns arbustos e só olhava para ela. Isso a intrigou.

Ray conseguiu, finalmente, chegar até onde a mulher estava. Eles ficaram se encarando por alguns segundos até que o homem quebrou o gelo entre os dois.

— Você está bem? O que houve? — perguntou tentando se aproximar dela.

— Um... monstro ali... ali atrás daquela moita. Ele tem olhos grandes — respondeu ainda impressionada.

— É aquilo? Caramba, ele está olhando sem parar — disse também impressionado.

— Eu disse. É o nosso fim!

Ray olhou mais um pouco e percebeu que o tal "monstro" não se mexia. Apenas olhava para eles. O homem se aproximou e ficou observando se o bicho faria alguma ação. Não, não fez. Agora ele ficava olhando e encarando Ray. Este percebeu que o bicho era muito pequeno.

— O que era? — perguntou a mulher curiosa.

— Ah, Márcia, você faz muita tempestade num copo d'água. — disse ele dando um sorriso e se abaixando. Depois pegou o tal "monstro". — Olha o seu monstro horroroso.

— Hã? Então era isso...

Ray pegou o digimon que assustava a mulher. Era um digimon bebê que estava com medo da presença da estranha, por isso ficou escondido atrás do arbusto.

— Olha, Márcia. É só um Ketomon bebezinho. Ele não é lindo? — disse ele se aproximando dela.

— Ai. Isso me estressou muito — disse se levantando do chão e limpando o short — E o que você faz aqui? Não se lembra que temos mais nada um com o outro.

— Márcia, quantas vezes tenho que me desculpar?

— Você errou muito. Não acredito que quase tentou matar a minha filha...

— MAS EU IA TE DIZER!!! Desculpa. Márcia, você se deixou envenenar pela Lilithmon. Olha pra você. Não consegue me perdoar nem eu pedindo perdão — daí ele se ajoelhou na frente dela. — Por favor, preciso que me perdoe. Eu te amo.

A mulher tomou um grande susto ao ouvir dele que a amava. Ela ficou confusa, perdida em seus pensamentos.

— O amor que eu sinto por você é sincero. Acredite. Me dá só mais uma chance.

Por fim, Márcia perdoou Ray, mas disse que ele precisaria da aprovação dos filhos, principalmente Paulo.

Eles saíram juntos do pântano. Ketomon quis ir também.

— Que tal um nome a ele?

— Nome? Até pouco tempo você estava com medo dele.

— Águas passadas. Vai ser Mike. Que tal?

— Digimons não são pets, mas acho que esse nome caiu bem nele.



Voando pelos arredores do pântano, um dos três generais das trevas tentava procurar Ray. Ele sentia a presença da semente das trevas por perto.

— Hehe estou sentindo, está perto — depois de olhar a região, viu a presença dos humanos. — Ali está!

Ray e Márcia voltara à estrada de antes, mas foram surpreendidos pelo digimau que parou bem em frente deles. O homem ficou na frente da mulher num ato de protegê-la.

— Quem é você? — perguntou desconfiado.

— Olá, ex-ShadowLord. Hehehehe...

...

No restaurante, o senhor Digitamamon chamou o trio para uma conversa séria.

— Estão despedidos!

— Senhor ovão, nos dê mais uma chance — pediu Conceição.

— Sim, senhor Digitama. Nós seremos bonzinhos e faremos tudo certinho — disse a duquesa.

— Farão tudo certo? Vocês falaram de uma forma tão tentadora que me deu até vontade de reconsiderar e voltar atrás.

— Fala sério? — perguntou a empregada.

— Falo! Caiam fora daqui antes que eu fique nervoso!!

Poucos minutos depois, eles já estavam na estrada.

— Minhas queridas, olhem o quanto eu tirei do caixa. Cerca de duzentos dólares. Agora soma com os que nós já vínhamos pegando durante uma semana. Ao todo temos trezentos dólares — disse mostrando as cédulas.

— Meu amor, você é um gênio. Agora podemos andar por esse digimundo sem nos preocuparmos no que comer, no que beber. Olha, Conception, estas cédulas... Conception? Conception!

— A Conception ficou surda? — perguntou o duque.

Conceição parou e olhou bem pra eles com uma certa raiva.

— Escutem os dois. Meu nome não é Conceição, muito menos Conception. E não os direi qual é o meu nome. Por favor, PAREM DE ME CHAMAR DE CONCEPTION!!!! MEU APELIDO É CONCEIÇÃO. ÃO, TERMINA COM ÃO!!!!!! — e saiu bufando.

Os duques ficaram paralisados com a reação da empregada. Nunca ela teve esse problema com o nome, ou melhor, apelido. Ficaram mais curiosos ao serem informados de que Conceição não era o nome dela, e sim o apelido. Mas qual seria o nome dela?

...

Muito distante dali...

— Me diga quem é você? — perguntou Ray.

— Caro ex-ShadowLord, você foi tão ingênuo. Achou mesmo que fez essas maldades sozinho? Que treinou os lordes sozinho? Pura ingenuidade. Você sempre teve uma forcinha de outra pessoa — disse o general.

— O que? Eu fui influenciado?

— Sim. Não lembra do seu mentor. Adrien King.

Raymond arregalou os olhos e passou a ficar ansioso. Lembrou perfeitamente daquele homem. Mas o que King teria a ver com aquele digimon?

O general sorriu (era o mais malicioso dos três).

— Sim. Ele implantou algo dentro de você, dando inteligência sobre-humana. Algo que, agora, ele quer de volta. — O digimau estendeu o braço na direção de Ray e abriu a palma da mão como que querendo algo.

— AAAAHHHHHHH!! — gritava Ray da tamanha dor que sentia na nuca. — Essa dor de novo.

— Essa semente das trevas foi fruto do trabalho conjunto era o meu mestre e Adrien King a fim de transformá-lo na marionete perfeita. Aquele que achava que iria dominar o Digimundo e que se autointitulou ShadowLord. Pfff... HAHAHAHAHAHAHA. VOCÊ NÃO FAZ IDEIA DO QUE É O DIGIMUNDO.

— Ray! Meu amor, o que você tem? — perguntou Márcia muito preocupada.

Ele ficou de joelhos e apenas colocou a mão atrás da nuca num ato de tentar fazer parar aquela dor insuportável. Foi aí que algo saía de dentro dele.

— Ai, meu Deus, o que é isso? — nesse momento Márcia via um tipo de esfera negra saindo da nuca de Ray. Um tipo de esfera do tamanho de uma bola de gude.

A semente das trevas flutuou e ficou emanando uma aura roxa.

— Viu, a dor foi passageira. Olhem a semente que foi implantada em você. Ainda continua intacta como antes — falou o general. A semente foi parar na mão dele.

— Quem é você? Eu nunca o vi antes. Eu já vi todo o tipo de digimon e sua cara não é familiar. — perguntou Ray.

— Eu me chamo ChaosPiedmon. Agora saiam da minha frente, seus humanos sujos — ele conseguiu abrir um portal para outra parte do digimundo e os empurrou para dentro.

Enfim, os dois, juntamente com Ketomon, foram para um outro lugar do mundo digital. A ida era aleatória, portanto não tinham destino definido.

ChaosPiedmon saiu dali e foi para outro lugar. Muito provável na área das trevas para entregar a semente ao Patamon das Trevas.

...

DARK CITY

Kentarumon fugia da horda de Commandramons atrás dele. Levava um Mojyamon em suas costas.

— Aguenta firme — disse o centauro ao amigo desmaiado.

Os soldados atiraram assim que o viram. Mas Kentarumon era habilidoso para escapar. Ele pulou sobre os soldados e entrou na Cidadela, uma parte da cidade dominada pelos rebeldes.

Cidadela era um distrito pobre, sem prédios e com edificações baixas e antigas. O refúgio daqueles que lutavam contra o império. Suas ruas eram sujas e úmidas. E apesar de estar dentro da Dark City, havia um sistema de segurança próprio que impedia Raijinmon de agir ali.

— Aqui está ele.

Dentro de um hospital improvisado, colocou Mojyamon deitado numa cama. Outros digimons estavam sendo tratados. E o número de pacientes aumentou desde que Raijinmon e os outros lordes iniciaram a caçada aos digiescolhidos.

O líder da rebelião era MachGaogamon. Ele era o único da oposicão na forma perfeita e que já lutou diretamente contra Raijinmon. Ele se aproximou de Mojyamon e pediu que o tratassem de forma adequada.

— Chefe! Chefe! — Starmon surgiu.

— O que houve?

— Indentificamos a presença de um humano na cidade.

MachGaogamon pensou logo nos digiescolhidos.


Aiko Kyoto e seu parceiro MasterTyranomon continuaram a exploração na metrópole. Eles nem imaginavam que foram presos e que só sairiam caso destruíssem a cúpula — o que era quase impossível. Caminharam pelas ruas, viram os digimons vivendo normalmente.

— Aiko, nós faremos o que aqui?

— Master, eu não sei. Nós estamos viajando, por isso qualquer lugar é bem vindo pra mim.

O rapaz viu alguns digimons caminhando nas calçadas. Um Commandramon surgiu e mandou os dois pararem.

DIGIMON: COMMANDRAMON

ATRIBUTO: VÍRUS

NÍVEL: CRIANÇA

NPD: 10.000

DESCRIÇÃO: UM PEQUENO DRAGÃO ARMADO E CAMUFLADO QUE GOSTA DE IR ÀS GUERRAS. SÃO OS SOLDADOS MAIS COMUNS DO IMPÉRIO DE RAIJINMON.

— Raijinmon... esse nome não me é estranho — Aiko falou baixinho.

— Seus nomes e o que fazem na cidade?

— Eu sou... — Aiko pensou que seu nome chamaria atenção. — Amino. E esse é o MasterTyranomon. Nós só viemos para passar as férias.

— Amino? — Commandramon olhou no tablet e viu o rosto do garoto. — Então podem passar. Tenham um bom passeio.

O soldado sabia da identidade dele, porém não atacou por ordem do Raijinmon. Precisavam esperar o contato entre os rebeldes e os digiescolhidos.

Aiko permaneceu andando e pediu que MasterTyranomon o segurasse.

— Master, percebeu algo de errado?

— Percebi. Anoiteceu de uma hora para outra.

— Isso também, mas tem outra coisa. Em cima da cabeça dos moradores há algo brilhando parecido com uma estrela. Mas aquele Commandramon não tinha.

— Então estamos no território de um lorde. Acha que o seu irmão está por trás?

— Não sei. Mas eu já ouvi falar desse Raijinmon antes numa conversa do Ray com a Lilithmon.


Enquanto isso, os dois eram observados por uma transmissão feita em tempo real. Era o salão de comando do Raijinmon.

— Mestre Raijinmon, Aiko Kyoto deu um nome falso ao soldado — falou o comandante MetalPhantomon.

— Ele pensa que o irmão dele ainda é ShadowLord. As notícias não correm bem por aí. Melhor para nós.

Os Solarmons alertaram que mais humanos entraram na metrópole. Mas ainda não havia uma imagem de quem seriam.

— Hoje Dark City está movimentada — Raijinmon expelia faíscas pelo corpo.


Aiko viu um restaurante e quis logo entrar, contudo o dono Terriermon não deixou o menino entrar.

— Por quê? Tenho dinheiro.

— Não é questão de dinheiro. Humanos não são bem-vindos ao meu restaurante.

Terriermon tinha uma estrela sobre a cabeça.

— Vamos, Master.

MasterTyranomon não gostou muito do lugar e pediu para que eles fossem ao outro lado da cidade que possivelmente seria mais interessante. Eles foram.

— Terriermon normalmente são dóceis. Mas esse possui aquela estrela na cabeça. Com certeza estão sendo manipulados — comentou Aiko.

O exército do império de metal estava de olho no digiescolhido.

...

Ray e Márcia foram parar, coincidentemente, dentro da Dark City. Ele, já sabendo dos domínios de Raijinmon, pediu para que sua parceira o seguisse para dentro de um prédio. Eles adentraram num edifício residencial com prováveis vinte andares e ninguém morando.

Márcia ficou observando a aparência interna do edifício e ficou estupefata com a grande semelhança com os prédios do mundo real. O prédio tinha escadas, térreo, elevador e outras coisas que qualquer edifício tinha.

— Levando em consideração que o Digimundo é uma cópia da Terra, não e de se estranhar que haja um lugar assim — falou ela.

— Melhor subirmos antes que o exército do Raijinmon apareça. Nesse momento ele já sabe que tem humanos aqui.

Eles subiram pelo elevador e foram até o vigésimo andar. Chegando lá deu de cara com uma cobertura TODA MOBILIADA. Sim, o apartamento era mobiliado, mas não tinha absolutamente ninguém.

— Como ele saberia da gente?

— Essa cidade tem sensores em todos os lugares. Qualquer um que entra é imediatamente detectado. A nossa sorte que o portal abriu perto daqui e deu tempo de nos escondermos.

A mulher foi até a varanda. Ray a puxou pelo braço.

— Ei, só não fique na varanda, pois Raijinmon tem câmeras por toda a cidade, além de sensores, radares e GPS. Esta cidade é toda mapeada — disse ele. — Pode se acomodar no sofá. Eu só vou ao banheiro.

— Sim, já percebi que aqui não se parece nadica com Fortaleza, nem com São Paulo, nem com o Rio ou qualquer cidade metropolitana do Brasil. Aliás, aqui não é nada igual com nenhuma cidade metropolitana do mundo humano — disse sentando-se num sofá L alaranjado.

O apartamento em que estavam era semelhante ao apartamento em que Ray morava. Tinha o mesmo modelo. Até as mobílias eram iguais. Foi por isso que ele conhecia muito bem cada cômodo daquela cobertura. Sabia exatamente onde ficava o banheiro.

Márcia ficou brincando um pouco com o Ketomon quando escutou alguns passos fortes vindos da rua. Apesar dos aviso do seu namorado, a sua curiosidade falou bem mais alto. Ela foi vagarosamente até a varanda, abriu as cortinas brancas e passou. Ela ficou de cócoras e subu mais um pouco até ficar com a sua cabeça sobre o parapeito de concreto. Ela observou um grande digimon dinossauro escuro andando com algo que talvez fosse um outro digimon em suas costas. A mulher não viu muito bem o que ou quem era, porque estava vinte andares acima. Saiu rapidamente e voltou à sua posição inicial no sofá.

— Tudo bem com você? — perguntou Ray enxugando o rosto com sua própria camisa.

— Sim — respondeu bem direta.

— Ei... — disse ele sentando ao lado dela — tivemos sorte e ao mesmo tempo azar. Sorte porque viemos parar numa cidade onde podemos encontrar lugares para ficar. Azar é que o lugar é dominado por um exército de máquinas.

— Fico com a parte da sorte. Tudo o que eu quero é descansar... — ela percebeu que o seu namorado ficou com a cabeça baixa, pensativo. Parecia que ele não a escutava — Ray, o que foi?

— Hã? Não nada.

— Não me engane. Nesse pouco tempo em que ficamos juntos eu já o conheço muito bem. O que o perturba?

— Eu vou te contar de algo do passado...

...

PRÉDIO DAS TREVAS

Dentro de uma das celas de contenção, Emma White passou dias presa sem dizer uma única palavra, para o espanto de Insekimon. Pacientemente acreditou que os digiescolhidos a salvariam, contudo não podia ficar parada. Seu objetivo como espiã era coletar dados para a sua agência. Dois dias após o seu sequestro, por exemplo, resolveu arrancar o molar direito da sua boca, haja vista servia como transmissor para a sua agência. Sentindo muita dor, arrancou com o cabo da colher que comia os alimentos trazidos. Sangrou a boca, porém conseguiu pegar o dente-transmissor. Abaixo dele havia um minúsculo botão vermelho. Apertou e colocou na orelha direita como ponto de transmissão.

Um dos agentes no prédio da Secret Pol Department captou o sinal, fraco, mas suficiente. O seu chefe pediu que entrasse em contato com o sujeito da transmissão. Ficaram surpresos quando a voz de Emma surgiu. Pensaram que ela havia morrido ou desaparecido.

— Não... problema nenhum... digimundo...

— Ela quis dizer que está fazendo essa transmissão dentro do digimundo. Como essa mulher é esperta como o pai. Melhore a transmissão.

— Sim, senhor.

Com dificuldade, entenderam sobre a sua prisão dentro do prédio das trevas, mas que não intervissem. Logo anotaram todos os aspectos daquele mundo ainda desconhecido por 95% da população mundial.

E foi assim por dias até que um dia a transmissão foi cortada e Emma se viu isolada naquela cela à espera dos digiescolhidos, sobretudo da sua irmã, Mia White.

Lotusmon foi ter com Lilithmon. A nova ShadowLord levou uma notícia de grande interesse para a líder. A ShadowLord, com sua habilidade de voar, comum à todos os digimons na forma extrema, chegou na varanda da cobertura e adentrou. Lilithmon a esperava ansiosa.

— O que descobriu, Lotusmon? — perguntou sem rodeios.

— O projeto que o antigo ShadowLord planejava. Eu descobri o que era.

— Que maravilha. E o que era? — perguntou na maior expectativa.

— O Projeto do antigo ShadowLord referente àquela torre negra é...

...

MachGaogamon usou um casaco preto com capuz para esconder a sua identidade e saiu da Cidadela. O seu objetivo era unir forças com os digiescolhidos. Ele sequestrou um Commandramon e pegou a sua arma.

— Onde fica a sala de comando do Raijinmon? Fala.

Mas o Commandramon se recusou.

— Ele não pode falar, porque é apenas um reles soldado.

O inimigo da vez era um Hi-Commandramon. Ele parecia um pouco com MetalGreymon, porém com o elmo vermelho e preto, cabelos amarelos, uma armadura verde pelo corpo, uma metralhadora enorme no braço esquerdo e um escudo no direito.

— Não me assusta um digimon na fase adulta.

Assim que MachGaogamon falou, outros Hi-Commandramons surgiram. Dessa vez o líder rebelde correu para fugir.


Nesse meio tempo, Raijinmon soube das ações hostis de MachGaogamon e mandou o major número de soldados possível para capturá-lo.

— Ele parecia tão cuidadoso. Por que age feito um tolo?

— MetalPhantomon, sua visão sobre o líder rebelde é pobre. De tolo ele não tem nada. O desejo dele é me derrubar. Ele está assim por causa do Aiko Kyoto. Ele quer ajuda de algum digiescolhido para alcançar o objetivo.


Os demais digiescolhidos ficaram caminhando numa estrada parecida com uma rodovia. Ruan, Rose, Jin e seus digimons pegaram uma longa e pavimentada estrada que dava acesso direto à metrópole.

As crianças cansaram tanto pela longa caminhada quanto pelo calor que fazia. Toda região era inóspita e não tinha uma sombra fresca sequer, nem árvore e nem cacto pra servir de abrigo.

Rosemary, por ser a mais delicada da turma, cansou-se mais rápido e não conseguiu prosseguir. Foi acudida por Palmon, que já evoluíra de Tanemon.

— Rose, tá doente de novo? — Palmon ainda não esqueceu da saúda da garota.

— N-não é isso. Eu só estou cansada demais — respondeu com as mão sobre o joelho tentando se recompor.

— A Rose e suas frescuras. Vai ficar pra trás, hein? — respondeu Ruan sem se importar com o estado da colega.

— Você fala isso... porque não é você que acabou de sair de uma doença. Quer saber de uma coisa? Eu não vou dar gostinho pra você, não — ela saiu em disparada e foi na frente.

— Rose, espere — disse Palmon.

— Você pegou pesado com ela, sabia?

— Jin, eu só dei um empurrãozinho pra ela. Olha só, ela já está lá na frente.

— Jin, olha lá. Aquilo não é uma cidade? — Mushmon observou no horizonte a famosa Cidade Metrópole.

— Sim, é uma grande cidade. Ainda bem que estamos perto — disse pegando um binóculo na mochila — Tenho certeza que é a mesma cidade em que estávamos antes. Lembra-se quando conhecemos KingEtemon pela primeira vez?

— O nosso destino é aquele. Tomara que não tenha nenhum digimon do mal ali — disse Ruan também olhando pelo objeto. — Vamos o mais rápido possível. Quem vai acabar cansando aqui serei eu.

Mushmon e Hagurumon chegaram à entrada da cidade, mas barraram num campo de força invisível. Era a borda da Dark City.

— O que houve?

— Ruan, olha só — Hagurumon chamou.

O menino estendeu a mão e tocou numa superfície sólida. Viam a cidade do outro lado, porém não podiam passar.

— É duro feito aço — o espanhol deu algumas batidas.

Jin caminhou por alguns metros e analisou. Chegou à conclusão que existia um objeto intransponível de verdade, mas que estava camuflado por um campo de força.

— Eu quero água... — Rose estava com as pernas bambas.

— Eu... também — Palmon.

— Psiu. Ei, Psiu.

Depois de escutarem alguém chamar, Rose e Palmon chegaram perto de uma cabine telefônica e entraram. O chão abriu e as duas caíram num instante.

— Rose? Palmon? Cadê elas? — indagou Ruan.

— Elas sumiram?

A menina e a sua digimon escorregaram por vários metros até caíram numa quarto acolchoado. Depois o quarto subiu como num elevador. A porta abriu, revelando Starmon.

— Bem-vindas à Cidadela.

Ruan e Jin chamaram pelas duas. Até escutarem o mesmo "psiu" de antes.

— Hagurumon digivolve para Guardromon! Granadas!

Ruan não quis nem saber. Mandou Guardromon atirar e explodir a cabine. Um digimon saiu e gritou com o digiescolhido.

— ERA PRA VOCÊS ENTRAREM NA CABINE. NÃO EXPLODIR TUDO!!!

Jin se aproximou do pequeno e perguntou o nome.

— Eu me chamo Kamemon. Faço parte daqueles que querem acabar com o lorde Raijinmon.

...

No mundo das trevas...

BlackWargreymon perguntou o motivo de ter sido trocado por ChaosPiedmon na missão de buscar a semente. Patamon, porém, sequer respondeu o servo.

— Mestre, está aqui a semente que retirei do humano — disse ChaosPiedmon mostrando ao Patamon.

— Ótimo. Ofereça isso para Lilithmon. Eu tenho certeza de que não recusará.

— Sim, mestre — ChaosPiedmon saiu dali por um portal especial. ChaosPiedmon foi o terceiro general a aparecer, ou seja, ele esteve presente na luta de Rosemon com Lotusmon.

— Falta pouco, muito pouco para eu digivolver para a forma perfeita. Assim eu poderei controlar um quarto do meu poder, sair dessa lugar tal como combinei com aquele demônio do Aranha. Mas as minhas ambições vão muito além de invadir apenas o digimundo!

Sem obter resposta, BlackWargreymon apenas ficou prostrado.

...

Enquanto isso, Ray se abria para Márcia. Ele contava sua história do passado.

— Meu envolvimento com os digimons começou há onze anos quando Odaíba foi invadida novamente pelos digimons. Na época, eu era um adolescente e estudava o último ano do ensino médio. Fiquei tão fascinado com os seres digitais que comecei a estudá-los. Ficava horas e horas na internet tentando procurar algo, mas não tinha êxito. Daí me surgiu a ideia de me formar na área de informática. Minha sede de informação pelos digimons era tão grande que além da faculdade, eu fazia um curso profissionalizante sobre programação e criação de programas e softwares, enfim, consegui criar um programa chamado D-GATE graças à ajuda do meu professor na época chamado Adrien King. Este programa foi responsável pela minha vinda ao digimundo. Você e os outros, exceto os digiescolhidos, só vieram graças ao programa que instalei no digimundo. Foram cinco anos de tentativas até chegar aqui.

— Interessante, mas onde entra seu irmão nessa história toda?

— Foi há cinco anos. Eu havia terminado a faculdade e me dedicava apenas ao estudo dos seres digitais fora do Japão. Isso durou mais ou menos na época que eu viajei para o norte da Escócia visitar o país natal desse meu tutor. Assim que eu aprendi, voltei para o Japão. Um dia algo muito trágico aconteceu. Meus pais e meu irmão fizeram uma viagem até Hikarigaoka de carro. Eu não fui. Na volta deles, sofreram um acidente trágico na estrada. Meu pai foi fazer a ultrapassagem num caminhão e não percebeu que um outro caminhão vinha no sentido oposto. Meu pai, pra não bater, desviou do veículo e saiu pela encosta do morro. O carro logo saiu desgovernado ladeira abaixo e capotou até atingir uma árvore. Meus pais morreram na hora, meu irmão ficou muito ferido. Ele teve uma costela quebrada e por isso teve que operar. Quando eu soube da notícia, fui voando para o local e me desesperei ao saber da morte dos meus pais, mas fiquei um tanto consolado quando descobri que meu irmão continuou vivo. Fui até o hospital de Hikarigaoka e fui vê-lo. Tão delicado, tão pequeno naquela maca indo ao centro cirúrgico. Foi quando eu prometi à ele que o cuidaria e que eu seria seu maior protetor. Dias depois, ele melhorou e fomos pra casa. Me responsabilizei por ele, visto que minha mãe era órfã desde criança e meus avós paternos já haviam morrido. Nesse tempo, falei do digimundo pra ele e o trouxe pra cá na esperança de dá-lo alegria. Algum tempo depois comecei a ter outra visão do digimundo e a mudar as minhas atitudes. Virei o ShadowLord. Até alguns dias atrás eu era como um ditador no digimundo. Criei um terrível exército de digimons malignos, criei Lilithmon com meu DNA, roubei o digiovo de Lucemon e coloquei um pouco do meu DNA nele. Por isso ele tem a habilidade de ficar na forma humana. Exterminei, tiranizei, oprimi. Fiz horrores achando que era por conta própria, mas vi que fui usado. Tentei impedir os digiescolhidos de todas as maneiras. Cometi mutos pecados, porém o meu maior pecado foi ter batido nele — Márcia ficou curiosa — eu fiquei louco, maluco de poder. Um dia eu bebi, me embriaguei e descontei a minha raiva nele. Eu... — Ray começou a chorar — eu... dei um tapa nele. Fui tão injusto com ele. Nunca em sã consciência faria isso com ele. Depois ele resolver ir embora e me deixar. Agora... imagina o meu desespero. Fiz uma promessa ao meu querido irmão de protegê-lo, mas...protegê-lo de quem? De mim mesmo? Eu sou um canalha!

— Não. Não, Ray, você não é. Você é um homem bom, justo. Arrependeu-se de tudo o que fez. Isso é o que importa — disse Márcia segurando na mão do outro. — Você sofreu demais nessa vida. Está na hora de limpar sua consciência com outra pessoa.

— Como assim?

Márcia o beijou e falou que queria ser a sua namorada. O homem a abraçou de emoção. Raymond Kelvin Kyoto teria uma segunda chance.

Notas finais
Então, como agora eu tenho mais de uma fanfic, preciso atualizar todas e não está nada fácil atualizar esta. Portanto atualizarei duas ou três vezes por semana. Normalmente atualizarei na segunda e na quinta(mais tardar na sexta). Se eu tiver inspirado aí posso até atualizar no sábado. Deixo com vocês mais dois mistérios. Qual é o nome verdeiro da Conceição e qual é o plano que Lotusmon descobriu? E finalmente campanha: Leia minha fic de terror. Eu fiz uma fanfic de terror e estou os convidando a lê-la. Eis o link: http://fanfiction.com.br/historia/321905/Estorias_De_Horror/