CAPÍTULO 027

No mundo real, Lúcia e Picklemon disseram sobre Lucas. Também disseram sobre o envolvimento dele com o Exército Negro, falaram sobre ShadowLord e sua influência, sobre as revelações que o vilão fizera, enganando Lucas, que acreditava ser humano até então. Todos ficaram impressionados com a história deles, sobretudo Paulo, que ficou um pouco chateado com o digimon que estava deitado na cama da sua mãe, haja vista ele queria eliminar a sua irmã. Mas Lúcia pediu que ele o perdoasse.

— Só por você — disse ele ao abraçar a menina.

— Precisamos voltar — comentou Impmon. O baixinho comia um pedaço de bolo.

Apesar do momento familiar, o garoto e Impmon, este todo cheio de curativos e band-aids pelo corpo, tinham que voltar para o Digimundo, para a tristeza de Márcia. Eles explicaram que tinham de consertar as coisas no Digimundo e prometeram aos outros que voltariam. Além disso, o rapaz tinha recuperado o brasão de Jin que estava numa das bases destruídas e se achava no dever de entregá-lo. Então, os dois voltaram ao digimundo pelo portal no computador.

— Picklemon! Pensei que tinha ido com eles — falou a garota.

— Decidi ficar mais um pouco-pi. Lucemon é o meu mestre. Meu dever é ficar ao lado dele-pi.

Márcia e Lúcia olhavam Lucemon dormindo e admiravam a forma que ele era. Tão inocente, tão angelical, como um anjinho. Um verdadeiro anjo. As meninas ficaram apreciando aquele momento inocente por algum tempo até que Picklemon utilizou um pouco da sua magia para acelerar a cura do loirinho.

— Por que não usou antes? — questionou Márcia.

— Minha mágica ainda e fraca-pi. Eu melhorei um pouco, mas não e suficiente para uma melhora completa.

Lúcia viu que Lucemon parou de gemer de dor e descansou.

As asas dele espalhadas pela cama, os desenhos pelo corpo e os anéis sagrados nos seus braços e pernas reforçavam a bela aparência dele. A mãe de Lúcia começou a fazer cafuné nele até que este acordou um tanto atordoado. O digimon abriu seus olhos azuis e viu que estava em outro lugar, depois ficou sentado na cama, encostando suas asas e suas costas na cabeceira.

— Onde estou? Dona Márcia, Lúcia? Picklemon! — o digimon sentiu um pouco de vergonha por está ali.

— Você precisa descansar, anjinho — respondeu a mulher.

Picklemon abraçou o rosto do menino. A fada chorava por ter seu mestre de volta.

— Espera! Picklemon está no mundo dos humanos? — Lucas se viu ainda na forma digimon. — Eu... eu posso explicar... — quando este viu que ainda estava na sua verdadeira forma, ficou bastante envergonhado. Suas bochechas começaram a ficar vermelhas tomadas pela vergonha.

— Que fofo. Eu sei de tudo sobre os digimons, não se preocupe. Tudo bem? — respondeu a mulher.

— Sim, muito obrigado. Eu... eu quero pedir perdão pelo que eu fiz com a Lúcia... estou muito envergonhado. Eu sinto muito — disse o loiro com a maior das sinceridades.

— Não se preocupe, mestre. Lúcia e eu explicamos tudo-pi.

— Você pode morar conosco a partir de hoje. Eu soube sobre a Ana. Nossa, como isso tudo é confuso para mim. Bem-vindo à família, será meu quarto filho. Puxa, tenho só vinte e oito anos e já tenho quatro.

— Cinco, mamãe. Picklemon vai morar com a gente...

— Ah sim.

— Não-pi. Agradeço quererem que eu faça parte da família, mas uma hora terei que voltar e proteger digimons.

Márcia falou que ele seria bem-vindo na casa dela.

— Obrigado, dona Márcia — Lucemon agradeceu.

— OBA!!! — bradou a garota ao mesmo tempo em que agarrou o digimon e deu-lhe um abraço tão forte que quase o sufocou — Lucemon agora vai morar conosco e ficar sempre perto de mim, meu parceiro.

— Ai Lúcia... está me machucando...

— Minha filha não faça isso! O Lucemon está em repouso, ele tá dolorido ainda — disse Márcia tentando tirar a garota.

...

No digimundo, especificamente no apartamento de ShadowLord, o mesmo ainda conversava com KingEtemon. Eles planejavam algo para o futuro. Lilithmon chegou e sentou ao lado do marido.

— HAAHAHAHAHA Lilithmon, você é uma esposa exemplar, hein? — disse KingEtemon aos risos

— Parceiro, você poderia me emprestá-lo esta noite. Depois planejaremos algo para a conquista do digimundo. Agora eu quero conquistar ele aqui — disse a mulher maliciosamente.

— Meu amor, espera só um momentinho, preciso terminar a conver...

— ShadowLord não há problema algum. Divirtam-se esta noite. Até logo — KingEtemon saiu da transmissão, deixando o casal a sós na sala.

Lilithmon puxou Ray e o arrastou para o quarto.

Enquanto isso, Aiko comia algo com o seu Lopmon na cozinha. Era cereal. O jovem observou o seu "parceiro" durante o lanche. Desconfiou. Não tinha a mínima chance de um digiescolhido ter dois parceiros.

...

Os digiescolhidos ficaram no lago de MarineDevimon e descansaram à noite até o portal do tablet de Jin abrir e sairem Paulo e Impmon.

— Paulo, você está de volta, estou tão feliz — Mia o abraçou apertado. O menino corou.

— Humm Mia... pensa que eu não vinha notado isso é? Um romance entre vocês. Toda vez que o Paulo aparece, você fica com os olhos brilhando. Eu não a culpo, o Paulo é o mais lindo dos garotos com essa carinha perfeita e os olhos azuis. Qualquer uma se interessaria por ele — disparou Rose. Ambos se largaram rapidamente.

— Ei, que conversa é essa? Ele não é o único garoto do grupo — resmungou Ruan.

— Que fofo. Ruan, você com ciúmes de mim hahahaha. Estou alegre de vê-lo com ciúmes — Rose deu outra disparada deixando o espanhol envergonhado.

— Não.. não sei do que está falando — o loiro cruzou os braços e virou a cara ainda envergonhado.

— Rose, pare, por favor. Se continuar assim, perderá a confiança dos seus amigos — disse Kari com a melhor da intenções.

— Rose, Rose. Sempre soltando seu sincericídio — disse Mia. — Por que não estranho que o seu brasão é da Sinceridade?

— Tudo que sai da minha boca é verdade, e quando eu sou sincera daí sou a errada? — a garota se recolheu, aborrecida.

Os digimons dormiam tranquilamente, além de T.K e Daisuke. O dia foi puxado para todos, então, como eram os mais preguiçosos, resolveram dormir logo. Paulo chamou Jin para conversar. O nerd do grupo tentava achar uma rota segura por meio do GPS no seu tablet.

— Como você vai? — perguntou Paulo.

— Muito bem. Agora eu sou o único que não tem brasão ainda e isso me deixa desanimado. Mas não tanto quanto você antes de conseguir a megaevolução de Impmon.

— Eu tenho algo pra você — o rapaz tirou o brasão do bolso da calça e deu para o japonês — toma, é seu.

— Paulo... é meu? Co-como assim?

— Sim, achei quando estava com o Beelzebumon destruindo as bases militares. É o Brasão da Pureza. Combina com você. De nós cinco, você foi o único que não brigou ou fez escolhas duvidosas.

— Valeu mesmo, cara. Eu te devo essa — Jin ficou muito feliz e satisfeito com o presente que seu amigo deu.

...

Em Fortaleza, ainda era meio-dia. Conceição chegou no apartamento depois das compras que sua patroa mandou fazer.

— Mulher, que atraso foi esse? Jesus, mandei você ir bem ali e parece que foi numa viagem ao Marrocos.

— Ai... Ufa. Dona Márcia... pelo amor de Deus... quase não saio daquele supermercado... A fila do caixa estava parecendo a fila do INSS. Por céus. Pra piorar ainda mais quase faço xixi nas calças, me deu uma vontade de ir ao banheiro. Ainda bem que eu fui e um senhor bondoso guardou meu canto. Lavei minhas mãos viu — explicou a empregada.

— Certo. Ah, Conceição, prepare mais dois lugares à mesa, temos um novo morador e um hóspede — a mulher mostrou Lucemon à empregada. O digimon estava na sua forma humana. Ele vestira umas roupas antigas de Paulo, bermuda azul e uma camiseta da mesma cor.

— Ah tá. E dona Márcia — Conceição se tremia e apontou. — Que troço voador é esse?

— Sou Picklemon! Servo de Lucemon e hóspede dessa casa-pi.

— JESUS MARIA JOSÉ!!!!!!!! — a empregada caiu dura no chão e desmaiou.

Márcia tentou acudir a sua empregada.

...

Amanheceu no digimundo mais cedo do que o normal. Ray e sua esposa estavam bem aconchegados depois de uma boa noite. A mulher pôs a cabeça sobre o peito do rapaz e ficaram conversando como se fossem um lindo casal terráqueo.

— Eu te amo, sabia? — iniciou o rapaz enquanto beijava a cabeça da mulher. — Daria minha vida por você. Sinceramente estou muito satisfeito de ter criado uma mulher perfeita. Por um lado, pode se tornar humana como qualquer mulher; por outro, torna-se uma digimon poderosa. Eu gosto de você, realmente...

— Eu sei. Sabia, querido, você podia dizer que projeto novo está fazendo. É um segredo até para mim? — perguntou a mulher interessada num trabalho importante e secreto que ele estava empenhado.

— Por que o interesse? Você nunca se interessou?

— Eu sou sua esposa, preciso saber de tudo. Não guarde segredo de mim — ela se levantou e ficou sentada na cama.

— Depois penso nisso. Agora estou pensando em outra coisa. Na minha luta contra Beelzebumon. Como pode ter acontecido aquilo? Eu perder? Gastei anos de estudos para eu ter estes poderes achando ser o mais forte do digimundo...

— Sabe o que acho? Você mereceu levar essa surra — a mulher deu um soco no peito do homem que o fez gemer de dor.

— Ai ai! Está doendo ainda. Não me diga que está contra mim e a favor daqueles pirralhos? — perguntou, encostando-se na cabeceira da cama.

— Estou sim! Desta vez estou. Mereceu levar mais surra pra aprender a deixar de ser uma besta quadrada. Você é uma besta quadrada. Se colocarmos um quadrado no seu lado, você supera. Disse pra não se meter e deixar o Lucemon resolver o caso. Nessas horas ele teria matado a digiescolhida há muito tempo e nem saberia que era a sua parceira. Mas não, o macho alfa tinha que se meter para pagar de doido lá no castelo — a mulher se levantou e começou a dizer grosseiramente.

— Ah não começa... o Lucemon não teria coragem de destruí-la. Eu nunca matei uma pessoa, mas já matei digimons. Seria rápido e indolor.

— Escuta aqui, para com isso. Eu sei dos seus poderes, Ray. Por que não se transformou em digimon?

— Você sabe muito bem que eu não controlo totalmente meu poder na forma de Dynasmon. Eu fico melhor na minha verdadeira forma, humana — o homem se levantou. — Eu vou malhar. Depois tomo banho. Talvez eu volte para o quarto quando uma certa esquentadinha estiver fria.

— Estou cansada disso. Essa loucura de gato e rato que fizemos. LadyDevimon, SkullSatamon e os outros foram destruídos pelos digiescolhidos. Poderíamos estar trabalhando melhor com o seu tal mentor...

— Eu já disse que o meu envolvimento com ele está além da sua compreensão. Faço isso para te proteger.

Lilithmon cerrou o punho de raiva.


Alguns dias se passaram e os digiescolhidos reconstruíam uma pequena cidade destruída pelo Exército Negro. Para a surpresa de todos, Agumon e Piyomon apareceram para ajudar.

— Olá pessoal — disse o Agumon do Tai.

— Kari, Daisuke, T.K! — disse Piyomon

— Olá Agumon e Piyomon — disse Kari.

Continua...