Digi-Shots
4 Digi-Shot IV: O Lobo Solitário
Notas iniciais
É, eu demorei um tanto, sim. É que uma outra ideia atropelou essa ideia, então, tipo, eu comecei a escrevê-la ao invés de escrever esta, mas, acabei ficando em dúvida em qual das ideias priorizar. Como eu já tinha começado com esse projeto, voltei pra ele, mas fiquei com um pouco de dificuldade sobre o que escrever, aí, uma outra ideia apareceu, eu escrevi metade dela, então eu fui escrever um conto que não tem nada a ver como Digimon e... AAH! kkkkkkkkk ^_^ Sou uma máquina de escrever, só não sei administrar as coisas que eu escrevo, hahaha! :)
Enfim, aqui está, o capítulo falando sobre o Yamato! Ficou levemente maior do que o do Taichi (ainda curto para os meus padrões), e falarei um pouco sobre isso nas notas-finais.
Aproveitem! ♥
Solitário.
Era assim que vivia — como os lobos que costumam uivar para a lua.
Pois, principalmente, criar vínculos afetivos era perigoso.
Yamato Ishida preferia a música às pessoas, as notas às conversas e os instrumentos aos abraços.
A música, se ele quisesse, jamais deixaria de tocar em seus ouvidos e lhe cantaria apenas o desejado. As notas podiam ser compostas por ele próprio, enquanto as conversas fluíam apenas se ambos cooperassem e gostassem do mesmo assunto. E os instrumentos; ah!, os instrumentos, o que possibilitava as melodias serem tocadas. Esses sim, eram muito bons — principalmente sua amada gaita.
Mas as pessoas podiam se separar.
Podiam pedir divórcio...
E arrastar cada filho para uma direção.
Sim, elas podiam e não se recriminavam em fazê-lo. Era por isso que vínculos afetivos eram e sempre seriam perigosos — a ruptura dos mesmos seria terrível, desastrosa. Todos pareciam afogar-se em seus próprios sentimentos, sem saber controlá-los ou mesmo como lidar com eles de maneira que não ferissem os demais. Afundavam cada vez mais e nunca eram encontrados no fundo d’água...
Era por isso que Yamato andava na orla.
“Onii-chan?”
A voz docemente inocente de Takeru chamara sua atenção naquele dia, enquanto os dois estavam encostados numa árvore com seus Digimons, descansando. Os demais estavam na parte oposta do lago. Há quanto tempo havia sido isso? Meses, provavelmente, mas, naquele mundo, pareciam anos, décadas. Quando Seadramon os atacou, na primeira noite no Digimundo, e, para salvar Yamato, Gabumon digivolvera pela primeira vez.
Isso lhes tirou uma noite de sono, e tentavam compensá-la.
“Sim, Takeru?” Ah, sua voz mudava ao se dirigir ao pequenino. Ficava mais suave e tranquilizadora, quase mais vulnerável, como a do loiro mais novo. Como se Yamato tivesse medo de elevar a voz com o irmãozinho, coisa que era verdade. Ele era frágil, não era? Não merecia ter passado pelo que passou e Yamato não permitiria que nada acontecesse com ele, nunca.
Takeru precisava ser protegido — e ele era o encarregado de fazê-lo. E faria, pra sempre.
Apesar de parecer lidar com a questão do divórcio melhor que ele próprio... Como?
Ah... Esperança, claro.
“Você pode tocar para mim de novo?” Suplicou-lhe, com uma animação infantil e adorável nos imensos olhos azuis. “A mesma música de antes? Por favooor?”
Como dizer não?
“Claro, Takeru.” Atendeu-o prontamente, com a voz contida e um semblante ilegível. Antes, porém, de tocar a gaita, o irmão o interrompeu:
“Onde você aprendeu essa música, Onii-chan?” Indagou, curioso. Takeru afagava gentilmente Patamon (impressionava-o; podiam até ter laços de sangue, no entanto, ele adorava demonstrar afeto!), enquanto aguardava o irmão responder:
“Eu... Não tenho certeza.” Franziu a testa. “Eu simplesmente a sei. Devo ter ouvido há um tempo, quando era mais novo.” Não quis aprofundar o assunto pela irrelevância do mesmo.
“Você costumava tocar muito ela pra mim!” Riu Takeru, contente, balançando Patamon em seus bracinhos. Isso era verdade: ele costumava tocá-la, para acalmar Takeru por causa de seus pesadelos ou coisas do gênero. Costumava. Ele se referia à tempos remotos e amenos, tão inalcançáveis quanto nostálgicos.
Quando as famílias Ishida e Takaishi ainda eram uma só.
“Quando eu era pequeno, lembra?”
“Você ainda é pequeno.” Yamato murmurou, erguendo as sobrancelhas.
“Não sou!” Takeru fez beicinho, completamente indignado. O maior — ainda que por uma diferença de três anos- esforçou-se para prender o leve riso que desejava escapar de seus lábios: que pouca consciência Takeru tinha sobre sua própria idade! Isso o divertia, ainda que ele mal chegasse a demonstrar. “Eu tenho oito anos completos! OITO!”
“Quem te deu essa gaita, Yamato?” Gabumon perguntou de repente, sem levar em conta os protestos do mais novo. Ele olhou para o belo objeto reluzente em suas mãos, parte dourado, parte prateado, onde estava cravado:
‘Blues Harp’.
“Meu pai me deu de presente.” Respondeu-lhe lentamente, quase incomodado pela pergunta; considerou-a um tanto invasiva. Mas, claro, Digimons não possuíam regras de etiqueta, possuíam? Se bem que, de certa forma, Gabumon também era bem tímido.
Encaixavam-se, esses dois.
“É muito bonita.” Gabumon elogiou-a, sincero. “E você toca muito bem.” Antes que Yamato pudesse proferir algo, o Digimon virou-se para os outros dois presentes: “Não é?” Patamon e Takeru, mais ativos e extrovertidos, assentiram alegremente.
“Hum.” Murmurou roucamente o loiro mais velho em resposta. Julgou-a insuficiente e fez um breve movimento com a cabeça.
“Eh, Yamato...” Suspirou Gabumon. “Porque você é tão tímido?”
“Você poderia ser mais alegre, Onii-chan.” Takeru atropelou a resposta digna que estava sendo arquitetada na mente de Yamato com uma reflexão inocente, tirando-lhe a oportunidade de negar a frase — ainda que verdadeira — de seu parceiro.
“É, é, alegre.” O Digimon coberto por um casaco de pelos pensou por um breve segundo. “Como quem, por exemplo?”
“Sabe, alegre como o...” Takeru balbuciou, perdendo-se por um momento de sua linha de raciocínio, para se achar novamente com um imenso e bobo sorriso: “Como o Taichi!”
Yamato suspirou, de fato incomodado: Porque o SEU irmãozinho gostava tanto daquele moreno hiperativo, por quê? Desde a primeira vez que o vira, no ônibus rumo ao acampamento, nutria admiração por aquela criatura de cabelos bagunçados.
Podiam todos se conhecer apenas há dois dias, mas algo o dizia que Taichi, imprudente, causar-lhes-ia muitos problemas naquele mundo estranho.
“Deixe disso. Eu não sou tímido...” Yamato franziu o cenho, desprovido de qualquer argumento decente.
Uma voz divertida e provocadora ecoou por trás da árvore cujo tronco servia-lhes de encosto, revelando um espião indesejado:
“Ah, é sim! Se você fosse mudo, ninguém nem notaria!”
“...!”
“Viu só? E eu sei que você ainda gosta de explodir por nada, loiro esquentadinho...”
“NINGUÉM TE PERGUNTOU NADA, TAICHI!”
***
“Yamato...”
Oh, bem, era isso — ele havia feito uma besteira imensa.
Uma idiotice digna de Taichi Yagami, seu inimigo.
...Não, não, NÃO! Ele não era seu inimigo! Haviam enfiado essa mentira em sua cabeça. A questão era que cada um tinha seu próprio jeito de pensar, certo? Cada um possuía sua própria maneira de encarar o mundo e seus desafios, cada um tinha um jeito de lidar com eles; lutar ou refletir. Nenhum das duas maneiras era a ‘correta’. Eram apenas diferentes. Não, mais que isso: eram opostas.
E, por isso mesmo, completavam-se.
Meses tinham se passado desde aquele dia, quando o chamaram de tímido, e muita coisa havia mudado. A aventura desenrolava-se. A besteira pela qual ele estava se culpando no presente era como atacara Taichi, influenciado por um dos servos de Pinnochimon.
Ele não podia acreditar que tinha ido lá para socá-lo, brigar com ele e Agumon! Por que logo ele, Yamato Ishida, tinha recebido o brasão da Amizade?! Ele não o merecia! Era indigno, não era bom o suficiente...
Por quê? Por quê...
A simples ideia de não ter ficado mais forte tirou toda a sua razão em segundos.
“Yamato, por favor, responda! Fale comigo!”
Ignorou a voz.
Todos mudaram tanto! Porque ele tinha que ser o único a ficar para trás? Taichi parecia cada vez mais corajoso — e responsável. Sora, mais amável — e compreensiva com os atos de sua mãe. Koushiro, mais curioso — e menos perdido no próprio mundo. Mimi, mais sincera — e mais capaz. Jyou, mais confiante — e menos histérico. (Hikari, quem conhecia há pouco, ele não tinha como dizer.) E...
Takeru, mais esperançoso — e mais forte. Independente. Não necessitava a proteção de Yamato.
Ninguém mais precisava dele. Era ele quem precisava dos outros. Taichi era melhor.
“Yamato, saia dessa! Você é mais forte do que isso!”
Ignorou-a mais uma vez, e mergulhou bem fundo das Trevas.
***
“Você quer que eu te deixe sozinho?”
Era aquela voz novamente... Não, era Gabumon; quem estava tentando falar com ele era o Gabumon!
E Gabumon não podia deixá-lo sozinho! Não, tudo menos isso!
“Não, por favor...” Yamato implorou-lhe, agoniado, com a voz perdida no nada. Ele tinha consciência de que o parceiro estava na sua frente, mas era extremamente vaga: apenas via o seu vislumbre, um contraste negro que parecia estar atrás de uma água turbulenta. Inclusive as vozes de ambos, que pareciam estar distantes e distorcidas.
Tudo naquela caverna parecia meio preto, na verdade.
“Então, pare com isso! Não deixe as Trevas vencerem!”
Considerou a proposta por um segundo. Escuridão. Era a solução mais fácil, deixá-la vencer. No entanto, a parte que ainda raciocinava de sua mente meio sufocada vagou a outro ponto: o fato de Gabumon ainda estar ali, com ele, por mais ‘insignificante’ e ‘indigno’ que ele fosse.
Ainda atordoado, sussurrou em desespero:
“Eu não mereço a sua companhia, mas não me deixe só, por favor.”
“Eu não vou te deixar, e... Claro que merece!” Ouviu-o suspirar, exasperado. “Olha, Taichi não é melhor do que você. Vocês são diferentes, e é comum que as suas opiniões se choquem, mas, Yamato, você é único! Eu esperei muito tempo apenas pra te conhecer! E é você o irmão do Takeru, não o Taichi! Pare de se comparar com ele!”
Gabumon era seu amigo. Estava ali, com ele.
“Gabumon...”
“Eu não vou te deixar.” Prometeu, com toda a certeza do mundo.
“Por quê?!”
“Porque eu sou seu amigo, Yamato.”
Muito silêncio. Reflexão.
“Então...” Sua visão começou a clarear. As trevas estavam indo embora, ele voltada ao normal. “Você estará comigo pra sempre?”
“Para sempre.”
De repente, ele não estava mais solitário.
E levantou-se, pois tinha um amigo para agradecer, um irmãozinho para encontrar, um garoto corajoso para ajudar e ambos dos mundos para salvar.
(...)
Quem sabe, poderia sair da orla e começar a, realmente, amar as pessoas. Amá-las com todo o seu coração, confiar nelas. Ser amigo delas. E, também, seria mais sincero com seus pais. Ele estava satisfeito por tomar essa decisão. Não se culpava ou atormentava mais:
Yamato Ishida tinha ficado mais forte, como seus amigos, e faria de tudo para jamais perdê-los.
Notas finais
Sabe, eu estou mesmo em dúvida; Qual das Digi-Shots (ainda amo esse termo :P) ficou melhor? A do Taichi ou a do Yamato? Sabe, a do loiro ficou um tanto maior de forma proposital: Ele é mais adepto a divagações e reflexões do que o Taichi, entendem? Provavelmente, a Digi-Shot da Sora, a próxima, vai ficar num meio-termo. Ah! Isso, claro, se estiver ficando bom assim. Eu queria algo curto para ser algo centrado apenas no Digiescolhido 'principal' em cada uma, mas, como eu nem sempre avalio as coisas muito bem, eis a pergunta:
As Digi-Shots deveriam ser maiores? Justifique sua resposta. (kkkkkkk),
E, antes que eu me esqueça, notas importantes sobre essa Digi-Shot:
*Onii-Chan = Maninho.
*Blues Harp está de fato escrito na gaita do Yamato. Sério mesmo! Eu procurei, hahaha! Eu dei uma olhada no episódio que o Joe devolve a gaita pro Matt, alguém lembra? Pois é, tem uma hora que o Joe segura a gaita e dá pra ver BEM: "Blues Harp." Eu fui procurar na internet e realmente é uma marca de gaita! :) :) Sei lá, eu queria pôr isso na Digi-Shot. Gosto de notar coisas que não tinha notado antes, e amo transmiti-las. (Primeiramente, achei que estava escrito "D. Blues Harp". Alguém faz alguma ideia? ^_^'')
*O nome 'original' do Joe, não é "Jou" como eu havia pensado. É "Jyou" mesmo! Uh... Na verdade, eu já não tenho certeza. Acho que pode ser ambos (?) Help?
*"Andando na Orla" é a música tema do Yamato em D.A. 1. Por isso que eu fiz menção à isso (não foi algo do nada, gente kkk), assim como eu mencionei a música tema do Taichi na anterior. E eu vou fazer isso com todos! :)
*A primeira parte se passa meio que após o episódio 3. A segunda, durante o 51, na caverna das Trevas, na hora do primeiro confronto com Piedmon. A terceira é apenas uma divagação, utilizando o meio "narradora onisciente", e não está necessariamente em um episódio, mas na mente dele, e pode ser considerada no 51, também.
Entããão, quero saber as suas opiniões sinceras! O que acharam? Retratei bem o Yamato e o 'problema' dele quanto à solidão, o Taichi e à proteção excessiva com o Takeru ? Poderia ter feito algo melhor? Ficou ruim por determinado motivo ou está ótima!? Curiosa aqui! *_*
É isso! :3 :3 Acho que atualizo daqui a uns dias! Muitos abraços! ♥
B. Star Fic.
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