Notas iniciais
Voltando um pouco mais deprimido do que eu gostaria.

Depois de ganhar vários motivos para desistir desta Fic, eu quis voltar do ponto onde eu parei.

Espero que esse novo formato os agrade.

Também pretendo editar esse comentário, estou sem meio sem tempo agora.

Mas queria mesmo agradecer à B Star Fic, que me apoiou quando eu precisei e à Mellorine, que me encantou com a sua forma de escrever.

Fiquem com a história e comentem!

As forças de Andromon finalmente se esgotaram e ele ficou de joelhos. A cidade que ele queria proteger já estava destruída antes. Agora, depois de sua batalha feroz, não sobrou mais do que alguns prédios em pé, além de várias crateras e pilhas gigantes de entulho.

O que foi que eu fiz...” – lamentava-se o Ciborgue em seus pensamentos.

Era como se a força de LadyDevimon não tivesse fim. E ela fazia questão de abusar disso, sem se importar com o que acontecia com o cenário à sua volta. Estava testando a si mesma e seu novo corpo. E quanto mais lutava, mais o poder das trevas corrompia o seu coração.

“Finalmente você se rendeu.” – declarou a mulher, pousando suavemente sobre o chão. – “Mas não se culpe pela derrota. Você não tinha nenhuma chance desde o início.”

Andromon fechou seus punhos, irritado com seu corpo que se recusava a se mover de tantos ferimentos acumulados sob sua armadura de metal.

O demônio de cabelos prateados se aproximou dele com uma expressão de puro desprezo em seu rosto. O braço esquerdo dela mudou sua forma para uma lança negra e afiada. Ela apontou a arma para o Ciborgue, que se manteve parado, em silêncio.

“Me mate se quiser, bruxa.” – proferiu ele, corajosamente. – “Eu prefiro morrer do que servir à alguém como Reapermon!”

“Engraçado.” – murmurou LadyDevimon, sem emoção alguma – “Você sabe muito bem que essa escolha não é mais sua. Darkness Spear!”

E com um movimento rápido, a lança em seu braço perfurou o peito do Andróide. Ele gritou de dor, enquanto ela sorria e se deliciava com todo aquele sofrimento. Mas parou de rir quando o corpo do robô começou a se desfazer de dentro para fora do rombo que o ataque havia deixado.

“Impossível!” – exclamou a mulher, indignada – “Então só a força de um Kanzentai não é o suficiente para criar um novo hospedeiro?”

“Sua tola...” – riu-se Andromon, com as últimas forças que tinha. – “Todos nós controlamos o nosso próprio destino. Eu escolhi morrer nessa batalha. Me recuso a ser usado para destruir um Digimundo que um dia eu jurei proteger...”

E com toda aquela determinação, o ciborgue finalmente se desfez, deixando LadyDevimon sozinha. A mulher foi coberta por uma aura negra e retornou para a forma de BlackTailmon.

Inútil... Nem morto cansa de dizer besteiras...”– pensava a felina, com desprezo – “Ah, não importa. E agora que meu experimento falhou... Quem eu devo usar como cobaia para meu próximo teste?

(...)

“Você conseguiu!” – exclamou Daisuke, surpreso.

O garoto sorria, dando tapas de leve sobre a perna de ExVeemon. Esse último havia acabado de assumir sua forma Seijukuki. Ele chegou a aumentar de tamanho, ganhando músculos bastante definidos sobre as escamas azuis. Tinha agora duas asas brancas que passavam da altura dos ombros e um “X” inscrito sobre o peito. Sua cauda aumentou de tamanho e o rosto ganhou um chifre que lembrava uma lâmina afiada.

“Isso é ridículo...” – murmurou Hibiki,incrédulo – “Eles realmente acham que isso é só um jogo...”

O Dragão azul inclinou o pescoço, de forma que o líder dos Digiescolhidos se acomodou sobre os ombros de seu digimon. Uma vez que estava montado, Daisuke olhou para o Cavaleiro com uma expressão de puro divertimento, dizendo em voz alta:

“E então? Ainda acha que a gente não pode fazer nada contra esses palermas aí encima?”

Dorugamon sacudiu de leve a cabeça, sorrindo timidamente.

“Eles não tem jeito mesmo, Hibiki.” – sussurou o Dragão negro, de modo que só ele e seu parceiro humano podiam escutar. – “Pode reclamar o quanto você quiser. Eles não estão nem aí. Vão nos seguir de qualquer jeito.”

“Ah, cale essa boca.” – resmungou o rapaz de cabelos castanhos, furioso com as caretas que Daisuke estava lhe fazendo – “Se eles querem tanto morrer, deixe-os. Nós iríamos ficar muito melhor sozinhos.

“Claro...” – concordou o Digimon, ciente de que o garoto não estava sendo sincero.

Dorugamon e ExVeemon se colocaram um de costas para o outro. Eles observavam a legião de inimigos que parecia se multiplicar a cada segundo. Os Aidramons giravam pelo ar, aparentemente ignorando a presença dos garotos e seus digimons.

Mas eu ainda acho estranho...” – pensava o Cavaleiro Negro – “Tenho certeza que Dorugamon e eu eliminamos todos os Airdramons das redondezas. Não tem como deixarmos passar um grupo tão grande... A não ser que... Não, é impossível.”

O rapaz teve um mau pressentimento. Ele sacudiu a cabeça e afastou aquele pensamento da mente, convencido de que não podia ser verdade. Mas se ele estivesse certo... Não queria nem pensar na possibilidade.

Os dois jovens e seus parceiros prenderam a respiração. E o silêncio que precede toda a batalha se seguiu...

Aconteceu de repente. Um grande número dos monstros começou a descer de maneira desordenada. Incontáveis deles pareciam inclusive se chocar uns com os outros. Como tivessem pressa de eliminar seus adversários.

Hibiki não conseguia deixar sua suspeita de lado. Infelizmente, não dava tempo de pensar nisso.

Dorugamon tomou a frente da batalha. Atingiu o primeiro Airdramon que viu com sua cauda, fazendo a máscara de osso do inimigo rachar e seu corpo se desfazer na forma de dados. Os outros que vieram até ele foram mortos impiedosamente. Um corte no abdômen, uma mordida no pescoço e eles já eram.

ExVeemon não ficava para trás. Trocou alguns chutes e socos com os primeiros inimigos, até que recuou alguns passos e rugiu:

X-Laser!”

E então, o dragão azul contraiu os braços para trás, de maneira que o “X” inscrito em seu peito ficasse bem evidente. A inscrição brilhou com uma luz laranja e um laser atingiu uma série de inimigos, afastando-os com sucesso.

Wing Cutter!” – exclamaram alguns dos Airdramons.

E movimentando as asas, os monstros criaram dezenas de lâminas de vento que foram disparadas na direção de Hibiki e Dorugamon. Do nada, o jovem de vestes negras sentiu o peito pulsar, como se seu coração tentasse pular para fora.

“Não...” – arfou o garoto, pressionando seu tórax e respirando com dificuldade. – “Agora não...”

Quando o dragão negro hesitou por se preocupar com a condição de seu companheiro, os dois já não teriam mais tempo de desviar dos ataques. A chuva de projéteis atingiu-lhes em cheio, cercando-os com uma nuvem de poeira.

“HIBIKI! DORUGAMON!” – Gritou ExVeemon, desesperado.

Os Airdramons soltaram um rugido de vitória. O líder dos Digiescolhidos fechou os punhos, se sentindo inútil por não ter ajudado quando podia. Foi quando ele percebeu que a poeira começou a brilhar em um tom escarlate.

Dela, surgiu um Dorugamon furioso que acumulava energia em suas presas. A energia tomou a forma de uma esfera de ferro gigantesca, até que o rapaz de vestes negras se colocou de pé sobre as costas de sua montaria, olhou para a direção ao grupo de Airdramons e gritou:

“Seus vermes! NÃO OUSEM NOS SUBESTIMAR!”

CannonBall!” – proferiu Dorugamon, quase em uníssono com o grito de seu parceiro.

E então, Daisuke e ExVeemon decolaram para não serem atingidos. O parceiro de Hibiki disparou uma densa esfera de ferro de sua boca que, de tão poderosa, carbonizou o corpo dos inimigos em alguns segundos.

“Cara” – disse Daisuke, olhando incrédulo para a explosão –“Me lembre de não provocar o lado ruim dele.”

E só o que ExVeemon pôde fazer foi concordar com a cabeça. Ele retornou para o chão e se colocaram ao lado do Cavaleiro negro e seu Digimon. Os quatro voltaram a encarar o céu, esperando o próximo movimento do grupo de inimigos

Mas o que aconteceu a seguir foi o que os surpreendeu: os Airdramons interromperam seu ataque. Muitos deles ainda rodeavam o céu sem fazer movimentos bruscos. Como se não houvesse problema em olhar o pequeno grupo de seus companheiros se atirar para a morte certa. Pelo visto, achavam que não era necessário fazer nada para impedir.

“O que eles pensam que estão fazendo?” – perguntou o ruivo de cabelos espetados, com o olhar fixo nos inimigos acima dele.

“Eu não estou gostando disso...” – silabou Hibiki, suspeitando que alguma coisa estava para acontecer.

E aconteceu.

As nuvens brancas começaram a se aglomerar sobre o céu da praia. O resultado foi uma densa nuvem negra, como as que anunciavam a chegada de uma tempestade.

O céu perdeu sua tonalidade azul e ficou escuro como a noite. O som do trovão partiu o ar e pequenas gotículas de água começaram a cair.

“O que, eu deveria ficar com medo de uma chuvinha agora?” – afirmou Daisuke, cobrindo os olhos com o braço para se proteger do vento.

Mas Hibiki e Dorugamon permaneceram em silêncio. Dois raios e dois trovões se seguiram. E até o presente momento, nem mesmo um Airdramon ousou descer para enfrentá-los.

E de repente, Hibiki ouviu um som quase imperceptível. Parecia uma leve respiração, só que um pouco falha e arranhada. Quando ele fez seu dragão negro se virar, os dois quase não tiveram tempo de desviar dos dentes afiados de um Airdramon, que teve a garganta perfurada logo em seguida.

Seu inimigo caiu no chão, morto. Mas o que Hibiki não pôde deixar de notar foi o ferimento aberto que o seu adversário tinha no peito. Só então ele percebeu: era um dos Airdramons que Dorugamon já havia matado, alguns minutos atrás.

Pena. Percebeu tarde demais. Daisuke também encarava o céu esperando um ataque de cima. Nem ele nem ExVeemon viram quando um inimigo que eles pensavam estar morto investiu contra eles, fincando suas presas sobre o dragão azul.

Os dois gritaram de dor, pouco antes de Dorugamon expelir uma esfera de ferro e salvar seus aliados. Quando Hibiki e seu digimon se aproximaram, viram que Daisuke tinha um ferimento feio no braço e o parceiro Digimon dele regrediu rapidamente para a forma Seichouki.

“Droga!” – praguejou o líder dos Digiescolhidos. –“Mas eu estava olhando para eles! Nem um desceu para lutar com a gente! De onde aquele veio!?”

Ele se permitiu um gemido enquanto Hibiki retirava algumas bandagens da mochila e cobria o ferimento. Veemon tentou não protestar de dor quando eles lhe ajudaram a ficar de pé. Porém, antes do Cavaleiro Negro responder, uma voz assustadora sussurrou em um tom sombrio...

É inútil resistirem, traidores.

Os garotos procuraram em todos os lados, mas não havia sinal de onde vinha a voz. O primeiro em quem Hibiki pensou foi Reapermon, imaginando inclusive o cenário de batalha. Mas descartou a idéia, já que a voz do ciborgue e a voz de agora eram muito diferentes.

Vocês nunca sairão vivos daqui. Pois não importa quantos de meus lacaios vocês matem, eu os trarei de volta para lutar mais uma vez.”

O rapaz de vestes negras não soube dizer porque, mas alguma coisa naquela voz estava o assustando de verdade. Daisuke arregalou os olhos, finalmente entendendo que o monstro que feriu a ele e seu Digimon deveria estar morto. E tecnicamente estava. Mas não completamente.

“Mas...” – babulciou o líder dos Digiescolhidos – “Como ele...”

“Os raios.” – disse Hibiki.

Novamente, sua percepção deixava os outros de queixo caído. Foi logo após os raios que eles sofreram os ataques. Logo após os raios que dois digimons mortos a alguns instantes atrás retornaram à vida.

“Que ótimo.” – silabou o cavaleiro negro, deixando escapar sua risada sarcástica. – “Agora também tenho um Azura atrás de mim.”

Daisuke e Veemon curvaram levemente a cabeça, sem entender o que Hibiki queria dizer. Mas o dragão negro arregalou os olhos, trocou olhares com seu parceiro, que acenou em concordância. Não havia tempo para dúvidas. Se Hibiki dizia que um Azura fez aquilo, não seria Dorugamon que iria questioná-lo.

Foi então que, do meio das sombras, montado em um dos Airdramons, surgiu a figura de um paladino vestindo uma armadura prateada. As proteções que cobriam seus ombros e joelhos, por sua vez, tinham um tom azul escuro. A mesma cor se destacava em um detalhe de seu capacete e na longa capa que o recém-chegado exibia em suas costas.

O paladino desceu dos céus devagar e de cabeça baixa, sem encarar os digiescolhidos e seus digimons diretamente. No lugar da mão direita havia a diabólica lança Balmung. A mão esquerda carregava Gorgon, um escudo de metal.

Dorugamon gelou. Só deu tempo de cobrir Hibiki, Daisuke e Veemon com suas asas, antes que um disparo de energia verde advinda do escudo do paladino os atingisse em cheio, fazendo com que os quatro perdessem os sentidos.

(...)

Certo,então você fica, Iori.” – dizia a voz de Takeru – “Alguém precisa ficar caso eles decidam voltar. Eu, o Ken e a Miyako cuidamos de tudo.

E o digiescolhido mais jovem do grupo ficou ali, sentado no meio da floresta ao lado de seu parceiro Digimon, repetindo a cena na sua mente.

Naquela manhã, ele, Miyako, Ken e Takeru haviam se encontrado no local combinado. Não havia sinal de Daisuke, Hibiki, ou algum de seus digimons.

Foi acordado que tinham que encontrá-los, mas ainda havia uma grande possibilidade de alguém aparecer no ponto de encontro. Um deles deveria ficar. E antes que alguém o obrigasse a fazê-lo, o mais novo se ofereceu para o serviço juntamente com Armadimon.

Já haviam passado horas desde que os outros três digiescolhidos e seus digimons haviam partido. Mas o tempo não melhorou o humor de Iori nem um pouco.

“O que foi, Iori?” – perguntou Armadimon – “Você parece chateado.”

“E como não estaria?” – disse o garoto, resmungando sozinho – “Sempre que uma coisa dessas acontece, me deixam de lado. Ou esperam que eu me salve sozinho, ou que eu fique para trás enquanto eles enfrentam o perigo.”

“Iori, eles confiam em você.” – afirmou o digimon, meio inseguro. – “Eles só não querem que você não se machuque, porque...”

“Porque você não pode digivolver?” – quis saber o garoto – “E porque naquela hora Patamon conseguiu?”

Era uma pergunta que Armadimon não saberia responder. Mas claro, Iori não estava zangado. Estava, na verdade, fazendo aquelas perguntas para si mesmo. Como se desafiasse sua própria mente a encontrar respostas.

Porém, com as informações que dispunha, não conseguiu formular nenhuma teoria plausível. Decidiu por bem que o melhor a fazer seria tirar um cochilo enquanto esperava. Ele e seu Digimon se recostaram sobre a sombra de uma árvore. Pouco antes de cair no sono, o garoto ainda conseguiu perguntar:

“Porque os outros estão demorando tanto?”

Mas se seu digimon respondeu alguma coisa, Iori não chegou a escutar.

(...)

Demais. Dormiram por tempo demais. O sol já havia se posto e os últimos raios de calor se chocavam com os rostos de Armadimon e seu parceiro humano. Os dois soltaram um bocejo preguiçoso, enquanto olhavam para os lados à procura de alguma face conhecida.

Mas não havia ninguém. Os dois só estavam acompanhados pela escuridão da noite e pelo som do vento que soprava em seus ouvidos. Se colocando de pé, o Digiescolhido mais novo teve uma certeza: a de que alguma coisa errada havia acontecido.

“Vem tempestade por aí, Iori” – Armadimon afirmou, apontando para as nuvens escuras que iam se formando no céu. – “Não vai ajudar ninguém se nós pegarmos um resfriado por ficar debaixo de chuva.”

“Não vamos a lugar nenhum.” – afirmou o garoto, de forma autoritária – “Os outros prometeram que voltariam para cá. E eu prometi que esperaria por eles aqui.”

O digimon expirou, como se fosse exatamente a resposta que ele esperava. Afinal, era com o Iori que ele estava falando. Mas antes que tivesse tempo de tentar convencer seu parceiro a encontrar algum abrigo, um sussurro quebrou o breve silêncio que se estabeleceu entre os eles:

Enfim, traidores. Enfim eu os encontrei.

O tom daquela voz fez Armadimon e seu parceiro sentirem calafrios. Eles se encostaram sobre as árvores enquanto esperavam descobrir de onde vinha aquela voz.

Não adianta se esconder. Eu sei onde vocês estão. Apareçam, covardes, e enfrentem o seu destino.”

Os dois engoliram o seco. Mas o medo e a possibilidade daquela voz estar mentindo não permitiram a eles dar um único passo sequer. Foi quando a mesma voz, que até agora não passava de um murmúrio, passou a gritar com um tom mais grave e evidentemente masculino, dizendo:

Chaos Shot!

E, em seguida, um disparo de energia verde varreu uma boa parte das arvores do mapa. Destruiu tudo o que estava em seu caminho. Só o que sobrou foi um corredor de terra por onde o disparo havia passado, dividindo a floresta em duas.

Iori e seu Digimon ficaram sem ação quando o lugar onde estavam escondidos foi revelado. Eles tossiram devido à poeira que se elevou e buscaram o atacante com seus olhos.

Eis que, no meio do rastro que seu ataque havia formado, eles observaram um paladino de armadura prateada caminhar em sua direção. O guerreiro carregava uma lança e um escudo. E se aproximava lentamente e de cabeça baixa, sem dizer uma palavra.

“Quem é você?” – inquiriu Iori –“O que você quer?”

O paladino continuou seu movimento lento, demorando um bom tempo para responder.

“Um mero verme, como você, quer saber o meu nome?” – ele perguntou, ainda sem encarar o digiescolhido diretamente. – “Bem, acho que não dá pra evitar. Seus amigos me fizeram a mesma pergunta, antes de terminarem desacordados.”

Ele falou com um tom estranhamente calmo. Como se fosse a coisa normal do mundo. O rosto do paladino continuava impassível e mirando o chão, quando finalmente Iori entedeu do que ele estava falando.

“Espere! Meus amigos!?” – exclamou o digiescolhido mais novo – “O que você fez com meus amigos?”

O braço que carregava o escudo se ergueu de leve no ar. Com o som de um estalo de dedos, três Airdramons desceram do meio das nuvens, deixando cair aos pés do paladino prateado os corpos de Takeru, Miyako, Ken e seus digimons.

Os olhos de Armadimon e de Iori se arregalaram. Seus amigos foram derrotados. Estavam feridos. Mas estavam respirando, então estavam vivos. Só então o garoto se deu conta de que, se todos os outros estavam daquele jeito, era apenas questão de tempo até ele ser o próximo.

Não houve tempo para palavras. O paladino baixou o escudo, apontou sua lança para Iori e disse:

“Não se preocupe. Eles não foram infectados. Quanto a mim? Eu sou um dos que carrega a vontade de meu Deus. Eu sou um Azura. Eu sou ChaosDukemon.”

E quando o paladino fez menção de atingir o digiescolhido mais jovem com sua arma, uma esfera de ferro o atingiu. A lança de ChaosDukemon se fixou no chão, errando por pouco tanto Armadimon quanto seu parceiro humano.

Do céu, do meio da escuridão, surgiu Dorugamon. Sobre ele, estava montado o Cavaleiro Negro, que segurava o próprio ombro direito e respirava com muita dificuldade.

Os dois pareciam mergulhar do alto na direção do paladino prateado, mas acabaram fazendo uma aterrissagem forçada. Eles rolaram pela terra até que o dragão negro cedeu ao cansaço e retornou à forma seichouki.

Hibiki se colocou de pé. Havia arranhões, cortes e outros tipos de danos bastante evidentes tanto no seu corpo quando no rosto. Só para se manter acordado custava a ao garoto muito mais do que ele parecia poder agüentar. A voz dele estava fraca quando disse:

“Não se atreva a tocar neles.”

O Paladino finalmente levantou seu rosto. Era somente Hibiki e ele. Dorumon não chegou a levantar, permaneceu nocauteado.

“Você devia ter ficado morto onde eu te deixei, pirralho.” – anunciou o guerreiro

“É a mim que você quer.” – pediu o Cavaleiro negro. – “Deixe-os em paz.”

“Não é tão simples assim.” – ChaosDukemon afirmou – “Meu Lorde estava certo. A morte é luxo demais para você. Seu sofrimento começa agora.”

O paladino recuperou Balmung e, olhando de relance para Hibiki, brandiu-a contra Iori e seu Digimon.

“CORRA!” – pediu Hibiki.

Mas era tarde demais. Em um instante, Armadimon estava se colocando de pé. No outro, ele foi golpeado para longe e não foi mais visto.

Hibiki sentiu suas forças se esvaindo.

A última coisa que se lembra é que, depois que o parceiro Digimon dele foi derrotado com um único golpe, Iori mal teve tempo de respirar antes de uma lança perfurar seu peito.

(...)

Continua!

Notas finais
Calma! Não me matem!

Pra quem ficar desesperado com o final do Iori, espere mais um pouquinho. Nada é por acaso, não comigo, pelo menos. Eu até evitei de publicar antes por medo da reação. Mas se você ler o início do capítulo de novo, vai ter uma pista do que aconteceu no final. Leia o próximo capítulo. É complicado falar o que eu quero falar sem dar Spoiler da fic.

E quer saber? De todos, Armadimon é o único que se morresse mesmo eu não ia sentir falta. Vamos combinar: Digmon, Submarimon, Ankylomon e Shakkoumon iam fazer tanta falta assim? Não gosto deles, opinião pessoal.
O Iori tudo bem, é bem legal. Mas não tem como comparar esses digimons com nenhuma das evoluções de onde ele teve origem: Tentomon e Gomamon. Sem falar que o Shakkoumon é pura sacanagem com a linha de evolução do Angemon. Só não barra os Pokemons recentes, que já viraram até sorvetes e engrenagens com carinhas sorridentes.

Sim, eu sou sem coração.

Mas relaxem, que o papel de Iori não acaba aqui. Pronto. Falei demais.

Até o capítulo 8!

Dicionário do capítulo:

Balmung : Na mitologia nórdica, Balmung é a espada que Siegfried (Sigurd) usou para matar o dragão Fafnir.

Gorgon: Faz referência à mitologia grega. Os Deuses Athena e Zeus teriam criado o escudo Aegis, com a cabeça da famosa Medusa. O escudo Gorgon seria um similar de Aegis, assim como o escudo de Dukemon é similar ao de ChaosDukemon.

Azura: A origem desse nome é a mesma do nome Deva, na série Digimon 3. Provenientes das criaturas homônimas do hinduísmo.