Digi-Shots
9 Digi-Shot IX: O Bebê Chorão
Notas iniciais
Eu ia postar isso anteontem, mas, houve um problema... e não pude postar em Luz & Esperança - Reviravoltas Amorosas, mas, calminha, está quase tudo pronto. Só preciso colocar mais algumas coisinhas, vai ser a próxima coisa que postarei. ^^ Mas, anh... Inspiração para Brasão Lendário não vem, não. Que chato. Estou pensando em reformular alguns capítulos da história antes de tentar prosseguir...E estou pensando em acrescentar umas coisas à Digi-Shot do Taichi também, porque quando eu a escrevi ainda não tinha muita prática nas Digi-Shots...
Ah, mas o que importa agora é: A DIGI-SHOT DO TAKERU, FINALMENTE, OMG, TAKERU ♥
Como prometido e muito, muito esperado - é a maior! Eu juro que tentei igualá-la às outras. De verdade, tentei fazê-la mais ou menos no tamanho das demais... Mas, cara, não deu, simplesmente não deu. Descobri que, quando eu começo a falar sobre o Takeru, não paro nunca! E ainda mais aquela fofura loirinha da primeira temporada. Hehehe :3 Oh, desculpe, estou fangirling, como diz uma amiga minha. Vou parar.Espero que gostem da Digi-Shot do bebê chorão. Mas, anw, é desculpável e plenamente aceitável. Afinal, ele era muito pequeno! Se fosse eu, naquela idade, teria chorado dez vezes mais que ele. Juro. E, atualmente... Hmm... Não prometo nada, hehe... Apenas digamos que coragem não seria o meu brasão nunca. ^^
Ah, sim, IMPORTANTE: Eu sei que tenho VÁRIOS reviews para responder, alguns aqui e a maioria em Kibou to Hikari vocês todos fazem reviews que me deixam tão feliz, obrigada, obrigada ♥ - e peço mil desculpas pela demora! E, ainda vou comentar em umas três histórias apenas peço um pouquinho de paciência com a minha atrapalhada pessoa. ^^
Hmm, gente. Eu estava no tumblr outro dia, e li que, na opinião de um fã, Takeru Takaishi é o personagem com menos desenvolvimento do anime [...Seguido pelo Koushiro... (?!)]. Fiquei chocada quando li isso, porque, para mim, ele evoluiu muitíssimo, assim como todos, incluindo o Koushiro. Alguém se manifesta? Não sei quem evoluiu menos... Talvez a Hikari, o que é bem triste para mim, porque ela é minha preferida. Mas acho até justificável, já que perdeu quase metade da primeira temporada, não? Mas, nossa, o Takeru cresceu muito! E provo-lhes aqui, na minha Digi-Shot de...
Quase... Três mil palavras.
AHÁ!! Eu prometi para mim mesma que não iria passar de três mil!! õ/
INFO: [*] A segunda parte desta Digi-Shot tem uma pequenina continuação, com o Takeru desculpando-se com o Patamon e vendo que seu irmão continuava o amando... Não coloquei porque ia passar do que eu tinha estabelecido. Mas existe, aqui comigo, e não deve ter mais de 500 palavras, é curtinha. SE ALGUÉM QUISER, FALE, EU MANDO UMA MP COM ELA OU COLO NO MEU PERFIL. ^--^ Mas só se alguém quiser não influencia o conteúdo presente na Digi-Shot publicada, de qualquer maneira.
Aproveitem! ♥
Costumavam achar Takeru Takaishi um ‘bebê chorão’.
Lágrimas vinham com frequência à face do pequenino, ainda que nas horas mais inoportunas em que era requerida a coragem. Não parecia haver um filtro de emoções nele — se a felicidade viesse ao seu encontro, sorria largamente; e se ele ficasse triste, chorava. Era mais simples, não requeria esforço, e não lhe parecia errado no ápice de sua inocência extrovertida, feliz e esperançosa. Acostumara-se com a facilidade de expressar suas mágoas através do choro e dos soluços; logo, ao ouvi-lo, seu irmão mais velho viria ao seu socorro para protegê-lo, e Takeru reconfortava-se com isso, pois sabia que independentemente do que ocorresse, Yamato estaria ali para ele quando pudesse.
Mas, mesmo com toda a esperança, era difícil não chorar.
Chorou quando os pais o tiraram da companhia de seu irmão e decidiram realizar um traumático divórcio que o deixou na tétrica solidão da sombra de família aos cacos; chorou quando viu-se apenas com seu parceiro naquele mundo tão louco e fatal; chorou quando Taichi sumiu; chorou todos mantinham-se com uma indômita bravura nas lutas mais desesperadoras.
Chorou quando viu Patamon ser assassinado na sua frente.
“Alguns dos anjos que descem à Terra são tão valorosos que são necessitados no Céu novamente.” Foi o que lhe disse Yamato para consolá-lo. “Mas, calma, que Angemon irá retornar...”
Ainda assim, era como se todos estivessem aguardando...
Para deixá-lo sozinho no mundo.
Seu pai havia se mudado por causa do divórcio, levando Yamato consigo, e ele via-os muito raramente. E, quando isso ocorria, era sempre aquele mesmo sorriso contido no rosto do pai, o olhar tão distante, tão perdido nas memórias que se desvaiam a cada sopro de fumaça que lhe escapava do cigarro — apesar de que ele não percebia isso, de tão feliz que ficava ao vê-lo. A mãe, por sua vez, trabalhava e quase nunca estava em casa.
E aquele medo assombrava-o a cada dia, tomando novas proporções. E se Patamon fosse morto outra vez diante de seus olhos azuis? Jamais se esqueceria enquanto vivesse: a forçada despedida que foi desencadeada após o primeiro encontro, as penas desprendidas das asas do Anjo sobrevoando o solo, a dor, a tristeza, o buraco que foi aberto em seu infantil e doce coração...
E as lágrimas.
Elas chegaram silenciosa e fatalmente, envolvendo-o num manto de tristeza e abandono que ameaçava sufocá-lo assim que tentasse respirar para viver. Mas viver era maravilhoso, valia a pena, e ele iria respirar, iria rasgar o manto de tristeza e iria esperar por Angemon novamente com toda a esperança que tinha.
A promessa foi feita com o fervor que lhe sobrava, no último sopro de vida: “Voltaremos a nos ver, Takeru, se você assim desejar...” e materializou-se mais tarde em forma de Digitama com listras alaranjadas. Então, depois de ter dito aquilo, Angemon desapareceu no ar enquanto a risada de Devimon ecoava pela ilha. Sumiu. Simplesmente sumiu. Deixou-o.
“ANGEMON!”
E Takeru estava sozinho novamente.
Ele desejou encontrá-lo. Nunca havia desejado com tanta força em toda a sua mísera existência. Nunca havia zelado pela segurança de um Digitama daquela maneira devotada e repleta da mais pura fé. Ele tinha medo de perder as pessoas que amava, pois, apesar de inicialmente poucas, eram preciosas, e ainda estavam ali com ele — e essa realização o ajudava. Logo, o tristonho loiro deu lugar à criança risonha e agitada habitual, acompanhada de Poyomon e mais tarde de Tokomon, sempre sorrindo e animando os demais com tanta inocência e amor à vida.
A Esperança de Takeru transcendia as trevas da vida e instintivamente buscava a Luz.
E ele sabia que ficaria tudo bem.
(...)
“Ele me deixou, Tokomon, porque acha que eu sou um bebê chorão!”
Um bebê chorão. Só que ele não queria crer. Pois aquelas palavras eram mentiras, não eram? Não podiam ser verdades. E, ainda que fossem, ele não queria perder Yamato. As lágrimas lhe desciam pelas bochechas enquanto reclamava, fungava e os lábios tremiam. Tokomon não podia admitir aquela situação desenrolando-se sob sua tutela:
“Mas, Takeru, pense bem, o Yamato nunca pensaria uma coisa dessas de você!”
E uma terceira voz intrometia-se vez ou outra na discussão, para atiçá-los:
“Ele não apenas pensou, Takeru, como disse em alto e bom som! Eu ouvi, eu juro!”
Tokomon perdeu a paciência: “Você é um MENTIROSO, PICODEVIMON!” Arreganhou os dentes pontiagudos e ameaçadores para o Digimon cuja forma assemelhava-se a um morcego. O pequeno Takeru recompôs-se de indignação e colocou-se na frente do mais novo amigo de forma protetora:
“NÃO FALE COM O PICODEVIMON ASSIM, TOKOMON!”
“Calma, calma, o Tokomon é só uma criança...” PicoDevimou riu com escárnio.
“Mas ele não precisa te tratar assim!”
“D-desculpe, Takeru... Não queria te chatear mais.” O ser que lembrava um hamster tremeu, chocado com a explosão. “Mas pare de gritar comigo!”
“Então, pare de gritar com o PicoDevimon, porque ele não tem culpa de nada!” O garoto cruzou os braços.
“Exatamente!” A voz dele mostrava-se divertida, com um contentamento cruel disfarçado. “Não tenho culpa se você está com ciúmes porque agora eu sou amigo do Takeru, Tokomon.”
“Eu não estou com ciúmes! Estou irritado porque você está mentindo para ele!”
“Ele não está mentindo!” Takeru reagiu, alterado. Seu parceiro estava confuso:
Por que o menino estava crendo tão cegamente nas afirmações de alguém que eles acabaram de conhecer e que não sabiam se era confiável ou se queria lhes fazer dano?
“Não estou mentindo.” Repetiu, parecendo satisfeito pelo apoio. “Você que não quer enxergar a verdade.”
“A verdade em que o Yamato abandona o Takeru e não vem buscá-lo?! Isso nunca aconteceria!” Fervilhando de raiva e lealdade, ele avançava na direção do outro com passos decididos. PicoDevimon sorriu maliciosamente, pousando de cabeça para baixo em um galho.
“Então...” PicoDevimon olhou-o de forma presunçosa. “Como me explica o que ele me disse, hein, Tokomon? Ou por acaso duvida da minha santa bondade?”
“Duvido, porque é mentira! Ele não o acha um bebê chorão! Yamato NUNCA falaria isso sobre o Takeru! Você está tentando enganá-lo!”
“...Mas então porque ele não volta?”
O som da voz angustiada do loiro cortou a gritaria por um breve momento. Os dois seres digitais viraram-se para olhá-lo, abstraindo-se de seu quase confronto físico. À medida que ele sussurrava, os soluços retornavam e aumentavam dolorosa e exasperadamente enquanto seus olhos perdiam-se na vastidão do lago:
“Eu estou esperando por um bom tempo o meu irmão voltar por esse lago, mas ele não volta! Ele não me ama mais, ama? Porque, s-se ele quisesse voltar, não acha que ele já teria feito isso? Não acha que já estaria aqui do meu lado? E, se ele ainda não está aqui, é p-porque não quer a minha companhia!”
“Takeru...”
“Se ele não está aqui, é porque ele se cansou de mim!”
Um silêncio instalou-se nas proximidades do parque de diversões.
Naquele momento, ninguém sabia o paradeiro de Taichi, e o grupo separara-se na ausência de seu líder, após a derrota de Etemon. Sora havia sido a primeira a partir. Então, Koushiro. E, depois de Jou, Mimi seguiu o exemplo e logo sua figura tornou-se uma imagem turva no horizonte do deserto. O deserto que se tornou uma paisagem verde e bonita, perto de um parque de diversões a beira de um lago, de tirar o fôlego, no qual ele poderia brincar para sempre!
O que o motivava, antes, era a certeza de que, mesmo com todos os seus amigos longe — ‘mas bem, sãos e salvos!’ — seu onii-chan não o deixaria de forma alguma.
Mas ele estava errado.
“Volto em algumas horas, Takeru!”
As horas tornaram-se dias.
“Ele pode ter se atrasado-“
“Ele não se atrasou!” Chorava, os ombros tremendo, o rosto molhado, a voz rouca. “Ele acha que eu sou um bebê chorão sem importância e não me quer mais como irmão dele! Ele foi embora como todos os outros, sem se importar comigo!” Tokomon engasgou, enquanto PicoDevimon tentava não sorrir com o sucesso que estava sendo sua missão de impedir o Brasão dele de brilhar.
Finalmente ocorrera; uma de suas maiores aflições e a razão por ele ter acreditado em PicoDevimon com facilidade: ele passara de irmãozinho adorável para peso incômodo, e o mais velho foi-se também.
Ele via Yamato, que fora com o pai, pouquíssimas vezes, sentindo uma falta esmagadora da companhia do seu amado irmão mais velho — a quem ele admirava mais do que qualquer outra pessoa no mundo, confiava até a morte, recorria quando necessitava de ajuda, e tinha a necessidade irrefreável de impressionar e fazer com que ele se orgulhasse.
Takeru precisava mostrar ao irmão que tão forte quanto ele.
O loirinho sabia que seu onii-chan pensava que ele não sabia fazer nada sozinho, e por isso estava sempre a cuidá-lo de forma excessiva — mas ele queria provar o contrário! Era difícil, no entanto, desprender-se de sua proteção, pois Yamato tornou-se o ponto seguro de Takeru, uma vez que a maior parte das relações que mantinha era superficial e passageira para não se machucar quando elas terminassem, e por isso ele ficava tão afetado pela sua ausência. Ele tinha medo de perdê-lo, muito medo.
Se um dia, tornasse-se mais forte, poderia, quem sabe, mostrá-lo sua independência, que, por enquanto, encontrava-se lacrimejante no fundo do seu coração e logo cresceria.
***
Era o momento.
Estava tudo em suas mãos:
O futuro do Mundo Digital, o futuro da Terra, o futuro dos seus amigos, a salvação dos mundos e a comprovação de que as coisas que eles haviam passado até ali não haviam sido em vão. Ele era o responsável por dar um fim digno àquela louca aventura, agora que o chão havia ruído sob seus pés, seus companheiros tornaram-se reles e indefesos chaveiros.
Ele, o protegido, tornara-se o protetor.
E estava com medo de fracassar. Mas, ainda assim, precisava protegê-la. Ele ia protegê-la.
Hikari.
E não iria chorar.
“Por aqui, Hikari! Venha!” Gritou, o coração quase saindo pela garganta. Os dois pequenos viram-se diante de uma imensa porta, com a risada maquiavélica de Piedmon atravessando o longo corredor de sua fortaleza, no topo da Montanha Espiral, o antro de todo o poder das Trevas; o picadeiro da Escuridão.
E o provável palco de suas mortes.
“C-certo!” Ela suspirou, amedrontada.
“TAKERU!” Uma voz alcançou-o, e o desespero dela era tão claro que ele sentiu uma pontada no estômago. Era Sora. Ela arremessou com dificuldade um pequeno objeto, que, ao ser lançado no ar, atravessou-o rapidamente e pousou nas mãos de um Takeru apressado. Virou-se e conseguiu ter um último vislumbre do outro extremo do corredor:
Gritos de pavor, lençóis brancos e risadas diabólicas. Sora e Gomamon haviam ido, também.
“Takeru, precisamos ir!” Ele concordou com a cabeça para a exclamação de Patamon e juntou suas forças com as de Hikari: logo, a imensa e pesada porta abriu-se. O vilão gargalhou, dizendo-lhes que nunca poderiam escapar. Mas ele tinha prometido à Sora que fugiria de Piedmon a qualquer custo, e assim faria.
Estavam num amplo terraço, no cume da montanha.
“E-estamos sem saída!” Takeru horrorizou-se, debruçando-se no parapeito de pedra. “Não posso me desesperar! Preciso me manter forte...”
“E agora?” Hikari arregalou os olhos, esforçando-se para olhar para baixo. O loiro viu que ela quase teve vertigens, mas não pôde culpá-la; jamais haviam estado tão alto em todas as suas vidas. Sentiu-se desfalecer de pânico. “O que faremos?”
Engasgou: “A única coisa que podemos fazer é descer!”
“Mas é muito alto!” Chiou ela. “É impossível, não vamos conseguir!”
“S-se pudéssemos subir...” Takeru suspirou, quase pensando em entregar-se à derrota de uma vez por todas. Mas ele não podia! Seria forte!
“O que é isso?!” O grito de Patamon chamou-lhes a atenção. O garoto correu até uma pequena cesta que estava no meio do terraço, e abriu-a sem hesitação. Um alívio que duraria pouco se instalou em seu pesado coração quando viu o conteúdo:
“Uma corda! Podemos usá-la para descer, Hikari!”
E a corda levitou-se no ar, perfurando as nuvens cinzentas do céu.
“O-ou para subir...”
“Parece tudo bem, ela está firme; vamos, Hikari, suba!” Ele encorajou-a com o olhar, após se certificar com cuidado se a corda era segura para ela. Patamon voou e escalava aos poucos. Viu o medo nos olhos de Hikari, mas, ainda assim, ele manteve um semblante corajoso. Ela, receosa, mas claramente confiando nele, começou a subir. Logo, ele foi atrás, determinado.
Foi quando Piedmon explodiu a porta e Hikari gritou, certa de que ele iria matá-la.
Mas Takeru não permitiria.
(...)
Ele iria morrer?
Patamon, a fim de deter o inimigo, havia ido batalhar. Mas Angemon estava apenas na fase campeã, e Piedmon era um Mega, infinitamente mais poderoso, além de ser movido pelo sangue, pela maldade. Os dois desferiam golpes, batiam-se com facas e bastões, esforçando-se para vencer. E Angemon, após levar seu próprio golpe redirecionado pelo palhaço, estava fraco e perdendo a luta — iria morrer, morrer, morrer... e nunca mais voltar...
Nunca mais.
Um grito escapou do Anjo, enquanto o mundo girava: Piedmon arremessara-o e caiu nas pedras.
“ANGEMON!”
As fracas mãos deixaram cair o bastão dourado. Não mais tinha força para segurá-lo.
Takeru chorava.
“Venha!” Ouviu Hikari chamando-o em desespero, a cima dele, agarrando-se à corda com as mãozinhas trêmulas. Sentiu-se congelar de indecisão. Ele não poderia ir com ela, não, de forma alguma ele abandonaria seu precioso e amado parceiro em seu leito de morte! Completamente em pânico, engoliu em seco quando sua própria voz tremeu:
“Não, Hikari!” Não pensava no que dizia. “O-o Angemon...”
Silenciou-se.
“A Hikari vai ficar assustada se me ver chorando... Preciso ser forte! Não posso chorar.” Compreendeu. Não era como antes, em que ele poderia dar-se o luxo de recuar e se esconder, enquanto os outros resolveriam o problema. Não. Agora era ele quem tinha que encarar tudo, encarar as Trevas, ser forte e encher os demais de bravura. E era isso mesmo que ele iria fazer, e fazer muito bem.
Takeru Takaishi prometeu-se salvar a Luz de todo o mundo.
Engoliu o próprio choro pela primeira vez e pôs um sorriso no rosto: “Não se preocupe com o Angemon! Ele vai ficar bem! Apenas continue subindo!” Hikari concordou, e, quando ia avançar, deu um berro.
Piedmon cortara a o resto da corda com sua faca.
Não havia como escapar.
“Vocês não têm como sair daqui!” Piedmon riu e, quase fazendo o loiro enfartar de susto, agarrou sua perna com força, querendo puxá-lo para baixo e matá-lo com a lâmina afiada. Hikari gritou seu nome, e agarrou a mão de Takeru com toda a força que possuía naquele momento fatal. Takeru queria suplicar-lhe que não soltasse nunca, chamar alguém para fazer aquilo acabar, chorar, abraçar Patamon, esconder seu rosto na blusa de Yamato para não ver nada daquilo — mas não fez nada disso. Encarou-a, firme:
“Me solta.”
“Não! Eu não vou!” Choramingou a menina. Ela sabia que, se o fizesse para se salvar, ele morreria. Foi sentenciado por Piedmon:
“ENTÃO OS DOIS MORREM JUNTOS!”
E cortou a corda que os ligava à vida.
(...)
“TAKERU, HIKARI!” “
“Eu vou morrer...”
Não adiantou ter se salvado de Pinocchimon naquela vez, sem derramar uma lágrima sequer. Quando finalmente achara que seu irmão o reconheceria como forte e capaz, ele foi embora do grupo. Mas aquilo ainda o deixava orgulhoso: não precisara de ninguém que o auxiliasse, escapou só e sem chorar! E ainda por cima enganou Pinocchimon, sem medo algum! Provou que era inteligente, corajoso e podia cuidar de si mesmo. Não precisava ser mais tão protegido: igualar-se-ia aos demais. Mas havia sido tudo em vão...
Iria morrer, sem qualquer chance, sem qualquer esperança.
Takeru Takaishi despencava da Montanha Espiral.
O maior e mais gritante desespero teve seu estopim quando Hikari soltou-se de sua mão, caindo numa queda sem fim para seu próprio lado. Foi aí que Takeru, berrando, entendeu que estava completamente sozinho no mundo, sem seu Anjo da Guarda, que, no momento, enfraquecido demais, tentava erguer-se de pé. Ouviu algo chacoalhar, preso a sua mochila, e pegou-o enquanto caía e o ar lhe fustigava a face.
Era o triste boneco de Yamato Ishida.
“... Onii-chan...”
Pôde jurar ouvir o som melodioso de sua gaita e as seguintes palavras:
“Takeru... Não desista... Você é o meu irmão! Você nunca desistirá, em nenhuma circunstância! CONTINUE LUTANDO! Por favor, Takeru, não desista...”
Estavam todos contando com ele — os dois mundos contavam com sua resistência, com sua gana de viver e fazer com que tudo desse certo no final, sem desistir jamais! Ele era o único que podia! E ele não se permitiria deixar-se derrotar! Eles não tinham desbravado tantas florestas, atravessado tantos mares, sofrido em tantos desertos, matado tantos inimigos e perdido tantos amigos para terminar assim. Esperança é a última que morre — mas é a primeira que manifesta vontade de viver!
“Não, eu nunca vou desistir! Eu nunca desistirei! Se todos formos destruídos, o nosso mundo será destruído também, então eu não posso e não vou desistir agora! Angemon!”
Takeru sentiu uma força estranha pulsando dentro de seu coração, algo tão poderoso, tão surreal e extraordinário que ele soube que iria conseguir vencer.
E conseguiu.
“ANGEMON SUPERDIGIVOLVE PARA... HOLYANGEMON!”
***
Um tempo depois, já no tão aguardado final de sua aventura, Takeru encontrava-se na Cidade do Princípio. Ao seu lado, Hikari esfregava Digitamas, dos quais logo nasceriam várias novas vidas que saudariam aquele mundo em paz. E, foi naquele momento, olhando para Hikari e depois para o lindo céu azul, que ele entendeu o quão grande era a vida, como seus amigos eram preciosos e quanto a sua esperança significava para os outros. Hikari riu ao seu lado.
E, pela primeira vez, ele não estava aguardando o dia em que tudo se resolveria.
Takeru Takaishi sorriu, porque já estava tudo bem.
Notas finais
Apesar de ter amado essa Digi-Shot, não sei se ficou realmente boa, mas espero mesmo que sim... *Levemente aflita* Considerem as perguntas de sempre.
A música-tema do Takeru em D.A é Be All Right, o que interpretei como vai ficar tudo bem, o que não é exatamente o significado literal da frase, depende bastante do contexto, e não me lembro do conteúdo todo da música. Mas dá para compreender. Foi a frase mais fácil de pôr :)
A introdução está mais longa do que geralmente, não é? Vou explicar: Eu TINHA que citar sobre a morte do Angemon, porque isso é simplesmente VITAL para entendermos o Takeru (mas não entrei em seu lado Dark, o chamado Darkeru no fandom de Digimon, não, deixemos isso para sua segunda Digi-Shot, ambientada em ZT), mas não me atrevi a detalhá-la como uma cena propriamente dita, assim como as outras partes, porque o troço ficaria IMENSO, então monologuei sobre isso junto com a introdução à situação emocional do Takeru e sua forma de reagir e enxergar as coisas. Espero que tenha ficado bom!! :)
A primeira parte foi uma justificativa do título, além de ser de um dos meus episódios preferidos do anime, o episódio 22. Eu não sei lhes explicar, mas, quando o Takeru fica daquele jeito por causa da ausência do Yamato... Eu... Não sei. Apeguei-me tanto ao personagem, que até me comovo. Ele geralmente é tão doce, alegre, gentil e brincalhão, e de repente fica todo tristonho. Gosto daquela cena, é significativa. Mas uma coisa que sempre me deixou frustrada foi ele ter acreditado tão rapidamente nas palavras de PicoDevimon, em vez de confiar na volta do irmão... E na Digi-Shot ofereci meu ponto de vista sobre isso: O medo de ser rejeitado pelo Yamato JÁ EXISTIA dentro dele e FOI REFORÇADO quando ele o deixou. Ele já pensava que, uma hora, cansar-se-iam de seu choro e iriam abandoná-lo. E, quando achou que isso aconteceu, não suportou, cedendo às mentiras de PicoDevimon. PicoDEVIMON. Até porque PicoDEVIMON-DEVIMON-DEVIMON não é nadinha suspeito e é um nome muito amigável que traz várias lembranças felizes. ¬¬
EU AMEI, AMEI escrever a parte que se passa no episódio 52, deles fugindo do Piedmon! Pus bastante momentos épicos ali, não? u.u Foi ali, naquele momento, que o DESTINO DE TUDO FICOU NAS MÃOS DE UMA CRIANÇA DE OITO ANOS! Oito aninhos! Imagine só a responsabilidade que até um adulto teria dificuldade em carregar! Mas, enfim, o Takeru conseguiu mostrar a todos que ainda duvidavam que ele era forte e sabia lidar com os problemas tanto quanto os demais. A minha parte preferida é quando ele engole o próprio choro e dispõe-se a continuar seguindo pela corda, para não assustar a pequena Hikari. Mostra o quanto ele amadureceu, e consegue resistir ao impulso humano de se esconder diante daquele pavor todo. Uma coisa que sempre me deixou curiosa foi quando o boneco do Yamato começa a falar com ele. O que vocês acham? Não sei se aquela voz era simplesmente os pensamentos do Takeru se manifestando na voz que sempre lhe deu segurança, como um mecanismo contra o desespero que ele estava sentindo, se o Yamato conseguiu falar com ele quando ele estava em forma de chaveiro acho que não foi isso, não! ou se ele estava SE LEMBRANDO do Yamato falando isso para ele. Opiniões?
E, eu não podia deixar de citar o meu episódio FAVORITO! O 43! Na verdade, o 43 E o 21 -aquele Temporariamente em casa, que mostra a Hikari pela primeira vez - são meus favoritos de todas as temporadas, e o terceiro é o 24, que foca no Koushiro... Mas, enfim. Eu AMO o 43, sem falar que Pinocchimon é praticamente o meu vilão preferido! ♥ Sei que isso talvez pareça bobo ele era o segundo menos apavorante, afinal, perdendo para o macaco laranja do Etemon mas é verdade. Adoro tudo no 43: a forma como o Yamato tenta proteger o irmão e o modo como ele reage, e também quando ele vai Brincar de Matar junto com o Pinocchimon para evitar que o Yamato seja morto, e como ele consegue escapar, sem falar do cenário da floresta que se mexe, os bonequinhos que os controlam ♥ e o dilema de fundo, sobre seguir em frente ou não após a morte de Whamon, e quando o Brasão do Yamato não reage... ♥ (Agindo como uma fangirl novamente? 0:-) )
Uma coisa que fiz questão de retratar é o medo do Takeru de ficar só, além da solidão que ele já sente dia a dia por causa do divórcio, e espero ter feito isso bem. E quero saber, também, se retratei bem a espécie de dependência que ele sente em relação ao Yamato por ele ser seu ídolo e ponto seguro e como isso tem uma diminuída DRÁSTICA depois, principalmente no arco dos Dark Masters, quando ele demonstra sua independência ou se deixei a desejar, e também a forma como ele se comprometeu a proteger a Hika-chan *-*
A parte do finalzinho é no nostálgico 54 :')
NOSSA! Queria falar mais, mas vou parar antes que essas notas fiquem MAIORES do que a Digi-Shot!! Rsrsrs
SÓ FALTA A DA HIKARI PARA FECHARMOS O ARCO I *_* Ah, SIM, eu SEI que ainda há a Digi-Shot "Espectadores" - algum palpite sobre o assunto que será tratado? - mas ela será bem pequena, pequena mesmo, então não estou contando-a aqui neste momento, apesar de ela ser do Arco I. Depois vem o Intervalo, em 2000, aí vem o Arco II, em 2002! Vou fazer uma capa especial para ambos! :)
Abraços, muito obrigada por lerem e espero mesmo que tenham gostado!
B. Star Fic
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